"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quinta-feira, 25 de Abril de 2024
Foi assim há cinquenta anos

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Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia n.º 3
Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22h55
São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o brioso condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.

 

  A mulher que fez do cravo o símbolo do 25 de Abril (Fonte: RTP)
438733584_892049992933693_2495550267869688240_n.jpEm 1974 Celeste Caeiro tinha 40 anos e vivia num quarto que alugara no Chiado, com a mãe e com a filha. Trabalhava na rua Braancamp, na limpeza do restaurante Franjinhas, que abrira um ano antes. O dia de inauguração fora precisamente o 25 de Abril de 1973. O gerente queria comemorar o primeiro aniversário do restaurante oferecendo cravos à clientela. Tinha comprado cravos vermelhos e tinha-os no restaurante, quando soube pela rádio que estava na rua uma revolução. Mandou embora toda a gente e acrescentou: "Levem as flores para casa, é escusado ficarem aqui a murchar". Celeste foi então de Metro até ao Rossio e aí recorda ter visto os "chaimites" e ter perguntado a um soldado o que era aquilo. O soldado, que já lá estava desde muito cedo, pediu-lhe um cigarro e Celeste, que não fumava, só pôde oferecer-lhe um cravo. O soldado logo colocou o cravo no cano da espingarda. O gesto foi visto e imitado. No caminho, a pé, para o Largo do Carmo, Celeste foi oferecendo cravos e os soldados foram colocando esses cravos em mais canos de mais espingardas. 

 

  Sessão parlamentar comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril 

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Ouvindo a intervenção de Paulo Núncio na sessão parlamentar das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e não tendo nada contra a inclusão do CDS na atual AD, até porque a lei o permite, no entanto gostaria de saber qual seria o peso político do CDS-PP se tivesse ido a eleições isoladamente.
  
Mario Pinheiro
Zero. Mas andam empertigados. Deve ser por causa das afirmações de PPC.
Jose Luis Veiga Dias
Talvez zero mas a sua participação é merecida pois relembra o sequestro do Palácio de Cristal feita pelos pseudo democratas da esquerda totalitária E eu estou linde de partilhar as ideias do CDS
Paulo TeixeiraTeria tido os deputados que tem. E foi um grande discurso
Fernando PeresE qual o peso dos verdes na CDU? Quantas vezes foram os verdes a votos sozinhos? Com todo o respeito nunca o vi a contestar essa coligação!!!
David RibeiroFernando Peres, os Verdes na CDU há muito que não existem e nem me parece que façam alguma falta, o que até justifica que não se fale desta aberração.
Fernando PeresDavid Ribeiro pronto está resolvido.Mas se o PCP entende fazer coligação com os Verdes e colocar em lugares elegíveis para deputados, o que temos nós a ver com isso?
David RibeiroFernando Peres, o que deveríamos ter "a ver com isso" deveria ser termos o direito a saber o peso político de cada partido com acento parlamentar. E os Verdes não têm acento parlamentar.
Fernando PeresDavid Ribeiro não tem hoje , mas tiveram no passado!!! No meu entender só diz respeito aos partidos visados!!!

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Caramba!... Ouvindo a intervenção de Rui Rocha da Iniciativa Liberal, na sessão parlamentar das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, até parecia que estava a ouvir um membro do já quase defunto MRPP.
  José Alberto Calvão
Este não me convence 😠

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Estou a ouvir André Ventura na sessão parlamentar das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril... e não há dúvida, é o rei da demagogia e de um populismo irreverente.
  
Albertino Amaral
Quer gostemos quer não, quer queiramos quer não, é disto que o meu povo gosta. Isto é falar para um povo que precisa ouvir verdades. Os outros discursos são actos de fingimento e atitudes hipócritas.......
Júlio GouveiaPior que este só mesmo o Presidente da República. Este perdeu completamente o juízo
Fernando PeresPopulismo é deixarmos nas comemorações de Abril e da liberdade levarem bandeiras com a foice e o martelo ( PCP). Será que existe algum País no mundo onde os comunistas foram governo e houvesse liberdade, eleições livres? Será aceitável ir para as comemorações com símbolos de partidos contrários ao espírito da liberdade e eleições livres?
Paulo TeixeiraFernando Peres és um senhor.
Gonçalo G. MouraPor acaso o Ventura esteve bem, depois das infelizes declarações do PR...
Altino DuarteDemagogia, populismo... e má-criação !

 

  Biblioteca do Conservatório de Música do Porto / Prof. Fernanda Oliveira em 24abr2024
"Avô conta-me como foi ...?" - Testemunho do avô da Alice do 5ºC sobre a sua experiência / memórias do 25 de abril.
Antes da sessão de poesia (que envolveu a leitura de poemas sobre o 25 de abril, entre as turmas do 6ºA e 6ºB, da professora Conceição Meira, e do 5ºC, da professora Helena Vouga), o sr. David Ribeiro deu o seu testemunho sobre a revolução dos cravos e respondeu a algumas questões dos alunos.
Esta partilha intergeracional foi muito enriquecedora para todos os envolvidos.
A Biblioteca agradece a disponibilidade e simpatia do avô da Alice!

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  David Ribeiro - Grande honra tive eu em poder partilhar com estes jovens a minha experiência na madrugada de 25 de Abril, data que estamos agora a festejar o 50.° aniversário. Caríssima professora Fernanda Oliveira (responsável pela Biblioteca do Conservatório de Música do Porto), depois desta minha experiência junto destes jovens alunos, estou convencido que todos nós que fizemos o 25 de Abril de armas na mão, têm como missão histórica prestar testemunho nas escolas da experiência vivida, incentivando os jovens a exercerem um pensamento crítico que os leve a agir. Muito obrigado a todos. 



Publicado por Tovi às 00:20
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2024
O que mudou desde Abril?

"Comparando com o que se passava antes do 25 de Abril, acha que as coisas em Portugal estão melhor, ficaram na mesma ou pioraram?" - Foi isto que a sondagem do ICS/ISCTE, feita para Expresso e SIC, procurou saber a resposta dos portugueses.

