"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sexta-feira, 30 de Junho de 2017
Assaltaram os Paióis de Tancos

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Na passada quarta-feira, ao final do dia, uma ronda móvel de patrulha aos Paióis Nacionais de Tancos detectou um corte na rede que circunda esta instalação militar e o arrombamento de dois paiolins donde foi furtado “material de guerra, especificamente granadas de mão ofensivas e munições de calibre 9 milímetros”, informou em comunicado o Exército Português. Azeredo Lopes, Ministro da Defesa, já admitiu que este incidente é “grave” e que não ficará “nada por levantar” nas averiguações a esta acção criminosa.
Eu estou convicto que se tratou de um roubo para “abastecer” o mercado negro destes artefactos militares e que não é ainda para fazer “a revolução”, pois primeiro e antes de tudo precisamos de “revolucionários” e só depois de material de guerra.

 

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«Carlos Wehdorn»Foi um "bai-me à loja" encomendado

«Adao Fernando Batista Bastos»Incrivel a falta de segurança! E o PSD já critica esquecendo-se que esteve no Governo quatro anos e, que fez para alterar, melhorar estas situações. localização dos paios, etc.!? E também acho que provavelmente foi roubo por encomenda com implicados conhecedores do terreno.

«Jota Caeiro» - AAAA o amigo não está a gostar do quê afinal? Tente apreciar 'intensivamente'. veja pelo prisma da magnitude, do magnânime! da eficiência do esgotamento dos 'sistemas': pense que o animal que monta um campo de concentração e paradas militares para os queimados e quejandos, pode ver serem-lhe trucidadas algumas galinhas do galinheiro... e assim se vai o império e a 'fortuna' pessoal... eu também nunca morei na Rua de Diu...

«Duarte Leal»Vejam o que saiu hoje no Diário da República:
Despacho n.º 5717/2017
Considerando que, nos termos do disposto no n.º 3 do Despacho n.º 3718/2014, de 25 de fevereiro, de Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 49, de 11 de março de 2014, estão sujeitas a prévia concordância as autorizações de despesas superiores a (euro) 299.278,74, relativas a Construções e Grandes Reparações.
Considerando que no âmbito da Reforma da «Defesa 2020», aprovada pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 26/2013, de 11 de abril, resultam diretrizes assentes no princípio orientador da concentração, visando a economia de meios, a rentabilização do apoio logístico e limitando o número de infraestruturas, aproveitando ao máximo as que se mostrarem mais adequadas, com vista ao redimensionamento do dispositivo territorial.
Considerando que com a concentração das funções logísticas numa mesma infraestrutura e a consequente rentabilização de sinergias, se torna fundamental o lançamento do procedimento pré-contratual que permita a execução da empreitada de obra pública com a designação PM 001/VNBarquinha - Polígono de Tancos (UAGME) - «Reconstrução da Vedação Periférica Exterior no Perímetro Norte, Sul e Este dos Paióis Nacionais de Tancos».
Assim, atento ao anteriormente exposto:
Manifesto a minha prévia concordância para a autorização do lançamento da empreitada de obras públicas com a designação PM 001/VNBarquinha - Polígono de Tancos (UAGME) - «Reconstrução da Vedação Periférica Exterior no Perímetro Norte, Sul e Este dos Paióis Nacionais de Tancos», com o preço base de (euro) 316.000,00 (trezentos e dezasseis mil euros), ao qual acresce o IVA à taxa legal em vigor.
5 de junho de 2017
O Ministro da Defesa Nacional
José Alberto de Azeredo Ferreira Lopes

«Manuel Carvalho» - Que estranho... a 5 de junho. Premonição, coincidência ou outra coisa qualquer?

David Ribeiro» - Há coisas do caraças, não há?... Mas o importante é que vamos ter um RIGOROSO INQUÉRITO e assim fica tudo resolvido.

«Fernando Duarte»será que é mesmo a falta de revolucionários ou a falta de vontade de fazer algo a favor de bois-mansos que não se preocupam nada de ser espezinhados e que não se importam de rastejar toda a vida ?

«David Ribeiro» - Durante dois anos do meu serviço militar fiz parte de uma companhia de sapadores do Batalhão de Engenharia n 3, em Santa Margarida, que assegurava a guarda e proteção contra incêndios dos paióis deste Campo de Instrução Militar, pelo que tenho muita dificuldade em entender o que aconteceu agora em Tancos.

«Vitor Soares» - Dada a dimensão do roubo, é difícil acreditar que não seja trabalho interno... Quando é que foi realizado o último inventário? Será que o material não desapareceu durante estes 2 anos de falha na vídeo vigilância?

«David Ribeiro» - Durante o dia de hoje o Exército revelou que entre o material de guerra roubado na quarta-feira dos Paióis Nacionais de Tancos, para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9mm, foram também detectadas as faltas de granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores. E já agora: Não será melhor ir contar os submarinos... e os F-16 ?

 

   20h36 de 1Jul2017

O chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, decidiu exonerar os cinco comandantes das unidades que dão forças à segurança física e militar dos Paióis de Tancos: O Comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida, o Comandante do Regimento de Infantaria 15, o Comandante do Regimento de Paraquedistas, o Comandante do Regimento de Engenharia 1 e o Comandante da Unidade de Apoios Geral do Material do Exército.



Publicado por Tovi às 09:44
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016
Presos sete militares dos Comandos

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No dia de ontem foram enviados para o Estabelecimento Prisional Militar, em Tomar, um Tenente Coronel (director da prova), um Capitão (médico) e cinco instrutores (três tenentes e dois sargentos), todos detidos no âmbito dos inquéritos aos trágicos acontecimentos do 127º Curso de Comandos em que os militares Hugo Abreu e Dylan Silva perderam a vida.

 

  COMUNICADO Nº 40/2016 - 7Nov2016

EXÉRCITO PORTUGUÊS - DETENÇÃO DE MILITARES

Informa-se que, em 17 de novembro de 2016, a Polícia Judiciária Militar apresentou ao Comando do Exército mandados de detenção relativamente a sete militares, no âmbito do processo de inquérito instaurado pelo Ministério Público na sequência dos factos ocorridos durante o 127º Curso de Comandos.
Informa-se ainda que a apresentação dos mandados ao Comando do Exército decorre do previsto na lei quanto à detenção de militares no ativo e na efetividade de serviço.
Informa-se, por último, que Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional continua a acompanhar o assunto, em estreita ligação com Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior do Exército.

 

  Nota para a Comunicação Social - 17Nov2016

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

Gabinete da Procuradora-Geral da República

Curso de Comandos - Detenções

No âmbito do inquérito, dirigido pelo Ministério Público, onde se investigam as circunstâncias do treino que levaram à morte de alunos do curso de Comandos, estão em curso diligências, tendo sido emitidos mandados de detenção relativamente ao diretor da prova, ao médico e a cinco instrutores.
Estes militares são suspeitos da prática de crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física (art.º 93.º do Código de Justiça Militar). Na sequência das detenções serão presentes ao juiz de Instrução Criminal para aplicação de medidas de coação.
Para além dos sete visados pelos mandados de detenção, o processo tem dois outros arguidos constituídos, também estes militares.
As investigações prosseguem, estando causa em factos susceptíveis de integrarem os já referidos crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física (art.º 93.º do Código de Justiça de Militar) bem como de crimes de omissão de auxílio (art.º 200.º do Código Penal).
Nesta investigação, que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária Militar.

 

 Despacho do Ministério Público

Cândida Vilar, procuradora titular do caso das mortes no 127.º curso dos Comandos, considera que os militares indiciados trataram “os instruendos como pessoas descartáveis”. No documento é referido que face aos indícios da prática dos crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física, “à personalidade dos suspeitos, movidos por ódio patológico, irracional contra os instruendos, que consideram inferiores por ainda não fazerem parte do Grupo de Comandos, cuja supremacia apregoam, à gravidade e natureza dos ilícitos”, o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa entende que existe “perigos de continuação da atividade criminosa e de perturbação do inquérito”.

 

  Declarações do Ministro da Defesa

Azeredo Lopes reagiu à inédita detenção de sete militares dos Comandos, reafirmando a sua determinação em que a investigação do Ministério Público seja levada até às últimas consequências. “Não concebo que pudesse ser de outra forma”, disse o ministro, sublinhando não estar “a presumir rigorosamente nada”.

 

  21h00 – Campus da Justiça em Lisboa

Os cinco oficiais e dois sargentos dos comandos que foram detidos pela Polícia Judiciária Militar por suspeitas de abuso de autoridade, que levou à morte de Dylan Silva e Hugo Abreu, ficarão em liberdade a aguardar a acusação. A decisão é da juíza de instrução, depois de a procuradora Cândida Vilar, do DIAP de Lisboa, não ter pedido prisão preventiva para qualquer dos arguidos.



Publicado por Tovi às 07:52
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016
Relatório do acidente com o C-130 da FAP

Azeredo-Lopes-ministro-da-Defesa-2016.jpgO relatório de averiguações da Força Aérea Portuguesa ao acidente com um avião C-130 na Base Aérea do Montijo, que a 11 e Julho deste ano causou três mortos, diz expressamente que o acidente "ocorreu devido à impossibilidade da tripulação em controlar eficazmente a aeronave no decurso de uma manobra que visava treinar a interrupção da respetiva corrida de descolagem -- manobra designada de «aborto à descolagem»" e por isso a FAP considerou o acidente como ERRO HUMANO. Mas o ministro da tutela, Azeredo Lopes, já afirmou, e muito bem, que “não posso falar em erro humano, posso falar quando muito num fator humano envolvido no acidente mas em que daí não resulta um qualquer juízo de censura perante o que aconteceu. Estamos a testar situações limite e, nessas situações, a hipótese de não correr bem é uma hipótese que tem que se considerar como natural". Uma forma simples e clarividente de acabar com a mania das culpas serem sempre do “electricista” ou da “senhora da limpeza”.



