"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013
O Vinho do Porto nas Invasões Francesas - #8

Não é só o Vinho do Porto que tem interessantes estórias do tempo das Invasões Francesas. Vejam “A História do Vinho dos Mortos” tal e qual nos é contada pela Câmara Municipal de Boticas:

{#emotions_dlg.star} Foram as Invasões Francesas que vieram originar o aparecimento do que hoje é um verdadeiro ex-libris de Boticas – O VINHO DOS MORTOS. Foi durante a 2ª Invasão Francesa (1808) e em face do avanço das tropas comandadas pelo General Soult, que na sua passagem tudo saqueavam, pilhavam e destruíam, que a população de Boticas, para tentar defender o seu património, decidiu esconder, enterrando, o que tinha de mais valioso. O vinho foi enterrado no chão das adegas, no saibro, debaixo das pipas e dos lagares. Mais tarde, depois dos franceses terem sido expulsos, os habitantes recuperaram as suas casas e os bens que restaram. Ao desenterrarem o vinho, julgaram-no estragado. Porém, descobriram com agrado que estava muito mais saboroso, pois tinha adquirido propriedades novas. Era um vinho com uma graduação de 10º/11º, palhete, apaladado, e com algum gás natural, que lhe adveio da circunstância de se ter produzido uma fermentação no escuro a temperatura constante. Por ter sido “enterrado” ficou a designar-se por “Vinho dos Mortos” e passou a utilizar-se esta técnica, descoberta ocasionalmente, para melhor o conservar e optimizar a sua qualidade. O Vinho dos Mortos é, por isso, o símbolo de uma guerra de subsistência, não só material e económica, mas também e essencialmente moral. É o exemplo da sagacidade e da resistência do Povo de Boticas, “obrigado” a usar das mais inimagináveis formas de preservar o seu património.


«Jorge Veiga» no Facebook >> Cheguei a provar deste vinho, mas do original, já lá vão uns 38 anos. Que bom que era. Agora estão a tentar recuperá-lo, já há umas botelhas, mas ainda não o cheirei...

«Albertino Amaral» no Facebook >> O único vinho dos mortos que provei, foi o que existia na adega de um familiar em Cinfães do Douro, que tinha falecido há cerca de dois meses... Era uma loucura....!

«Jorge Veiga» no Facebook >> Eu bebi-o no abrandar das urgências quando estava em Braga (02 a 03h), à ceia, levado pelo nosso Chefe de Equipa, Dr. Lameiras, que era de Boticas. Vinho com pouco alcool, mas muito saboroso. As vinhas em Boticas não se dão muito bem por causa da altitude e do frio, excepto as castas que dão este vinho, que não sei quais são.

«David Ribeiro» no Facebook >> Dizem os entendidos que nos tempos antigos o Vinho dos Mortos era feito com uvas Morangueiras, casta que amadurece mal e que nesta região fria dá pouco álcool. Hoje em dia utiliza-se tudo o que dá vinho e é muito mais “folclore” do que “vitivinicultura”.

«Luiz Cunha» no Facebook >> Hoje, até de uvas se faz vinho!!!

«Raul Vaz Osorio» no Facebook >> Bebi deste vinho há uns 30 anos, quando estive algum tempo no Centro de Saúde de Boticas

«Jorge Veiga» no Facebook >> Chegou a desaparecer. Um conjunto de lavradores com o incentivo e apoio da Camara de Boticas relançou o Vinho dos mortos. Já há lagum há venda. Quando ia à abertura da pesca das trutas (1 de Março) no rio Bessa, iamos comer a um restaurante (já fechou por falta de herdeiros) -Vera Cruz (?) onde se bebi este vinho ao almoço. Sei que a pesca à tarde era mais atribulada... hehehe

«Luis Paiva» no Facebook >> David, explica-me melhor, em cronograma, isso das invasões francesas e da casta morangueira. Detalho o meu raciocínio: como é que se compaginam as Invasões Francesas no início do Séc. XIX, com a casta morangueira (vulgo americana, que é a "vitis rupestris") que foi importada da América e quem transportou a filoxera responsável por, em meados do séc. XIX, dizimar quase todos os vinhedos da Europa virando mortórios. Ou seja, isto das Invasões Francesas e do Vinho dos Mortos é muito anterior à existência de uvas morangueiras...

«Jorge Veiga» no Facebook >> Posso? O vinho morangueiro (americano), não é o que faz o vinho dos mortos. Há um erro de informação do David Ribeiro (desculpa mas é verdade). Há morangueiro naquela região, mas é um vinho diferente.

«David Ribeiro» no Facebook >> Claro que o Morangueiro é muito posterior ás Invasoes Francesas, mas segundo dizem esta casta esteve muito espalhada na região e como dava vinho fraco o sistema de enterrar as garrafas ia permitir uma segunda fermentação que salvava o vinho.

«Jorge Veiga» no Facebook >> David Ribeiro, não tem uma coisa com a outra. O vinho dos mortos resultou do facto dos habitantes da zona enterrarem debaixo de terra o vinho antes de abandonarem a casa, por causa dos franceses. Quando regressaram, viram que o vinho estava melhor e passaram a fazê-lo sempre. O nome vem daí. Não é vinho morangueiro. Está classificado como Vinho Regional Transmontano, agora tem perto dos 12º (antes teria 10 a 11º) e já se vende pela net se quiserem experimentar. vinho dos mortos.com cerca de 7,5€ cada garrafa. Este vinho ainda não experimentei. O morangueiro ainda existe na zona, mais cerca de Vila Grande e Vila Pequena (depois de Boticas e a caminho de Braga)com cerca de 11,5º. Diferente do americano da área de Penafiel e do vinho de cheiro dos açorianos (9 a 10º) Paladar é + ou - mesmo.

«Luis Paiva» no Facebook >> A propósito, este é um exemplar do meu baú de recordações. E, a gargantilha: "Não é da nossa procedência o vinho das garrafas que, embora com o nosso rótulo, não tenham o carimbo com as iniciaes A.M.F. sobre o lacre que cobre a rolha".

«Jorge Veiga» no Facebook >> Eu bebia sem rotulo... mas esse é de coleção.

«Graça Cavadas» no Facebook >> Interessante!!!



Publicado por Tovi às 18:45
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