"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
A camioneta-fantasma

Foi há 100 anos!...

   Noite Sangrenta (outubro 1921)

Captura de ecrã 2021-10-17 114336.jpg

“A camioneta-fantasma! Foi o nome rocambolesco, filmesco com que o povo, os jornais atónitos ante o rocambolesco, filmesco capítulo das nossas revoluções, batizaram o estranho veículo de tragédias, em que se tornou uma simples camioneta da Administração Militar.”

No dia 19 de outubro de 1921, eclode uma revolta militar sob o comando do coronel Manuel Maria Coelho, antigo revolucionário do Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891. O chefe do Governo, António Granjo, apresenta a demissão, mas o Presidente da República, António José de Almeida, não nomeia um novo executivo.
Neste ambiente de impasse, na noite de 19 para 20 de outubro, um grupo de civis e militares, liderado pelo cabo marinheiro Abel Olímpio, conhecido por O Dente de Ouro, conduz os acontecimentos da designada Noite Sangrenta.
Uma camioneta – a "camioneta-fantasma" – percorre Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que, forçadas a entrar no veículo, são posteriormente executadas. Na Noite Sangrenta são assassinados, entre outros, o Primeiro-Ministro, António Granjo, e dois protagonistas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Machado Santos e Carlos da Maia.
No dia 20 de outubro, A Capital apresenta um relato do sucedido na noite anterior:
“Grupos de revolucionários armados tinham ido a casa do capitão sr. Cunha Leal, onde prenderam o sr. dr. António Granjo (…) e ao que parece também a casa do capitão de mar e guerra Carlos da Maia, onde igualmente prenderam este oficial. (…)
Conduzidos em automóvel ao Arsenal da Marinha, ao ser aberto o portão (…) uma grande multidão armada (…) entrou de roldão, começando logo a apupar os dois presos (…).
Quando (…) chegaram ao quarto do 1.º andar, em que deviam ficar detidos (…) foram alvo de bastantes tiros. (…)
Pouco depois da morte do sr. dr. António Granjo e do sr. Carlos da Maia, deu-se em condições idênticas a do sr. Freitas da Silva, que foi chefe de gabinete do ministro da Marinha demissionário. Um grupo de indivíduos fora buscar a sua casa aquele senhor, metendo-o no “camion” da Guarda Republicana que seguiu para o Arsenal da Marinha. Ao chegar à porta daquele estabelecimento, foi atingido por vários tiros, falecendo instantaneamente.
Cerca da meia-noite um grupo de indivíduos foi a casa do almirante sr. Machado Santos, na rua José Estêvão, convidando a acompanhá-lo ao Arsenal da Marinha. No Intendente, porém, estabeleceu-se discussão entre aqueles indivíduos e o preso. Acabando o sr. Machado Santos por ser morto a tiro.”
No dia do funeral de António Granjo, a 24 de outubro, o Diário de Lisboa apresenta uma reconstituição das últimas horas do antigo governante, desde o pedido de abrigo na casa de Cunha Leal até ao desfecho no Arsenal na Marinha, que testemunha a crueldade do crime:
“O chefe do governo vencido mantém até ao fim a coragem que o abatimento não excluiu (…) Lança as suas últimas palavras, em que há ódio e resignação: Já sei o que vocês querem! Matem-me, que matam um bom republicano!
Soou uma descarga. (…) Granjo caiu ao comprido vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões, quando um dos assassinos (…) sacou da espada e a cravou no estômago com violência tal que, atravessando o corpo, ficou presa ao sobrado.
Depois, friamente, o facínora, pondo o pé sobre o peito de António Granjo, sacou a arma e gritou triunfalmente, mostrando-a aos companheiros.
– Venham ver de que cor é o sangue de porco!”
Após o interregno dos trabalhos do Parlamento, em 2 de março de 1922, a Câmara dos Deputados e o Senado prestam homenagem aos antigos parlamentares vítimas do massacre da Noite Sangrenta, exigindo o apuramento da verdade.
A homenagem é uma oportunidade para refletir sobre os confrontos políticos e também sobre a evolução do regime republicano. O Presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Leite Pereira, refere a responsabilidade coletiva pelo sucedido: "Essa injustiça sanguinária, insaciável, implacável, é também a resultante de longa e estonteadora luta em que portugueses se vêm debatendo; luta que tanta vez atinge o aspeto e as proporções duma infindável guerra de extermínio; luta estranha e tão obcecante que, dir-se-ia, entre nós as ideias são delitos e as opiniões são crimes. É tempo de a acabar. Meditemos na dura verdade de que todos temos culpas, e não esqueçamos que o embate de opiniões, necessário e inseparável das sociedades modernas, pode e deve fazer-se numa atmosfera superior de justiça, recíproca, de respeito mútuo; sejamos dignos do nosso tempo e, sobretudo, recordemos que somos irmãos da mesma raça, filhos da mesma terra gloriosa."
O Deputado Cunha Leal, que tentara proteger António Granjo naquela noite, ficando ferido, defende a instauração da pena de morte: "É preciso que nos defendamos e repito o que aqui disse já: – precisamos restabelecer a pena de morte para certos crimes, respondendo com a morte a quem mata. Precisamos defender a sociedade por uma forma implacável. Ainda como homenagem aos mortos de 19 de outubro, eu prometo trazer aqui um projeto restabelecendo a pena de morte."
O Presidente do Ministério, António Maria da Silva, rejeita a ideia de restabelecer a pena de morte: "Há de fazer-se justiça a quem delinquiu. Ninguém tem o direito de duvidar de mim nem dos homens que estão nas cadeiras do Poder, embora o Poder Executivo não possa intervir nas averiguações da justiça. (…) Mas, para isso, não é preciso instituir de novo em Portugal a pena de morte, contra a qual toda a minha natureza se revolta. Seria um verdadeiro crime, seria corresponder ao ato do Dente de Ouro com um outro crime. Não podemos retrogradar. Seria mesmo inconstitucional que se promulgasse qualquer providência que se parecesse um pouco, embora de longe, com essa medida. Não é legítimo que num regime de liberdade se aplique qualquer penalidade, seja a quem for, que não seja inscrita no Código da Justiça para os atos praticados em determinado momento. Estou convencido de que se pudéssemos consultar António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia, eles próprios se revoltariam contra uma determinação da Câmara tendente a instituir a pena de morte."
Em 1923, os responsáveis diretos pelos assassinatos seriam julgados e condenados a penas de prisão e de degredo, não se tendo, no entanto, averiguado completamente as causas que permitiram o sucedido na Noite Sangrenta, nem as suas ligações com os responsáveis pela revolta do dia 19 de outubro de 1921.



Publicado por Tovi às 07:41
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 29 de Setembro de 2021
História recente do Afeganistão

800px-National_emblem_of_Afghanistan.svg.png

No final do século XIX, o Afeganistão tornou-se um Estado tampão no "Grande Jogo" entre os impérios Britânico e Russo. Na Primeira Guerra Anglo-Afegã, de 1839 a 1842, tropas britânicas, vindas da Índia, tomaram o controle do Afeganistão, mas acabaram por ser decisivamente derrotadas. Após a Terceira Guerra Anglo-Afegã de 1919, o país conseguiu tornar-se independente da influência estrangeira. Em 1926, o Afeganistão tornou-se numa monarquia sob comando de Amanulá Cã. Contudo, em 1973, o rei Zair foi derrubado e uma república de partido único foi estabelecida. Em 1978, após um segundo golpe de estado, o Afeganistão tornou-se um Estado socialista, que levou a nação a passar boa parte da década de 1980 envolvido na Guerra Afegã-Soviética contra os rebeldes mujahidins. Em 1996, a maior parte do país havia sido tomado por fundamentalistas do grupo Talibã, que estabeleceram um regime totalitarista radical que só foi derrubado do poder na invasão dos Estados Unidos em 2001, mantendo, no entanto, controle e influência sob boa parte do país, especialmente nas zonas rurais e montanhosas. A guerra civil no país continuou entre o novo governo afegão e os insurgentes Talibã, que resultou em mais de 150 mil mortos, atrocidades, atentados terroristas, torturas, sequestros e assassinatos. Como a nova república afegã dependia imensamente da ajuda económica e militar dos americanos, quando os Estados Unidos iniciaram a retirada, em 2020, o exército afegão entrou em colapso e o governo central começou a ruir. Em maio de 2021, os Talibã iniciaram uma grande ofensiva generalizada e em poucos meses dominaram a maioria dos distritos do país, acabando por chegar à capital Cabul em agosto deste ano, completando o colapso da república afegã.

 

  The Economist, 18set2021
De Cabul a Kandahar... pela estrada que liga as duas maiores cidades do Afeganistão
A rodovia com quase 500 quilómetros de extensão que liga a capital do Afeganistão, Cabul, à sua segunda cidade, Kandahar, já foi considerada como um sinal de grande progresso na campanha dos Estados Unidos para pacificar o Afeganistão. Quando Hamid Karzai, então presidente, inaugurou o primeiro trecho em 2003, disse que foi um dos melhores dias de sua vida. No entanto, a estrada rapidamente se tornou um exemplo preocupante do que estava errado. Um mês depois dos Talibã assumirem o poder, a viagem de Cabul a Kandahar ilustra como o país mudou da noite para o dia e os fracassos que ajudaram a precipitar essa mudança. Desde algumas semanas atrás, dirigir por este trecho da Rodovia 1, uma espécie de anel viário nacional, era já impensável para muitos afegãos. Postos de controle improvisados dos Talibã interrompem o trânsito e vasculham ónibus e táxis em busca de membros das forças armadas para sequestrar ou matar. Comboios militares foram destruídos por bombas escondidas sob a estrada. Alguns distritos, como Saydabad na província de Wardak, não muito longe de Cabul, tornaram-se conhecidos como locais de perigo.
Captura de ecrã 2021-09-23 112436.jpg

  JN, 22set2021  às 00h06
Por acaso gostava de ouvir o que eles têm para dizer ao Mundo... mas ao que me parece ainda não há reconhecimento formal da sua autoridade.
Captura de ecrã 2021-09-22 085927.jpg

   Al Jazeera, 22set2021 às 08h45
O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, alertou sobre o risco de uma “guerra civil” no Afeganistão se os Talibã não forem capazes de formar um governo inclusivo, isto é, incluindo todas as fações, o que iria seguramente ter também impacto no Paquistão.
Paquistão vs Talibã.jpg

  O que é a Sharia? 
Captura de ecrã 2021-09-22 163511.jpg

Os Talibã planeiam governar o Afeganistão de acordo com a Sharia. Durante a sua passagem anterior no poder, este grupo fundamentalista islâmico era conhecido por sua interpretação estrita da jurisprudência islâmica, proibindo a música e forçando as mulheres a usarem uma burca completa em público. Mas muitos países além do Afeganistão - entre eles Arábia Saudita, Irão e partes da Indonésia e Nigéria - também usam a Sharia mas sem tais restrições. Então, o que é Sharia e como ela é aplicada?
Sharia significa “caminho” em árabe, indicando a conduta que agrada a Deus. Abrange as leis criminais, comerciais e de família, mas é muito mais holístico do que os sistemas jurídicos seculares: também estabelece as regras éticas pelas quais os muçulmanos devem viver e adorar (Um código semelhante que rege questões legais e éticas, halakha, existe no Judaísmo). A Sharia é baseada no Alcorão, o livro sagrado do Islão; o "hadith", ou ditos do profeta Muhammad; e o trabalho subsequente de estudiosos jurídicos islâmicos. Existem algumas punições muito severas para crimes considerados contra Deus (conhecidos como "hudud"), incluindo morte por apedrejamento ou 100 chicotadas para adúlteros. Mas o padrão de prova para condenação é extremamente alto, tornando raras essas punições. No caso de adultério, quatro testemunhas devem testemunhar. A retribuição por crimes graves contra pessoas, como assassinato, também pode ser severa, com base no princípio de “qisas”, ou “olho por olho”. Mas o Islão encoraja as vítimas a serem misericordiosas e pagar “diya”, “dinheiro de sangue”, em vez disso.

 

  Al Jazeera, 26set2021
Afeganistão 26set2021.jpg

Vai ser uma tarefa árdua a destes quatro países… Rússia, China, Paquistão e Estados Unidos estão a trabalhar em conjunto para garantir que os novos governantes Talibã do Afeganistão cumpram suas promessas, especialmente no que diz respeito a formar um governo genuinamente representativo, evitando que a violência se espalhe.



Publicado por Tovi às 08:09
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 9 de Julho de 2021
Descoberta do caminho marítimo para a Índia

Caminho_maritimo_para_a_India.png
Caminho percorrido pela expedição (a preto); também se pode ver, para comparação, o caminho percorrido por Pêro da Covilhã (a laranja) separado de Afonso de Paiva (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde).

Fez ontem 524 anos que a armada de Vasco da Gama partiu de Belém, em Lisboa, rumo à Índia. A linha de navegação de Lisboa a Cabo Verde foi a habitual e no oceano Índico é descrita por Álvaro Velho: «rota costeira até Melinde e travessia direta deste porto até Calecute». Durante esta expedição foram determinadas latitudes através da observação solar, como refere João de Barros. Relatam os Diários de Bordo das naus muitas experiências inéditas. Encontrou esta ansiosa tripulação rica fauna e flora. Fizeram contacto perto da baía de Santa Helena com tribos que comiam lobos-marinhos, baleias, carne de gazelas e raízes de ervas; andavam cobertos com peles e as suas armas eram simples lanças de madeira de zambujo e chifres de animais; viram tribos que tocavam flautas rústicas de forma coordenada, o que era surpreendente perante a visão dos negros pelos europeus. Ao mesmo tempo que o escorbuto (carência de vitamina C) se instalava na tripulação, cruzavam-se em Moçambique com palmeiras que davam cocos. Apesar das adversidades de uma viagem desta escala, a tripulação mantinha a curiosidade e o ânimo em conseguir a proeza e conviver com os povos. Para isso reuniam forças até para assaltar navios em busca de pilotos. Com os prisioneiros, podia o capitão-mor fazer trocas, ou colocá-los a trabalhar na faina; ao rei de Mombaça pediu pilotos cristãos que ele tinha detido e assim trocou prisioneiros. Seria com a ajuda destes pilotos que chegariam a Calecute, terra tão desejada, onde o fascínio se perdia agora pela moda, costumes e riqueza dos nativos. Sabe-se, por Damião de Góis, que durante a viagem foram colocados cinco padrões: São Rafael, no rio dos Bons Sinais; São Jorge, em Moçambique, Santo Espírito, em Melinde; Santa Maria, nos Ilhéus, e São Gabriel, em Calecute. Estes monumentos destinavam-se a afirmar a soberania portuguesa nos locais para que outros exploradores não tomassem as terras como por si descobertas. (in WikiPédia - a enciclopédia livre)



Publicado por Tovi às 13:26
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 24 de Abril de 2021
A história é feita por aqueles que nela participam

8382383_dI92t.jpeg

Campo de Instrução Militar de Santa Margarida
Batalhão de Engenharia n.º 3

Quarta-feira, 24 de Abril de 1974, 22h55

São quase 11 horas da noite e já entreguei no gabinete do oficial de dia ao QG do CIM (Campo de Instrução Militar) o relatório da ronda acabada de efetuar aos paióis. As temperaturas estão registadas, os cadeados das portas foram verificados, o pessoal está nos postos.
A caminho do nosso quartel, o Martins, o brioso condutor da Land Rover, desafia-me para uma partida de snooker: “Só uma partidinha… Hoje estou com uma fezada que lhe ganho”. Concordo e lá vamos para a messe de sargentos. O “barista” dormita encostado ao balcão e, com cara de quem já não esperava mais clientes, diz-nos: “Depressinha que tenho que fechar antes da meia-noite”. Duas minis fresquinhas escorrem-nos pelas goelas abaixo e começo eu. Nas duas primeiras tacadas entram a “1” e a “5”. Giz no taco, aponto à “3”, preparo o efeito… e aparece o Sargento da Guarda ao Quartel. “Quem é o Sargento de Dia ao Piquete?” pergunta ele. Com uma tacada brusca meto a bola no buraco do canto. “Sou eu, porquê?” – respondo-lhe com maus modos. Com o ar mais importante do Mundo diz-me: “O Nosso Segundo Comandante está à tua espera no edifício de Ordem Pública do QG. Vai lá depressa”. Prontos… lá se foi uma vitória certa. Boina na cabeça, blusão apertado e lá vamos a caminho do Quartel-General. Em 10 minutos estamos lá. À porta de armas informam-nos que deveremos ir imediatamente para a Sala de Operações. Entro, faço a continência e com um olhar rápido inventario os participantes na reunião: Um Major, o meu Segundo Comandante; três Capitães, dois do meu quartel e um de cavalaria; seis Alferes, todos do QG. Com ar grave diz-me o Major: “Ó Ribeiro, vamos entrar em prevenção rigorosa e quero que você me organize a defesa e proteção dos paióis. Ponha todos os seus homens do piquete a interditar as estradas de acesso e, a partir de agora, reporta diretamente a este grupo de oficiais. Vá lá organizar as tropas e depois encontramo-nos na messe de oficiais do Batalhão”. Faço novamente a continência e respondo: “Sim senhor, meu Comandante. É para já”. Meia volta e em passo rápido dirijo-me para o jeep. O Martins, com o ar mais aparvalhado que já lhe tinha visto pergunta-me: “Então?! Vai haver merda?”. Sem lhe responder entro na viatura e com a mão aponto-lhe a direção do quartel. Não me apetece falar… Ainda não digeri a ordem que acabo de receber. Tenho a certeza absoluta que aquilo que andamos a falar há uns tempos vai ser hoje.
Entro na caserna da 2ª Companhia de Sapadores e acordo o pessoal: “Está a formar rápido… Quero todos na parada em 5 minutos… Levantem rações de combate e encham os cantis de água… Quero toda a gente municiada e de capacete… Hoje não é exercício noturno… É mesmo a sério”. Tenho absoluta confiança nos meus homens. São Sapadores de Engenharia, habituados a acompanharem-me em operações de interdição de pistas de aviação e desativação de explosivos. Gente de barba rija.
Passam vinte minutos da meia-noite. No programa Limite da Rádio Renascença é transmitida a canção "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso. Está a começar o meu 25 de Abril.

 

 

   Memórias... no Facebook
25abr1974.jpg
Captura de ecrã 2021-04-24 144606.jpg



Publicado por Tovi às 09:39
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 17 de Abril de 2021
Crise Académica de 1969

crise academica.jpg

Faz hoje 52 anos... e eu não esqueço que o Ministro da Educação da altura, José Hermano Saraiva, foi o mandante desta violenta repressão.

 
 
   Retrospetiva sobre os 20 anos da Crise Académica de 1969
Reportagem da RTP, autoria de Maria João Barros - 1989
 
A crise académica de 1969 começou quando não foi permitido aos estudantes o uso da palavra durante uma inauguração. À greve e à falta aos exames assumidos pelos estudantes respondeu o governo com a prisão e a mobilização para a guerra do ultramar.
A crise começou no dia 17 de Abril de 1969. Os estudantes pretendiam intervir durante a inauguração do edifício das matemáticas e o presidente da Direção Geral da Associação Académica, Alberto Martins, pediu a palavra, mas foi impedido de o fazer.
Os estudantes, que já estavam em protesto exigindo a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, tomaram conta da sala onde decorria a inauguração. A crise agudiza-se nas horas e dias seguintes com a prisão de vários dirigentes académicos e a ocupação de Coimbra por forças militares e policiais.
O Ministro da Educação e o reitor acabariam por se demitir, mas vários estudantes da academia seriam forçados a integrar as forças armadas, seguindo para a guerra do ultramar.
 
 
    Comentários no Facebook

Nuno Matos Pereira - Acabaram por ser todos militantes do MES, aproveitaram uma descolonização catastrófica, mobilizaram o povo com cravos, chegaram ao poder e agora desgovernam um país há 45 anos de forma tão catastrófica que nem conseguimos ajudar uma ex colónia a salvar o seu povo... É a forma resumida para gente que prometeu muito, continua a prometer, mas deixou muito a desejar.
David Ribeiro - Ó Nuno Matos Pereira... este seu post encaixa perfeitamente nos da série "antigamente é que era bom". 😉
Nuno Matos Pereira - David Ribeiro gostei da sua resposta, porque pode ter várias interpretações. Da minha parte, não posso dizer antigamente é que era bom, porque não vivi com a velha senhora! Estou em crer que não deveria ser nada bom, principalmente a liberdade e a porcaria de descolonização que fizeram, a mandar os "nossos filhos" para a guerra. Mas à custa daquilo que chamamos de liberdade, não passa de um ninho de gatos com tentáculos, e uma "pide" encapotada. A única diferença do agora e do que leio do antigamente, é que desta vez vamos tendo uma Europa que nos vai deitando a mão... Se a sua frase era para me associar ao antigamente é que era bom, desengane-se e não entre nessa do, "se não és por nós, és contra nós". Isso fica bem é dos Xuxas para a esquerda...
David Ribeiro - Meu caro Nuno Matos Pereira... longe de mim a ideia de fazer qualquer juízo de valor sobre si em relação ao antigamente. Mas já agora lhe digo, voltando ao dia 17 de abril de 1969 e seguintes, que ainda hoje me doem os costados das vergastadas que levei naqueles dias.
Nuno Matos Pereira - David Ribeiro compreendo perfeitamente, tenho amigos dessa geração, que possivelmente estiveram ao seu lado! Longe de mim de julgar as vossas convicções... Simplesmente houve meia dúzia de gatos que se aproveitaram e ainda se aproveitam das vossas lutas legítimas. Um grande amigo meu teve de fugir dentro do coliseu do Porto! Conta-me histórias, que possivelmente estaria ao vosso lado, nessas lutas. O que me bato é que houve uma cambada de malandros que se aproveitaram e destruíram. E o que me dói, é gente que nessa altura estava ao lado do proletariado, são os mesmos que atacaram os professores, enfermeiros, camionistas, polícias, estivadores...
David Ribeiro - Mas cinco anos depois destes incidentes tive a honra de contribuir, de armas na mão, para a queda do obsoleto Estado Novo. E disto não me arrependo, apesar das grandes "cambalhotas" que a democracia tem dado.



Publicado por Tovi às 10:31
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 14 de Março de 2020
A Peste Bubónica… no longínquo verão de 1899

21724355_wg3po.jpg

A peste que “fechou” a cidade do Porto

(in “O Sal da História”)

Que estranha doença estaria a matar os galegos da rua da Fonte Taurina, no Porto? A dúvida instalou-se no longínquo verão de 1899, levando a autoridade de saúde a investigar. Os responsáveis ficaram incrédulos face às primeiras impressões, porque, ao que tudo indicava, tratava-se da peste, essa que já se pensava não voltaria a matar. E o poder político só acreditou quando, de Paris, vieram os resultados que confirmaram o que os investigadores portugueses, com Ricardo Jorge à cabeça, já tinham garantido: a peste de levante, como antes se chamava, agora batizada de bubónica, estava a dizimar as populações mais pobres e frágeis da cidade. Era preciso fechar tudo para controlar a doença!
A decisão de Ricardo Jorge, então médico municipal, não foi bem aceite, inicialmente pelos governantes, que temiam os resultados eleitorais dessa medida impopular e muito menos pelas “forças vivas” do Porto, com a imprensa e os comerciantes a serem responsáveis pelas atitudes mais violentas, chegando a por em causa a veracidade da epidemia.
Mesmo assim, a quarentena foi em frente.
A segunda cidade do País esteve isolada durante quatro meses. O cerco sanitário, imposto pela tropa, conteve o mal mas, apesar das medidas de desinfeção tomadas – na imagem, a casa onde teve início o surto e que foi incendiada por prevenção - não impediu o contágio interno sobretudo entre os muitos que viviam em espaços lotados e sem condições.
Foram infetadas 320 pessoas, 132 das quais morreram.
Talvez o mais famoso dos casos mortais tenha sido o de Luís Câmara Pestana. O investigador esteve por duas vezes no Porto na arriscada tarefa de recolher fluidos e outros materiais biológicos dos pestilentos, para melhor conhecer a moléstia e assim contribuir para a sua cura.
Nessa ânsia, não tomou as devidas precauções, tendo usado as unhas, sem luvas, para espremer um bubão – gânglio inflamado – de um dos cadáveres. Em pouco tempo, percebeu que não resistiria. Isolou-se e fez questão que recolhessem a sua própria urina para ajudar ao conhecimento da maleita.
A sua morte, que teve grande impacto na opinião pública, mostrou - como se fosse preciso - que a peste não escolhe as vítimas, mas aproveita as imprudências.



Publicado por Tovi às 09:18
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020
Comemorações da Revolução Liberal do Porto


Publicado por Tovi às 10:13
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 18 de Janeiro de 2020
Soviete da Marinha Grande

   in WikiPédia

82484855_3801227186554869_7163920675663511552_n.jp

Operários, sobretudo da indústria vidreira, elegem um conselho operário que toma o poder e governa a Marinha Grande durante algumas horas. Entre as primeiras acções do Soviete conta-se a prisão do destacamento da GNR e a tomada da estação dos correios.
Todas estas acções são realizadas com grande serenidade, e sem derramamento de sangue. Os revoltosos, sem um plano de acção prévio, acabam por levar a família do comandante do posto da GNR para uma pensão, e os guardas são entregues à custódia do administrador da fábrica de vidro estatal. Nos correios, o chefe da estação pede para falar com a família, e é levado a casa onde usa o telefone para alertar as autoridades.
Uma vez alertadas, as autoridades militares fazem avançar para a Marinha Grande um contingente para repor a ordem pública, que chega na madrugada seguinte, pondo fim ao Soviete.
Ao contrário da acção dos revoltosos, a repressão movida pelo Estado Novo foi implacável, com perseguições ferozes, despedimentos, julgamentos fantoche que terminaram em pesadas penas, nomeadamente com o envio para o degredo nas colónias, e em particular para o campo do Tarrafal.



Publicado por Tovi às 11:11
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019
A Maldição do Marquês

   A ler... uma das prendas deste Natal.

a maldiçao do marquês.jpg

Edições Asa, 2019 (Grupo LeYa)
Depósito legal n.º 460 249/19
ISBN 978-989-23-4707-3

Autor: Tiago Rebelo
Com uma carreira literária de quase vinte anos, marcada por alguns dos títulos de maior êxito entre os autores portugueses deste século, Tiago Rebelo é um escritor de histórias empolgantes e de personagens consistentes e tocantes a que não se consegue ficar indiferente. Autor versátil, capaz de enveredar por diferentes géneros literários, regressa ao romance histórico com A Maldição do Marquês, mais uma obra incontornável do autor de O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último Ano em Luanda e Romance em Amesterdão, entre muitos outros. Os seus livros estão disponíveis em países como Angola, Moçambique, Brasil, Itália, Suíça, México, Argentina ou Roménia. A par da atividade literária, Tiago Rebelo tem uma longa carreira no jornalismo.

 

Página 131 - "…derrotar os velhos do Restelo, as superstições anquilosadas da Igreja, a ignorância do povo e as exigências de uma alta nobreza que cheirava a mofo e só pretendia impedir o progresso para manter os seus privilégios."

Página 400 - "...isso sim, podem acusar-me de ser do meu interesse pessoal servir um país que não se verga às grandes potências europeias. É essa a minha política."

Página 443 - "...o filósofo francês Voltaire, figura de proa do Iluminismo, escreveu que o excesso de horror só foi vencido pelo excesso do ridículo."

Página 549 - "Era desanimador, pensou o marquês. Para onde iria o mundo se os agentes da ordem deixassem de exercer a autoridade?"

 


Louis-Michel_van_Loo_003.jpg
(Retrato do Marquês de Pombal (1766), por Louis-Michel van Loo e Claude Joseph Vernet)

Sempre me fascinou a vida e obra do Marquês de Pombal - Sebastião José de Carvalho e Melo – uma das figuras mais controversas e carismáticas da História de Portugal, mas sem dúvida alguma o representante do despotismo esclarecido em Portugal no século XVIII. Este período foi marcado na Europa pelo iluminismo, movimento intelectual e filosófico centrado na razão como a principal fonte de autoridade e legitimidade,   defendendo ideais como liberdade, progresso, tolerância, fraternidade, governo constitucional e separação Igreja-Estado.



Publicado por Tovi às 08:49
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 24 de Agosto de 2019
Revolução do Porto

revoluo-liberal-1820-1-638.jpg

Faz hoje 199 anos a REVOLUÇÃO DO PORTO, um movimento de cunho liberal que teve repercussões tanto na História de Portugal quanto na História do Brasil. O movimento resultou no retorno (em 1821) da Corte Portuguesa, que se transferira para o Brasil durante a Guerra Peninsular, e no fim do absolutismo em Portugal, com a ratificação e implementação da primeira Constituição portuguesa (1822). O movimento articulado no Porto pelo Sinédrio eclodiu no dia 24 de Agosto de 1820. Ainda de madrugada, grupos de militares dirigiram-se para o campo de Santo Ovídio (atual Praça da República), onde formaram em parada, ouviram missa e uma salva de artilharia anunciou publicamente o levante. Às oito horas da manhã, os revolucionários reuniram-se nas dependências da Câmara Municipal, onde constituíram a "Junta Provisional do Governo Supremo do Reino". (in WikiPédia)



Publicado por Tovi às 14:20
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Domingo, 16 de Junho de 2019
Como Afonso de Albuquerque conquistou Ormuz

Portuguese_Castle_(Hormuz).jpg

[Foto: Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, ruínas na ilha de Gerun, atual Irão, no estreito de Ormuz, à entrada do Golfo Pérsico]

 

Afonso de Albuquerque é reconhecido como um génio militar pelo sucesso da sua estratégia de expansão ao procurou fechar todas as passagens navais para o Índico – no Atlântico, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e oceano Pacífico – construindo uma cadeia de fortalezas em pontos-chave para transformar este oceano num “mare clausum” português, sobrepondo-se ao poder dos otomanos, árabes e seus aliados hindus.

A 6 de Abril de 1506 duas armadas partiram de Lisboa. Chefiando uma delas Afonso de Albuquerque seguia pilotando o seu próprio navio e em Socotorá os caminhos dos dois capitães separaram-se: Tristão da Cunha partiu para a Índia, indo apoiar os portugueses cercados em Cananor; Afonso de Albuquerque navegou com uma frota de seis navios e quinhentos homens rumo à ilha de Ormuz no Golfo Pérsico, um dos centros chave do comércio no oriente. No percurso conquistaram as cidades de Curiate, Mascate e Corfação, aceitando a submissão das cidades de Kalhat e Soar. A 25 de setembro de 1507, Albuquerque chegou a Ormuz precedido de uma temível reputação e rapidamente tomou posse da ilha na sequência de uma das maiores batalhas da história da marinha portuguesa, a 27. O rei local concordou tornar-se tributário do rei de Portugal. Passados poucos dias, chegou um enviado da Pérsia que vinha exigir o pagamento de tributo ao xá Ismail I. O emissário persa foi enviado de volta com a resposta de que o tributo seria apenas balas de canhão e armas, começando assim a ligação entre Albuquerque e o xá Ismail I (muitas vezes referido por Xeque Ismael), fundador do império safávida. Como fruto do acordo com o rei de Ormuz, imediatamente Albuquerque iniciou a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória em Ormuz (mais tarde renomeado Forte de Nossa Senhora da Conceição). A primeira pedra foi colocada com pompa e entusiasmo por Albuquerque em 24 de Outubro, com os seus homens de todas as condições participando nos trabalhos de construção. Contudo, na sequência da crescente contestação dos seus capitães, que reclamavam dos duros trabalhos e difíceis condições, vários navios desertaram para a Índia. Com a frota reduzida a dois navios e sem mantimentos, Afonso de Albuquerque foi forçado a abandonar Ormuz em Abril de 1508. Retornou a Socotorá, onde encontrou a guarnição portuguesa passando fome, e para reabastecer este assentamento assaltou navios muçulmanos e a cidade de Calhate (Barém). Voltou ainda a Ormuz e só depois rumou à Índia.



Publicado por Tovi às 07:59
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Sábado, 15 de Junho de 2019
Estreito de Ormuz e a História de Portugal

Fortress_of_Hormuz.jpg

Nestes dias muito se fala e irá falar do estreito de Ormuz , localizado entre o golfo de Omã a sudeste e o golfo Pérsico a sudoeste, e que tem na costa norte o Irão e na costa sul os Emirados Árabes Unidos e o enclave de Omã. Próximo da costa norte situam-se algumas ilhas - Kish, Queixome, Abu Musa e as Tunbs Maior e Menor - posições estratégicas enormes, funcionando como plataformas de controle do tráfego marítimo, por onde transita o escoamento de petróleo oriundo dos países árabes produtores da região, entre um terço e 40% do tráfego marítimo petroleiro mundial.

A história de Portugal está intrinsecamente ligada a estas paragens, pois na sequência da expansão portuguesa na Índia, em Outubro de 1507, Afonso de Albuquerque atacou a cidade de Ormuz, dominando-a, e quase consegui concluir a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória, se não fosse a deserção de três capitães portugueses (Motim dos Capitães). Foi forçado a abandoná-la em Janeiro de 1508. Em 1 de Abril de 1515, Albuquerque, já governador da Índia, regressou a Ormuz, onde reconstruiu a fortificação (Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz) e estabeleceu a suserania portuguesa, subordinada ao Estado da Índia. Data desta fase a descrição da cidade, pelo cronista português: "A cidade de Ormuz està situada em hua pequena ilha chamada Gerum que jaz quasi na garganta de estreito do mar Parseo tam perto da costa da terra de Persia que avera de hua a outra tres leguoas e dez da outra Arabia e terà em roda pouco mais de tres leguoas: toda muy esterele e a mayor parte hua mineira de sal e enxolfre sem naturalmente ter hum ramo ou herva verde. A cidade em sy é muy magnifica em edificios, grossa em tracto por ser hua escala onde concorrem todalas mercadorias orientaes e occidentaes a ella, e as que vem da Persea, Armenia e Tartaria que lhe jazem ao norte: de maneira que nam tendo a ilha em sy cousa propria, per carreto tem todalas estimadas do mundo /...../ a cidade é tam viçosa e abastada, que dizem os moradores della que o mundo é hum anel e Ormuz hua pedra preciosa engastada nelle" (João de Barros, Décadas da Ásia II, L. II cap. 2) No contexto da Dinastia Filipina, as possessões portuguesas em todo o mundo tornaram-se alvo de ataques dos inimigos de Espanha. Após a queda do Forte de Queixome, uma flotilha Persa com mais de 3.000 homens e o apoio de seis embarcações Inglesas, colocaram cerco ao Forte de Ormuz (20 de Fevereiro de 1622). Os Persas ofereceram ao comandante português da praça a ilha de Qeshm em troca de 500.000 patacas e o porto de Julfar, na costa da Arábia, recém-conquistado aos portugueses por uma força combinada de Árabes e Persas. A oferta, entretanto, foi recusada e, em poucos meses, a ilha de Ormuz era perdida para os Persas e seus aliados Ingleses (3 de Maio). A guarnição e a população portuguesa na ilha, cerca de 2.000 pessoas, foram enviadas para Mascate.



Publicado por Tovi às 07:37
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
Onde estavas no 25 de Abril?

25Abril1974 00.jpg

Fiz esta carismática e já histórica pergunta na página do Facebook «Um novo norte para o Norte» e foram estas as respostas dos meus amigos:

 

«Aníbal Moreira» - Na base aérea de S. Jacinto, chegado de Moçambique, com os meus aviões.

«Albertino Amaral» - A trabalhar, como ainda o fazia até há pouco tempo... Não vi qualquer grande alteração, que me fizesse ser mais ou menos feliz... A mentalidade política, a mim, não me ensinou nada de novo... Acho até que ficou, foi tudo mais complicado... Certamente é por isso que ainda não descobri o significado real da tal democracia....

«Jorge Veiga» - em casa!

«Manuel Rodrigues» - A trabalhar

«Mario Azevedo» - A trabalhar! Tinha chegado na véspera da Dinamarca.

«Jota Caeiro» - quando dei por ela, estava na 'Segunda Classe', na Escola nº 85, escola da Feira, como era conhecida por aqui na Foz... falou-se em Revolução dos militares e nós vimo-los do recreio a descer dos camiões na 'Estrada Nova' e a levar gente... :)

«Manuel Carvalho» - Na 4ª classe, em Rio Tinto. Só me lembro de passarem alguns aviões e de uma colega desatar a chorar porque tinha familiares em Lx.

«Adao Fernando Batista Bastos» - Só me apercebi de manhã. Cheguei às 9 horas para trabalhar, na Reo. Central de Finanças em Gonçalo Cristovão e estava fechada. Ninguém, nem o PSP que costumava estar à entrada! Rua deserta! Até que alguém me informou que tinha havido qualqusr cousa com militares, em Lisboa. Encaminhei-me para os Aliados e foi um rodopio. Informaçoes, correrias, manifestaçoes de aloio e alegria. Que dias os que se seguiram até ao grandioso e memorável primeiro " 1° de Maio"

«Carlos Furtado» - Nas aulas. Mandaram me para casa. Foi uma festa. Mas o pai de um amigo era capitão.

«Antero Filgueiras» - À hora em que ocorreu o 25 de Abril estava em casa, tal como a esmagadora maioria dos portugueses. Nesse dia às 9.00 estava na aula de Matemática, cujo professor, um ex-militar em Cabo Verde fez questão de explicar à malta o que é que se estava a passar. Todavia, ele não acreditava na descolonização, pois achava que aquilo teria que ser eternamente nosso. Foi chumbado nesse mesmo dia!!

«José Luis Moreira» - Às 9:00h, em Ilondé, Guiné, preparado para, na "enfermaria" (tenda do Posto de Socorros), dar início a mais uma jornada de 'assistência sanitária à população da zona'. 9:10h: 0 ten-cor manda formar"todo" o pessoal (eu nunca ia) na "parada", para que todos mantivessem a disciplina, porque o que eventualmente estaríamos a ouvir na rádio (BBC)... era uma mentira. Felizmente foi verdade.

«Raul Vaz Osorio» - (…) eu estava em Luanda e nos meus 14 anos (quase 15) era um feroz opositor do regime. Ouvi notícia de que as comunicações com Lisboa estavam cortadas e logo a minha mente fértil imaginou uma revolução (o golpe das Caldas ainda estava fresco na memória) e corri a informar o meu grande amigo de infância, o Paulo Júlio Miranda Vieira, com quem "conspirava" regularmente, das minhas suspeitas, ao que ele me respondeu algo do tipo "quem me dera, mas não acredito, aquela merda está muito bem montada, abana mas não cai". Felizmente, ele estava enganado

«Miguel Soeiro de Lacerda» - Estava entre o Porto e a maravilhosa Alemanha.

«Nuno Dumont Vilares» - Estava a fazer o serviço militar obrigatório em Monsanto...

«Jose Riobom» - Na madrugada andava a fazer o habitual "passeio" nocturno com os amigos do costume e depois de ouvidas as primeiras notícias e termos presenciado algumas movimentações estranhas continuamos o périplo degustando as habituais "bejecas" e a diária ceia noturna na Casa da Mariquinhas ali pela Sé deixando o resto para os "heróis" já que isso das revoluções não era para nós. Nessa altura previmos o que seria o Portugal de hoje... UM PAÍS DE CORRUPTOS E LADRÕES ! A caminho de casa com passagem obrigatória pela delegação dos meus "vizinhos" da PIDE estranhei ver muitas luzes acessas... e algumas pessoas que não era habitual estarem por ali a essa hora...quase 6 da manhã...depois fui dormir as habituais 2 horas...

«Rui Lima» - No velhinho Aeroporto de Pedras Rubras ! Um dia em cheio !

«Adriano Magalhães» - Fiz parte da revolução nesse dia fiquei de prevenção ao meu quartel RI6 Porto tinha 2anos de Tropa. tanto esforço para quase nada para quem tem de trabalhar.

«José Serrano» - A caminho para a Setenave/Lisnave



Publicado por Tovi às 10:23
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 9 de Abril de 2018
Batalha de La Lys

No centenário da Batalha de La Lys curvo-me perante a memória dos heróis portugueses.

 

Batalha La Lys.jpgBatalha de La Lys travada em 9 de Abril de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, entre as forças da Alemanha e do Império Austro-Húngaro, por um lado, e a coligação de países em que se destacavam a Inglaterra, a França e Portugal, por outro. A batalha decorreu numa planície pantanosa banhada pelo Rio Lys e seus afluentes. Este foi um dos mais sangrentos confrontos em que esteve envolvido o Corpo Expedicionário Português, que aqui teve as seguintes baixas: 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros.



Publicado por Tovi às 10:00
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 22 de Março de 2018
Maio de 68

Maio 68.jpg

Faz hoje meio século que o protesto dos estudantes tomou as ruas de Paris. Era o início do Maio de 68.



Publicado por Tovi às 10:00
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Outubro 2021
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9



25
26
27
28
29
30

31


Posts recentes

A camioneta-fantasma

História recente do Afega...

Descoberta do caminho mar...

A história é feita por aq...

Crise Académica de 1969

A Peste Bubónica… no long...

Comemorações da Revolução...

Soviete da Marinha Grande

A Maldição do Marquês

Revolução do Porto

Como Afonso de Albuquerqu...

Estreito de Ormuz e a His...

Onde estavas no 25 de Abr...

Batalha de La Lys

Maio de 68

"Visita Guiada" na RTP

Primeira Revolução contra...

Não esquecer... nunca

Faz hoje 42 anos… lembram...

Uma injustiça histórica… ...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus