"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Sábado, 25 de Abril de 2015
Onde é que estavam no 25 de Abril de 1974?

25Abril1974 00.jpg

  Relatos de meus Amigos:

Isabel Sousa Braga >> Eu já andava no Garcia, mas só tinha 13 anos, os meus Pais já não me deixaram sair da casa para ir para as aulas com medo. Parece que foi ontem

Pica Miolos >> A preparar-me para ir para a escola, 2ª. classe! Rapazes de um lado, raparigas de outro e o recreio dividido por uma linha imaginária, mais perigosa de transpor que o muro de Berlim...

Elisabete Loureiro >> Não me lembro, era bebé...

José Luis Moreira >> Eu estava em Ilondé (Guiné-Bissau) a preparar-me para mais uma saída em direção ao desconhecido...

Gonçalo Graça Moura >> tinha 8 anos e se queres que te diga lembro-me muito bem do pós-25 (os meses que se seguiram) mas do dia preciso não... depois foi, na perspectiva de uma criança, bem divertido, com a ida às manifestações na praça, as barreiras policiais, um polícia a oferecer uma arma à minha mãe para ela se defender (ela recusou)...

Fernando Duarte >> Eu ? eu andava a assaltar supermercados là para os lados do Largo do Carmo. saio do supermercado, com um caixote cheio de comes e bebes, para dar a quem vocês sabem, e há um velho que não tinha compreendido o porquê do assalto, que me diz: "estiveste 48 anos à espera para fazer isso?" eu respondi que apenas tinha esperado 15. recordo-me de um grande destacamento da GNR, estacionado no Martim Moniz, se calhar à espera de ordens para atarracar os militares do Terreiro do Paço, ordens que nunca vieram, e ainda bem... Entre o que roubei no supermercado, para dar ao militares que estavam no Largo do Carmo, havia um fiambre inteiro. Eu nunca tinha visto aquilo, apenas conhecia as fatias fininhas e quando um soldado sacou do facão que tinha uma lamina de um lado e um corno do outro e começou a cortar bocados e a distribuir com os colegas, deu-me a fome e apeteceu-me pedir-lhe também um bocado, que mais não fosse para saber se o sabor do fiambre grosso seria o mesmo que o das fatias fininhas quase transparentes. também me recordo que o soldado, espetou o " corno" da faca numa lata de ananás ou pêssego e com a lamina cortou a tampa. enfim, graças a mim e outros amigos, pelo menos fizeram a revolução com a barriga cheia. A ideia do supermercado veio depois de uma senhora ter aparecido com uma cafeteira de café

Adao Fernando Batista Bastos >> Trabalhava na Rep. Central de Finanças (Sec. Contr. Predial, Sisa, Sucessório), Gonçalo Cristovão. 9 horas, tudo fechado! Perguntei ao PSP à porta: que se passa? Há qualquer coisa...Passei o resto do dia nos Aliados, corre dum lado para om outro, a viver as noticias que chegavam. Grande dia! Durou uma semana... ou mais!

Raul Vaz Osorio >> Estava em Luanda, aluno do 5º ano dos liceus, no Liceu Nacional de Paulo Dias de Novais. Nos meus 14 (a um mês dos15) anos, era já um espectador atento da política, situação talvez facilitada pela relativa liberdade que se vivia em Luanda, onde a PIDE estava demasiado ocupada com os "terroristas" para ter tempo para dedicar à população. Lembro-me de ouvir no rádio uma notícia sobre "dificuldades de comunicação com Lisboa" e ter telefonado ao meu melhor amigo de então, com quem debatia frequentemente a situação política, dizendo-lhe "Deve ter havido um golpe de estado em Lisboa" ao que ele retorquiu "Estás tolo? Aquela merda está muito bem montada, isso é imaginação tua." Depois, foi a descoberta da liberdade, a emoção, o orgulho... rapidamente manchado por me sentir em poucos meses expulso daquela que eu via como a minha terra, onde perspectivava a minha vida futura. Em Junho estava no Porto para férias, em Setembro ouvi do meu pai que já não ia voltar a Luanda, apenas os meus pais iriam recuperar o que fosse possível. Confesso que houve muita sede partidfária onde descarreguei com violência a frustração que nesse dia nasceu no meu coração. Acima de tudo, digo o que costumo dizer muitas vezes aos meus filhos: tive o raro privilegio de viver numa época revolucionária, uma experiência única, formadora, que não trocava por nada.

José Pedro Martins >> A preparar-me para ir para p colégio Maristas quando os irmaos mais velhos chegam do liceu com a noticia de que há um golpe militar em lisboa. "Mãe eu tambem fico em casa? Fixe não vou ter aulas. Os dias seguintes foram de grande ex citação.

Antonio M Mota >> Na Rua do Almada no Porto e a trabalhar. Recordo-me da entrada das primeiras tropas na Avenida dos Aliados com os polícias a fugirem.

Carlos Lopes da Silva >> Recebi a notícia em Bragança onde dormia na Pousada. Foi de madrugada, já não lembro a hora, em telefonema de Lisboa.

José Camilo >> Jornal A Capital (delegação do Porto) a trabalhar como um camilo...

Maria Helena Costa Ferreira >> Por norma deitava-me tarde e dormia de rádio ligado e normalmente na Renascença... e lembro-me de ter estranhado ouvir nessa estação o Zeca Afonso!!!! No dia seguinte fui trabalhar e fiquei a saber a notícia e nem calculam o que foi esse dia e os seguintes no meu emprego, dado que o meu patrão (um gabinete de estudos, projectos e organização) era comunista assim como quase todos os arquitectos, pintores, escritores que por lá andavam... e que são bem conhecidos... Nessa época não ligava muito a política e o que me chateou foi que tinha tudo combinado com amigos para ir ver as 24 de Le Mans no fim de semana e não pude ir... fecharam as fronteiras!

Jorge Veiga >> Em casa e pronto para sair para a faculdade. Fiquei com o meu pai a ver se davam alguma coisa na rádio e na TV. Bem eu já ia para os 24 anos e meio. Por isso senti as coisas de modo diferente... e acabei por não ser militar e ter feito Serviço Médico à Periferia, Saúde Pública e a Policlínica (estágio) durante 6 anos, porque esteve tudo adiado. Aliás como agora. Estamos adiados!

Joaquim Leal >> Na madrugada de 24 para 25 a ser operado de urgência a uma apêndicite aguda no hospital provincial do Huambo. No período de recobro lembro-me de ver médicos e enfermeiros com as telefonias junto ás orelhas mas muito calmos

Carlos Wehdorn >> como tinha quase 6 anos... estava na escola, no Colégio Universal, na rua da boavista... e não tive aulas de tarde. De resto lembro-me duns tanques e chaimites em manobras de sobe e desce da rua (vivia junto do quartel de Pedro Hispano) e o habitual movimento de helicópteros alouette (via-os a aterrar e levantar nas traseira de minha casa no pátio do quartel)

Conceição Mendes >> Estava em casa grávida de 8 meses, fiquei serena, como não percebia de política na altura não me aqueceu nem arrefeceu, isto é verdade.

Mi Teixeira Pinto >> Eu estava nos meus 17 anos, a sair do Raínha Santa Isabel para entrar Faculdade de Letras...

Irene Costa Marques >> Estava a fazer estágio na Esc. Gomes Teixeira, no Porto. Tinha 30 aninhos... Foi "inacreditável"...

Isabel Moreira Camilo >> Em Aveiro, tinha 14 anos. Não fui às aulas. Lembro-me do movimento dos aviões da base de S. Jacinto, e da televisão sempre ligada a aguardar notícias. Não percebi bem o que se estava a passar. Não sabia o que era um golpe de Estado. Entretanto, os meus pais foram explicando, conforme as notícias íam surgindo. O meu irmão do meio estava em Mocambique, na tropa. O que mais lembro, eram as cartas que me escrevia e que tenho pena de não ter guardado. Dizia que se falava de um senhor, chamado Samora dos Machos, que parecia que tinha uma fábrica de soutiens.

Irene Costa Marques >> Na m/ infância (nasci em 1944), não havia creches e /ou infantários, por isso, passei-a em casa c/ os pais, 2 irmãs e 1 irmão. A instrução primária (como se chamava na altura), fi-la em escolas oficiais: até ao fim da 3ª classe c/ exame, em Leça da Palmeira e a 4ª tb c/ exame no Porto. A seguir, 7 anos no liceu Carolina Michaellis. 1 ano em Coimbra em Germânicas e dp, mudança de curso- Filosofia na F. de Letras da U. Porto. Curso feito, prof. em Ovar, Porto, Gondomar, Leça da Palmeira e Matosinhos. No 25 de Abril, já estava casada, c/ 1 filha (única) de 3 anos. Foi um "delírio", apesar de ter sentido tb algum receio... Fui eleita delegada sindical na esc Gomes Teixeira onde estava a fazer estágio. Os plenários sucediam-se c/ o entusiasmo e alguma imaturidade compreensíveis... Mas o que me encheu verdadeiramente de alegria foi o 1º 1º de maio em Liberdade, na Av. c/ o mesmo nome, no Porto!

Luiz Paiva >> Pois eu tinha esse dia marcado para exame da carta de condução. Estava, como se dizia, a cumprir o serviço militar no Luso, em Angola. Quando cheguei ao quartel (cerca das 9:00) fui informado: há m**** em Lisboa. Eu era, na ZML (Zona Militar Leste), o responsável pelas comunicações duma região do tamanho de Portugal e tinha a classificação militar de acesso até "muito secreto". Recebia diariamente os relatórios da Pide-DGS. Sabia das movimentações (havia um abaixo-assinado de reivindicações e protestos de oficiais do quadro devido às galopantes regalias dos milicianos que, por ex., com muito menos tempo de serviço, se equiparavam ou até ultrapassavam as suas condições - verdadeira razão do 25 de Abril, o golpe das Caldas, etc.). As vias de comunicação para Lisboa estavam cortadas, não havia televisão, a rádio estava muda... O black-out era total. Mesmo o jornal de grande cobertura (A Província de Angola) só noticiou o evento passados 3 dias... Fui à arrecadação de material de transmissões (de que obviamente era eu o responsável) e levei para casa um rádio de ondas curtas, médias e longas de longo alcance, antenas e um adaptador de corrente alterna/contínua, 220/12V. Almocei tranquilamente e fui fazer o tal exame de condução (a minha preocupação agendada para esse dia). Por atraso do inspector do código, fiz primeiro o exame de condução (outros tempos...). Fiquei liberto às 17:30. Fui para casa, montei as antenas (morava num 2º e último andar), liguei o aparelho de rádio. O sinal era fraco, as interferências muitas. Umas vassouras ajudaram a levantar a antena. A Emissora Nacional nada dizia... Mas consegui sintonizar rádios da África do Sul, a rádio Malawi, a rádio Moscovo, a BBC... Foi por estas que soubemos (eu e o resto do prédio ocupado por oficiais milicianos e suas famílias) o que estava a acontecer. No dia 26, todos éramos os mais bem informados de toda a ZML (uma região maior que a França). Fui, depois, indigitado para sessões de esclarecimento junto dos militares e civis para esclarecer o que eram os direitos do Homem, os diferentes regimes, os partidos políticos... Fiz parte da Comissão de Arrolamento de bens da DGS... (Tive oportunidade de verificar que material de transmissões de que estávamos muito necessitados, havia por lá aos montes... Quando, por razões de serviço, tinha tido de me deslocar à DGS, nunca passei do hall de entrada e era atendido num guichet. Quando fui fazer o arrolamento dos bens, o inspector-chefe veio receber-me à porta e insistiu sempre para ir à sua frente: «Faça o favor, Senhor Alferes...» Cheguei a Lisboa a 1974-12-23, mesmo a tempo da consoada. O País era outro, bem diferente do que eu deixei e ainda mais diferente do que eu imaginava...

Albino Mota >> eu estava no Liceu Garcia de Orta, já tinhamos um pouco de educação politica, fui a correr para a rua do Heroismo/pide



Publicado por Tovi às 01:27
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Julho 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
12
13

19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


Posts recentes

História curiosa sobre "C...

Incêndio na Zona Históric...

Suspensão de registos de ...

Tomada da Bastilha - 14 d...

Fim-de-semana de Exposiçõ...

Parabéns Alice

Atribuição de Medalhas Mu...

D. Pedro IV, o Libertador

Populista Português Moder...

Malhar em ferro frio

Legislativas'2019... no G...

Saladas da Culinária Viet...

Mercadona... em Portugal

Acho bem...

Sinais dos tempos

Morreu Mordillo

Pedro Duarte sobre as esc...

Paulo Portas e Rui Moreir...

Que a Justiça lhes seja p...

The other side of the...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus