"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Domingo, 26 de Julho de 2009
Canja de Galinha à Doentes

Afinal, e a fazer crédito no que se lê na Praia da Claridade – Figueira da Foz, a famosa “Canja de Galinha à Doentes” terá sido servida a Arthur Colley Wellesley (1º Duque de Wellington) na Figueira da Foz, onde este militar britânico desembarcou em 1 de Agosto de 1808 para iniciar o combate às tropas napoleónicas que tinham invadido Portugal.

Canja de Galinha à Doentes
Ingredientes: Uma galinha de campo; Uns bons pedaços de orelheira de porco salgada, pé de porco, chouriço velho, chouriço novo, toucinho salgado e toucinho fresco; Couve de corte, massa (macarrão-capote), sal, cebola e água q.b.
Confecção: Depois de depenada e limpa a galinha, cozem-se, juntamente, todas as carnes. (Cuidado com o tempero de sal, porque algumas das carnes já são salgadas). Na água da cozedura das carnes abre-se a massa e junta-se a hortaliça e a cebola. Ao servir, utilize uma malga para a sopa e um prato em frente de cada conviva, para as carnes cortadas em pedaços.
Nota: Tudo deve ser comido conjuntamente. Ao lado de cada conviva, deve haver um pires com hortelã picada, que se junta à sopa, ao gosto de cada um. Acompanha-se com vinho tinto da região e a sobremesa deve ser sempre laranja, de preferência branca, tal como o futuro Duque de Wellington afirma que lhe foi servida.

«João Paulo Martins» / RevistaDeVinhos ► serve o presente post para informar os «canjistas» que a nova revista Gosto (que veio, no Brasil, substituir a GULA) traz no seu primeiro número vários artigos sobre a canja, várias receitas (algumas bem mais completas que a nossa) e um texto histórico do Dias Lopes (Director e historiador da gastronomia) sobre as origens da canja. Não sei se vai ser fácil chegaram a este número mas fica a informação, há sempre um amigo a ir ao Brasil que pode comprar por lá...




Canja de Galinha

O médico português Paulo Mendo (foi Ministro da Saúde no XII Governo Constitucional) numa palestra feita no ano 2000 no Quartel-General do Porto, por ocasião das Comemorações dos cento e cinquenta anos da Revista Militar, contou-nos o seguinte:

"(…) É curta a estadia de Soult no Porto, mas a ela estão também ligados o Palácio dos Carrancas onde ele se aposentou e os quartéis da Torre da Marca, debaixo da sua janela onde, naturalmente, estava a tropa invasora. Desta sua passagem ficou para a pequena história a cena da sua saída precipitada ainda antes do fim do seu almoço, ao saber que as tropas anglo-lusas tinham atravessado o Douro e estavam já junto ao Seminário. A fuga foi tão rápida e precipitada que Wellesley, Comandante destas forças, ainda pode comer a sobremesa e beber o cálice de vinho do Porto que Soult não tinha tido tempo de saborear. Igualmente se conta, em tom menos guerreiro e muito de acordo com a ternura portuguesa que, achando a criada que o atendia que ele estava com aspecto fraco e doente lhe preparou uma canja de galinha que ele, desconfiado primeiro, guloso em seguida, sorveu deliciado e tomou nota da receita para mandar à sua britânica esposa. (…)"

...e eu, que adoro canja de galinha, gostava de saber qual seria a tal receita.

 

Cá em casa a Canja de Galinha é feita da seguinte maneira:

Coze-se um frango (+/-1,2kg) e um chouriço de vinho numa panela com água temperada unicamente com sal. Depois de cozido o frango, retira-se a pele e desfia-se. Na água de cozer o frango deita-se um pacote (250gr.) de massa estrelinha e deixa-se cozer. Depois mistura-se o frango desfiado nesta calda onde foi cozida a massinha e serve-se. Para quem quiser coloca-se no prato uma rodela do chouriço de vinho que cozeu com o frango.