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  Mario PinheiroO que terá acontecido nestes últimos 10 anos para que a opinião tenha evoluído desta forma?

 

 
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Publicado por Tovi às 07:57
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Sábado, 16 de Março de 2024
Abril pelas Direitas... foi bonita a festa, pá?

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Ontem à noite fui assistir ao lançamento no Porto do livro "Abril pelas Direitas" que se realizou no Teatro da Cooperativa do Povo Portuense (Rua de Camões, 578). Gosto de estar informado e para mim o importante era saber até onde vão estas "Direitas". Mas nunca pensei que ainda houvesse quem defende-se o "nacionalismo revolucionário" do extinto Partido do Progresso / Movimento Federalista Português. Tenho que continuar com a minha linha vermelha, não só à esquerda mas também à direita.
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David Almeida
David Ribeiro saudosismos à parte, uma noite profícua com vistas alargadas e às direitas... também, genericamente, gostei do que ouvi!
Frederico Nunes da Silva
David Almeida o José Valle de Figueiredo deixou bem clara a sua oposição - pela direita, até com risco pessoal, ao anterior regime. Não há saudosismo nenhum pois ele nunca viu o seu projecto implementado.
David RibeiroNunca fui militante do PPD/PSD ou do CDS, mas a forma como José Vale de Figueiredo (*) tratou estes dois partidos integrantes da Assembleia Constituinte de 1975 fez-me uma forte comichão nas meninges. 
(*) José Vale Figueiredo é um conhecido monárquico da Liga Popular Monárquica e ex-membro da ANP, organização política do final do regime ditatorial do Estado Novo.
Frederico Nunes da SilvaDavid Ribeiro o CDS e PPD funcionaram como um tampão à direita à área política do José Valle. Porque é que ele ia gostar deles? 
David RibeiroFrederico Nunes da Silva, conheci bem esta criatura nos finais do meu serviço militar no Batalhão de Engenharia n.º 3 em Santa Margarida, quando eu mantinha uma grande ligação política ao Tenente Coronel Fisher Lopes Pires, membro da Junta de Salvação Nacional (JSN) e Conselheiro da Revolução.

 

 

  Como estão a decorrer as audiências dos partidos com o PR
mw-710.webpA vários partidos que já foram a Belém em audiências depois das eleições legislativas, o Presidente da República mostrou que está preocupado com a estabilidade do país e de como o país pode ficar dependente da imprevisibilidade de André Ventura, não abrindo o jogo sobre quem acha que deveria viabilizar Montenegro. Para já, PAN e Livre querem nova ronda de conversas, BE e PCP assumem oposição e IL diz estar disponível a contribuir para a estabilidade, mas à partida avaliará propostas da AD “caso a caso”.

  
Celio Alves
Até ao dia 15 tinham chegado 291.915 subscritos com votos e é bem possível que, a média de 30 mil dia a manter-se até às 19 horas do dia 20 possa levar isto para cerca de 400 mil votos. Ou seja, dos 4 deputados a eleger, pode virar o tabuleiro. Em 2022, PS com 3 e PSD com 1 foi o resultado que, creio, não se deve manter pois, presumivelmente, o CHEGA pode, também aqui, ter um deputado. Mas, imaginemos, que se repete 2022 e em cima da meta o vencedor é outro. Como fica o Marcelo? O PNS deve estar a pedir aos santinhos o segundo lugar, o Ventura "abocanhar" mais 2 e o Montenegro a fazer contas à vida e novembro está próximo.
Albertino Amaral
A democracia afinal é muito mais complicada do que eu pensava.....
David Ribeiro
A Democracia não é complicada, Albertino Amaral, mas tem regras que a tornam o melhor dos sistemas políticos.
Albertino Amaral
David Ribeiro Acredito, mas quem quer ser democrata exemplar, até se confunde com essas regras....... Melhor dos sistemas, é o meu amigo a conversar......



Publicado por Tovi às 07:55
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Terça-feira, 25 de Abril de 2023
Valeu a pena?... Claro que sim

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Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia n.º 3
Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22h55
São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o brioso condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.


Rodrigo Falcão MoreiraBelíssimo relato. Obrigado por isto.
Alfredo SolteirQue a liberdade se mantenha e que não seja confundida com liberdade para mandar mas sim liberdade para viver.

 

  
DE01769.jpgO dia 25 de Abril é sempre especial na Assembleia da República, palco da sessão solene que assinala a Revolução dos Cravos e o fim da ditadura em Portugal. Mas, este ano, a chamada casa da democracia recebe um convidado antes das intervenções de partidos, presidente da Assembleia e presidente da República, o que obrigou a algumas alterações de protocolo e outras tantas declarações acesas de líderes políticos. Lula da Silva, nesta manhã, quinto e último dia da sua visita oficial a Portugal, é homenageado no parlamento com uma sessão solene que já fez correr muita tinta. O partido Chega, manifestou-se desde logo "veementemente contra" a presença do presidente brasileiro no parlamento português. Tendo em conta que manifestações estão agendadas para aquele local - uma delas convocada pelo Chega em protesto pela presença de Lula da Silva no Parlamento, outra por apoiantes do presidente brasileiro - o Comando da PSP de Lisboa recusou divulgar o número de efetivos empenhados na operação junto à Assembleia da República, garantindo porém que as autoridades vão apostar num policiamento de visibilidade e preventivo, que possibilitará uma resposta "rápida e eficaz" se for necessária.

 


Captura de ecrã 2023-04-25 110140.pngInqualificável a atitude dos deputados da bancada do Chega ao levantarem-se com várias mensagens - cartazes onde se lia “Chega de corrupção” e outros a dizerem “Lugar de ladrão é na prisão” - durante o discurso de Lula da Silva na Assembleia da República. Há limites para tudo. O que se passou hoje na Casa da Democracia é vergonhoso.

  
Júlio Gouveia
Bem verdade. Vergonhoso. Por muito que não se possa gostar do homem ou das suas políticas, trata-se de um presidente dum país eleito democraticamente. Pelo que o que o Chega fez é vergonhoso e envergonha o nosso país. Inadmissível.
Joaquim Figueiredo
Pode dar origem a processo penal e cadeia. Espero que o MP esteja atento
Carlos Miguel SousaJoaquim Figueiredo Pode ? Porquê ?
Joaquim FigueiredoCarlos Miguel Sousa o código processo penal identifica como crime e sujeito a prisão quem insulte um chefe de estado em visita oficial ao nosso país. Artigo 322.º - Crimes contra pessoa que goze de protecção internacional. 1- Quem atentar contra a vida, a integridade física ou a liberdade de pessoa que goze de protecção internacional, encontrando-se o ofendido em Portugal no desempenho de funções oficiais, é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos, se pena mais grave lhe não couber por forca de outra disposição legal. 2- Quem ofender a honra de pessoa que goze de protecção internacional e se encontre nas condições referidas no número anterior é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
Diogo Jácome de VasconcelosFoi demasiado mas Graças a Deus o Santos Silva deu a importância pretendida.
David Ribeiro
A "irritação" do Presidente da Assembleia da República é perfeitamente compreensível, no meu entender, porque realmente “Os senhores deputados que se querem permanecer na sessão plenária devem comportar-se com urbanidade, cortesia e a educação que é exigida a qualquer representantes do povo português. Chega de degradarem as instituições, chega de porem vergonha no nome de Portugal”.
Paulo NevesDavid Ribeiro, o próprio SS (Santos Silva) não precisava de usar tantas vezes o nome do partido em causa.
David RibeiroE porque não, Paulo Neves ?...
Paulo Neves
David Ribeiro porque lhe está a dar palco. Hoje, Bernardo Ferrão na SIC dizia, e bem, que Costa se pôs a jeito quando falou em brasileiro. Ainda não perceberam que lhe dão palco desnecessariamente. E nisso o PS é mestre.
Carlos Miguel SousaPaulo Neves Não é desnecessariamente é PROPOSITADAMENTE. 😉
Paulo Neves
David Ribeiro, desculpe, só mais uma ideia: hoje, no parlamento, ninguém se preocupou com o alheamento da juventude relativamente ao 25/4. E sobre a crise e empobrecimento de Marcelo nem uma palavra.
Gilberto Santos - Vergonhoso. Há limites para tudo.
Ana Maria OliveiraPalhaçada!
Jorge SilvaParabéns para o Chega,Portugal é um pais de ladrões começa no presidente e termina nos deputados, bem hajam os deputados do chega
David RibeiroJorge Silva... tratar o Presidente da Assembleia da República e os seus Deputados, seja porque motivo for, por "ladrões", não é admissível neste Grupo.
Jorge SilvaDavid Ribeiro sou livre de dizer o que quiser faça o que quiser
David Ribeiro - Olha m'este!...
Manuel Matos
David Ribeiro ainda não o saneou do grupo????
Paulo NevesSó deixo uma questão para reflexão: está a ser cumprida a Constituição? Vão lá ver, se fazem favor, o que diz sobre a ilegalidade de certos partidos. Tal e qual como a regionalização. Se calhar, o erro começa por aí
David Ribeiro
Não deixa de ter razão, Paulo Neves... mas o que eu gostaria de ver era uma maioria qualificativa para rever a já "fora de época" da nossa Lei Fundamental.
João Correia da SilvaVergonhoso é receber na casa da democracia um condenado por corrupção que foi posteriormente não condenado por erro processoal e não por estar inocente.
Manuel MatosJoão Correia da Silva se teve processos criminais ou não, não sei. Sei é que aquela pessoa estava na AR como Presidente Eleito democraticamente pelos eleitores do seu País. E isso deveria querer dizer alguma coisa .... Mas você deve ser daqueles que acha que era mais legítimo Salazar governar sem eleições
João CerqueiraJá estava previsto desde aquele convite atabalhoado, para branqueamento e normalização da corrupção.
Margarida Fernandes
Uma vergonha, que triste figura 🙈🙈
Carlos Miguel Sousa
A Liberdade de Expressão tem um preço.
Maria Manuela SilvaVergonhoso. Um parvalhão que só sabe berrar, gesticular, um fanfarrão, fantoche, e tudo o de mais que não posso escrever.



Publicado por Tovi às 00:20
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Domingo, 23 de Abril de 2023
Visita de Lula da Silva a Portugal

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O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, está a realizar uma visita oficial a Portugal até ao próximo dia 25. No dia de ontem o chefe de Estado brasileiro foi recebido, com honras militares, pelo seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa. Depois disso, Lula dirigiu-se ao Mosteiro dos Jerónimos, onde depositou flores no túmulo do poeta Luís de Camões. Da parte da tarde, Lula participou na reunião plenária da 13.ª Cimeira Luso-Brasileira, na qual os dois países assinaram 13 acordos bilaterais em várias áreas. No dia de amanhã [segunda-feira, 24abril] Lula desloca-se a Matosinhos para participar na abertura do Fórum de Negócios Portugal-Brasil, onde terá a companhia de António Costa. O evento é organizado em conjunto pela AICEP e pela agência brasileira APEX. Finalmente, na terça-feira, dia 25 de abril, Lula protagonizará o ato mais emblemático da sua visita a Portugal, ao discursar, de manhã, numa sessão solene na Assembleia da República. Esta antecede a cerimónia evocativa da Revolução dos Cravos. Na semana anterior a esta visita de Lula da Silva ao nosso País, grande polémica provocaram as afirmações do Presidente brasileiro, em que defendeu que os Estados Unidos devem parar de “encorajar a guerra” na Ucrânia e a União Europeia deve “começar a falar de paz”, alinhando com quem tem apoiado a invasão da Ucrânia pela Rússia e acusando a NATO, a UE e os EUA de instigarem a guerra. Estas declarações de Lula da Silva foram consideradas “perigosas” e “inaceitáveis” e seguramente vão provocar protestos dentro e fora da Assembleia da República na receção ao Presidente brasileiro. Mas também há quem defenda que Lula tem procurado fomentar "a busca pela paz" na Ucrânia e legítimas as suas preocupações e declarações. 

 

  
Captura de ecrã 2023-04-22 142120.pngAndré Ventura prometeu ontem [22abr2023] a "maior manifestação de sempre" contra a visita de Lula da Silva a Portugal no dia 25 de Abril frente ao Parlamento. O líder do Chega disse que Portugal não quer mais corrupção e também não precisa de a importar referindo-se ao presidente brasileiro.

 

  
image (2).jpgAlgumas dezenas de apoiantes acompanham desde a manhã de sábado [22abr2023] a visita de Lula da Silva e da primeira-dama a Belém. Na cerimónia de boas-vindas, o presidente brasileiro foi recebido por uma multidão, vestida de vermelho, que, do outro lado do perímetro de segurança, no Jardim do Império, entoavam cânticos e erguiam bandeiras e cartazes de apoio. Neste mesmo dia o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal afirmou que nunca esteve prevista qualquer manifestação de protesto contra o presidente do Brasil, mostrando-se surpreendido pelas palavras em sentido contrário avançadas por um membro do Governo brasileiro.

 


image (3).jpgNuma declaração conjunta, Portugal e Brasil "deploram a violação" da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia e a anexação de partes do território ucraniano, e pedem uma "paz justa e duradoura". Os dois países assinaram também, este sábado [22abr2023], 13 acordos bilaterais, incluindo para a concessão de equivalência de estudos nos dois países, para proteção de testemunhas e reconhecimento mútuo das cartas de condução.



Publicado por Tovi às 07:46
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2022
Boavista 0 - 3 Sporting

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No dia em que se comemora o 48.º aniversário do 25 DE ABRIL DE 1974 (*) o Boavista recebeu no Estádio do Bessa o Sporting, em jogo da 31.ª jornada da Liga Portugal de futebol. 

Foi assim:
37' - Golo. Matheus Nunes inaugura o marcador para o Sporting. Assistência de Pote, de calcanhar, e remate colocado do internacional português, à entrada da área.
58' - Golo. Está feito o segundo para o Sporting. Cruzamento de Edwards, a bola a tocar em Abascal, a bater no ferro e a entrar, no entender da equipa de arbitragem, mesmo depois da defesa de Bracali.
83' - Grande penalidade assinalada a favor do Sporting. Manuel Mota, depois de alguns segundos da infração, a entender como falta o contacto entre Abascal e Tabata. Na marca dos onze metros, Tabata bateu o penálti de forma colocada e Bracali, que até adivinhou o lado, não conseguiu chegar.22

Levamos três secos do segundo classificado do campeonato, mas estamos num honroso 12.º lugar, com 33 pontos, 6 vitórias, 15 empates e 10 derrotas.

 

   Outros resultados da 31.ª jornada
Benfica 0 - 0 Famalicão
Braga 1 - 0 Porto

 

 

(*)  A história é feita por aqueles que nela participam
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Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia n.º 3
Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22h55
São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o brioso condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.



Publicado por Tovi às 22:26
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2022
Condecorar membros da JSN... quais?

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Nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril o Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, vai condecorar sete membros da Junta de Salvação Nacional. E aqueles que após os acontecimentos de 28 de Setembro de 1974, que culminaram na renúncia do general Spínola à Presidência, foram na altura designados e ingressaram na JSNP?… Como foi o caso do Tenente-coronel Nuno Manuel Guimarães Fisher Lopes Pires, oficial de engenharia que tive a honra de servir em Santa Margarida e que muito contribuiu para a minha formação político-social.

 

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Fisher Lopes Pires teve uma carreira brilhante de Oficial de Engenharia. Além do Curso de “Combat Engineer” da Escola de Engenharia do Exército Americano na Europa (Alemanha), fez uma comissão de serviço na Índia (1958-1961) e duas em Angola (1963-1965 e 1970-1972).
Colocado como Alferes na Escola Prática de Engenharia em Tancos, em 1955, serviu, depois, no Batalhão de Engenharia 3 (Santa Margarida) e no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, onde, desde Novembro de 1973, exerceu funções como 2º Comandante.
Foi sucessivamente promovido a Tenente, em 1956; a Capitão, em 1957; a Major, em 1967 e a Tenente-Coronel, em 1972.
Professor da Academia Militar, onde estava colocado como Catedrático em 25 de Abril de 1974, envolveu-se ativamente na Conspiração dos Capitães, tendo participado, entre outras, na histórica reunião de Óbidos de 01 de Dezembro de 1973.
No dia 25 de Abril de 1974 esteve no Posto de Comando da Pontinha, atuando como Adjunto do Comando de Coordenação e Controle Operacional que dirigiu as movimentações militares.
No dia seguinte, coube-lhe a missão de acompanhar ao Aeroporto Marcelo caetano, Silva Cunha e Moreira Baptista.
A sua nomeação para a Junta de Salvação Nacional, em Outubro de 1974, faz com que seja graduado em Brigadeiro e passe a integrar, por inerência de funções, o Conselho de Estado e o Conselho dos Vinte.. No mesmo sentido, depois do 11 de Março de 1975, integrou o Conselho da Revolução.
Nomeado, a 27 de Março de 1975, para o desempenho das funções de Adjunto do CEMGFA com superintendência sobre a 5ª Divisão, Lopes Pires foi alvo de ampla contestação, sobretudo por parte dos sectores mais radicais dessa Divisão (Varela Gomes, Robin de Andrade e Ribeiro Simões).
Insatisfeito com o rumo dos acontecimentos, em Maio de 1975, Lopes Pires pedi a demissão dos cargos que ocupava (Adjunto do CEMGFA; membro do Conselho da Revolução e da Comissão de Descolonização) e a passagem à reserva.
Esta situação não o impediu Lopes Pires de manifestar publicamente o seu apoio ao chamado Documento dos Nove.
Desgraduado de General, passa à reserva em Julho de 1975. Em 1986, teve um breve regresso à vida pública ao ser mandatário da candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo à Presidência da República.
Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade em 1985, e manteve-se permanentemente coerente com os valores e ideais da Liberdade, da Democracia, da Justiça Social e da Paz, valores de Abril, que o levaram a transformar-se num dos expoentes máximos do M.F.A., que ele dignificou com a sua ação.