Publicado por Tovi às 07:59
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016
As relações tensas da NATO com a Rússia

Azeredo Lopes NATO Out2016 aa.jpg

Azeredo Lopes, Ministro da Defesa Nacional, está por estes dias na reunião do Conselho do Atlântico Norte em Bruxelas, juntamente com os outros 28 Ministros da Defesa da Aliança, para discussão do dossier das relações NATO-UE e onde se equaciona o actual ambiente de segurança internacional. Esta reunião é de importância primordial numa altura em que as relações de Moscovo com os Países da Aliança Atlântica estão tensas e que continuam a deteriorar-se desde Março de 2014, após a reintegração da Crimeia à Rússia.



Publicado por Tovi às 09:53
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Sábado, 10 de Setembro de 2016
Militar morre em exercício no curso de Comandos

Exército Comandos.jpg

No passado dia 4 deste mês e de acordo com uma nota do Exército português, faleceu um militar que frequentava o 127º Curso de Comandos, após ter-se sentido “indisposto durante uma prova de tiro (tiro reactivo)” tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução e que lhe diagnosticou “um golpe de calor”. Três outros militares encontram-se no Hospital das Forças Armadas, dois deles no serviço de Medicina, sendo a sua situação clínica estável, não levantando cuidados de maior. O terceiro militar está na Unidade de Tratamentos Intensivos diagnosticado com “golpe de calor”. Um quarto foi transferido do Hospital do Barreiro para o Curry Cabral, em Lisboa, devido a complicações hepáticas. Na última quinta-feira o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, comunicou ao ministro da Defesa, Azeredo Lopes, a decisão de suspender os cursos de comandos até conclusão do inquérito técnico às causas dos acidentes, face à quantidade e gravidade dos acontecimentos que tem marcado a formação, tendo este membro do Governo divulgado publicamente esta resolução.

E em face disto tudo eu cá tenho muita dificuldade em entender a "qualidade" do médico militar que demora tanto tempo (mais de cinco horas) a mandar para um hospital instruendos em situação tão crítica.

 

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«Jose Riobom» >> Este sitio do FB começa a fazer concorrência desleal à crónica policial do" Você na TV "... só falta o Goucha e os "especialistas".... VIVA A DENÚNCIA SOCIAL.... FIM AOS DESAVERGONHADOS QUE POR AÍ PULULAM !!! - ...só para quem entende as minhas ironias....

«Raul Vaz Osorio» >> Claro, a culpa tinha que ser do médico 😛

«Jose Riobom» >> ....é sempre.... nem que não seja.. [Emoji wink;-)]

«Mario Ferreira Dos Reis» >> Raul, os medicos militares que conheci no meu tempo de militar nao me inspiravam confiança nenhuma ... So faziam o que hierarquia lhes dizia para fazer. Parece-me tambem que saiam das escolas médicas e iam directamente para o exercito sem fazerem o tempo de internos nos hospitais universitarios e nem todos os medicos estao ao mesmo nivel de formaçAo e capacidades profissionais. Eu acho que o David aqui tem razao que o rapaz nao teve uma assistencia atempada nao teve nao.

«Raul Vaz Osorio» >> Eu não sei se teve ou não. Não tenho elementos para avaliar isso. Tirar conclusões, a menos que se tenha acesso a informação que não está disponível ao público, parece-me francamente imprudente. Dou o desconto da silly season.

«David Ribeiro» >> Seguramente que não sou eu que dirá quem são os "culpados", mas diga-me lá, Raul Vaz Osorio, se para si que até é médico, lhe parece razoável que se demore tanto tempo a decidir enviar para um hospital alguém com sintomas de um grave golpe de calor.

«Raul Vaz Osorio» >> David, se há coisa que aprendi na vida é que, no que diz respeito a notícias sobre questões médicas, a única certeza que se pode ter é que o que lá vem não é verdade. A partir daí, podemos começar a tentar perceber.

«David Ribeiro» >> Então vamos lá começar a tentar perceber, esquecendo se isto já foi ou não noticiado... Detetar "golpe de calor" é elementar, não é?... Seis horas para evacuação é muito, não é?... Qualquer profissional de saúde sabe a gravidade de temperatura corporal muito elevada por tempo demasiado, não sabe?

«Raul Vaz Osorio» >> Não é assim. Até é algo difícil de diagnosticar, porque não tem um quadro típico, porque é essencialmente um diagnóstico de exclusão, porque é habitualmente um diagnóstico feito em velhos. Mas como disse, não tenho quaisquer elementos concretos que me permitam avaliar. Se me der uma cronologia razoavelmente rigorosa, posso começar a tentar formar uma opinião.

«Jose Riobom» >> Oh amigo... essa dos velhos é p'ra mim ? [Emoji wink;-)]

«Jorge Veiga» >> Jose Riobom acho que é!!! Kkkkk

 

 11h13 – Notícia de última hora

O militar dos Comandos transferido para Hospital Curry Cabral devido a problemas hepáticos morreu esta manhã, acaba de informar o Ministro da Defesa, Azeredo Lopes.



Publicado por Tovi às 09:21
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016
Militares furiosos com Azeredo Lopes

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No meu entender esteve bem Azeredo Lopes, Ministro da Defesa do XXI Governo Constitucional, neste caso das declarações do subdirector do Colégio Militar sobre a discriminação de alunos homossexuais, até porque já é tempo dos chefes militares deixarem de ser endeusados e saberem ser CIDADÃOS como é exigido a um qualquer director de serviço do Estado.

 

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«Carlos Mota Freitas» >> Na minha terra diz-se: Metam rolhas! Os Srs. Militares andavam muito mal habituados...

«Celestino Neves» >> A Instituição militar de Portugal ainda não consegue fazer a auto-regulação necessária para evitar estes 'tiros nos pés' que depois tenta disfarçar com estas 'imolações pseudo-heróicas'. Azeredo Lopes é o Ministro da Defesa e os militares, até pela proximidade do 25 de Abril, deveriam lembrar-se do seu compromisso de 1974 e que é o de se submeterem ao poder político democrático! Ah! E Azeredo Lopes neste caso esteve (muito) bem!

«Jose Bandeira» >> Todas as instituições têm o seu código de ética. Se bem que ética seja um conceito cada vez mais vazio de conteúdo, certo é que sem ela não existe sustentabilidade social. Eu detesto o termo "Praça Pública" quando é referido por muitas entidades em defesa do tratamento sigiloso que acham devido a temas cujo esclarecimento é em boa verdade devido por quem ocupa cargos públicos perante os cidadãos. Mas estas manifestações de sobranceria bacoca por parte de governantes, aí sim na "Praça Pública", tentando com elas exibir um tipo de poder característico de incapazes arvorados em líderes, pouco têm de recomendável.

«David Ribeiro» >> É bom recordar o que diz a Constituição: “As Forças Armadas obedecem aos órgãos de soberania competentes, nos termos da Constituição e da lei; As Forças Armadas estão ao serviço do povo português, são rigorosamente apartidárias e os seus elementos não podem aproveitar-se da sua arma, do seu posto ou da sua função para qualquer intervenção política”. E também diz: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei; Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

«Jose Bandeira» >> Quanto a isso estamos perfeitamente de acordo, mas também os órgãos de soberania, eleitos ou não, devem estar ao serviço do povo português.

«David Ribeiro» >> Sem dúvida… Mas quer nos órgãos de soberania quer na instituição militar, há bons e maus… e devem-se expurgar os maus, num lado e noutro.

«Jorge Oliveira E Sousa» >> E não existe (pelo menos já existiu) um artigo no código de Justiça Militar que se refere aos homossexuais e a incompatibilidade destes para servirem as Forças Armadas?

«David Ribeiro» >> Desconheço se existiu ou se ainda existe… mas a ter existido deve ser anterior à entrada de mulheres nas fileiras das forças armadas, pois a aberração do “machismo” castrense morreu, e muito bem, nessa altura.

«Jorge Oliveira E Sousa» >> No tempo em que existia esse artigo no CJM já havia mulheres paraquedistas enfermeiras enquadradas nas Forças Armadas. Vou procurar o artigo.

«David Ribeiro» >> O estatuto de "enfermeira paraquedista" era muito especial e em nada se pode comparar ao das actuais militares nos três ramos das forças armadas.

«Jorge Oliveira E Sousa» >> Mas eram militares, com incorporação, recruta, posto, direitos e deveres. Isso não o pode negar ou acha que eram "militares convidadas"?

«David Ribeiro» >> As diferenças para as militares de hoje são enormes... a começar na possibilidade de evolução na carreira, podendo hoje em dia chegarem ao generalato.

«Jorge Oliveira E Sousa» >> O que diz não colide com o que eu disse. E ainda bem que é assim.

«Jose Bandeira» >> Eu cá detesto o politicamente correcto. A homossexualidade é para mim um não assunto; é da esfera pessoal de cada um e discuti-la tem o mesmo valor que discutir o tamanho do pénis. Como em tudo na vida cada um é vítima de si próprio e da forma como gere a sua relação com os outros, embora exista muito boa gente a tentar varrer o lixo para debaixo da carpete responsabilizando terceiros pela sua incapacidade em gerir os seus próprios preconceitos.

«Maria Manuela Pinto Ramos» >> A homossexualidade é absolutamente normal, não deve ser impeditiva a qualquer cargo. Todos seres humanos.

