"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Domingo, 26 de Abril de 2020
Proclamação da Junta de Salvação Nacional

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Após a vitória das tropas revoltosas, às 01h30 de 26 de Abril de 1974 foi lida a proclamação ao País da JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL, composta por: General António de Spínola (Exército - presidente); General Francisco da Costa Gomes (Exército); Brigadeiro Jaime Silvério Marques (Exército); General Manuel Diogo Neto (Força Aérea - inicialmente ausente em Moçambique); Coronel Carlos Galvão de Melo (Força Aérea); Capitão-de-mar-e-guerra José Baptista Pinheiro de Azevedo (Marinha); Capitão-de-fragata António Alva Rosa Coutinho (Marinha).

   PROCLAMAÇÃO AO PAÍS LIDA POR SPÍNOLA

Em obediência ao mandato que acaba de lhes ser confiado pelas Forças Armadas, após o triunfo do Movimento em boa hora levado a cabo pela sobrevivência nacional e pelo bem-estar do Povo Português, a Junta de Salvação Nacional, a que presido, constituída por imperativo de assegurar a ordem e de dirigir o País para a definição e consecução de verdadeiros objectivos nacionais, assume perante o mesmo o compromisso de:
- Garantir a sobrevivência da Nação, como Pátria Soberana no seu todo pluricontinental;
- Promover, desde já, a consciencialização dos Portugueses, permitindo plena expressão a todas as correntes de opinião, em ordem a acelerar a constituição das associações cívicas que hão-de polarizar tendências e facilitar a livre eleição, por sufrágio directo, de uma Assembleia Nacional Constituinte e a sequente eleição do Presidente da República;
- Garantir a liberdade de expressão e pensamento;
- Abster-se de qualquer atitude política que possa condicionar a liberdade da eleição e a tarefa da futura Assembleia Constituinte e evitar por todos os meios que outras forças possam interferir no processo que se deseja eminentemente nacional;
- Pautar a sua acção pelas normas elementares da moral e da justiça, assegurando a cada cidadão os direitos fundamentais estatuídos em declarações universais e fazer respeitar a paz cívica, limitando o exercício da autoridade à garantia da liberdade dos cidadãos;
- Respeitar os compromissos internacionais decorrentes dos tratados celebrados;
- Dinamizar as suas tarefas em ordem em que no mais curto prazo o País venha a governar-se por instituições de sua livre escolha;
- Devolver o poder às instituições constitucionais logo que o Presidente da República eleito entre no exercício das suas funções.

 

   Comentários no Facebook

Antonio Freitas - Pergunto se estas intenções foram as que concretizaram

David Ribeiro - Ora aqui está uma interessantíssima reflexão... para mim, que vivi todos estes momentos políticos, era ISTO o verdadeiro 25 de Abril.

Ricardo Fonseca - Os capitães deveriam ter assumido esta presidencia, mas o cunho da disciplina militar não o permitiu. Otelo era o homem perfeito para fazer o papel que Spínola tentou desempenhar.

David Ribeiro - Não, não era, Ricardo Fonseca... Otelo era inábil, politicamente.

David Almeida - David Ribeiro e o Spínola um estadista... sem orientação política!

David Ribeiro - Tem razão, David Almeida.

Ricardo Fonseca - David Ribeiro mas a intenção não era conduzir o país a eleições, a necessidade não era a de manter o país a funcionar até às eleições e depois aí sim dar lugar aos políticos para dirigir o pais?

David Ribeiro - Ricardo Fonseca, a intenção política dos revoltosos era a que estava na proclamação da Junta de Salvação Nacional... mas não era esta a intenção de alguns dos seus membros, como era o caso do General Spínola.

David Ribeiro - Nenhum dos "generais" assumiu publicamente a revolução antes desta ser vitoriosa... e o Movimento dos Capitães estava muito dividido quanto ao "dia seguinte".

António Conceição - Spínola não era estadista algum. Era apenas um narcisista que, como logo notou Marcello Caetano, confundia o mundo com a Guiné. Pouca gente era capaz de alinhar tanto disparate, como ele alinhou em "Portugal e o Futuro". Evidentemente, nenhuma revolução, nenhum regime podia fundar sobre essa colectânea de dislates. Em Junho de 74, chegou a realidade.



Publicado por Tovi às 01:53
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Sábado, 25 de Abril de 2020
Foi assim há quarenta e seis anos

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Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia nº 3
Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22:55 horas

São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o meu fiel condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.

 

  Poema de Gustavo Pimenta, ilustre deputado do PS na Assembleia Municipal do Porto
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Publicado por Tovi às 19:26
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Terça-feira, 21 de Abril de 2020
Polémica comemoração do 25 de Abril

A Assembleia da República decidiu realizar no Parlamento a sessão solene das comemorações do 25 de Abril, com limitações devido à pandemia de COVID-19. Os partidos PS, PSD, BE, PCP, Verdes e Iniciativa Liberal são favoráveis à manutenção da sessão solene, tal como a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira. O PAN e o CDS defendem outras formas de assinalar a data e o Chega a manifesta-se frontalmente contra.

