"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Segunda-feira, 31 de Março de 2008
Eça de Queiroz

Nas obras de Eça de Queiroz os vinhos portugueses em geral e o Vinho do Porto em particular, marcam e matizam o seu estilo. N’ O Crime do Padre Amaro, o cónego Dias abre uma garrafa, "não do seu famoso Duque de 1815" (*), mas do seu "1847", também um Porto de um grande ano. Mas, no mesmo romance, o abade da Cortegaça, no famoso jantar do meio-dia, serviu aos amigos o finíssimo néctar do qual dizia, depois de o fazer reluzir à luz na transparência dos copos: Disto não se bebe todos os dias.
 
(*) O Vinho do Porto Duque de 1815 é um vintage daquela data, em homenagem ao Duque de Wellington, vencedor de Napoleão em Waterloo. Ainda antes de ser titulado Duque, o Tenente-General Arthur Wellesley teve uma brilhante actuação militar nas Guerras Peninsulares em Portugal e Espanha, tendo enfrentado com êxito o Marechal Soult, no Porto, o General Massena, no Buçaco, além de ter sido protagonista em outros feitos militares. Mereceu do Príncipe Regente D. João, no Brasil, em 1811, o título de Visconde do Vimeiro. Também teve em Portugal o título de Marquês de Torres Vedras.


Rótulo de garrafa de Vinho do Porto de Adriano Ramos Pinto, comemorativo do centenário da morte de Eça de Queiroz (Arquivo Histórico da Adriano Ramos Pinto - Vinhos S. A.)

E nas minhas passeatas pela NET encontrei este texto de J. A. Gonçalves Guimarães, Mesário-mor da Confraria queirosiana, sobre Eça de Queiroz e o Vinho do Porto: Lendo Eça, meditando no que ele escreveu e procurando mesmo aspectos novos e desconhecidos na sua vida e obra, talvez compreendamos que “ora o inglês [já não] é o nosso maior freguês: e não teremos pois de ora em diante quem nos consuma na sua quase totalidade o nosso Vinho do Porto; os nossos minérios, as nossas frutas, o nosso sal, a nossa cortiça. Para não arruinar o Porto, Aveiro, Setúbal, o Alentejo, etc., seremos forçados a procurar novos fregueses - o que, neste século de áspera, feroz, tumultuosa concorrência, se vai tornando a mais pavorosa das dificuldades humanas”. (O «Ultimatum» in Cartas Inéditas de Fradique Mendes, p. 249). Isto escreveu Eça há mais de cem anos; desde então ainda estamos a procurar “quem nos consuma na sua quase totalidade o nosso Vinho do Porto”, insistimos em vender os nossos fracos minérios, deixamos apodrecer as frutas nas árvores, já importamos sal e derrubamos sobreiros para fazer condomínios fechados. Ah! E somos europeus.



Publicado por Tovi às 19:47
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