"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014
O Sebastianismo

O fenómeno de superstição colectiva conhecido como Sebastianismo é muito anterior à morte e até ao nascimento do Rei D. Sebastião e nos dias de hoje, passados que são mais de quatro séculos sobre o desastre da batalha de Alcácer Quibir (1578) em que metade dos dezassete mil combatentes morreu, incluindo o próprio Rei, e a outra metade foi feita prisioneira, ainda há quem espere a vinda, numa manhã de nevoeiro, de um salvador para a Pátria Portuguesa. Por volta de 1534 um poeta popular português – Gonçalo Anes Bandarra – sapateiro de profissão e muito ligado à cultura dos cristãos-novos, escreveu várias trovas que mais não eram que um protesto contra a doação da vila de Trancoso ao infante D. Fernando, irmão do Rei D. João III. Acabou condenado pela Inquisição a “nunca mais escrever versos e a não se meter em leituras profanas”. Após a morte trágica do Rei D. Sebastião as profecias de Bandarra – críticas sociais à corrupção e à prepotência dos grandes - passaram a ser lidas com olhos diferentes e o Messias cujo regresso anunciavam, passou a ser D. Sebastião. E assim o “Sebastianismo” ficou enraizado na consciência popular como uma espécie de nacionalização do messianismo judaico, ou seja: Levar-nos a acreditar que numa época de sofrimento colectivo, haverá a vinda de alguém que não se sabe quem é nem donde virá, mas que nos dará a salvação a todos. E nos dias de hoje, em pleno século XXI, ainda há neste nosso Portugal quem esteja convencido que aquilo que todos nós profundamente desejamos não deixará de acontecer, independentemente do nosso esforço e sem implicação da nossa responsabilidade. Gente crente esta que temos neste rectângulo à beira-mar plantado.


«Rui Lopes A. D'Orey» no Facebook >> Por isso somos um Povo manso.

«Luiz Paiva» no Facebook >> Sebastianismo é o termo, o símbolo e o conceito de que alguém outro surgirá para resolver os nossos próprios problemas. Por isso somos um povo acomodado... Nos últimos séculos, tem-se atribuído o papel desse alguém ao Estado, daí as crises, as bancarrotas e tudo o mais...

«Miguel Félix» no Facebook >> Não posso aceitar este conceito! Ou crença ou rendição a algo inevitável. Parafreasendo um conceito mais recente: “We shall fight! With growing confidence and strength raising straight in the air… We shall defend our island, whatever the cost may be. We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills… We shall never surrender!”

«António Alves» no Facebook >> Aterrou no Porto há uns meses atrás ;-)

«José Luis Moreira» no Facebook >> Quem? O Marquês de Pombal? :)



Publicado por Tovi às 20:07
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