"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Sábado, 19 de Junho de 2010
Honra e Glória a José Saramago

Estive hoje, mais uma vez, na Feira do Livro do Porto… e como era obvio as obras de José Saramago eram as mais procuradas, neste dia em que o seus restos mortais chegaram a Portugal vindos da ilha de Lanzarote, em Espanha, onde o Prémio Nobel da Literatura se tinha auto-exilado desde 1993. Se bem se recordam um bardamerdas de um subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva – Sousa Lara – em Abril de 1992 exclui a obra Evangelho segundo Jesus Cristo da lista de candidatos ao Prémio Literário Europeu. Na época disse Saramago que era “o regresso da Inquisição”… não foi, porque os portugueses não permitiram… e a prova provada é que uma jovem que eu hoje vi na Feira do Livro do Porto a comprar obras do nosso Prémio Nobel dizia: “Ainda bem que me obrigaram a ler no 12.º ano as obras de Saramago”.


«Pingus Vinicus» in Facebook >> Respeitando o homem, era uma personagem que nunca apreciei.

«Joaquim Leal» in Facebook >> Pois eu opto pelo contrário. Respeito o esteta e abomino o homem.

«Fernando Roque» in Facebook >> Depois de Eça de Queiroz, Saramago é o meu preferido.

«José Eduardo Regalado» in Facebook >> Não fiquem, ou fiquem se quiserem, muito chocados mas até hoje não li nenhuma obra deste autor. Se vou ler, ou não, é uma incógnita à qual não sei responder.

«Joaquim Leal» in Facebook >> Não me choca mesmo nada Zé. Já somos 2 mas eu tenho a certeza que não lerei.

«Glória Delduque Serrano» in Facebook >> então, sendo assim já somos 3!



Publicado por Tovi às 17:05
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

3 comentários:
De Ricardo Araújo Pereira a 25 de Junho de 2010 às 10:26
Ricardo Araújo Pereira
Visão 24 Junho





O Presidente de todos os ressentidos
Cavaco Silva disse uma vez que os livros de Saramago lhe desagradavam porque tinham demasiadas vírgulas. As explicações com que o Presidente da República justificou a sua ausência do funeral de Saramago tinham demasiadas reticências.


Para Eduardo Lourenço, a obra de Saramago é um diálogo extraordinário com a Bíblia. Harold Bloom dizia que Saramago era o mais talentoso romancista vivo. E Cavaco Silva afirmou uma vez que os livros de Saramago lhe desagradavam porque tinham demasiadas vírgulas. Enfim, cada crítico literário com a sua mania. A mim, que não percebo nada de literatura, pareceu-me que as explicações com que o Presidente da República justificou a sua ausência do funeral de Saramago tinham demasiadas reticências.
Bem sei que Cavaco decretou que a polémica em torno do facto de não ter comparecido no enterro de Saramago era estéril. Mas, por azar, as polémicas estéreis são as que mais me costumam interessar. Para polémicas fecundas sempre revelei menos capacidades.
Primeiro, e na qualidade de cidadão especialista em evasivas, devo lembrar que as melhores desculpas são singulares. Ora, Cavaco apresentou três. Por um lado, disse que não conhecia Saramago. Por outro, disse que não era amigo dele. Finalmente, alegou que prometera aos netos mostrar-lhes as belezas dos Açores durante quatro dias. Só faltou dizer que não iria ao funeral de Saramago por desconfiar que Saramago também não irá ao dele. São demasiadas desculpas e, como é próprio das desculpas múltiplas, são pobres. A circunstância de não ter uma relação próxima com os homenageados nunca impediu o Presidente da República de estar presente em cerimónias de Estado. Por exemplo, Cavaco comparece sempre nas cerimónias comemorativas do 25 de Abril, embora mal conheça a data e não seja propriamente amigo dela. Talvez seja melhor retificar a regulamentação do luto nacional. O País fará luto por ocasião da morte de uma personalidade de excecional relevância, a menos que o Presidente da República se encontre a contemplar as Furnas.
No entanto, também o facto de estar de férias não tem impedido o Presidente de intervir em matérias de Estado. Ainda fresca na nossa memória está a importante comunicação ao País sobre o estatuto político-administrativo dos Açores, por causa do qual Cavaco Silva interrompeu o merecido descanso, há cerca de um ano e meio. Creio que, se o estatuto político-administrativo dos Açores tivesse falecido, Cavaco teria pedido desculpa aos netos e ter-se-ia dirigido ao Alto de São João para lhe prestar a última homenagem. Tendo morrido só um homem, não houve necessidade de perturbar o turismo. Na verdade, foi apenas isso que aconteceu. Não morreu um santo nem um demónio. Morreu um homem. Logo por coincidência, dos três é o meu preferido.



De mau a 25 de Junho de 2010 às 17:17
http://livros.sapo.pt/noticias/artigo/28347.html

De facto, muitos dos que aqui opinam são homens maus. Sofrem do mal da maior parte dos portugueses, INVEJA. José Saramago não era perfeito, como todos nós era um homem com virtudes e defeitos. O que a maioria dos seus detractores não lhe perdoa era ser Saramago um autor português reconhecido, ganhador de um prémio Nobel e ser comunista. Infelizmente são um bando de carneiros, que só fazem o que alguém lhes manda fazer. Concorde-se ou não com as idéias do escritor, Saramago era um homem livre que pensava por si próprio, ao contrário de muitos dos que para aqui vêm destilar o seu veneno primário instigados por ideologias politicas e religiosas, pena é que não mordam a lingua.
mau


De Anónimo a 25 de Junho de 2010 às 21:27
Caminho - 1986

As palavras

“As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam; são como carraças: vêm nos livros, nos jornais, nos slogans publicitários, nas legendas dos filmes, nas cartas e nos cartazes. As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios de palavras que vivem em boa paz com as suas contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras.

E há os discursos, que são palavras encostadas umas às outras, em equilíbrio instável graças a uma precária sintaxe, até ao prego final do Disse ou Tenho dito. Com discursos se comemora, se inaugura, se abrem e fecham sessões, se lançam cortinas de fumo ou dispõem bambinelas de veludo. São brindes, orações, palestras e conferências. Pelos discursos se transmitem louvores, agradecimentos, programas e fantasias. E depois as palavras dos discursos aparecem deitadas em papéis, são pintadas de tinta de impressão – e por essa via entram na imortalidade do Verbo. Ao lado de Sócrates , o presidente da junta afixa o discurso que abriu a torneira do marco fontanário. E as palavras escorrem, são fluidas como o «precioso líquido». Escorrem interminavelmente, alagam o chão, sobem aos joelhos, chegam à cintura, aos ombros, ao pescoço. É o dilúvio universal, um coro desafinado que jorra de milhões de bocas. A terra segue o seu caminho envolta num clamor de loucos, aos gritos, aos uivos, envolta também num murmúrio manso, represo e conciliador. Há de tudo no orfeão: tenores e tenorinos, baixos cantantes, sopranos de dó de peito fácil, barítonos enchumaçados, contraltos de voz suspensa. Nos intervalos, ouve-se o ponto. E tudo isto atordoa as estrelas e perturba as comunicações, como as tempestades solares.

Porque as palavras deixaram de comunicar. Cada palavra é dita para que não se oiça outra palavra. A palavra, mesmo quando não afirma, afirma-se. A palavra não responde nem pergunta: amassa. A palavra é a erva fresca e verde que cobre os dentes do pântano. A palavra é poeira nos olhos e olhos furados. A palavra não mostra. A palavra disfarça.

Daí que seja urgente mondar as palavras para que a sementeira se mude em seara. Daí que as palavras sejam instrumento de morte – ou de salvação. Daí que a palavra só valha o que valer o silêncio do acto.

Há também o silêncio. O silêncio, por definição, é o que não se ouve. O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa. O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil, o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar. Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras. As palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão”.

“As Palavras” in Deste Mundo e do Outro – Crónicas

Caminho - 1986



Comentar post

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Julho 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
12
13


21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


Posts recentes

Isto é que os americanos ...

Baixa política… no Públic...

História curiosa sobre "C...

Incêndio na Zona Históric...

Suspensão de registos de ...

Tomada da Bastilha - 14 d...

Fim-de-semana de Exposiçõ...

Parabéns Alice

Atribuição de Medalhas Mu...

D. Pedro IV, o Libertador

Populista Português Moder...

Malhar em ferro frio

Legislativas'2019... no G...

Saladas da Culinária Viet...

Mercadona... em Portugal

Acho bem...

Sinais dos tempos

Morreu Mordillo

Pedro Duarte sobre as esc...

Paulo Portas e Rui Moreir...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus