"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
O Expresso errou...
Pior, publicou uma notícia falsa
Nota do diretor do Expresso: É mais do que um embuste. É enganar os portugueses (12abr2024 às 23h22)
O Expresso publicou em manchete na sua última edição o seguinte título: “Montenegro duplica descida de IRS até ao verão”. A notícia começou a ser desenvolvida a partir das declarações do primeiro-ministro proferidas na abertura da discussão do programa do Governo. Luis Montenegro disse aos portugueses que ia fazer de imediato uma redução de IRS que teria um impacto de 1500 milhões de euros. Com base nesta afirmação, o Expresso fez perguntas ao gabinete do Ministro das Finanças e contactou várias fontes. Ninguém desmentiu o que tinha sido dito no Parlamento, ninguém corrigiu a informação.
Mais: o Expresso esteve atento a cada palavra do primeiro-ministro no debate. Primeiro disse isto: “Aprovaremos na próxima semana uma proposta de lei que altera o artigo 68º do Código do IRS, introduzindo uma descida das taxas sobre os rendimentos até ao oitavo escalão, que vai perfazer uma diminuição global de cerca de 1500 milhões de euros nos impostos do trabalho dos portugueses face ao ano passado, especialmente sentida na classe média”.
Mas, na dúvida, pelo menos um deputado questionou o primeiro-ministro sobre o montante da redução. Confessando a sua “desilusão” com o programa de Governo, em particular sobre a dimensão da descida do IRS, Rui Rocha (líder da Iniciativa Liberal), afirmou que “o alívio do IRS em nenhum caso representa um alívio superior a 10 euros. Fica sempre abaixo desse valor”. Na resposta, Luis Montenegro, contrariou-o: “Na próxima semana vamos materializar a baixa de IRS para 2024. Vamos fazer com que o esforço fiscal dos portugueses sobre os rendimentos do trabalho seja desagravado em 1500 milhões de euros o que vai perfazer que aquele exemplo que deu não é realista. Vamos estar cinco, seis, sete [vezes], consoante os escalões, muito acima”, garantiu o primeiro-ministro.
Afinal o Expresso errou. Pior. O Expresso publicou uma notícia falsa. Pelo facto pedimos desculpa aos nossos leitores. A publicação desta notícia seguiu as regras e procedimentos que exigimos antes da publicação de uma notícia. Não contávamos era com o facto do primeiro ministro ter, no Parlamento, ludibriado os portugueses.
A redução de IRS que Luis Montenegro anunciou com pompa e circunstância, a redução de impostos que andou na campanha eleitoral a defender, é afinal falsa. São apenas pequenos ajustes sobre a redução já anunciada por António Costa no Orçamento para este ano. Os 1500 milhões de euros são apenas €170 milhões, porque 1330 milhões de euros foram já implementados pelo anterior governo.
Luis Montenegro apresentou uma redução de impostos que não passa de um embuste.
A verdadeira redução de imposto é contrária à ideia que o primeiro ministro vendeu no Parlamento. É contrária à ideia do que andou durante toda a campanha eleitoral a anunciar. Só tenho uma palavra para descrever tudo isto. Fraude.
Contudo, no final do dia, quem errou foi o Expresso. Por ter sido ingénuo a acreditar nas palavras do primeiro-ministro de Portugal. Mais uma vez, peço desculpa aos nossos leitores. Não voltará a acontecer.
JN de 12abr2024 às 21h13

Mario Pinheiro - A mentira tem perna curta.
David Ribeiro - Se Luís Montenegro não quer que lhe chamem "aldrabão" tem que começar a fazer os trabalhos de casa com mais cuidado, ou então encontrar alguém mais competente que lhe faça os discursos para as suas intervenções no Parlamento.
Altino Duarte - David Ribeiro Não, não é uma questão de mais cuidado nos "trabalhos de casa", caro David Ribeiro nem mais ou menos competência de quem faz os discursos. O texto do director do Expresso não remete para essa conclusão.
De Manuel da Rocha a 13 de Abril de 2024 às 10:38
O Expresso, a IL e o Chega, fizeram-se de "fomos enganados". Curiosamente, IL e Chega usaram a mesma ideia para promover "descida de 99% no IRS", mas era relativo a 2015. Olhando para os números, quem menos ganha (1800 euros, caso da IL, 1500 euros, caso do Chega) podia passar a pagar 6000% mais IRS (quem ganhasse 12000 euros anuais iria pagar mais IRS que alguém que ganhasse 60000 euros mensais).
Quando a AD apresentou as propostas, sempre se referiu a 2023. Ao mesmo tempo, vão apoiar a ideia da IL e Chega, de que quem ganha menos, vai ver uma subida de taxas, para quem ganha mais ver uma descida. "É para a classe média."
As novas tabelas, vão mostrar uma subida, de 13,25%, para 15% em quem ganhe até 968 euros mensais, uma subida de 14,5% para 15,5% para quem ganhe, de 968 a 1100 euros mensais, a manutenção em 16,5% em quem ganhe até 1500 euros, uma descida de 32% para 23% em quem ganhe 3000 a 6500 euros mensais. E cá está de onde aparecem os 1500 milhões (se os números de 2023 se mantiverem, serão 1537 milhões). Quem mais vai poupar é quem mais ganha, quem ganhar o salário mínimo passa a pagar, a rondar, os 500 euros, de IRS anual. O outro truque será a passagem da dedução de 600 euros, por filho, para 950 euros e a majoração em 50%, para filhos acima de 3 (de 950, passa a ser 1425 euros, por filho).
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