"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Terça-feira, 6 de Abril de 2021
Ditaduras e instituições políticas

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(in “O Regresso das Ditaduras” de António Costa Pinto)

   “Diferentes tipos de autoritarismo divergem tanto entre eles como divergem da democracia” – (Barbara Geddes, politóloga americana, uma das principais teóricas de regimes autoritários, atualmente professora titular do Departamento de Ciência Política da Universidade da Califórnia)

   “Nenhum regime autoritário pode sobreviver politicamente sem o apoio de elites modernas, como burocratas, gestores, tecnocratas e militares” – (Amos Perlmutter, professor de ciência política e sociologia na American University)

   “O partido único desempenhou um papel mais modesto no seio dos regimes fascistas do que nos regimes comunistas” – (Zbigniew Brzezinsk, estadista americano de origem polaca, serviu como Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981)



Publicado por Tovi às 07:01
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Quarta-feira, 10 de Março de 2021
Caraterísticas dos Partidos Fascistas

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(O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces, que designava um feixe de varas amarradas em volta de um machado, e que foi um símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes)

 

As principais caraterísticas dos partidos fascistas dos anos 30 do século XX que se generalizaram por toda a Europa, América Latina e em alguns países da Ásia, podem-se sistematizar, segundo António Costa Pinto na sua obra «O Regresso das Ditaduras?», em quatro aspetos fundamentais:

a) Uma chefia personalizada, com uma legitimidade de tipo carismático;
b) A estrutura vertical hierarquizada, que forma a ossatura do partido, é constituída por organismos nacionais, regionais e locais, e dominada por um centralismo autocrático;
c) O caráter milicial ou paramilitar da organização é inerente à própria natureza do partido de tipo fascista;
d) Outra dimensão da sua estruturação interna reflete-se na natureza pré-estatal da organização, que antecipava as instituições do novo regime, com organismos consultivos, mais ou menos embriões da organização corporativa (…) desenvolvendo-se, deste modo, uma administração paraestatal que preparou o exercício do poder.

 

