"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Terça-feira, 4 de Junho de 2013
Próximas autárquicas em Vila Real

Como eu já previa, vai ser renhida a campanha eleitoral das próximas autárquicas em Vila Real.


«José Costa Pinto» no Facebook >> Provocador...

«José M. C. Belo» no Facebook >> Falta aqui um candidato!!! Onde esta o teu candidato José Costa Pinto?

«José Costa Pinto» no Facebook >> O Rui Pinho de Carvalho? Esse é um vencedor. Não precisa de cartaz. Falando agora num registo mais sério. É natural que seja renhido. Em todos os municípios em que os dinossauros tiveram de sair, o seu sucessor putativo entra em posição de fragilidade. Em Vila Real, cidade já um pouco enjoada de ser PPD, há muito tempo que se espera uma rotatividade com o PS. Não aconteceu antes, por causa da inércia newtoniana, de circunstâncias associadas à política nacional (Sócrates deu, por exemplo, um tiro no porta-aviões daqui nas últimas eleições), e porque, falando francamente, os dirigentes e militantes destacados do PS de Vila Real não são propriamente meninos de coro. Pode, porém, acontecer agora., não por mérito ou demérito dos candidatos, mas tão só porque o pêndulo em algum momento tem de inverter o sentido da oscilação. E este é um momento ideal: a Troika, as zaragatas dentro do PPD, o cansaço natural. Vila Real é uma cidade minúscula, onde toda a gente se conhece e é amigo, primo ou cliente de toda a gente. A falta de distância torna difícil dizer, sobre os candidatos, coisas desagradáveis, como aquelas que dizemos sem pestanejar sobre os políticos ou figuras públicas nacionais. No fundo, podemos mandar àquela parte o Primeiro Ministro, o Presidente da República, o Director-Geral dos Impostos ou até os deputados da nação, in toto ou in partibus, porque não os conhecemos ou não andámos com eles na escola. Mas não temos esse privilégio em Vila Real, pelas razões já apontadas. Eu., pelo menos, não me sinto à vontade. Não porque tenha o rabo preso, mas mais singelamente porque me cruzo com essa gente no dia-a-dia, e sei que são pessoas comuns, sem mais qualidades e defeitos que os que eu tenho ou os dos meus amigos e vizinhos. Não são nem génios nem idiotas, santos ou diabos. Cada um deles fez o seu percurso de vida, tratou dos seus negócios, da sua carreira e dos seus amores. E agora, por razões que só a eles assistem, querem o meu voto. Eu poderia dar esse meu voto a um qualquer, se mo pedisse com bons modos e um sorriso de simpatia, ou me oferecesse uma prebenda, um emprego para o filho, um ano inteiro de gasolina. Mas sei que não o farão, e por isso nenhum deles o vai ter. Não porque não o mereçam, isto é, não o mereçam pessoalmente, mas simplesmente porque a res publica não o merece. Votar num deles seria votar implicitamente na res publica, e essa geringonça não merece o meu voto. Estou pois nisto numa posição de observador quase indiferente e sereno. Digo 'quase' porque tenho uma especial curiosidade em ver como o candidato do CDS, o qual parece ser aqui o 'técnico-científico', vai querer fazer valer a sua posição de potencial terceiro desiquilibrante. Diz-me, quem o conhece, que é um engenheiro destas coisas. Estou para ver. De resto, Vila Real como lugar de poder é cada vez mais irrelevante. A crise, a pobreza crescente do país e a irremediável insignificância económica e social da cidade, a isso a condenam. O orçamento anual do município deve andar por uns míseros 30 milhões de euros, a maior parte dos quais para pagar salários e outras despesas fixas de funcionamento e juros de dívidas. O que sobra disso para distribuir? Muito pouco. Vila Real não produz nada, a não ser administração, se é que se pode chamar a isso produzir. Não tem indústria, não tem agricultura, não tem serviços criativos e independentes. Tem funcionários públicos e sete mil estudantes universitários. Na cidade há três instituições apetecíveis, o Hospital, a Segurança Social e a UTAD. O Hospital e a Segurança Social dão carros, empregos e algumas prebendas. Mas são geridas pelo estado central, quer dizer pelo partido do governo. A UTAD é outra coisa, mas está em crise, o seu futuro é complicado e as relações de poder lá dentro em regime de transição. [Como trabalho lá, não me vou alargar no tema, como se compreende. Sei lá eu que raio de incompatibilidades este meu estatuto não acarreta…] Ah, e há o Teatro, mas isso é apenas uma pequena galeria de vaidades, uma irrelevância. De modo que o futuro Presidente da Câmara de Vila Real vai presidir a uma instituição em quarto minguante, esquálida de dinheiros, empregos e oportunidades de promoção. Pode ser que os dois candidatos potencialmente ganhadores pensem de maneira diferente sobre este assunto, e é até natural que assim pensem. Eles devem achar que, se forem eleitos, se vão destacar como políticos locais e, por esse meio, abrir uma porta para uma carreira na administração pública nacional, ou até, quem sabe, num desses sempre apetecíveis lugares do sector público empresarial. Ou numa dessas empresas 'privadas' que existem à sombra da protecção do Estado e que pagam tão bem. [Não é provável que se destaquem, por causa da insignificância da cidade, embora possam sempre tentar armar uma espécie de charivari de tonalidade regionalista - à guiza daquela montada pelo senhor do queijo limiano, lembram-se? - para se porem na ponta dos pés. Enfim…] Se é assim, e, repito, é natural e até provável que seja assim, desejo-lhes - ao vencedor e ao derrotado - a melhor sorte do mundo. Têm a minha compreensão e simpatia humana. Eu hoje estou muito compreensivo, como se pode ver. Ando a treinar para cuidar da minha horta, como o relutante Candide confessou um dia ao seu amigo Pangloss. Atenção: isto que eu acabei de escrever não significa que eu não tenha uma opinião pessoal sobre os candidatos. Significa apenas que, para mim, tais opiniões são irrelevantes. Há, nsta galeria, um boy muito boy mesmo, mas porque não há-de sê-lo? É um destino humano tão legítimo como outro qualquer. Atenção 2: simpatizo muito com o senhor Branco/Nulo. É um gajo porreiro.

«David Ribeiro» no Facebook >> Brilhante, caro amigo José Costa Pinto... Este seu texto é brilhante.

«José Costa Pinto» no Facebook >> Oh, David Ribeiro, nem por isso. A minha mulher, que acaba de o ler, acha que eu deveria ter sido mais acutilante. Mas, sabe, é o cansaço. Não há nada de novo debaixo do sol. de qualquer modo, obrigado pelo elogio. :-)



Publicado por Tovi às 07:30
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