"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
Os Caloteiros Encartados

Estava a preparar um trabalho para a empresa onde exerço a minha actividade profissional e fui parar a um artigo de João Afonso publicado na Revista de Vinhos (n.º 223 – Abril 2009) que vou transcrever, por ser exactamente aquilo que penso sobre “esta mentalidade caloteira” que “não é exclusiva do sector do vinho mas sim dum tipo de sociedade tuga de chicos espertos”. Ora vejam:

 Os Calotes do Vinho - A entrega de prémios da Revista de Vinhos tinha terminado. De boleia com um enólogo ouvi o desabafo – “…certas pessoas que estavam no jantar não deviam lá estar! Alguns já têm vergonha de aparecer, mas há outros que têm tudo menos vergonha!” O problema era que entre os mais de 900 participantes estavam alguns distribuidores de vinho e restauradores que, pelas enormes dívidas (de difícil cobrança ou incobráveis) que acumulam no sector, estão a deixar muitos produtores desesperados. É claro que a conjuntura económica difícil leva a que se crie uma espécie de “bola de neve” e que muitos, por dificuldades de tesouraria, pagam o que devem mais tarde do que aquilo que certamente desejariam. Não critico esses mas sim os caloteiros encartados, por exemplo, as muitas dezenas de restauradores que, ao fazerem a sua encomenda de vinhos, estão conscientes de que não os vão pagar, apesar de os cobrarem à clientela 10 vezes o preço por que pretensamente os deveriam comprar. Infelizmente esta mentalidade não é exclusiva do sector do vinho mas sim dum tipo de sociedade “tuga” de “chicos espertos” que se desenrasca e subsiste à custa de gente honesta e trabalhadora. É pena!... mas é o que temos, ou o que somos, mas será que é o que merecemos?


«Nuno Gonçalo Monteiro» in Facebook >> As pessoas cada vez mais perdem a vergonha na cara. Mas também se percebe porquê, com os exemplos que vêm de cima por parte dos governantes.

«Paulo Coutinho» in Facebook >> Eu nem consigo imaginar a dificuldade que é hoje andar na rua a vender... Pois clientes que antes não abriam a porta aos comerciais... hoje são esses mesmos clientes que os procuram... pois como já perderam credito nas casas onde compravam... recorrem agora a quem antes implorara que os atendesse! E agora? O que vai decidir o comercial, sabendo ele perfeitamente o que se passa?

«David Ribeiro» in Facebook >> Razão tem a administração da empresa onde trabalho quando diz que não está para fazer concorrência aos bancos... se os clientes não arranjam nas instituições bancárias qem lhes dê crédito, porque é que teremos que ser nós a subsidiar os seus investimentos?




Sábado, 8 de Maio de 2010
Vinho de Lote

Assunto muito interessante este - Vinho de lote é aquele que é feito pela junção de vinhos diferentes, com a intenção de se obter um produto final de qualidade superior à dos seus componentes – pelo que me parece importante debruçar-nos seriamente sobre este tema.

 (Este meu texto teve como base um artigo de João Afonso publicado na “Revista de Vinhos” de Junho de 2007)

Até ao início do século XX o lotar estava muito ligado à adulteração de vinhos e consistia essencialmente em misturar bons vinhos com outros de inferior qualidade ou até mesmo com água, aumentando-se assim o volume e, consequentemente, o lucro. Mas também temos que reconhecer que desde sempre os mais prestigiados vinhos mundiais – Champagne, Jerez e Porto – eram feitos com base nesta arte do lotar, conseguindo-se assim uma qualidade superior no produto final. Hoje em dia a prática do lote está vulgarizada entre todos os enólogos e este trabalho começa logo na adega durante a vindima, onde se faz uma criteriosa selecção de mostos, tendo como objectivo atingir um produto final muito próximo daquilo que é desejado.

A Cuvèe Champagnoise – Os franceses nunca brincaram nestas coisas de fazer “Champagne” e sempre utilizaram o lotar, principalmente nos cuvées não datados, conseguindo-se assim uma qualidade e estilo sempre igual a uma determinada casa, mesmo que seja necessário lotar várias dezenas, ou mesmo centenas, de diferentes vinhos.

Vinho do Porto – É neste “néctar dos deuses” que o lotar é verdadeiramente um ARTE, pois temos que juntar diferentes castas, vinhos de diferentes quintas, de diferentes sub-regiões e vinhos com diferentes idades. Nos “tawny” datados (10, 20, 30 ou 40 anos de idade) é a sensibilidade e/ou experiência do provador que vai ser responsável pelo “estilo” de cada uma das casas de Vinho do Porto. (Para quem não está muito por dentro destes assuntos: Nos tawny datados a indicação de idade refere-se unicamente à média de idades dos vinhos que foram utilizados no lote, ou seja, um “tawny 10 anos” incorporou vinhos com uma média de idades de 10 anos e assim sucessivamente para outras indicações de idade).

E ainda… - Temos também “lotar vinhas”, ou parcelas de vinhas, “lotar castas”, ou “ lotar barricas”, mas isto é outra coisa para a qual ainda não estou à vontade para vos falar.


«José Paulino Ferreira» in Facebook >> Queres dizer então que vinho de lote é o mesmo que vinho feito a martelo, estragando uma colheita de excepção e usando cascos onde esteve vinho bom e velho para enobrecerem uma safra desgraçada ao nível de um vinho de farsa, para enganarem os consumidores, vendendo algo que é de consimismo imediato e não se pode guardar m garrafeira? Por iso é que cada vez vinhos caros não aguentam a garrafeira, a não ser que levem podutos químicos que os transformam em vinagres com tempo e que fazem mal à saúde. Entendi... Anda por aí muito vinhateiro vigarista e alguns cumplices de crime com cusos ou prefixos de enólogos. E depois Eu é que sou refilão...

«David Ribeiro» in Facebook >> Não!... Vinho de lote não é "vinho a martelo", mas sim uma arte de fazer com os melhores vinhos um "néctar de deuses". Nunca se pode fazer um bom vinho misturando vinhos que não sejam de qualidade.

«José Paulino Ferreira» in Facebook >> Eu sei, mas tenho este defeito de gostar de ver escrever aqui os teus enormes conhecimentos e confesso que adoro provocar-te um pouco para ver se apareces mais vezes... Agora que resolceste não te candidatar à Presidência da República, não tens desculpas. Nada te impede de fundar aqui uma confraria no Facebook. ehehehehehehheh Um bom fim de... Domingo, bom amigo.

«David Ribeiro» in Facebook >> Estou de férias... e os meus comentários são menos que os habituais. Um grande abraço para ti, meu caro amigo José Paulino.

«José Paulino Ferreira» in Facebook >> Ah. Então que tenhas umas excelentes férias. Quem me dera, mas a vida não nos dá muitas tréguas na luta do dia a dia e o nosso povo vai ter que se convenser que tem que produzir mais e fazer menos barulho porque o tempo da miséria engravatada, do tempo em que o Salazar mandava as sobras de Portugal para as Guerras e nosso povo morria de fome, já lá vai e ninguém lá quer voltar.



Publicado por Tovi às 11:44
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