"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
Onde estavas no 25 de Abril?

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Fiz esta carismática e já histórica pergunta na página do Facebook «Um novo norte para o Norte» e foram estas as respostas dos meus amigos:

 

«Aníbal Moreira» - Na base aérea de S. Jacinto, chegado de Moçambique, com os meus aviões.

«Albertino Amaral» - A trabalhar, como ainda o fazia até há pouco tempo... Não vi qualquer grande alteração, que me fizesse ser mais ou menos feliz... A mentalidade política, a mim, não me ensinou nada de novo... Acho até que ficou, foi tudo mais complicado... Certamente é por isso que ainda não descobri o significado real da tal democracia....

«Jorge Veiga» - em casa!

«Manuel Rodrigues» - A trabalhar

«Mario Azevedo» - A trabalhar! Tinha chegado na véspera da Dinamarca.

«Jota Caeiro» - quando dei por ela, estava na 'Segunda Classe', na Escola nº 85, escola da Feira, como era conhecida por aqui na Foz... falou-se em Revolução dos militares e nós vimo-los do recreio a descer dos camiões na 'Estrada Nova' e a levar gente... :)

«Manuel Carvalho» - Na 4ª classe, em Rio Tinto. Só me lembro de passarem alguns aviões e de uma colega desatar a chorar porque tinha familiares em Lx.

«Adao Fernando Batista Bastos» - Só me apercebi de manhã. Cheguei às 9 horas para trabalhar, na Reo. Central de Finanças em Gonçalo Cristovão e estava fechada. Ninguém, nem o PSP que costumava estar à entrada! Rua deserta! Até que alguém me informou que tinha havido qualqusr cousa com militares, em Lisboa. Encaminhei-me para os Aliados e foi um rodopio. Informaçoes, correrias, manifestaçoes de aloio e alegria. Que dias os que se seguiram até ao grandioso e memorável primeiro " 1° de Maio"

«Carlos Furtado» - Nas aulas. Mandaram me para casa. Foi uma festa. Mas o pai de um amigo era capitão.

«Antero Filgueiras» - À hora em que ocorreu o 25 de Abril estava em casa, tal como a esmagadora maioria dos portugueses. Nesse dia às 9.00 estava na aula de Matemática, cujo professor, um ex-militar em Cabo Verde fez questão de explicar à malta o que é que se estava a passar. Todavia, ele não acreditava na descolonização, pois achava que aquilo teria que ser eternamente nosso. Foi chumbado nesse mesmo dia!!

«José Luis Moreira» - Às 9:00h, em Ilondé, Guiné, preparado para, na "enfermaria" (tenda do Posto de Socorros), dar início a mais uma jornada de 'assistência sanitária à população da zona'. 9:10h: 0 ten-cor manda formar"todo" o pessoal (eu nunca ia) na "parada", para que todos mantivessem a disciplina, porque o que eventualmente estaríamos a ouvir na rádio (BBC)... era uma mentira. Felizmente foi verdade.

«Raul Vaz Osorio» - (…) eu estava em Luanda e nos meus 14 anos (quase 15) era um feroz opositor do regime. Ouvi notícia de que as comunicações com Lisboa estavam cortadas e logo a minha mente fértil imaginou uma revolução (o golpe das Caldas ainda estava fresco na memória) e corri a informar o meu grande amigo de infância, o Paulo Júlio Miranda Vieira, com quem "conspirava" regularmente, das minhas suspeitas, ao que ele me respondeu algo do tipo "quem me dera, mas não acredito, aquela merda está muito bem montada, abana mas não cai". Felizmente, ele estava enganado

«Miguel Soeiro de Lacerda» - Estava entre o Porto e a maravilhosa Alemanha.

«Nuno Dumont Vilares» - Estava a fazer o serviço militar obrigatório em Monsanto...

«Jose Riobom» - Na madrugada andava a fazer o habitual "passeio" nocturno com os amigos do costume e depois de ouvidas as primeiras notícias e termos presenciado algumas movimentações estranhas continuamos o périplo degustando as habituais "bejecas" e a diária ceia noturna na Casa da Mariquinhas ali pela Sé deixando o resto para os "heróis" já que isso das revoluções não era para nós. Nessa altura previmos o que seria o Portugal de hoje... UM PAÍS DE CORRUPTOS E LADRÕES ! A caminho de casa com passagem obrigatória pela delegação dos meus "vizinhos" da PIDE estranhei ver muitas luzes acessas... e algumas pessoas que não era habitual estarem por ali a essa hora...quase 6 da manhã...depois fui dormir as habituais 2 horas...

«Rui Lima» - No velhinho Aeroporto de Pedras Rubras ! Um dia em cheio !

«Adriano Magalhães» - Fiz parte da revolução nesse dia fiquei de prevenção ao meu quartel RI6 Porto tinha 2anos de Tropa. tanto esforço para quase nada para quem tem de trabalhar.

«José Serrano» - A caminho para a Setenave/Lisnave



Publicado por Tovi às 10:23
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018
Batalha de La Lys

No centenário da Batalha de La Lys curvo-me perante a memória dos heróis portugueses.

 

Batalha La Lys.jpgBatalha de La Lys travada em 9 de Abril de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, entre as forças da Alemanha e do Império Austro-Húngaro, por um lado, e a coligação de países em que se destacavam a Inglaterra, a França e Portugal, por outro. A batalha decorreu numa planície pantanosa banhada pelo Rio Lys e seus afluentes. Este foi um dos mais sangrentos confrontos em que esteve envolvido o Corpo Expedicionário Português, que aqui teve as seguintes baixas: 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros.



Publicado por Tovi às 10:00
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Quinta-feira, 22 de Março de 2018
Maio de 68

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Faz hoje meio século que o protesto dos estudantes tomou as ruas de Paris. Era o início do Maio de 68.



Publicado por Tovi às 10:00
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Sábado, 3 de Março de 2018
"Visita Guiada" na RTP

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Por mero acaso vi agora mesmo o "Visita Guiada" na RTP3, um excelente programa sobre a Casa do Infante conduzido por Paula Moura Pinheiro. Assim gosto de televisão.

 

   Comentários no Facebook

«Maria Da Glória Ferreira» - Também vi, e gostei imenso, sempre que posso vejo o programa, pois tem sempre muito interesse.

«David Ribeiro» - Fiquei cliente... tantas vezes dizemos mal da nossa tv e afinal somos nós que não sabemos escolher os programas.

«Isabel Branco Martins» - Se escolhermos a Culta e Adulta RTP2 não nos enganamos David.

«Jose Bandeira» - A Paula Moura Pinheiro continua a ser uma das poucas lufadas de ar fresco no deserto obscurantista que é hoje a televisão.



Publicado por Tovi às 12:30
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018
Primeira Revolução contra a Ditadura

Como foi a primeira e maior revolução militar e popular contra a ditadura, a que eu gosto de chamar “o início do Reviralho”.

 

   Assim nos conta o meu amigo Pedro Baptista.

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Faz hoje 91 anos eclodiu no Porto a primeira e a maior revolução militar e popular contra a ditadura. Foi pois a 3 de Fevereiro de 1927. Há um ponto comum entre esta revolução portuense derrotada e a do 31 de Janeiro de 1891. É que em ambos os casos, o Porto foi deixado sozinho por Lisboa, quando se esperava que também lá eclodisse e ao mesmo tempo. A cidade do Porto, com o apoio da maior parte dos aquartelamentos do Norte, entre os quais se destacou Amarante, Vila Real e Guimarães, foi cercada e bombardeada pela aviação e artilharia da ditadura que provocou centenas de mortos, 500 segundo alguns fontes. Á frente do movimento revolucionário estava o escol intelectual mais destacado da época entre os quais Jaime Cortesão. A ligação à Lisboa adormecida foi in extremis tentada por Raul Proença, numa traineira. Mas só quando o Porto estava derrotado, no dia 7, Lisboa decidiu aderir... Ao que já não existia, estava derrotado. Por isso Sampaio Pimentel, na sua obra "Memórias do Capitão", chama ao levantamento lisbonense do Rato, tardio e inútil, a "Revolução do Remorso". Estejamos atentos porque lá para terça ou quarta-feira os netos do Remorso vão intentar, como de costume, uma lavagem ao cérebro para mais uma vez falsificarem a história...

 

  A revolta de Fevereiro de 1927 no Porto (in Wikipédia)

A rebelião iniciou-se pelas 4h30 da madrugada do dia 3 de Fevereiro, com a saída do Regimento de Caçadores 9, a que se juntou a maior parte do Regimento de Cavalaria 6, vindo de Penafiel, vários núcleos de outros regimentos da cidade e uma companhia da Guarda Nacional Republicana aquartelada na Bela Vista, Porto.
O comando das forças fora confiado ao general Adalberto Gastão de Sousa Dias, tendo como chefe do estado-maior o coronel Fernando Freiria, apoiado por um comité revolucionário constituído por Jaime Cortesão, Raul Proença, Jaime Alberto de Castro Morais, João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e João Pereira de Carvalho. Entre os apoiantes incluía-se também José Domingues dos Santos, o líder da esquerda democrática que em 1918 dirigira a conspiração civil contra a Monarquia do Norte.
Jaime Cortesão foi de imediato nomeado governador civil do Porto e Raul Proença, além de conspirador, foi organizador e combatente de armas na mão, servindo de ligação aos co-conspiradores de Lisboa.
Durante a madrugada e manhã do dia 3 de Fevereiro, as forças dos revoltosos dirigiram-se para a zona da Praça da Batalha, onde estavam as sedes do quartel-general da Região Militar e do Governo Civil e a mais importante estação do telégrafo. Nessa primeira acção foram aprisionados o general José Ernesto de Sampaio e o coronel João de Morais Zamith, respectivamente primeiro e segundo comandantes da Região Militar, o tenente-coronel Luís Monteiro Nunes da Ponte, governador civil do Porto, e o seu substituto, major Sequeira Tavares, o comandante da força que fazia a guarda ao quartel-general e o presidente da Comissão de Censura à Imprensa.
As forças governamentais, depois de algumas horas de desorganização, passaram a ser constituídas por uma parte reduzida do Regimento de Infantaria 18, que tinha como comandante o coronel Raul Peres, o Regimento de Cavalaria 9 e o Regimento de Artilharia 5, este aquartelado na Serra do Pilar. Na tarde do dia 3 de Fevereiro, sob o comando do coronel João Carlos Craveiro Lopes, chefe do estado-maior da Região Militar e governador militar da cidade, as forças pró-governamentais concentraram-se no quartel da Serra do Pilar e abriram fogo de artilharia contra os revoltosos.
Na manhã desse mesmo dia 3 de Fevereiro, numa manobra arriscada, mas indicativa da certeza de que estava assegurada a fidelidade ao Governo das tropas de Lisboa, o Ministro da Guerra, coronel Abílio Augusto Valdez de Passos e Sousa, saiu de Lisboa num comboio com destino a Vila Nova de Gaia, onde chegou ao anoitecer. Assumiu então o controlo operacional das forças pró-governamentais ali instaladas sob o comando do coronel João Carlos Craveiro Lopes, mantendo-se na frente de combate até à subjugação dos revoltosos.
Logo na manhã de 4 de Fevereiro, juntaram-se aos revoltosos os militares do Regimento de Artilharia de Amarante, cujas peças de artilharia obrigaram as forças governamentais a recuar para o Monte da Virgem, de onde o bombardeamento sobre os revoltosos prosseguiu. Nessa mesma manhã, as forças revoltosas concentram-se na zona citadina em torno da Praça da Batalha, em redor da qual se montaram trincheiras, metralhadoras e peças de artilharia. Na confluência da Praça da Batalha com a Rua de Entreparedes foram instaladas duas peças de artilharia.
Na manhã do dia 4 de Fevereiro, o Regimento de Cavalaria 8, vindo de Aveiro, fiel ao Governo, conseguiu penetrar o fogo dos revolucionários e atravessar a Ponte de Luís I, mas foi detido pelas barricadas que defendiam a Praça da Batalha. A mesma sorte tiveram as tropas fiéis ao Governo aquarteladas na própria cidade do Porto, que foram rechaçadas pelo intenso fogo das trincheiras dos revolucionários quando tentaram avançar sobre as posições dos sublevados.
Entretanto começaram a chegar mensagens de adesão de diversas guarnições, mas não das esperadas guarnições de Lisboa. Aderem tropas pertencentes a unidades aquarteladas em Viana do Castelo, Figueira da Foz e Faro, estas últimas apoiadas por forças de Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, mas por falta de apoio, particularmente de Lisboa, os recontros nestas cidades são esporádicos e a rebelião foi, na maior parte dos casos, subjugada em escassas horas.
Na tarde de 4 de Fevereiro, quando as adesões militares não corresponderam ao esperado, Raul Proença, profundamente envolvido na revolta, convoca os civis para combaterem ao lado dos revoltosos, mas com pouco sucesso. O movimento haveria de se manter até ao fim essencialmente militar, sendo poucas as adesões civis. Mesmo as restantes forças da Guarda Nacional Republicana estacionadas no Porto e seus arredores fizeram saber, através do seu comandante, major Alves Viana, que se manteriam neutrais, garantindo o policiamento da cidade "em defesa das vidas e dos haveres dos cidadãos", mas não interferindo na contenda entre militares.
Ao longo do dia foram sendo consolidadas as defesas do perímetro em torno da Praça da Batalha, com a colocação ao cimo da Rua de 31 de Janeiro, na bifurcação com a Rua de Santa Catarina, de uma metralhadora para impedir a progressão naquelas ruas. Tal foi a mortandade causada pela metralhadora ali colocada que a posição foi cognominada de a trincheira da morte.
Para completar o perímetro defensivo, foi colocada outra metralhadora numa trincheira construída na confluência das ruas de Cima de Vila e da Madeira, montada uma peça de artilharia à esquina do edifício do Hospital da Ordem do Terço, voltada para a Rua do Cativo, e colocada uma metralhadora no desaparecido Largo do Corpo da Guarda, ao cimo da rua que ainda mantém esta designação. Para além disso, levantou-se o pavimento e montaram-se duas peças de artilharia na Rua de Alexandre Herculano, na junção com a Praça da Batalha e a Rua de Entreparedes.