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   Situação em Portugal e Região Norte

21379 casos confirmados (12806 na Região Norte)
762 mortos (441 na Região Norte)
Apesar de uma tendência de descida verificada nos últimos dias a verdade é que os números de hoje nos dizem que continuamos no Norte de Portugal num “planalto” que nunca mais acaba.
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Publicado por Tovi às 10:38
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Segunda-feira, 25 de Novembro de 2019
A reposição das liberdades conquistadas em Abril

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Mas alguém tem dúvidas que quem no dia 25 de Novembro de 1975 acabou com o regabofe do PREC eram na esmagadora maioria os mesmos que na madrugada de 25 de Abril libertaram Portugal de uma das mas longas ditaduras fascistas da história moderna?... Eu estive de “armas na mão” desde a madrugada de 25 de Abril de 1974 até um merecido descanso de três anos de serviço militar obrigatório que terminou para mim em finais do mês de Outubro do mesmo ano. Mas durante todo o “Verão Quente”, numa “clandestinidade” verdadeiramente assumida e nunca renegada, estive SEMPRE ao lado dos valores que me levaram a lutar contra o regime ditatorial do Estado Novo. E ainda me recordo bem do que foi toda a luta contra o PREC e que culminou com o 25 de Novembro de 75.

 


Mário Soares, no seu ensaio autobiográfico politico e ideológico - "Um Político Assume-se" - logo no início de um capítulo, sugestivamente nomeado “A normalização democrática”, escreveu: “O 25 de Novembro de 1975 foi extremamente importante para Portugal. Foi o virar de uma página, que podia ter sido trágica, e a restituição da Revolução de Abril à sua pureza inicial: a democracia pluralista de tipo ocidental, num Estado de Direito, civilista, respeitador dos Direitos Humanos e com uma dimensão social, marcada pela igualdade de oportunidades."



Publicado por Tovi às 07:44
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Sábado, 26 de Maio de 2018
XXII Congresso do PS

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Eu achei uma piroseira o espectáculo que abriu o 22° Congresso do PS. Como militar que na madrugada de 25 de Abril de 1974 pegou em armas não reconheço aos socialistas o direito de se considerarem legítimos representantes dos Militares de Abril.

 

   Comentários no Facebook

«Manuel Matos» - Puxa... eu julgava que TODOS os Portugueses tinham o direito reconhecido para se considerarem os legítimos representantes dos militares de Abril... Mas quem terá então essa legitimidade? Cavaco Silva que, para além de ter sido Pide, como Presidente hasteou a bandeira de pernas para o ar?

«David Ribeiro» - Se o Manuel Matos considera TODOS os portugueses com o direito a reconhecerem-se como representantes dos militares de Abril terá que também incluir o tal ex-PR, ou então retirar-lhe a nacionalidade (e eu até não morro de amores pelo homem de Boliqueime). Onde estavam no 25 de Abril um grande número de socialistas?... alguns dos que conheço e já eram homens na altura, sei bem onde estavam, politicamente falando.

«Manuel Matos» - Daí eu ter dito que TODOS os Portugueses têm legitimidade, caso contrário tinham sido deportados. E não sei onde estavam esses Socialistas... talvez fugidos do Sr. Aníbal para não terem o destino do Humberto Delgado, digo eu.

«Fernando Duarte» - sobretudo que nem sequer estavam em Portugal, chegaram de comboio, a Santa Apolónia, no dia 27

«António Conceição» - Portanto, já não havia problema algum se fosse o Silva Pais a celebrar, porque esse estava em Portugal.

«Raul Vaz Osorio» - Não vi. Pela foto, parece-me que tem um ar entre o piroso e o pindérico, mas é só uma foto. Quanto à legitimidade, tenho que me inclinar mais para o todos que para o alguns. A questão para mim nem é essa. Uma coisa é ter legitimidade para "representar" os capitães de Abril, outra é que algumas pessoas, para o fazerem, necessitam de não ter qualquer vergonha na cara. Mas gente dessa é o que mais há

«Manuel Sarmento» - David Ribeiro, não precisei de ser militar no dia 25 para estar com Abril. Foste um felizardo, porque sendo eu mais velho do que tu estive na Guiné, donde regressei em 72. De resto conheço muita gente que em 1974 integrava as forças armadas, e que renega o 25 de Abril, que não considero propriedade de militares, civis ou grupos políticos ou de cidadãos. O que penso, pela imagem que apresentas, que eles pretendem apenas dizer que estarão com o 25 de Abril. Por mim 25 DE ABRIL SEMPRE!

«Nuno Santos» - O que eu acho é que não há nada para dizer às pessoas. O discurso do AC ontem podia ter tido lugar há 10 anos ou daqui a 5. É igual. Inócuo. Como tal, há que preencher espaços vazios para se não notar tanto que não há nada para dizer e o que poderia haver é tabu. O resultado, confesso, não é brilhante. Por espingardas, mesmo com cravos, num palco, não é grande ideia.

«Joaquim Vasconcelos» - Nem eu. eles não são legítimos de nada. legítimo é o Povo Português

«Jorge Santos Silva» - Estou completamente de acordo até por respeito a um militar que conheci em 1982 o, na altura, major Salgueiro Maia. Um grande abraço e continue a postar pois estes senhores sempre se julgaram donos do país.

«Manuel Aranha» - É mais um triste, mas habitual, espetáculo de cenografia socialista. Tudo o que puder ser usado para desviar atenções serve...

«Joao Antonio Camoes» - Satisfaz a nostalgia da velha guarda e incute uma pseudo sensação de pertença de esquerda aos mais novos mantendo-os sonhadores

«André Eirado» - É legítimo para todos os que se revêem no 25 de Abril

«Nuno Santos» - Quando não há nada para dizer às pessoas ou não se lhes quer dizer a verdade ou se quer evitar um assunto incómodo, mostram-se soldados com armas na mão e, a partir deles, evoca-se a revolução. Era assim na Rússia, ainda é assim na Coreia e continua a ser em Cuba, onde a invocação da revolução continua a ser feita 60 anos depois, para se evitar a democracia, a transparência e os temas incómodos. Somando o vazio apologético do discurso de António Costa à encenação vinteecincodeabrilesca, com “soldadinhos” em palco que acabei de presenciar em imagens que me chegam do congresso do PS, não fica grande coisa. A não ser a infelicidade da apropriação de uma revolução que o PS deveria querer de todos e não cada vez mais acantonada e tomada por quem nem a fez e a má ideia de exibir espingardas no palco de um congresso.

«Jose Riobom» - David Ribeiro que arma? ...um canhangulo? Desde já foste por mim nomeado o grande salvador da Pátria...! O 25 de Abril é muito mais que o próprio dia... Esse dia é o final mais que esperado de dezenas de anos de ditadura, de prisões, de torturas, de abusos. É a libertação dum povo. O desabrochar de um novo País. Houve muito mais trabalho de libertação nos anos imediatamente a seguir do que própriamente no dia. É muitos dos proto-ditadores ainda por aí andam ou esqueceste de que o actual PR é filho dum homem do antigo regime afilhado de Marcelo Caetano? Eu continuo em armas de antes e depois do 25 nem que seja contra esta "democracia" de ladrões e corruptos. Eu ainda não as depus...

«David Ribeiro» - E porque o 25 de Abril é muito mais que o próprio dia, considero infeliz a apropriação de uma revolução que o PS fez ontem no seu Congresso.

«Jose Riobom» - Nem mais... Os "donos" do 25 Abril estão na sua maioria mortos.... os meus avós... os meu país... e um destes dias, eu, e muitos que por aí andam todos com mais de 55 anos. E que país deixaremos? Mais uma vez um país de carneiros governado pelas mesmas famílias de ladrões e corruptos de antes do 25 e que tudo aceita em nome duma ditadura a que apelidam de democracia.

 

   Francisco Assis no XXII Congresso do PS

Mais uma vez, e unicamente no que concerne à Geringonça e à liderança de António Costa, estou em muito de acordo com o que Francisco Assis tornou a dizer hoje numa reunião magna do PS. E ouvi por lá umas palmitas, não muitas, é certo, mas ouvi algumas.



Publicado por Tovi às 15:44
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
Onde estavas no 25 de Abril?

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Fiz esta carismática e já histórica pergunta na página do Facebook «Um novo norte para o Norte» e foram estas as respostas dos meus amigos:

 

«Aníbal Moreira» - Na base aérea de S. Jacinto, chegado de Moçambique, com os meus aviões.

«Albertino Amaral» - A trabalhar, como ainda o fazia até há pouco tempo... Não vi qualquer grande alteração, que me fizesse ser mais ou menos feliz... A mentalidade política, a mim, não me ensinou nada de novo... Acho até que ficou, foi tudo mais complicado... Certamente é por isso que ainda não descobri o significado real da tal democracia....

«Jorge Veiga» - em casa!

«Manuel Rodrigues» - A trabalhar

«Mario Azevedo» - A trabalhar! Tinha chegado na véspera da Dinamarca.

«Jota Caeiro» - quando dei por ela, estava na 'Segunda Classe', na Escola nº 85, escola da Feira, como era conhecida por aqui na Foz... falou-se em Revolução dos militares e nós vimo-los do recreio a descer dos camiões na 'Estrada Nova' e a levar gente... :)

«Manuel Carvalho» - Na 4ª classe, em Rio Tinto. Só me lembro de passarem alguns aviões e de uma colega desatar a chorar porque tinha familiares em Lx.

«Adao Fernando Batista Bastos» - Só me apercebi de manhã. Cheguei às 9 horas para trabalhar, na Reo. Central de Finanças em Gonçalo Cristovão e estava fechada. Ninguém, nem o PSP que costumava estar à entrada! Rua deserta! Até que alguém me informou que tinha havido qualqusr cousa com militares, em Lisboa. Encaminhei-me para os Aliados e foi um rodopio. Informaçoes, correrias, manifestaçoes de aloio e alegria. Que dias os que se seguiram até ao grandioso e memorável primeiro " 1° de Maio"

«Carlos Furtado» - Nas aulas. Mandaram me para casa. Foi uma festa. Mas o pai de um amigo era capitão.

«Antero Filgueiras» - À hora em que ocorreu o 25 de Abril estava em casa, tal como a esmagadora maioria dos portugueses. Nesse dia às 9.00 estava na aula de Matemática, cujo professor, um ex-militar em Cabo Verde fez questão de explicar à malta o que é que se estava a passar. Todavia, ele não acreditava na descolonização, pois achava que aquilo teria que ser eternamente nosso. Foi chumbado nesse mesmo dia!!

«José Luis Moreira» - Às 9:00h, em Ilondé, Guiné, preparado para, na "enfermaria" (tenda do Posto de Socorros), dar início a mais uma jornada de 'assistência sanitária à população da zona'. 9:10h: 0 ten-cor manda formar"todo" o pessoal (eu nunca ia) na "parada", para que todos mantivessem a disciplina, porque o que eventualmente estaríamos a ouvir na rádio (BBC)... era uma mentira. Felizmente foi verdade.

«Raul Vaz Osorio» - (…) eu estava em Luanda e nos meus 14 anos (quase 15) era um feroz opositor do regime. Ouvi notícia de que as comunicações com Lisboa estavam cortadas e logo a minha mente fértil imaginou uma revolução (o golpe das Caldas ainda estava fresco na memória) e corri a informar o meu grande amigo de infância, o Paulo Júlio Miranda Vieira, com quem "conspirava" regularmente, das minhas suspeitas, ao que ele me respondeu algo do tipo "quem me dera, mas não acredito, aquela merda está muito bem montada, abana mas não cai". Felizmente, ele estava enganado

«Miguel Soeiro de Lacerda» - Estava entre o Porto e a maravilhosa Alemanha.

«Nuno Dumont Vilares» - Estava a fazer o serviço militar obrigatório em Monsanto...

«Jose Riobom» - Na madrugada andava a fazer o habitual "passeio" nocturno com os amigos do costume e depois de ouvidas as primeiras notícias e termos presenciado algumas movimentações estranhas continuamos o périplo degustando as habituais "bejecas" e a diária ceia noturna na Casa da Mariquinhas ali pela Sé deixando o resto para os "heróis" já que isso das revoluções não era para nós. Nessa altura previmos o que seria o Portugal de hoje... UM PAÍS DE CORRUPTOS E LADRÕES ! A caminho de casa com passagem obrigatória pela delegação dos meus "vizinhos" da PIDE estranhei ver muitas luzes acessas... e algumas pessoas que não era habitual estarem por ali a essa hora...quase 6 da manhã...depois fui dormir as habituais 2 horas...

«Rui Lima» - No velhinho Aeroporto de Pedras Rubras ! Um dia em cheio !

«Adriano Magalhães» - Fiz parte da revolução nesse dia fiquei de prevenção ao meu quartel RI6 Porto tinha 2anos de Tropa. tanto esforço para quase nada para quem tem de trabalhar.

«José Serrano» - A caminho para a Setenave/Lisnave



Publicado por Tovi às 10:23
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018
O Expresso nasceu há 45 anos

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Já lá vão 45 anos que apareceu nas bancas um semanário que mudou a forma de fazer jornalismo em Portugal. Eu estava a cumprir o serviço militar obrigatório no Batalhão de Engenharia nº 3, em Santa Margarida, e vivia-se então uma decadente “primavera Marcelista” em que ninguém já acreditava e todos nós esperávamos a todo o momento uma mudança, fosse lá o que ela fosse e quando fosse. E tudo que era novo merecia a nossa atenção. O Expresso era lido e relido, recortava-se e guardava-se, para memória futura, tudo o que tinha a ver com o envolvimento cívico e político dos portugueses. Depois houve o 25 de Abril de 74… e depois aconteceu o 25 de Novembro… fizemos uma Constituição democrática e mais tarde entramos para a Comunidade Europeia… e estes anos todos volvidos ou nos tornamos sépticos quanto ao estado em que se encontra “esta” democracia ou então o Expresso já não é o que era.




Sábado, 25 de Novembro de 2017
Faz hoje 42 anos… lembram-se?

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Não há dúvida… somos um Povo de lágrima fácil

 

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«Duarte Nuno Correia» - n'O Insurgente - Alguns poderão estar esquecidos, outros nunca terão ouvido, outros estarão equivocados e alguns terão escutado uma versão deturpada ou selectiva da coisa. Mas quando Jaime Neves e os restantes comandos impedem o golpe dos pára-quedistas de Tancos, impedem não apenas um golpe militar, mas o golpe militar da extrema-esquerda que visava garantir que Portugal passava de uma ditadura de direita para uma ditadura de esquerda, comunista e à boa moda soviética, isto assumindo que os arrufos entre estalinistas e maoístas se resolviam. Isto foi no dia 25 de Novembro de 1975. O 25 de Abril sem o 25 de Novembro teria sido uma mera mudança de cores de camisola. É, portanto, uma data tão alusiva à democracia como é o 25 de Abril, e, como tal, merece ser recordada, celebrada, felicitada, festejada. Um dos partidos que mais fez pela consolidação do 25 de Novembro foi precisamente o PS de Mário Soares. Que o Bloco de Esquerda, que mais não é do que a agremiação da UDP e do PSR, radicais que buscavam essa ditadura comunista, e o PCP, que, bom, é o PCP, não celebrem o 25 de Novembro parece-me coerente. Afinal, o sonho de uma ditadura comunista foi gorado. Que o PS alinhe no circo é que é absolutamente inaceitável. Uma vergonha.

«David Ribeiro» - O Mário Soares deve estar aos saltos no caixão.



Publicado por Tovi às 11:09
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016
Os ricos que paguem a crise!

Os_ricos_paguem_crise_by_Henrique_Matos.jpgFoi no verão quente de 1975 que muitos de nós gritamos pelas ruas deste nosso cantinho à beira mar plantado um dos slogans que marcaram o PREC – “Os ricos que paguem a crise!”. Não consta que o tenham feito e lá teve que ser a chamada “classe média” a aguentar com as despesas da Revolução de Abril. Ainda houve quem acreditasse no “capitalismo popular” de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, em que se defendia que todos devíamos ser ricos, pelo que era necessário criar grupos de empresas de investimento para que se mobilizassem as pequenas poupanças e assim se aumentasse o capital, como faziam os ricos. Mas isto deu um grande estouro e lá teve a classe média que pagar esta experiência neoliberal. E agora, depois de acabarmos de sair de mais um resgate que nos deixou de tanga, andamos todos a discutir onde está a linha vermelha que separa a “riqueza acumulada” da “poupança”, se está nos imóveis de 500 mil ou do milhão de euros. Eu não sei onde está essa fronteira, mas tenho a certeza absoluta de quem é que vai acabar por pagar isto tudo… ui, se tenho.

 

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«Zé Regalado» >> "a aguentar com as despesas da Revolução de Abril" - Eu acho que as despesas que é preciso pagar são outras, mas o pudor impede-me de dizer quais são.....

«Maria Vilar de Almeida» >> Aguenta CLASSE MÉDIA... até quando?! Liberta-te...

«Mario Ferreira Dos Reis» >> O que vai ser tachado vai ser patriomonio acima de um milhao de euros... se isso é classe média eu sou um pobreta do caraças.

«Isabel Pires» >> Pobreta do caraças, idem aspas....



Publicado por Tovi às 08:53
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016
Regar sempre que for necessário

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Quando na manhã de 25 de Abril de 1974 alguns soldados revoltosos colocaram no cano das espingardas o Cravo Vermelho, este passou a ser o símbolo da Revolução de Abril. Mas é preciso regá-lo de vez em quando, senão perde-se a sua força, o seu poder, o seu brilho.

 

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«Jovita Fonseca» >> Tem havido falta de rega...

«Tiago Vasquez» >> Já é altura de questionar o que aconteceu e abrir o debate, proporcionado pela geração pos 1974

«Jorge Veiga» >> Depois de cortada, qualquer flor morre, regue-se ou não...



Publicado por Tovi às 08:07
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Sábado, 30 de Maio de 2015
Da Revolução Gorada aos Desafios do Presente

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Pedro Baptista autografando o seu segundo livro de memórias - "Memórias II [1974-2014] - Da Revolução Gorada aos Desafios do Presente" – ontem ao fim da tarde no Átrio da Câmara Municipal do Porto.

A apresentação do segundo livro de memórias deste homem da literatura, da filosofia e da política, esteve a cargo de Rui Moreira (Presidente da autarquia portuense), José Manuel Lopes Cordeiro (Historiador), Rodrigo Sousa e Castro (Coronel do Exercito Português e militar do MFA), Francisco Assis (Deputado Europeu pelo PS) e José Sousa Ribeiro (Editor - Edições Afrontamento). Curiosamente todos os intervenientes na apresentação desta obra referiram ser Pedro Baptista um Homem de convicções, um lutador pela Liberdade.

Já agora: No fim da apresentação deste segundo livro de memórias de Pedro Baptista tive o prazer de manter uma curta mas simpática e interessante conversa com Rodrigo Sousa e Castro, Coronel do Exercito Português e militar do MFA. Relembramos um grande Homem de Abril, o Tenente-Coronel Fischer Lopes Pires, meu comandante no Batalhão de Engenharia 3 em Santa Margarida, um militar que muito contribuiu para a minha formação ideológica na oposição ao Estado Novo.



Publicado por Tovi às 08:12
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Sábado, 25 de Abril de 2015
Onde é que estavam no 25 de Abril de 1974?

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  Relatos de meus Amigos:

Isabel Sousa Braga >> Eu já andava no Garcia, mas só tinha 13 anos, os meus Pais já não me deixaram sair da casa para ir para as aulas com medo. Parece que foi ontem

Pica Miolos >> A preparar-me para ir para a escola, 2ª. classe! Rapazes de um lado, raparigas de outro e o recreio dividido por uma linha imaginária, mais perigosa de transpor que o muro de Berlim...

Elisabete Loureiro >> Não me lembro, era bebé...

José Luis Moreira >> Eu estava em Ilondé (Guiné-Bissau) a preparar-me para mais uma saída em direção ao desconhecido...

Gonçalo Graça Moura >> tinha 8 anos e se queres que te diga lembro-me muito bem do pós-25 (os meses que se seguiram) mas do dia preciso não... depois foi, na perspectiva de uma criança, bem divertido, com a ida às manifestações na praça, as barreiras policiais, um polícia a oferecer uma arma à minha mãe para ela se defender (ela recusou)...

Fernando Duarte >> Eu ? eu andava a assaltar supermercados là para os lados do Largo do Carmo. saio do supermercado, com um caixote cheio de comes e bebes, para dar a quem vocês sabem, e há um velho que não tinha compreendido o porquê do assalto, que me diz: "estiveste 48 anos à espera para fazer isso?" eu respondi que apenas tinha esperado 15. recordo-me de um grande destacamento da GNR, estacionado no Martim Moniz, se calhar à espera de ordens para atarracar os militares do Terreiro do Paço, ordens que nunca vieram, e ainda bem... Entre o que roubei no supermercado, para dar ao militares que estavam no Largo do Carmo, havia um fiambre inteiro. Eu nunca tinha visto aquilo, apenas conhecia as fatias fininhas e quando um soldado sacou do facão que tinha uma lamina de um lado e um corno do outro e começou a cortar bocados e a distribuir com os colegas, deu-me a fome e apeteceu-me pedir-lhe também um bocado, que mais não fosse para saber se o sabor do fiambre grosso seria o mesmo que o das fatias fininhas quase transparentes. também me recordo que o soldado, espetou o " corno" da faca numa lata de ananás ou pêssego e com a lamina cortou a tampa. enfim, graças a mim e outros amigos, pelo menos fizeram a revolução com a barriga cheia. A ideia do supermercado veio depois de uma senhora ter aparecido com uma cafeteira de café

Adao Fernando Batista Bastos >> Trabalhava na Rep. Central de Finanças (Sec. Contr. Predial, Sisa, Sucessório), Gonçalo Cristovão. 9 horas, tudo fechado! Perguntei ao PSP à porta: que se passa? Há qualquer coisa...Passei o resto do dia nos Aliados, corre dum lado para om outro, a viver as noticias que chegavam. Grande dia! Durou uma semana... ou mais!

Raul Vaz Osorio >> Estava em Luanda, aluno do 5º ano dos liceus, no Liceu Nacional de Paulo Dias de Novais. Nos meus 14 (a um mês dos15) anos, era já um espectador atento da política, situação talvez facilitada pela relativa liberdade que se vivia em Luanda, onde a PIDE estava demasiado ocupada com os "terroristas" para ter tempo para dedicar à população. Lembro-me de ouvir no rádio uma notícia sobre "dificuldades de comunicação com Lisboa" e ter telefonado ao meu melhor amigo de então, com quem debatia frequentemente a situação política, dizendo-lhe "Deve ter havido um golpe de estado em Lisboa" ao que ele retorquiu "Estás tolo? Aquela merda está muito bem montada, isso é imaginação tua." Depois, foi a descoberta da liberdade, a emoção, o orgulho... rapidamente manchado por me sentir em poucos meses expulso daquela que eu via como a minha terra, onde perspectivava a minha vida futura. Em Junho estava no Porto para férias, em Setembro ouvi do meu pai que já não ia voltar a Luanda, apenas os meus pais iriam recuperar o que fosse possível. Confesso que houve muita sede partidfária onde descarreguei com violência a frustração que nesse dia nasceu no meu coração. Acima de tudo, digo o que costumo dizer muitas vezes aos meus filhos: tive o raro privilegio de viver numa época revolucionária, uma experiência única, formadora, que não trocava por nada.

José Pedro Martins >> A preparar-me para ir para p colégio Maristas quando os irmaos mais velhos chegam do liceu com a noticia de que há um golpe militar em lisboa. "Mãe eu tambem fico em casa? Fixe não vou ter aulas. Os dias seguintes foram de grande ex citação.

Antonio M Mota >> Na Rua do Almada no Porto e a trabalhar. Recordo-me da entrada das primeiras tropas na Avenida dos Aliados com os polícias a fugirem.

Carlos Lopes da Silva >> Recebi a notícia em Bragança onde dormia na Pousada. Foi de madrugada, já não lembro a hora, em telefonema de Lisboa.

José Camilo >> Jornal A Capital (delegação do Porto) a trabalhar como um camilo...

Maria Helena Costa Ferreira >> Por norma deitava-me tarde e dormia de rádio ligado e normalmente na Renascença... e lembro-me de ter estranhado ouvir nessa estação o Zeca Afonso!!!! No dia seguinte fui trabalhar e fiquei a saber a notícia e nem calculam o que foi esse dia e os seguintes no meu emprego, dado que o meu patrão (um gabinete de estudos, projectos e organização) era comunista assim como quase todos os arquitectos, pintores, escritores que por lá andavam... e que são bem conhecidos... Nessa época não ligava muito a política e o que me chateou foi que tinha tudo combinado com amigos para ir ver as 24 de Le Mans no fim de semana e não pude ir... fecharam as fronteiras!

Jorge Veiga >> Em casa e pronto para sair para a faculdade. Fiquei com o meu pai a ver se davam alguma coisa na rádio e na TV. Bem eu já ia para os 24 anos e meio. Por isso senti as coisas de modo diferente... e acabei por não ser militar e ter feito Serviço Médico à Periferia, Saúde Pública e a Policlínica (estágio) durante 6 anos, porque esteve tudo adiado. Aliás como agora. Estamos adiados!

Joaquim Leal >> Na madrugada de 24 para 25 a ser operado de urgência a uma apêndicite aguda no hospital provincial do Huambo. No período de recobro lembro-me de ver médicos e enfermeiros com as telefonias junto ás orelhas mas muito calmos

Carlos Wehdorn >> como tinha quase 6 anos... estava na escola, no Colégio Universal, na rua da boavista... e não tive aulas de tarde. De resto lembro-me duns tanques e chaimites em manobras de sobe e desce da rua (vivia junto do quartel de Pedro Hispano) e o habitual movimento de helicópteros alouette (via-os a aterrar e levantar nas traseira de minha casa no pátio do quartel)

Conceição Mendes >> Estava em casa grávida de 8 meses, fiquei serena, como não percebia de política na altura não me aqueceu nem arrefeceu, isto é verdade.

Mi Teixeira Pinto >> Eu estava nos meus 17 anos, a sair do Raínha Santa Isabel para entrar Faculdade de Letras...

Irene Costa Marques >> Estava a fazer estágio na Esc. Gomes Teixeira, no Porto. Tinha 30 aninhos... Foi "inacreditável"...

Isabel Moreira Camilo >> Em Aveiro, tinha 14 anos. Não fui às aulas. Lembro-me do movimento dos aviões da base de S. Jacinto, e da televisão sempre ligada a aguardar notícias. Não percebi bem o que se estava a passar. Não sabia o que era um golpe de Estado. Entretanto, os meus pais foram explicando, conforme as notícias íam surgindo. O meu irmão do meio estava em Mocambique, na tropa. O que mais lembro, eram as cartas que me escrevia e que tenho pena de não ter guardado. Dizia que se falava de um senhor, chamado Samora dos Machos, que parecia que tinha uma fábrica de soutiens.

Irene Costa Marques >> Na m/ infância (nasci em 1944), não havia creches e /ou infantários, por isso, passei-a em casa c/ os pais, 2 irmãs e 1 irmão. A instrução primária (como se chamava na altura), fi-la em escolas oficiais: até ao fim da 3ª classe c/ exame, em Leça da Palmeira e a 4ª tb c/ exame no Porto. A seguir, 7 anos no liceu Carolina Michaellis. 1 ano em Coimbra em Germânicas e dp, mudança de curso- Filosofia na F. de Letras da U. Porto. Curso feito, prof. em Ovar, Porto, Gondomar, Leça da Palmeira e Matosinhos. No 25 de Abril, já estava casada, c/ 1 filha (única) de 3 anos. Foi um "delírio", apesar de ter sentido tb algum receio... Fui eleita delegada sindical na esc Gomes Teixeira onde estava a fazer estágio. Os plenários sucediam-se c/ o entusiasmo e alguma imaturidade compreensíveis... Mas o que me encheu verdadeiramente de alegria foi o 1º 1º de maio em Liberdade, na Av. c/ o mesmo nome, no Porto!

Luiz Paiva >> Pois eu tinha esse dia marcado para exame da carta de condução. Estava, como se dizia, a cumprir o serviço militar no Luso, em Angola. Quando cheguei ao quartel (cerca das 9:00) fui informado: há m**** em Lisboa. Eu era, na ZML (Zona Militar Leste), o responsável pelas comunicações duma região do tamanho de Portugal e tinha a classificação militar de acesso até "muito secreto". Recebia diariamente os relatórios da Pide-DGS. Sabia das movimentações (havia um abaixo-assinado de reivindicações e protestos de oficiais do quadro devido às galopantes regalias dos milicianos que, por ex., com muito menos tempo de serviço, se equiparavam ou até ultrapassavam as suas condições - verdadeira razão do 25 de Abril, o golpe das Caldas, etc.). As vias de comunicação para Lisboa estavam cortadas, não havia televisão, a rádio estava muda... O black-out era total. Mesmo o jornal de grande cobertura (A Província de Angola) só noticiou o evento passados 3 dias... Fui à arrecadação de material de transmissões (de que obviamente era eu o responsável) e levei para casa um rádio de ondas curtas, médias e longas de longo alcance, antenas e um adaptador de corrente alterna/contínua, 220/12V. Almocei tranquilamente e fui fazer o tal exame de condução (a minha preocupação agendada para esse dia). Por atraso do inspector do código, fiz primeiro o exame de condução (outros tempos...). Fiquei liberto às 17:30. Fui para casa, montei as antenas (morava num 2º e último andar), liguei o aparelho de rádio. O sinal era fraco, as interferências muitas. Umas vassouras ajudaram a levantar a antena. A Emissora Nacional nada dizia... Mas consegui sintonizar rádios da África do Sul, a rádio Malawi, a rádio Moscovo, a BBC... Foi por estas que soubemos (eu e o resto do prédio ocupado por oficiais milicianos e suas famílias) o que estava a acontecer. No dia 26, todos éramos os mais bem informados de toda a ZML (uma região maior que a França). Fui, depois, indigitado para sessões de esclarecimento junto dos militares e civis para esclarecer o que eram os direitos do Homem, os diferentes regimes, os partidos políticos... Fiz parte da Comissão de Arrolamento de bens da DGS... (Tive oportunidade de verificar que material de transmissões de que estávamos muito necessitados, havia por lá aos montes... Quando, por razões de serviço, tinha tido de me deslocar à DGS, nunca passei do hall de entrada e era atendido num guichet. Quando fui fazer o arrolamento dos bens, o inspector-chefe veio receber-me à porta e insistiu sempre para ir à sua frente: «Faça o favor, Senhor Alferes...» Cheguei a Lisboa a 1974-12-23, mesmo a tempo da consoada. O País era outro, bem diferente do que eu deixei e ainda mais diferente do que eu imaginava...

Albino Mota >> eu estava no Liceu Garcia de Orta, já tinhamos um pouco de educação politica, fui a correr para a rua do Heroismo/pide



Publicado por Tovi às 01:27
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014
Quem é que me f---- o cravo?


«Flórido Tó» no Facebook >> Presumo que os espaços abertos---- correspondam ao que os nossos governantes esperam que lhes façam!!!!!!!!!

«José Costa Pinto» no Facebook >> David Ribeiro, devo ter sido eu. PS: leia o meu último post. Um abraço.

«David Ribeiro» no Facebook >> Li e gostei... e por isso o vou transcrever:
{#emotions_dlg.chat} "NÃO FOI PARA ISTO QUE FIZEMOS O 25 DE ABRIL!"
Perante um filho que se 'porta mal' — seja o que isso queira significar em cada circunstância — certos pais e mães suspiram e exclamam, ainda que às vezes em surdina: "Mas foi para isto que eu fiz um filho?"
Esquecem, é claro, que um filho não é um 'para quê', mas um ser autónomo e livre, com a sua própria trajectória.
Gentes: não foi para 'nada' que se fez o 25 de Abril. Quem o fez, estava mal, ou achou que podia estar melhor, ou estava simplesmente carregado de amor pelo próximo, ou porque sim. E fê-lo porque podia. Ponto final.
É tempo de acabar com o moralismo paternalista e metafisicamente bacoco de certos discursos. Como se fossem nossos paizinhos e nós, os hoje vivos, uns fedelhos irresponsáveis que é preciso trazer de volta à escola pelas orelhas.
Eu estava lá e já não sei quem eu era então. Que arrogância a minha se quisesse impor o que era então aos que são hoje. Se têm algo a propor, proponham-no, porra! Mas parem de vez com esta cantilena acusatória.
Como se os filhos tivessem de justificar as opções dos pais! Não têm. Quanto muito, são os pais que têm de justificar o que fizeram aos seus filhos.
"Olha lá, pai, porque carga de água destruíste a economia do país em 1974?" Que tal? Agrada-vos a questão assim reformulada?

«Albertino Amaral» no Facebook >> David Ribeiro, está pois encontrada a resposta para quem lhe "partiu" o cravo… Foi o próprio 25 de Abril…

«Jorge Saraiva» no Facebook >> Apenas achei desenquadrada a questão reformulada, desvaloriza o que anteriormente está (muito bem) dito.

«David Ribeiro» no Facebook >> Já agora vou aqui colocar um pequeno texto que o meu amigo Pedro Baptista escreveu há poucos dias:

{#emotions_dlg.chat} A prova de que não houve revolução nenhuma em 74 ou 75 é a situação em que estamos. O que houve foi o fim do putrefacto regime anterior, derrubado pela sua própria tropa, e com isso o fim do fascismo e do colonialismo como era reclamado pelo espaço europeu para a integração europeia. Em seguida o que houve foi luta partidária pelo poder e profunda agitação social durante ano e meio. Nesse período surgiram inúmero revolucionários que nunca tinham sido vistos antes e o próprio povo português, com as costas quentes pela tropa, tornou-se insubmisso e afirmativos dos seus direitos. Mas foi por pouco tempo. Pouco depois, cansado, adormeceu e desistiu sem perceber nem querer perceber que os protetores eram provisórios e que os direitos como a liberdade não se conquistam à sombra de ninguém.

«Joaquim Leal» no Facebook >> Liberdade e pouco mais. 40 anos deitados á rua. pqp

«Jorge Saraiva» no Facebook >> A liberdade é basilar e fundamental

«Jorge Veiga» no Facebook >> Pois eu vivi bem o 25/4 aos 25 anos. Já não era uma criança. E hoje já não penso da mesma maneira, nem poderia pensar, porque envelheci e o pensamento amadurece e altera-se, a não ser para alguns cristalizados no tempo.

«Joaquim Leal» no Facebook >> Ao longo destes 40 anos tivemos todas as oportunidades de nos tornarmos um país próspero, um país justo, enfim, um país decente. Olho agora á minha volta e só vejo incompetência, gatunice. Perdi quase 50 anos de vida para isto, porra.

«Jorge Veiga» no Facebook >> Joaquim Leal há muitos que pensam o mesmo, eu incluido. Por isso o que disse atrás...

«Joaquim Leal» no Facebook >> Pois, eu percebi

«Jorge Veiga» no Facebook >>  e 20 anos chegava, para alterar o País. Os outros 20 onde param? No bolso de alguns mui democráticos que por aí grassam e até nos insultam...

«David Ribeiro» no Facebook >> Fizemos tudo bem no dia 25 de Abril de 1974 e eu até estava lá de arma na mão... mas depois os dias seguintes não foram os que deveriam ter sido e a culpa é de todos nós.

«Jorge Veiga» no Facebook >> É David Ribeiro, o que estragou o dia 25/4 foi o dia 26...

«Joaquim Leal» no Facebook >> Hoje questiono-me se teria valido mesmo a pena outro 25, o de Novembro. Não excluo até se não teria sido uma boa ideia as "matinés" que Otelo pretendia promover para o Campo Pequeno.

«Luiz da Cunha» no Facebook >> Totalmente de acordo... estive a lêr umas coisas e vi que o lugar dos cravos é nos vasos... canos de G3 servem para "outras coisas"... David Ribeiro

«Joaquim Leal» no Facebook >> Hoje questiono-me se teria valido mesmo a pena outro 25, o de Novembro. Não excluo até se não teria sido uma boa ideia as "matinés" que Otelo pretendia promover para o Campo Pequeno.

«Luiz da Cunha» no Facebook >> Totalmente de acordo... estive a lêr umas coisas e vi que o lugar dos cravos é nos vasos... canos de G3 servem para "outras coisas"... David Ribeiro

«José Costa Pinto» no Facebook >> É. Deviam-se ter matado uns gajos. Adoro a ideia. Sou todo a favor. Clap, clap, clap.

«Joaquim Leal» no Facebook >> eh eh eh

«Henrique Camões» no Facebook >> Subscrevo a opinião do José Costa Pinto, também estive lá... e nos tempos que o seguiram (com excepção do que passei em Angola), somos nós de facto, que devemos justificação.

«Loja Do Pecado Guimaraes» no Facebook >> No mínimo serve para o tratares e manter a esperança



Publicado por Tovi às 08:00
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014
Quatro décadas após o 25 de Abril

Disse José Pacheco Pereira na entrevista que concedeu ao Expresso para a revista “25 de Abril, 40 anos - 12Abr2014 – volume 1”:
{#emotions_dlg.chat} “A única coisa que pode salvar o sistema político-partidário é aplicar o modelo Rui Moreira aos partidos. Ou as pessoas que restam no PS e no PSD que ainda têm prestígio nacional – o Rui Rio, o António Costa, pessoas que exerceram ou exercem cargos públicos e que não estão de mal com a opinião pública – criam um entendimento entre si, à margem dos partidos, e ganham uma grande mobilização, ou então o sistema político-partidário não tem saída.”


«Albertino Amaral» no Facebook >> José Pacheco Pereira, subiu de elevador na minha consideração...

«Marina Rodrigues» no Facebook >> depois de ouvir isto - "O problema é deles", diz Assunção Esteves sobre exigência da Associação 25 de Abril -, ao estado a que isto chegou, já perdi a esperança, agora só com uma nova revolução e a casa varrida. estaria a sra à porta dalgum tasco a falar dos zés dos tremoços?? ou estaria a referir-se aos Capitães de Abril, heróis nacionais? é de pasmar. o problema é nosso que pagamos os vencimentos a esta gente, isto está pior que no tempo do lapiz azul, então agora haviam de entrar mudos e sair calados? para isso já lá estão muitos espantalhos ...depois queixem-se do ''fortalecimento dos extremismos'' como o Pacheco Pereira escreve.  É a tendência geral observada na Europa após as pessoas se deixarem de identificar com os seus representantes políticos



Publicado por Tovi às 09:15
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014
Fischer Lopes Pires

Página 37 da edição de Março da revista "Visão História" que só hoje comprei. Um exemplar a guardar nas estantes da minha biblioteca.



Publicado por Tovi às 10:13
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