"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
Sábado, 2 de Dezembro de 2023
Os indecisos... no "Como Mentem as Sondagens"

   Os meus sublinhados e apontamentos (III)  
GettyImages-1616275713-ai_750x540_acf_cropped.jpg pag. 84 e 85 - A segunda dificuldade [no caso da abstenção] prende-se com o tratamento a dar aos ditos indecisos. É que o movimento de decisão dos eleitores é assíncrono e, em alguns casos, arrasta-se até um período posterior ao conhecimento dos candidatos e e das propostas. Por isso é que, nos estudos eleitorais, à mentira da abstenção se soma a dúvida dos indecisos. Estes serão sempre uns 20%, 15%, 10%, - se bem que a tendência seja, naturalmente, para que a sua expressão vá diminuindo à medida que nos aproximamos do momento eleitoral. O que fazem as empresas de estudos de opinião com os indecisos? Escondem-nos. Isto é, desculpando o exagero, pegam neles e transformam-nos em eleitores decididos. Pois se o inquirido tem dúvidas sobre em quem vai votar - embora garanta que tenciona votar, o que também sabemos ser duvidoso -, o investigador não tem dúvidas e vota em seu nome. A distribuição de indecisos é como o bacalhau, são conhecidas cem receitas para o fazer. Mas, tal como o bacalhau, só uma é realmente do meu gosto. A minha distribuição à Gomes de Sá é a proporcional - o que, na prática, significa a anulação da percentagem de indecisos levando as intenções de voto expressas a totalizar 100%.  Deixando claro: distribuem-se os indecisos na exata proporção das intenções de voto. Se temos 10% de indecisos e o partido A tem 20% de intenções de voto, com a distribuição de indecisos passa a ter 22%.
pag. .102 e 103 - Pode uma sondagem fazer simultaneamente bem à alma e mal à saúde? Esta pequena história dá-nos uma resposta afirmativa. Estávamos em 1987, decorria mais uma campanha eleitoral para as Legislativas depois de o Governo de maioria simples ter caído no Parlamento. Aníbal Cavaco Silva estava em campanha. É uma daquelas campanhas pesadas, com três ou quatro comícios por dia, que se usavam à época. Havia uma genuína preocupação com a voz do candidato. Aguentaria ela uma agenda tão exigente? Para não correr riscos desnecessários, a equipa da candidatura integrava Manuel Pais Clemente, um otorrinolaringologista de prestígio. Algures na Serra da Estrela, entre Seia e Gouveia, o presidente do PSD fica sem voz. O jornalista Carlos Magno, que faz a reportagem para a Antena 1, antecipa o pior e vai consultar o médico para averiguar da extensão do problema. Ira a campanha ser suspensa? Será aliviada a agenda do candidato que é o principal ativo político do PSD? Pais Clemente descansa o jornalista: trata-se de um problema passageiro, uma emoção. Emoção como?, insiste, insiste, até que: A culpa é da sondagem. De facto, o quartel-general de Cavaco Silva tinha recebido os dados de uma sondagem interna em que pela primeira vez se abria a janela de uma maioria absoluta. Pelos vistos, estes dados tiveram impacto positivo na alma da equipa e negativo na voz do líder. O resultado real foi para além da previsão. O PSD obteve 50,22% de votos expressos. A primeira maioria absoluta de Abril, assinalava o expressivo título do JN: Cavaco quis, pode e manda.



Publicado por Tovi às 07:35
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1 comentário:
De Manuel da Rocha a 2 de Dezembro de 2023 às 11:51
As empresas de sondagens quiseram actualizar o modelo de amostragem, para isso, passaram a usar as redes sociais (em quase 60% do apuramento dos indecisos e dos "não sei/não respondo".
Outro pormenor é que, até 2007, era habitual uma sondagem ter 4000 a 11000 amostras. Hoje, fazem-se sondagens "com margem de 3%" a 608 pessoas. Depois aplicam os resultados das redes sociais (onde 99,999999999999999% é tudo falso) e lá vai a sondagem para alegrar alguém. Em 2015 davam 46% à coligação. Falhou redondamente. Em 2021, Chega chegava aos 15%, teve 9% mas, como elegeu "só" menos 6 deputados do que diziam as sondagens, nada de grave, é que a IL elegeu os que andavam perdidos. PSD é que ficou com 7% abaixo da previsão. Ao contrário dos anos anteriores a 2015, a direita conseguia, sempre, 1% a 3% acima dos valores das sondagens, de 2015 para cá, a direita chegou a ficar com 11% a menos do que previam as sondagens. Depois Lisboa, "As sondagens erraram", erraram por 0,00015%. Aqui sim as sondagens acertaram, o problema foram os 127803670 movimentos cívicos, que apoiavam Carlos Moedas, maioria que ninguém conhecia mas, que gastaram muito dinheiro, a promover as ideias e a atacar o PS. Mesmo hoje, os principais planos do PS andam em curso (como são os 2 canais de drenagem, obras do metro e da linha de Cascais) que a direita passou a dar como suas, apesar dos planos serem os que estavam à espera de avançar, pelas normas dos contratos públicos. O eleitor vê as obras feitas e a comunicação social a anunciar "10000% dos eleitores apoia esta medida" e votam. É assim que diz a teoria das sondagens. As caras de Bernardo Ferrão, Ricardo Costa (na SIC), Raquel Abecassis e Sebastião Bugalho (TVI) explicam o porquê da direiia portuguesa gastar 98,94% do valor total, em publicidade partidária e patrocínios de programas televisivos e/ou jornalísticos. Essa ideia veio de Cavaco Silva, em 1987, quando avançou com os convites, a quase todos os antigos membros do PSD, para darem aulas em universidades portuguesas, assim como patrocinarem as associações estudantis. Na altura o PCP era o principal patrocinador das festas académicas, em 2 anos, o PSD passou a patrocinar 100% das festividades, assim como escolher os líderes estudantis. Nesta altura estamos a ver PSD, Iniciativa Liberal e CDS a aproveitar esses mesmos líderes estudantis, para liderar os partidos. E aqui há um problema grave: essas pessoas sempre viveram com 5000 a 400000 euros de salários mensais. Nunca andaram em transportes públicos, sem ser de avião, nem sequer sabem consultar um horário de comboios/autocarros, porque podem pagar a algúem que o faça por eles. No Bloco de Esquerda e PS também estão a ir pela mesma linha, pois são quem tem o apoio das grandes empresas, onde há muito dinheiro. O CDS cometeu um erro terrível: integrar a super coligação de 2015. Foi aí que o partido desapareceu e querem continuar. Resta a CDU, que vai levar com a Rússia, como penalidade pelas declarações feitas. E surge o Chega, um partido que só perde, financeiramente, para a Iniciativa Liberal, por muito pouco mas, possuí apoio em toda a comunicação social, através de milhares de empresários, que oferecem serviços a André Ventura... sem olharem para as autárquicas (onde o Chega elegeu 74 vereadores, restam 8) e para os Açores (onde o Chega prometeu 100000 milhões de despesas e acabou a ficar só o líder, mesmo com André Ventura a acenar com 300000 euros para ele avançar com uma moção de desconfiança para irem para eleições).


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