Para além de soldados do Regimento de Infantaria 6, de Penafiel, e da GNR da Bela Vista estacionados ao longo da Rua Chã, foram colocadas "vedetas", patrulhas constituídas por soldados e civis, ao longo de todo o perímetro.
Na tarde deste dia, o comandante Jaime de Morais, chefe militar do Comité Revolucionário do Norte, enviou ao general Óscar Carmona, Presidente da República, um telegrama contendo um ultimato em que se afirmava: Os oficiais revoltosos decidiram reintegrar o País dentro do regimen democrático constitucional, com a formação de um Governo Nacional que afirmasse a supremacia do poder civil, guardado e defendido pela força armada, que assim teria restituído as funções de que a desviaram.
Nesse mesmo dia 4 de Fevereiro, e nos dias imediatos, juntaram-se aos revoltosos do Porto forças provenientes de Penafiel, Póvoa do Varzim, Famalicão, Guimarães, Valença, Vila Real, Peso da Régua e Lamego. Vinda de Amarante chegou mais artilharia, a qual foi estacionada nas imediações de Monte Pedral. A artilharia da Figueira da Foz foi detida na Pampilhosa quando se dirigia para o Porto.
Ao contrário do previsto pelos revoltosos, até ao final do dia 4 de Fevereiro não se registaram quaisquer adesões em Lisboa, centro vital do poder político-militar, o que permitiu ao Ministro da Guerra, coronel Passos e Sousa, concentrar todas as forças no combate aos entrincheirados no Porto. Na tarde deste dia, a posição dos revoltosos era crítica, já que os pró-governamentais dominavam Lisboa e todo o sul de Portugal e controlavam a margem sul do Douro, tornando improvável o reforço das tropas revoltosas.
Entretanto, na manhã do dia 5 de Fevereiro o vapor Infante de Sagres chegava a Leixões, com tropas governamentais, comandadas pelo coronel Augusto Manuel Farinha Beirão, enquanto mais forças governamentais atravessavam o Douro em Valbom e se encaminhavam para o centro da cidade.
Nessa mesma manhã desenvolve-se uma tentativa de conciliação, que leva o comandante Jaime de Morais e o major Severino a visitar o quartel-general do Ministro da Guerra, instalado num prédio da Avenida das Devezas, em Gaia, numa tentativa de negociar a rendição em troca da liberdade para os revoltosos. Os parlamentários dos revolucionários foram obrigados a atravessar a cidade vendados, mas o resultado foi inconclusivo já que o Ministro recusou uma rendição que não fosse incondicional: ou a rendição total ou o bombardeamento da cidade. Falhada a conciliação, a partir das 16 horas do dia 5 de Fevereiro travou-se um grande duelo de artilharia entre as duas margens do rio Douro.
Durante a tarde do dia 5 de Fevereiro começou a montar-se o cerco aos revoltosos, envolvendo o Porto num anel de fogo e metralha: pelo norte, as tropas desembarcadas em Leixões pelo Infante de Sagres; por leste, tropas fiéis ao Governo vindas de Bragança e da Régua, chefiadas por António Lopes Mateus; e a sul, em Vila Nova de Gaia, concentram-se cerca de 4.000 homens vindos de várias guarnições, munidos de farta artilharia. Perante o apertar do cerco, na noite de 5 de Fevereiro, os revoltosos propõem um armistício, mas Passos e Sousa responde, na manhã do dia 6, com o reiterar da exigência de uma rendição incondicional e a ameaça de bombardeamentos ainda mais intenso e pesado, incluindo o recurso a obuses.
Raul Proença regressou a Lisboa na noite de 6 de Fevereiro para pedir auxílio e para tentar desencadear a revolta naquela cidade, já que o movimento, sem os apoios esperados, começava a enfrentar sérias dificuldades no Porto.
Naquelas circunstâncias só restava negociar a rendição, já que um ataque à baioneta contra as baterias governamentais da Serra do Pilar (Gaia) que invertesse a situação era virtualmente impossível e muito provavelmente redundaria num banho de sangue, sendo certo o bombardeamento da cidade. Com os olhos postos em Lisboa, onde a muito custo e com uma lentidão exasperante o movimento parecia finalmente arrancar, os revoltosos resistem durante os dias 6 e 7 de Fevereiro, mas à medida que as horas passam e as munições se esgotam cresce o sentimento de derrota e sobem de tom as vozes que advogam a rendição.
Finalmente, na tarde do dia 7 de Fevereiro, esgotadas as munições, o quartel-general dos revoltosos, instalado no Teatro de S. João, manda dispersar os civis ali aquartelados. À meia-noite o general Sousa Dias faz chegar ao Regimento de Artilharia 5, em Gaia, por intermédio do major Alves Viana, da GNR, um documento apenas por si subscrito, em que propõe a rendição, com salvaguarda da isenção de responsabilidades de sargentos, cabos e soldados. Passos e Sousa aceita apenas a isenção de cabos e soldados, declarando que os oficiais e sargentos envolvidos seriam punidos. Qualquer civil apanhado de armas na mão seria imediatamente fuzilado.
Sem mais opções, pelas três horas da madrugada do dia 8 de Fevereiro Sousa Dias aceita as condições propostas e ordena a rendição dos revoltosos. Pelas 8h30, Passos e Sousa entra triunfalmente na cidade, pela Ponte Luís I. Estava terminada a revolta no Porto.
Pouco depois o coronel João Carlos Craveiro Lopes envia ao general Óscar Carmona, Presidente da República, o seguinte telegrama: Felicito V. Ex.ª e o Governo da Nação. Tropas entraram Praça da Batalha, Porto, às 8 horas e meia, tomando conta da cidade onde a vida vai retomando a sua normalidade. Na tarde desse mesmo dia 8 de Fevereiro, o Ministro Passos e Sousa parte para Lisboa, cidade onde a revolta estava agora acesa.
Durante os 5 dias que durou a revolta no Porto perderam a vida mais de 100 pessoas, entre militares e civis, entre os quais o jornalista António Maria Lopes Teixeira, director do Diário do Porto. Foram mais de 500 os feridos, alguns dos quais viriam a sucumbir nos dias imediatos. Os estragos causados pelos bombardeamentos e tiroteios também foram grandes, com muitas casas devastadas e muitos edifícios públicos grandemente danificados.



Publicado por Tovi às 13:44
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Sábado, 27 de Janeiro de 2018
Não esquecer... nunca

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Há 73 anos (27 de Janeiro de 1945) as tropas soviéticas libertavam o campo de concentração nazi de Auschwitz.

 

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«Raul Vaz Osorio» - Para quem nunca lá esteve... vão lá. Tudo o que já sabiam ou ignoravam sobre o holocausto sobe vários níveis de compreensão. Devia ser uma visita obrigatória, para garantir que não se repete

«Andre Cordeiro Dos Santos» - Por acaso gostaria de visitar. Para me ajudar a compreender como homens conseguem através da força obrigar outros a não serem diferentes. Pelo que sei vários tipos de pessoas foram escolhidas para serem enviadas para os campos de concentração. Para além de origem judia, foram católicos que se opunham a ser pro regime, ciganos, homossexuais, deficientes e comunistas… de tudo um pouco. Quem fosse útil de afastar do ideal de pureza e supremacia. Mas para mim a pergunta é o que se continua a fazer em nome desse ideal de pureza, beleza, utilidade, produtividade, idealogia? Será que o respeito humano pela vida e o amor entre os povos está ainda em risco

«Raul Vaz Osorio» - Infelizmente, está sempre em risco é o caminho mais rápido para que se repita é convencer-mo-nos de que isso é impossível



Publicado por Tovi às 09:32
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Sábado, 25 de Novembro de 2017
Faz hoje 42 anos… lembram-se?

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Não há dúvida… somos um Povo de lágrima fácil

 

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«Duarte Nuno Correia» - n'O Insurgente - Alguns poderão estar esquecidos, outros nunca terão ouvido, outros estarão equivocados e alguns terão escutado uma versão deturpada ou selectiva da coisa. Mas quando Jaime Neves e os restantes comandos impedem o golpe dos pára-quedistas de Tancos, impedem não apenas um golpe militar, mas o golpe militar da extrema-esquerda que visava garantir que Portugal passava de uma ditadura de direita para uma ditadura de esquerda, comunista e à boa moda soviética, isto assumindo que os arrufos entre estalinistas e maoístas se resolviam. Isto foi no dia 25 de Novembro de 1975. O 25 de Abril sem o 25 de Novembro teria sido uma mera mudança de cores de camisola. É, portanto, uma data tão alusiva à democracia como é o 25 de Abril, e, como tal, merece ser recordada, celebrada, felicitada, festejada. Um dos partidos que mais fez pela consolidação do 25 de Novembro foi precisamente o PS de Mário Soares. Que o Bloco de Esquerda, que mais não é do que a agremiação da UDP e do PSR, radicais que buscavam essa ditadura comunista, e o PCP, que, bom, é o PCP, não celebrem o 25 de Novembro parece-me coerente. Afinal, o sonho de uma ditadura comunista foi gorado. Que o PS alinhe no circo é que é absolutamente inaceitável. Uma vergonha.

«David Ribeiro» - O Mário Soares deve estar aos saltos no caixão.



Publicado por Tovi às 11:09
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017
Uma injustiça histórica… até hoje

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(Arthur James Balfour, secretário britânico dos Negócios Estrangeiros entre 1916 e 1919 e autor da Declaração Balfour, de 2 de novembro de 2017 - Foto Wikimedia Commons)

É um dos documentos polémicos da História e faz 100 anos esta quinta-feira. Pela Declaração Balfour, os britânicos prometeram um “lar nacional” aos judeus num território que não era deles e onde os judeus eram minoritários. Hoje, os israelitas festejam; os palestinianos exigem a reparação dessa “injustiça histórica”.

   Expresso online de hoje, por Margarida Mota

 

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«Gonçalo Graça Moura» - Qual injustiça? Esqueces que pelo menos 30 anos antes o movimento sionista já investia nos territórios, tendo causado uma verdadeira revolução na agricultura e tendo feito com que zonas áridas fossem férteis e permitissem o estabelecimento de populações semi-nómadas, entre judeus e árabes... os "palestinos" são uma ficção pós guerra dos seis dias.

«David Ribeiro» - Mas há alguém, além dos senhores do poder israelita, que entenda que os palestinos não têm razão de existir?

«Gonçalo Graça Moura» - percebeste a coisa ao contrário, os "palestinos" é que acham que os israelitas não têm razão para existir... aliás foram criados para isso...



Publicado por Tovi às 11:22
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Domingo, 29 de Outubro de 2017
História recente da Catalunha

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(El fusilamiento de Lluis Companys en los fosos del castillo de Montjuic)

Nestes dias de forte tensão na Catalunha, após a declaração uniliteral da independência e a suspensão da autonomia da região pelo Senado espanhol, convém não esquecer que apesar de no século XIX ter sido severamente afectada pelas guerras napoleónicas e carlistas, a Catalunha representou desde essa altura a força industrial da Espanha, sendo a primeira a introduzir a industrialização através do vapor, com o têxtil a representar a força da indústria. O capital estrangeiro investiu na Catalunha e isso introduziu a siderurgia, além de outros novos elementos característicos da Revolução Industrial. Os primeiros bancos conseguiram grande impulso durante a chamada Febre do Ouro até à quebra dos mercados de 1866.
Durante a curta vida da Primeira República Espanhola (1873-1874) duas propostas de Estado foram debatidas em Madrid: A primeira delas via a Espanha como uma única nação, a segunda, apoiada pela Catalunha, pretendia um Estado federado. Após o golpe de estado monárquico de 1874 nasceu o movimento chamado em catalão "Renaixença", o início das reivindicações do catalanismo político. Com a proclamação da II República Espanhola, em 1931, reconheceu-se novamente a autonomia da Catalunha, tendo-se chegado a proclamar unilateralmente a República Catalã, mas esta proclamação não foi bem aceite pelo governo de Espanha, embora fosse uma proclamação federalista. Com a derrota dos Republicanos na Guerra Civil (1936-1939), a Catalunha perdeu novamente a sua autonomia, todas as instituições de autogoverno catalãs foram banidas, e sofreu uma importante e pesada repressão cultural e linguística (com a abolição e proibição do uso do catalão), por parte do Estado Nacionalista Espanhol, totalitário e de inspiração fascista. Em 15 de Outubro de 1940 o presidente catalão, Lluís Companys, foi fuzilado pelo regime fascista espanhol. Com a morte do ditador Francisco Franco (1975) e o fim da ditadura, a Catalunha foi a primeira comunidade a recuperar outra vez a sua autonomia, restaurando a Generalitat (exilada desde o fim da Guerra Civil em 1939) e adoptando um novo Estatuto de Autonomia em 1979.

Com uma história destas quem duvida que mais-dia-menos-dia a agora auto-proclamada República Catalana será uma realidade?

 

   14h00 de hoje

Milhares de pessoas manifestam-se em Barcelona contra a independência da Catalunha - Como sempre nestas coisas os números são díspares e feitos à vontade de cada um: polícia municipal diz serem cerca de 300 mil e a organização garante que são mais de um milhão. Mas não há dúvida que a Catalunha está completamente dividida e a marcação de eleições na comunidade autónoma para Dezembro só vai contribuir para o extremar das posições. Puigdemont e Rajoy arranjaram uma bonita encrenca… que não sabemos como irá acabar.



Publicado por Tovi às 12:14
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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2017
24 de Agosto de 1820

Foi no dia de hoje... já lá vão uns anitos. 

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Há 196 anos, eclodia no Porto uma revolução que veio pôr um ponto final no Portugal medieval, fazendo entrar o país na modernidade. Às primeiras horas da manhã do dia 24 de agosto de 1820, o coronel Sebastião de Brito Cabreira reuniu as tropas revoltosas no campo de Santo Ovídio (atual praça da República). Após a realização de uma missa campal, a que assistiu com os soldados, mandou dar uma salva de artilharia de 21 tiros. Anunciava-se, assim, que começava um novo ciclo na história do país: Portugal entrava na modernidade, abraçando o regime liberal.

  Artigo completo de Manuel de Sousa, publicado hoje no Porto24




Sábado, 8 de Julho de 2017
Porto... terra de Liberdade #2

  Pedro Baptista, na sua página do Facebook

Bom Dia, Amigas e Amigos,
Há 185 anos, os liberais desembarcavam no Porto, precisamente nas praias a norte de Pampelido, dando força militar vitoriosa à corrente liberal dominante na cidade. Iniciar-se-ia o Cerco do Porto e a Guerra Civil, posto o que, com a vitória portuense, se formava o Portugal moderno. (A gravura pertence ao Arquivo Distrital do Porto).

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  CMP - Porto Cultura

Vários locais, edifícios, monumentos, templos e ruas integram a "Rota PORTO LIBERAL", lançada neste 8 de julho, data em que há 185 anos se deu o desembarque de Mindelo. Além da Câmara Municipal, a revisitação histórica pela geografia da cidade é promovida pela Venerável Irmandade de Nª Srª da Lapa, o Exército Português através do Museu Militar do Porto, a Direção Geral do Património Cultural, a Santa Casa da Misericórdia do Porto através do MMIPO - Museu e Igreja da Misericórdia do Porto e a Direção Regional de Cultura do Norte.



Publicado por Tovi às 10:19
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Sexta-feira, 7 de Julho de 2017
Porto... terra de Liberdade #1

   Pedro Baptista, na sua página do Facebook

Bom Dia, Amigas e Amigos!
Ao anoitecer de 7 de Julho de 1832, faz hoje 185 anos, tremeram as hostes absolutistas que dominavam a cidade do Porto: para seu grande espanto, a esquadra liberal estava à vista. Não contavam que D. Pedro IV e os seus estrategos decidissem o local do desembarque, tendo como critério primeiro o politico: o Porto era a cidade que, pela sua tradição e composição, dava mais garantias de apoio à causa liberal. A esquadra tentou desembarcar em Vila do Conde, mas as parlamentações com a guarnição militar correram mal, pelo que foi escolhido outro local “légoa e meia” mais a Sul… Mas isso é para amanhã, o dia do desembarque...
Para hoje, fiquemo-nos com o nº 1 da Crónica Constitucional do Porto, 11 de Julho de 1832, edição de 4ª feira:

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Noticia Official das operações do Exercito Libertador.
Porto 10 de Julho de 1832.
S. M. I. fez-se á vela, com o Comboio, que se achava surto na praia defronte de Ponta Delgada, no dia 27 de Junho, pelas 2 horas da tarde, e seguio viagem com o tempo mais favorável, até ao dia 7 de Julho, em que deo vista da Costa de Portugal, na altura de Villa do Conde; pelas 7 da tarde do mesmo dia, achava-se todo o Comboio nas agoas daquela costa (…)
No dia 8, pelas 9 horas da manhã, mandou o mesmo Augusto Senhor içar na Fragata Rainha de Portugal o pavilhão Real que foi saudado com uma salva de vinte e um tiros, pelas embarcações de guerra (…) S. M. I., havendo assim cumprido com o que o seu Coraçaõ dictava, ordenou que o Exercito desembarcasse no ponto que já se achava fixado, entre Villa do Conde e o Porto (…) Em consequência daquella ordem, pelas 2 horas e meia da tarde, as embarcações de guerra tomáraõ posição na praia de Mindelo, a meia distancia, pouco mais ou menos, daquelas duas povoações, e a menos de tiro de metralha da terra; e ás 3 horas começou o desembarque, sem opposiçaõ alguma; aparecendo apenas em reconhecimento poucas patrulhas de Cavallaria, que foraõ desalojadas por alguns tiros do Brigue Liberal.
A Guarniçaõ do Brigue de guerra Conde de Villa Flor foi a primeira que, saltando em terra, cravou a Bandeira da Senhora D. MARIA II (…)
S. M. I. desembarcou ás 6 horas da tarde, entre aclamações e enthusiasmo inexplicável da tropa, e bênçãos de inumerável concurso de habitantes, que de todas as aldêas próximas vinhão vêr e saudar, como eles mesmos diziaõ, o seu Libertador.



Publicado por Tovi às 15:03
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
O Arco de Sant’Ana

O-Arco-de-Sant-Ana bbb.jpgNão me recordo do “Rapa Côdeas” (aka Gaspar da Costa), meu professor de Português no liceu Alexandre Herculano, alguma vez me ter mandado ler O Arco de Sant’Ana, mas embora soubesse vagamente qual o enredo deste romance de Almeida Garrett só agora, já sessentão, me deu para o ler e me deliciar com a evocação da vida social e política do burgo portuense, agitada pelos motins dos mesteirais, conduzidos pelo jovem Vasco e apoiados pelo rei D. Pedro, numa luta contra a oligarquia política, encarnada pelo bispo e seus acólitos, em especial Pêro Cão, cobrador de impostos.

E dei comigo a pensar que já está na hora – décimo sétimo ano do século XXI - de nos tornarmos todos MESTEIRAIS cá pela Cidade Invicta. Não estará?

 

  O Arco de Sant’Ana

Porto Editora
Depósito Legal: 321475/11
ISBN: 978-972-0-04980-3



Publicado por Tovi às 12:01
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
O Porto sempre contra a Ditadura

...mesmo quando o nosso sangue corria pelas ruas da cidade.

3 de Fevereiro de 1927.jpg

  Pedro Baptista no Facebook

Fez ontem 90 anos - 3 de Fevereiro de 1927 – que eclodiu no Porto a primeira tentativa de golpe militar contra a Ditadura que se tinha instaurado em 28 de Maio no ano anterior. Malgrado a grande mobilização militar e popular na cidade do Porto e o apoio de grande parte das unidades militares nortenhas, o levantamento acabou por falhar pela indisponibilidade das unidades da capital que parece, tal como em 31 de Janeiro de 1891, não terem gostado da iniciativa a Norte. Lisboa haveria de aderir ao levantamento militar apenas no dia 7, ou 8, quando o Porto, depois de ferozmente bombardeado durante toda a semana e com centenas de mortos, já tinha sido obrigado a render-se para poupar a vida dos seus soldados. Sarmento Pimentel, um dos revoltosos que só haveria de voltar ao país depois de 1974, chamou ao levantamento lisboeta do Largo do Rato, a Revolução do Remorso! Bem observado!



Publicado por Tovi às 08:30
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016
Revolta dos Taberneiros

Ao ouvir falar de um possível novo imposto sobre o vinho, lembrei-me disto:

 

Revolta dos Taberneiros 1757 ab.jpgEm 1757 o Porto foi palco de duas revoltas populares contra a Companhia Geral de Agricultura e das Vinhas do Alto Douro, instituída em 1756 por Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O descontentamento motivado pela formação desta companhia monopolista não só se fez sentir entre os agentes ligados à produção e comercialização de vinho do Porto, nomeadamente os comerciantes ingleses e seus colaboradores, mas também entre os numerosos taberneiros, tanoeiros e pequenos armazenistas da cidade.
O primeiro e principal motim aconteceu na manhã do dia 23 de Fevereiro ao som dos sinos da Sé e da Misericórdia. Os amotinados, reunidos na Cordoaria e gritando palavras de ordem, avançaram até à casa do juiz do povo, sita no Largo de S. Domingos, que foi arrastado pela turba e conduzido numa cadeirinha por, alegadamente, se encontrar indisposto.
O numeroso e exaltado cortejo seguiu até à Rua Chã, ao encontro das residências do regedor das justiças, a quem foi exigida a extinção da Companhia, e do provedor Luís Beleza de Andrade. O escritório da Companhia, a habitação do seu provedor - de onde um criado disparou sobre os revoltosos - e as casas vizinhas de Manuel Barroso (secretário da Companhia) e de Custódio dos Santos (seu deputado) foram vandalizadas.
Depois destes episódios violentos os ânimos serenaram e pelas três da tarde a cidade já assistia à Procissão das Cinzas. Porém, esta afronta ao poder central estava longe de ser esquecida, pois, apesar da aparente passividade das autoridades, a notícia do motim chegara rapidamente a Lisboa através da relação enviada pelo Desembargador Bernardo Duarte de Figueiredo.
Cinco dias mais tarde, a 28 de Fevereiro, D. José I ordenou a João Pacheco Pereira de Vasconcelos que abrisse no Porto uma devassa. A 15 de Março, pouco depois da chegada do enviado régio, rebentou segundo motim.
Destes levantamentos populares resultou o apuramento de 462 suspeitos, 26 dos quais foram condenados à pena capital (21 homens e 5 mulheres), a ocupação militar da cidade por vários regimentos da Beira, do Minho e de Trás-os-Montes, a responsabilização dos portuenses pelo aboletamento das tropas, o lançamento de um imposto para pagar os soldos e munições de guerra, a mudança da vereação, a extinção da "Casa dos 24" e, ainda, a nomeação de João de Almada e Melo para Governador do Partido Militar do Porto.
No final, oito condenados conseguiram fugir, uma mulher escapou à forca por se encontrar grávida e os restantes 17 sentenciados à pena capital foram enforcados ou decapitados no dia 14 de Outubro de 1757. As suas cabeças foram colocadas nos patíbulos e os corpos, esquartejados, expostos no Largo de S. Domingos, nas ruas Chã e de Cimo de Vila e no terreiro de Miragaia.



Publicado por Tovi às 08:57
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