"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quinta-feira, 20 de Julho de 2017
Novas regras na venda de animais de companhia

caes_e_gatos.jpg
Foi ontem aprovada na Assembleia da República, com a abstenção do CDS, o projecto de lei do PAN que vai não só regular a compra e venda de animais de companhia, mas também proibir o anúncio online de compra e venda de animais selvagens.
O texto legal prevê que as transacções de animais de companhia passem a obrigar a uma “declaração de cedência ou contrato de compra e venda do animal e respectiva factura”, ou, se for o caso, um “documento comprovativo de doação”. A transacção passa também a implicar o comprovativo de identificação electrónica e uma declaração do médico-veterinário, “que ateste que o animal se encontra de boa saúde e apto a ser vendido”. O diploma proíbe ainda a publicitação e venda online de animais selvagens. O projecto de lei que regula estas duas matérias prevê multas entre os 200 euros e os 3.740 euros para casos de incumprimento. Ainda no domínio dos animais de companhia, o parlamento aprovou, com a abstenção do PSD, um projecto de resolução do PAN que recomenda ao Governo que “proceda à publicação do despacho a fixar a data da constituição da obrigação de identificação de gatos”, dando cumprimento ao disposto na lei.

 

   Comunicado do Clube Português de Canicultura

Como é do conhecimento dos associados e dos canicultores em geral, o Clube Português de Canicultura tem vindo a acompanhar nos últimos anos a produção legislativa relacionada com a área da canicultura organizada.
Assim, tem vindo a intervir por si ou através da Plataforma Sociedade e Animais de que é fundador, na defesa do Livro de Origens, dos cães de raça, e dos seus criadores e utilizadores desportivos.
Tem sido dado conhecimento aos canicultores através de comunicados da Plataforma Sociedade e Animais, das várias diligências efectuadas junto dos Partidos com assento parlamentar, no sentido de sensibilizar os mesmos, para as implicações de algumas propostas legislativas que comportam impactos negativos, que se pretende impedir ou minorar.
A mais recente proposta de Lei de iniciativa do PAN, comportava vários aspectos que porventura se justificava regular, de que se realça a obrigatoriedade de fazer constar o LOP nos anúncios de venda de cães de raça, criando algumas obrigações para os anunciantes, quer sejam criadores quer sejam intermediários, visando moralizar o comércio on line, onde de forma recorrente surgem conflitos e publicidade enganosa.
Contudo, aquela proposta, por desconhecimento da realidade cinológica do país, revelou também aspectos prejudiciais e lesivos para o universo dos canicultores, levando o CPC a propor redacções alternativas e sugestões a outros partidos, de molde a alterar o texto inicial do projecto de lei, propondo mesmo, alterações e melhorias do normativo em vigor.
É da maior importância que os canicultores acompanhem estes projectos de lei que regularmente o PAN apresenta na Assembleia da República e que em muitos dos casos não contemplam os interesses da canicultura organizada e que a pretexto de regular algumas áreas, criam dificuldades aos agentes da cinofilía ou mesmo impedem que possam prosseguir a sua missão de selecção e melhoramento animal, pondo consequentemente em perigo a existência do Livro de Origens Português.
A referida proposta inicial do PAN (Projecto-Lei n.º 359/XIII/2ª) com vista a “Regular a compra e venda de animais de companhia e a compra e venda de animais de companhia, em estabelecimentos comerciais e através da internet” e a versão do “Texto Final apresentado pela Comissão de Agricultura e Mar” relativo ao referido Projecto de Lei poderão ser consultados através dos links disponibilizados, podendo constatar-se as diferenças a que a primeira versão se viu sujeita, devido à intervenção do Clube Português de Canicultura, e ao apoio de alguns partidos, nomeadamente do CDS, PSD e PCP.
Resumindo as questões mais relevantes que afectariam a canicultura e que se viram modificadas ou retiradas, por intervenção e contrapropostas do CPC, como segue:
Vinha proposta uma definição de criação comercial que atribuía automaticamente a actividade comercial a quem criasse e cedesse a título oneroso uma só cria, independentemente do espaço temporal em que tal ocorresse.
Assim bastaria vender um cachorro em toda a vida do criador para lhe ser atribuída a actividade profissional de criador comercial, quer fizesse disso profissão ou não.
Esta proposta por ser totalmente absurda, por não ponderar quantidades significativas vendidas, nem delimitar as vendas ao exercício fiscal, sobrepondo-se mesmo à vontade do cidadão na livre escolha da actividade que quer exercer, veio a ser alterada para um conceito correcto do ponto de vista jurídico, que respeite os direitos dos cidadãos.
A proposta de obrigatoriedade de Prestação de Garantia Acessória a prestar pelo vendedor, pelo seu exagero e consequências que podia acarretar, veio também a ser retirada. A versão proposta podia nalguns casos impor um ónus ao vendedor totalmente desproporcionado, podendo prolongar-se pelo período temporal da vida do animal com custos muito superiores ao próprio valor deste. A lei já estabelece os direitos e garantias gerais de que o comprador beneficia e a responsabilidade contratual é aferida caso a caso, razão pela qual, foi entendido retirar da proposta de lei a referida prestação acessória.
A proposta que condicionava a importação de animais a países que possuíssem normas de bem-estar equivalentes às que vigorassem em Portugal, também foi alterada, passando só a estar condicionada às normas de sanidade equivalentes, que são as que estão em vigor actualmente. De outro modo os canicultores ficariam impedidos de importar cães de países terceiros à UE, traduzindo-se isso numa restrição ao livre comércio internacional, prejudicando a melhoria de reprodutores e a selecção genética dos efectivos nacionais e criando constrangimentos insuperáveis em todas as áreas cinotécnicas desportivas.
Aproveitando a proposta de alterações à norma sobre Sanções acessórias, chamou-se à atenção de duas alíneas que constam no diploma em vigor e que violam os direitos fundamentais dos cidadãos, nas quais se estabelece:- a interdição do exercício de profissão ou actividade que dependa de título ou autorização ou homologação de entidade pública e a privação do direito a subsídio outorgado por entidades ou serviços públicos.
Pelas razões suscitadas foram as mesmas alteradas, por forma a condicionar as sanções às profissões e actividades reguladas no presente diploma e não quaisquer outras.
O trabalho desenvolvido no âmbito desta alteração legislativa levou o CPC a contribuir com inúmeras propostas alternativas para a correcção de erros notórios que prejudicariam a canicultura organizada, indo mesmo mais além, tentando corrigir algumas normas em vigor que carecem de melhorias, o que nem sempre foi conseguido, ainda assim, julgamos que o saldo foi francamente positivo e estamos convictos de ter prestado um serviço meritório à canicultura nacional.



Publicado por Tovi às 13:49
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017
Eu... nas Exposições Caninas Internacionais de LIsboa

ECI LIsboa 2017 Jul2017 aa.jpg
Um momento interessante, captado em foto pelo meu querido amigo José Rodrigues, onde estou com toda a atenção nas minhas tarefas de Comissário de Ringue num dos julgamentos das Exposições Caninas Internacionais de Lisboa deste ano e que se realizaram no Hipódromo do Campo Grande no último fim-de-semana.

 

   Comentários no Facebook

«Jose Riobom» - ...estás com ar de estadista.... ainda vais lá chegar....[Emoji wink;-)]

«Rafael Maciel Oliveira» - Já estás com ar de candidato?

«Luis Leal Pipa Brasil II» - Abraço David Ribeiro !

«Helena Serra» - Beijinhos David Ribeiro 😗😉

«Maria Helena Costa Ferreira» - Classe!

«Paula Botelho» - Não envelheces amigo.... Saudades!!!!!



Publicado por Tovi às 11:30
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Domingo, 16 de Julho de 2017
130ª Exposição Canina Internacional de Lisboa

130 ECI LIsboa.jpg



Publicado por Tovi às 12:17
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Sábado, 15 de Julho de 2017
129ª Exposição Canina Internacional de Lisboa

129 ECI Lisboa.jpg



Publicado por Tovi às 12:14
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Domingo, 28 de Maio de 2017
Fúria de Duques Negros venceu a Taça de Mondioring

Mondioring 2017 ab.jpg

Ontem e hoje realizou-se no Estádio do Grupo Desportivo de Serzedelo (Guimarães) a Taça de Portugal de Mondioring 2017, prova final do Campeonato Nacional do Clube Português de Canicultura e selectiva para o Campeonato do Mundo. O grande vencedor desta prova (grau III) foi uma cadela “Pastor Belga Malinois” – Fúria de Duques Negros – de Celso Alves / CaneUtile.



Publicado por Tovi às 23:08
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Sábado, 27 de Maio de 2017
Taça de Portugal de Mondioring

…este ano em Guimarães 

Mondioring 2017 aa.jpg



Publicado por Tovi às 11:51
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Domingo, 30 de Abril de 2017
Castanheiros na Terra Fria

Vinhais Castanheiro 30Abr2017 ad.jpg

Tivemos hoje uma manhã fria e com chuviscos, alguma neve até, condições algo desagradáveis para a realização do Concurso Canino da Raça Cão de Gado Transmontano, que tem lugar anualmente na Moimenta, integrado na Feira Franca desta linda aldeia no limite norte do Parque Natural de Montesinho. Depois de um retemperador almoço na Casa da Corujeira, em Vinhais, e tendo deixado de chover, fomos dar um passeio – o Tour dos Castanheiros Milenares – onde fiquei deslumbrado com os dois soberbos exemplares de Castanea sativa Miller que se podem ver nas fotos que aqui publico. O maior destes exemplares tem uma altura total de 14 metros, um perímetro à altura de 1,3m de 12,8 metros e um diâmetro médio da copa de 17 metros.

 

   Parque Natural de Montesinho

mapa-Montesinho.jpg
“A riqueza natural e paisagística do maciço montanhoso Montesinho - Coroa e os valiosos elementos culturais das comunidades humanas que ali se estabeleceram justificam que urgentemente se iniciem ações com vista à salvaguarda do património e à animação sócio-cultural das populações”. Constitui este parágrafo o início do preâmbulo do Decreto-Lei nº 355/79, de 30 de agosto, que classificou a parte norte dos concelhos de Bragança e Vinhais como Parque Natural. Este estatuto justifica-se, tal como se pode ler no texto, face aos valores naturais, paisagísticos e humanos da região, à recetividade das autarquias locais para a salvaguarda do património dos seus territórios e às potencialidades de recreio e desporto ao ar livre que a região possui. Com a publicação do Decreto-Lei n.º 19/93, de 23 de janeiro, que criou o novo quadro de classificação das áreas protegidas nacionais, impôs-se a reclassificação do Parque Natural de Montesinho segundo os critérios aí estabelecidos. O preâmbulo do Decreto Regulamentar n.º 5-A/97 de 4 de abril, justifica essa reclassificação com a existência na área do Parque Natural de Montesinho de populações e comunidades animais representativas da fauna ibérica e europeia ainda em relativa abundância e estabilidade, incluindo muitas das espécies ameaçadas da fauna portuguesa, bem como uma vegetação natural de grande importância a nível nacional e mundial, que associadas à reduzida pressão humana verificada em quase todo o seu território permite que grande parte dos processos ecológicos evoluam em padrões muito próximos dos naturais. Referindo que todos estes valores, exemplares em termos de conservação da Natureza, justificam a aplicação de medidas de proteção adequadas a uma zona que constitui património nacional e europeu.

O que é um Parque Natural
Caracterização: Superfície - 74 229 ha
Localização: Situado no extremo nordeste português, o Parque Natural de Montesinho ocupa um quadrilátero bem encaixado na Sanábria espanhola, englobando as áreas das serras de Montesinho e Coroa, abrangendo a parte setentrional dos concelhos de Bragança e Vinhais, fazendo fronteira a nascente e a poente com Espanha.
Está confinado pelos meridianos 6º 30' 53'' e 7º 12' 9'' de longitude oeste de Greenwich, respetivamente a este e a oeste. A sul está limitado pelo paralelo 41º 43' 47'' de latitude norte e a norte pelo paralelo 41º 59' 24'' de latitude N.

Região Norte, Alto Trás-os-Montes, Distrito de Bragança, concelhos de: (*Só parte do território dentro da Área Protegida)
Bragança - freguesias: Aveleda, Babe*, Baçal*, Bragança (Sé), Carragosa, Castrelos*, Castro de Avelãs*, Deilão, Donai*, Espinhosela, França, Gimonde*, Gondesende*, Meixedo*, Parâmio, Quintanilha*, Rabal, Rio de Onor, S. Julião de Palácios*;
Vinhais - freguesias: Edral*, Fresulfe, Mofreita, Moimenta, Montouto, Paçó, Pinheiro Novo, Quirás, Santa Cruz, Santalha, Sobreiró de Baixo*, Soeira*, Travanca, Tuízelo*, Vila Verde*, Vila de Lomba*, Vilar de Ossos, Vilar Seco da Lomba, Vinhais*.
Esta área é constituída por uma sucessão de elevações arredondadas e vales profundamente encaixados, com altitudes que variam entre os 438 m e os 1481 m. Situado na terra fria transmontana, os xistos são as rochas dominantes, mas podem ainda ser encontrados granitos, rochas ultrabásicas e pequenas manchas calcárias.
A enorme diversidade da vegetação pode ser observada em percursos de poucos quilómetros, encontrando-se carvalhais, soutos, sardoais, bosques ripícolas, giestais, urzais, estevais, lameiros, etc.. Os carvalhais situados no Parque, dominados pelo carvalho-negral Quercus pyrenaica fazem parte de um continuum que se prolonga até à serra da Nogueira, constituindo uma das maiores e mais importantes manchas desta espécie. A flora é muito variada, devido à grande variabilidade geológica e climática que caracteriza esta zona, sendo de destacar as plantas que ocorrem em solos derivados de rochas ultrabásicas, onde se encontram espécies que no mundo apenas aqui podem ser observadas.
Em termos faunísticos, observa-se uma elevada diversidade biológica, resultante da diversidade de habitats que ocorrem nesta área de montanha. Com mais de 110 espécies de aves nidificantes, é uma área importante para as aves de rapina, como a águia-real (Aquila chrysaetus, existindo 3-4 casais desta espécie, correspondendo, aproximadamente, a 10% da população portuguesa. Estão referenciadas para o Parque Natural de Montesinho 70% das espécies de Mamíferos terrestres ocorrentes em Portugal, apresentando cerca de 10% destas espécies estatuto de ameaçado no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses. É de destacar a presença de uma das mais importantes populações de lobo-ibérico Canis lupus. Em relação aos répteis e anfíbios, podem ser observados nesta área 50% dos endemismos Ibéricos existentes em Portugal continental.
O Parque Natural de Montesinho possui um rico património sociocultural com práticas quotidianas vindas de usos e costumes ancestrais, embora já marcadas pelas crescentes mobilidades das gentes e pelas inovações tecnológicas. As festas, são um exemplo disso, sendo um elo de ligação entre as aldeias e um pretexto para o reencontro de famílias e amigos. Têm especial valor as antiquíssimas "Festas dos Rapazes", realizadas principalmente na zona da Lombada por altura do Natal ou dos Reis, segundo o costume de cada aldeia. Outra das facetas da cultura regional é a música tradicional, que acompanha sempre as festividades e onde se destacam as sonoridades da gaita de foles.
São notáveis ainda os exemplos de arquitetura popular, que utilizando os materiais característicos de cada região, resultam de milhares de anos de aperfeiçoamento e adaptação ao meio ambiente. Há também aspetos exclusivamente funcionais na arquitetura popular dignos de destaque, como os pombais, os moinhos e as forjas do povo.



Publicado por Tovi às 23:07
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Sábado, 29 de Abril de 2017
Monográfica do Cão de Gado Transmontano

Cão de Gado Bragança 29Abr2017 aa.jpg

Cá estão eles, alguns dos exemplares da raça Cão de Gado Transmontano, prontinhos para a Exposição Monográfica deste ano, hoje de manhã, em Bragança. Da parte de tarde, na Moimenta, teve lugar um muito participado Concurso Canino de Podengos.



Publicado por Tovi às 23:28
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Sexta-feira, 28 de Abril de 2017
Lá vou eu a caminho de Moimenta

Moimenta Abril2017 aa.jpg



Publicado por Tovi às 12:02
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017
Apresentação dos Juízes de "Porto Dog Show 2017"

ECI Norte 2017 af.jpg

ECI Norte 2017 ag.jpg



Publicado por Tovi às 09:57
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017
As minhas queridas comissárias...

...que tanto me ajudaram na cerimónia oficial de Apresentação dos Juízes das Exposições Caninas Internacionais do Norte, na Exponor, neste último fim-de-semana.
Que mais havia eu de querer para ser feliz? Obrigado, minhas queridas

ECI Norte 2017 ab.jpg



Publicado por Tovi às 11:06
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017
85ª Exposição Canina Internacional do Norte

ECI Norte 2017 BIS domingo aa.jpg



Publicado por Tovi às 22:44
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Sábado, 14 de Janeiro de 2017
84ª Exposição Canina Internacional do Norte

ECI Norte 2017 BIS sábado aa.jpg



Publicado por Tovi às 23:02
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
Morreu Pedro Albergaria

Após um perlongado sofrimento morreu o meu querido amigo Pedro Albergaria... e assim a canicultura nacional ficou de luto.

Requiescat In Pace

Pedro Albergaria morreu em 28Dez2016.jpg

  Clube Português de Canicultura

A Canicultura Portuguesa esta outra vez em luto, porque outro grande Senhor deixou-nos hoje. Pedro Soares de Albergaria ocupou durante diversos mandatos da nossa Direcção o lugar de Vice Presidente do Clube Portugues de Canicultura. Deixa muitos amigos e grandes saudades.



Publicado por Tovi às 13:34
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016
Displasia da anca no cão

Para quem gosta de cães, mas não está suficientemente bem familiarizado com a canicultura, é conveniente saber, antes da compra ou adopção de um cachorro para pet, o que é a displasia da anca.

 

  CPC/APMVEAC-2006

DISPLASIA DA ANCA - GUIA PARA O CRIADOR E PROPRIETÁRIO DE CÃES

displasia02.jpg
A displasia da anca é uma doença que afecta a articulação coxo-femoral, também denominada da anca. Esta articulação é formada pela cabeça do fémur e a cavidade acetabular dos ossos da bacia, e é responsável pela transmissão das forças da coluna vertebral pelo membro posterior até ao solo quando o animal anda ou corre.
Para que esta articulação funcione correctamente é necessário que exista uma coaptação perfeita das duas superfícies ósseas (redonda da cabeça do fémur e côncava do acetábulo), mas também resistência dos tecidos moles envolventes como a cápsula articular, ligamento redondo (liga a cabeça do fémur ao acetábulo, tal como a cápsula articular), músculos e tendões que envolvem a articulação.

O que é a displasia da anca?
A displasia da anca é uma doença de biomecânica de desenvolvimento, isto é, o animal nasce normal mas durante os seus primeiros meses de vida as articulações coxofemorais sofrem alteração na sua forma devido a falta de coaptação entre as superfícies ósseas originando deformação da cabeça do fémur. A falta de congruência articular origina artrose o que em muitos casos é responsável pela dor e consequente claudicação dos animais.

A falta de congruência das superfícies ósseas articulares deve-se a um processo de maturação mais rápido do esqueleto relativamente aos tecidos moles (músculos, cápsula articular, ligamentos) o que faz com que exista lassidão (falta de resistência) destes e consequentemente incapacidade para manter o contacto normal entre as superfícies ósseas da articulação.
Esta falta de resistência dos tecidos moles envolventes da articulação origina precocemente sub-luxação articular (cabeça do fémur mal encaixada na cavidade acetabular) e posteriormente lesões de artrose.

Quais as causas da displasia da anca?
A displasia da anca é uma doença hereditária e genética, embora alguns factores ambientais possam contribuir para uma maior expressão da doença em animais com genes para a displasia da anca.

Para o desenvolvimento da doença é necessário que o animal tenha genes para a displasia da anca. Não se sabe ao certo quantos genes estão envolvidos, mas sabe-se que são muitos, por isso é denominada de doença poligénica. Nas doenças poligénicas quanto maior fôr o número de genes alterados herdados dos progenitores mais marcada será a doença nos cachorros. No entanto, a questão não é tão simples uma vez que alguns dos genes se combinam aleatoriamente e não de forma aditiva, embora num número muito reduzido.
Os factores ambientais como excesso de peso, ração hipercalórica, curva de crescimento muito acentuada, chão escorregadio e liso, excesso de minerais como o cálcio, excesso de exercício, contribuem para exacerbar as alterações mas não são a causa da doença.

A displasia da anca aparece com igual prevalência em todas as raças?
A displasia da anca é uma doença que aparece mais frequentemente em raças de cães médias e grandes, embora possa ocorrer em qualquer raça.

