"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Sexta-feira, 4 de Setembro de 2020
Começa hoje o julgamento de Rui Pinto

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Segundo a acusação, entre 2015 e 2019 Rui Pinto invadiu a Procuradoria-Geral da República, a sociedade de advogados PLMJ, o Sporting, a Federação Portuguesa de Futebol e o fundo de investimento Doyen, do qual - diz o Ministério Público - terá tentando extorquir entre 500 mil e um milhão de euros.

 

   Quem é Rui Pinto?

Tem 31 anos, é natural de Vila Nova de Gaia. Foi detido há um ano e meio na Hungria e está há um mês ao abrigo do programa de proteção de testemunhas em Portugal.
Génio da informática, autodidata dos computadores, apaixonado por arqueologia, fanático do futebol e amante do Porto. Rui Pinto nasceu em Mafamude, cresceu na praia dos Lavadores, em Vila Nova de Gaia.
Estudou história na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e fez Erasmus na cidade onde anos depois foi detido. Na Hungria criou um negócio de venda de livros raros pela Internet.
Mas autoridades dizem que o apartamento onde viveu não serviu apenas para o negócio familiar. Terá servido também de base tecnológica a partir da qual acedeu a sistemas informáticos e a caixas de correio eletrónico com identidades falsas.
Denunciante do Football Leaks e fonte do Luanda Leaks, Rui Pinto garante que não é criminoso e que quer apenas denunciar a grande corrupção.

 

   Forte operação de segurança à entrada do tribunal
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   O que disse Rui Pinto em tribunal
1. Procurei na Contestação, apresentada pelos meus advogados, transmitir a este Tribunal tudo o que me parecia relevante para a descoberta da verdade em resposta à acusação de que sou objeto.
2. Estou aqui neste tribunal numa estranha situação: por um lado, como arguido e, por outro, como testemunha protegida integrada num programa do Estado português.
3. Como sempre disse, não me considero um hacker. Sou um denunciante ou whistleblower porque tornei pública, em total boa-fé, muita informação de manifesto interesse público nacional e internacional que, de outra forma, nunca seria conhecida.
4. Fiquei surpreendido e indignado com aquilo que descobri e que entendi que devia revelar. Inicialmente através do site Football Leaks, mas também através da colaboração com órgãos de comunicação social a nível mundial.
5. O meu próprio trabalho de análise documental e auxílio direto aos jornalistas é, na minha opinião, um trabalho que contribuiu para reforçar a liberdade de expressão.
6. Colaborei também com várias autoridades estrangeiras, e encontro-me a colaborar ativamente com as autoridades portuguesas, que me encorajaram nesta colaboração, e espero continuar a fazê-lo no futuro.
7. As revelações de graves irregularidades e crimes são para mim motivo de orgulho e não de vergonha. Vejo hoje que há importantes inquéritos criminais que foram iniciados graças a essas revelações e confio que serão muitos mais.
8. Constato que, nos últimos anos, os direitos nacionais, o direito europeu e o direito internacional reconhecem, cada vez mais, a importância da contribuição dos whistleblowers na descoberta de graves atividades ilícitas profundamente prejudiciais para os cidadãos e para os próprios Estados. E, por essa razão, os whistleblowers são cada vez mais protegidos em todo o mundo.
9. Fui objeto de uma campanha de calúnia, difamação e ameaça com o intuito de afastar a atenção da opinião pública e do sistema judiciário das atividades criminais que revelei e que persistem. Mas não me queixo.
10. Estive quase um ano e meio preso, com 7 meses de isolamento total, o que foi um período difícil, mas, também, um período de grande reflexão. O meu trabalho como whistleblower está terminado.
11. Neste momento, pretendo tão somente reafirmar que nada do que fiz foi por dinheiro e que nunca recebi qualquer verba pelas informações que revelei.
12. A conselho dos meus advogados, limito-me, para já, a fazer esta declaração, reservando-me o direito de prestar declarações posteriormente.

 

   Declarações de Anibal Pinto em tribunal
O advogado acusado de ter intermediado a alegada tentativa de extorsão de Rui Pinto à Doyen afirmou esta sexta-feira, em tribunal, que pensou que estava apenas a tratar de um contrato de prestação de serviços.
"Para mim fazia todo o sentido que alguém que fosse hackeado quisesse contratar o Rui Pinto", afirmou Aníbal Pinto, que admitiu que, ao ler o primeiro e-mail que o gaiense enviara a Nélio Lucas, CEO do fundo, pensou que pudesse ali estar em causa uma tentativa de extorsão.
Confrontado pelo coletivo de juízes com o facto de, ainda assim, ter estado sempre com "um pé dentro e um pé fora" na negociação do alegado contrato de trabalho, o arguido justificou a sua posição com a prática de bom relacionamento entre advogados.
"Com os colegas estou com os dois pés. Por muita reticência [que tenha], tenho de dar o benefício da dúvida", sustentou Aníbal Pinto, que contactou diretamente com o mandatário de Nélio Lucas, Pedro Henriques.
Aníbal Pinto garantiu, ainda, que Rui Pinto era, para si, um cliente com importância "diminuta".



Publicado por Tovi às 09:04
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