Rodrigo Falcão Moreira
O Tenente-Coronel Lopes Pires era amigo do meu Avô. Ouvi boas histórias / referências sobre ele.
David Ribeiro - Fisher Lopes Pires era um bom jogar de xadrez e na altura também eu o era. No primeiro jogo que disputamos, na messe de oficiais do Batalhão de Engenharia nº 3 em Santa Margarida, consegui um empate... depois ele ganhou alguns jogos e eu também consegui algumas vitórias. Mas foram confrontos muito festejados pela “sargentada” daquele batalhão… é que eu era um simples subalterno desta unidade militar.
 
 
  Jornal "Nascer do SOL" em 30abr2022
Não é possível voltar atrás e mudar o começo, mas é possível parar, começar novamente e mudar o fim.

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Publicado por Tovi às 07:02
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2021
Morreu o General Carlos Azeredo

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Requiescat in Pace

Morreu o General Carlos Azeredo, o militar de Abril que intercalava a dura luta política com o passeio do seu dálmata.
A cerimónia fúnebre do General Carlos Azeredo terá lugar hoje (20 de agosto) com Missa de Corpo Presente, às 13h na Igreja de Cristo Rei, no Porto, seguindo depois para o Cemitério de Santa Cruz em Lamego, onde pelas 16h se farão Honras Militares.
 

General de Cavalaria, oriundo da Nobreza de Entre Douro e Minho, Monárquico, participou ativamente no 25 de Abril de 1974. A 20 de fevereiro de 1975 foi o 96.º e último Governador Civil do Distrito Autónomo do Funchal. Foi Comandante da Região Militar do Norte e Chefe da Casa Militar do Presidente Mário Soares. Foi candidato à Presidência da Câmara Municipal do Porto nas eleições autárquicas de 1997 à frente de uma coligação entre o PSD e o CDS-PP, tendo sido derrotado por Fernando Gomes. Condecorado com a Medalha Militar de Ouro de Serviços Distintos com Palma e com a Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra. A 10 de junho de 1991 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis e a 13 de fevereiro de 1996 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Editou um livro sobre a sua vida "Trabalhos e Dias de Um Soldado do Império". Publicou o livro "Invasão do Norte: 1809: a campanha do general Silveira contra o marechal Soult (Tribuna da História), 2004.

 

   No seu livro biográfico "Trabalhos e Dias de Um Soldado do Império" (Livraria Civilização Editora) falando-nos sobre os seus anos da terceira e quarta classes do ensino primário, na Foz do Douro, na Escola Particular da célebre D. Ângela, lembra-nos Carlos Azeredo um dos castigos mais temidos, que consistia em ficar encerrado por algum tempo numa despensa localizada no vão de umas escadas.
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Antero Braga - Um Senhor, um bom amigo, falava comigo com grande amizade. Desde que o conheci tenho por esta personalidade uma admiração enorme que guardo comigo. Descanse meu amigo.
Augusto Saldanha - David Ribeiro tive o prazer de o conhecer fui alfaiate dele apresatado pelo meu amigo e cliente António Sarmento Beires de Muitos contactos que tive com ele já mais esquecerei de quando queria ir ao baile do clube Portuense acompanhar neta para devotar e a farda não lhe servia, a última vez que a tinha vestido foi em Inglaterra acompanhar o dr Mário Soares sendo ele chefe da casa militar, lá teve que o Saldanha costureiro, depois de uma grande discussão resolver o problema na quela altura o baile ainda era de smokin mas os familiares faziam questão que ele fosse com a farda militar, e foi, um Homem que deixa saudades, que Deus o tenha em bom lugar.
Manuel Carvalho - Na invasão de Goa Damao e Dio, esteve seis meses de castigo, juntamente com os militares do seu comando. Salazar nunca aceitou a rendição dos militares Portugueses... Havia uma máxima do Salazar que era a seguinte: só reconheco Heróis vivos ou mortos. Os invasores é que tiveram de enviar os militares para Portugal!



Publicado por Tovi às 07:52
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Domingo, 25 de Julho de 2021
Morreu Otelo Saraiva de Carvalho

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Requiescat in Pace

Apesar de várias tomadas de posição no pós-25Abril difíceis de entender para muitos portugueses, não nos podemos esquecer que Otelo foi o responsável pela elaboração do plano global do golpe militar que pôs fim à ditadura do Estado Novo.

 

    Comentários no Facebook

José Maltez - Morreu Otelo. Ele foi Abril e um pedaço da ilusão do Império, filho de um alfacinha e de uma goesa, que tanto comandou o golpe que derrubou Marcello Caetano, como andou à procura de uma revolução proletária. Foi um pedaço do meu tempo e um português antigo. Quem o odiar, não nos compreende. Agradeço-lhe ter transformado em teatro político o que podia ter sido uma guerra civil. Matámo-nos menos.

João Baptista Vasconcelos Magalhaes - Morreu Otelo, mas ficará sempre como o símbolo do 25 de Abril. Quem o conheceu sabe que era um homem de ideais, mesmo quando foi polémico. A sua memória é a memória dos dias mais felizes da vida de quem conheceu uma noite de medo. Falar de Otelo tem de ser mergulhar no silêncio da memória do que ele nos trouxe de melhor, as suas utopias de um Portugal mais feliz e mais justo. Que esteja em paz!

