"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2015
Os neo-jihadistas vivem entre nós

jihadistas aa.jpg

Os ataques terroristas do passado dia 13 de Novembro em Paris vieram mais uma vez revelar-nos que os neo-jihadistas vivem entre nós, muito pouco têm a ver com a cultura muçulmana e o islão é primordialmente um pretexto para mostrarem à sociedade a sua revolta, sede de violência e desejo de radicalização. Se não tivessem origem magrebina e por isso considerados potencialmente muçulmanos, estes delinquentes com problemas de integração social poderiam facilmente estar em movimentos de extrema-esquerda ou extrema-direita, ou simplesmente num grupo punk qualquer. E é nestes jovens que o Estado Islâmico vai encontrar a sua “carne para canhão”, gente disposta a transformar a sua revolta pessoal em actos sangrentos. Mais tarde ou mais cedo o desejo de um califado jihadista nos territórios sírios e iraquianos irá extinguir-se, muito mais por falta de quem lhes compre o “ouro negro” do que pelas bombas dos aviões russos, franceses ou mesmo dos Estados Unidos da América, mas o vírus da violência está espalhado nos subúrbios das grandes metrópoles europeias e haverá sempre um extremista qualquer que se irá aproveitar da revolta destes jovens.

 

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«Laura Sarmento» >> concordo 100%

«António Lopes» >> Extrema-esquerda, movimento Punk? Vai-me desculpar caro David Ribeiro mas discordo totalmente nesse ponto. A Extrema-esquerda é demasiado generalista mas mesmo assim a leitura dos mais variados manuais a violência nunca é apregoada de forma tão banal como o ISIS produz. As revoluções de 68 (França), pouco ou nada têm a ver com o ISIS, etc, etc. Sobre o movimento Punk... grupos anarquistas/Punk (nem sempre uma coisa significa outra), o nascimento do Movimento Oi, nasce entre a classe operária inglesa como forma de proteger a Classe trabalhadora e não para destruir de forma violenta tudo o que lhe aparece pela frente. Por favor nunca mas nunca meter na mesma panela ISIS e Movimentos Punk ou Extrema Esquerda. Sobre a Extrema esquerda, Stalin nunca foi comunista, os seus gulags não fazem parte da ideologia comunista e até Lenine escreveu que Stalin não tinha o perfil de. ISIS não é representativo da Religião Muçulmana [wink emoticon]. Sobre o Movimento anarquista, temos um exemplo bem próximo de nós (Guerra civil espanhola 1936-39), em que algumas Igrejas foram queimadas mas numa guerra tudo o que é de mau acontece MAS nunca uma Igreja ou convento tinham sido queimados antes da Guerra Civil espanhola ter o seu início. Culpas? Para mim, a construção de seres-humanos frios, sem ideias e sem sentimentos próprios de um sistema económico baseado unicamente no material, no dinheiro produz tudo isto.

«Laura Sarmento» >> António Lopes, o que eu penso é que o David Ribeiro se quis referir aqui a gente extremista (sobretudo jovens), que estão em momentos extremistas porque sim, que são facilmente formatados porque sim, e que se deixam levar em qualquer onda diferente e extremista porque sim... não tem nada a ver com o teor, com o conteúdo de cada movimento. Tem a ver com revolta, falta de valores, vida oca e desocupada.

«António Lopes» >> O "extremismo" faz parte de uma juventude normal, agora temos é de incutir desde cedo valores como o respeito entre todos e não deixa-los entregues a toda uma máquina destruidora de sonhos, destruidora de Utopias. ISIS é um cancro, cancro esse alimentado pela ignorância. Embora não conheça pessoalmente o caríssimo David Ribeiro tenho a certeza que o texto dele foi escrito com alma e que não deixa de ter uma certa razão (conheço o David unicamente através da sua escrita e tenho pelo seu teor o máximo de respeito). Apenas ligar o Movimento Punk ao ISIS senti-me tentado a demonstrar a minha opinião contrária [smile emoticon]. Um excelente fim de semana a todos. PS: A extrema-esquerda (embora seja um termo muito difuso), é-me próxima [smile emoticon]

«Laura Sarmento» >> o problema que se levanta agora é incutir esses valores numa camada jovem que foi sucessivamente esquecida e habituada a não dar valor nenhum a quem nunca lhes prestou a atenção devida. São descrentes no sistema, num sistema que os esqueceu. Não sei se ainda iremos a tempo.

