Dionísio Santos Silva (bisavô de Artur Santos Silva, o Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República) foi um dos revoltosos do 31 de Janeiro de 1891 e sobre ele escreveu Jorge Fiel na Revista Expresso de 6 de Setembro de 2002:
Já passava da meia noite - ou seja, já era 31 de Janeiro -, quando Dionísio Santos Silva saiu da tipografia Empresa Literária de que era co-proprietário. Estivera largas horas a rever provas e, como de costume, dirigiu-se ao Suíço para cear na companhia dos amigos Sampaio Bruno e Eduardo de Sousa. O dia 30 de Janeiro de 1891 tinha sido comprido e agitado - e não iria terminar à mesa. Pela manhã tinha ido à cadeia visitar João Chagas, o director do diário «A República Portugueza», que lhe deu numerosos bilhetes e telegramas de felicitações, enviados de diferentes pontos do país, por causa da sua condenação por abuso de liberdade de imprensa e destinados a serem impressos no jornal. Dionísio tinha andado numa roda viva, em contactos conspirativos preparatórios para a revolta contra a Monarquia que se anunciava para o dia seguinte. A tipografia não era o único negócio deste homem já maduro e vivido nos seus 47 anos, proprietário da Chapelaria Portuense, de porta aberta no 61 da Rua de Santo António (actual Rua 31 de Janeiro) onde tinha à venda um sortimento completo e variadíssimo de tudo o que havia de chapelaria, das coisas mais modestas às mais chiques. No Suíço, assim que o chispe chegou à mesa, Dionísio e os amigos anteciparam a vitória da sublevação, para onde partiriam logo que a fome estivesse saciada, fazendo proclamações num tom de voz que não passou desapercebida aos restantes comensais e criadagem. Com os olhos postos no acepipe, brindaram a que fosse aquele o último chispe por eles deglutido em regime monárquico. Não quis a História que isso fosse verdade. A acção levada a cabo pelos militares foi bastante desordenada e acabou esmagada pela Guarda Municipal, que a meio da manhã disparou sobre a última bolsa de resistência dos revoltosos republicanos, concentrados na praça da D. Pedro (actual praça da Liberdade), aniquilando uma sublevação que apesar de fracassada foi um importante passo do irreversível processo revolucionário que conduziria ao 5 de Outubro. Gorada a primeira tentativa de implantação da República em Portugal, logo começaram as perseguições. A publicação de «A República Portugueza» foi suspensa, transformando este vibrante diário de combate numa das primeiras vítimas daquele dia pavoroso e ensanguentado de 31 de Janeiro de 1891. João Chagas foi deportado para África. Sampaio Bruno partiu para o exílio. Dionísio e Eduardo Sousa foram encarcerados no paquete «Moçambique» ancorado em Leixões, juntamente com os outros implicados no movimento. Levado a Conselho de Guerra, Dionísio acaba absolvido. No interrogatório, reconhece que sabia da revolta que se preparava, «como toda a gente, excepto aquela que tinha ouvidos para não ouvir», pois falava-se nela em todos os pontos de reunião - mas nega o envolvimento nas operações militares. De origem modesta, Dionísio iniciara a vida como operário chapeleiro. Em 1877 é um dos principais agitadores da greve dos chapeleiros, firmando logo ao 25 anos uma fama de revolucionário. Mercê de grande perseverança e uma vontade inquebrantável logrou triunfar na vida e estabelecer-se. Mas nunca esqueceu os mais desfavorecidos. Esteve sempre apaixonado pela política. Começou na esquerda monárquica. Foi militante influente do Partido Progressista como se comprova pelo facto de, em 1881, apenas com 27 anos, ter sido eleito presidente da Junta da Paróquia de Santo Ildefonso, onde valeu aos desfavorecidos e dedicou especial atenção à instrução popular e à assistência. Envergonhado com a cedência monárquica ao Ultimatum britânico (a Coroa aceitou desistir do Mapa Cor-de-Rosa que consistia em criar a África Meridional Portuguesa, de costa a costa, ocupando os territórios situados entre Angola e Moçambique), adere ao Partido Republicano. Num ambiente de grande efervescência patriótica, funda «A República Portugueza», jornal de que foi administrador e onde colaboraram Teófilo Braga, Latino Coelho, António José de Almeida e Basílio Teles, entre outros. O fracasso do 31 de Janeiro abala-lhe as finanças. A chapelaria abre falência. Para conseguir que as suas quatro filhas tirem o curso do Magistério Primário, é obrigado a socorrer-se do apoio de Eduardo, o filho mais velho e único varão, que quando o pai foi preso tinha apenas 11 anos e andava no 2º ano do Liceu Central do Porto. Mas nunca desistiria da militância republicana. A sua casa era frequentada por Afonso Costa, Guerra Junqueiro e Alves da Veiga, entre outros. Em 1907 funda o Centro Republicano Rodrigues de Freitas. Recompõe a vida como sócio-gerente do Teatro-Circo Águia de Ouro. Com o advento da República assume diversos cargos políticos, Até morrer, em 1920, foi administrador dos concelhos de Gaia e Santo Tirso, co-proprietário do diário republicano «O Norte». Nos idos de 80 teve uma casa de penhores, protagonizando a estreia da família num negócio (o do dinheiro) onde o seu bisneto Artur viria a triunfar, lá mais para o final do século XX.
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