As raças mais predispostas são por exemplo S.Bernardo, Bulldog, Terra Nova, Retriever do Labrador, Golden Retriever, Mastins, Pastor Alemão, Serra da Estrela, Rafeiro do Alentejo, Shar-Pei, Akita, Setters, Cão Boieiro Suiço, Rottweiller, Dobermann, etc.
As raças pequenas são também atingidas embora pelo seu peso corporal em muitos casos não manifestem sinais clínicos da doença.

Qual a importância de radiografar o meu animal?
Não existe nenhum teste genético para despistar um animal portador de genes para a displasia da anca. O exame radiográfico, é hoje em dia considerado o meio de diagnóstico que melhor permite despistar os animais que não tendo sinais clínicos de displasia da anca têm no entanto lesões compatíveis com a doença, sendo essas lesões um marcador da presença de genes para a doença.

Os animais devem ser radiografados aos 12 meses para raças médias e grandes e 18 meses raças gigantes. O Rottweiller sendo uma raça grande deve ser radiografado aos 18 meses. A partir dos 5-6 anos de idade a avaliação torna-se mais difícil uma vez que podem existir lesões de artrose não relacionadas com displasia da anca. Por isso, para efeitos de despiste de displasia da anca dever-se-á evitar submeter radiografias de animais a partir desta idade.

Porquê anestesiar o animal para realizar o exame radiográfico?
A anestesia geral permite um relaxamento muscular total e dessa forma conseguimos posicionar correctamente o animal para o exame. Caso contrário teremos de repetir várias vezes a radiografia até obter um rx de boa qualidade. Sem um posicionamento correcto é impossível atribuir uma classificação à radiografia.

Por outro lado o relaxamento muscular permite observar a lassidão da articulação com maior facilidade e dessa forma sermos mais precisos na avaliação.

Qual o significado dos diferentes graus da classificação da displasia da anca?
Os graus atribuídos na classificação da displasia da anca em Portugal são os graus definidos pela Federação Cinológica Internacional e que se identificam por letras: A, B, C, D, E.

Os graus A e B são animais sem sinais radiográficos de displasia da anca, os graus C, D, e E correspondem a animais com sinais de displasia da anca. O grau C corresponde a displasia ligeira, o grau D displasia moderada e o grau E displasia grave.

Quais os graus de displasia da anca que posso usar na reprodução?
Em princípio só deveríamos utilizar na reprodução animais com graus A e B. De facto só esses permitiriam reduzir significativamente o número de genes para a displasia. No entanto, nalgumas raças o nível de displasia da anca é tão elevado que se eliminássemos todos os animais com grau C ficaríamos com um conjunto de reprodutores muito limitado. Nestes casos pode utilizar-se um dos progenitores com grau C embora o outro deve ser A ou B. Esta é uma excepção não deverá ser a regra.

Qual a importância de reduzir a prevalência da doença?
Se utilizarmos na reprodução animais com displasia da anca a doença perpetua-se com uma intensidade crescente devido ao efeito maioritariamente aditivo da combinação dos genes e consequentemente animais com sinais mais marcados. Isto tem repercussões individuais pelo sofrimento do animal envolvido e dos seus proprietários, maiores despesas associadas à terapêutica e muitas vezes perdas de animais com características excelentes em termos de beleza ou trabalho. Por outro lado, em termos populacionais de uma raça conduz inevitavelmente ao retrocesso em termos de características da raça e um esforço posterior muito maior para obter animais sem sinais de displasia da anca.

Qual a importância de se conhecer os graus de displasia nos animais presentes num pedigree?
O reconhecimento do grau de displasia até à 3ª ou 4ª geração de um pedigree é muito importante porque isso dá-nos a percepção do grau de probabilidade de ocorrência de animais com displasia da anca.

Se eu dispuser de um cão classificado com grau B proveniente de pais e avós com graus A e B provavelmente este animal disporá de muito poucos genes para a displasia da anca. Se pelo contrário eu usar um reprodutor (macho ou fêmea) com grau B mas com alguns dos antepassados com grau C e D a probabilidade de obter cachorros com displasia da anca é francamente maior.
A inscrição dos graus de displasia nos pedigrees e a sua análise constitui um auxiliar fundamental na selecção criteriosa dos reprodutores.



Publicado por Tovi às 09:38
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