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Isabel Morgado Saldida - Penso que nem o governo de Salazar cumpria literalmente todos os requisitos do fascismo, em termos ideológicos. Não que defendesse o regime. Pelo contrario
José Manuel Nero - Fascismo é uma ditadura suportada por militares, Salazar acabou com a ditadura militar para implantar o Estado Novo, um regime autoritário, mas que estava muito aquém do Fascismo de Mussolini e até do regime de Franco. Também o Salazarismo perseguiu Rolão Preto e o seu movimento Integralismo Lusitano. esse sim com ideias fascistas. Era bom que o Salazarismo fosse reconhecido como um regime honesto, onde a corrupção não tinha lugar, levantou o País da bancarrota, construiu hospitais, bairros sociais, escolas com os meios que a economia libertava. Não chegou a conhecer inovações como bazucas, raspadinhas para financiar a cultura e fundos perdidos vindos da Europa. No fim ainda deixou monumentais reservas de ouro. Com 25 de Abril ganhamos liberdade, cravos vermelhos, a deprimente Grândola vila morena e uma colossal divida externa que com o actual governo não para de crescer. O destino está traçado Portugal vai ser o País mais pobre da Europa. Recentemente reli o livro editado em castelhano no ano 1977 "....Y Mussolini Creo el Fascismo" uma crónica sobre o triunfo do fascismo em Itália escrito por 2 jornalistas 1 italiano e outro espanhol. Sinceramente Salazar nunca teve nada a ver com fascismo e Mussolini é a conclusão que qualquer pessoa tira, mesmo sem ter grande conhecimento sobre essa época.
David Ribeiro - Meu caro amigo José Manuel Nero e caríssima Isabel Morgado Saldida... Eu fui aluno de Marcelo Caetano num curso de verão da Mocidade Portuguesa, nos dois meses antes de ele ter sido chamado por Américo Tomás para substituir Salazar no Governo, e recordo-me bem do que nos lecionou nas aulas de Filosofia Política, bem como do que estava escrito em letras garrafais na sala de aulas: “O aperto de mão é um gesto burguês e anti-higiénico. Braço ao alto!”
José Manuel Nero - David Ribeiro Eu não defendo totalmente o Salazarismo, apenas realço a sua honestidade e nisso não há comparação possível com os governantes de agora. Marcello Caetano também e não existe qualquer dúvida se o trajecto que Portugal estava a seguir durante o seu governo, se não houvesse o 25 de Abril, a primavera Marcelista tinha resolvido o problema de Africa, a abertura à democracia tinha avançado sem se destruir obrigatoriamente a economia. Hoje eramos um País ao nível da Suíça e talvez uma Singapura. E é isto que defendo, criação de riqueza para bem estar da população. Quanto ao braço estendido, nunca utilizei nem nunca vi os meus Pais a incentivarem tal prática, não sei porque carga de água é considerado saudação nazi ou fascista. Aquilo que eu aprendi é que essa saudação tem mais de 2.000 anos, implantada no tempo do Império Romano. É desejável que a saudação de hoje, a inestética cotovelada, não venha daqui a dezenas ou centenas de anos voltar a ser usada por novas forças políticas voltarem a querer implantar de novo o socialismo/comunismo que entretanto há muito que tinha sido repudiado por toda a humanidade.
António Conceição - José Manuel Nero, esse é o mito da honestidade que Salazar e a sua propaganda criaram, mas que não corresponde minimamente à verdade. Se Salazar se distinguiu foi pela esperteza, pela intuição e pela capacidade manipuladora, e não pela honestidade ou rectidão da conduta. Dou-lhe alguns exemplos:
1 - Eleito deputado, em 1921, foi uma vez ao Parlamento. A demagogia parlamentar meteu-lhe tanto nojo que ele voltou para Coimbra e nunca mais lá pôs os pés. Eis uma mentira descarada, inventada por António Ferro e aprovada por Salazar e que ainda hoje convoca as lágrimas comovidas dos admiradores do Professor de Coimbra. A verdade dos factos é outra: Salazar nunca renunciou ao mandato de deputado. O que se passou foi que o Parlamento foi dissolvido. Não teve sessões para ele a elas continuar a assistir.
2 - Não quis o poder e foi poder, um poder que exerceu com espírito de missão e de sacrifício, nunca o desejando. Basta ler o diário do seu amigo Mário Figueiredo, para perceber como ele, na famosa questão dos sinos, para se alcandorar ao poder, não hesitou em conspirar, manipular e trair até os amigos. Atitude de castrado - qualificou assim Mário de Figueiredo o comportamento de Salazar. E era um dos seus maiores amigos.
3 - "Devo à Providência a graça de ser pobre" - proclamava, no Porto, Salazar em 1950. A sua vida foi austera, sem dúvida. Por escolha própria. É diferente de ser pobre. Salazar não o era. Muito longe disso. O seu salário como chefe de Governo era, em 1952, de 15 mil escudos mensais. 85% dos portugueses ganhavam então menos do que isso num ano. E Salazar não tinha família, tinha casa e carro do Estado. Hoje, o Primeiro Ministro ganha cerca de dez ou 11 vezes o salário mínimo e, segundo a Pordata, em 2018, só cerca de 20% dos portugueses ganhavam o salário mínimo. Salazar não nasceu em berço de ouro. Elevou-se socialmente com a protecção dos Perestrellos e por muito mérito próprio. Mas não era pobre.
4 - Estava cansado, queria ir-se embora, a pátria exigira-lhe demais e queria poder gozar os seus últimos dias na tranqulidade rural da sua quintazinha do Vimeiro - proclamava ele, em meados dos anos 50. Levando inocentemente a sério estas preocupações, no regresso de barco de uma viagem ao Brasil, Craveiro Lopes discutiu com Marcello Caetano e mais um ou outro passageiro, a questão abstracta da sucessão de Salazar. A conversa chegou-lhe aos ouvidos (através, precisamente, de Mário Figueiredo, se não erro). Tanto bastou para tapar definitivamente a Craveiro Lopes a esperada recandidatura à Presidência da República que, hipocritamente, Salazar explicou como uma decisão da União Nacional a que era alheio. E Humberto Delgado, o candidato da oposição que prometeu, se fosse eleito, exonerar o Chefe de Governo, proporcionando-lhe o ansiado descanso em Santa Comba Dão, acabou como sabemos. Mais: recuperada a lucidez, após a intervenção cirúrgica na sequência do acidente da cadeira, as primeiras palavras de Salazar foram para manifestar a sua vontade firme de não ser levado para o Vimeiro com que, oficialmente, tanto sonhava. Morreu em São Bento, de onde nunca teve qualquer intenção de sair.
Mais do que honesto, Salazar foi um eficaz criador de mitos. Era honesto, porque acreditou nos seus próprios mitos? É possivel. Também estou convencido que José Sócrates acredita nos seus.



Publicado por Tovi às 08:00
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Domingo, 7 de Março de 2021
O Regresso das Ditaduras?

Anotação 2021-03-06 130124.jpg

Já chegou a minha encomenda – O Regresso das Ditaduras? – obra de António Costa Pinto, numa edição de Fundação Francisco Manuel dos Santos, coleção Ensaios da Fundação (Depósito Legal n.º 477707/20).

 


O presente ensaio apresenta e explica o mapa-mundo atual das ditaduras. Disseca os modos de dominação predominantes e salienta como, cada vez mais, os regimes autoritários «se vestem como democracias». Assinala continuidades e mudanças e permite uma premente visão global de autoritarismo político contemporâneo, confirmando-o no polo oposto da governação democrática.



Publicado por Tovi às 07:17
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