"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
O Porto sempre contra a Ditadura

...mesmo quando o nosso sangue corria pelas ruas da cidade.

3 de Fevereiro de 1927.jpg

  Pedro Baptista no Facebook

Fez ontem 90 anos - 3 de Fevereiro de 1927 – que eclodiu no Porto a primeira tentativa de golpe militar contra a Ditadura que se tinha instaurado em 28 de Maio no ano anterior. Malgrado a grande mobilização militar e popular na cidade do Porto e o apoio de grande parte das unidades militares nortenhas, o levantamento acabou por falhar pela indisponibilidade das unidades da capital que parece, tal como em 31 de Janeiro de 1891, não terem gostado da iniciativa a Norte. Lisboa haveria de aderir ao levantamento militar apenas no dia 7, ou 8, quando o Porto, depois de ferozmente bombardeado durante toda a semana e com centenas de mortos, já tinha sido obrigado a render-se para poupar a vida dos seus soldados. Sarmento Pimentel, um dos revoltosos que só haveria de voltar ao país depois de 1974, chamou ao levantamento lisboeta do Largo do Rato, a Revolução do Remorso! Bem observado!



Publicado por Tovi às 08:30
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016
Revolta dos Taberneiros

Ao ouvir falar de um possível novo imposto sobre o vinho, lembrei-me disto:

 

Revolta dos Taberneiros 1757 ab.jpgEm 1757 o Porto foi palco de duas revoltas populares contra a Companhia Geral de Agricultura e das Vinhas do Alto Douro, instituída em 1756 por Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O descontentamento motivado pela formação desta companhia monopolista não só se fez sentir entre os agentes ligados à produção e comercialização de vinho do Porto, nomeadamente os comerciantes ingleses e seus colaboradores, mas também entre os numerosos taberneiros, tanoeiros e pequenos armazenistas da cidade.
O primeiro e principal motim aconteceu na manhã do dia 23 de Fevereiro ao som dos sinos da Sé e da Misericórdia. Os amotinados, reunidos na Cordoaria e gritando palavras de ordem, avançaram até à casa do juiz do povo, sita no Largo de S. Domingos, que foi arrastado pela turba e conduzido numa cadeirinha por, alegadamente, se encontrar indisposto.
O numeroso e exaltado cortejo seguiu até à Rua Chã, ao encontro das residências do regedor das justiças, a quem foi exigida a extinção da Companhia, e do provedor Luís Beleza de Andrade. O escritório da Companhia, a habitação do seu provedor - de onde um criado disparou sobre os revoltosos - e as casas vizinhas de Manuel Barroso (secretário da Companhia) e de Custódio dos Santos (seu deputado) foram vandalizadas.
Depois destes episódios violentos os ânimos serenaram e pelas três da tarde a cidade já assistia à Procissão das Cinzas. Porém, esta afronta ao poder central estava longe de ser esquecida, pois, apesar da aparente passividade das autoridades, a notícia do motim chegara rapidamente a Lisboa através da relação enviada pelo Desembargador Bernardo Duarte de Figueiredo.
Cinco dias mais tarde, a 28 de Fevereiro, D. José I ordenou a João Pacheco Pereira de Vasconcelos que abrisse no Porto uma devassa. A 15 de Março, pouco depois da chegada do enviado régio, rebentou segundo motim.
Destes levantamentos populares resultou o apuramento de 462 suspeitos, 26 dos quais foram condenados à pena capital (21 homens e 5 mulheres), a ocupação militar da cidade por vários regimentos da Beira, do Minho e de Trás-os-Montes, a responsabilização dos portuenses pelo aboletamento das tropas, o lançamento de um imposto para pagar os soldos e munições de guerra, a mudança da vereação, a extinção da "Casa dos 24" e, ainda, a nomeação de João de Almada e Melo para Governador do Partido Militar do Porto.
No final, oito condenados conseguiram fugir, uma mulher escapou à forca por se encontrar grávida e os restantes 17 sentenciados à pena capital foram enforcados ou decapitados no dia 14 de Outubro de 1757. As suas cabeças foram colocadas nos patíbulos e os corpos, esquartejados, expostos no Largo de S. Domingos, nas ruas Chã e de Cimo de Vila e no terreiro de Miragaia.



Publicado por Tovi às 08:57
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Domingo, 26 de Junho de 2016
Batalha de São Mamede

Passaram na sexta-feira 888 anos sobre a data em que aconteceu a Batalha de São Mamede, momento tão bem recordado neste texto do meu amigo Pedro Baptista:

Batalha de São Mamede 24Jun1128 aa.jpg

Portugal tem hoje, dia de São João, o octingentésimo octogésimo oitavo aniversário da sua fundação, a entendê-la, como a nosso ver deve ser entendida, com a Batalha de São Mamede, ocorrida em Guimarães a 24 de Junho de 1128. Foi nesta ocorrência que Afonso Henriques rompeu definitivamente com o domínio galego sobre o Condado Portucalense, prendendo a mãe e todo o seu séquito galeguista. A partir daqui, com o apoio dos senhores do Entre Douro e Minho e alargando o seu domínio a todo o território até Coimbra, Afonso vai assinar “pela providência de Deus, príncipe de todo o Portugal". Esta aventura de um país independente tinha começado a e sua consecução, ao cabo destes 888 anos, tem contornos que, por vezes, parecem indicar ter sido um milagre. Com base nas noções de equilíbrio, simetria, infinitude e eternidade o 888 é um número mítico das numerologias que indica, no oriente, triplamente saúde e prosperidade. Assim seja, embora, sem mitos, não pareça nada.



Publicado por Tovi às 12:00
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Domingo, 20 de Dezembro de 2015
Transferência da soberania de Macau

Macau 20Dez1999 aa.jpg

Eram 17 horas e quatro minutos do dia 20 de Dezembro de 1999 e o Sol começava a pôr-se sob as águas do rio das Pérolas quando o general Rocha Vieira, depois de dar alguns passos na passadeira vermelha que atapetava o empedrado da calçada à portuguesa, olhou uma derradeira vez para a fachada do edifício e para a janela da sala que lhe serviu de gabinete nos últimos nove anos. O seu olhar deteve-se por alguns instantes no escudo português em pedra cravado no palácio e depois, com passo seguro e de cabeça levantada, mas sem nunca descolar a bandeira dobrada do peito, o governador entrou no carro com a sua mulher e partiu, por entre aplausos e alguns choros das centenas de pessoas que se aglomeravam no passeio.

 

Macau séc XVI ou XVII aa.jpg

Convém não esquecer que os portugueses estabeleceram-se ilegal e provisoriamente em Macau entre 1553 e 1554, sob o pretexto de secar a sua carga (Macau encontrava-se numa posição privilegiada das rotas comerciais portuguesas nas mares da China). Em 1557, as autoridades chinesas deram finalmente autorização para os portugueses se estabelecerem permanentemente em Macau, concedendo-lhes um considerável grau de autogovernação. Em troca, os portugueses foram obrigados a pagar aluguer anual (cerca de 500 taéis de prata) e certos impostos a estas autoridades, que defendiam que Macau continuava a ser parte integrante do Império Chinês. As autoridades chinesas tiveram desde sempre algum medo e desprezo pelos estrangeiros, passando a supervisionar atentamente os portugueses de Macau e a exercer, até meados do século XIX, uma grande influência na administração deste entreposto comercial.



Publicado por Tovi às 13:55
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Domingo, 21 de Junho de 2015
Hino da Maria da Fonte

Gosto deste hino... Letra de Paulo Midosie e música de Maestro Frondoni, aqui numa versão cantada por Vitorino.



Publicado por Tovi às 08:10
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015
Foi há 70 anos…

Auschwitz d.jpg

A 27 de Janeiro de 1945, as tropas soviéticas entravam no campo de concentração de Auschwitz.

Para assinalar um dia histórico, o Expresso disponibiliza online um texto publicado originalmente a 28 de Janeiro de 1995, onde alguns dos sobreviventes evocam o drama e se reflete sobre um episódio julgado impensável (ver aqui).



Publicado por Tovi às 10:22
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Domingo, 25 de Janeiro de 2015
Evezones – Guarda Presidencial Grega

Render da guarda em Atenas a.jpg

O dia de hoje é dedicado aos Helénicos… e lembrei-me que os Gê-Ene-Erres lá da Grécia - collants brancos, saiotes ao estilo de tutu de ballet e chancas com grandes pom-pons - têm um ar amaricado, não têm?...

E depois querem que lhes tenham respeito



Publicado por Tovi às 15:46
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014
Memórias (1º volume) de Pedro Baptista

Pedro Baptista apresentação Memórias vol1 e.jpg

Sexta-feira passada, ao fim da tarde, no Átrio dos Paços do Concelho, no Porto, estive presente no lançamento do 1º volume das MEMÓRIAS de Pedro Baptista. Foram oradores: Rui Moreira, Presidente da Câmara do Porto; José Manuel Cordeiro, Historiador; José Queirós, Jornalista; e José Sousa Ribeiro, Editor.

Queiram fazer o favor de não mandar bocas foleiras sobre a qualidade das fotos. As condições de luminosidade não eram as ideais para o meu LG-P970 (5.0 mega pixel) e o fotógrafo também não é de grande qualidade

Pedro Baptista Memórias vol 1 b.jpg



Publicado por Tovi às 08:34
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014
Dia D

Faz hoje 70 anos que começou a maior invasão anfíbia de todos os tempos, com o desembarque das tropas Aliadas nas praias da Normandia, operações militares que iniciaram o princípio do fim da Segunda Guerra Mundial. O assalto foi realizado em duas fases: uma aterragem de assalto aéreo de 24 mil britânicos, americanos, canadianos, e tropas livres de franceses aerotransportados pouco depois da meia-noite e um desembarque anfíbio da infantaria aliada e divisões blindadas na costa da França, com início às 6h30 da manhã.



Publicado por Tovi às 09:27
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Sábado, 17 de Maio de 2014
A Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial de Martin Gilbert

Colecção "Grande Guerra, Grandes Livros"

Tradução de Francisco Paiva Boléo

A Esfera dos Livros (2014 "Expresso").

{#emotions_dlg.chat} Associando-se à evocação do centenário da Grande Guerra, o ‘Expresso’ oferece, entre 10 de Maio e 21 de Junho, uma colecção de sete livros, distribuídos gratuitamente com a edição em papel. Os seis primeiros volumes correspondem à obra do historiador britânico Martin Gilbert, enquanto o sétimo e último é uma obra inédita dedicada à participação portuguesa na I Guerra Mundial, escrito pelos jornalistas do ‘Expresso’ Rui Cardoso e Ricardo Marques e pela historiadora Margarida Ramalho. Hoje sai o volume II.




Quinta-feira, 10 de Abril de 2014
Claro que já prescreveu…

…não faltava mais nada {#emotions_dlg.blink}

 (Bartoon, no jornal Público de hoje)


«Isabel Branco Martins» no Facebook >> Luís Afonso no seu melhor



Publicado por Tovi às 09:21
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014
Fischer Lopes Pires

Página 37 da edição de Março da revista "Visão História" que só hoje comprei. Um exemplar a guardar nas estantes da minha biblioteca.



Publicado por Tovi às 10:13
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014
O assassinato de Humberto Delgado

Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos, foram assassinados por agentes da PIDE liderados por Rosa Casaco, em 13 de Fevereiro de 1965, na Extremadura espanhola, a sul de Badajoz e a escassos três quilómetros da fronteira portuguesa. Tanto quanto sei esta é uma das poucas fotos dos corpos encontrados por dois pastores de Villanueva del Fresno, mais de dois meses depois do assassinato.

{#emotions_dlg.meeting} [Expresso - 20Jul2006] - «Como matámos Humberto Delgado» - Em 1998, António Rosa Casaco,  ex-inspector da PIDE, explicou ao EXPRESSO os pormenores da «Operação Outono»,  nome de código da armadilha montada contra Humberto Delgado. António Rosa Casaco chefiou a brigada da PIDE que assassinou o general Humberto  Delgado, no dia 13 de Fevereiro de 1965, perto de Badajoz. Fugido do país depois  do 25 de Abril, foi julgado à revelia e condenado a oito anos de prisão, sendo  ainda hoje procurado pelas autoridades portuguesas e pela Interpol. À beira de  completar 83 anos, o ex-inspector da polícia política, que vive no Brasil sob  falsa identidade, quebra o silêncio a que sempre se remeteu e conta ao EXPRESSO  a sua versão sobre o mais importante assassínio cometido pelo regime  salazarista. Assume que a cilada fatal foi montada pela PIDE, confirma que o  assassino foi Casimiro Monteiro, mas garante - contrariando o acórdão do  Tribunal - que Arajaryr Campos, a secretária do general, foi morta por Agostinho  Tienza.


«José Luis Moreira» no Facebook >> E aculpa morreu solteira porque a esses esbirros da PIDE nada lhes aconteceu...

«Henrique Camões» no Facebook >> Não é certo que tenha sido agentes da pide, ou pelo menos a mando da pide, o general tinha-se tornado incomodo para a esquerda, ao afirmar-se anti-comunista... além de que na investigação ficou claro que sendo um militar experiente, para cair na armadilha montada, teriam que estar envolvidas pessoas da sua confiança.

«Manuel Ribeiro da Silva» no Facebook >> O bando de Argel tem muito que contar sobre a morte do General sem Medo. Dá muito jeito os arquivos terem desaparecido para Moscovo, e todos os intervenientes já não existirem. Acredita cegamente na versão de que a DGS foi a única interveniente neste assassinato, só quem lhe convém...

«João Greno Brògueira» no Facebook >> Já agora aproveito para dar a conhecer que o General Humberto Delgado era natural da Freguesia de Brogueira que pertence a Torres Novas.

«David Ribeiro» no Facebook >> Vejam o que disse Rosa Casaco ao Expresso em 1998 – aqui.

«Diamantino Pedro» no Facebook >> Mais uma das histórias muito mal contadas…

«Manuel Ribeiro da Silva» no Facebook >> Ganda romance! Gostava de saber é porque carga d'água empandeiraram o Monteiro para Gago Coutinho, Leste de Angola, onde o conheci...

«Luiz da Cunha» no Facebook >> Manel e Diamantino Pedro, se sabem de mais pormenores que possam ser confirmados, publiquem. Eu gostava de saber e como eu, muita gente. Desde já, obrigado

«Manuel Ribeiro da Silva» no Facebook >> Oh Luiz da Cunha para quê? Seria chover no molhado. A "estória" já está "fabricada" para uns anos. Só quando as coisas arrefecerem, se saberá o que de facto aconteceu. Não te esqueças que ainda aí anda muita gente que tem muito a perder, se descobrem o seu envolvimento nesta (e noutras) patifarias... Ainda lidei bastante com o Monteiro por razões meramente militares (não esquecer que a DGS era a responsável pelas tropas não regulares), mas só soube do seu envolvimento nesta operação devido à confidência de um oficial superior amigo, do Batalhão local.

«Diamantino Pedro» no Facebook >> Eu, sobre este e outros temas nem quero levantar muitas ondas, é que a PIDE continua aí, tem é outro nome e serve outros senhores... Acreditem na versão do regime sobre isto e inumeras outras coisas, até é mais seguro.



Publicado por Tovi às 11:24
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014
Revolta de Fevereiro de 1927

{#emotions_dlg.chat} [Pedro Baptista no Facebook] - Faz hoje 87 anos, que, a 3 de Fevereiro de 1927, sob o comando do general Sousa Dias, grande parte do Porto Militar se levantou em armas contra a ditadura. Foi a primeira revolução portuguesa contra a Ditadura. O levantamento foi seguido por inúmeras guarnições do país, de Norte a Sul, mas não teve a solidariedade de Lisboa. Raúl Proença e Camilo Cortesão embarcaram numa traineira do Porto para conseguir levantar Lisboa, uma vez que as comunicações militares se mantinham na posse do inimigo. Durante 4 dias e 4 noites, o Porto, cercado pelas tropas da ditadura vindas de todo o país, esteve a ferro e fogo quer das bombardas vindas da Serra do Pilar, quer da aviação e cercado por mar, as estimativas variando entre as duas e as cinco centenas de mortos. Quando Lisboa militar se levantou, no dia 8, já o Porto, dizimado pelo cerco das tropas da ditadura, tinha sido obrigado a render-se para não haver mais mortos militares e civis e porque a relação de forças era brutalmente desfavorável aos republicanos. Por isso o Capitão Sarmento Pimentel chamou ao levantamento tardio de Lisboa, 4 dias depois do Porto, a "Revolução do Remorso"... Estes acontecimentos foram abafados durante a longa ditadura fascista que o país atravessou, sobretudo interessados em fazer passar a mentira de uma ditadura instaurada de forma pacífica e consensual.

HONRA À MEMÓRIA DO GENERAL SOUSA DIAS E DE TODOS OS COMBATENTES DO 3 DE FEVEREIRO DE 1927.

VIVA A CIDADE DO PORTO BALUARTE DA LIBERDADE!



Publicado por Tovi às 10:26
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014
O Sebastianismo

O fenómeno de superstição colectiva conhecido como Sebastianismo é muito anterior à morte e até ao nascimento do Rei D. Sebastião e nos dias de hoje, passados que são mais de quatro séculos sobre o desastre da batalha de Alcácer Quibir (1578) em que metade dos dezassete mil combatentes morreu, incluindo o próprio Rei, e a outra metade foi feita prisioneira, ainda há quem espere a vinda, numa manhã de nevoeiro, de um salvador para a Pátria Portuguesa. Por volta de 1534 um poeta popular português – Gonçalo Anes Bandarra – sapateiro de profissão e muito ligado à cultura dos cristãos-novos, escreveu várias trovas que mais não eram que um protesto contra a doação da vila de Trancoso ao infante D. Fernando, irmão do Rei D. João III. Acabou condenado pela Inquisição a “nunca mais escrever versos e a não se meter em leituras profanas”. Após a morte trágica do Rei D. Sebastião as profecias de Bandarra – críticas sociais à corrupção e à prepotência dos grandes - passaram a ser lidas com olhos diferentes e o Messias cujo regresso anunciavam, passou a ser D. Sebastião. E assim o “Sebastianismo” ficou enraizado na consciência popular como uma espécie de nacionalização do messianismo judaico, ou seja: Levar-nos a acreditar que numa época de sofrimento colectivo, haverá a vinda de alguém que não se sabe quem é nem donde virá, mas que nos dará a salvação a todos. E nos dias de hoje, em pleno século XXI, ainda há neste nosso Portugal quem esteja convencido que aquilo que todos nós profundamente desejamos não deixará de acontecer, independentemente do nosso esforço e sem implicação da nossa responsabilidade. Gente crente esta que temos neste rectângulo à beira-mar plantado.


«Rui Lopes A. D'Orey» no Facebook >> Por isso somos um Povo manso.

«Luiz Paiva» no Facebook >> Sebastianismo é o termo, o símbolo e o conceito de que alguém outro surgirá para resolver os nossos próprios problemas. Por isso somos um povo acomodado... Nos últimos séculos, tem-se atribuído o papel desse alguém ao Estado, daí as crises, as bancarrotas e tudo o mais...

«Miguel Félix» no Facebook >> Não posso aceitar este conceito! Ou crença ou rendição a algo inevitável. Parafreasendo um conceito mais recente: “We shall fight! With growing confidence and strength raising straight in the air… We shall defend our island, whatever the cost may be. We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills… We shall never surrender!”

«António Alves» no Facebook >> Aterrou no Porto há uns meses atrás ;-)

«José Luis Moreira» no Facebook >> Quem? O Marquês de Pombal? :)



Publicado por Tovi às 20:07
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