Henrique Monteiro - Apesar de tudo, das prisões e mortes de que foi cúmplice, o 25 de Abril deve-lhe muito. Depois de saber que eu fora, com Rogério Rodrigues (melhor diria que foi ele com a minha colaboração) a denunciar que Otelo era o líder das FP25, nunca deixámos de falar. O mesmo se pode dizer de Vasco Lourenço, que no PREC não foi bem tratado por Otelo e puseram as divergências para trás. Como sempre, em Portugal, é tudo gente boa.

João Greno Brògueira - Apesar de todos os desvios, que entretanto a Democracia Portuguesa sofreu e de todos os que aproveitaram a oportunidade para assaltar o poder pós 25 de Abril... Obrigado Otelo Saraiva de Carvalho

David Ribeiro – Completamente de acordo, Brògueira… e é mesmo por isso que não posso esquecer que na madrugada de 25 de Abril de 1974 Otelo conduziu, juntamente com outros cinco oficiais, do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas no Regimento de Engenharia N.º 1 na Pontinha, as operações militares que derrubaram o decrépito Estado Novo. (Entre estes cinco oficiais encontrava-se o meu saudoso comandante do Batalhão de Engenharia N.º 3, o Tenente-coronel Fischer Lopes Pires)

João Geirinhas Rocha - Otelo. Assim, sem mais, uma personagem maior que o homem, luzes e sombras, utopias e delírios, bravatas e ingenuidades, coragem e fuga, muitas vidas para caber numa pessoa só. O Expresso revelou há anos que era bígamo, tinha e vivia tranquilamente com duas famílias. Não há melhor metáfora para resumir a figura.

 

Várias figuras nacionais reagiram à morte de Otelo Saraiva de Carvalho

  O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu à morte de Otelo Saraiva de Carvalho, lembrando o papel central de comando na revolução do 25 de Abril e apresentando as condolências à família. "É ainda cedo para a História o apreciar com a devida distância", escreveu na nota enviada.

  "Otelo Saraiva de Carvalho foi o coordenador operacional da ação militar do Movimento das Forças Armadas, que, no dia 25 de abril de 1974, derrubou o regime do Estado Novo, pondo fim à mais longa ditadura do século XX na Europa e abrindo caminho à democracia", referiu o Governo em comunicado.

  "Se este país fosse justo, deveria ter morrido na prisão". Foi assim que André Ventura, líder do Chega, reagiu à morte do Capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho.

  O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, homenageou hoje Otelo Saraiva de Carvalho, "o maior símbolo individual do Movimento das Forças Armadas", que concretizou o sonho de todos os que "ansiavam por viver em liberdade".

  A ativista política e médica Isabel do Carmo lamentou a morte de Otelo Saraiva de Carvalho, considerando que, com o desaparecimento do militar e estratego do 25 de Abril de 1974, "acaba também uma época e uma utopia". "Esta manhã [ao saber da notícia da morte] senti uma coisa, senti que acabou, que, com [a morte de] este homem, acaba também uma época, uma utopia. Senti isso, emocionalmente. Senti a perda, o desaparecimento. Já não vai ser possível falar com ele", afirmou Isabel do Carmo a agência Lusa. Para a antiga dirigente do extinto do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), movimento que exerceu atividade clandestina através das suas Brigadas Revolucionárias (no PRP-BR), Otelo é, juntamente com Vasco Lourenço, "o dirigente do 25 de abril [de 1974], do Movimento dos Capitães e do derrube da ditadura".

  O PCP registou este domingo o papel de Otelo Saraiva de Carvalho no 25 de Abril, considerando que o momento da sua morte "não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político". "Sobre o falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho deve registar-se no essencial o seu papel no levantamento militar do 25 de Abril. O momento do seu falecimento não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político", refere uma nota do gabinete de imprensa do PCP. O Partido Comunista Português endereça ainda condolências à família e à Associação 25 de Abril.

  Tweet de Rui Rio - O dia da morte de Otelo Saraiva de Carvalho é momento para reconhecer o seu papel corajoso e decisivo no 25 de Abril e na conquista da liberdade. Competirá à História fazer, com isenção, a avaliação global de tudo que ele fez de bom e de mau. Hoje, não é o dia para isso.

  Declaração do ex-Presidente Ramalho Eanes - A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde. Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse. O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real. Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida. E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo. Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.



Publicado por Tovi às 10:44
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Sábado, 24 de Abril de 2021
A história é feita por aqueles que nela participam

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Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia n.º 3

Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22h55

São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o brioso condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.

 

 

   Memórias... no Facebook
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Publicado por Tovi às 09:39
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Domingo, 26 de Abril de 2020
Proclamação da Junta de Salvação Nacional

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Após a vitória das tropas revoltosas, às 01h30 de 26 de Abril de 1974 foi lida a proclamação ao País da JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL, composta por: General António de Spínola (Exército - presidente); General Francisco da Costa Gomes (Exército); Brigadeiro Jaime Silvério Marques (Exército); General Manuel Diogo Neto (Força Aérea - inicialmente ausente em Moçambique); Coronel Carlos Galvão de Melo (Força Aérea); Capitão-de-mar-e-guerra José Baptista Pinheiro de Azevedo (Marinha); Capitão-de-fragata António Alva Rosa Coutinho (Marinha).

   PROCLAMAÇÃO AO PAÍS LIDA POR SPÍNOLA

Em obediência ao mandato que acaba de lhes ser confiado pelas Forças Armadas, após o triunfo do Movimento em boa hora levado a cabo pela sobrevivência nacional e pelo bem-estar do Povo Português, a Junta de Salvação Nacional, a que presido, constituída por imperativo de assegurar a ordem e de dirigir o País para a definição e consecução de verdadeiros objectivos nacionais, assume perante o mesmo o compromisso de:
- Garantir a sobrevivência da Nação, como Pátria Soberana no seu todo pluricontinental;
- Promover, desde já, a consciencialização dos Portugueses, permitindo plena expressão a todas as correntes de opinião, em ordem a acelerar a constituição das associações cívicas que hão-de polarizar tendências e facilitar a livre eleição, por sufrágio directo, de uma Assembleia Nacional Constituinte e a sequente eleição do Presidente da República;
- Garantir a liberdade de expressão e pensamento;
- Abster-se de qualquer atitude política que possa condicionar a liberdade da eleição e a tarefa da futura Assembleia Constituinte e evitar por todos os meios que outras forças possam interferir no processo que se deseja eminentemente nacional;
- Pautar a sua acção pelas normas elementares da moral e da justiça, assegurando a cada cidadão os direitos fundamentais estatuídos em declarações universais e fazer respeitar a paz cívica, limitando o exercício da autoridade à garantia da liberdade dos cidadãos;
- Respeitar os compromissos internacionais decorrentes dos tratados celebrados;
- Dinamizar as suas tarefas em ordem em que no mais curto prazo o País venha a governar-se por instituições de sua livre escolha;
- Devolver o poder às instituições constitucionais logo que o Presidente da República eleito entre no exercício das suas funções.

 

   Comentários no Facebook

Antonio Freitas - Pergunto se estas intenções foram as que concretizaram

David Ribeiro - Ora aqui está uma interessantíssima reflexão... para mim, que vivi todos estes momentos políticos, era ISTO o verdadeiro 25 de Abril.

Ricardo Fonseca - Os capitães deveriam ter assumido esta presidencia, mas o cunho da disciplina militar não o permitiu. Otelo era o homem perfeito para fazer o papel que Spínola tentou desempenhar.

David Ribeiro - Não, não era, Ricardo Fonseca... Otelo era inábil, politicamente.

David Almeida - David Ribeiro e o Spínola um estadista... sem orientação política!

David Ribeiro - Tem razão, David Almeida.

Ricardo Fonseca - David Ribeiro mas a intenção não era conduzir o país a eleições, a necessidade não era a de manter o país a funcionar até às eleições e depois aí sim dar lugar aos políticos para dirigir o pais?

David Ribeiro - Ricardo Fonseca, a intenção política dos revoltosos era a que estava na proclamação da Junta de Salvação Nacional... mas não era esta a intenção de alguns dos seus membros, como era o caso do General Spínola.

David Ribeiro - Nenhum dos "generais" assumiu publicamente a revolução antes desta ser vitoriosa... e o Movimento dos Capitães estava muito dividido quanto ao "dia seguinte".

António Conceição - Spínola não era estadista algum. Era apenas um narcisista que, como logo notou Marcello Caetano, confundia o mundo com a Guiné. Pouca gente era capaz de alinhar tanto disparate, como ele alinhou em "Portugal e o Futuro". Evidentemente, nenhuma revolução, nenhum regime podia fundar sobre essa colectânea de dislates. Em Junho de 74, chegou a realidade.



Publicado por Tovi às 01:53
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Sábado, 25 de Abril de 2020
Foi assim há quarenta e seis anos

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Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia nº 3
Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22:55 horas

São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o meu fiel condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.

 

  Poema de Gustavo Pimenta, ilustre deputado do PS na Assembleia Municipal do Porto
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Publicado por Tovi às 19:26
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Terça-feira, 21 de Abril de 2020
Polémica comemoração do 25 de Abril

A Assembleia da República decidiu realizar no Parlamento a sessão solene das comemorações do 25 de Abril, com limitações devido à pandemia de COVID-19. Os partidos PS, PSD, BE, PCP, Verdes e Iniciativa Liberal são favoráveis à manutenção da sessão solene, tal como a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira. O PAN e o CDS defendem outras formas de assinalar a data e o Chega a manifesta-se frontalmente contra.

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   Situação em Portugal e Região Norte

21379 casos confirmados (12806 na Região Norte)
762 mortos (441 na Região Norte)
Apesar de uma tendência de descida verificada nos últimos dias a verdade é que os números de hoje nos dizem que continuamos no Norte de Portugal num “planalto” que nunca mais acaba.
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Publicado por Tovi às 10:38
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Segunda-feira, 25 de Novembro de 2019
A reposição das liberdades conquistadas em Abril

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Mas alguém tem dúvidas que quem no dia 25 de Novembro de 1975 acabou com o regabofe do PREC eram na esmagadora maioria os mesmos que na madrugada de 25 de Abril libertaram Portugal de uma das mas longas ditaduras fascistas da história moderna?... Eu estive de “armas na mão” desde a madrugada de 25 de Abril de 1974 até um merecido descanso de três anos de serviço militar obrigatório que terminou para mim em finais do mês de Outubro do mesmo ano. Mas durante todo o “Verão Quente”, numa “clandestinidade” verdadeiramente assumida e nunca renegada, estive SEMPRE ao lado dos valores que me levaram a lutar contra o regime ditatorial do Estado Novo. E ainda me recordo bem do que foi toda a luta contra o PREC e que culminou com o 25 de Novembro de 75.

 


Mário Soares, no seu ensaio autobiográfico politico e ideológico - "Um Político Assume-se" - logo no início de um capítulo, sugestivamente nomeado “A normalização democrática”, escreveu: “O 25 de Novembro de 1975 foi extremamente importante para Portugal. Foi o virar de uma página, que podia ter sido trágica, e a restituição da Revolução de Abril à sua pureza inicial: a democracia pluralista de tipo ocidental, num Estado de Direito, civilista, respeitador dos Direitos Humanos e com uma dimensão social, marcada pela igualdade de oportunidades."



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Sábado, 26 de Maio de 2018
XXII Congresso do PS

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Eu achei uma piroseira o espectáculo que abriu o 22° Congresso do PS. Como militar que na madrugada de 25 de Abril de 1974 pegou em armas não reconheço aos socialistas o direito de se considerarem legítimos representantes dos Militares de Abril.

