"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Domingo, 26 de Julho de 2009
Canja de Galinha

O médico português Paulo Mendo (foi Ministro da Saúde no XII Governo Constitucional) numa palestra feita no ano 2000 no Quartel-General do Porto, por ocasião das Comemorações dos cento e cinquenta anos da Revista Militar, contou-nos o seguinte:

"(…) É curta a estadia de Soult no Porto, mas a ela estão também ligados o Palácio dos Carrancas onde ele se aposentou e os quartéis da Torre da Marca, debaixo da sua janela onde, naturalmente, estava a tropa invasora. Desta sua passagem ficou para a pequena história a cena da sua saída precipitada ainda antes do fim do seu almoço, ao saber que as tropas anglo-lusas tinham atravessado o Douro e estavam já junto ao Seminário. A fuga foi tão rápida e precipitada que Wellesley, Comandante destas forças, ainda pode comer a sobremesa e beber o cálice de vinho do Porto que Soult não tinha tido tempo de saborear. Igualmente se conta, em tom menos guerreiro e muito de acordo com a ternura portuguesa que, achando a criada que o atendia que ele estava com aspecto fraco e doente lhe preparou uma canja de galinha que ele, desconfiado primeiro, guloso em seguida, sorveu deliciado e tomou nota da receita para mandar à sua britânica esposa. (…)"

...e eu, que adoro canja de galinha, gostava de saber qual seria a tal receita.

 

Cá em casa a Canja de Galinha é feita da seguinte maneira:

Coze-se um frango (+/-1,2kg) e um chouriço de vinho numa panela com água temperada unicamente com sal. Depois de cozido o frango, retira-se a pele e desfia-se. Na água de cozer o frango deita-se um pacote (250gr.) de massa estrelinha e deixa-se cozer. Depois mistura-se o frango desfiado nesta calda onde foi cozida a massinha e serve-se. Para quem quiser coloca-se no prato uma rodela do chouriço de vinho que cozeu com o frango.

 

«Dulce Bandeira» / RevistaDeVinhos ► Colocar uma pernadinha de hortelã no prato também fica bem. Quando se faz a canja com galinhas de campo, há umas que têm uns ovinhos ainda lá dentro (apenas gema), que a minha Avó costumava cozer na canja e ficavam muito bem. Também gosto com uma cebola, cortada às fatias (ao alto), cozida na água do frango.

«acupido» / RevistaDeVinhos ► Normalmente faço com uma galinha com os ovos e os miudos; cozo com um chouriço (normalmente uso chouriço de carne com pouco pimentão), uma folha de louro e uma cebola. Reservo a cebola, o fígado e os ovos. Limpo de peles e desosso a galinha, deixando em pequenos pedaços (sem desfiar completamente). Dependendo da quandidade de gordura da galinha, posso ter necessidade de arrefecer a água de cozer a galinha, para dosear a quantidade da mesma que vai entrar na canja. Nesse caldo, cozo massa (pevides). Para servir, depende muito... Pode ser uma canja mais leve, com o caldo filtrado, pouca massa e pouca carne e os ovos mais pequenos inteiros, aromatizada com salsa fresca picada; Pode ser a variante com o fígado moído e ovos integrados no caldo, eventualmente mais carne e massa, aromatizado com hortelã. A versão aromatizada com sumo e raspa de limão funciona muito bem; Pode ser ainda a versão mais completa, com a cebola incorporada no caldo... A última funciona quase como uma refeição completa.

«xarax» / RevistaDeVinhos ► E eu que detesto canja, (ao ponto de ter em mente inventar uma receira chamada "detesto canja" e que seria uma canja mas evitando todas as coisas que não gosto na canja)... começo a ficar interessado...afinal há muito que se lhe diga...

«acupido» / RevistaDeVinhos ► Ri-me com a "anti-canja"... Moderathor, em vez de galinha, tamboril, em vez de massa, arroz... Tudo o que a canja leva, um arroz de tamboril não leva (tirando a água e a cebola)... Claro que ambos os dois pratos (pareceu-me bem realçar que são dois e diferentes) são porreiros - confort food e tal, mesmo o rice co tramboril)... Quanto à canja, parece-me que não há muito a inventar e ainda bem...

«Dulce Bandeira» / RevistaDeVinhos ► Acho que fica muito melhor a canja com massa do que com arroz. Aliás, com arroz, não gosto... E a massa pevide - a opção da receita do acupido - funciona muito bem.

«Alentejano» / RevistaDeVinhos ► Luigi essa da anti-canja existe e chama-se canja de conquilhas.

«RLP» / RevistaDeVinhos ► Nesta boca entra tudo menos esse maldito prato e pior ainda o cheiro dele.

«xarax» / RevistaDeVinhos ► tenho que guardar alguns trunfos... não disse o que não gosto na canja, muito menos as soluções que (hei-de) propor para obviar isso... fica para as expectativas...

«RLP» / RevistaDeVinhos ► Mas eu digo: Odeio o cheiro / A gordura a boiar / Os miúdos misturados com a massa/arroz / A gordura que fica boca. À conta disto não devo tocar numa canja hà mais de 30 anos.

«xarax» / RevistaDeVinhos ► depois compras o livro de receitas ("melhor obra gastronómica ainda por sair") e experimentas...



Publicado por Tovi às 09:27
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