"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017
A República Catalã venceu o Artigo 155

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(Ilustração de Rodrigo Acevedo Musto)

Há quem diga que as coisas ainda não ficaram claras na Catalunha, mas não restam dúvidas para ninguém que Mariano Rajoy saiu completamente derrotado destas eleições.

 


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  Comentários no Facebook

«Raul Vaz Osorio» - O Ciudadanos, pelo menos na sua versão catalã, está também contra o 155 e a estratégia de colorido fascista adoptada por Rajoy. Sendo assim, podemos considerar que houve uma maioria qualificada e não apenas absoluta que rejeitou a aplicação do dito artigo. Querem maior derrota do que esta?

«Gonçalo Graça Moura» - Eu acho que quem perdeu foram os catalães... quero ver como vão recuperar todos os negócios que saíram de lá com esta história...

«Raul Vaz Osorio» - Essa perspectiva materialista é que é o grande mal do mundo de hoje. Da forma como você coloca a questão, conclui-se que o único valor importante em jogo aqui é o dinheiro é isso negócios. Se não o único, pelo menos o fundamental. Ora, na verdade, existe toda uma gama de valores em jogo nesta situação e não é lícito escolher um em detrimento dos outros, seja ele qual for, com a excepção, talvez, da liberdade de opinião e escolha. Como regionalista, autonomista e no limite até independentista se necessário, em prol do Norte, desde já lhe digo que sacrificava de bom grado alguns grandes negócios para ver a minha região livre do parasitismo lisboeta.

«Serafim Guimarães» - Raul, concordo genericamente mas pergunto-te porque é que a Catalunha quer independência, ao contrário da Galiza. Claro que é pelos motivos materiais, pela percepção de que dão mais a Espanha do que o que dela recebem. E estão a esquecer-se que fora da União Europeia, a Catalunha perde (muita) riqueza. E o bem estar material de uma sociedade é que permite que ela se dedique a ter outras preocupações. Por isso é que, apesar de toda a minha simpatia pela causa catalã, acho que eles fazem mal separar-se e espero que consigam encontrar uma solução que não passe pelo radicalismo... Já saíram 3000 em presas (milhares de empregos). Até a Seat (que é alemã....) ameaça sair!!!

«Raul Vaz Osorio» - Serafim mas nunca me ouviste dizer que eles fazem bem ou mal. Digo é que lhes compete a eles decidir. Digo que há muitos valores em jogo é que não é lícito aplicar à questão a lógica TINA.

Já agora, essa do "fora da União Europeia" não é, de forma alguma, um dado adquirido. Mas faz parte, juntamente com a saída de empresas, de una chantagem do establishment politico-economico europeu sobre os catalães.

«Serafim Guimarães» - Raul Vaz Osorio fora da união europeia sim, porque para entrar um novo membro tem que haver unanimidade....

«Raul Vaz Osorio» - Estás a assumir que há saída. Não seria muito difícil criar uma norma, mesmo à margem dos tratados, que preservasse a integridade da União face a separatismos. Era apenas levar a lógica da Europa das Regiões, já consagrada no edifício político e legislativo da UE. Aliás, bastava a Escócia ou o Ulster decidirem em referendo demarcar-se do Brexit e pretender permanecer na UE para as mesmas vozes que anunciam a inevitabilidade da saída de uma Catalunha independente virem explicar como se poderia manter essas regiões na UE.



Publicado por Tovi às 09:23
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017
Catalunha a votos

mw-768.jpgMais de cinco milhões vão hoje votar na formação de um novo país ou colocar um travão a fundo nesse sonho milenar do Povo Catalão. Em verdade o que se vai escolher nesta consulta popular são os novos líderes catalães, depois de o governo de Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, ter dissolvido a Generalitat. A última sondagem do Centro de Pesquisa Sociológica (CIS) mostra que duas forças opostas podem estar, na realidade, muito próximas. A formação unionista de Inés Arrimadas, o Cidadãos, está perto dos 22,5% nas intenções de voto (entre 30 a 32 assentos parlamentares) e a Esquerda Republicana (ERC) está nos 21% (como o mesmo número de lugares possíveis). Mais logo, o mais tardar amanhã de manhã, saberemos qual o destino da Catalunha.

 

  La Vanguardia - Elecciones catalanas 2017 del 21D

08h24 - Alrededor de 5,5 millones de catalanes están convocados este jueves a las urnas en unas elecciones catalanas que servirán sobre todo para dirimir si los ciudadanos avalan la aplicación del artículo 155 de la Constitución que ha intervenido el autogobierno catalán y rechazan la independencia, o si dan un nuevo impulso al proceso soberanista.

10h39 - Uno de los cabezas de lista que no podrá votar será el candidato de ERC, Oriol Junqueras, encarcelado preventivamente desde el pasado mes de noviembre acusado de rebelión, sedición y malversación. Sin embargo el vicepresident de la Generalitat de Catalunya cesado se ha manifestado a través de su cuenta de Twitter evocando que hace justo 4 años que se casó con su mujer, y ha confiado en salir pronto de la cárcel para poder estar con su familia.

11h13 - Más de dos horas después de la apertura de los colegios electorales, las colas siguen siendo las protagonistas. En algunos centros de votación de Barcelona es de incluso más de media hora.

12h00 - Cinco días de castigo a Junqueras por su entrevista a RAC1. Los servicios penitenciarios sancionan al candidato de ERC también por grabar un audio desde prisión.

14h19 - Los servicios penitenciarios han desmentido haber sancionado a Oriol Junqueras, exvicepresident y candidato de ERC a la presidencia de la Generalitat, con cinco días de confinamiento en su celda por conceder una entrevista a El Món a RAC1 mediante conexión telefónica y por grabar un audio desde prisión, según ha podido saber La Vanguardia.

15h05 - Un 34,7% de los catalanes llamados a las urnas este jueves ha votado hasta las 13 horas, lo que supone 0,4 puntos menos que en el primer avance de participación de las elecciones catalanas del 27 de septiembre de 2015, cuando a la misma hora había votado el 35,1% del censo.

18h10 - La participación se dispara y supera la de 2015 hasta el 67,96%. Supone un 6,3% más respecto al 63,12% registrado en 2015 a las 18:00 horas.



Publicado por Tovi às 09:36
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Sábado, 4 de Novembro de 2017
Por supoesto...!

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A juíza do Supremo Tribunal de Justiça espanhol (Audiência Nacional), Carmen Lamelas, decretou na passada quinta-feira a prisão preventiva dos oito antigos membros do governo da Catalunha: Oriol Junqueras (ex-vice-presidente), Jordi Turull (presidência), Raül Romeva (Negócios Estrangeiros), Josep Rull (Território), Carles Mundó (Justiça), Meritxell Borràs (Cultura), Joaquim Forn (Administração Interna) e Dolors Bassa (Trabalho).

Ontem, sexta-feira, a Justiça espanhola emitiu um mandado europeu de detenção para Carles Puigdemont, presidente destituído do governo da Catalunha, e para quatro ex-ministros.



Publicado por Tovi às 08:23
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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017
Parlamento da Catalunha aprovou a independência

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Agora é que vai ser... Será que o governo de Madrid já terá mandado ligar os motores dos tanques para invadir a República da Catalunha?

 

  15h30 de hoje

Senado espanhol aprova entrada em vigor do artigo 155 da Constituição espanhola que permite ao governo de Madrid assumir o controlo dos poderes autonómicos da Catalunha.

 

   19h30 de hoje

Em conferência de imprensa o primeiro-ministro Mariano Rajoy, informou que o Governo Espanhol destituiu Carles Puigdemond, dissolveu o Parlamento da Generalitat e marcou eleições na Catalunha para 21 de Dezembro.

 

   Comentários no Facebook

«Jose Bandeira» - Este processo é perfeitamente imbecil. Uma autêntica roleta russa!

«Manuel Carvalho» - Por formação inclino-me para o direito dos povos à sua autodeterminação, mas pela razão receio o que venha a acontecer com o povo catalão. Não conheço pessoalmente nenhum catalão para lhe fazer três perguntas simples. A primeira é se o uso do catalão é proibido e se foi retirado do sistema de ensino, a segunda é se as expressões artísticas catalãs são perseguidas e proibidas; sobretudo as danças e o folclore e a terceira qual o grau de autonomia que têm em relação às instituições. A resposta a essas perguntas ajudar-me-ia a ter uma noção mais exacta sobre a necessidade, ou não, do que reclamam agora. Um facto que acho curioso é que todos os movimentos independentistas iniciais partem das regiões mais ricas em detrimento da solidariedade com as regiões mais pobres. Aliás, como os próprios países europeus olham para os países do sul dessa mesma Europa. A Catalunha, embora com um notável poder económico, não terá um futuro promissor se, como parece que será, a comunidade económica não a reconhecer. Actualmente, um país ganha e perde a independência mais por políticas económicas do que pela força, e nós bem que sabemos onde e com quem está a nossa independência. Jose Bandeira, aquando do reinado dos Filipes, Portugal não perdeu totalmente a sua independência, sempre foi visto como um outro país. Se assim não fosse, teríamos perdido todo o império mesmo depois da Restauração e apenas perdemos Ceuta. A Catalunha ajudou ao dividir as forças militares em duas frentes, mas a frente portuguesa não mereceu sequer o empenho para manter o país na alçada espanhola. Ajudou mais porque os nobres que sobreviveram Alcácer-Quibir e foram destacados para combater na Catalunha, aperceberam-se que era o momento certo para lutar pela restauração.

«Jose Bandeira» - Todo o processo decorreu de forma ridícula. Se os separatistas Catalães estivessem a fazer um trabalho sério teriam que assegurar apoio internacional à sua causa. Declarar a independência equivale a criar um novo país e não se pode esquecer a política externa. O Governo Regional Catalão agiu "à espanhola", ou seja, com aquele egocentrismo característico dos espanhóis para quem o mundo termina nas suas fronteiras. Isto é inadmissível!

«David Ribeiro» - Foi não ter assegurado apoio internacional um dos graves erros de Puigdemond, no meu entender.



Publicado por Tovi às 14:01
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2017
Catalunha independente… quando?

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Carles Puigdemond anuncia nova sessão parlamentar para então declarar unilateralmente a independência da Catalunha... está difícil o parto



Publicado por Tovi às 22:59
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Terça-feira, 3 de Outubro de 2017
Greve geral na Catalunha

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No passado domingo tivemos o primeiro indício que a independência da Catalunha irá ser mais tarde ou mais cedo uma realidade, apesar de não se avistar ainda quando e como acontecerá este cortar de amarras ao reino de Espanha. Mas a violência que os agentes da Guarda Civil e da Polícia Nacional Espanhola exerceram sobre o povo da Catalunha que pretendia exercer o direito a votar no referendo sobre a independência deste território, colocaram o Governo de Mariano Rajoy numa situação insustentável e repudiada por todo o Mundo civilizado, incluindo a Comissão Europeia. A greve-geral de hoje é mais uma posição de força que Madrid não pode ignorar.



Publicado por Tovi às 13:44
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
Visca Catalunya Lliure

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Ainda muita água irá correr debaixo das pontes até que a Catalunha se torne independente do Reino da Espanha, mas as decisões tomadas pelo Parlamento e pelo Governo Regional da comunidade autónoma catalã para organizar um referendo independentista no próximo dia 1 de Outubro, mesmo com o Tribunal Constitucional espanhol a suspende-lo de forma imediata e o Governo de Madrid a exercer a mais vil violência sobre as autoridades autonómicas, demonstram que as coisas nunca mais serão como dantes e mais tarde ou mais cedo os independentistas irão vencer.

 

  Comentários no Facebook

«Pedro Baptista» - Como é possível, na Europa dita democrática, que apoiou as independências da Croácia, da Eslovénia, da Bósnia, do Kosovo, do Montenegro, nalguns casos em processos mais do que duvidosos, que se queira impedir um povo e uma nação de decidir o seu futuro?

«Tiago Barbosa Ribeiro» - Sou desde sempre apoiante da causa nacional catalã. A Diplocat, que envolve a Generalitat e muitas instituições, convidou-me para integrar uma missão no âmbito do referendo, que declinei devido à exigente agenda daqui até às autárquicas. A rede diplomática catalã no exterior já é muito robusta e envolve decisores e organizações de diferentes países em todo o mundo. Depois do que se passou hoje, já indiquei a minha disponibilidade para participar num grande evento que vai decorrer em breve para repudiar a intolerável repressão de Madrid perante o silêncio de muitos. Rajoy fez hoje uma jogada desesperada que vai sair-lhe cara. O ataque directo às instituições catalães, o confisco de boletins, urnas e propaganda política, a prisão de políticos eleitos por crime de consciência (mesmo que a coberto de outra figura jurídica, é do que se trata), os raides da Guardia Civil que foi considerada uma «força de ocupação», o garrote financeiro, entre outras acções mais próprias de Franco do que de democratas, não vão resolver nenhum problema: são parte dele. A Catalunha tem uma identidade histórica nacional que Madrid, por mais que tente, não conseguirá reprimir. Essa identidade expressa-se em tudo aquilo que leva ao desejo de autodeterminação cultural, simbólica, política, económica, em torno de uma ambicionada República Catalã que tem no seu dia nacional a comemoração do Cerco de Barcelona que resistiu longos meses à monarquia. A sua história é justamente a da resistência, insubmissão e firmeza democrática, seja contra a monarquia, contra as bombas do nazi-fascismo durante a Guerra Civil, contra a feroz repressão de Franco ou, mais recentemente, contra o madridismo intolerante que não aceita o direito a decidir. Quem resistiu a tanto, vai resistir a Rajoy e a quem o apoia. A causa nacional catalã tem uma enorme simpatia noutras regiões de Espanha e foi sempre pautada pela elevação cívica, pela tolerância, pelo direito à diferença intelectual e pelo respeito democrático. O que se passou hoje demonstra que Madrid está disponível para colocar o aparelho do Estado ao serviço de um autoritarismo que, obviamente, vai unir ainda mais os catalães e afunilar os canais de diálogo. Acontece que ninguém pode ser obrigado a ficar num corpo que não é o seu. A República Catalã vai ser uma realidade e, pela minha parte, tudo farei para apoiar os meus amigos de todas as cores políticas que lá estão a lutar por ela. Saibam que não estão sós.




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