 

   Comentários no Facebook

«Manuel Matos» - Puxa... eu julgava que TODOS os Portugueses tinham o direito reconhecido para se considerarem os legítimos representantes dos militares de Abril... Mas quem terá então essa legitimidade? Cavaco Silva que, para além de ter sido Pide, como Presidente hasteou a bandeira de pernas para o ar?

«David Ribeiro» - Se o Manuel Matos considera TODOS os portugueses com o direito a reconhecerem-se como representantes dos militares de Abril terá que também incluir o tal ex-PR, ou então retirar-lhe a nacionalidade (e eu até não morro de amores pelo homem de Boliqueime). Onde estavam no 25 de Abril um grande número de socialistas?... alguns dos que conheço e já eram homens na altura, sei bem onde estavam, politicamente falando.

«Manuel Matos» - Daí eu ter dito que TODOS os Portugueses têm legitimidade, caso contrário tinham sido deportados. E não sei onde estavam esses Socialistas... talvez fugidos do Sr. Aníbal para não terem o destino do Humberto Delgado, digo eu.

«Fernando Duarte» - sobretudo que nem sequer estavam em Portugal, chegaram de comboio, a Santa Apolónia, no dia 27

«António Conceição» - Portanto, já não havia problema algum se fosse o Silva Pais a celebrar, porque esse estava em Portugal.

«Raul Vaz Osorio» - Não vi. Pela foto, parece-me que tem um ar entre o piroso e o pindérico, mas é só uma foto. Quanto à legitimidade, tenho que me inclinar mais para o todos que para o alguns. A questão para mim nem é essa. Uma coisa é ter legitimidade para "representar" os capitães de Abril, outra é que algumas pessoas, para o fazerem, necessitam de não ter qualquer vergonha na cara. Mas gente dessa é o que mais há

«Manuel Sarmento» - David Ribeiro, não precisei de ser militar no dia 25 para estar com Abril. Foste um felizardo, porque sendo eu mais velho do que tu estive na Guiné, donde regressei em 72. De resto conheço muita gente que em 1974 integrava as forças armadas, e que renega o 25 de Abril, que não considero propriedade de militares, civis ou grupos políticos ou de cidadãos. O que penso, pela imagem que apresentas, que eles pretendem apenas dizer que estarão com o 25 de Abril. Por mim 25 DE ABRIL SEMPRE!

«Nuno Santos» - O que eu acho é que não há nada para dizer às pessoas. O discurso do AC ontem podia ter tido lugar há 10 anos ou daqui a 5. É igual. Inócuo. Como tal, há que preencher espaços vazios para se não notar tanto que não há nada para dizer e o que poderia haver é tabu. O resultado, confesso, não é brilhante. Por espingardas, mesmo com cravos, num palco, não é grande ideia.

«Joaquim Vasconcelos» - Nem eu. eles não são legítimos de nada. legítimo é o Povo Português

«Jorge Santos Silva» - Estou completamente de acordo até por respeito a um militar que conheci em 1982 o, na altura, major Salgueiro Maia. Um grande abraço e continue a postar pois estes senhores sempre se julgaram donos do país.

«Manuel Aranha» - É mais um triste, mas habitual, espetáculo de cenografia socialista. Tudo o que puder ser usado para desviar atenções serve...

«Joao Antonio Camoes» - Satisfaz a nostalgia da velha guarda e incute uma pseudo sensação de pertença de esquerda aos mais novos mantendo-os sonhadores

«André Eirado» - É legítimo para todos os que se revêem no 25 de Abril

«Nuno Santos» - Quando não há nada para dizer às pessoas ou não se lhes quer dizer a verdade ou se quer evitar um assunto incómodo, mostram-se soldados com armas na mão e, a partir deles, evoca-se a revolução. Era assim na Rússia, ainda é assim na Coreia e continua a ser em Cuba, onde a invocação da revolução continua a ser feita 60 anos depois, para se evitar a democracia, a transparência e os temas incómodos. Somando o vazio apologético do discurso de António Costa à encenação vinteecincodeabrilesca, com “soldadinhos” em palco que acabei de presenciar em imagens que me chegam do congresso do PS, não fica grande coisa. A não ser a infelicidade da apropriação de uma revolução que o PS deveria querer de todos e não cada vez mais acantonada e tomada por quem nem a fez e a má ideia de exibir espingardas no palco de um congresso.

«Jose Riobom» - David Ribeiro que arma? ...um canhangulo? Desde já foste por mim nomeado o grande salvador da Pátria...! O 25 de Abril é muito mais que o próprio dia... Esse dia é o final mais que esperado de dezenas de anos de ditadura, de prisões, de torturas, de abusos. É a libertação dum povo. O desabrochar de um novo País. Houve muito mais trabalho de libertação nos anos imediatamente a seguir do que própriamente no dia. É muitos dos proto-ditadores ainda por aí andam ou esqueceste de que o actual PR é filho dum homem do antigo regime afilhado de Marcelo Caetano? Eu continuo em armas de antes e depois do 25 nem que seja contra esta "democracia" de ladrões e corruptos. Eu ainda não as depus...

«David Ribeiro» - E porque o 25 de Abril é muito mais que o próprio dia, considero infeliz a apropriação de uma revolução que o PS fez ontem no seu Congresso.

«Jose Riobom» - Nem mais... Os "donos" do 25 Abril estão na sua maioria mortos.... os meus avós... os meu país... e um destes dias, eu, e muitos que por aí andam todos com mais de 55 anos. E que país deixaremos? Mais uma vez um país de carneiros governado pelas mesmas famílias de ladrões e corruptos de antes do 25 e que tudo aceita em nome duma ditadura a que apelidam de democracia.

 

   Francisco Assis no XXII Congresso do PS

Mais uma vez, e unicamente no que concerne à Geringonça e à liderança de António Costa, estou em muito de acordo com o que Francisco Assis tornou a dizer hoje numa reunião magna do PS. E ouvi por lá umas palmitas, não muitas, é certo, mas ouvi algumas.



Publicado por Tovi às 15:44
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