"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014
Os Senhores do Norte

 JN de 1Jan2014

{#emotions_dlg.star} Pinto da Costa - É só um pouco mais de azul - Não é preciso ir buscar o Manoel de Oliveira para desdramatizar a questão do aumento da idade da reforma para 66 anos. Basta pôr os olhos na energia em palco de Mick Jagger, 70 anos, ou nos resultados que Pinto da Costa, com 76 anos acabados de fazer, alcança com a sua liderança e visão estratégica. Como dirigente desportivo com mais títulos conquistados a nível mundial, já há muito se libertara da lei da morte. Mas nem por isso abranda o trabalho de fazer do seu clube uma fonte de permanentes alegrias para os adeptos, o orgulho dos nortenhos e uma das mais poderosas marcas portuguesas com projeção e reconhecimento internacionais. O 20º título de campeão nacional de futebol ganho em 31 anos de presidência só não é mais uma linha no curriculum de uma carreira maior que a vida devido às circunstâncias dramáticas em que foi decidido. Com ele ao leme, o FC Porto tornou-se mais do que um clube de futebol e a sua importância e influência extravasaram de forma clara para além das estritas fronteiras do desporto com a inauguração do Estádio do Dragão, pensado como a âncora de uma mega- operação de requalificação urbana da zona mais degradada e pobre da Porto, que apenas ficou a meio porque no entretanto o poder politico na cidade caiu em mãos que meteram a renovação no congelador. O controlo do Porto Canal foi mais um passo na estratégia de fazer do FC Porto um foco de poder global capaz de atuar como enzima catalisadora do progresso do Norte e do país, que conheceu este ano um novo desenvolvimento com a abertura do Museu do FC Porto (um projeto era a menina dos olhos do presidente e teve em Antero Henrique o seu eficiente executor), que não só enriquece a oferta turística da cidade mas também preserva, recolhe e expõe as memórias “de um livro de honra de vitórias sem igual”. Jorge Nuno fechou com chave de ouro o ano azul da inauguração do museu (e do golo de Kelvin que fez ajoelhar Jesus no Dragão) ao partilhar alguns dos seus segredos de gestão no livro “31 anos, 31 decisões”. Caso para os portistas dizerem, dizer, venham mais 31 para termos um pouco mais de azul, um pouco mais de euforia.

{#emotions_dlg.star} Rui Moreira - O cavaleiro da esperança - A  surpresa atravessou o Atlântico e a curiosidade foi tão grande que o mais  prestigiado jornal do mundo não resistiu e despachou para o Porto uma equipa de  reportagem com a missão de apresentar aos leitores o primeiro independente a ganhar uma grande cidade na Europa Ocidental. Chegar  à capa da edição internacional do New York Times, meia dúzia dias depois de ter  tomado posse, é um boa notícia para Rui Moreira (não consta que em 12 anos o  seu antecessor tenha merecido sequer uma referência no fundo de um página par  do interior) e também para a cidade, que bem anda precisada de publicidade,  ainda para mais gratuita e positiva. Órfão  de liderança política, descontente com os partidos e políticos tradicionais, o  Porto apaixonou-se por este independente, de verbo desenferrujado, aspeto  confiável e físico que lembra a Torre dos Clérigos (ambos parecem um ponto de  exclamação!), e por isso enganou as sondagens e entregou-lhe a Câmara. A  lua de mel entre a cidade e o seu novo presidente está para durar, até porque ele  tem feito por isso, reconciliando-se com as instituições a que a Câmara tinha  voltado as costas, apesar delas serem a carne, o sangue e o nervo do Porto.  Dragão de ouro, visitou o museu do FC Porto na companhia de Pinto da Costa.  Homem de cultura, assistiu na Casa da Música ao concerto que selou o fim do  divórcio de Pedro Burmester com a cidade onde nasceu e cresceu. Pragmático,  aliou-se aos socialistas de Pizarro para garantir um governo estável da Câmara.  Inteligente, começou a construir as fundações da unidade na região de que será  o líder natural, lançando a ideia de uma Liga do Norte. Esperto, aliou-se a  Matosinhos e Gaia numa Frente Atlântica, destinada a captar fundos europeus  para projetos comuns. Em  pouco tempo, Moreira fez o suficiente para não desiludir todos (e são muitos)  que o olham como o cavaleiro da esperança da causa nortenha.  Agora só tem de continuar a dar-lhe. O ano de  2014 se encarregará de confirmar se ele tem as vistas largas, o pulso rijo, a  coragem pronta, a aritmética e o cálculo desembaraçados que são as  características necessários ao líder de que o Norte precisa – e por que suspira  desde finais do século passado.

{#emotions_dlg.star} António Ferreira - Um farol para a gestão pública - Os  privados gerirem melhor que os públicos é uma regra, que como todas as regras  têm exceções e uma das mais luminosas é a de António Ferreira, 54 anos, o  gestor público que fez com que o S. João tenha sido eleito, pelo 3º ano  consecutivo, o maior e mais eficiente hospital do país, de acordo com a  avaliação da Escola Nacional de Saúde Pública. Ter  feito um MBA em Harvard ou no Insead, ajuda muito a ser um bom gestor, mas não  é indispensável como é demonstram os soberbos resultados alcançados pelo  presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João (HSJ),  licenciado e doutorado em Medicina pela UPorto, especialista em Medicina  Interna e professor auxiliar na faculdade. Não  importa de que perspetiva seja olhado, o HSJ é farol, um exemplo acabado de boa  gestão da coisa pública, pois aumenta de ano para ano a produção em toda a  linha, tratando mais doentes, com o custo mais baixo do país, fazendo mais  cirurgias e primeiras consultas, reduzindo a despesa e mantendo as contas  equilibradas. Além  de ser o rosto da excelência e rigor na gestão do dinheiro dos nossos impostos,  António Ferreira é também um homem de pensamento livre, com um forte sentido de  cidadania e opiniões próprias e fundamentadas sobre a política, a saúde e a  vida que não se coíbe de exprimir. É  por isso que, com desassombro, aproveitou a cerimónia da entrega da Comenda de  Ordem de Mérito que lhe foi atribuída pelo PR para denunciar a indiferença de  quem distribui as verbas pelos hospitais sem levar o conta o seu bom ou mau  desempenho, criticar o facto dos fundos europeus poderem continuar a ser  desviados para uma Lisboa que já tem um rendimento superior à média comunitária  e revoltar-se contra um sistema de financiamento que gasta 1200 euros com um  doente da capital e 700 euros com um do Norte. A  comenda é mais que merecida . Mas o importante mesmo para o excelente gestor  António Ferreira era que o HSJ recebesse o dinheiro que devem ao S. João, para  ele o poder renová-lo estruturalmente e lançar a construção do Hospital  Pediátrico Integrado.


«Pedro Figueiredo» no Facebook >> Que desgraça de j.n.! Quando voltarão a fazer jornalismo em vez de lamber as botas de supostos senhores do norte. "Senhores" deve ser uma palavra banida. Já não há senhores desde 1910. E muito bem. "O Chalana de campanhã" é que foi o portuense do ano de 2013!

«David Ribeiro» no Facebook >> José António Pinto (o Chalana de Campanhã) também faz parte da lista "Os Melhores de Entre Nós - 50 nortenhos de nascimento ou de adoção, que se distinguiram em 2013 e são esperança para 2014" que o JN publica hoje.

«Sérgio Ribeiro» no Facebook >> Adágio popular:  'Os "três" da vigairada - cocó, ranheta e facada"!!!


«António Alves» no Facebook >> Se esses são os senhores, quem são os servos. Quem é o gajo da direita? Desses três só um tem obra feita.

«David Ribeiro» no Facebook >> Bolas, António Alves, não saber (ou fingir que não se sabe) quem é António Ferreira, o presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João, nem parece seu.

«António Alves» no Facebook >> E q importância política tem o cidadão para o apelidarem de "senhor do norte"? É um mero gestor público. Esse título é uma aberração e faz mais mal à causa da regionalização que todos os "spill overs" do mundo. Quando é q acaba este feudalismo mental? Quando é q aprendem?

«David Ribeiro» no Facebook >> A importância política de António Ferreira vem da forma frontal e corajosa como se comportou na cerimónia da entrega da Comenda de  Ordem de Mérito que lhe foi atribuída pelo PR para denunciar a indiferença de  quem distribui as verbas pelos hospitais sem levar o conta o seu bom ou mau  desempenho, criticar o facto dos fundos europeus poderem continuar a ser  desviados para uma Lisboa que já tem um rendimento superior à média comunitária  e revoltar-se contra um sistema de financiamento que gasta 1200 euros com um  doente da capital e 700 euros com um do Norte. Não há muitos assim cá pelo Norte.

«António Alves» no Facebook >> Há muitos. As verbas devem ser distribuídas pelos hospitais conforme o número e tipo de doentes que atendem. O desempenho é uma questão de gestão. Os maus gestores devem ser afastados. Mas isso é outra questão. O que faz desse trio de excelsos portuenses, uma cidade com escassos 200 mil habitantes, "senhores do norte"?

«David Ribeiro» no Facebook >> ...são os "Senhores do Norte" porque não há muitos outros cá pela Região (parece uma "lapalissada", mas não é).

«Jorge Veiga» no Facebook >> Quanto ao Sr.  JNP da Costa, acho que não precisa de provar nada a ninguém. Quanto ao Sr. R Moreira ainda tem tudo a provar. Quanto ao Sr. da administração do HS João não consegue provar nada. Já teve 2 atitudes mesquinhas, de falta de carácter ou de simples gestor com muitos débitos para com o ministério ou dito de outro modo, a querer provar que é bom para subir na hierarquia. Para 3 senhoes do norte, fico só com um, goste-se ou não dele. O JN continua a ver as coisas muito pela superfície.



Publicado por Tovi às 08:32
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