"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Quinta-feira, 21 de Abril de 2022
"Nossos últimos dias"... em Mariupol

Captura de ecrã 2022-04-20 180328.jpg

Serhiy Volyna, comandante dos fuzileiros navais ucranianos que lutam contra as forças russas em Mariupol, disse ontem [4.ª feira, 20abr2022] que as suas forças “podem estar a enfrentar os nossos últimos dias, se não horas”, já que a Rússia emitiu um novo ultimato aos combatentes que se encontram na fábrica siderúrgica da cidade sitiada. "O inimigo está nos superando em número de 10 para um", disse Serhiy Volyna, da 36.ª Brigada de Fuzileiros Navais, ao pedir a extração do último reduto em Mariupol num post no Facebook nesta quarta-feira. Acredita-se que centenas de civis estejam abrigados nos túneis subterrâneos da fábrica sitiada Azovstal. De acordo com informações russas, cerca de 2.500 combatentes ucranianos e 400 mercenários estrangeiros estão escondidos na siderúrgica, enquanto relatórios ucranianos dizem que aproximadamente 1.000 civis procuraram proteção lá. Não é possível verificar as informações fornecidas por ambos os lados, dada a escala dos combates e a falta de comunicações em Mariupol, cujo porto foi cercado por tropas russas em 1 de março, logo após o início da invasão russa em 24 de fevereiro. Considera-se que a cidade e o porto foram praticamente destruídos em semanas de bombardeamentos russos. Foi na última semana de março que a Rússia mudou o seu foco militar para o leste da Ucrânia, depois das suas forças se retiraram de Kiev e das suas áreas adjacentes, encerrando o que Moscovo chamou “a primeira fase” da guerra.

  A agência Reuters, citando testemunhas, afirmou que dezenas de pessoas estavam ontem à tarde a embarcar numa pequena caravana de autocarros na cidade de Mariupol, que viajaria para território controlado pela Ucrânia. O governador ucraniano da região de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, lamentou que tenham sido retiradas menos pessoas que o previsto na quarta-feira em Mariupol devido à falta de autocarros. Kyrylenko esperava a presença de 90 autocarros na cidade, que conseguiriam retirar 6 mil pessoas de Mariupol. "É claro que as pessoas se reuniram nos pontos de encontro acordados, mas poucas entraram nos autocarros", disse, citado pela Reuters.

  Nesta manhã [5.ª feira, 21abr2022] foi noticiado ter o ministro da Defesa russo informado Putin que a Rússia tomou Mariupol, segundo é avançado pela Reuters, que cita a agência russa Interfax. Segundo a Reuters, o ministro da Defesa russo, Shoigu, informou o Kremlin de que ainda há resistentes ucranianos na fábrica Azovstal, cerca de 2.000, e que 1.478 já se renderam, mas que as instalações estão bloqueadas de forma seguraA Rússia diz ainda que retirou mais de 142 mil civis de Mariupol e que há condições para o regresso dos civis, pois a situação está "calma". Em resposta, Putin ordenou que fossem cancelados os planos de ataque que existiam e felicitou o ministro da Defesa pela operação bem sucedida. Ainda em reação à tomada de Mariupol pelos russos, o presidente Vladimir Putin diz que os combatentes ucranianos que ainda estão na fábrica Azovstal serão poupados e tratados com respeito. Dizendo que a operação em Mariupol foi "um sucesso", o presidente russo ordenou ainda que as instalações da Azovstal sejam bloqueadas para que "nem uma mosca" passe despercebida.

  Iryna Vereshchuk, vice-primeira-ministra ucraniana, exigiu que a Rússia permita a abertura imediata de um corredor humanitário para retirar civis e feridos refugiados no complexo industrial de Azovstal"São agora cerca de mil civis e 500 soldados feridos. Precisam de ser removidos de Azovstal hoje", escreveu no Telegram. "Apelo aos líderes mundiais e à comunidade internacional para que foquem agora os seus esforços em Azovstal. Agora este é o ponto-chave e o momento-chave do esforço humanitário."

 

  Mais uma da série "Rússia invade Ucrânia"
E7SKSRZWPBBFTDZXIKR2MIRYCI.jpg

 

  Da série "Mariupol... a cidade que já não existe"
925B99DA-E62F-4B73-A5FA-41EC7FBB60DB (1).jpeg


 

  Na tarde de hoje... na Assembleia da República Portuguesa
Captura de ecrã 2022-04-21 175249.jpg

  No discurso, o presidente ucraniano lembrou que a luta do seu povo não é apenas pela independência mas também "pela sobrevivência" e comparou as revoluções ucranianas, de 2004 e 2014 à Revolução dos Cravos. "O vosso povo, que daqui a nada vai celebrar o aniversário da Revolução dos Cravos, que também vos libertou da ditadura, vocês sabem perfeitamente o que nós estamos a sentir", afirmou. Além disso, fez referência a duas das cidades mais fustigadas, Mariupol e Bucha, comparando-as, em termos de dimensão, a Lisboa e ao Porto. No final, pediu ajuda a Portugal em termos de armamento, sanções contra a Rússia e ajuda humanitária. Zelensky alertou ainda que, depois da Ucrânia, a Rússia vai tentar invadir Moldava, Georgia e os Países Bálticos. De seguida,  Augusto Santos Silva transmitiu a unidade nacional no apoio à Ucrânia e defendeu que o "país agredido" tem o direito de se defender. "Defendendo-se a si própria, a Ucrânia defende-nos a todos". O presidente da Assembleia da República disse ainda que Portugal não se ficou pelas palavras de condenação e de solidariedade, tendo enviado tropas para reforçar a NATO na Roménia, abriu portas aos refugiados ucranianos e apoiou várias sanções contra a Rússia. Santos Silva demonstrou ainda apoio à candidatura da Ucrânia à União Europeia e elogiou o exército e o povo ucraniano. "Saudamos e admiramos o esforço heroico do exército e da sociedade ucraniana na defesa da sua pátria, incluindo no Donbass", disse.

  Al Jazeera - Addressing Portuguese parliament, Ukraine president accuses Russia of atrocities, says Kyiv needs arms to defend itself. (...) he accused the Russian army of committing many atrocities in Ukraine, including in the port city of Mariupol, and asked Portugal to support a global embargo on Russian oil.

  Para memória futura - O PCP considerou esta quinta-feira que a referência que o Presidente da Ucrânia fez ao 25 de Abril durante a sua intervenção, por videoconferência, na Assembleia da República, “é um insulto” à Revolução dos Cravos. “A revolução de Abril foi feita para pôr fim ao fascismo e à guerra. É um insulto esta declaração [de Volodimir Zelenskii] que faz referência ao 25 de Abril. O 25 de Abril em Portugal foi para libertar e contribuiu para a libertação dos antifascistas. Na Ucrânia estão a ser presos”, argumentou a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, nos Passos Perdidos do parlamento.



Publicado por Tovi às 08:07
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Junho 2022
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9





Posts recentes

Novo(s) Aeroporto(s) em L...

Já soam os tambores de gu...

Conferência dos Oceanos

Danos colaterais da invas...

123.º dia da invasão da U...

Morte trágica de uma meni...

Adesão da Ucrânia e risco...

Sismo no Afeganistão

O imbróglio das sanções a...

Salvar a Descentralização...

Sérgio Sousa Pinto sobre ...

Best in Show das Exposiçõ...

Exposições Caninas de Lam...

Onde se come bem e barato...

A Índia está a comprar pe...

Ainda vão chamar "putinis...

O 'novo' McDonald’s abriu...

Quem controla o quê na Uc...

Traidor ou herói?... e os...

Vladimir Putin... e o cza...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus