"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
O Vinho do Porto e as Invasões Francesas

Ando a ler umas coisas sobre as Invasões Francesas e encontrei esta preciosidade escrita por José Hermano Saraiva na História Concisa de Portugal (Publicações Europa-América, 2ª edição, Nov.1978):

"(...) As guerras já então sabiam as maneiras de se harmonizar com os bons negócios e a exportação do vinho do Porto para Inglaterra não cessou mesmo durante a época do domínio francês. O transporte fazia-se em navios portugueses que arvoravam a bandeira de Knifausen, pequeno e quase desértico porto que foram descobrir na foz do Elba. Como ninguém sabia o que era o Knifausen, a bandeira não figurava entre as proibidas nem pelos Franceses, nem pelos Ingleses. Junot recebia seis mil e quatrocentos réis por cada barril de vinho embarcado nessas condições. Os Ingleses deixavam passar, porque só tinham a ganhar com os furos ao bloqueio. Assim saíram trinta mil barris de vinho do Porto. (...)"

Para os lavradores do Douro, para os comerciantes e alguns (poucos) nobres que se dedicavam ao “tracto mercantil”, e que produziam uma grande parte da riqueza nacional, era fundamental para os seus negócios estarem umas vezes a favor dos invasores, outras vezes apoiando os aliados ingleses. E assim lá foram “fazendo pela vida”.

«luis ramos lopes» / RevistaDeVinhos ► Os portugueses sempre souberam "fazer pela vida", mesmo nas condições mais adversas. O que nos falta em organização sobra-nos em criatividade...

«prof» / RevistaDeVinhos ► Olá... Ao ler o teu post, lembrei-me de um artigo sobre o vinho do porto e as invasões francesas neste link:
http://www.euronapoleon.com/pdf/private ... quinet.pdf
Boas leituras e melhores bebidas. E já agora, mais uma pérola da nossa história: "Durante as invasões francesas (1809) as tropas de Napoleão requisitaram os vinhos da Real Companhia Velha, que assim faziam parte da ração dos soldados Franceses. Quase ao mesmo tempo (1811), Lord Wellington e as suas tropas consumiam também os vinhos da Real Companhia Velha, destacando-se um fornecimento de 300 pipas, feito através dos seus armazéns da Régua, ao exército então estacionado em Lamego". Pelos vistos, os Portugueses sempre foram muito "desenrascados".

E ainda bem que os Franceses nos "roubaram" tantas pipas de Vinho do Porto, pois desta forma o nosso néctar passou a ser conhecido dos gauleses, deixando de ser uma bebida exclusiva dos britânicos.
É a partir desta altura que as exportações para França, Bélgica e Itália ganham um incremento notável. E mesmo para a Grã-Bretanha as vendas aumentam, pois com tantos soldados ingleses no nosso país o Vinho do Porto “democratiza-se” e deixa de ser unicamente uma bebida de lordes.

«Guilherme Lickfold» / RevistaDeVinhos ► Estou mesmo a ver como seria no campo de batalha. Até os próprios franceses deviam atirar contra franceses.



Publicado por Tovi às 10:00
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