"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Sábado, 9 de Outubro de 2021
Há independentes e independentes

Sim, é verdade… há independentes e independentes, sendo que eu sinto-me do lado de um verdadeiro independente, Rui Moreira.

  Paulo Ferreira, no JN de 08out2021

Captura de ecrã 2021-10-08 093736.jpg

O discurso de vitória de Rui Moreira ia a meio, quando o autarca reeleito para um último mandato à frente da Câmara do Porto disse, mais ou menos, isto: é preciso federar o movimento de candidatos independentes que tem vindo a ganhar expressão pelo país fora. A declaração, que passou despercebida, merece um comentário.
É certo que os ares do Mundo, hoje tributários de um crescente esmagamento das tradicionais ideologias e do desaparecimento daquilo a que os sociólogos gostam de chamar "as grandes narrativas", abrem espaço ao aparecimento de alternativas que fujam do espectro partidário. É bom que assim seja. Será ótimo que assim continue a ser. Ocorre que o otimismo esbarra, pelo menos para já, nos números, essa coisa chata, mas inescapável. Dos 19 presidentes de Câmara eleitos por movimentos independentes, apenas dois não têm no currículo anteriores ligações partidárias. O facto não diminui nenhuma conquista, mas é revelador.
Sabe-se que, em muitos casos, as candidaturas independentes resultam, para dizer o mínimo, de anteriores aborrecimentos com as estruturas partidárias. Outra vez os números: 19 dos 17 eleitos vieram das fileiras do PSD, sete do PS e um da CDU. Sobram dois. É poucochinho para, como deseja Rui Moreira, federar o que quer que seja.
Verdade que os engulhos são ainda muitos, a começar pelas verbas necessárias para montar uma campanha meritória e a acabar nos riscos acrescidos que uma candidatura independente representa, pessoal e profissionalmente. Sobre tudo isso, contudo, permanece um traço, digamos assim, pós-moderno: o vaivém constante e fluido entre a massa partidária e a tribo independente. Vale o mesmo dizer: estamos bastante longe de podermos assumir as candidaturas independentes como facto consumado, logo suscetível de ser federado, com isso ganhando expressão e poder.
Há caminho para fazer? Certamente. Haja esperança.

 

   Comentários no Facebook
José Carlos Ferraz AlvesNão me passou nada despercebida essa parte da declaração. Até porque já andei, andamos, no terreno e fora do espectro partidário então existente, penso que se terá de refletir muito bem sobre o que aglutinará os vários movimentos surgidos, que não seja o descontentamento e desilusão pessoal com este ou aquele partido, sendo que a imagem dos líderes é decisiva numa sociedade como a nossa. O Porto aglutina e muito. Como o Norte o poderá (ainda há um caminho a fazer) ou as regiões e o reforço do Municipalismo. Por ter conhecido outras realidades, confirmo e concordo que temos na Câmara um dependente pelo Porto, e isso é muito para mim, também.
Antero Braga
Eu também gosto muito do trabalho que o nosso Presidente Rui Moreira tem realizado pela cidade e pelo país. Estou convicto que ficará no livro de honra do Porto.
Jorge De Freitas MonteiroA ideia de criar um partido dos independentes é perfeitamente incongruente. Para além das razões óbvias apontadas pelo autor do texto partilhado há uma insanável contradição lógica: os independentes agrupados num partido passam a ser independentes em relação a quê? Quando muito serão independentes dos outros partidos. Mas independentes dos outros partidos que não o deles já o são os membros de todos os partidos. Mais seriamente a verdadeira razão deste absurdo prende-se com algo que é específico aos movimentos formados à volta de uma pessoa, intuitu personæ, como são sempre os movimentos de apoio a um independente: quando o independente sai de cena (por limite de mandatos, por decisão judicial, por questões de saúde ou por qualquer outra razão) o movimento deixa de ter razão de existir enquanto movimento independente. O que em si até poderia ser indiferente para o independente e para todos os que o apoiam desinteressadamente (que também os há, conheço alguns) já não o é para muitos outros dos que o rodeiam. No caso de um autarca ainda menos do que no caso de um presidente da República ou de um deputado (nos sistemas que os admitem). Uma autarquia gera inevitavelmente clientelas. Uma grande autarquia gera clientelas enormes. Para alem dos casos óbvios dos que se fizeram legitimamente eleger à sombra do independente, sem o qual perderiam os mandatos, as funções e as remunerações, há um enorme exército de dependentes do independente cujo futuro se tornaria problemático se o movimento se extinguisse com a saída de cena do independente. Sem querer ser exaustivo podemos pensar em empregos na câmara e nas juntas freguesia, empregos nas empresas municipais, beneficiários de ajustes directos, dirigentes e membros de ONG’s e associações beneficiárias de subsídios municipais… a lista seria se não interminável pelo menos muito longa. Se a cada um destes clientes adicionarmos os respectivos agregados familiares é fácil concluir que há uma enorme quantidade de gente que não pode, até por razões alimentares, aceitar de bom grado que um movimento criado para apoiar um independente se extinga com a saída de cena do dito. Daí ideia peregrina de criar um partido de independentes: a necessidade e a ambição têm razões que a lógica e o bom senso desconhecem.
David Ribeiro - Não deixas de ter razão no que dizes, Jorge... mas tens que colocar a hipótese de outro ou outros independentes continuarem as linhas programáticas de um VERDADEIRO independente numa qualquer autarquia.
Jorge De Freitas Monteiro -  David, sim, claro. Com todas as reservas que eu tenho, e que tu conheces, relativamente ao fenómeno dos independentes, principalmente quando acompanhado de um discurso anti partidos, posso admitir que outra personalidade possa federar ulteriormente os que se tinham antes agrupado em volta de um independente. Mas isso é diferente de criar um partido federando todo o cão e gato que se diz independente por esse país fora.



Publicado por Tovi às 07:33
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