 

«Dulce Bandeira» / RevistaDeVinhos ► Colocar uma pernadinha de hortelã no prato também fica bem. Quando se faz a canja com galinhas de campo, há umas que têm uns ovinhos ainda lá dentro (apenas gema), que a minha Avó costumava cozer na canja e ficavam muito bem. Também gosto com uma cebola, cortada às fatias (ao alto), cozida na água do frango.

«acupido» / RevistaDeVinhos ► Normalmente faço com uma galinha com os ovos e os miudos; cozo com um chouriço (normalmente uso chouriço de carne com pouco pimentão), uma folha de louro e uma cebola. Reservo a cebola, o fígado e os ovos. Limpo de peles e desosso a galinha, deixando em pequenos pedaços (sem desfiar completamente). Dependendo da quandidade de gordura da galinha, posso ter necessidade de arrefecer a água de cozer a galinha, para dosear a quantidade da mesma que vai entrar na canja. Nesse caldo, cozo massa (pevides). Para servir, depende muito... Pode ser uma canja mais leve, com o caldo filtrado, pouca massa e pouca carne e os ovos mais pequenos inteiros, aromatizada com salsa fresca picada; Pode ser a variante com o fígado moído e ovos integrados no caldo, eventualmente mais carne e massa, aromatizado com hortelã. A versão aromatizada com sumo e raspa de limão funciona muito bem; Pode ser ainda a versão mais completa, com a cebola incorporada no caldo... A última funciona quase como uma refeição completa.

«xarax» / RevistaDeVinhos ► E eu que detesto canja, (ao ponto de ter em mente inventar uma receira chamada "detesto canja" e que seria uma canja mas evitando todas as coisas que não gosto na canja)... começo a ficar interessado...afinal há muito que se lhe diga...

«acupido» / RevistaDeVinhos ► Ri-me com a "anti-canja"... Moderathor, em vez de galinha, tamboril, em vez de massa, arroz... Tudo o que a canja leva, um arroz de tamboril não leva (tirando a água e a cebola)... Claro que ambos os dois pratos (pareceu-me bem realçar que são dois e diferentes) são porreiros - confort food e tal, mesmo o rice co tramboril)... Quanto à canja, parece-me que não há muito a inventar e ainda bem...

«Dulce Bandeira» / RevistaDeVinhos ► Acho que fica muito melhor a canja com massa do que com arroz. Aliás, com arroz, não gosto... E a massa pevide - a opção da receita do acupido - funciona muito bem.

«Alentejano» / RevistaDeVinhos ► Luigi essa da anti-canja existe e chama-se canja de conquilhas.

«RLP» / RevistaDeVinhos ► Nesta boca entra tudo menos esse maldito prato e pior ainda o cheiro dele.

«xarax» / RevistaDeVinhos ► tenho que guardar alguns trunfos... não disse o que não gosto na canja, muito menos as soluções que (hei-de) propor para obviar isso... fica para as expectativas...

«RLP» / RevistaDeVinhos ► Mas eu digo: Odeio o cheiro / A gordura a boiar / Os miúdos misturados com a massa/arroz / A gordura que fica boca. À conta disto não devo tocar numa canja hà mais de 30 anos.

«xarax» / RevistaDeVinhos ► depois compras o livro de receitas ("melhor obra gastronómica ainda por sair") e experimentas...



Publicado por Tovi às 09:27
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
O Porto nas Invasões Francesas

Estive hoje na Biblioteca Municipal Almeida Garrett (jardins do Palácio de Cristal no Porto) onde visitei a exposição “O Porto nas Invasões Francesas” e recomendo-vos vivamente uma passagem por esta mostra evocativa dos 200 anos da Guerra Peninsular. (Visitas até 5 de Setembro: De 3ª a sábado das 10h às 12:30h e das 13:30h às 18h; Domingo das 14h às 18h)



Publicado por Tovi às 17:52
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O Vinho do Porto e as Invasões Francesas

Ando a ler umas coisas sobre as Invasões Francesas e encontrei esta preciosidade escrita por José Hermano Saraiva na História Concisa de Portugal (Publicações Europa-América, 2ª edição, Nov.1978):

"(...) As guerras já então sabiam as maneiras de se harmonizar com os bons negócios e a exportação do vinho do Porto para Inglaterra não cessou mesmo durante a época do domínio francês. O transporte fazia-se em navios portugueses que arvoravam a bandeira de Knifausen, pequeno e quase desértico porto que foram descobrir na foz do Elba. Como ninguém sabia o que era o Knifausen, a bandeira não figurava entre as proibidas nem pelos Franceses, nem pelos Ingleses. Junot recebia seis mil e quatrocentos réis por cada barril de vinho embarcado nessas condições. Os Ingleses deixavam passar, porque só tinham a ganhar com os furos ao bloqueio. Assim saíram trinta mil barris de vinho do Porto. (...)"

Para os lavradores do Douro, para os comerciantes e alguns (poucos) nobres que se dedicavam ao “tracto mercantil”, e que produziam uma grande parte da riqueza nacional, era fundamental para os seus negócios estarem umas vezes a favor dos invasores, outras vezes apoiando os aliados ingleses. E assim lá foram “fazendo pela vida”.

«luis ramos lopes» / RevistaDeVinhos ► Os portugueses sempre souberam "fazer pela vida", mesmo nas condições mais adversas. O que nos falta em organização sobra-nos em criatividade...

«prof» / RevistaDeVinhos ► Olá... Ao ler o teu post, lembrei-me de um artigo sobre o vinho do porto e as invasões francesas neste link:
http://www.euronapoleon.com/pdf/private ... quinet.pdf
Boas leituras e melhores bebidas. E já agora, mais uma pérola da nossa história: "Durante as invasões francesas (1809) as tropas de Napoleão requisitaram os vinhos da Real Companhia Velha, que assim faziam parte da ração dos soldados Franceses. Quase ao mesmo tempo (1811), Lord Wellington e as suas tropas consumiam também os vinhos da Real Companhia Velha, destacando-se um fornecimento de 300 pipas, feito através dos seus armazéns da Régua, ao exército então estacionado em Lamego". Pelos vistos, os Portugueses sempre foram muito "desenrascados".

E ainda bem que os Franceses nos "roubaram" tantas pipas de Vinho do Porto, pois desta forma o nosso néctar passou a ser conhecido dos gauleses, deixando de ser uma bebida exclusiva dos britânicos.
É a partir desta altura que as exportações para França, Bélgica e Itália ganham um incremento notável. E mesmo para a Grã-Bretanha as vendas aumentam, pois com tantos soldados ingleses no nosso país o Vinho do Porto “democratiza-se” e deixa de ser unicamente uma bebida de lordes.

«Guilherme Lickfold» / RevistaDeVinhos ► Estou mesmo a ver como seria no campo de batalha. Até os próprios franceses deviam atirar contra franceses.



Publicado por Tovi às 10:00
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
O fim da 2ª Invasão Francesa

(Desenho a lápis feito pelo capitão Manuel Isidro da Paz - Torre do Tombo)

Ontem foi recriada nas duas margens do Douro sobranceiras às cidades do Porto e Gaia a vitória das tropas Anglo-Lusas, comandadas pelo general inglês Wellesley, contra as tropas francesas do marechal Soult.

A recriação da batalha de 12 de Maio de 1809 começou no Sábado à noite com a recriação histórica do que se passou há 200 anos e envolveu 400 figurantes de dez nacionalidades diferentes: (...) o exército luso-inglês, comandado por Wellesley, avançou pelas ruas de Gaia, partindo do Regimento de Artilharia 5, no Quartel da Serra do Pilar. Desde aí, as forças aliadas seguiram pela Avenida da República, seguindo percursos diferentes pelo centro histórico de Vila Nova de Gaia e concentrando-se na Avenida de Diogo Leite. O primeiro confronto corpo a corpo entre os exércitos aconteceu na beira do rio Douro, junto à Rua de D. Afonso III. Ao longo do avanço dos aliados e consequente recuo gaulês, registaram-se escaramuças e ataques à população. (...) o exército luso-inglês, sob o comando de Wellesley, consegue passar o Douro e encurralar os franceses, que abandonarão o Porto em direcção à fronteira.