«Victor Neves» >> Há situações que, por tão absurdas, são perfeitamente incompreensíveis. A conduta do Professor José Alberto Azeredo Lopes, com um passado irrepreensível, é um exemplo de cidadania, que deveria ser reconhecido por todos os portugueses. Atualmente, apesar de estar no início do desempenho das missões de governo para que foi indigitado (Ministro da Defesa Nacional), tem demonstrado o seu empenhamento na valorização das forças armadas e tem defendido, com toda a isenção, os mais elementares princípios da democracia. Por estes factos tem que se reconhecer ser, de total injustiça e irresponsabilidade, as leituras enviesadas que estão a ser feitas por gente e entidades a quem se exigia ser mais respeitadoras.

 

 

Para toda aquela tropa fandanga que anda por aí muito pesarosa por Azeredo Lopes não ter usado gravata num certo e determinado momento em que passou revista às tropas… Vejam as fotos e leiam o texto.

Azeredo Lopes vs Tropa Abr2016 aa.jpg
Comentário esclarecedor de Rui Bebiano no mural de Eduardo Pitta: "Só agora soube que o episódio com Azeredo Lopes foi há quatro meses e no Kosovo. Tal como aquele que aparece nesta imagem (a do ministro PAF). Em teatro de operações é internacionalmente consensual o uso de traje ligeiro, militar ou "desportivo", não o fato e gravata." Lamentavelmente alinham neste charivari alguns militares de Abril.

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«Jorge Oliveira E Sousa» >> Há muita diferença entre o "desataviado" ministro Azarado Lopes e a presença e o modo de vestir de Aguiar-Branco em situações similares. Diz-se que o ministro Azarado Lopes tem medo de visitar a Marinha pois enjoa no mar e não pode fazer nenhuma viagem numa fragata..

«João Castro Lemos» >> A diferença é que um é laranjinha e o outro é do PS, eu adoro o "diz-se" na net e nomeadamente no Facebook.

«José Camilo» >> Quando for uma mulher neste cargo pode ir vestida à minhota?

«Vanda Salvador» >> Preocupem-se com coisas mais importantes para o País, como a aplicação da justiça.

«Jorge Oliveira E Sousa» >> Vai ir dando para gozar...

«António Magalhães» >> De facto, quando este é o assunto do momento na nação, está tudo dito!



Publicado por Tovi às 07:56
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
António Costa foi indigitado Primeiro-Ministro

Cavaco Silva vs António Costa 24Nov2015 aa.jpg

Agora queremos saber quem vão ser os ministros... e depois vamos acompanhar com interesse a discussão do Programa do Governo.

 

  Os nomes do Governo de António Costa

O rol completo dos nomes do próximo Governo já está em Belém. Na lista que o primeiro-ministro indigitado disse (e cumpriu) estar em condições de apresentar “imediatamente” ao Presidente da República constam:

Mário Centeno na pasta das Finanças, devendo levar consigo para a secretaria de Estado das Finanças ou do Orçamento Ricardo Felix Mourinho - que nos últimos tempos tem surgido como seu braço-direito.

Manuel Caldeira Cabral, o académico da Universidade do Minho que também integrou o grupo de economistas que redigiu o cenário macroeconómico (e encabeçou a lista de deputados por Braga), na pasta da Economia.

Augusto Santos Silva nos Negócios Estrangeiros. O professor na Faculdade de Economia da Universidade do Porto já ocupou várias pastas nos Governos socialistas: a Educação e a Cultura, com António Guterres; os Assuntos Parlamentares e a Defesa com José Sócrates.

A Justiça será entregue Francisca Van Dunem.

Pedro Marques (antigo secretário de Estado da Segurança Social com Vieira da Silva) é o titular do Ministério do Planeamento e Infraestruturas (nova designação para as Obras Públicas).

Maria Manuel Leitão Marques terá a tutela da Presidência e da Modernização Administrativa - levando consigo, para esta última, como secretária de Estado, Graça Fonseca. Ambas são colaboradoras de sempre de António Costa.

Não haverá ministro dos Assuntos Parlamentares - Carlos César será um “super” líder parlamentar. A ligação institucional entre o Palácio de São Bento e a residência oficial do primeiro-ministro caberá ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos.

Vieira da Silva volta à Segurança Social, Capoulas Santos à Agricultura e Adalberto Fernandes será ministro da Saúde. Tiago Brandão Rodrigues, investigador bioquímico, cabeça de lista por Viana de Castelo, ocupa a pasta da Educação. Manuel Heitor, professor catedrático do Técnico, antigo secretário de Estado de Mariano Gago, fica com a Inovação, Ciência e Ensino Superior.

O Ambiente (renomeado Ministério do Ambiente e Mobilidade) será entregue a João Matos Fernandes, que ocupava até aqui a presidência das Águas do Porto.

Para a Cultura, Costa convidou João Soares.

Constança Urbano de Sousa será ministra da Administração Interna. Eduardo Cabrita fica como ministro adjunto. A Defesa foi entregue a Azeredo Lopes, que liderou a ERC.

Ana Paula Vitorino será ministra do Mar, Miguel Prata Roque secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e Mariana Vieira da Silva secretária de Estado Adjunta do primeiro-ministro. Margarida Marques será secretária de Estado dos Assuntos Europeus - Costa desistiu de criar um ministério com esta designação.

 

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«Diogo Quental» >> Fico contente com a Francisca Van Dunem na Justiça e João Soares na Cultura. Receio Centeno, que me parece precisar de maturar, e Santos Silva (que é, na prática, ter o Sócrates no governo).

«António Magalhães» >> Difícil compreender como é que se aceita uma antiga responsável pelos transportes que garantiu o não encerramento de várias linhas de caminho de ferro para ministra do Mar... E as linhas foram a do Tua, do Corgo e do Tâmega! à atenção do PCP e BE!

«David Ribeiro» >> Dos membros do grupo «Um novo norte para o Norte» já há um que vai para ministro… e é para a Defesa. Lá vai ficar o Presidente da Câmara do Porto sem Chefe de Gabinete [smile emoticon]. Em nome de todos os membros deste grupo desejo as maiores felicidades a José Alberto Azeredo Lopes nestas suas novas funções.

Resposta de Azeredo Lopes

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«Manuel Almeida» >> Não há problema. É por pouco tempo.

«David Ribeiro» >> Para quem não sabe o agora Ministro da Defesa – José Alberto Azeredo Lopes – é um grande Boavisteiro, doutorado em Relações Internacionais, professor da Escola de Direito da Universidade Católica do Porto e ocupou até agora o lugar de Chefe de Gabinete de Rui Moreira na autarquia portuense.

«Pedro Simões» >> 17 ministros? De facto ja acabou a austeridade para eles...

«David Ribeiro» >> Francisca Van Dunem na Justiça é capaz de ser uma má notícia para muita gente em Portugal e em Luanda… e ainda bem [wink emoticon]. 

«António Magalhães» >> E sobre a vice-presidente da Assembleia Municipal do Porto, não há nenhuma apreciação do nosso amigo David Ribeiro?

«David Ribeiro» >> Confesso que não sei das capacidades de Ana Paula Vitorino para as coisas do Mar… onde há tanto a fazer de importante e urgente.



Publicado por Tovi às 12:23
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2015
As sondagens “assassinas"

A opinião de José Alberto Azeredo Lopes, que além de ser um grande Boavisteiro é também alguém que prezo como Cidadão:

Azeredo Lopes RR 28Set2015.jpg

[RR, 28Set2015 08h25] - A maior e mais notável lição que se retirará destas eleições é que pela última vez será intelectualmente legítimo falar na votação “da” esquerda. A esquerda não existe (se calhar, nunca existiu) como conceito unitário em Portugal, essa esquerda morreu de morte morrida matada. E é hoje, isso sim, um notável, fascinante, incongruente saco de gatos.

Foi interessante verificar como, perante a sucessão recente de sondagens e “tracking poll” desfavoráveis para o PS, se animaram as hostes de Portas e Passos Coelho, se animaram as hostes do sector comunista e do Bloco de Esquerda e... desabou o ânimo socialista.

Compreende-se a actual euforia do PAF (sempre educadamente dissimulada), não se compreende menos a alegria da esquerda “hard” (evitei o hardcore!), mais dificuldade haverá em alcançar que o PS tenha estado à beira do suicídio e só agora tenha descido do banco em que se tinha pendurado para colocar a corda ao pescoço.

Que fique claro, nesta coisa das sondagens e outros estudos de opinião, não insinuo uma conspiração nem insinuo que estes estudos de opinião influenciam em muito a percepção do “vencedor” e por isso têm um efeito directo na votação. Porque é claro que não há conspiração. E é igualmente límpido que estes estudos de opinião influenciam os eleitores indecisos, pelo que neste caso não insinuo: afirmo.

O que parece, no entanto, é que a direita estaria aqui a discutir coisas semelhantes se estivesse “atrás” naquele campeonato diário. E que, por conseguinte, a questão em geral só poderia resolver-se com medidas proibitivas, do género “vamos proteger a livre autodeterminação dos nossos queridos e frágeis cidadãos eleitores, proíba-se a divulgação das sondagens e outras tracking não sei o quê”.

Ora, além de um absurdo, a medida seria uma tolice tão grande que nem valerá a pena gastar as teclas do computador a falar do assunto. São novas realidades, a que depressa nos habituámos. E espera-se, por isso, que os partidos igualmente estejam já habituados, apreciem ou não os “resultados” e as “tendências”.

Estando o PAF à frente, percebeu. Ficou mais doce, humilde, muito franciscano: “isto não conta nada, é animador, claro, mas o importante é dia 4, todos têm que ir votar”. Continuando para a tentativa de bingo: “Pedimos uma maioria para governar”.

O Bloco e a CDU também perceberam a benesse, que retira das suas costas a pressão do voto útil. Se o PS está em segundo, para que serve dar-lhes o voto da esquerda?

O PS, depois de algum desnorte, está outra vez a arrepiar caminho e a fazer pela vida, mas o seu tempo encurtou, sendo os próximos dois ou três dias decisivos: sim, ou sopas.

Porém, a maior e mais notável lição que se retirará destas eleições é que pela última vez será intelectualmente legítimo falar na votação “da” esquerda. A esquerda não existe (se calhar, nunca existiu) como conceito unitário em Portugal, essa esquerda morreu de morte morrida matada. E é hoje, isso sim, um notável, fascinante, incongruente saco de gatos.

Para lá da questão formal e terminológica, a conclusão empírica é sociologicamente muito importante. E vai resultar - a afirmação é convicta - em alterações muito relevantes das estratégias futuras político-partidária.

Mas, logo se verá.



Publicado por Tovi às 09:06
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Terça-feira, 31 de Março de 2015
Ser independente... com Rui Moreira

Uma forma precisa e concisa de explicar o que é ser independente com Rui Moreira... É que ainda há muita gente que não percebeu o que se passou no Porto nas últimas Autárquicas.

Azeredo Lopes ser independente com Rui Moreira Mar

Quando Rui Moreira (RM) concorreu à Câmara Municipal do Porto, o facto seria positivo só por ter rompido com o fado das listas partidárias. Quando se percebeu que era uma candidatura forte, plural e competente que tinha que ser levada a sério, foi melhor. E quando, contra todas as profecias e augúrios, ganhou, aí sim, passou-se para o muito importante.

Houve quem augurasse que agora é que iam ser elas. Que, como independente, o novo presidente da Câmara ia ficar uma rainha de Inglaterra, capturado pelo PP, que o tinha apoiado na candidatura. Ou pelo PS, com quem viria a ser celebrado um acordo de governo. Ou pelo PSD, claro, porque até ficava mal este ficar de fora. Em síntese: RM não podia ser independente. Pior, não podia sequer ser especialmente competente, pois que sempre lhe faltaria o "aparelho", a "máquina" pensante tática e estratégica.

Enganaram-se, e de que maneira. E naquilo que agora afirmo não sou mais parcial do que, por exemplo, Rui Sá, que nas páginas deste jornal desanca no governo do Porto com o vigor que Deus lhe deu crónica sim, sim, sim, sim, sim, não, sim, sim, sim, férias, sim, sim. Ou do que outros que juram imparcialidade de forma assanhada.

É verdade que antes tudo era dificílimo e meritório e agora nada tem mérito e tudo é facílimo. Mas, mesmo assim, e só a talhe de foice... As contas à moda do Porto não estão a ser (mais do que) cumpridas? Não foi lançada e bem lançada a Frente Atlântica? A Cidade não é ouvida extramuros? E a ação e habitação social, bem, não? O Fundo do Aleixo não está a ser resolvido? O concurso do Rosa Mota não foi lançado, por muito que isso pelos vistos cause urticária? O concurso do Bairro D. Leonor não está a andar, assim como o do estacionamento? O Bolhão não vai ter cara nova? Não conseguiu a cidade ficar a gerir o INATEL depois de aníssimos de tentativas frustradas? A reabilitação urbana não foi desbloqueada? E a Educação? E a Inovação? O Coliseu, RM não ajudou a resolver? E a Cultura, que derrubou barreiras, que incluiu sem ofender, que tal? Benzinho, vai-se andando, não é?

Quem supôs (ou sonhou) que não houvesse liderança e presidente da Câmara deve estar agora num canto a esfregar a testa com sabão. Antes isso, pelo menos fica a dita bem lavadinha.



Publicado por Tovi às 09:16
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Domingo, 13 de Abril de 2014
Estamos como o cão de Pavlov

Visão lúcida de Azeredo Lopes sobre o estado em que nos encontramos.

 {#emotions_dlg.meeting} [JN - Opinião]
Há questões internacionais que saltam de repente para a ribalta, porque  são espetaculares, dramáticas ou perigosas, mas que de repente se  desvanecem, sem se perceber bem porquê.

Olhe-se a Síria, de onde há meses surgiam jorros de notícias, apenas porque, naquela altura, se dava como quase certa a intervenção militar dos Estados Unidos. Alguém hoje fala nela, além de notas de rodapé a que só alguns curiosos ligam? Não. Quer isso dizer que a guerra civil naquele país acalmou ou que a situação humanitária dramática de há alguns meses é agora menos preocupante? Não, claro que não.

O desastre sírio continua e, provavelmente, até se deteriorou ainda mais, com a contaminação do Líbano. Apenas, para nós, o que se passa na Síria deixou de ser relevante, quando ainda há poucos meses o sentíamos como fazendo parte da nossa conceção mínima de humanidade e decência. E, porquê? Porque já nos habituámos a "este" horror em concreto? Porque nos deram outros "produtos" mediáticos para comermos gulosamente? Porque, tendo sido travadas as doses maciças de contrainformação com que nos bombardearam, compreendemos que se Assad é o Diabo, os que o guerreiam são, o mais deles, Diabos ainda piores? Deste menu, cada um escolha uma ou várias das hipóteses: ou até todas.

Estamos a assistir a um processo similar na Ucrânia. Comparada com a da Síria, a situação ucraniana é, numa perspetiva de direitos humanos, um jardim-escola ternurento e delicado. Mas, comparada com a Síria, a Ucrânia diz-nos e afeta-nos muito mais. Desta feita, existe um inimigo, o "nosso" inimigo (a Rússia), ao passo que na Síria fomos de facto assistindo no sofá a um "jogo" em que o "nosso" clube não participava. Na Ucrânia, por outro lado, pressentimos uma ameaça real, com consequências potenciais para o nosso bem-estar e segurança.

Ainda assim, se nos induziram a ficarmos entusiasmados com que ia decorrendo na Praça Maidan, em Kiev, e se pulularam os eufóricos quando as forças do "bem" (o novo poder) escorraçaram as forças do "mal", o entusiasmo foi-se tão depressa quanto tinha chegado. Porque a Rússia, nas circunstâncias sabidas, anexou a Crimeia (para uns) ou aceitou a Crimeia a "pedido" da sua população (para outros).

Porém, depois de um período breve de convulsão, com ameaças e contra-ameaças recíprocas, com negociações em que nenhuma das partes tinha a menor intenção de ceder um palmo que fosse, com decisões de sanções ou decisões que fingiam ser sanções, tudo acalmou. E a Ucrânia foi desaparecendo da agenda.

Estarei porventura enganado, mas parece-me que aquilo que tanto nos excitou na Ucrânia ainda não era o "jogo" propriamente dito: era, antes, o aquecimento dos jogadores antes de a contenda se iniciar. O jogo a sério, a doer (em que cada um mostra pela primeira vez todos os trunfos) está agora a começar.

O tal novo poder "democrático", perante a desestabilização no leste da Ucrânia (com pró-russos a ocuparem edifícios governamentais), ameaça usar a força militar e letal contra os "manifestantes", e uma deputada do novo Parlamento, um sofrível estafermo, declarou em estado de transe que, por ela, os fuzilaria a todos. Os tais "manifestantes", que aliás, como muitos dos "manifestantes" de Maidan, metem medo a um susto, ainda este sábado ocuparam uma esquadra de Polícia, recorrendo para o efeito à força. E a Rússia, à espreita, com os dentes afiados.

Pelo caminho, um duelo pelo menos tão importante como este, mas com forte cheiro a gás, vai sendo terçado nos bastidores. Como se sabe, a Rússia fornece gás a muitos países europeus, e muitos desses países dependem muitíssimo desse fornecimento. E se para a Rússia a perspetiva de perder estes clientes é dramática - porque colapsará economicamente -, para terceiros (nomeadamente, para os Estados Unidos), a perspetiva de ficar com o bolo gasoso é mais do que apetitosa.

Muito pouco se tem falado de toda esta questão, em que o destino da Ucrânia e dos ucranianos é indiferente para os principais atores (EUA, UE, Rússia). A Ucrânia, se tudo isto fosse um jogo de futebol, seria o relvado. E, quando o jogo decorre, alguém se preocupa com o estado da relva?

Nisto tudo, estamos como o cão de Pavlov. Vamos salivando, mas pouco vemos para além do osso meio roído que nos põem à frente dos olhos.


«Jose Antonio Salcedo» no Facebook >> Excelente texto.



Publicado por Tovi às 09:29
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Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013
A triste história do Capão

{#emotions_dlg.smile} Leio sempre com muita atenção o que escreve Azeredo Lopes - professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa do Porto, onde lecciona disciplinas na área do direito internacional – e desta vez fiquei a saber que “no ano 162 a.C. um senador romano, Caius Fannius Strabo, fez votar uma lei que não permitia o consumo de mais do que uma galinha por banquete. A sua intenção era boa, era até das melhores: numa altura em que a plebe vivia com dificuldades, pareceu-lhe obsceno que se engordassem as galinhas com cereais que eram necessários para fazer pão. Esqueceu-se, porém, da imaginação daqueles que queria limitar e da sua capacidade para contornar a lei. Porque estes, já que a lei se lhes não referia, começaram logo a comer galo e ainda por cima descobriram que, se lhe cortassem os tintins, o bicho ia engordar de forma desmesurada e ficar muito mais saboroso. Enfardavam-no, depois disso, com o grão com que já não podiam alimentar as galinhas: pelo que, da intenção e objectivos da tal lei, já nada sobrou.” Daqui retirou Azeredo Lopes duas lições: “A primeira é a de que, à conta das boas intenções do senador, quem se tramou foram os galos: por isso, de boas intenções está o capão cheio. A segunda é a de que, de alguma forma, o senador me lembra algum poder político. Até pode actuar pleno de boas intenções mas, no fim, no fim mesmo, alguém acaba sempre por nos cortar os tintins. De forma simbólica, naturalmente.”



Publicado por Tovi às 12:36
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