
Por cá pouco ou nada se tem falado sobre isto... mas não restam dúvidas que este acordo UE-Mercosul, vai destruir a soberania alimentar da Política Agrícola Comum, que foi um dos esteios da coesão europeia, e que recebe agora um golpe fatal, apesar das promessas de subsídios para calar os protestos.
A aprovação do acordo entre União Europeia e Mercosul desencadeou uma nova onda de protestos na Europa desde sexta-feira [9jan2026], com bloqueios de estradas e mobilizações simultâneas em vários países. Agricultores afirmam que as salvaguardas anunciadas por Bruxelas são insuficientes e denunciam concorrência desleal diante da abertura do mercado a produtos sul-americanos.
José Manuel Ferreira Dias - O acordo Mercosul–União Europeia é globalmente positivo a UE ganha melhor acesso a mais de 260 milhões de consumidores do Mercosul, facilitando a exportação de automóveis, máquinas, produtos químicos, farmacêuticos e serviços. Traduz-se numa vantagem estratégica pois permite reduzir a dependência europeia de mercados como China, Rússia e EUA, fortalecendo a autonomia económica da UE num mundo mais fragmentado. Tem, no entanto, uma outra face sobretudo para os países como a França pois para agricultores europeus temem ficar sujeitos a uma concorrência "desleal" por terem de respeitar regras ambientais mais rígidas. É positivo! Quem não gosta? Os que querem continuar a viver de subsídios...
Os 13 pontos do acordo UE-Mercosul
1. Eliminação de tarifas alfandegárias - Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços; Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos; União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
2. Ganhos imediatos para a indústria - Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais. Setores beneficiados: máquinas e equipamentos; automóveis e autopeças; produtos químicos; aeronaves e equipamentos de transporte.
3. Acesso ampliado ao mercado europeu - Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo; UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões; comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis - Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação; acima dessas cotas, é cobrada tarifa; cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições; mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus; na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil; no mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
5. Salvaguardas agrícolas - UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se: importações crescerem acima de limites definidos; preços ficarem muito abaixo do mercado europeu; medida vale para cadeias consideradas sensíveis.
6. Compromissos ambientais obrigatórios - Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal; cláusulas ambientais são vinculantes; possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
7. Regras sanitárias continuam rigorosas - UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários; produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.
8. Comércio de serviços e investimentos - Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros. Avanços em setores como: serviços financeiros; telecomunicações; transporte; serviços empresariais.
9. Compras públicas - Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE; regras mais transparentes e previsíveis.
10. Proteção à propriedade intelectual - reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias; regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
11. Pequenas e médias empresas (PMEs) - capítulo específico para PMEs; medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação; redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
12. Impacto para o Brasil - Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria; maior integração a cadeias globais de valor; possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
13. Próximos passos - Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai; aprovação pelo Parlamento Europeu; ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai; entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites; acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.
Joaquim Figueiredo - A França votou contra...
Paulo Barreira - Só agora aprovado. Contra vontade da França
Cecilia Santos - Paulo Barreira .. e Irlanda.
Lusa/CM - 5.ª feira 8jan2026
Hoje, em França, centenas de agricultores e cerca de 100 tratores furaram os bloqueios das autoridades e posicionaram-se junto aos simbólicos Torre Eiffel e Arco do Triunfo, em Paris, entre outros locais, também contra o acordo UE com o Mercosul. (...) Agricultores alemães, espanhóis e gregos manifestam-se esta quinta-feira contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, bloqueando rodovias e outros pontos importantes nos seus países.
Correio da Manhã de 11jan2026
O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul elimina as tarifas aplicadas às exportações de azeite e vinho português para Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, a média de exportações de azeite para os países do Mercosul entre 2019 e 2023 foi de 276 milhões de euros. No vinho foi de 71 milhões de euros. O principal mercado é o Brasil (99% das exportações). Tanto no caso do azeite como do vinho, Portugal é um dos principais exportadores para esta região, de onde importa sobretudo soja, milho e açúcar.
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