«António Lopes» >> A pobreza como a grande culpada?

«Laura Sarmento» >> Se calhar, Antonio Lopes, se calhar... ou riqueza a mais sem amor... um bom fim de semana.

«David Ribeiro» >> Provavelmente não me expressei bem… Nunca quis meter no mesmo saco os movimentos de extrema-esquerda, de extrema-direita e os punk, mas que estes jovens das periferias degradadas das grandes cidades são facilmente “recrutados” para seja o que for, terão que concordar que é verdade.

«Gonçalo Graça Moura» >> David, continua a acreditar no pai natal... mostra-me um islâmico "moderado" que condene de facto o jhiadismo... e sim, o islão é tanto uma religião de paz, que numa noite o mafoma só degolou 600 "apóstatas" que se recusaram a converter... e já agora, tirando o Breviq, diz-me um terrorista não-islâmico desde o 11/9. E sim, a maioria dos suicidas tem formação superior, sendo que só no último atentado de Paris é que não eram de classe média-alta...

«David Ribeiro» >> A “carne para canhão” do Estado Islâmico já não é a mesma do 11 de Setembro, assim como Abu Bakr al-Baghdadi não é o Bin Laden.

«Joaquim Leal» >> Assim por acaso lembrei-me do movimento "Black bloc" [tongue emoticon]

«Rogerio Silvestre» >> e também é verdade que esta gente com sede de sangue não conhece o Islão na sua essência, pois a doutrina não permite estes actos, basicamente são jovens e ocos, almas fracas

«Diamantino Hugo Pedro» >> Que bonito que é o politicamente correcto... A doutrina do Islão não permite estes actos, mas o Al-Corão está cheio de versos a justificarem os mesmos....



Publicado por Tovi às 11:45
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015
O Mundo Árabe e o Terrorismo

mundo-arabe.jpg

O mundo árabe continua a polarizar-se sectariamente e com violência e cada vez são mais os líderes políticos do médio oriente que se comportam como autênticos pregadores religiosos, acompanhados nas suas intervenções públicas por muitos intelectuais islâmicos que lançam todos os dias mais achas para a fogueira do fanatismo, tendo em vista unicamente a luta pelo poder e influência na sociedade árabe. É incompreensível como vários estados fazem vista grossa à confusão reinante nas zonas de conflito entre diferentes seitas religiosas e até toleram crimes horríveis praticados pelo Estado Islâmico contra minorias cristãs e yazidis, quer no Iraque quer na Síria. E desta situação não é de esperar nada de bom, principalmente quando os países ocidentais continuam a assobiar para o lado e a deixar o papel do mau da fita unicamente para Vladimir Putin. Pode ser que os trágicos acontecimentos recentes em Paris venham a servir de lição e a juntarem numa frente comum todos aqueles que estão na mira das kalashnikov dos terroristas islâmicos.

 

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«Rogerio Silvestre» >> tu sempre soubeste, é a merda de Deus, o ouro negro, ou para nós o crude... falavas de gente milionária que nunca mexeu uma palha... se são donos da economia. porque não do mundo, já por cá passaram tantos imperialistas nestes 2 milénios...



Publicado por Tovi às 11:20
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Sábado, 10 de Janeiro de 2015
“Le Lendemain”

França atentado a jornal Charlie Hebdo 7Jan2015 f

Andamos todos nestes últimos anos a temer as madraças onde o Alcorão e a Sharia são ensinados desde pequeninos a potenciais jihadistas e afinal foi no seio da sociedade “Liberté – Egalité - Fraternité” que nasceram e cresceram os terroristas dos últimos trágicos acontecimentos em França.

Os irmãos Saïd (34 anos) e Chérif Kouachi (32 anos) nasceram ambos em Paris, filhos de pais imigrantes da Argélia. Ficaram órfãos ainda eram adolescentes e foram colocados pelos serviços sociais num estabelecimento de correcção em Treignac, de 1994 a 2000, onde Saïd tira um curso profissional de hotelaria e Chérif de educação física. Voltam a Paris e parece ser só então que são atraídos ao jihadismo, começando a frequentar a mesquita Adda’wa, na capital francesa, por volta do ano de 2003.

Amedy Coulibaly (33 anos) nasceu em Juvisy-sur-Orge e foi criado na “La Grande Borne”, uma vasta zona de habitação social na região parisiense, no seio de uma família numerosa. Desde muito cedo esteve ligado a actividades marginais como roubo, tráfico de drogas e assalto à mão armada, tendo sido preso em 2010 por porte de munições de guerra. Parece ser dessa altura a sua ligação a um islamita radical de nome Djamel Beghal Murat, condenado por um ataque à embaixada dos EUA em Paris.

 

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«Victor Meirinho» >> Não nos equivoquemos: Nacionalidade não é o mesmo que identidade nacional... Estes labregos são filhos, netos e bisnetos de islamistas... têm a madrass em casa !Mais... no ocidente ninguém se preocupou a fundo com a priblemática. Li o Corão mas pouco da Sharia por me ser repulsiva... As mesquitas ensinam o Corão, em que se plasma uma religião pacífica... As madrass ou madrassas ensinam a Sharia, doutrina de expansão da fé por via armada, ensinada por meios de lavagem ao cérebro, hipnose e histeria colectiva ! E o ocidente ainda não aprendeu... Haveria de começar a purga pelas madrass e frequentadores.

«Fernando Duarte» >> tipo IURD , mas com muita violência

«Victor Meirinho» >> Ora nem mais !!!

«David Ribeiro» >> Tem razão no que diz, Victor Meirinho... Mas não há dúvida que nós, os “ocidentais”, também temos muitas culpas na forma como fizemos (ou não) a integração desta gente na nossa cultura. A França é o país da Europa com maior percentagem de muçulmanos na sua população e chegará o dia em que o Eliseu pode vir a ser a residência oficial de um francês islâmico. E depois como é que vai ser?... As minhas preocupações não são de cariz religioso, mas têm a ver com a forma como desejamos a sociedade em que viverão os nossos filhos e netos.

«Victor Meirinho» >> Exacto. Não gostaria de ver a minha filha de burka e considerada abaixo de cão !

«David Ribeiro» >> De burka é uma questão estética… já abaixo de cão, nunca. E eu até gosto muito de cães.

«Isabel Sousa Braga» >> Nada justifica estes atentados mas na minha modesta opnião os franceses têm de ter «cuidado na integração» (este entre aspas é para não os chamar de racistas) dos imigrantes porque quando há 10 anos houve a revolta dos jovens em França mais precisamente na periferia de Paris o The Guardian escreveu :"os distúrbios puseram abaixo a cortina que existe entre as cidades ricas e os subúrbios que abrigam em sua maioria imigrados do Magreb e da África ocidental, que nunca puderam se integrar à sociedade francesa, e se transformaram em uma subclasse acostumada com a discriminação e falta de esperanças".Já a BBC dizia «existe uma "enorme fúria e ressentimento" entre os imigrados africanos e seus descendentes, nos subúrbios das cidades francesas.» Pelos vistos não aprenderam nada

«David Ribeiro» >> Porque está na minha linha de pensamento “roubei” e publico aqui este texto do António Alves: Pode ser falha minha, porque há muito deixei de digerir o lixo que as TV's vomitam para cima dos gentios diariamente, mas ainda não li ou ouvi ninguém que se tenha dado ao trabalho de evidenciar a verdadeira mudança no modus operandi do terrorismo fundamentalista islamita. Cientes da fraca aceitação, e até rejeição, entre os muçulmanos de ataques suicidas indiscriminados que provocam a morte de centenas de inocentes, exemplos dos atentados de Atocha em Madrid e do Metro de Londres, este atentado é uma operação comando, altamente especializada, contra um alvo específico e vítimas previamente identificadas. É um "upgrade" a ter em conta. Entramos agora na fase altamente profissional. Da Arábia Saudita vem muito do dinheiro que financia estas células radicais. Mas vem principalmente a inspiração ideológica. Este país é uma tenebrosa ditadura teocrática onde as decapitações, cortes de mãos e chicoteamentos públicos são prática corrente. Às mulheres nem sequer é permitido conduzir um automóvel. Apesar disso, quem lá manda continua a ser tratado no ocidente como gente respeitável. O dito "Estado Islâmico", claramente de inspiração wahhabita, a linha religiosa da monarquia saudita, continua a vender o petróleo capturado nos campos Iraquianos sem qualquer oposição. Aliás, é evidente que o ocidente apenas faz de conta que os combate. Qualquer comparação com o empenho demonstrado no derrube de Sadam Hussein, por exemplo, é pura coincidência. O sucesso do "estado islâmico" é um factor de motivação poderoso. Esta guerra está muito longe do fim...

«Joaquim Leal» >> Òh meu amigo David Ribeiro, por mais um pouco confundia-te com a Ana Gomes que culpou a austeridade pelo terrorismo. Depreendo do teu comentário inicial que pareces imputar aos europeus a responsabilidade pelos desvios que esta canalha toma. Quem os acolhe, lhes atribui habitação, cidadania, abre as oportunidades profissionais e de integração plena e ainda lhes concede subsidios é que anda a falhar, sim senhor... Não, esta malta se não estiver por bem é ser embarcada e devolvida á procedência, mesmo que esta seja apenas a dos seus antepassados.

«Isabel Sousa Braga» >> Joaquim Leal nós, os europeus, temos a nossa quota parte da culpa, ninguém é totalmente inocente.

«Joaquim Leal» >> Explique-me Isabel Sousa Braga para ver se percebo. Agradecia e se tiver que emendar a mão, não tenho problemas.

«Isabel Sousa Braga» >> Primeiro quero mais uma vez dizer que sou absolutamente contra estes actos de terrorismo, de violência e de fanatismo. Também confesso que mudo de canal quando aparece a Ana Gomes porque me encanita… Segundo: muito mas muito muito resumidamente o que eu quero dizer é que nós europeus somos racistas e hipócritas e os franceses em particular.

«David Ribeiro» >> Pois é, Joaquim Leal... Como muito bem diz a Isabel Sousa Braga todos nós na Europa temos a nossa quota parte da culpa, pois quando precisamos deles, dos imigrantes magrebinos por exemplo, era tudo um mar de rosas, mas depois lá os enviamos para uns novos guetos, pagando-lhes para estarem sossegadinhos e sempre que eles faziam barulho lá lhes dávamos mais um subsídio qualquer. Foi assim nos últimos tempos em França, se bem te recordas. E já agora: Comparares-me à Ana Gomes é quase insultuoso

«Joaquim Leal» >> Aceito e agradeço as explicações de ambos se bem que não seja de todo concordante. David, eu sabia que afinavas lol



Publicado por Tovi às 10:17
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2013
Rússia vs USA vs Síria

Os Yankees estão a ficar mal na fotografia... Querem ver que ainda vamos ter que bater palmas aos parlamentares do Reino Unido?

.{#emotions_dlg.meeting} [The Times] - Putin: US claims of Syria gas attack are ‘utter nonsense’ - Russian President Vladimir Putin has described US claims that the Syrian  regime used chemical weapons against its own people as “utter nonsense”. It comes after the US gave its clearest indication yet that a military  intervention was imminent. The Syrian regime is “expecting an attack at any moment” and is “ready to  retaliate”, a Syrian security official claimed today, hours after UN  inspectors probing the suspected chemical weapons attack left the country.


«Jorge De Freitas Monteiro» no Facebook >> Eu ja bati

«Joaquim Leal» no Facebook >> Sinceramente tenho algumas dúvidas que o regime Sírio se atrevesse a tanto sabendo as consequências que daí poderiam advir. Com aquela salganhada de rebeldes, cada uns mais malucos que outros (não esquecer as ligações de alguns deles à Alcaeda e a outros grupos extremistas), não declino a possibilidade deste ataque quimico ter partido deste lado, sabendo também eles quais as "vantagens" que poderiam usufruír como por exemplo a que se vai avançando com intervenção estrangeira.

«David Ribeiro» no Facebook >> Entre a ditadura de Bashar al-Assad e os rebeldes sírios, venha o diabo e escolha. Já agora: Há "diabo" no islão ou é uma exclusividade dos cristãos?

«António Alves» no Facebook >> há diabo sim. o islão é uma religião do livro. isto é, do velho testamento. na opinião deles Maomé é o último dos profetas. Reconhecem inclusivamente Cristo - Isa. Maomé trouxe a mensagem final após Cristo e todos os antecessores. É essa a sua crença.

«Joaquim Leal» no Fcebook >> Plenamente de acordo David. Tentar implementar uma democracia à moda ocidental nestes países é de todo inviável. Existem para o caso ditaduras que vêm por bem, olhemos para o que sucedeu depois da queda dos lideres Libio e o Egipcio por exemplo. Os rebeldes obviamente que quererão instaurar a "sharia" e depois aquilo torna-se ingovernável. Temo portanto que os americanos e os franceses irão dar um tiro no pé, uma vez mais.

«David Ribeiro» no Facebook >> Recordo-me bem do “ocidente” ter andado a “exigir” aos argelinos eleições livres… mas depois, como não ganhou quem queríamos, lá tivemos que dizer: “Não valeu… Fica tudo como dantes”.

«Joaquim Leal» no Facebook >> Também me lembro, ganhou um movimento extremista que dava pelo nome de FIS.

«Phillipe Phaser» no Facebook >> Os "rebeldes", que é o nome que se dá aos terroristas simpáticos a Washington, são na sua maioria mercenários estrangeiros e Assad parece-me bem mais querido pelo seu povo do que Passos ou Cavaco o é por nós. Esta história tem que ser bem analisada, de forma isenta e tentando compreender imparcialmente os objectivos dos implicados. As informações divulgadas por os média ocidentais parecem-me ser as menos credíveis por a sua imparcialidade.



Publicado por Tovi às 07:20
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Domingo, 1 de Setembro de 2013
Sunitas e Xiitas

Os Sunitas são cerca de 85% dos muçulmanos e os Xiitas andarão nos 15%, sendo a grande diferença entre estes dois grupos muito mais política do que religiosa. Numa altura de grande instabilidade socio-política no Médio Oriente, é interessante ler este artigo - "As Religiões do Mundo” do Círculo dos Leitores:

{#emotions_dlg.star} O Islão é formado por dois grupos básicos: os sunitas e os xiitas. As suas origens podem ser seguidas até uma questão que os primeiros muçulmanos tiveram de enfrentar: quem iria suceder a Maomé como líder da comunidade islâmica? Para os muçulmanos, esta questão foi sempre tanto religiosa como política.

Sunitas: o consenso da comunidade

 A resposta dos sunitas, que constituem uma maioria de cerca de 90%, pode ser resumida como se segue: ninguém poderia suceder a Maomé na sua natureza e qualidade de Profeta, pois o Corão terminava e aperfeiçoava a revelação da vontade divina e declarava Maomé como o "último dos profetas". Assim, o sucessor de Maomé não poderia ser mais do que o guardião do legado profético. Seria um califa (khalita), com uma autoridade subordinada como líder dos crentes, com responsabilidade pela administração dos assuntos da comunidade, em obediência ao Corão e aos precedentes proféticos. Pelo processo do consenso (ijma), a comunidade escolheria o seu líder entre os homens que fossem membros da tribo Ouraish, a que Maomé pertencera. A seguir à morte de Maomé, em 632, a sucessão do califado passou por Abu Bakr (632-634), a Umar (634-644), Otman (644-656) e Ali (656-661). Estes, os "quatro califas em guiados", são considerados como tendo vivido tão perto do Profeta que o seu exemplo, bem como o de Maomé, é aceite como autoridade na sunna, ou costume, por todas s posteriores gerações de muçulmanos que se seguiriam. (…)

Xiitas: autoridade e liderança

 Para os muçulmanos xiitas, a principal figura da autoridade religiosa é o imã. Maomé completou o ciclo dos profetas e com ele a possibilidade de mais revelações divinas. Porém, os muçulmanos xiitas acreditam que ele instituiu o "ciclo da iniciação" como contínuo guia para a comunidade ao nomear um imã como seu sucessor. Este estava investido com as qualidades necessárias para uma interpretação inspirada e infalível do Corão. Deste modo, os xiitas referem-se a si mesmo como "povo de nomeação e identificação". O primeiro imã foi Ali. Como primo, filho adoptivo e mais tarde genro de Maomé (por casamento com Fátima), não era apenas um membro da tribo de Maomé, mas também "uma pessoa da casa". Esta relação familiar íntima é significativa: os xiitas acreditam que Ali herdou as "capacidades espirituais" de Maomé, a sua wilaya. Era infalível na interpretação do Corão e na liderança da comunidade e passou estas características aos filhos do seu casamento com Fátima, Hassan e Hussein, e estes aos seus descendentes da linha dos imãs. Os xiitas acreditam que o ciclo da wilaya prosseguirá até ao fim da história humana quando, no Último Dia, a Humanidade for ressuscitada e julgada para a segunda vida.

A maioria dos xiitas, conhecidos por imamis (vivendo quase todos no Irão), pensa que o ciclo ficará completo com o regresso do décimo segundo imã, muitas vezes referido como o "imã do período", que se diz ter sido retirado para um estado "Ocultação" desde o século III no Islão. Os seus conselhos são ainda acessíveis através de "agentes" ou "doutores da lei" (mujtahidum), entre os quais os mais importantes no Irão são os ayatollahs. São estes quem tem o direito de interpretar a Shari'a e de estabelecer as regras religiosas.(…)

O islamismo sunita e xiita reflectem a diversidade das respostas muçulmanas às revelações divinas. Os sunitas mostram-se mais preocupados em criar e preservar estruturas de sociedade em que a comunidade possa cumprir as suas responsabilidades perante Deus. Os xiitas começaram pelo martírio de Ali e do seu filho Hussein e sempre estiveram conscientes do sofrimento e da alienação que fazem parte da condição humana e procuram respostas para uma mais exotérica interpretação do Corão e da Shari'a, mas, na realidade, a distinção entre os dois movimentos não é importante. Os sunitas preocupam-se mais com a vida interior e os xiitas com a exterior. Para além disso, a importante tradição mística do sufismo tem visto em si uma confluência das consciências sunita e xiita.


«António Alves» no Facebook >> pois, mas tudo isso são pormenores que não interessam nada. Os sírios até podiam ser dervishes. Oil is the question!

«David Ribeiro» no Facebook >> Claro que o problema é o “oil” da Arábia Saudita, do Kuait, do Qatar e dos Emiratos Árabes Unidos. A estes “meninos” sobra muito dinheiro e com estas suas “sobras” têm vindo a comprar dívida pública americana, sustentando assim a crise financeira e/ou bancária dos EUA. Depois mandam na geoestratégia do Médio Oriente, acabando por ficar sempre na penumbra da guerra e bem na fotografia, “pagando” aos yankees para fazerem a parte feia da coisa. E Israel toda contente.

«António Alves» no Facebook >> Ora nem mais.



Publicado por Tovi às 07:18
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
A Turquia, o Islão e a laicidade

Reconheço que sei pouco, muito pouco mesmo, sobre a Turquia dos nossos dias, mas lendo textos como este que Carlos Esperança publicou no seu mural do Facebook, estou certo que vou ficar a saber mais alguma coisa da realidade turca actual.

{#emotions_dlg.star} A Turquia, o Islão e a laicidade
A Turquia era a última esperança de um país laico com religião muçulmana maioritária. Era o exemplo que os otimistas apresentavam para justificar a compatibilidade de uma religião com a democracia e do proselitismo religioso com a pluralidade de pensamento que é apanágio dos regimes democráticos.
Todos esqueceram que as democracias são recentes na história da Humanidade e que o cristianismo só foi tolerante graças à repressão política sobre o clero; que só no início da década de sessenta, do século passado, a Igreja católica reconheceu o direito à liberdade religiosa, durante o concílio Vaticano II.
A Guerra dos Trinta Anos acabou em 1648 e, só depois 3 a 11 milhões de mortos e da paz de Vestefália, houve liberdade religiosa pela primeira vez.
A Turquia tem hoje um primeiro-ministro democraticamente eleito, com a ajuda de Alá e a misericórdia de Maomé mas o desrespeito à Constituição é total.
Os conflitos em Istambul, Ancara e Esmirna, os mais violentos, são uma luta de vida ou de morte onde se confrontam as liberdades e a submissão ao Islão. A violência policial é a amostra do que são capazes os mullahs. As restrições sobre o vestuário, a comida e os afetos são o princípio do fim da laicidade.
Por ora a polícia ainda não cheira o hálito dos transeuntes para averiguar se consumiram álcool mas já adverte os namorados que desafiam a pudicícia de Maomé ao caminharem de mãos dadas. O beijo entre um homem e uma mulher, na via pública, começa a ser tão inaceitável como o presunto. A televisão do Estado ignora os milhares de feridos que os polícias fizeram, os 1700 detidos, os dois mortos e o bloqueio à Internet.
Importante é que cada vez mais turcos façam cinco orações diárias e jamais se atrevam a urinar virados para Meca, a cidade santa que recebe anualmente 13 milhões de crentes.
O Governo de Recep Tayyip Erdogan hesita, mas sabe que se perder esta batalha pode perder as delícias do Paraíso e o direito de impô-las aos que as desprezam. O mal não é de quem acredita no Paraíso, é de quem o quer impor aos outros. Na Turquia joga-se a nossa forma de viver e a liberdade de que gozamos. O rastilho do fanatismo está aceso.


«David Ribeiro» no Facebook >> {#emotions_dlg.serious} Uma amiga minha a viver há uns anos nos arredores de Istambul, escreveu ontem no seu mural do Facebook: "And yes, the Turks are not happy. Even here in Emirgan, so far from the city center, there is a non stop noise of pans being bashed and horns sounding. I hope all of this will make things change and no one gets hurt."

«David Ribeiro» no Facebook >> {#emotions_dlg.sidemouth} Istambul no dia de hoje (Imagem do jornal "The Times")

«Antonio Sousa Dias» no Facebook >> Revolution loading.

«David Ribeiro» no Facebook >> {#emotions_dlg.sidemouth} Ancara no dia de hoje (Imagem de "BBC News")



Publicado por Tovi às 19:24
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