 

«Viriato» / ViriatoWeb ► ...e levaram com eles o vinho do Porto. E se tivessem ficado, os franceses? hoje os portugueses teriam o melhor sistema de saúde do mundo e a melhor segurança social, um ordenado mínimo a 1350 € , o TGV , os aviões AIRBUS, o foguetão Ariane, várias marcas de automóveis, como gostam muito de futebol teriam sido campeões do Mundo e da Europa, teriam televisão digital, carros e pilotos campeões mundiais em Formula 1, teriam também, vencido várias vezes o Dakar, enfim... e muitas coisas mais que os portugueses de hoje gostariam de ter, de ser, ou ter sido! vale mais ser sócio, com apenas 5%, de uma empresa que vale milhões, do que dono a 100% de uma merda que não vale nada!

«Tovi» / ViriatoWeb ► E ainda bem que levaram com eles o Vinho do Porto… Foi desta maneira que os súbditos de Napoleão passaram a conhecer este nosso “néctar dos deuses” e a verdade é que ainda hoje a França é o primeiro importador com um quota muito próxima dos 30% da nossa produção.

«Viriato» / ViriatoWeb ► pois... só que o vinho do Porto pertence aos ingleses!

«XôZé» / ViriatoWeb ► Um historiador português cujo nome não me recordo gora que resume na perfeição o que se passou nessa época: Dizia ele... "Roubaram mais os ingleses que nos ajudaram dos que os franceses que nos invadiram". Ainda nos dias de hoje "inglês" é sinónimo de gatunagem.

«Tovi» / ViriatoWeb ► Só se for aí pelos Allgarves... Nós cá na Cidade Inbicta damo-nos muito bem com a comunidade britânica.

«XôZé» / ViriatoWeb ► Estou a falar em tradição histórica. Como foram eles que inventaram a pirataria... Aqui também nos damos muito bem com eles, sobretudo com elas. Chegam sempre famintas.

«Arp» / ViriatoWeb ► É sempre surpreendente ler alguém capaz de prever o que é que se teria passado se não se tivesse passado o que se passou no passado. A História fica assim uma espécie de uma laranja de onde cada um aprecia de maneira diferente o gomo que resolve morfar, mesmo sendo todos similares. A mim, e do que me lembro desta parte da história, parece-me simplesmente que os franceses não tiveram pedalada para a bicicleta que queriam montar. Como também não tiveram na revolta da Gália contra Roma, liderada por Vercingétorix, que acabou, orgulhosa mas miseravelmente em Alésia; como não tiveram na tentativa russa de Napoleão; como não tiveram na Segunda Guerra Mundial, onde foram resgatados pelas tropas aliadas. De todo o modo, é certo que se comportam sempre com a sobranceria de quem as ganhou todas.



Publicado por Tovi às 18:52
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009
Bicentenário das Invasões Francesas

É já no próximo fim-de-semana (28 e 29 de Março) que se comemoram os 200 anos sobre a entrada das tropas de Napoleão na cidade do Porto e também o tristemente célebre acidente da Ponte das Barcas.

Programa das comemorações: Concerto Evocativo do Bicentenário do Desastre da Ponte das Barcas, no Coliseu do Porto, sábado, às 21h30; Inauguração do monumento evocativo do mesmo episódio histórico, da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, no domingo, às 11h00, na Ribeira, junto à Ponte Luiz I; Missa de requiem de Domingos Bomtempo na Sé, celebrada pelo bispo do Porto, D. Manuel Clemente, no domingo às 16 horas.

Ponte das Barcas (pormenor) - Café Novo - Rua da Lapa - Porto

(in http://azulejaria.blogs.sapo.pt)



Publicado por Tovi às 08:51
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
Francesinha

  

Uma das teorias sobre a origem da francesinha remonta aos tempos das invasões francesas: Os soldados franceses costumavam comer umas sandes com pão de forma e onde colocavam toda a espécie de carnes e muito queijo. Mas faltava uma coisa importantíssima que os portuenses imediatamente passaram a colocar nas ditas sandes – o molho.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francesinha

 

Esta versão da origem da FRANCESINHA é de minha autoria e foi publicada na Wikipedia por um amigo meu, que a tinha lido no fórum do PortugalNoSeuMelhor, onde a publiquei pela primeira vez, há já uns anitos.




Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Influência das Invasões Francesas no comércio do Vinho do Porto

Como vos disse no post anterior as tropas de Napoleão instaladas no Norte de Portugal “requisitaram” à Real Companhia Velha os vinhos em stock, para passarem a fazer parte das rações dos seus soldados. E ainda bem que o fizeram, pois desta forma o nosso néctar passou a ser conhecido dos gauleses, deixando de ser uma bebida exclusiva dos britânicos. É a partir desta altura que as exportações para França, Bélgica e Itália ganham um incremento notável. E mesmo para a Grã-Bretanha as vendas aumentam, pois com tantos soldados ingleses no nosso país o Vinho do Porto “democratiza-se” e deixa de ser unicamente uma bebida de lordes.



Publicado por Tovi às 18:26
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Domingo, 1 de Junho de 2008
Imposto Especial de Guerra sobre o Vinho do Porto

Não sei se sabem mas em 27 de Junho de 1808 foi criado um Imposto Especial de Guerra sobre as exportações de Vinho do Porto, para se poder fazer face às enormes despesas que as Invasões Francesas criaram ao nosso país. Foi também durante estas invasões, mais precisamente em 1809, que as tropas de Napoleão “requisitaram” à Real Companhia Velha os vinhos em stock, para fazerem parte das rações dos soldados franceses.


Marechal Soult no Porto antes da Batalha do Douro
(imagem de BritishBattles.com)

Em Abril de 1809 Soult está instalado no Norte de Portugal. No início de Maio forças do exército francês comandadas pelo general Delaborde atacam a Ponte de Amarante e obrigam as forças do brigadeiro Silveira a retirar. A defesa da Ponte de Amarante durou de 18 de Abril a 2 de Maio. No dia 8 de Maio o exército português comandado por Beresford chega a Lamego, vindo de Tomar por Coimbra e Viseu. As forças comandadas pelo general Silveira ocupam Vila Real, obrigando a cavalaria francesa de Caulaincourt a retirar. No dia 12 teve lugar o Combate de Moure, em que as forças de Silveira atacam a divisão Loison na serra do Marão, obrigando-a a retirar para Amarante. Na mesma altura Wellington bate Soult no Porto, obrigando-o a retirar para Espanha por Trás-os-Montes. Estava a terminar a 2ª Invasão Francesa.

 

«rafael de zafra» / AzulJasmim ⇒ Salieron escaldados los franceses EH!!!!!!!



Publicado por Tovi às 15:13
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
Chegaram os franceses!...
Viram?... Viram o programa que passou ontem na RTP1?... “Chegaram os franceses!”, um documentário de Maria Júlia Fernandes, com imagem de Carlos Oliveira e edição de imagem de Mário Rui Miranda, foi das melhores coisas que vi sobre as Invasões Francesas e que, sem qualquer ponta de dúvida, faz parte da memória das Caldas da Rainha, Amarante, Porto de Ovelha, Olhão, Pendilhe e Fundão… Faz parte da memória de Portugal e da sua História.
«Viriato» ⇒ eu não vi !   é que nós temos a sorte de não captar os canais portugueses ! :mrgreen:


Publicado por Tovi às 07:59
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
As Invasões Francesas (IV)

Continuando a falar do “gamanço” durante as Invasões Francesas…

Em 1809 as tropas de Napoleão instaladas no Norte de Portugal “requisitaram” à Real Companhia Velha os vinhos em stock, para passarem a fazer parte das rações dos seus soldados. E ainda bem que o fizeram, pois desta forma o nosso néctar passou a ser conhecido dos gauleses, deixando de ser uma bebida exclusiva dos britânicos. É a partir desta altura que as exportações para França, Bélgica e Itália ganham um incremento notável. E mesmo para a Grã-Bretanha as vendas aumentam, pois com tantos soldados ingleses no nosso país o Vinho do Porto “democratiza-se” e deixa de ser uma bebida de lordes.

«XôZé» ⇒ Na volta gostaram mais da pinga que os ingleses e por isso levaram na corneta. Ainda estou para saber qual foi a guerra que os franceses alguma vez e que de facto ganharam.

«zézen»Waterloo ( :mrgreen: )

«XôZé»Isso foi apenas uma batalha. 8-)    Uma paneleirice.... :twisted:

«zézen»E quem é que ganhou ? Os machos ou as fêmeas ?

«Reboredo»Waterloo - Até esta perderam. Os Wallons estão muito arrependidos de não os terem deixado ganhar! Tinham o problema deles resolvido. Fugiram da Argélia. Pobres franceses.

«zézen»Vocês estão a pedir tourada e, quando o Franciu ler as vossas piadas, estão f....... :whistle:

«Arp»Ainda estou para saber qual foi a guerra que os franceses alguma vez e que de facto ganharam - Waterloo - Só se foi por se terem livrado do Napoleão de vez. Quem ganhou mesmo foi o Louis XVIII, os franceses nem por isso. A propósito Waterloo não foi exactamente uma guerra, terá sido mais a batalha que acabou com a dita, mas isso já tu sabias. :whistle:

Pois é… A biblioteca que o meu sogro me deixou ainda não está arrumada nem classificada… Há mais de vinte anos que ando a tentar dar uma certa ordem àqueles livros todos, mas a preguiça tem-me atacado impiedosamente… Mas algum trabalho tenho feito e os itens “Vinho do Porto” e “Invasões Francesas” já deram frutos e os textos que aqui se têm publicado são prova disso.
Vamos lá a ver se ganho coragem para mais horas de leitura e trabalho de síntese… É que isto não é só ler, é também necessário separar o importante do supérfluo, pois já ninguém está disposto a ler grandes textos. E o que se escrevia no início do século XX tem uma leitura algo diferente dos dias de hoje. É importante saber enquadrar os textos no tempo em que foram escritos. E dêem-me os deuses o condão de o saber fazer.



Publicado por Tovi às 19:36
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
As Invasões Francesas (III)

Continuemos a falar das Invasões Francesas…

No início do século XIX, logo após a Revolução Francesa, a sociedade portuguesa dividia-se entre os apoiantes da nova ordem política estabelecida na França e os mais arreigados às tradições e claramente apoiantes das políticas absolutistas do Marquês de Pombal. Nos primeiros, os do “partido francês”, destacava-se Bocage e todos os “jacubinos” e “ateus”. Os outros, os “velhos monárquicos”, abandonaram Portugal juntamente com a Família Real, perante a iminência da chegada das tropas de Napoleão a Lisboa. Mas havia um outro grupo de PORTUGUESES… Os comerciantes e alguns (poucos) nobres que se dedicavam ao “tracto mercantil” e que produziam uma grande parte da riqueza nacional. E para estes a paz era fundamental para os seus negócios. Umas vezes a favor dos invasores, outras vezes apoiando os aliados ingleses, lá foram “fazendo pela vida”. Conta José Hermano Saraiva na “História Concisa de Portugal” (Colecção Saber; Publicações Europa-América; 2ª edição - Nov1978) que a exportação de Vinho do Porto para a Europa não foi interrompida durante a Guerra Peninsular, graças a um interessante estratagema dos comerciantes do Norte: O transporte do Vinho do Porto fazia-se em navios portugueses que arvoravam a bandeira de Knifausen, um pequeno e insignificante porto na foz do Elba; Como a bandeira de Knifausen não figurava entre as proibidas nem pelos franceses nem pelos ingleses, ninguém se importava com estes navios; Os ingleses deixavam passar os barcos e assim furavam o bloqueio; O General Junot recebia seis mil e quatrocentos reis por cada barril de Vinho do Porto; E assim, a contento de todos, lá saíram de Portugal trinta mil barris de nosso Vinho Fino.

«Reboredo» ⇒ A corrupção com este ou outro nome já tem aviões, leite em pó e muitas condecorações. O capitalismo de todas as épocas não dá aumentos justos aos trabalhadores ou nivela os seus direitos por baixa. Atribui-se benesses exorbitantes, não reparte as mais-valias resultantes da produção. Mas dão o ouro ao bandido para fazer os seus negócios.



Publicado por Tovi às 18:39
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
As Invasões Francesas (II)
No “ViriatoWeb” todos os assuntos são discutidos até ao mais ínfimo pormenor… Imaginem que comecei a falar das Invasões Francesas e da fuga da Casa Real para o Brasil, e já se escreve sobre o domínio colonial espanhol sobre Cuba, a ocupação americana da ilha e a revolução de Fidel.
«XôZé» ⇒ ...estão a esquecer que "anda meio mundo a gamar outro meio". E o que foi para o Brasil tinha sido gamado lá; na India e em África. Foi feito um pouco de Justiça!... - Lá está o amigo a puxar para o sentimentalismo...   Se continuas a prosa, garanto que choro.  
«Reboredo» ⇒ Então meus caros. A verdade histórica deixa os meus amigos  :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops:  Quanto a chegarem atrasados meu caro Viriato! Chegaram ao mesmo tempo que os amerloques. Uns apoiaram uns para roubarem depois e os outros apoiaram outros com o mesmo objectivo. Os cubanos tiveram direito aos restos.
Quanto a Cuba: O domínio espanhol sobre Cuba durou quatro séculos. No dia 10 de dezembro de 1898 a Espanha, após ter sido derrotada pela invasão americana a Cuba, assinou com os Estados Unidos o Tratado de Paris que põe fim à dominação espanhola na ilha. No dia 1º de janeiro do ano seguinte, os Estados Unidos estabeleceram um governo militar na ilha. Durante quase quatro anos os Estados Unidos mantiveram a ocupação da ilha através de um governo militar. No dia 20 de maio de 1902 foi proclamada a República em Cuba, mas o governo norte-americano, em 1901, tinha convencido a Assembléia Constituinte cubana a incorporar um apêndice à Constituição da República, a Emenda Platt, pela qual se concedia aos Estados Unidos o direito de intervir nos assuntos internos da nova república, negando à ilha, bem como à vizinha ilha de Porto Rico, a condição jurídica de nação soberana, o que limitaria sua soberania e independência por 58 anos. No dia 1° de janeiro de 1959 o Exército Rebelde dirigido pelo seu Comandante e chefe, Fidel Castro, derrota o governo que governava o país. É a partir desse momento que Cuba obtêm sua total e definitiva independência em relação aos EUA.
«XôZé» ⇒ Não precisavas de berrar, poix não?... :cry: :cry: :cry:   Já agora explica-me lá essa soberania quando os amerlicanos continuam a ter em território cubano a base de Guantanamo, onde alojam em regime de APA, os gangsters das arábias. :mrgreen:
«Reboredo» ⇒ Meu caro XôZé, Guantanamo para os amerloques é assim como uma espécie de Olivensa, Saara Ocidental, Chechénia, Enclave de Cabinda e outros enclaves que o mundo conhece e que as resoluções da ONU e as armas não conseguem resolver. A Baia de Guantánamo fica localizada no sul da ilha de Cuba e tem cerca de 111,9 km² de área. A baía foi concedida aos Estados Unidos como estação naval em 1903, em troca do pagamento de 2000 dólares por ano. Da base de Guantánamo, existe uma dependência chamada Navassa, ilha desabitada com 5 km², situada entre a Jamaica e o Haiti. É na base naval americana da baía que se encontram os prisioneiros das guerras do Afeganistão e Iraque. Fidel Castro tentou em vão desfazer a concessão, e desde então, em sinal de protesto, nunca utilizou o pagamento do aluguel pago pelos EUA, que se mantém no mesmo valor até hoje. Ao redor da base encontra-se ainda o único campo minado do ocidente. A manutenção da base de Guantánamo não encontra amparo em nenhuma convenção internacional e, por isto, não há como fiscalizar o que acontece em seu interior. Os presos muitas vezes não possuem direito a advogados, visitas ou sequer a um julgamento. Existem denúncias de tortura. Os Estados Unidos não permitem que a ONU inspecione as condições da base e do tratamento recebido pelos prisioneiros. Tal situação tem requerido alguma atenção por parte dos mídia internacionais, uma vez que supostamente viola a convenção de Genebra e os direitos humanos.
«Viriato» ⇒ o que será um " mídia " ???  :roll: :roll: :roll: 
«zézen» ⇒ Faz como eu, diz que sabes. :P
«novato» ⇒ A aritmética, a geométrica ou a ponderada? ;fcp:
Dêem-me mais uns diazitos e também vou mandar os meus “bitaites”… É que não podemos esquecer que foi a Revolução Francesa que provocou o início do fim das monarquias absolutistas na Europa e a consequente alteração das políticas coloniais nas Américas.
«Viriato» ⇒ a troca de ideias é o principio de base de um fórum, isso e não a troca de insultos !   quanto à França foi pioneira em muita coisa, como por exemplo : as greves , as férias pagas, rádios livres na banda FM na Europa, etc. etc ....
«zézen»Salvo no "caixote do lixo" :roll: 



Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
As Invasões Francesas

Comemora-se na próxima semana os 200 anos do início da Guerra Peninsular (1807-1814), o período da nossa história em que foi necessário socorrermo-nos do auxílio das tropas inglesas para libertarmos o território nacional do flagelo das tropas de Napoleão.

A 1ª Invasão Francesa, comandada pelo General Junot, atravessou a fronteira e chegou a Abrantes no dia 20 de Novembro de 1807 e a Santarém oito dias depois. A resistência foi praticamente nula e a própria Família Real e toda a Corte (dizem que cerca de 15.000 pessoas) fugiram para o Brasil na véspera da chegada das tropas napoleónicas à cidade de Lisboa.

Imagem
Embarque para o Brasil da Família Real (D. Maria I e o Príncipe Regente, futuro D. João VI) no cais de Belém - Gravura feita por Francisco Bartolozzi (1725 - 1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva

«XôZé» ⇒ Essa efeméride recorda-me sempre de autor que desconheço, o seguinte: Roubaram mais os ingleses que nos ajudaram, do que os franceses que nos assaltaram!

Penso que está por fazer a contabilidade do gamanço quer dos ingleses quer dos franceses durante as Invasões Francesas, mas não nos podemos esquecer do saque praticado por nacionais aquando da fuga para o Brasil. Segundo relata Raul Brandão na sua obra “El-Rei Junot” (1912), nos 15 navios da armada portuguesa e nas dezenas de barcos de transporte que levaram para as terras brasileiras a família real e as mais importantes casas fidalgas – Lavradio, Angeja, Cadaval, Alegrete, Pombal, Belas, Torres Novas, Vagos, Pombeiro, Caparica, Redondo, Belmonte – seguiram como carga jóias, peças de ouro, obras de arte recolhidas das capelas e palácios reais, no valor global de 80 milhões de cruzados. E até se conta o caricato de na precipitação da fuga ter ficado no cais de Belém a prata da Patriarcal.

«Reboredo»Meus caros, estão a esquecer que "anda meio mundo a gamar outro meio". E o que foi para o Brasil tinha sido gamado lá; na India e em África. Foi feito um pouco de Justiça! Um abraço,

«Viriato»é verdade que os comunas chegaram a África, relativamente atrasados para gamarem !  mas a Cuba ainda chegaram a tempo ! :roll: 



Publicado por Tovi às 19:15
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