"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
Já soam os tambores de guerra na Europa

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Estão reunidos em Madrid os líderes da NATO, a maior aliança de defesa do mundo. A reunião de alto risco de 28 a 30 de junho ocorre num momento de maior tensão global, com origem na invasão russa da Ucrânia. 

 

  Artigo de Priyanka Shankar publicado na Al Jazeera em 27jun2022 
Cinco coisas que devemos saber sobre as prioridades de defesa e segurança dos países, não apenas do Ocidente, mas também de todo o mundo.
1. O que está acontecendo e por que é importante - Na reunião do ano passado em Bruxelas, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, destacou que o relacionamento da aliança com a Rússia estava no seu “ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria”. (...) 
2. Esperava-se que a adesão à NATO da Suécia e da Finlândia fosse rápida. Isto ainda se mantém? - A cereja no topo do bolo da reunião deste ano será a candidatura da Finlândia e da Suécia à NATO. (...) 
3. A Ucrânia algum dia se juntará à NATO? - O Kremlin há muito critica o alargamento da NATO na Europa Oriental. (...) 
4. Reforço das despesas de defesa - Um dos maiores debates entre os aliados da NATO é quanto cada país gasta em defesa. (...) 
5. China na agenda? - Na reunião da NATO no ano passado, Stoltenberg destacou que “a China estava a aproximar-se da aliança” e disse que era importante para a NATO desenvolver uma posição clara e unida em relação a Pequim. (...) 

 

  Ao fim da tarde de ontem [28jun2022] soubemos que a Turquia assinou memorando de entendimento para a adesão de Suécia e Finlândia à NATO.
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A situação no Leste da Europa vai sofre inevitavelmente alterações político-militares com a adesão à NATO destes dois países nórdicos. Os próximos dias vão ser muito importantes para o rufar dos tambores de guerra. E já agora: Quer se goste quer não se goste a verdade é que Erdogan é um grande político e mais uma vez lá levou a água ao seu moinho.

 

  Ucrânia pode já não recuperar todo o seu território - CNN 28jun2022
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As autoridades na Casa Branca começam a perder a confiança de que a Ucrânia será capaz de recuperar todo o território que perdeu para a Rússia nos últimos quatro meses de guerra, mesmo com o armamento mais pesado e sofisticado que os EUA e os seus aliados pretendem enviar. Conselheiros do presidente Joe Biden começaram a debater internamente como e se o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria mudar a sua definição de “vitória” ucraniana - adaptando-se à possibilidade de o seu país ter encolhido de forma irreversível.

 

  Ao 126.º dia do conflito é assim que estamos
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Um ataque com mísseis russos matou três pessoas e feriu cinco na cidade portuária de Mykolaiv na manhã de quarta-feira, disseram autoridades locais, um dia depois dos ataques que mataram três pessoas, incluindo uma menina de seis anos, nas proximidades de Ochakiv. 
Existe uma possibilidade real de que o míssil russo que atingiu um shopping-center lotado em Kremenchuk e matou pelo menos 18 pessoas, tenha sido destinado a um alvo próximo, disse o Ministério da Defesa britânico. 
Autoridades pró-russas na região ocupada de Kherson, na Ucrânia, disseram que as suas forças de segurança prenderam o prefeito da cidade, Ihor Kolykhayev, na terça-feira, depois de ele se ter recusado a seguir as ordens de Moscovo, enquanto uma autoridade local de Kherson disse que o prefeito foi sequestrado. 
Um referendo para a região de Donetsk, maioritariamente ocupada, a ser absorvida pela Rússia será realizado em 11 de setembro, disse o assessor do prefeito de Mariupol. 

 

  
António-Costa-2.jpgNa chegada à Cimeira da NATO, que se realiza em Madrid, o primeiro-ministro António Costa frisou a importância de “construir a paz e garantir uma paz duradoura nesta região euro atlântica, em especial na Europa”. Aos jornalistas e quando questionado sobre o reforço das forças de elevada prontidão anunciado por Jens Stoltenberg - que passarão de 40 mil para 300 mil - António Costa não se alongou com datas nem números concretos sobre o papel de Portugal, mas defendeu que o país irá participar “da forma adequada”“Temos incrementado a nossa participação nas forças especiais, nomeadamente na NATO. Participaremos da forma adequada àquilo que são as nossas circunstâncias”, disse. O primeiro-ministro admitiu que Portugal não pode “objetivamente comprometer” com uma data para atingir a meta de 2% do PIB destinados à Defesa, sublinhando que o país só assume “compromissos que pode cumprir”. "Nós assumimos compromissos que sabemos que podemos cumprir. (...) De uma forma séria, não podemos objetivamente comprometer-nos com uma data [para atingir os 2% do PIB destinados à Defesa], atenta a situação de incerteza que a economia global está a viver, com um enorme crescimento da inflação, com uma pressão sobre as taxas de juros, e a grande determinação que temos de uma forte redução da nossa dívida pública", justificou António Costa.

 

  Forças da NATO no leste europeu
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  NATO - Novo Conceito de Estratégia (em pdf) 
Captura de ecrã 2022-06-29 171542.jpgA NATO aprovou esta quarta-feira o novo conceito de estratégia para a próxima década. Um viragem naquilo que tem vindo a ser feito, e que confirma muitas novidades, grande parte delas impulsionadas pela invasão russa da Ucrânia. Num clima constante de tensão desde 24 de fevereiro, os 30 países-membros decidiram redefinir a relação que têm com a Rússia, que passa de um "parceiro estratégico" à "mais significativa e direta ameaça aos aliados", esquecendo todo um caminho que tinha sido iniciado em Lisboa, em 2010, e com o qual a Rússia decidiu romper este ano. Nesse ano, abriu-se caminho para uma aproximação entre NATO e Rússia, sendo que o presidente da altura, Dmitry Medvedev, chegou mesmo a participar no evento que decorreu na capital portuguesa. 




Domingo, 12 de Junho de 2022
Traidor ou herói?... e os "mercenários" quem são?

Este artigo de Tim Lister e Sanyo Fylyppov, ambos da CNN - Traidor ou herói? É difícil para a Ucrânia identificar os colaboradores russos -, merece uma leitura... leitura calma, atenta, sem "clubites" exacerbadas. É que em todos os conflitos há sempre os "Gauleiters".
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Está em andamento um ajuste de contas na Ucrânia, com os procuradores a trabalhar em dezenas de casos contra ucranianos acusados ​​de colaborar com as forças russas. O Ministério do Interior diz que já existem mais de 500 casos sob investigação. Do presidente Volodymyr Zelensky para baixo, as autoridades ucranianas reservaram uma aversão especial a supostos colaboradores, ou “Gauleiters”, como são frequentemente apelidados. O termo Gauleiters era usado para os funcionários distritais na Alemanha nazi. Artigo completo aqui

 

  Prisioneiros de guerra
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Um tribunal da região separatista de Donetsk, controlada por rebeldes apoiados pela Rússia, emitiu sentenças de morte para dois cidadãos britânicos e um marroquino, que foram capturados enquanto lutavam pelo exército ucraniano contra as forças russas e que foram identificados como "mercenários". O veredicto de quinta-feira [9jun2022] do Supremo Tribunal da autoproclamada República Popular de Donetsk (DPR), marca a primeira condenação de combatentes estrangeiros desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.
Um governador ucraniano disse na sexta-feira [10jun2022] que o seu país realizou a 11.ª troca de prisioneiros com a Rússia desde fevereiro, trocando quatro russos por cinco ucranianos. O governador da região de Mykolaiv, Vitaliy Kim, escreveu no Telegram que um dos ucranianos libertados era o chefe da vila local Oleh Pylypenko, que Kim disse ter sido “sequestrado” pelas forças russas em 10 de março.
A família do britânico Shaun Pinner, condenado à morte por um tribunal separatista em Donbas, disse estar devastada com a notícia e pediu que ele fosse trocado ou libertado. “Em primeiro lugar, toda a nossa família está devastada e entristecida com o resultado do julgamento ilegal da chamada República Popular de Donetsk”, disse a família em comunicado. “Shaun deve receber todos os direitos de um prisioneiro de guerra de acordo com a Convenção de Genebra e incluindo representação legal independente completa. Esperamos sinceramente que todas as partes cooperem com urgência para garantir a libertação ou troca segura de Shaun”.


600.jpgLendo o artigo de Mansur Mirovalev (correspondente e produtor de televisão baseado em Kiev que trabalhou com a AP, Al-Jazeera, BBC, CNN, Los Angeles Times, National Geographic, The New York Times, RFE/RL e Vice News, entre outros) publicado na Al Jazeera em 10jun2022, também eu estou convencido que, apesar de ter havido uma sentença de morte, não haverá uma execução. Ora vejamos: 
I) Os cidadãos britânicos Aiden Aslin, de 28 anos, e Shaun Pinner, de 46, mais o marroquino Brahim Saadoun, de 21 anos, lutaram pelo exército ucraniano entre milhares de outros estrangeiros que se inscreveram para combater a invasão russa. 
II) Os três foram capturados por separatistas pró-Rússia e acusados ​​de tentar “tomar o poder” e “treinar para conduzir atividades terroristas”, segundo os “promotores” separatistas. 
III) O “Supremo Tribunal” de Donetsk considerou-os “mercenários” no que parece ser um esforço legal para colocá-los fora do âmbito das Convenções de Genebra. 
IV) As Convenções concedem aos prisioneiros de guerra imunidade de processo por ações militares consideradas lícitas. 
V) O tribunal aprovou a sentença de morte na quinta-feira [9jun2022] de acordo com a constituição da era estalinista que os separatistas “restauraram” no seu estado totalitário. 
VI) Os três enfrentam a morte por fuzilamento, mas podem recorrer da sentença dentro de um mês, disse o juiz separatista Alexander Nikulin, segundo a agência de notícias Donetsk, administrada pelos rebeldes. 
VII) Mas os separatistas não ousarão executar os três, como afirmou Kozlovsky, que foi capturado em 2016 pela sua postura pró-ucraniana e sobreviveu a meses de tortura e ameaças de morte até ser trocado e levado para Kiev em 2018. “Eles não vão correr o risco de executá-los. Tivemos casos semelhantes quando as pessoas foram condenadas à pena capital e foram trocadas”, disse o professor de 68 anos que lecionava estudos religiosos na Universidade Estadual de Donetsk. A sentença “foi a decisão de Moscovo de aumentar o preço, assustar o Ocidente”, disse Kozlovsky. 
VIII) Nas fotos e vídeos divulgados pela mídia separatista e russa, os três pareciam abatidos, pálidos e exaustos. 
IX) Todos se declararam culpados porque foram torturados, segundo Kozlovsky, que relembrou a sua própria experiência. 
X) Mas os separatistas e seus apoiantes do Kremlin não precisam que o julgamento termine com a morte dos três. Eles visam um prémio político muito maior. A “República Popular de Donetsk” dos separatistas, conhecida na Ucrânia como DNR, e seu irmão menor na vizinha Luhansk, conhecido como LNR, estão desesperados por reconhecimento. Mesmo a Rússia, cujo apoio militar, político e financeiro os criou em 2014 e os manteve à tona por oito anos, reconheceu sua independência apenas em 22 de fevereiro, dois dias antes do início da guerra. 
XI) A sentença forçará Londres a iniciar negociações diretas com Donetsk, dando aos rebeldes pelo menos um verniz de legitimidade. "A Rússia, é claro, lavará as mãos dizendo que os chamados 'LNR' e 'DNR' são estados independentes", forçando o governo do Reino Unido a lidar diretamente com Donetsk. "Os julgamentos estão sendo realizados com base na legislação da República Popular de Donetsk, porque os crimes em questão foram cometidos no território da RPD", disse Sergey Lavrov, citado pela mídia russa nesta quinta-feira [9jun2022]. 
XII) As negociações não envolverão apenas uma nação europeia – mas um dos maiores apoiantes internacionais da Ucrânia, o Reino Unido. Após mais de três meses de guerra, Londres estabeleceu laços sem precedentes com Kiev. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, prometeu transferências de armas, visitou a capital ucraniana em abril e tornou-se o primeiro líder ocidental a discursar na Verkhovna Rada, a câmara baixa do parlamento ucraniano, após o início da guerra. Não limitada pelas políticas energéticas da União Europeia e quase independente do fornecimento de energia russo, Londres tornou-se uma das maiores críticas de Moscovo – tornando Johnson o bicho-papão favorito da mídia controlada pelo Kremlin. 



Publicado por Tovi às 07:30
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Domingo, 29 de Maio de 2022
Um retrato raro e mais realista do conflito

 O Washington Post faz uma abordagem equilibrada de uma realidade que normalmente nos é ocultada - Ver notícia completa aqui.
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Presos nas suas trincheiras, os voluntários ucranianos viviam de uma batata por dia enquanto as forças russas os bombardeavam com artilharia e mísseis Grad numa importante linha da frente oriental. Em menor número, destreinados e unicamente com armas ligeiras, os homens rezaram para que a barragem terminasse – e para que seus próprios tanques parassem de atacar os russos. “Eles [russos] já sabem onde estamos e quando o tanque ucraniano atira do nosso lado entrega nossa posição”, disse Serhi Lapko, comandante da companhia, relembrando a recente batalha. “E eles começam a atirar de volta com tudo – grads e morteiros. “E nós apenas rezamos para sobreviver.” Os líderes ucranianos projetaram e nutriram uma imagem pública de invulnerabilidade militar – de suas forças voluntárias e profissionais enfrentando triunfantemente o ataque russo. Vídeos de ataques a tanques ou posições russos são postados diariamente nas redes sociais. Artistas estão criando cartazes patrióticos, outdoors e t-shirts. O serviço postal chegou a lançar selos comemorativos do naufrágio de um navio de guerra russo no Mar Negro. As forças ucranianas conseguiram frustrar os esforços russos para capturar Kiev e Kharkiv e conquistaram vitórias no campo de batalha no leste. Mas a experiência de Lapko e seu grupo de voluntários oferece um retrato raro e mais realista do conflito e da luta da Ucrânia para deter o avanço russo em partes de Donbas. A Ucrânia, como a Rússia, forneceu poucas informações sobre mortes, ferimentos ou perdas de equipamento militar. Mas depois de três meses de guerra, esta companhia de 120 homens caiu para 54 por causa de mortes, ferimentos e deserções.

 

  Al Jazeera, 28mai2022
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O correspondente da Al Jazeera, Zein Basravi, em reportagem de Kiev, diz que o plano da Rússia de reposicionar as suas forças no leste e sul da Ucrânia parece estar funcionando, tendo em conta o facto das unidades militares russas terem assumido o controle total da cidade de Lyman. “Lyman… não é um lugar muito grande. É uma vila, cerca de 20.000 pessoas no total viviam lá antes da invasão… mas representa uma localização estratégica”, acrescentou Basravi. “Se Lyman, como dizem os russos, caiu no seu controle total, então o que eles poderão fazer é usar Lyman como base para avançar mais ao sul e ao leste para cercar as tropas que estão atualmente lutando por Severodonetsk, potencialmente isolando mais de 8.000 ucranianos e forçando uma retirada tática.”

 


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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse ontem [28mai2022] que a situação no leste da Ucrânia é "muito difícil" e que já há combates em plena cidade de Severodonetsk. E continua à espera de “boas notícias” sobre entregas de armas pelos seus aliados. Na noite deste sábado, na sua comunicação habitual à nação ucraniana, o chefe de Estado ucraniano disse também que não acreditava que todas as regiões anexadas pela Rússia desde 2014, incluindo a Crimeia, pudessem ser reconquistadas militarmente.
A batalha pela principal cidade do leste ucraniano, Severodonetsk, está a ser travada neste domingo [29mai2022], com forças russas a realizarem operações de assalto que levaram a combates de rua com os defensores ucranianos. Não é no entanto claro se Severodonetsk – o foco de semanas de combates ferozes – foi cercada e se tropas do governo ucraniano repeliram soldados russos durante combates de curta distância. Autoridades regionais relataram que as forças russas estavam “invadindo” esta estratégica cidade oriental.
  Severodonetsk é uma cidade da Ucrânia, situada no Oblast de Luhansk. Tem 50 km² de área e sua população em 2020 foi estimada em 102.396 habitantes [comparando... no Censos2021 o Município de Viseu tinha 99.274 habitantes]. Seu nome vem do rio Seversky Donets. É uma das cidades ucranianas de maioria russa. Desde a conquista da cidade de Lugansk pelos seperatistas pró-russos em maio de 2014, Severodonetsk serviu como capital do Oblast de Lugansk. Em 22 de julho de 2014, as forças ucranianas retomaram o controle da cidade.

 


1024.jpgO Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse neste domingo [29mai2022] que tinha despedido o chefe dos serviços de segurança de Kharkiv por "não trabalhar na defesa da cidade" desde o início da invasão russa. "Vim, descobri e despedi o chefe dos Serviços de Segurança da Ucrânia da região (Kharkiv) pelo facto de não ter trabalhado na defesa da cidade desde os primeiros dias da guerra em grande escala, mas apenas pensava em si próprio", disse Zelensky no seu discurso nacional diário, depois de visitar pela primeira vez desde a invasão russa o leste do país, em plena guerra. Zelensky afirmou também que toda a infraestrutura crítica de Severodonetsk, onde pelo menos 1.500 pessoas foram mortas esta sexta-feira, foi destruída no decurso da invasão russa. "Tomar esta cidade é, agora, o principal objetivo da Rússia". A visita marca a primeira aparição oficial do presidente ucraniano fora da região de Kharkiv desde o início da invasão russa da Ucrânia em grande escala. Entretanto, funcionários regionais ucranianos relataram que as forças russas estavam a "invadir" a cidade oriental de Severodonetsk.

 


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Adoraria estar completamente errado, mas as últimas notícias da situação na Ucrânia levam-me a acreditar que estamos perante a mais que provável queda do Donbas nas mãos das tropas de Putin. Disse-o na altura que a rendição das tropas ucranianas refugiadas nas instalações siderúrgicas de Azovstal, onde também se encontrava grande parte do Batalhão Azov, era o início do fim para as aspirações de Volodymyr Zelensky em “correr” com o invasor. E agora, como também já venho dizendo, há que sentar à mesa das negociações e conseguir uma paz minimamente “honrosa” para ambas as partes. Henry Kissinger é uma puta velha da política internacional (pardon my french) e estava com carradas de razão quando no Fórum Económico Mundial de Davos defendeu a urgência da paz, antes que se criem "tensões e dificuldades que depois serão mais difíceis de ultrapassar". 


Raul Vaz Osorio - David, está enganado. O que se passa no Donbass é que os russos perceberam que, em combates de proximidade, os ucranianos lhes arreiam forte e feio. Por isso, optaram por combate de artilharia a 40km de distância, em tapete, como fizeram em Mariupol. Isto porque a Ucrânia não tem armamento para combate a essa distância. Por isso é que os ucranianos têm sido tão insistentes nos pedidos de lança rockets americanos, que lhes dariam a capacidade para esse combate em profundidade. Só que os americanos sabem que isso daria à Ucrânia a capacidade para atacar território russo e têm medo das consequências, pelo que se estão a cortar. Se os ucranianos conseguirem ultrapassar os receios americanos, a situação pode virar muito rapidamente. Se não, estão em desvantagem, mas os russos só vão conquistar ruínas. Portanto, sim, neste momento a Ucrânia está em desvantagem, mas isso nada tem a ver com o regimento Azov. 
David Ribeiro - Meu caro Raul Vaz Osorio... aos russos é indiferente se o Donbas é só ruinas ou não. Depois das tropas de Putin não terem conseguido colocar em Kiev um governo fantoche só lhes resta o leste e sul da Ucrânia e, acredito eu, não vão ter contemplações. Quanto à ajuda militar aos ucranianos por parte dos EUA ou de UE, a existir, temo que já venha tarde, pelo que seria interessante, no meu entender, que ambos os beligerantes se sentassem à mesa das conversações. De qualquer forma não se vê grande "salvação" para o Donbass, que irá ter o mesmo fim da Crimeia. 
Raul Vaz Osorio - David Ribeiro tudo isso será verdade, apenas disse que não tinha a ver com o regimento Azov, mas sim com armamento. 

David Ribeiro - ... mas o "Regimento Azov", pelo qual não tenho nenhuma simpatia, dá muito jeito à propaganda russa. 



Publicado por Tovi às 07:42
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Sábado, 21 de Maio de 2022
António Costa em visita à Polónia e Ucrânia

 António Costa na Polónia
Captura de ecrã 2022-05-20 204843.jpgO primeiro-ministro António Costa confirmou ontem, após reunir-se com o seu homólogo polaco, Mateusz Morawiecki, em Varsóvia, que Portugal está a discutir com vários governos a possibilidade de usar o porto de Sines como plataforma de distribuição de gás, transferindo-o de navios maiores para embarcações mais pequenas, capazes de operar nos mares Báltico e do Norte. Mateusz Morawiecki, por seu lado, revelou que a Polónia está interessada em cooperar com Portugal num eventual transporte de gás natural liquefeito (GNL), referindo que o seu país está a tornar-se num eixo para o gás e, portanto, "se pudermos obter gás adicional [...] estaríamos muito interessados neste tipo de cooperação com Portugal", concluiu Morawiecki.
Para além das questões energéticas, António Costa, deixou a garantia de que Portugal vai reforçar o apoio material à Polónia no esforço que este país está a fazer no acolhimento aos refugiados ucranianos, num valor “até ao montante máximo” de 50 milhões de euros, traduzidos no envio de “casas pré-fabricadas, casas modelares, produtos farmacêuticos e bens alimentares, roupa e calçado”, entre outros, voltando a referir que o país continua disponível para colaborar com as autoridades polacas na partilha do esforço de acolhimento dos refugiados ucranianos. Após o encontro com o seu homólogo polaco, António Costa deslocou-se ao Estádio Nacional de Varsóvia, onde está instalado o maior centro de acolhimento a refugiados da guerra na Ucrânia, reiterando a promessa de solidariedade de Portugal no processo de acolhimento, instalação e encaminhamento.

 

  António Costa em Irpin
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O primeiro-ministro dirigiu-se até Irpin, uma das zonas mais afectada pela guerra que fica a cerca de 20 quilómetros da capital ucraniana. “Ver ao vivo é algo absolutamente devastador pela brutalidade do ataque, a forma cruel como os carros foram metralhados com pessoas lá dentro”, disse Costa em Irpin. “É muito duro ver”, diz o primeiro-ministro em visita à cidade que esteve tomada pelos russos. “A guerra é sempre dramática, mas quando é entre militares são as regras do jogo. Quando é sobre civis, as suas habitações e viaturas quando estavam a fugir, já não é uma guerra normal, já estamos a falar de algo absolutamente criminoso que visa a pura destruição da vida das pessoas e do futuro de um país”. Antes de terminar a breve visita a Irpin, o primeiro-ministro disse, em relação aos crimes de guerra, que “é fundamental que a investigação prossiga” e que os “responsáveis devem ser levados perante a justiça e punidos”.

 

  António Costa em Kiev
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O primeiro-ministro português esteve hoje reunido com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro António Costa revelou que propôs o apoio de Portugal na reconstrução de escolas na Ucrânia. “Estamos disponíveis para patrocinar uma zona geográfica ou a reconstrução de escolas e jardins de infância”. A discussão continuará agora em reuniões com o governo, disse Costa que apontou com vantagem nacional no apoio à reconstrução de escolas a experiência na reconstrução destas infraestruturas em Portugal pela Parque Escolar. No início da declaração que fez no palácio presidencial, Costa disse ter sido “com grande emoção” que teve a “oportunidade de ser recebido pelo presidente Zelensky. “Um líder que inspira o mundo e nos tem dado a todos grande exemplo de coragem, personalizando notável resistência contra agressão ilegal e forma bárbara como a Rússia tem conduzido a guerra em território ucraniano”.  Nesta conferência de imprensa depois da reunião com António Costa, o presidente ucraniano afirmou que “Portugal nesta luta está do lado justo da história”.

 

  Adesão da Ucrânia à União Europeia 
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O primeiro-ministro português elogiou a resistência do povo ucraniano: “Persistência, determinação e coragem não lhes falta. Se têm tido para esta guerra, não há de faltar para desafios muito mais fáceis como a adesão europeia”, disse afirmando que a UE é “o destino” da Ucrânia, mas frisou: “Os processos de adesão são altamente complexos, incertos e difíceis. O nosso levou 9 anos”. Zelensky responder depois: “Compreendo que muitos países esperaram muitos anos para chegar a ser candidatos e depois membros. Mas é incorreto comparar a Ucrânia com esses países que passaram esse caminho em paz. Nós, em guerra, não estamos só a perder o tempo, mas também pessoas, vidas humanas, por isso agradeço quem apoia a nossa candidatura”. 

 

  Al Jazeera - 15h26 (TMG) de 21mai2022
Portugal PM Costa visits Ukraine, meets Zelenskyy
Portugal’s Prime Minister Antonio Costa says he supports Ukraine’s European Union accession bid. Speaking alongside Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy during a visit to Kyiv, Costa backed Ukraine’s EU ambitions saying “the worst thing the European Union could do to Ukraine would be to divide itself now over any decision regarding the future.” Costa reaffirmed Portugal’s commitment to the reconstruction of Ukraine stating it should be a priority in the next European Councils to find a collective response on how to rebuild the war-torn country. “We must be together, because it is together that we can build our Europe,” Costa said.

 

  
transferir.jpgAntónio Costa entregou a insígnia da Ordem da Liberdade a um funcionário diplomático na embaixada portuguesa em Kiev. Trata-se de Andrei Putilovskiy que ajudou dezenas de portugueses e luso-ucranianos a abandonar o país. O funcionário da Embaixada recebeu a insígnia da Ordem da Liberdade por ter permanecido em Kiev, disponível no apoio aos portugueses, luso-ucranianos e ucranianos que procuravam sair do país e chegar a Portugal. "Prestar esse auxílio em tempo de guerra exige, muitas vezes, gestos excecionais de bravura e coragem como aqueles de que deu prova. Estão-lhe gratos, seguramente, todos aqueles que pode salvar", afirmou António Costa. 

 

  Público e JN de 22mai2022
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Publicado por Tovi às 08:35
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Domingo, 17 de Abril de 2022
53.º dia da invasão russa da Ucrânia

  Foi há oito anos que eu publiquei isto na minha página do Facebook... coisas do caraças, não acham?
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  Jorge LiraTalvez seja útil dizer que estes dois se conhecem desde os anos 70, quando ele era delegado do KGB em Dresden e ela já 'mexia' na política na antiga RDA. O grau de envolvimento dos dois está por estudar mas há indícios muito curiosos.

 

  Vira o disco e toca o mesmo… e na Ucrânia, para desgraça do seu Povo, continua tudo na mesma e a caminho de piores dias.
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  Zelensky classifica a situação de Mariupol como “muito difícil” e diz mesmo que “a eliminação dos soldados ucranianos pode pôr fim às negociações”. Em resposta, a Rússia fez um ultimato: ou os soldados ucranianos baixam as armas e se rendem em Mariupol ou morrem. Abramovich viajou para Kiev para retomar as negociações, mas os russos continuam a atacar quem apoia a Ucrânia, com foco no Reino Unido. Boris Johnson e 12 outras personalidades políticas britânicas - incluindo Theresa May - estão proibidos de entrar em território russo.

 

  
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A Rússia está preocupada com o aumento da atividade das forças da NATO no Ártico e vê riscos de "incidentes não intencionais" ocorrerem na região, disse a agência de notícias TASS neste domingo, citando o embaixador russo Nikolai Korchunov. Um dos conselheiros próximo do presidente russo, Vladimir Putin, alertou a NATO na quinta-feira que, se a Suécia e a Finlândia se juntarem à Aliança Atlântica, a Rússia implantará armas nucleares e mísseis hipersónicos num seu enclave europeu. (Reuters, 17abr2022)

 

  Da série "Sanções e contra-sanções"
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Publicado por Tovi às 07:23
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2022
Segundo dia da Guerra na Ucrânia

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  Os números do dia de ontem
- O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, atualizou o número de vitimas ucranianas no primeiro dia de confrontos em pelo menos 137 mortos e 316 feridos. Cem mil pessoas abandonaram as casas na Ucrânia.
- Rússia confirma que destruiu 83 instalações militares. A Rússia é segunda maior potência militar e nuclear do mundo, logo a seguir aos Estados Unidos. Nesta lista, a Ucrânia só aparece no 22.º lugar e as diferenças estão muitas claras.
- Mais de 1700 pessoas foram detidas durante protestos contra a guerra em dezenas de cidades da Rússia. Mais de 900 foram presas em Moscovo e mais de 400 em São Petersburgo.

 

  02h33 de 25fev2022Anton Gerashchenko, assessor do ministro do Interior da Ucrânia, confirmou que começou um ataque a Kiev. “Os ataques a Kiev por mísseis de cruzeiro ou balísticos continuaram. Ouvi duas explosões poderosas agora”.

  03h07 de 25fev2022Um conselheiro do Ministério do Interior ucraniano disse que um avião russo foi abatido sobre o distrito de Darnytskyi, em Kiev. Anton Gerashchenko explicou que o jato caiu perto de um prédio. Relatos locais dizem que um prédio residencial de nove andares estava a arder. O autarca de de Kiev, Vitali Klitschko, escreveu, no Twitter, que pelo menos três pessoas ficaram feridas, uma das quais estava em estado crítico, "como resultado da fragmentação de um foguete".

  08h50 de 25fev2022 - Os combates entre forças russas e ucranianas estão a intensificar-se perto da capital da Ucrânia, com a vice-ministra da Defesa da Ucrânia a admitir o avanço das tropas inimigas nas imediações de Kiev. Exército ucraniano deu conta de combates com unidades blindadas russas em Dymer e Ivankiv, a 45 e 80 quilómetros a norte da capital, garantindo que destruíram dois tanques e que o avanço das "forças inimigas superiores foi travado na margem do rio Teterov. A ponte sobre o rio foi destruída".

  09h21 de 25fev2022Foram ouvidos tiroteios numa zona próxima da sede do governo da Ucrânia, em Kiev, avança a Associated Press. O Ministério da Defesa ucraniano já tinha confirmado que as tropas russas estavam numa zona residencial de Kiev e um conselheiro de Zelensky, que permanece na capital ucraniana, admitiu que é esperada a invasão russa de Kiev esta sexta-feira.

 

  
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A “decapitação” do Governo da Ucrânia pelas tropas russas invasoras, verificar-se-á seguramente nas imediações do Palácio de Mariyinsky, um pitoresco palácio barroco localizado na escarpada margem do Rio Dniepre, em Kiev. Segundo as últimas notícias é capaz de estar por horas a tomada do poder pelas tropas de Putin e a consequente mais que certa colocação de um governo fantoche nesta ex-república soviética.

 

 Fica para a História a capa do JN de hoje, 25fev2022
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  11h13 de 25fev2022
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  Hummm!... É o que tenho vindo a dizer nestes últimos dias: Putin quer é colocar um governo fantoche pró-russo em Kiev.
Putin apela a golpe de estado. Rússia aconselha tropas ucranianas a tomarem o poder "pelas próprias mãos". Vladimir Putin dirigiu-se esta sexta-feira [25fev2022] às forças ucranianas. De acordo com a Reuters, o presidente da Rússia diz que “será mais fácil para nós se decidirem tomar o poder com as vossas próprias mãos”. "Mais uma vez, apelo aos militares ucranianos: -Não permitam que neo-nazis (ucranianos nacionalistas) que usem as vossas crianças, mulheres e idosos como escudos humanos. (...) Tomem o poder pelas vossas próprias mãos, será mais fácil para nós chegarmos a um entendimento", disse Putin numa reunião com o Conselho de Segurança da Rússia que teve transmissão televisiva. Putin elogiou ainda o exército russo, que considera estar a ter uma atuação “corajosa, profissional e heróica”.

 

  Somos todos Ucrânia (Edifício da Câmara Municipal do Porto)
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Publicado por Tovi às 07:09
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022
Guerra na Europa

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  Levantei-me às sete horas, liguei o rádio e as notícias eram terríveis: Enquanto decorria a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o presidente russo anunciou o lançamento de uma "operação militar especial" na Ucrânia; Há explosões por todo o país e invasão a larga escala; Ucrânia pede ajuda; NATO, G7 e Conselho Europeu reunem-se hoje; Marcelo Rebelo de Sousa convoca reunião do Conselho Superior de Defesa.

 

 

  09h02, Al Jazeera
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A Rússia lançou uma invasão total da Ucrânia por terra, ar e mar, o maior ataque de um Estado contra outro na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e a confirmação dos piores temores do Ocidente. Explosões podem ser ouvidas desde o amanhecer na capital ucraniana, Kiev. Tiros ecoaram perto do aeroporto principal e sirenes soaram por toda a cidade.

 

  09h25, Al Jazeera
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  10h32, CNN Portugal
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Captura de ecrã 2022-02-24 140915.jpgO Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu hoje, 24 de fevereiro de 2022, em sessão extraordinária, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, para se inteirar da situação na Ucrânia e eventual participação de Forças Nacionais no âmbito da NATO.
Com base na posição de princípio expressa pelos órgãos de soberania, nomeadamente, o Presidente da República, o Primeiro-ministro e pelo representante da Assembleia da República do principal partido da oposição, e atendendo à informação analisada, o Conselho deu, por unanimidade, parecer favorável às propostas do Governo para a participação das Forças Armadas Portuguesas no âmbito da NATO, que se seguem:
1. Ativação da Very high readiness Joint Task Force (VJTF) e das Initial Follow-On Forces Group (IFFG) para eventual empenhamento nos planos de Resposta Graduada da NATO,
2. Eventual antecipação do segundo para o primeiro semestre de projeção de uma companhia do Exército para a Roménia.

 

  13h47, Al Jazeera
O Ministério da Defesa da Rússia informou que as suas forças destruíram 74 infraestrutura militares acima do solo na Ucrânia, incluindo 11 aeródromos.
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i444810.jpegA Al Jazeera noticiou há momentos [15h25 GMT] que as forças ucranianas estão em combate com as tropas russas que pretendem capturar a antiga central nuclear de Chernobyl. Confesso que não consigo entender qual o interesse numa central nuclear desativada, mas poderá dar-se o caso de ser eu que não estou suficientemente bem informado sobre a situação atual naquela região do norte da Ucrânia.

Segundo notícias conhecidas já na manhã de sexta-feira, 25fev2022, a Rússia enviou pára-quedistas para proteger a desativada central nuclear de Chernobyl de eventuais sabotagens.

 

  16h35, The New York Times
O ataque da Rússia à Ucrânia atingiu as principais cidades e aeroportos de todo o país, com bombardeamentos em mais de uma dúzia de cidades e vilas, incluindo os arredores da capital, Kiev.
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274586092_5031463476900383_871211497686443676_n.jpMais umas horas e seguramente o governo ucraniano de Volodymyr Zelensky vai ser "decapitado". E Putin lá irá colocar em Kiev um governo fantoche, a exemplo do que fez na Bielorrússia há uns anos. Triste sina a destes povos das ex-repúblicas soviéticas que nunca conseguiram uma verdadeira independência.



Publicado por Tovi às 08:39
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2022
Cinco coisas para saber sobre a crise Ucrânia-Rússia

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(Al Jazeera, 25jan2022)

  Por que há um conflito? - A Ucrânia, que fez parte do império russo durante séculos antes de se tornar uma república soviética, conquistou a independência quando a URSS se desfez em 1991, abandonando o seu legado imperial russo e iniciando laços cada vez mais estreitos com o Ocidente. A decisão do presidente ucraniano Viktor Yanukovych (pró Kremlin), de rejeitar um acordo de associação com a União Europeia em favor de laços mais estreitos com Moscovo levou a protestos em massa que o afastaram do cargo de líder em 2014. A Rússia respondeu anexando a península da Crimeia da Ucrânia e lançando a sua influência por trás de uma rebelião separatista que eclodiu no leste da Ucrânia. A Ucrânia e o Ocidente acusaram a Rússia de enviar suas tropas e armas para apoiar os rebeldes. Moscovo negou, dizendo que os russos que se juntaram aos separatistas eram voluntários. De acordo com Kiev, mais de 14.000 pessoas morreram nos combates que devastaram Donbas, o coração industrial do leste da Ucrânia. Por sua vez, Moscovo criticou fortemente os EUA e seus aliados da NATO por fornecerem armas à Ucrânia e realizarem exercícios conjuntos, dizendo que tais movimentos encorajam os falcões ucranianos a tentar recuperar as áreas controladas pelos rebeldes pela força. Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, disse repetidamente que as aspirações da Ucrânia de ingressar na NATO são uma linha vermelha e expressou preocupação com os planos de alguns membros da NATO de estabelecer centros de treino militar na Ucrânia. Isso, disse ele, lhes daria uma base militar na região, mesmo sem a adesão da Ucrânia à NATO.

  O que a Rússia quer? - É mais sobre o que a Rússia não quer. A Rússia não quer a Ucrânia na NATO – e disse isso na sua lista de exigências de segurança que foram enviadas aos EUA em dezembro passado. As exigências incluíam a suspensão de quaisquer exercícios da NATO perto da fronteira com a Rússia. Em dezembro Putin disse que a Rússia estava procurando garantias “que excluíssem quaisquer outros movimentos da NATO para o leste e a implantação de sistemas de armas que nos ameacem nas proximidades do território russo”. Putin ofereceu ao Ocidente uma oportunidade de se engajar em conversas substanciais sobre o assunto, acrescentando que Moscovo precisaria não apenas de garantias verbais, mas de “garantias legais”, nas esquecendo que a eventual admissão da Ucrânia à aliança exigiria a aprovação unânime dos 30 estados que compõem o órgão. Os EUA e a NATO já responderam aos apelos. Embora nem Moscovo nem as potências ocidentais tenham divulgado os detalhes dessas respostas, ficou claro que as principais demandas da Rússia – a Ucrânia essencialmente proibida de ser membro da NATO e uma promessa de que a aliança não se expandirá mais para o leste – foram recusadas.

  A Ucrânia vai aderir à NATO? - A Ucrânia não é membro da NATO, mas quer ser. É considerada um parceiro da aliança. Antes de ser considerada para a adesão, diz a NATO, Kiev precisa erradicar flagelos como a corrupção. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, rejeitou em dezembro as exigências russas de rescindir um compromisso de 2008 com a Ucrânia de que o país um dia se tornaria membro. Stoltenberg sustenta que, quando chegar a hora de considerar a questão, a Rússia não poderá vetar a adesão da Ucrânia. Analistas, no entanto, dizem que os aliados da NATO, entre eles os Estados Unidos, estão relutantes em expandir sua presença militar na região e comprometer ainda mais seu relacionamento com Moscovo. Enquanto o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, expressou apoio à adesão da Ucrânia à NATO, o presidente Joe Biden foi mais ambíguo sobre a questão.

  Haverá guerra total? - O Ocidente acusa a Rússia, que reuniu 100.000 soldados na fronteira ucraniana, de se preparar para invadir seu vizinho pró-ocidental. Biden afirma “total unanimidade” sobre como lidar com a Rússia. O Pentágono colocou 8.500 soldados dos EUA de prontidão para uma implantação no Leste Europeu e a NATO disse que estava a enviar navios e jatos para reforçar as defesas da região. O porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, disse que essas ações apenas aumentaram uma atmosfera já tensa. "Os Estados Unidos estão aumentando as tensões", disse ele a repórteres. “Estamos observando essas ações dos EUA com grande preocupação.” A Rússia nega ter planos de invadir a Ucrânia e acusa o Ocidente de agravar a situação. É incerto se a guerra vai eclodir entre os dois países, mas alguns analistas dizem que a Rússia pode aproximar-se da Ucrânia para reivindicar uma vitória rápida e decisiva e aumentar seu poder de negociação em futuras conversações sobre a expansão e as esferas de influência da NATO. “Acho que o que a Rússia e Vladimir Putin realmente querem derrotar as forças armadas ucranianas no campo, infligir uma derrota militar esmagadora que humilhe os ucranianos e, por extensão, criar preocupação de que o apoio da Ucrânia tenha de seus aliados no Ocidente. Nos EUA e no Reino Unido, é insuficiente”, disse Samir Puri, membro sénior do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

  O que acontece se a Rússia invadir a Ucrânia? - As nações ocidentais deram apoio à Ucrânia, mas algumas respostas foram mais duras do que outras. Os EUA e o Reino Unido forneceram armas, enquanto a Alemanha planeja enviar uma instalação médica de campo no próximo mês, mas não transferirá equipamentos militares. Também se falou muito em sanções destinadas a punir Moscovo. Publicamente, os aliados dos EUA e da Europa prometeram atingir a Rússia financeiramente como nunca antes, se Putin enviar seus militares para a Ucrânia. Os líderes deram poucos detalhes, argumentando que é melhor manter Putin na dúvida, mas Washington e Londres falaram de medidas pessoais visando o presidente russo. Cortar a Rússia do sistema financeiro SWIFT, que movimenta dinheiro de banco para banco em todo o mundo, seria uma das medidas financeiras mais difíceis que eles poderiam tomar, prejudicando a economia da Rússia imediatamente e no longo prazo. A medida pode cortar a Rússia da maioria das transações financeiras internacionais, incluindo lucros internacionais da produção de petróleo e gás, que responde por mais de 40% da receita do país. Os EUA também detêm uma das armas financeiras mais poderosas contra Putin se ele invadir a Ucrânia – bloqueando o acesso da Rússia ao dólar americano. Os dólares ainda dominam as transações financeiras em todo o mundo, com mais de um milhão de milhões de dólares em jogo diariamente. Finalmente, os EUA consideram impor controles de exportação, potencialmente cortando a Rússia da alta tecnologia que, entre outras coisas, ajuda aviões de guerra e jatos de passageiros a voar e alimentar smartphones.



Publicado por Tovi às 07:11
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2021
Crise na fronteira da Bielorrússia com a Polónia

 A porta-voz da Guarda de Fronteira da Polónia, Anna Michalska, declarou na terça-feira (16nov2021) que os policias não hesitarão em usar armas na fronteira, caso seja necessário. No entanto, destacou que os guardas fronteiriços farão o possível para evitar o uso de armas. A porta-voz também explicou que o serviço é "uma estrutura de força, que recebe capacitação para, caso haja necessidade, usar estas armas". No dia de hoje um policia polaco ficou gravemente ferido, provavelmente com uma fratura crânio-encefálica, durante os incidentes na fronteira com a Bielorrússia.
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 Na quatra-feira (17nov2021) a Comissão Europeia informou que vai financiar com 700 mil euros a assistência de emergência aos migrantes na fronteira polaca-bielorrussa, através do Comité Internacional da Cruz Vermelha e destinada à compra de alimentos, cobertores, medicamentos e produtos de higiene. No entanto, neste mesmo dia o porta-voz do Ministério do Interior alemão, Steve Alter, voltou a afirmar que o país não pretende acolher migrantes que se encontram na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia.
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 Aumentou nas últimas semanas a tensão ao longo da fronteira Bielorrússia-Polónia, à medida que milhares de requerentes de asilo tentam entrar na Polónia. O processo de vistos fáceis na Bielorrússia atraiu muitas pessoas de países devastados pela guerra no Oriente Médio na esperança de chegar ao território da União Europeia. Quando a Polónia implantou militares na fronteira para impedir a entrada de requerentes de asilo, milhares de homens, mulheres e crianças ficaram presos no frio no lado bielorrusso da fronteira e se tornaram uma bola de futebol política entre a Bielorrússia e a Polónia, servindo aos governos de ambas as partes na busca das suas agendas internas e externas. É já claro que o desastre humanitário na fronteira foi fabricado pelo presidente da Bielorrússia, Aleksander Lukashenko, que está sob sanções e em isolamento pela UE desde as eleições presidenciais do ano passado. Mas não são apenas os seus vizinhos a oeste que Minsk tenta pressionar. A crise da fronteira é parte de sua estratégia mais ampla de chantagear o Ocidente e a Rússia com a perspetiva de um conflito global total. Bielorrússia é o aliado mais próximo da Rússia e oficialmente parte de uma entidade conhecida como União da Rússia e Bielorrússia, que só existe em grande parte no papel, mas prevê uma política de defesa comum e a livre circulação entre os dois países, o que significa que a fronteira bielorrussa com a Polónia é efetivamente a fronteira externa da Rússia, separando sua zona de segurança do reino da NATO. Portanto, qualquer conflito nesta fronteira, por extensão, torna-se um conflito entre a Rússia e a NATO, que é exatamente como o governo de extrema-direita na Polónia está agora tentando enquadrá-lo.
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  A coisa está cada vez mais complicada… Perante a crise migratória na fronteira Bielorrússia-Polónia, a República Checa prometeu ajuda à Polónia em caso de necessidade. A promessa foi feita pelo ministro das Relações Exteriores checo Jakub Kulhanek. O diplomata afirmou que conversou com seu homólogo polaco, Zbigniew Rau, e "expressou solidariedade" à Polónia. Na conversa, Kulhanek frisou que a República Checa está pronta para prestar ajuda à Polónia, enquanto a União Europeia, bloco do qual ambos os países fazem parte, planeja novas sanções contra a Bielorrússia. Detalhes sobre qual seria o tipo de ajuda não foram anunciados.
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  O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, já denunciou o que classificou como uma "atitude cínica" da Rússia em relação à pressão migratória nas fronteiras da Polónia e de outros países membros da Aliança Atlântica. O apoio que tem sido dado à Polónia e às repúblicas bálticas que sofrem a pressão migratória é "uma mensagem clara" de que a NATO está pronta para "defender todos os aliados".



Publicado por Tovi às 07:07
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2021
Crise humanitária no Afeganistão

  Al Jazeera, 13out2021
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Os G20 concordam em ajuda para evitar crise humanitária no Afeganistão. Mas os Talibã precisarão de se envolverem na assistência e o ‘Grupo dos 20’ enfatiza que isso não significa o reconhecimento de seu governo.

 

  Al Jazeera, 25out2021
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ONU alerta sobre crise ‘aguda’ de alimentos no Afeganistão. Mais da metade da população de 39 milhões do Afeganistão enfrenta insegurança alimentar aguda e "marcha para a fome, com muitas crianças a morrerem”.

 

  Al Jazeera, 29out2021
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Enquanto os EUA congelam os fundos, um inverno rigoroso aguarda os afegãos sem dinheiro. Com 9,5 mil milhões de US$ em ativos e empréstimos congelados e limites impostos aos saques bancários, uma crise humanitária desenrola-se no Afeganistão.

 

  Ataque a hospital militar em Cabul
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No dia de ontem fontes do Ministério do Interior afegão disseram à Al Jazeeraa que duas explosões, seguidas de tiros, aconteceram no maior hospital militar do Afeganistão na capital Cabul. Hoje soube-se que nestas duas explosões morreram pelo menos 25 pessoas e ficaram feridas outras 50. Um destacado comandante Talibã, Hamdullah Mokhlis, membro da rede Haqqani e oficial das forças especiais Badri, foi um dos mortos durante este ataque, segundo a agência de notícias AFP.



Publicado por Tovi às 07:58
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2021
As últimas notícias sobre o Afeganistão


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A China é já (será?...) um país amigo em quem o Afeganistão pode confiar.


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O Afeganistão poderá ser uma caso histórico de sucesso se as potências mundiais derem aos Talibã uma hipótese em vez de tentarem destruir a sua economia com sanções.

 


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′′Os afegãos e os iraquianos sofreram durante anos as consequências do que os americanos sofreram em 9/11. Ainda sofrem as consequências desse dia fatídico hoje. Mas quem se lembra de 10/7 (o dia em que os EUA invadiram o Afeganistão em 2001)... Imaginar a dor dos outros é onde começa o nobre ato de luto da sua própria perda." - Hamid Dabashi, professor iraniano de estudos iranianos e literatura comparada na Universidade Columbia, na cidade de Nova York.

 


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Ahmad Massoud, chefe da NRF, diz que acolhe propostas para um acordo negociado para acabar com os combates com os Talibá no vale de Panjshir.

 

  Al Jazeera, 06set2021 às 06h30
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  Está a ser exibido na RTP1 e RTP3
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  Al Jazeera, 07set2021 às 20h17
Os Talibã já anunciaram um novo Governo para o Afeganistão.
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   BBC World Service, 08set2021 às 18h58
Aqui estão eles... por quanto tempo é que não sabemos.
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Publicado por Tovi às 08:15
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2021
Os dias seguintes no Afeganistão

  Lusa, 31ago2021 às 15h49
Aqui estão os cinco principais desafios que o novo regime afegão enfrenta.
1. Défice de confiança - Há uma suspeita generalizada entre a população urbana e educada sobre os Talibã e com boas razões. Muitos afegãos ainda se lembram do período 1996-2001, quando o movimento islamita estava no poder e aplicava uma leitura ultrarrigorosa da 'sharia', a lei islâmica. As mulheres não eram autorizadas a trabalhar e as escolas para raparigas foram fechadas, enquanto os opositores políticos foram executados e as minorias étnicas perseguidas. Vinte anos mais tarde, os Talibã dizem que pretendem prosseguir uma política diferente, inclusive em matéria de direitos da mulher. Prometeram também estabelecer um Governo inclusivo, entrando em contacto com o ex-Presidente Hamid Karzai. Enviaram também representantes para falar com a minoria predominantemente xiita Hazara, perseguida pelos Talibã nos anos 1990. Embora o regresso dos Talibã tenha sido acolhido com alívio em algumas zonas rurais do país, onde as pessoas querem, acima de tudo, acabar com a violência, muitos afegãos afirmaram querer primeiro ver as ações adotadas para depois fazer um julgamento. As mulheres permanecem em estado de alerta, na sua maioria enclausuradas em casa, um sinal da desconfiança generalizada. No vale de Panchir, a nordeste de Cabul, foi organizada uma verdadeira resistência em torno de Ahmad Massoud, filho do comandante Ahmed Shah Massou, assassinado em 2001 pela Al-Qaeda.
2. Desastre humanitário e económico - O Afeganistão é um dos países mais pobres do mundo. Após a queda do regime talibã, expulso do poder em 2001, a ajuda estrangeira inundou o país, representando, em 2020, mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas grande parte desta ajuda foi agora suspensa e os Talibã não têm acesso aos fundos do banco central afegão, a maioria dos quais está no estrangeiro. Washington já indicou que os Talibã não terão acesso aos bens e valores que estão no país, enquanto a Alemanha suspendeu a ajuda financeira total. Portanto, a situação poderá tornar-se num desastre, já que os Talibã terão de encontrar rapidamente dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos e assegurar que as infraestruturas vitais (água, eletricidade, comunicações) continuam a funcionar. As receitas atuais dos Talibã, que provêm principalmente de atividades criminosas, são estimadas pelas Nações Unidas entre 250 milhões e mais de 1,3 mil milhões de euros por ano. Um ganho financeiro que é visto como uma gota no oceano face às necessidades atuais do Afeganistão, segundo os especialistas. Neste contexto, a ONU alertou para uma "catástrofe humanitária" que poderá atingir duramente os afegãos neste inverno.
3. Fuga de cérebros - Para além da crise económica, os Talibã também terão de lidar com outra escassez, igualmente crítica e dramática: a de cérebros. Advogados, funcionários públicos, técnicos e muitos outros afegãos qualificados têm fugido do país em voos de retirada fretados por potências estrangeiras nas últimas semanas. Como sinal da sua preocupação, os Talibã instaram na semana passada os ocidentais a retirar apenas os estrangeiros e não os peritos afegãos, como por exemplo os engenheiros, necessários para a manutenção das infraestruturas do país.
4. Isolamento diplomático - Entre 1996 e 2001, o regime Talibã foi um pária na cena internacional. Desta vez, o movimento islamita parece inclinado a procurar um amplo reconhecimento no estrangeiro, embora a maioria dos países tenha suspendido ou encerrado as missões diplomáticas em Cabul. O grupo tem mantido contactos com várias potências regionais, incluindo Paquistão, Irão, Rússia, China e Qatar, mas nenhum deles reconheceu ainda a nova liderança em Cabul e os EUA advertiram que os Talibã terão "de conquistar" a sua legitimidade.
5. Ameaça terrorista - A tomada de controlo do país pelos Talibã não colocou um ponto final à ameaça terrorista, como ficou demonstrado pelo ataque de 26 de agosto, numa zona próxima do aeroporto de Cabul, reivindicado pela filial local do Estado Islâmico. O Estado Islâmico de Khorasan (ISPK), que segue uma linha sunita radical semelhante à dos Talibã, difere destes últimos em termos de teologia e estratégia. Como sinal da forte inimizade entre ambos, o Estado Islâmico qualificou os Talibã como apóstatas em vários comunicados e não os felicitou após a conquista de Cabul, em 15 de agosto. O desafio para os Talibã é, portanto, complexo: defender a população afegã do mesmo tipo de ataques que os seus próprios combatentes levam a cabo há anos no país.

 

  Al Jazeera, 31ago2021 às 18h15
O novo governo do Afeganistão será anunciado nos próximos dias.
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  Al Jazeera, 31ago2021 às 20h05
Querem uma apostinha como não tarda muito e a Índia reconhece oficialmente o governo Talibã no Afeganistão?... E se assim for quem “perde a corrida” é o Paquistão.

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Jorge De Freitas Monteiro - Nada é impossível por aquelas paragens mas a Índia foi dos países que mais apoiou a ocupação…
David Ribeiro - Eu também achei estranho os indianos serem os primeiros a fazerem reuniões com os Talibã, Jorge De Freitas Monteiro... mas é capaz de ser uma forma da Índia "passar a perna" ao Paquistão.

 

  Wakil Kohsar da AFP News Agency fotografou os membros da unidade das forças especiais Badri 313 dos Talibã a chegarem ao aeroporto de Cabul a 31 de agosto de 2021, depois da retirada total das tropas dos EUA.
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  AFP News Agency 
Cronologia dos principais acontecimentos no Afeganistão, desde a ocupação soviética até à derrota dos EUA.
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   Zabihullah Mujahid... o "Talibã 2.0".
“We want to build the future, and forget what happened in the past."
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   Al Jazeera, notícia de 08fev2021
E agora como estará o combate à pandemia no Afeganistão?
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  Situação da pandemia no Afeganistão (dados reportados à Organização Mundial da Saúde de 03jan2020 a 01set2021).
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   Reuters, 02set2021 às 16h06
O secretário de relações exteriores britânico, Dominic Raab, afirmou hoje, durante uma missão diplomática em Doha, que “a realidade é que não reconheceremos os Talibã em nenhum momento num futuro previsível, mas acho que há um espaço importante para engajamento e diálogo”.
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  Al Jazeera, 02set2021 às 19h57
A maior empresa de transferência de dinheiro do mundo vai retomar os seus serviços para o Afeganistão depois de ter suspendido a sua operação há duas semanas, quando os Talibã avançaram em Cabul.
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   JN, 02set2021 às 22h18
Militares portugueses partem para o Kosovo para cooperar com forças de outras nações, no campo Bechtel, um alojamento temporário para a operação de apoio aos cidadãos civis afegãos retirados de Cabul e que aguardam para serem recolocados em vários países de acolhimento.
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Publicado por Tovi às 07:24
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Domingo, 29 de Agosto de 2021
O Afeganistão pelos olhos de um militar português

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Num artigo de Ana Tulha publicado no “Notícias Magazine” de 25ago2021, Jorge Torres, coronel do Exército português que no último ano foi o Representante Nacional Sénior na Resolute Support Mission, missão da NATO no Afeganistão que tinha como principais objetivos o treino, aconselhamento e assistência das forças afegãs, começa por realçar que de 2012 (primeira vez em que esteve no Afeganistão) para 2020 notou “uma evolução em termos de capacitação das forças afegãs”. Mas então como se explica que não tenham sequer sido uma posição de resistência? O atual comandante do Regimento de Infantaria 19, em Chaves, não responde diretamente à questão. Destaca, no entanto, vários aspetos que nos podem ajudar a uma leitura mais profunda. Desde logo a viragem que houve em 2014. “Até aí houve um enorme esforço feito pela comunidade internacional, no sentido de garantir que havia um ambiente seguro para que as instituições do país se levantassem e consolidassem. A partir desse ano, a liderança passou para os afegãos e a comunidade internacional passou apenas a apoiar essas estruturas. Além disso, a parte do treino e levantamento do Exército foi considerada consolidada e o trabalho passou a focar-se mais no treino das forças especiais. Depois, é preciso ver que a capacidade de um exército não é só o músculo, há outros vetores não tangíveis que são fundamentais. Um deles é a capacidade de liderança.”

 


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O Ocidente e especialmente os EUA, devem tirar ilações depois do que aconteceu no Iraque, na Líbia e agora da situação no Afeganistão. Tentar impor um sistema de valores alheio é criar situações explosivas. Há muito que se falava que os representantes do governo do Afeganistão colocavam no bolso parte da assistência internacional ou a enviavam para contas offshore. Mas insistiu-se em “apoiar” um governo corrupto e “equipar” e “treinar” forças da ordem que se borrifavam para aquilo para que tinham sido criadas. E agora?... Tudo vai depender, em primeiro lugar, daquilo que decidirem Rússia e China, bem como Paquistão, Irão, Índia e outros países asiáticos.

 


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Os Estados Unidos anunciaram ontem (28ago2021) terem realizado um ataque aéreo com drone, na província afegã de Nangarhar [leste], contra membros do grupo jiadista Estado Islâmico da Província de Khorasan (ISIS-K, Daesh-K, ou ISKP na sigla em inglês) no Afeganistão, grupo rebelde que reivindicou o atentado terrorista no aeroporto de Cabul. Parece não ter havido “qualquer vítima civil” mas “matámos o alvo” (dois foram mortos, e um foi ferido), segundo o porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, Bill Urban.

António Conceição - Asneira da grossa. O problema do ocidente (leia-se, dos EUA) tem sido ir para o médio oriente fazer Justiça. É um erro. A nossa estratégia deve ser o fomento das rivalidades islâmicas, deixando que as várias facções se matem fraternalmente umas às outras e se entretenham entre elas. Bombardear o Daesh-K não contribui para esta estratégia. Contribui apenas para enfraquecer este grupo, dando força aos Talibãs. Isto não faz sentido. Só faria, se os talibãs fossem nossos amigos ou aliados. Não são. São nossos inimigos, como o Daesh-K. Portanto, a nossa política sensata é manter equilibrada rivalidade entre esses grupos, sem dar superioridade a nenhum.
David Ribeiro - Como já aqui disse, António Conceição, o Ocidente e especialmente os EUA, ainda não tiraram ilações depois do que aconteceu no Iraque, na Líbia e agora da situação no Afeganistão. Tentar impor um sistema de valores alheio é criar situações explosivas. E não esquecer que na região tudo vai depender, em primeiro lugar, daquilo que decidirem Rússia e China, bem como Paquistão, Irão, Índia e outros países asiáticos.
Chico Gouveia - Já se sabia que os EUA iam sair de lá por terra, mas voltariam pelo ar. Não se esperava é que fosse tão cedo.
Da Mota Veiga Suzette - Já se sabe: guerra gera guerra. Cada vez mais dicicil encontrar um caminho para a paz. A China e os Russos tem um certo interesse neste conflito e esperam conseguir disfarçar uma armadilha para os USA.

 

   Notícias de há momentos... 14h00 de 29ago2021

Segundo a "BBC", uma fonte do Ministério da Saúde confirmou que houve, de facto, uma explosão na área e terá sido causada por um rocket que atingiu uma casa perto do aeroporto. Por sua vez, a agência Reuters avança que os EUA realizaram um ataque aéreo em Cabul. O alvo seria um possível carro-bomba suicida que visava atacar o aeroporto. A "CNN" corrobora esta versão, acrescentando que uma explosão secundária significativa no veículo indicou uma quantidade substancial de material explosivo. Um porta-voz dos talibã também confirmou que o ataque aéreo dos EUA tinha como alvo um bombista-suicida suspeito, que viajava num carro, de acordo com a agência de notícias Associated Press (AP). Posteriormente veio a saber-se que dez pessoas de um bairro de Cabul, incluindo crianças, foram mortas neste ataque de drone dos EUA, tendo Washington afirmado que os combatentes do ISKP eram o alvo.
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   Al Jazeera, 07h40 de 30ago2021
Cerca de 500 soldados de infantaria motorizada russa estão a realizar exercícios nas montanhas do Tadjiquistão no contexto de instabilidade no vizinho Afeganistão. Todos os militares envolvidos no exercício vêm da base militar russa no Tadjiquistão, segundo informação do comando do Distrito Militar Central. Este exercício é o terceiro executado pela Rússia perto da fronteira com o Afeganistão neste mês. No mês que vem, um bloco de segurança liderado pela Rússia realizará outro exercício no Quirguistão, que abriga uma base aérea militar russa
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Publicado por Tovi às 07:18
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Domingo, 15 de Agosto de 2021
Os Talibã chegaram a Cabul

  20h30 15ago2021
Os talibã entraram no palácio presidencial do Afeganistão em Cabul
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  15h00 15ago2021 - Al Jazeera / Reuters
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  10h00 15ago2021 - Em direto no canal televisivo da Al Jazeera. Não vos faz lembrar Saigão em 30 de abril de 1975?
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   Notícias desta manhã - Al Jazeera
Negociadores talibã estão a discutir uma ′′transferência de poder′′ com os funcionários do governo afegão.
Fonte talibã confirmou à Al Jazeera que o grupo entrou em Cabul. ′′Estão pedindo a todos que fiquem tranquilos, que eles vêm com uma mensagem de paz”.
O Afeganistão terá uma ′′transferência pacífica de poder′′ para um governo transitório, diz o ministro do interior afegão Abdul Sattar Mirzakwal.
A liderança talibã disse em comunicado que instruíram as suas forças para não cruzarem os portões de Cabul e tomarem a cidade à força: "As negociações estão em andamento para garantir que o processo de transição seja concluído de forma segura".
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Adao Fernando Batista Bastos - A verdade escondida? Estranha a passividade do governo afegão!
David Ribeiro - A "passividade" do governo afegão, Adao Fernando Batista Bastos, deve-se á falta de tropas americanas (+ algumas da UE) para os protegerem. O presidente Ahsraf Ghani nunca foi além de um joguete nas mãos dos EUA.
Adao Fernando Batista Bastos - David Ribeiro pois, americanos que dizem deixar os afegãos bem equipados e treinados!
David Ribeiro - Dinheirinho dos impostos de muitos ocidentais foi atirado à corrupção dos batalhões de um pretenso exército. E nas fileiras desse exército haverá certamente também muitos que aguardavam há muito a chegada dos Talibã, meu caro amigo Adao Fernando Batista Bastos.
Serafim Nunes
Há vinte anos atrás fizeram a merda que fizeram. Arrasaram o Iraque com base numa mentira pela qual mereciam ter sido julgados como criminosos de guerra (Bush, Blair, Barroso, Aznar e mais uns quantos); libertaram as forças mais obscuras no Afeganistão e anunciaram uma primavera árabe que fragmentou e desestabilizou ainda mais uma região já de si instável. Pelo caminho mantiveram intocável o principal foco desse obscurantismo, os seus amigos dos petrodolares, com a Arábia Saudita à cabeça, e reforçaram e consolidaram o expansionismo sionista. Ouço agora que a Turquia vai ter de se haver com cerca de um milhão de refugiados afegãos. Que, muito provavelmente, repassará aos europeus. Os quais, muito provavelmente, dirão que não é consigo. Não obstante terem, como se referiu, fortes responsabilidades em todo o sucedido. Pena que o médio oriente não faça fronteira com os USA. Talvez fossem mais prudentes nas suas aventuras. Bardamerda!

 


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Publicado por Tovi às 08:31
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2021
Situação dramática no Afeganistão

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Milhares de afegãos que serviram as tropas e diplomatas norte-americanos nestes últimos vinte anos estão em risco de vida com o alastrar da “conquista” Talibã a todas as províncias do Afeganistão. Foi criada a “Operação Refúgio dos Aliados” que pretende retirar do país cerca de 50 mil pessoas, mas até à data unicamente 200 afegãos chegaram de avião na madrugada da última sexta-feira aos Estados Unidos.

 

   Al Jazeera, 21h00 de 10ago2021
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   AFP News Agency, 09h11 de 11ago2021
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   Lembram-se do que aconteceu no Vietname do Sul, em abril de 1975, quando Gerald Ford mandou as tropas e funcionários dos EUA abandonarem Saigão?... Pois é o mesmo que vai acontecer a muitos afegãos depois de Joe Biden, não se arrependendo da sua decisão de retirar tropas do Afeganistão e uma vez que os talibã mantêm o controlo de 65% do país, ter afirmado hoje “they've got to fight for themselves”.
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Jorge Veiga - Pois dão-lhes cobertura da USAF. Pois dão-lhes material de guerra. Pois até lhes pagam os ordenados aos militares. Ao menos que lutem pela terra deles.
David Ribeiro - Jorge Veiga... mas o problema está nos vários milhares de civis que trabalharam para os americanos, militares e pessoal diplomático acreditado em Cabul. Vão todos ser executados, incluindo familiares mais próximos, tal-e-qual aconteceu em Saigão.
Jorge Veiga - David Ribeiro… pois eu sei. Que se alistem no exército e ao menos terão uma fusca.
Rui Lima - Vai acontecer o mesmo que aconteceu ás tropas africanas que combateram do nosso lado em Guiné, Angola e Moçambique e ninguém se preocupou nem na altura nem hoje!

 

   Al Jazeera, 18h45 de 11ago2021
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   Al Jazeera, 11h00 de 12ago2021
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Publicado por Tovi às 07:53
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