"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Domingo, 25 de Julho de 2021
Morreu Otelo Saraiva de Carvalho

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Requiescat in Pace

Apesar de várias tomadas de posição no pós-25Abril difíceis de entender para muitos portugueses, não nos podemos esquecer que Otelo foi o responsável pela elaboração do plano global do golpe militar que pôs fim à ditadura do Estado Novo.

 

    Comentários no Facebook

José Maltez - Morreu Otelo. Ele foi Abril e um pedaço da ilusão do Império, filho de um alfacinha e de uma goesa, que tanto comandou o golpe que derrubou Marcello Caetano, como andou à procura de uma revolução proletária. Foi um pedaço do meu tempo e um português antigo. Quem o odiar, não nos compreende. Agradeço-lhe ter transformado em teatro político o que podia ter sido uma guerra civil. Matámo-nos menos.

João Baptista Vasconcelos Magalhaes - Morreu Otelo, mas ficará sempre como o símbolo do 25 de Abril. Quem o conheceu sabe que era um homem de ideais, mesmo quando foi polémico. A sua memória é a memória dos dias mais felizes da vida de quem conheceu uma noite de medo. Falar de Otelo tem de ser mergulhar no silêncio da memória do que ele nos trouxe de melhor, as suas utopias de um Portugal mais feliz e mais justo. Que esteja em paz!

Henrique Monteiro - Apesar de tudo, das prisões e mortes de que foi cúmplice, o 25 de Abril deve-lhe muito. Depois de saber que eu fora, com Rogério Rodrigues (melhor diria que foi ele com a minha colaboração) a denunciar que Otelo era o líder das FP25, nunca deixámos de falar. O mesmo se pode dizer de Vasco Lourenço, que no PREC não foi bem tratado por Otelo e puseram as divergências para trás. Como sempre, em Portugal, é tudo gente boa.

João Greno Brògueira - Apesar de todos os desvios, que entretanto a Democracia Portuguesa sofreu e de todos os que aproveitaram a oportunidade para assaltar o poder pós 25 de Abril... Obrigado Otelo Saraiva de Carvalho

David Ribeiro – Completamente de acordo, Brògueira… e é mesmo por isso que não posso esquecer que na madrugada de 25 de Abril de 1974 Otelo conduziu, juntamente com outros cinco oficiais, do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas no Regimento de Engenharia N.º 1 na Pontinha, as operações militares que derrubaram o decrépito Estado Novo. (Entre estes cinco oficiais encontrava-se o meu saudoso comandante do Batalhão de Engenharia N.º 3, o Tenente-coronel Fischer Lopes Pires)

João Geirinhas Rocha - Otelo. Assim, sem mais, uma personagem maior que o homem, luzes e sombras, utopias e delírios, bravatas e ingenuidades, coragem e fuga, muitas vidas para caber numa pessoa só. O Expresso revelou há anos que era bígamo, tinha e vivia tranquilamente com duas famílias. Não há melhor metáfora para resumir a figura.

 

Várias figuras nacionais reagiram à morte de Otelo Saraiva de Carvalho

  O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu à morte de Otelo Saraiva de Carvalho, lembrando o papel central de comando na revolução do 25 de Abril e apresentando as condolências à família. "É ainda cedo para a História o apreciar com a devida distância", escreveu na nota enviada.

  "Otelo Saraiva de Carvalho foi o coordenador operacional da ação militar do Movimento das Forças Armadas, que, no dia 25 de abril de 1974, derrubou o regime do Estado Novo, pondo fim à mais longa ditadura do século XX na Europa e abrindo caminho à democracia", referiu o Governo em comunicado.

  "Se este país fosse justo, deveria ter morrido na prisão". Foi assim que André Ventura, líder do Chega, reagiu à morte do Capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho.

  O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, homenageou hoje Otelo Saraiva de Carvalho, "o maior símbolo individual do Movimento das Forças Armadas", que concretizou o sonho de todos os que "ansiavam por viver em liberdade".

  A ativista política e médica Isabel do Carmo lamentou a morte de Otelo Saraiva de Carvalho, considerando que, com o desaparecimento do militar e estratego do 25 de Abril de 1974, "acaba também uma época e uma utopia". "Esta manhã [ao saber da notícia da morte] senti uma coisa, senti que acabou, que, com [a morte de] este homem, acaba também uma época, uma utopia. Senti isso, emocionalmente. Senti a perda, o desaparecimento. Já não vai ser possível falar com ele", afirmou Isabel do Carmo a agência Lusa. Para a antiga dirigente do extinto do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), movimento que exerceu atividade clandestina através das suas Brigadas Revolucionárias (no PRP-BR), Otelo é, juntamente com Vasco Lourenço, "o dirigente do 25 de abril [de 1974], do Movimento dos Capitães e do derrube da ditadura".

  O PCP registou este domingo o papel de Otelo Saraiva de Carvalho no 25 de Abril, considerando que o momento da sua morte "não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político". "Sobre o falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho deve registar-se no essencial o seu papel no levantamento militar do 25 de Abril. O momento do seu falecimento não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político", refere uma nota do gabinete de imprensa do PCP. O Partido Comunista Português endereça ainda condolências à família e à Associação 25 de Abril.

  Tweet de Rui Rio - O dia da morte de Otelo Saraiva de Carvalho é momento para reconhecer o seu papel corajoso e decisivo no 25 de Abril e na conquista da liberdade. Competirá à História fazer, com isenção, a avaliação global de tudo que ele fez de bom e de mau. Hoje, não é o dia para isso.

  Declaração do ex-Presidente Ramalho Eanes - A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde. Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse. O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real. Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida. E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo. Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.



Publicado por Tovi às 10:44
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2021
Não pode haver portugueses de primeira e de segunda

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    Rui Moreira, ontem às 20h18
O presidente da Câmara do Porto considera ser “inaceitável que subitamente se crie uma situação de verdadeira exceção” quanto ao recrudescimento da Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo. Rui Moreira exige ao Governo e às autoridades de saúde “um tratamento equitativo”, considerando que não se podem alterar regras só porque se trata de Lisboa. “Prejudica a unidade nacional”, alerta.
O autarca, que numa declaração em vídeo, manifesta que, “como qualquer português”, é “totalmente solidário” com o recrudescimento da Covid-19 em várias zonas do país, em particular em Lisboa e Vale do Tejo, não deixa, no entanto, de observar que o que aconteceu nesta zona do país não pode ser tratado de ânimo leve.
“Depois do que sucedeu em Lisboa e Vale do Tejo, e estão identificadas as razões pelas quais houve este crescimento súbito, e muito preocupante, do número de casos, aquilo que se esperava é que fossem tomadas medidas semelhantes àquelas que foram tomadas no resto do país”, declara.

 

   Malta de Lisboa... vejam o que nós, os do Norte, já sofremos.
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  Task Force esclarece "aceleração" anunciada pelo Governo
Afinal, maiores de 30 e 40 serão vacinados em junho, em todo o país. "Aceleração" das inoculações é para a faixa etária que se encontra a ser vacinada agora, os maiores de 50. O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, anunciou esta terça-feira que a vacinação contra a Covid-19 será acelerada em Lisboa e Vale do Tejo (LVT), onde se encontra mais atrasada do que no resto do país, antecipando a inoculação dos dos maiores de 40 e de 30 anos. Contudo, fonte da Task Force disse à RTP que a medida será estendida a todas as Administrações Regionais de Saúde, ou seja, não foi criada exclusivamente para esta região.

 

   Governo na rede social Twitter
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Publicado por Tovi às 07:46
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2021
Vem aí uma bronca do caraças

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Como era previsível... e o Tribunal Constitucional vai dar razão ao Governo, seguramente. A Assembleia da República não podia ter aprovado esta lei, apesar de ser socialmente justa nos tempos que atravessamos, mas a verdade é que os deputados não têm mandato para isto. E o Presidente da República não ficou bem na fotografia.

    JN de 31mar2021 às 18h25

 

    O que diz a Constituição...
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Publicado por Tovi às 07:26
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Sexta-feira, 12 de Março de 2021
As medidas do novo Plano de Desconfinamento

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   Comunicado do Conselho de Ministros de 11 de março de 2021



Publicado por Tovi às 07:34
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Quinta-feira, 11 de Março de 2021
Qual o ritmo do próximo desconfinamento?

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Entendo que em casos muito especiais, como é esta Pandemia, as decisões políticas só deverão ser tomadas depois de ouvidos os mais reputados cientistas… mas convenhamos que não é tarefa fácil.



Publicado por Tovi às 10:40
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
Conselho de Ministros extraordinário

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No dia de ontem a ministra da Saúde disse-nos que todo o sistema de Saúde, incluindo Serviço Nacional de Saúde (SNS), setor social e privado e estruturas de retaguarda, está próximo do limite. E como se pode ver o gráfico da evolução da caraterização clínica em Portugal (atualizado ao dia de hoje) dá-nos “um sinal de elevada preocupação”, confirmando que a saúde está “numa situação de extremo esforço”.

Para hoje o Governo convocou um Conselho de Ministros extraordinário de cuja reunião deverão sair novas regras para o confinamento em vigor. Em cima da mesa estará a proibição de venda de bebidas ao postigo para evitar ajuntamentos à porta dos cafés, sendo também provável a possibilidade de abrir os centros de tempos livres (ATL) para crianças até aos 12 anos. O Presidente da Repúblia admitiu um agravamento de medidas,  considerando que o confinamento não está a ser levado a sério.

Ainda hoje um grande Amigo meu escreveu na sua página do Facebook (não digo quem ele é porque não lhe pedi autorização para o que estou aqui a contar): A propósito de pandemia e dos cuidados que a população continua a não assumir. Em conversa com um dirigente Chinês sobre liberdade, dizia-me: "Se tens tempo faz uma campanha de sensibilização, se não tens a campanha tem de ser de repressão". Na altura não fiquei muito convencido. Como hoje o entendo.
 
 
    Novas medidas de restrição decididas pelo Governo

Proibida venda ao postigo de bebidas alcoólicas.
Proibida permanência e consumo de bens alimentares à porta ou nas imediações dos estabelecimentos alimentares.
Encerrados todos espaços de restauração em centros comerciais, mesmo em take away.
Proibidas todas as campanhas de saldos, promoções e liquidações que promovam deslocação de pessoas.
Permanência em espaços públicos como jardins, pode ser apenas frequentados, não de permanência.
Solicitar aos autarcas que limitem acesso a locais de grande concentração de pessoas em frentes marítimas ou ribeirinhas, assim como de bancos de jardins, parques desportivos - como ténis ou padel.
Encerrados centros de dia e de convívio.
Teletrabalho: todos os trabalhadores que tenham se deslocar carecem de credencial emitida pela empresa, todas mas empresas de serviços com mais de 250 trabalhadores têm de enviar em 48h à Autoridade para Condições de Trabalho da lista nominal dos que estarão em trabalho presencial.
Reposta a proibição de circulação entre concelhos ao fim‑de‑semana. Todos estabelecimentos devem encerrar às 20h dias úteis e às 13h aos fim‑de‑semana (menos retalho alimentar, que aos fim‑de‑semana se pode prolongar até às 17h).
Reforço de fiscalização da ACT e das forças de segurança - que terá mais visibilidade nas imediações de estabelecimentos escolares, para dissuadir e impedir ajuntamentos.



Publicado por Tovi às 14:20
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021
Novo Confinamento Geral

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   O Parlamento aprovou a renovação do Estado de Emergência
O Parlamento aprovou ontem a renovação do estado de emergência por mais 15 dias, até dia 30 de janeiro. PS, PSD, CDS, PAN e Cristina Rodrigues votaram a favor, PCP, PEV, Chega, IL e Joacine Katar Moreira votaram contra e o BE absteve-se. Houve duas alterações no sentido de voto relativamente à última votação: CDS e PAN, passaram da abstenção para o voto a favor. Fica assim formalmente confirmado que o país iniciará um novo confinamento nesta quinta-feira. O Governo irá agora decidir e divulgar as medidas concretas.

 

    Confinamento a partir de sexta-feira
As missas serão permitidas, as farmácias e dentistas estarão abertos, mercearias e supermercados ficam de porta aberta, mas com espaço delimitado. Ginásios e pavilhões fechados, mas a primeira Liga de futebol prossegue. Cultura fechada, mas tribunais abertos. Os serviços públicos só funcionarão com marcação.
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    O que vai fechar... e as 52 exceções.  - Ver aqui.

 


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Publicado por Tovi às 07:33
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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2021
Primeiras sondagens do ano da Pitagórica

   Se as Legislativas fossem hoje
Partido Socialista lidera com uma vantagem de perto dos 15 pontos percentuais sobre o PSD.
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   Presidenciais 2021
Uma clara indicação da reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa (67,9%) e um empate no segundo lugar para Ana Gomes e André Ventura (11,4%).
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Publicado por Tovi às 11:49
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Sábado, 5 de Dezembro de 2020
Declaração de amor... em época de confinamento

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   Vai ser assim...
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Publicado por Tovi às 07:00
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2020
O que dizem os peritos na 13.ª reunião no Infarmed

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Está a decorrer esta quinta-feira de manhã a 13.ª sessão de apresentação sobre a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, no Infarmed, em Lisboa, com a presença do presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

   "Boa notícia": pico foi a 25 de novembro
André Peralta Gomes, da DGS, destacou que há uma "boa notícia" no que toca à situação epidemiológica do país: a 25 de novembro deu-se a "consolidação de um pico" e tem havido uma "tendência de descida" dos contágios, que se espera que seja consolidada nos próximos dias. Deu-se um "desagravamento em vários municípios, sobretudo na região Norte", apesar de, aí, as incidências ainda serem "muito elevadas". No Centro e em Lisboa e Vale do Tejo também está a descer, mas no Alentejo e nos Açores continua a subir.

   Norte regista melhoria
Óscar Felgueiras, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, disse que nos últimos dias tem havido "uma melhoria" no que toca à situação da região Norte. Deu-se uma "descida generalizada em quase todos os distritos" da região, excepção feita ao norte do distrito de Vila Real. As zonas do Porto, Maia e Matosinhos já têm menos de 960 infetados por 100 mil habitantes. De acordo com o especialista, o pico de casos na região deu-se relativamente cedo, entre 29 de outubro e 4 de novembro, a que se seguiram vários dias de "estabilização". No entanto, o pico não foi igual em todas as faixas etárias: no setor acima dos 70 anos, este ocorreu entre 9 e 12 de novembro. Paços de Ferreira, o concelho que teve a incidência mais alta, conheceu o pico a 3 de novembro; em Lousada, esse fenómeno ocorreu no dia 16.

    Índice de transmissão já está abaixo de 1
Baltazar Nunes, do Instituto Ricardo Jorge, revelou que o R, que indica o número médio de de pessoas que cada infetado contagia, é agora de 0,99. Ou seja, em média, cada portador do vírus já contagia menos de uma pessoa. Portugal entrou, assim, numa fase de "decrescimo ou estabilização de incidência". Baltazar Nunes recordou que a situação epidemiológica nacional é "muito dominada" pela realidade da Região Norte. Esta tem agora um R de 0,96. O especialista do Instituto Ricardo Jorge considerou que medidas como o estado de emergência ou a redução da circulação poderão ter contribuído para esta redução. No entanto, "é preciso esperar algum tempo" para comprovar se esta tendência de descida se mantém, alertou.

    Pico de óbitos no final do mês, média de 76 por dia
Manuel do Carmo Gomes, professor de Epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), indicou que há a estimativa de que o pico de óbitos se atinja no final de dezembro, com uma média de 76 óbitos diários. O total acumulado no fim do ano deverá oscilar entre os 6 mil e 6500 mortos de covid-19 desde o início da pandemia, em março. Na quarta-feira, Portugal registava 4645 mortes de covid-19.

   Imunidade de grupo é incógnita
João Gonçalves, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, explicou a forma como atuam os sistemas imunitários e as vacinas. "A vacina não vai criar imunidade igual para todas as pessoas", afirmou. O especialista destacou que tem havido progressos ao longo dos últimos oito meses e que a vacina vai conseguir desenvolver anticorpos de "elevada potência". No entanto, afirmou que ainda não é possível saber quando será criada a imunidade de grupo. A imunidade ao vírus também irá variar conforme a idade, já que o sistema imunitário dos mais idosos é menos eficaz. "É importantíssimo continuar a proteger os grupos de risco", defendeu. E em relação às reações adversas das vacinas deixou uma recomendação aos portugueses: "Não tenham medo das reações adversas. São reações do vosso sistema imunitário".

    Globalização e clima podem gerar novas pandemias
António Roldão, do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, explicou como são produzidas as vacinas. O especialista alertou que, em virtude de fenómenos como a cada vez maior circulação de pessoas ou as alterações climáticas, é "expectável" que surjam novos vírus ou novos surtos de vírus já conhecidos. Desde o início do século já houve cerca de 20, vincou.

   Há 274 vacinas em desenvolvimento
Fátima Ventura, do Infarmed, revelou que há, neste momento, 274 vacinas em desenvolvimento. Destas, 59 estão já em ensaios clínicos.

   Dois em cada 1000 portugueses poderão propagar vírus no Natal
Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, abordou a questão da incerteza que grassa em torno da pandemia. O especialista destacou que cerca de um milhão de portugueses já terão estado em contacto com o novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, embora tenha alertado que a margem de erro varia entre os 600 mil e os 1,8 milhões. O especialista afirmou que, no Natal, cerca de dois em cada 1000 portugueses poderão infetar outros. “Se em cada família o risco é pequeno, multiplicado por muitas reuniões corresponderá à ocorrência de muitas infeções", afirmou. Quanto à vacina, se esta tiver uma eficácia de 100%, será necessário vacinar 67% dos portugueses para obter a imunidade de grupo. No entanto, se a eficácia for de 90%, será necessário vacinar 74% dos cidadãos e, se caísse para 70%, seria necessário vacinar 95% dos portugueses. Segundo Henrique de Barros, neste momento uma “proporção alta” da população já estará imune ao vírus. Mas “não sabemos é por quanto tempo e quem são essas pessoas”, concluiu.

   Cerca de 20% das pessoas admitem não usar sempre máscara
Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de LIsboa, afirmou que, nos últimos tempos, os comportamentos dos portugueses têm sido "tendencialmente um pouco mais concordantes com as medidas propostas”. No entanto, ainda há 20% de pessoas (das inquiridas num estudo desenvolvido pela especialista) que admitem não usar sempre máscara quando saem de casa e 40% que dizem que não utilizam quando estão em grupos de 10 ou mais pessoas. A nível de saúde mental, são os cidadãos com maior escolaridade que têm reagido pior às restrições. Já os mais jovens ressentem-se sobretudo da imposição das medidas de distanciamento social. Cerca de 40% dos inquiridos evitam ou adiam consultas médicas por receio de contrair o vírus da covid-19. 50% acham que as medidas que o Governo tem tomado são "pouco ou nada adequadas" (um indicador que tem piorado, revelou Carla Nunes) e 70% duvidam da capacidade dos serviços de saúde na resposta às doenças não covid. A confiança dos portugueses na vacina também está a aumentar, revelou a especialista.

   As perguntas de Marcelo e o "otimismo" dos peritos
1) Como veem o mês de dezembro em relação ao início de 2021? Ainda estamos a atingir o pico?
Manuel Carmo Gomes respondeu que está "otimista em relação ao fim do ano" e sobre "o que se vai passar até ao fim do primeiro trimestre". "Tenho esperança de que, quando chegarmos ao Verão, já estejamos próximos de retomar a normalidade", concluiu.
2) No quadro das medidas a adotar, como veem a questão da deslocação e da mobilidade das pessoas? Qual é o grau de relevância da mobilidade nos períodos de Natal e fim do ano?
Carmo Gomes admitiu que, no Natal, haverá "inevitavelmente" um aumento de contágios, mas disse esperar que esse fenómeno já possa ser controlado através da vacinação. Baltazar Nunes sugeriu a hipótese de se criarem "bolhas de Natal" como no Reino Unido - ou seja, que as famílias reduzam o número de contactos sociais antes e depois dessa festividade.
3) Henrique de Barros apontou para entre 10% e 20% de imunizados, mas outros estudos apontam para valores na ordem dos 4% ou 5%: “É relevante saber o grau de imunidade dos portugueses”.
Henrique de Barros respondeu que está "confiante" quanto à evolução da imunidade de grupo. No entanto, disse ser "fundamental" que se desenvolva um inquérito epidemiológico nacional, de modo a conhecer "verdadeiramente" o "grau de defesa" da população.
4) Começa a haver uma evolução no sentido de se aceitar a vacinação ou, como no caso da gripe, pode haver perigo de um protesto generalizado em virtude da escassez de vacinas?
Carla Nunes recordou que, segundo o estudo que desenvolveu, mais de 20% dos portugueses afirmaram querer tomar a vacina assim que puderem. Mais de 50% também disseram querer tomá-la apesar de terem algumas reservas e apenas 7% afirmaram não ter intenções de a tomar. A especialista referiu que os dados mostram que já há uma "predisposição" a nível nacional no sentido de ser vacinado e desvalorizou os 7% de céticos mais radicais. No entanto, vincou a necessidade de as mensagens da campanha de vacinação terem de ser "muito curtas e claras".

 


As novas medidas para o combate à covid-19 vão ser conhecidas no próximo sábado. Mas ao contrário do que tem acontecido, as restrições deverão durar até ao início do próximo ano, ao invés de durarem apenas 15 dias.


Parlamento deu 'luz verde', na tarde desta sexta-feira [04dez], ao decreto do Presidente Marcelo que prevê o prolongamento do Estado de Emergência em Portugal até 23 de dezembro, mas sinaliza já outro prolongamento, até 7 de janeiro. Tal como previsto, PS e PSD - que juntos somam mais de dois terços dos deputados - e a deputada não inscrita Cristina Rodrigues votaram a favor. PCP, Verdes, IL, Chega votaram contra e BE, CDS, PAN e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira abstiveram-se.



Publicado por Tovi às 10:17
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Sábado, 28 de Novembro de 2020
Ministra assumiu estar cansada, mas recusa desistir

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Durante a primeira vaga desta pandemia várias vezes elogiei a ministra Marta Temido pela forma como estava a gerir o SNS no “ataque” ao vírus SARS-CoV-2, mas nesta segunda vaga parece-me ter falhado redondamente. Vejamos o que esta semana nos disse sobre o número de camas nas unidades de cuidados intensivos – dobraram as camas em UCI – mas ao que consta as camas existem, não havendo porém pessoal qualificado suficiente para as tornar operacionais. Poder-se-ão desviar médicos, enfermeiros e demais técnicos hospitalares de outros serviços, mas quem vai “pagar” vão ser os doentes doutras patologias. Também a vacinação contra a gripe foi um desastre, havendo neste princípio de dezembro milhares de portugueses à espera de uma vacina. Há quem diga que no meio de uma batalha não se mudam os generais… mas mais vale um simples mas bom sargento do que um mau oficial superior.

É verdade que a manta é curta e se a puxarmos para cima ficam os pés de fora e se taparmos os pés apanhamos frio na cabeça... mas já vamos no oitavo mês de pandemia pelo que já era exigida uma outra forma de "atacar" as dificuldades. Esperemos que a prometida vacinação contra a Covid-19 não seja um desastre... para já algumas afirmações e logo de seguida os desmentidos, não auguram nada de bom.
 
    Comentários no Facebook
Altino Duarte - Não posso ter uma opinião formada e justa sobre a Ministra Marta Temido mas parece-me também arriscado possuir certezas sobre a sua competência a partir de declarações ou de medidas tomadas que porventura possam ser discutíveis e até contestadas pelos vários orgãos do SNS, muitas vezes tornadas públicas e nem sempre correctas pela C.S. Os profissionais em cuidados intensivos não se formam com a rapidez que a pandemia justificaria e, por isso, não estou a ver outra solução que não seja a deslocação de médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde, embora não especializados, de outros serviços das unidades hospitalares para as UCI. Pois, quem vai "pagar" são os doentes de outras patologias mas, assim sendo, porque razão uns responsáveis por esses estabelecimentos hospitalares têm um procedimento de acordo com o problema e outros não, isto é, porque razão uns funcionam apesar de todas as dificuldades relativamente bem e não acontece de forma idêntica nos demais? Há muitas críticas sobre casos concretos nomeadamente nos Centros de Saúde devido à sobrecarga que a pandemia trouxe ao seu funcionamento ( já antes do Covid alguns deles não eram bons exemplos) mas é justo que se faça esta pergunta : porque razão nuns as coisas também funcionam melhor que noutros? Porque razão há utentes que não se queixam do modo como a administração das vacinas se verificou em determinados locais e estão vacinados e há outros que estão descontentes porque o mesmo não se passou nas unidades a que pertencem? Sempre foi assim e continua a ser, há instituições ( públicas e privadas) que funcionam de forma diferente. E tendo o MS a estrutura que se imagina, os inúmeros orgãos e profissionais que comporta, será justo que nestes tempos trágicos da pandemia se questione a competência da ministra Marta Temido ? Poder pode, como é evidente, fazer uma apreciação de quem é o responsável máximo pela Saúde mas alguém terá conhecido na vida alguma instituição pública ou privada cujo funcionamento tenha sido de uma completa impecabilidade? Pela minha parte digo já que não conheci nenhuma. E muitas delas tidas como exemplares, a todos os níveis, por muito boa gente...

David Ribeiro - Sim, Altino Duarte, isso que diz é tudo verdade... mas uma das funções de um ministro é criar condições para funcionar todo o seu ministério e para isso a Saúde tem uma estrutura (pesada) espalhada por todo o país. Como várias vezes já se verificou o centralismo do Terreiro do Paço não consegue chegar à população. Ainda há pouco tempo e na impossibilidade de marcar uma consulta urgente para a minha mulher (dois meses com telefonemas e e-mails não respondidos) vi-me na necessidade de reclamar à Entidade Reguladora da Saúde... curiosamente (ou não) dois dias depois estavam a marcar-me a consulta. Isto não pode continuar assim.

 

   Situação hospitalar em Portugal
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Publicado por Tovi às 07:36
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Domingo, 1 de Novembro de 2020
Novas medidas para o combate à pandemia

Os concelhos portugueses mais afetados pela pandemia vão ser alvo de medidas adicionais para combater o avanço da covid-19, a partir das zero horas desta quarta-feira, 4 de novembro, até pelo menos ao final do dia 15 de novembro. As novas regras foram anunciadas em conferência de imprensa pelo primeiro-ministro António Costa após o fim do Conselho de Ministros extraordinários deste último sábado.
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   O Governo corrigiu hoje (2nov) a decisão tomada no sábado.
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Publicado por Tovi às 08:36
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Sábado, 31 de Outubro de 2020
Avaliação dos portugueses ao PR, Governo e oposição

... no barómetro político da Aximage para o JN e a TSF.
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Publicado por Tovi às 10:31
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2020
Discussão do Orçamento do Estado para 2021

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   Debate parlamentar 

Rio questiona Costa sobre TAP e Novo Banco
"Para quando o plano de reestruturação da TAP?", questiona Rui Rio. E pergunta ao Governo o que fará se a TAP continuar a pretender "servir apenas a região de Lisboa". Antes questionou o Executivo sobre o Novo Banco. “Se chegarmos a abril ou maio com contas fechadas e o Novo Banco precisar de 900 milhões que ainda tem direito, o que é que o gGoverno faz? Paga mesmo antes de se concluir a auditoria no Tribunal de Contas?”.

Costa: "TAP não pode falir"
"Queremos a TAP ou deixar falir a TAP? A TAP não pode falir, do nosso lado ninguém tem dúvidas", respondeu António Costa, instando o PSD a esclarecer o que prefere. No Novo Banco, respondeu a Rio que este Orçamento não empresta dinheiro do Estado para o Fundo de Resolução e este não pode injetar no banco mais de 400 milhões de euros. “Se for rejeitado, mantemo-nos em regime de duodécimos com o OE de 2020 e permite que o Estado entregue ao Fundo de Resolução 800 milhões e que este empreste ao Novo Banco 1200 milhões de euros"

Catarina Martins fala em "recuo"
Catarina Martins disse que a proposta de OE2021 "é um recuo" na Saúde e porque "mantém cortes da troika no subsídio de desemprego, ao empurrar os desempregados de longa duração para reformas antecipadas com grande penalização".
"É um recuo", continuou a líder do BE, no corte dos apoios aos trabalhadores do Turismo, Cultura e Hotelaria. E exemplificou, que perdem apoio os trabalhadores que tenham um conjuge que ganhe 850 euros ou um jovem que viva na casa dos pais que tenham o salário mínimo nacional.
O objetivo do BE é "não excluir ninguém do subsídio de desemprego e não cortar apoios". Na Saúde, "precisamos de mais meios e mais profissionais", apontou.

Costa diz a PCP que não quer Bloco Central
"É para nós claro que este OE não dá resposta aos problemas estruturais" de Portugal, mas "não desistimos da batalha antes de a travar", explicou Jerónimo de Sousa, dizendo que a abstenção do PCP é "um ponto de partida e não de chegada". O secretário-geral irritou-se no início da sua declaração: "Está a achar graça, não acho graça nenhuma", reagiu Jerónimo, visivelmente chateado enquanto as imagens mostravam Rui Rui a rir-se. O PS tem de "clarificar" se é com o PCP que vai convergir, disse ainda, em contraponto com "outros interesses".
António Costa respondeu que já deixou claro que não quer "fazer nenhum bloco central" e a "vantagem é que nem PS nem PSD querem". O primeiro-ministro diz estar otimista no trabalho que será feito na especialidade. "Trabalhar na fase da especialidade com a mesma determinação" que tem mostrado foi o compromisso que assumiu com Jerónimo. "O trabalho com o PCP é indispensável para o sucesso" do OE.

OE é a "ilusão da Esquerda de distribuição de riqueza sem a criar"
Telmo Correia, do CDS-PP, concordou que "este OE é um Orçamento de Esquerda". "Nunca seria o nosso", assegurou, explicando porquê: "parte da velha ilusão da Esquerda de distribuição de riqueza sem a criar."
"Os fundos têm fim e depois não há economia que resista a isso", acrescentou.
"Este OE não tem nada para as empresas. É um orçamento que pode 'distribuir algum peixe, mas não dá a cana nem ensina a pescar'", defendeu o deputado centrista.

"É preciso ir mais longe". Costa acredita em "mais avanços"
Inês Sousa Real explica a abstenção. "Este OE não é o que o PAN apresentaria aqui", disse ao primeiro-ministro, mas "ainda é possível que venha a possuir as bases necessárias" para a recuperação económica, social e ambiental. Acredita também em compromissos para um desenvolvimento mais sustentável. "É preciso ir mais além senhor primeiro-ministro", resumiu a deputada, dizendo que o PAN, como partido "responsável e comprometido com o país", apresentará propostas na especialidade.
António Costa respondeu que há outras propostas do PAN que "é preciso ainda trabalhar na especialidade", para além das que foram já aceites. Admitiu discordar de algumas propostas que vão ser discutidas após a aprovação na generalidade do OE e ter abertura para outras. Acredita em "mais avanços" nas "matérias convergentes" entre Governo e PAN.

PEV: Aeroporto no Montijo "é um monumental erro"
O deputado do partido ecologista Os Verdes, José Luís Ferreira, questionou o primeiro-ministro sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa.
"Qual a abertura do Governo para avaliar os problemas ambientais do novo aeroporto no Montijo? É um monumental erro", declarou.
José Luís Ferreira questionou ainda sobre o estatuto dos trabalhadores judiciais. "Julho já lá vai e até agora nada".
E respondeu a Telmo Correia, do CDS-PP, "que trouxe os Verdes ao debate falando em jogatanas políticas", afirmando: "o PEV nada tem a ver com birras irrevogáveis como fez o CDS-PP de Paulo Portas".

Costa destaca acordo com PCP para mais 10 euros nas pensões baixas em janeiro
André Ventura, deputado do Chega, ironizou que António Costa vem "agora lamentar-se de que o BE é um partido oportunista". Atacou depois as propostas do Orçamento do Estado e a falta de atualização das pensões. O primeiro-ministro diz ter ficado "preocupado com a visão do Chega para os pensionistas" e aproveitou a resposta para destacar o acordo com o PCP que permite aumentar todas as pensões mais baixas em 10 euros já em janeiro.



Publicado por Tovi às 16:28
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Domingo, 18 de Outubro de 2020
A opinião livre, lúcida e independente de Rui Moreira
O Estado detém agora 72,5% do capital da TAP… Quem ficou a ganhar?
 
     No Expresso deste fim-de-semana

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É difícil gostar de quem nos abandona
Há quatro anos, em “TAP- A Caixa Negra”, escrevi que não é uma empresa vulgar. É a última das “empresas coloniais”. A reversão parcial da privatização, ocorrida então, constituíra uma medida meramente ideológica, porque o Estado abdicou, ao recuperar a posição dominante, de ter voz na gestão corrente e na estratégia que determinaria o serviço a prestar. Ao optar por ser “silent partner”, o Estado deixara que a empresa continuasse a ser gerida unicamente pelo Sr. Nielman. Por critérios exclusivamente privados.
O que se passou entretanto? Sem surpresa, Antonoaldo Neves revelou-se mais competente que o seu antecessor. Fernando Pinto, para além da tragédia do “handling” no Brasil, capturou as loas da subserviente clientela opinativa da capital, mas deixou a TAP em situação de aflição. Antonoaldo arrepiou caminho. Concluiu que a política de abandono do Porto e a concentração no “hub” de Lisboa constituíra um erro crasso: a concorrência aproveitara a saída da TAP de um importante segmento do mercado, e assegurou as ligações directas que a crescente procura pelo aeroporto do Porto ia viabilizando, enquanto a ponte aérea se saldara num fracasso por razões operacionais resultantes da inadequação da frota e do esgotamento da Portela.
Quando a crise bateu à porta, a TAP ensaiava essa inversão de rumo. Estava em curso a retoma dos voos directos do Porto para os EUA e Brasil. Nielman desenhara um plano de reapetrechamento com a aquisição de 71 aviões à Airbus que resultaria em economias operacionais e no reforço da componente intercontinental, apesar das eternas dificuldades com os tripulantes de cabine devido aos privilégios e benesses desajustados à concorrência e à operação de uma companhia contemporânea.
Se o primeiro trimestre anunciava um possível resultado positivo em 2020, a pandemia tornou tudo irrelevante. Com os aviões em terra, os privados procuraram, legitimamente, mitigar as suas consequências. Nielman fez o “bluff” que lhe interessava: provocou o Governo, que se viu confrontado entre deixar a companhia ir à falência ou intervir de forma musculada. A opção pela renacionalização era expectável, pela tentação ideológica e pelo interesse que a TAP tem para a capital. Invocou-se, aliás, o turismo de Lisboa como argumento para manter a companhia. Um argumento insólito, porque mal estaria Lisboa se precisasse da TAP para ser competitiva enquanto destino turístico de excelência, e porque esquece que o Norte, o Algarve e a Madeira também têm turismo. E não têm a TAP.
Sei que alguns continuarão a dizer que, se a TAP não oferece serviço ao Porto, é porque esse não é um bom negócio. Disseram-no quando era semiprivada, e continuarão a dizê-lo agora. Curiosamente, o que para a TAP é mau negócio parece ser bom negócio para a Lufthansa, companhia de bandeira que hoje transporta mais passageiros de e para o Porto do que a TAP e não custa um cêntimo ao nosso erário público. Mas, admitindo que a realidade económica das duas companhias de bandeira seja diferente, fica a questão: se a TAP deve olhar ao bom negócio, conseguirá demonstrar que o negócio que concentra (de e para Lisboa) é bom e algum dia será sustentável?
A verdade é que o Estado detém agora 72,5% do capital. Quem ficou, para já, a ganhar? Seguramente o accionista estrangeiro (que salvou algum património e se libertou de garantias), os bancos financiadores, e os trabalhadores históricos da TAP.
O que ninguém conseguiu explicar é onde começa e termina o interesse estratégico de manter a empresa. Ninguém nos disse que parte da operação é estratégica para o interesse nacional, ou quem e como chegou a essa conclusão. Ninguém avaliou o custo comparado de proceder à liquidação ordeira (envolvendo os accionistas privados e salvaguardando direitos laborais) ou de manter esses accionistas e partir para a criação de duas novas empresas aéreas mais sustentáveis e com um diferente grau de especialização: um operador de bandeira e um operador intraeuropeu, como tem sucedido com outras companhias europeias.
Sabe-se que a TAP acaba de anular ou adiar as encomendas à Airbus e avalia a venda de alguns dos seus 108 aviões e a devolução de outros que opera em regime de locação; que perdeu quase 200 milhões de euros em contratos de combustíveis e em cambiais; que a dívida bancária já excede 1,4 mil milhões de euros; que reduziu significativamente o seu quadro de pessoal e que, como é típico em Portugal, os sacrificados foram os trabalhadores mais recentes, com contrato a prazo, enquanto os outros mantêm todos os seus direitos e benefícios. E sabe-se que a empresa já recebeu 40 porcento do empréstimo de Estado de 1,2 mil milhões de Euros, faltando apresentar a Bruxelas um plano de reestruturação.
Em 2016, na conclusão do meu livro, escrevi que, não querendo ter razão, temia que estivéssemos a assistir ao fim da empresa, que fossemos ser chamados, enquanto contribuintes, a pagar o seu gigantesco passivo e acabássemos então, mais pobres, sem glória e sem companhia de bandeira. Ainda que por razões diferentes, e em contexto mais difícil, a minha preocupação é hoje apenas maior.
“A TAP é do povo português para o bem e para o mal”, disse o Ministro. É uma lapalissada que a ninguém comove. O que importa é perceber para que nos serve, a quantos de nós serve. Para que não seja um vício caro, numa altura em que tantos estão a perder os seus empregos e os seus negócios, é necessária uma reestruturação que dificilmente será feita na esfera da gestão pública, e que dificilmente questionará velhos paradigmas. Se o interesse estratégico é, apenas, o de promover Lisboa, então concentrem a operação na capital mas disponibilizem verbas proporcionais ao Norte, ao Algarve, à Madeira e aos Açores que seguramente não terão dificuldade em encontrar outros motores, e outros operadores aéreos que apostarão na sua retoma. Se o interesse estratégico é o de garantir ligações estratégicas às regiões autónomas e a alguns PALOP, coisa que a TAP não tem feito de forma regular ou eficiente, então avaliem o custo e recordem-se que temos três aeroportos no continente.
E, por favor, não digam que não gostamos da TAP. É difícil gostar de uma empresa que de pouco nos serve, que nos abandona à primeira dificuldade, e que não serve os interesses do povo.



Publicado por Tovi às 07:26
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