"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #10

D. Maria I foi coroada Rainha de Portugal em 24 de Fevereiro de 1777, por morte de seu pai D. José I. Em Fevereiro de 1792 foi obrigada a aceitar que o seu filho, futuro rei D. João VI, tomasse conta dos assuntos de Estado, pois o agravamento da sua instabilidade mental não permitia que continuasse a reinar. Com a entrada em Portugal das tropas napoleónicas em Novembro de 1807 a família real foge apressadamente para o Brasil onde se irá manter até meados do ano 1821. Após o conturbado período das Invasões Francesas (1807-1814) e mesmo nos anos seguintes, perante a ausência do rei que teimava em manter-se no Brasil, Portugal continental foi praticamente um protectorado britânico governado com mão de ferro pelo marechal William Beresford. A situação do País era catastrófica, com grande miséria, enorme devastação, abandono dos campos, muitos mutilados, cerca de 10.000 mortos, famílias desfeitas. O tecido produtivo estava completamente destruído e só o Vinho do Porto, monopólio inglês, conhecia progressos. Durante todo o século XIX o “Port Wine” representou 30% das exportações nacionais, cujo valor servia para pagar 19% das importações. Nos primeiros anos do século verificou-se um grande volume do negócio de exportação de Vinho do Porto (mais de 25 milhões de litros/ano), um decréscimo após 1814 (15 milhões de litros/ano), uma recuperação de 1825 até 1829, nova queda em 1830 (10 milhões de litros/ano), e após 1832 uma considerável retoma nos volumes dos vinhos exportados.


«Pedro Aroso» no Facebook >> Curiosamente, o rei João, como é conhecido no Brasil, é muito admirado e respeitado nesta antiga colônia portuguesa.




Sexta-feira, 27 de Dezembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #9

Continuando a pesquisar na NET sobre as implicações das Invasões Francesas na cultura da Vinha e do Vinho em Portugal, encontrei uma interessante referência a “vinhos brancos de Gradil” e que muito provavelmente seriam feitos com a casta Viosinho que neste terroir apresenta particularidades organolépticas muito peculiares - grande finura de aromas, com destaque para ameixa branca e uma forte componente mineral, tudo em equilíbrio com uma excelente acidez.

{#emotions_dlg.star} O historiador Robert Bremner encontrou nas memórias de August Schaumann, um oficial do exército britânico, uma referência bastante elogiosa a um antepassado seu. Escreveu Schaumann: «Fui ter com o Senhor Cammarata [Francisco Rodrigues Camarate, grande proprietário e homem de negócios, senhor da Quinta do Porto das Barras] ao Gradil, o negociante de vinhos que abastecia o regimento, e que tinha o vinho mais maravilhoso que havia; o vinho branco, em especial, brilhava como ouro quando saía da torneira da sua cuba de barro.» (in On the road with Wellington: The diary of a war commissary).



Publicado por Tovi às 13:06
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Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #8

Não é só o Vinho do Porto que tem interessantes estórias do tempo das Invasões Francesas. Vejam “A História do Vinho dos Mortos” tal e qual nos é contada pela Câmara Municipal de Boticas:

{#emotions_dlg.star} Foram as Invasões Francesas que vieram originar o aparecimento do que hoje é um verdadeiro ex-libris de Boticas – O VINHO DOS MORTOS. Foi durante a 2ª Invasão Francesa (1808) e em face do avanço das tropas comandadas pelo General Soult, que na sua passagem tudo saqueavam, pilhavam e destruíam, que a população de Boticas, para tentar defender o seu património, decidiu esconder, enterrando, o que tinha de mais valioso. O vinho foi enterrado no chão das adegas, no saibro, debaixo das pipas e dos lagares. Mais tarde, depois dos franceses terem sido expulsos, os habitantes recuperaram as suas casas e os bens que restaram. Ao desenterrarem o vinho, julgaram-no estragado. Porém, descobriram com agrado que estava muito mais saboroso, pois tinha adquirido propriedades novas. Era um vinho com uma graduação de 10º/11º, palhete, apaladado, e com algum gás natural, que lhe adveio da circunstância de se ter produzido uma fermentação no escuro a temperatura constante. Por ter sido “enterrado” ficou a designar-se por “Vinho dos Mortos” e passou a utilizar-se esta técnica, descoberta ocasionalmente, para melhor o conservar e optimizar a sua qualidade. O Vinho dos Mortos é, por isso, o símbolo de uma guerra de subsistência, não só material e económica, mas também e essencialmente moral. É o exemplo da sagacidade e da resistência do Povo de Boticas, “obrigado” a usar das mais inimagináveis formas de preservar o seu património.


«Jorge Veiga» no Facebook >> Cheguei a provar deste vinho, mas do original, já lá vão uns 38 anos. Que bom que era. Agora estão a tentar recuperá-lo, já há umas botelhas, mas ainda não o cheirei...

«Albertino Amaral» no Facebook >> O único vinho dos mortos que provei, foi o que existia na adega de um familiar em Cinfães do Douro, que tinha falecido há cerca de dois meses... Era uma loucura....!

«Jorge Veiga» no Facebook >> Eu bebi-o no abrandar das urgências quando estava em Braga (02 a 03h), à ceia, levado pelo nosso Chefe de Equipa, Dr. Lameiras, que era de Boticas. Vinho com pouco alcool, mas muito saboroso. As vinhas em Boticas não se dão muito bem por causa da altitude e do frio, excepto as castas que dão este vinho, que não sei quais são.

«David Ribeiro» no Facebook >> Dizem os entendidos que nos tempos antigos o Vinho dos Mortos era feito com uvas Morangueiras, casta que amadurece mal e que nesta região fria dá pouco álcool. Hoje em dia utiliza-se tudo o que dá vinho e é muito mais “folclore” do que “vitivinicultura”.

«Luiz Cunha» no Facebook >> Hoje, até de uvas se faz vinho!!!

«Raul Vaz Osorio» no Facebook >> Bebi deste vinho há uns 30 anos, quando estive algum tempo no Centro de Saúde de Boticas

«Jorge Veiga» no Facebook >> Chegou a desaparecer. Um conjunto de lavradores com o incentivo e apoio da Camara de Boticas relançou o Vinho dos mortos. Já há lagum há venda. Quando ia à abertura da pesca das trutas (1 de Março) no rio Bessa, iamos comer a um restaurante (já fechou por falta de herdeiros) -Vera Cruz (?) onde se bebi este vinho ao almoço. Sei que a pesca à tarde era mais atribulada... hehehe

«Luis Paiva» no Facebook >> David, explica-me melhor, em cronograma, isso das invasões francesas e da casta morangueira. Detalho o meu raciocínio: como é que se compaginam as Invasões Francesas no início do Séc. XIX, com a casta morangueira (vulgo americana, que é a "vitis rupestris") que foi importada da América e quem transportou a filoxera responsável por, em meados do séc. XIX, dizimar quase todos os vinhedos da Europa virando mortórios. Ou seja, isto das Invasões Francesas e do Vinho dos Mortos é muito anterior à existência de uvas morangueiras...

«Jorge Veiga» no Facebook >> Posso? O vinho morangueiro (americano), não é o que faz o vinho dos mortos. Há um erro de informação do David Ribeiro (desculpa mas é verdade). Há morangueiro naquela região, mas é um vinho diferente.

«David Ribeiro» no Facebook >> Claro que o Morangueiro é muito posterior ás Invasoes Francesas, mas segundo dizem esta casta esteve muito espalhada na região e como dava vinho fraco o sistema de enterrar as garrafas ia permitir uma segunda fermentação que salvava o vinho.

«Jorge Veiga» no Facebook >> David Ribeiro, não tem uma coisa com a outra. O vinho dos mortos resultou do facto dos habitantes da zona enterrarem debaixo de terra o vinho antes de abandonarem a casa, por causa dos franceses. Quando regressaram, viram que o vinho estava melhor e passaram a fazê-lo sempre. O nome vem daí. Não é vinho morangueiro. Está classificado como Vinho Regional Transmontano, agora tem perto dos 12º (antes teria 10 a 11º) e já se vende pela net se quiserem experimentar. vinho dos mortos.com cerca de 7,5€ cada garrafa. Este vinho ainda não experimentei. O morangueiro ainda existe na zona, mais cerca de Vila Grande e Vila Pequena (depois de Boticas e a caminho de Braga)com cerca de 11,5º. Diferente do americano da área de Penafiel e do vinho de cheiro dos açorianos (9 a 10º) Paladar é + ou - mesmo.

«Luis Paiva» no Facebook >> A propósito, este é um exemplar do meu baú de recordações. E, a gargantilha: "Não é da nossa procedência o vinho das garrafas que, embora com o nosso rótulo, não tenham o carimbo com as iniciaes A.M.F. sobre o lacre que cobre a rolha".

