"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Terça-feira, 11 de Maio de 2010
Comentar Vinhos

Eu tenho o hábito de passar pela minha biblioteca (nada mais que uma grande estante - 7 x 2 metros - onde guardo todos os meus livros e algumas publicações de que sou ou fui assinante), pegar, por exemplo, numa Revista de Vinhos já com dois ou três anos e ir para a sala relê-la. E quase sempre encontro algumas coisas de que já não me lembrava ter alguma vez lido e outras ainda que o tempo fez com que a sua leitura tivesse para mim outro entendimento. Foi o que me aconteceu há uns dias quando resolvi reler o artigo de Luís Antunes publicado na RV n.º 211 de Jul2007 com o título Maratonas Vinícolas e onde se foca o problema comum a muitos enófilos de se saber qual a ocasião especial para abrir uma garrafa muito cara, muito rara, ou oferecida por alguém muito especial. E continuado a (re)ler este artigo verifiquei que quem começou recentemente, como eu, a “juntar” garrafas de diversos vinhos, dar à garrafeira um mínimo de ordem e escrever umas singelas “notas de prova”, vai certamente chegar à conclusão que mais vale ficarmos por uma “qualificação” do que tentar uma “classificação”. Para mim “qualificar” ficará unicamente pela adjectivação do vinho como “extraordinário”, “grande vinho”, “muito bom”, “bom”, ou “vinho de qualidade inferior à média”. Já quando queremos “classificar” um vinho outro saber e arte são necessários, pois muitas das vezes teremos que andar à procura de pequenos defeitos para fazer a diferença de um ponto em vinte. E carradas de razão tem Luís Antunes quando nos diz que “a finalidade de um vinho é ser bebido, não apenas provado”. É por isso que eu nunca serei um provador mas continuarei a ser um bebedor… haja comidinha e bons amigos para acompanharem a abertura de umas garrafas… com moderação, como é óbvio.


«jms» in RevistaDeVinhos >> Tovi, os seus textos têm sempre sumo, substância e uma boa persistência final...! Já disse e escrevi variadíssimas vezes que as classificações "10-20", "50-100" não fazem grande sentido, como resultado de uma prova organoléptica, pessoal no limite. Se não conhecermos o classificador, então, não faz sentido nenhum escolher um vinho "93" relativamente a um vinho "91", o que interessa é atentar numa nota de prova, simples e concreta, e a partir daí saberemos de que tipo de vinho se trata e se vai ao encontro do nosso gosto e/ou da circunstância para que o escolhemos. Se nos ampararmos numa classificação de 5 patamares, como a da Decanter, melhor ainda. Estas pontuações centésimais e suas declinações existem no vinho e em mais nenhuma arte. Se calhar é desconhecimento meu, mas alguém conhece um filme com pontuação até 100, um romance, uma gravação musical, uma pintura? É a industria que promove esta calssificação do gosto individual, como se pudesse distinguir para os outros um vinho à centésima. Acho que basta dizer que o vinho é "muito bom", "vulgar", "extraordinário", para casos limite usaremos termos como, sei lá, "insuperável". Qualquer mortal entende. Depois será com ele e a sua apreciação do vinho.

«xarax» in RevistaDeVinhos >> O texto está aqui: Maratonas, por Luís Antunes - Obrigado Tovi por lembrares este texto, é bom saber que do outro lado há alguém a ler-nos. mas sobre as classificações, creio que as classificações numéricas são indispensáveis, e sempre o pensei. claro que ninguém é obrigado a dar classificações, é essa a essência do texto. mas quando um crítico quer dar uma recomendação (supõe-se que é essa a utilidade do nosso trabalho), acho que os números são insubstituíveis. vejamos se eu disser de dois vinhos que um é "maravilhoso" e o outro "magnífico" o meu leitor qual dos dois deve comprar? seriar é imprescindível! (e aí, já acredito que a escala escolhida é um pouco irrelevante).


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Publicado por Tovi às 19:13
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