«Jorge Veiga» no Facebook >> Eu bebia sem rotulo... mas esse é de coleção.

«Graça Cavadas» no Facebook >> Interessante!!!



Publicado por Tovi às 18:45
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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #7

Com a devida vénia ao blog «AsInvasõesFrancesas», aqui fica uma caricatura de Charles Williams (British Museum) onde se retrata o que se passava em Portugal em finais de 1807: Os franceses ocupam o país, enquanto os ingleses, aos poucos, vão abrindo o bloqueio que fizeram na costa, permitindo quer a importação, quer a exportação de bens e mercadorias. Desta forma ingleses e franceses saíram a lucrar desta história e o Povo português, como sempre, foi quem se tramou.

Descrição da gravura - Um pequeno Napoleão, sentado numa pipa de vinho do Porto (envelhecido e genuíno), interpola John Bull: “E agora, mestre John Bull, mais notícias para ti. Em breve estarás fora do Porto”. Um português aproxima-se de John Bull, de chapéu na mão, dizendo: “Sou, como vê, um pobre português. Mas ele refere-se ao vinho do Porto; ele ficaria contente por trocá-lo aí pela sua grande bolsa de moedas – mas ela pertence-me, aqui entre nós”. John Bull, sentado e fumando um cachimbo, com um jarro de cerveja e uma enorme bolsa de moedas ao seu lado, replica: “Que se lixe ele e o seu Porto. Estou bem acomodado de Porto, e enquanto for abrindo os meus muros de madeira [i.e., o bloqueio instaurado pela esquadra britânica], e tiver um copo de uma cerveja feita na minha terra, as suas conquistas nunca me preocuparão”.



Publicado por Tovi às 13:29
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Sábado, 14 de Dezembro de 2013
A vergonha do «Vagueando na Notícia»

O «Vitor mango» do Vagueando na Notícia tem uma lata do caraças... Copiou um post do meu blog e nem teve a educação de dizer donde tinha roubado o texto.


«Jorge Almeida» no Facebook >> ele sabe que não vai preso!

«José Costa Pinto» no Facebook >> Recopie-o a ele. Assim, o texto volta às origens. :-)

«Graça Cavadas» no Facebook >> Há muito disso por aqui...

«Jorge Veiga» no Facebook >> desde que não roube o vinho do porto...

«David Ribeiro» no Facebook >> Já uma vez me tive que chatear com um "jornalista" de um jornal de província que também publicou como seu um texto que eu tinha escrito num fórum da NET. Esteve muito perto de ter que me pagar uma indemnização (por acaso não era a mim que tinha que pagar, mas sim ao "dono" do fórum onde eu tinha escrito o texto, pois tudo o que escrevemos em "casa" de outros passa a ser propriedade da pessoa em que está registado o "quintal da NET")

«Joaquim Leal» no Facebook >> Já te gamaram ah ah ah :D

«Maria Helena Costa Ferreira» no Facebook >> é o que mais se vê.....

«Victor Meirinho» no Facebook >> Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu !!!

«Zé Regalado» no Facebook >> Tovi, vê a coisa pelo lado positivo; se roubou é pq tem valor.

«Raul Vaz Osorio» no Facebook >> Eu cá registava-me no raio do forum só para poder ir lá expô-lo tal como é ;)



Publicado por Tovi às 08:18
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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #6

(Guerra Peninsular - Portugal, Torre do Tombo, documento de proveniência desconhecida)

De 1808 a 1811 a vida económica portuguesa foi gravemente perturbada pelas campanhas da Guerra Peninsular. Uma boa parte do território português esteve ocupada por estrangeiros que a não pouparam. Inimigos e aliados, franceses e ingleses, todos esgotaram os recursos das regiões que atravessaram e, como se ainda fosse pouco, às requisições das tropas somavam-se as destruições sistemáticas destinadas a dificultar o avanço do inimigo. Expulsas de Portugal as tropas francesas, as povoações e os campos viram regressar os seus moradores, mas muitos deles voltavam na miséria, sem possibilidades de tornarem a cultivar as suas terras e de remediarem os estragos que a guerra fizera. A acção governativa empenhou-se em combater os males a que estava sujeita a agricultura, a principal vítima da guerra, e esses cuidados consistiram em prover de sementes os lavradores que tinham interrompido o cultivo das terras, fornecendo-lhes também as ferramentas de que careciam. Foi essencialmente na Estremadura e nas Beiras que estas providências vieram ajudar as populações, não havendo registo de qualquer tipo de apoio aos lavradores do Minho, Trás-os-Montes e Douro, gente que também foi altamente prejudicada com as Invasões Francesas.


«Graça Cavadas» no Facbook >> Obrigada por estas lições!

«Diamantino Pedro» no Facebook >> Bons temos em que se apoiava a agricultura em tempos de desgraça com sementes e material. Hoje, quando existe alguma catástrofe, abrem-se linhas de crédito com o objectivo de escravizar, quem necessita de ajuda, ao Juro !



Publicado por Tovi às 20:14
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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #5

Porto Sandeman Vintage 1797 - ano de grande produção, com alguns vinhos excepcionais – Decorria o ano de 1809, em plenas invasões francesas, e George Sandeman num jantar em Torres Vedras com o General Wellington, refere-se a este vinho como “o mais fino de todos”. Nesse mesmo jantar estava também presente o General Calvert que pede a George Sandeman que lhe envie para Inglaterra duas pipas desse vinho, sendo uma delas destinada a ser oferecida ao Duque de York, na altura Comandante-chefe do Exército Britânico. Desde essa altura o Sandeman de 1797 é conhecido como “Porto Duque de York”.


«Eduardo Vasques de Carvalho» no Facebook >> obrigado por estes apontamentos que fazem a nossa historia

«Jorge Veiga» no Facebook >> Nunca provei. Podias mandar uma botelhita?

«David Ribeiro» no Facbook >> Também não tenho... Deve estar todo nas garrafeiras dos herdeiros do Duque de York :-)

«Jorge Veiga» no Facebook >> Tudo o que é nosso e é bom está lá fora? Caracteristico!



Publicado por Tovi às 13:30
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Domingo, 17 de Novembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #4

 Edital da "Junta do Porto"

Durante a Primeira Invasão Francesa, que durou de 20 de Novembro de 1807 a 21 de Agosto de 1808 e que foi comandada pelo General Jean-Andoche Junot, no Norte de Portugal tiveram lugar várias revoltas populares contra a ocupação francesa, nomeadamente em Chaves, Miranda, Torre de Moncorvo, Ruivães e Vila Real. Este movimento de Trás-os-Montes, comandado pelo Tenente-General Sepúlveda, dirigiu-se ao Porto onde foi nomeada a Junta Provisional do Supremo Governo do Reino (Junho de 1808), sob o comando do bispo do Porto, D. António de Castro. É nessa altura que é criado um imposto extraordinário sobre a exportação do Vinho do Porto, uma das formas de “acudir às enormes despesas da presente Guerra”, conforme se pode ler no edital da Junta do Porto datado de 27 de Junho de 1808.


«Pedro Baptista» no Facebook >> Todos contra o JINÓ!



Publicado por Tovi às 08:18
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #3

(Pormenor do Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular na Rotunda da Boavista no Porto)

Está documentalmente comprovado que é no período imediatamente posterior às Invasões Francesas que o nosso Vinho do Porto deixa de ser uma bebida exclusiva dos britânicos e as exportações para França ganham um incremento notável. Com efeito durante toda a Guerra Peninsular (1807-1814) as tropas de Napoleão que invadiram Portugal requisitaram continuamente os nossos néctares para fazerem parte da ração dos soldados franceses. Nesse mesmo período as tropas de Lord Wellington (General Arthur Wellesley, comandante supremo do exército anglo-luso) consumiam também os vinhos da Real Companhia Velha, destacando-se um fornecimento de 300 pipas, feito através dos seus armazéns da Régua, ao exército então estacionado em Lamego. Com o fim da guerra e o regresso a casa das tropas francesas e britânicas, estes soldados levaram para as suas cidades e aldeias o gosto pelo Vinho do Porto e assim o nosso Néctar dos Deuses se “democratizou” e deixa de ser unicamente uma bebida de lordes.


«Antonio Cruz» no Facebook >> sorte a nossa que o Arthur nunca mais se lembrou da canja

«David Ribeiro» no Facebook >> ...senão lá iam as nossas galináceas :-)

«Antonio Cruz» no Facebook >> nem mais

«Jorge Veiga» no Facebook >> tudo muito lindo, mas o Vinho do Porto não é um néctar dos Deuses, como está escrito em cima. É nosso! Podemos dar algum aos Deuses, mas só algum...

«José Camilo» no Facebook >> Sorte a deles o FCP ainda não existir...



Publicado por Tovi às 08:07
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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #2

(Gravura de autor desconhecido que representa a retirada do Porto das forças francesas. Arquivo Histórico Militar PT-AHM-FE-10-A7-PQ-04)

O médico português Paulo Mendo (foi Ministro da Saúde no XII Governo Constitucional) numa palestra feita no ano 2000 no Quartel-General do Porto, por ocasião das Comemorações dos cento e cinquenta anos da Revista Militar, contou-nos o seguinte: "(…) É curta a estadia de Soult no Porto, mas a ela estão também ligados o Palácio dos Carrancas onde ele se aposentou e os quartéis da Torre da Marca, debaixo da sua janela onde, naturalmente, estava a tropa invasora. Desta sua passagem ficou para a pequena história a cena da sua saída precipitada ainda antes do fim do seu almoço, ao saber que as tropas anglo-lusas tinham atravessado o Douro e estavam já junto ao Seminário. A fuga foi tão rápida e precipitada que Wellesley, Comandante destas forças, ainda pode comer a sobremesa e beber o cálice de vinho do Porto que Soult não tinha tido tempo de saborear. Igualmente se conta, em tom menos guerreiro e muito de acordo com a ternura portuguesa que, achando a criada que o atendia que ele estava com aspecto fraco e doente lhe preparou uma canja de galinha que ele, desconfiado primeiro, guloso em seguida, sorveu deliciado e tomou nota da receita para mandar à sua britânica esposa. (…)"


«Antonio Cruz» no Facebook >> os bifes são mesmo assim e o Arthur não era excepção à regra

«David Ribeiro» no Facebook >> Segundo me contaram (não juro que seja verdade) no livro de memórias da duquesa de Wellington encontra-se a descrição da receita de Canja de Galinha que o General Arthur Wellesley lhe enviou por carta desde Portugal. Aqui fica:
{#emotions_dlg.star} Canja de Galinha a Doentes

Ingredientes: Galinha de campo – 1; Orelheira de porco salgada - um bom pedaço; Pé de porco - 1 pedaço; Chouriço velho - 1 pedaço; Chouriço novo - 1 pedaço; Toucinho salgado - 1 pedaço; Toucinho fresco - 1 pedaço; Couve de corte - q.b.; Massa (macarrão-capote) - q.b.; Sal, cebola e água - q.b.

Confecção: Depois de depenada e limpa a galinha, cozem-se, juntamente, todas as carnes (Cuidado com o tempero de sal, porque algumas das carnes já são salgadas; Na água da cozedura das carnes abre-se a massa e junta-se a hortaliça e a cebola; Ao servir, utilize uma malga para a sopa e um prato em frente de cada conviva, para as carnes cortadas em pedaços.

Nota: Tudo deve ser comido conjuntamente. Ao lado de cada conviva, deve haver um pires com hortelã picada, que se junta à sopa, ao gosto de cada um. Acompanha-se com vinho tinto da região e a sobremesa deve ser sempre laranja, de preferência branca, tal como o futuro Duque de Wellington afirma que lhe foi servida.

«Antonio Cruz» no Facebook >> minha nossa, inocência a minha... desta nunca comi

«Jorge Veiga» no Facebook >> Diz o Dr. Paulo Mendo na sua intervenção que o frances Soult se "aposentou" no Palácio dos Carrancas. Por mim tudo bem desde que não sejamos nós a pagar a Aposentação dele também e a verba de compensação...



Publicado por Tovi às 22:50
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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #1

(Obra da Colecção Frederico Pinto Basto presente na Exposição “O Porto nas Invasões Francesas” na Galeria do Palácio Cristal, entre 28 de Março e 4 de Setembro de 2009)

Para os lavradores do Douro, para os comerciantes e alguns (poucos) nobres que se dedicavam ao “tracto mercantil”, e que produziam uma grande parte da riqueza nacional, era fundamental para os seus negócios estarem umas vezes a favor dos invasores, outras vezes apoiando os aliados ingleses. E assim lá foram os portugueses “fazendo pela vida”, coisa que sempre soubemos fazer, mesmo nas condições mais adversas, provando que o que nos falta em organização sobra-nos em criatividade. Ora vejam: "(...) As guerras já então sabiam as maneiras de se harmonizar com os bons negócios e a exportação do vinho do Porto para Inglaterra não cessou mesmo durante a época do domínio francês. O transporte fazia-se em navios portugueses que arvoravam a bandeira de Knifausen, pequeno e quase desértico porto que foram descobrir na foz do Elba. Como ninguém sabia o que era o Knifausen, a bandeira não figurava entre as proibidas nem pelos Franceses, nem pelos Ingleses. Junot recebia seis mil e quatrocentos réis por cada barril de vinho embarcado nessas condições. Os Ingleses deixavam passar, porque só tinham a ganhar com os furos ao bloqueio. Assim saíram trinta mil barris de vinho do Porto. (...)" [José Hermano Saraiva na História Concisa de Portugal - Publicações Europa-América, 2ª edição, Nov1978]


«Graça Cavadas» no Facebook >> Interessante partilha!

«Jorge Veiga» no Facebook >> já nesse tempo havia quem fosse subornado... já vem de longe!

«José Camilo» no Facebook >> Só uma pequena observação:  "Os portuenses sempre souberam fazer pela vida".

«Raul Vaz Osorio» no Facbook >> Claro que vindo de quem vem, pode ser fruto da imaginação



Publicado por Tovi às 08:22
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012
Molete

Embora tenha vindo a cair em desuso, cá pelo Grande Porto ainda se chama Molete a um pão feito com farinha de trigo, com cerca de 60 gramas, tipo “carcaça” ou “papo-seco”. A origem deste nome remonta à época das Invasões Francesas, quando um oficial das tropas napoleónicas – Monsieur Moullet - responsável pela logística de abastecimento das forças invasoras e que se encontrava aquartelado no edifício que é hoje o Colégio da Formiga, em Ermesinde, ordenou que o pão passasse a ter cerca de metade do peso habitual, um racionamento que tinha a ver com a necessidade imperiosa de alimentar os seus soldados, numa época em que as últimas colheitas de cereais tinham sido escassas. Era “o pão do Molete”, como dizia o povo… e assim ficou.


«Maria Vilar de Almeida» in Facebook >> O pão passar a ter metade do peso habitual... hum... ainda falam do Gasparzinho!

«Loja do Pecado Guimarães» in Facebook >> na minha aldeia comia-se o molete com omolete



Publicado por Tovi às 20:00
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Sábado, 3 de Novembro de 2012
História de Portugal - Portucalense Editora

Tenho andado às voltas com o volume VI da História de Portugal - Edição Monumental da Portucalense Editora (Edição de 1934 - Barcelos) que me está a servir de base para um trabalho sobre as Invasões Francesas.


«Zé Zen» in Facebook >> Em vez de andares às voltas, o melhor é sentares-te e leres. Vais ver que é mais facil. :):)

«Ana Alyia» in Facebook >> ehehehheheheheh desculpa não consegui evitar uma gargalhada (até as gatas levantaram a cabeça) com o comentário do Zé Zen

«Zé Zen» in Facebook >> Não é comentàrio, é evidência. ;);)

«Ana Alyia» in Facebook >> ou isso LOL

«David Ribeiro» in Facebook >> Estes dois (Ana Alyia e Zé Zen) tiraram o fim do dia para me fazerem rir :-):-)

«Ana Alyia» in Facebook >> oh Zen é que eu enquanto estudante adolescente odiava história (coisa estranha a quem hoje me conhece e à minha profissão) "que raio os homens morreram nem eu era nascida e eu nem me interesso pela vida alheia" (as minhas notas a história eram o calcanhar de aquiles) "dou voltas e mais voltas mas não consigo" e o meu pai respondia-me calmamente precisamente com essa sua frase ZEN.   oh David Ribeiro para fazer chorar o sr já tem o telejornal e o governo, não precisaria de nós :P:P

«Zé Zen» in Facebook >> Rir faz bem. Principalmente de nòs pròprios ou de amigos.

«Ana Alyia» in Facebook >> oh Zé às vezes parece que não faz muito bem aos amigos... nunca lhe berraram "ouve lá mas tu estás a rir de mim????" lol

«Zé Zen» in Facebook >> Também acontece, termos amigos parvos; ninguém é perfeito.

«Ana Alyia» in Facebook >> kredoooo parvos também é demais vamos só chamar-lhes... carrancudos :):)  oh David depois envia o resumo :P:P

David Ribeiro» in Facebook >> O que está a ser mais complicado neste meu trabalho é relacionar a investida das tropas napoleónicas nos territórios portugueses com a actividade das tropas espanholas, coisa que normalmente é esquecida pelos historiadores nacionais.

«Zé Zen» in Facebook >> Ok, assumo ser eu o unico que é parvo. Adoro exclusivos; :):)

«Ana Alyia» in Facebook >> as invasões francesas não são de todo o meu forte mas... salvo erro isso tem qualquer coisa que ver com umas regiões fronteiriças disputadas por portugal e espanha.... bhaaaaa invasões francesas estou fora :):)

«Zé Zen» in Facebook >> David, pergunta ao Fernando, ele esteve là quando foi do assalto ao super-mercado.

«Ana Alyia» in Facebook >> caramba Zen eu bem digo que as nossas escolas não ensinam nada de jeito... a minha prof de história nunca me contou que havia um supermercado envolvido nas invasões francesas... ainda bem que existe o facebook para aprendermos alguma coisa :D:D   tenham ambos uma boa noite e uma boa semana

«David Ribeiro» in Facebook >> O trabalho que estou a fazer tem muito mais a ver com as alterações económicas e sociais que as Invasões Francesas provocaram na sociedade portuguesa do que com os confrontos bélicos que se registaram entre as tropas francesas, espanholas, portuguesas e inglesas.

«António Henrique Texeira» in Facebook >> David... nesse trabalho teu, é indispensável a história sobre o vinho dos mortos, de Boticas.

«Fernando Duarte» in Facebook >> antes do Napoleão nascer o rio Douro já là estava, continua là e quando a gente morrer ainda là estará... vamos agora discutir a quem pertence o rio Douro?



Publicado por Tovi às 12:51
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012
Francesinha da Cervejaria Galiza

Há já no Grande Porto várias casas que disponibilizam aos seus clientes serviço de “take-away” ou mesmo de “entregas ao domicílio”, para a típica Francesinha… E ontem ao almoço experimentei este serviço da Cervejaria Galiza, casa fundada em 29 de Julho de 1972 e desde então um ponto de referência não só para “Francesinhas” mas também para marisco fresco, já para não falar do sensacional “Rosbife” que por lá servem. Esta minha escolha de ontem recaiu na Francesinha com Bife (sem ovo e sem batata frita) aquela que para mim corresponde à genuína “Francesinha Portuense” e que segundo a minha teoria remonta ao contexto da Guerra Peninsular, período no qual as tropas napoleónicas invasoras costumavam comer umas sandes de pão de forma, onde colocavam toda a espécie de carnes e muito queijo. Claro que nós, os Nortenhos, vimos logo que faltava um complemento a este “croque-monsieur” e vai daí acrescentamos aquilo que lhe faltava: O molho.

Já agora: Acompanhei a “Francesinha” com um Murganheira Reserva Doce, um muito bom espumante feito pela Sociedade Agrícola Comercial do Varosa SA, e que me tinha custado em finais do ano passado a módica quantia de 7,99€ a garrafa de 75cl.


«António Campos Leal» in Facebook >> Porra estás a gozar comigo. Que belo almoço. Fazem entregas em Lisboa????? Quanto ao Murganheira prefiro Bruto

«David Ribeiro» in Facebook >> O "Doce", no meu entender, liga melhor com o picante da Francesinha.

«António Campos Leal» in Facebook >> Acredito, mas não gosto de espumantes "Doce"

«José Carlos Ferraz Alves» in Facebook >> Sempre um aristocrata desta nossa linda cidade. Aguardo um livro, amigo David. Estou em Leça, no Alves, também muito bom.

«António Campos Leal» in Facebook >> O Alves. Ainda é o mesmo proprietário?

«José Carlo Ferraz Alves in Facebook >> Não sei amigo, é a primeira vez que venho. Muito tinham insistido comigo. Eles que não ouçam, mas é uma excepcional relação qualidade/preço e o serviço uma simpatia. Recomendo.

«António Campos Leal» in Facebook >> Era cliente dessa casa de forma regular.

«José Carlos Ferraz Alves» in Facebook >> Confirmo, está em família, é o filho mais velho do Sr. Alves, que entretanto faleceu há 4 anos.

«António Campos Leal» in Facebook >> Abraço ao filho, eu conhecia o pai. deste os anos 80.

«José Carlos Ferraz Alves» in Facebook >> Irei transmitir gesto tão simpático. Obrigado. Abraço

«António Veríssimo» in Facebook >> Este post fez-me fome.

«José Saraiva» in Facebook >> E porque é que acha que a Francesinha já vem das Invasões Francesas?!

«David Ribeiro» in Facebook >> Meu caro amigo Jorge Saraiva… Isto de eu afirmar que a Francesinha tem origem na época das Invasões Francesas é, para já, unicamente um “feeling”, mas todos os documentos da época que consultei referiam-se ao facto das tropas napoleónicas usarem comer umas sandes onde colocavam vários tipos de carnes, enchidos e fatias grossas de queijos. O molho, esse é invenção nossa.

«Jorge Saraiva» in Facebook >> E os relatos , anteriores aos anos 50 do séc. passado e à Regaleira, desse molho e do queijo por cima? :)

«António Campos Leal» in Facebook >> David eu sempre fiz a dita "francesinha" com uma grande variedade de fatiados (galantines) e confesso que não de onde me vem a ideia pois não assisti às invasões francesas. Mas faço a dita Francesinha um bocadinho diferente da conhecida. e abomino francesinha com molho de marisco

«José Carlos Ferraz Alves» in Facebook >> Isto dá para uma tese de doutoramento, David. Quando conheci em Paris o "croque-monsieur" fiz a mesma associação à nossa francesinha. Faltava o molho e quase tudo o mais, mas parece uma tentativa de chegarem a esta obra-prima.

«Jorge Saraiva» in Facebook >> É que a croque monsieur, origem da francesinha, só foi criada no início do séc. XX

«José Carlos Ferraz Alves» in Facebook >> Pode ser uma evolução, de uma raiz comum.

«Jorge Saraiva» in Facebook >> São conhecidos os relatos da pessoa que criou a francesinha, no restaurante Regaleira, como evolução a partir da croque monsieur francesa

«David Ribeiro» in Facebook >> Caríssimo Jorge Saraiva... A tese de doutoramento sobre a origem da Francesinha, que o meu querido amigo José Carlos Ferraz Alves exige, ainda não está feita, nem sequer iniciada, mas talvez um dia dedique algum do meu tempo a esta pesquisa.

«Jorge Saraiva» in Facebook >> David Ribeiro, não sei se têm serviço de take away, mas já conhece as francesinhas o Bufete Fase, na Rua de Sta. Catarina, à Rampa da Escola Normal? Na minha modesta opinião, são as melhores!

«David Ribeiro» in Facebook >> Já ouvi falar do Bufete Fase, mas ainda não o visitei... Tenho que agendar uma ida a este restaurante.

«Jorge Saraiva» in Facebook >> Atenção que é um Bufete pequeníssimo, tem apenas 4 mesas em que apenas numa se podem sentar 4 pessoas, no total se estiverem sentadas 10/11 pessoas, fica vida muito difícil para que a filha do Sr. José dono e cozinheiro, se movimente :)

«Zé Zen» in Facebook >> Também hà disto para adultos?



Publicado por Tovi às 07:48
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas

Ando a (re)ler umas coisas sobre as Invasões Francesas e encontrei esta preciosidade escrita por José Hermano Saraiva na História Concisa de Portugal (Publicações Europa-América, 2ª edição, Nov1978):

"(...) As guerras já então sabiam as maneiras de se harmonizar com os bons negócios e a exportação do vinho do Porto para Inglaterra não cessou mesmo durante a época do domínio francês. O transporte fazia-se em navios portugueses que arvoravam a bandeira de Knifausen, pequeno e quase desértico porto que foram descobrir na foz do Elba. Como ninguém sabia o que era o Knifausen, a bandeira não figurava entre as proibidas nem pelos Franceses, nem pelos Ingleses. Junot recebia seis mil e quatrocentos réis por cada barril de vinho embarcado nessas condições. Os Ingleses deixavam passar, porque só tinham a ganhar com os furos ao bloqueio. Assim saíram trinta mil barris de vinho do Porto. (...)"

Para os lavradores do Douro, para os comerciantes e alguns (poucos) nobres que se dedicavam ao “tracto mercantil”, e que produziam uma grande parte da riqueza nacional, era fundamental para os seus negócios estarem umas vezes a favor dos invasores, outras vezes apoiando os aliados ingleses. E assim lá foram os portugueses “fazendo pela vida”, coisa que sempre soubemos fazer, mesmo nas condições mais adversas, provando que o que nos falta em organização sobra-nos em criatividade.



Publicado por Tovi às 18:00
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