"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2021
Será desta?... Duvido

ac.jpgPorque será que tudo isto me cheira a muito requentado?... É que nunca esquecerei ter sido o PS de António Guterres (juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa, o atual Presidente da República) que tornou praticamente inviável de ser implementada a REGIONALIÇÃO à luz da Constituição. E isto não podemos esquecer.



Publicado por Tovi às 07:43
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2021
Votação do Orçamento do Estado no Parlamento

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No debate de ontem António Costa assumiu: Se 'geringonça' morrer "será uma enorme frustração pessoal". PCP, Verdes e BE colocaram em Costa a responsabilidade de fazer aprovar OE. O Primeiro-ministro colocou em cima da mesa a possibilidade de governar em duodécimos. "Veremos o que decide o PR fazer ou não fazer", afirmou.
Segundo o Expresso no dia de ontem Marcelo pediu a Ferro Rodrigues para acompanhar a situação de crise iminente, Ferro chamou os partidos para os ouvir sobre o que se segue, se o Orçamento chumbar esta quarta-feira. Mas a posição que ouviu da esquerda contradiz a tese do Presidente da República: BE, PCP, PEV e PAN entendem que o PR não deve dissolver logo o Parlamento e, antes, dar oportunidade a Costa para que negoceie um novo Orçamento. Marcelo levará a sua adiante, ou seguirá a maioria dissolvente?
Dia D no Parlamento: hoje ao início da tarde é dia de votação do Orçamento - e o risco iminente é de chumbo do documento e de queda do Governo. O DN diz esta manhã que o documento pode passar sem votação. Pode? Sim, as regras permitem-no. Mas uma fonte do Governo ouvida pelo Expresso diz que o Governo não quer. A palavra de ordem, para já, é clarificação. Será?

 

  Capa do El País de hoje
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  Na TSF, hoje de manhã, José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS, apelou a Rui Rio para viabilizar o Orçamento e, assim, mostrar que “António Costa não tinha razão quando disse que não contava com o PSD”. Hilariante!..

 

  Continuação do debate na generalidade do OE2022

João Leão, ministro de Estado e das Finanças, abriu o segundo dia de trabalhos e afirmou: "Há seis anos o país era bem diferente"; Orçamento de 2022 é "fundamental para a recuperação"; "Não é tempo de arriscar tudo e deitar tudo a perder".
Pelo PSD, Duarte Pacheco fala em "manta de retalhos" e questiona Leão sob impacto das cedências à esquerda.
O deputado socialista Filipe Neto Brandão insiste que o OE2022 é o "Orçamento mais à esquerda" que o atual Governo aprovou nos últimos seis anos.
"Acolher propostas é diferente de decidir que medidas devem ser aceites e integrar essas ideias como suas", começa por dizer Mortágua, a deputada do BE, que segue para um bloco de perguntas a que diz que o Governo não respondeu.
O deputado do 
PAN, Nelson Silva, questiona se Governo vai rever crescimento do PIB.
João Almeida, do CDS, 
diz que Costa quer eleições.
João Leão diz que "o último orçamento que o Bloco aprovou" era pior.
O deputado Jorge Paulo Oliveira, do PSD, contesta tese do Governo de convergência com a UE.
Alma Rivera, do PCP, acusa OE de "adiar vida dos jovens".
André Ventura dirige-se a uma deputada do PS que antes tinha falado. E recua aos orçamentos de Sócrates que começaram a cortar e congelar salários: “Hipocrisia e grande falta de memória histórica”.
O deputado liberal João Cotrim de Figueiredo acusa o Governo de só ser "bom em propaganda".
Bebiana Cunha, do PAN, diz que o apoio aos animais de companhia é também “apoio social” e pede mais.
João Leão diz que tudo melhorou com o Governo PS, tudo piorou com Governo da direita.
BE e a importância de acordos escritos. “Em 2019, tudo mudou” na relação com o Governo, garante Pedro Filipe Soares.
"Falsidades", "inverdades" e "encenação". Ana Catarina Mendes, lider parlamentar do PS, atira-se ao BE.
Depois de Ana Catarina Mendes engrossar o discurso contra o Bloco de Esquerda, acusando o partido de "inverdades", o ambiente no plenário da Assembleia da República aqueceu. Afirmou Pedro Filipe Soares: "Ouvi-a com toda a serenidade, incluindo quando me chamou mentiroso".
Deputada socialista Isabel Rodrigues: "Honramos o compromisso de combater a pobreza infantil".
Temido elogia antigos parceiros: "São factos de que nos orgulhamos e que construimos com os partidos de esquerda".
No fim do discurso, a ministra da Saúde cita José Mário Branco para dizer que Governo e esquerda ainda se irão "encontrar": "Eu vim de longe / De muito longe / O que eu andei p'ra'qui chegar / Eu vou p'ra longe / P'ra muito longe / Onde nos vamos encontrar".
Paula Santos do PCP, diz a Marta Temido que é preciso mais investimento no SNS para dar melhor serviço ao país - "não com a transferência de prestações para os privados".
Moisés Ferreira recorda os vários casos de demissões por bloqueio de vários serviços no SNS. "Demitiram-se não para fazer oposição ao Governo, mas porque têm falta de profissionais". "Este orçamento não se lembra destes profissionais", diz o deputado bloquista.

 

  Discursos de encerramento do debate do OE2022

João Cotrim de Figueiredo, líder do Iniciativa Liberal (IL), elogia fim da geringonça e diz que é preciso "desinstalar o socialismo" do país.
André Ventura, líder do Chega, quer trocar faixas de "fascismo nunca mais" por "socialismo nunca mais".
A deputada d'Os Verdes (PEV), Mariana Silva, disse: “Problemas vão-se avolumar e contas vão ficar cada vez mais incertas".
Líder do PAN, Inês Sousa Real, arrasa Bloco e PCP e é aplaudida pela bancada do PS.
Geringonça "caiu exclusivamente pelas suas mãos e não merece outra oportunidade", diz Cecília Meireles do CDS.
PCP, por João Oliveira, recusa discurso de "passa culpas" quanto a chumbo de OE.
Catarina Martins do BE: “Estas escolhas não têm nada de esquerda” e mais, "a geringonça foi morta pela obsessão pela maioria absoluta".
Rui 
Rio diz que Costa "enfraqueceu poder negocial" quando disse que Governo cairia no dia em que dependesse do PSD.
Ana Catarina Mendes do 
PS: "Ninguém compreende que se levantem ao lado do PSD, CDS, IL e do Chega a votarem contra este Orçamento".
António Costa sobe ao púlpito para o discurso deste encerramento. "Fiz tudo, tudo o que estava ao meu alcance para assegurar a viabilidade deste orçamento". "O Governo cumpriu a sua parte". Costa pede para que a esquerda deixe o Orçamento ir à especialidade e cita PAN. "Não é pedir um cheque em branco. Qual a justificação? Qual a racionalidade?". Costa ataca BE em particular e apela a que esquerda não junte os seus votos aos votos da direita. "Com quem quer estar? Com o Governo do PS ou somar-se à direita contra o Governo do PS". Costa assume que fim da geringonça é "derrota pessoal" e que geringonça em 2015 "não foi solução de recurso". Costa não quer desistir da 'geringonça' e pede "maioria reforçada, estável e duradoura" e  ataca "velha ladaínha" da direita e de Rio. 

 

  Agora está tudo na mão do Presidente da República.
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Votação: 117 contra (PSD, BE, PCP, CDS, PEV, IL e Chega); 108 a favor (PS); 5 abstenções (PAN e duas deputadas não inscritas).



Publicado por Tovi às 09:58
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021
Morreu Jorge Sampaio

Requiescat in Pace

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Jorge Sampaio estava de férias com a família no Algarve quando dificuldades respiratórias o levaram a ser internado no hospital de Portimão. Posteriormente, seria transportado, de helicóptero, para o Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde era habitualmente acompanhado. Foi Presidente da República de 1996 a 2006. Antes esteve quase seis anos à frente da Câmara Municipal de Lisboa e três como líder do PS, tendo perdido as legislativas de 2001 para Cavaco Silva. Licenciado em Direito, nasceu em Lisboa a 18 de setembro de 1939.

 

   Rui Moreira, na sua página do Facebook
É com profundo pesar que lamento o falecimento do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio. Recordá-lo-ei como um homem bom, um humanista, que representou o País colocando o sentido de Estado e de serviço público sempre em primeiro lugar. Recordo, com saudade, a afabilidade, o seu humor fino, a sua cultura, o seu sentido estético. As suas aflições quando se deparava com os problemas da nossa sociedade e do nosso mundo.
Endereço, por isso, as mais sentidas condolências aos seus familiares, a todos os seus amigos e ao Partido Socialista.
As nossas acções de campanha foram canceladas.


   Rodrigues Pereira, na sua página do Facebook
Um adeus de longe
Partiu discreto, como foi seu apanágio de vida.
Gostava muito de Jorge Sampaio. Era um homem de convicções, mas também de emoções. De lágrimas sentidas, sem se importar com uma eventual fragilidade que as mesmas pudessem significar. Estive, com muito gosto, nas suas duas campanhas para as Presidenciais. Foram dias de loucos, em constantes correrias. Sobretudo para um homem com problemas de saúde, como ele.
Encontrei-o, também, em Bangkok, onde foi, de propósito, assistir ao Congresso Mundial de SIDA. Juntamente com Nelson Mandela, Bill Clinton, Bill Gates e outras diversas personalidades mundiais. Que queria aprender, que queria trocar impressões de viva voz com quem vivia o dia-a-dia do problema. Esta procura, esta curiosidade constante, valeram-lhe depois a nomeação para altos cargos nas Nações Unidas, no âmbito do combate à Malária e à SIDA.
Eram um homem com um fino sentido de humor (educação britânica, já se vê) , mas com uma preocupação com o próximo como poucas pessoas conheci.
Vem a propósito um telefonema que recebi em Dezembro de 2004, estava eu a dormir sossegado no Sheraton em Lisboa. às duas da manhã. Acordei estremunhado e do outro lado da linha aparece-me o recepcionista encavacado, a pedir muita desculpa por me ter acordado, mas que achava que o devia fazer, porque tinha o Presidente da República ao telefone. Era Sampaio a dizer-me que, com muita pena, provavelmente não poderia comparecer no dia seguinte à inauguração da nova sede da Abraço, da qual eu era, à altura, presidente da direcção. Perguntei-lhe se estava tudo bem com ele e respondeu-me, em tom de confidência : "Comigo está tudo óptimo, mas amanhã vou ter que largar a «bomba atómica». É que este estado de coisas já não se aguenta". Desejei-lhe sorte e preparei-me para ter uma inauguração mais modesta, no dia seguinte. Uma hora antes do horário previsto , começam a chegar televisões às nossas novas instalações. Mas para além dos três canais nacionais, estavam também a CNN, a BBC, a TF1 , etc., etc, . Depois chega o corpo de intervenção da PSP, que desata a colocar baias pelo caminho que o Presidente seguiria. E ele veio. E, com um piscar de olho e um sorriso matreiro, confidenciou-me : "Como ainda não prestei declarações à comunicação social, achei que talvez fosse bom para a divulgação da Abraço vir até cá ..." Se foi !
Vou ter saudades, Presidente Sampaio !
Um grande beijo à Vera e um enorme abraço ao André.
Até sempre ...

 

   Declaração de Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa proferiu uma declaração, no Palácio de Belém, a propósito da morte do Presidente Jorge Sampaio.
Portugueses,
Acabei de exprimir à família do Presidente Jorge Sampaio, em dor, o pesar de todos vós.
Lutando, mas serenamente, nos deixou hoje o Presidente Jorge Sampaio.
Lutando serenamente. Como sereno foi o seu testemunho de vida, ao serviço da liberdade e da igualdade.
Sereno na sua luminosa inteligência.
Sereno na sua profunda sensibilidade.
Sereno na sua paciente, mas porfiada coragem.
Jorge Sampaio nasceu e formou-se para ser um lutador e a causa da sua luta foi uma: a liberdade na igualdade.
Na carismática afirmação, no movimento estudantil do início dos anos 60.
Na defesa, em tribunais plenários, dos presos políticos durante a ditadura.
Na representação externa da democracia nascente.
Na construção de pontes, década após década, entre formações diversas, no seu hemisfério político e para além dele.
Na adesão ao Partido Socialista, de que viria a ser deputado, líder parlamentar e líder nacional.
Na formação da primeira e mais vasta coligação pré-eleitoral de esquerda da nossa História democrática.
Na Presidência da Câmara Municipal de Lisboa, após uma rara campanha de ideias, com visão estratégica, prioridade aos mais pobres e excluídos, preocupação com as pessoas, os seus sonhos, os seus dramas, a sua realidade.
Na devotada e prestigiante Presidência de Portugal.
Lançando a Cimeira de Arraiolos, com todos os Chefes de Estado europeus eleitos não presidencialistas.
Criando a COTEC, com empresários portugueses, espanhóis e italianos, pela inovação e responsabilidade social.
Recriando as Presidências abertas do seu antecessor, com a constante presença de Maria José Ritta.
Podendo ter-se resignado ao caminho mais fácil do jurista respeitado, da quietude da sua origem social, do natural ascendente da sua cultura, do seu pensamento, da sua oratória, escolheu o caminho mais ingrato, da solidariedade para com os que mais sofriam, do convívio com o concreto, da privação da sua saúde, frágil, em exaustivos e desgastantes labores.
Ninguém esquecerá momentos únicos dessa entrega.
As intervenções decisivas desse furacão ruivo na Alameda da Universidade de Lisboa, em 1962.
A madrugada da libertação dos detidos em Caxias, após o 25 de Abril.
A conversa com Álvaro Cunhal, antes da segunda volta da eleição de Mário Soares, em 1986.
A travessia, em noites de vendaval, dos bairros de lata da capital, que, com o Governo de então, conseguiu extinguir.
Os meses sem dormir, passados, nesta casa, em Belém, por causa de Timor-Leste.
A oposição à intervenção no Iraque.
A dedicação à saúde pública global – herança do magistério paterno – e ao diálogo entre religiões, culturas e civilizações.
O exemplar acolhimento dos refugiados sírios, fugidos das tragédias das guerras.
E, sempre, as lágrimas genuínas do homem bom, porque era um homem bom, na partilha da alegria tal como da dor alheias.
Jorge Sampaio deixou-nos hoje com um duplo legado.
Duplo – porque feito de liberdade, mas também de igualdade.
Duplo – porque feito de inteligência, mas também de sensibilidade. Porque provou que se pode nascer privilegiado e converter a vida na batalha pelos não privilegiados.
Sempre lutando, mas com serenidade. Aquela serenidade que une a força das convicções ao respeito por cada um e por todos os demais. De bem com todos e todos de bem com ele.
A corajosa serenidade de um grande Senhor da nossa Democracia, de um grande Senhor da nossa Pátria comum.

 

  Provavelmente o último ato político de Jorge Sampaio
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   Ver aqui notícia de 25ago2021



Publicado por Tovi às 09:10
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Domingo, 25 de Julho de 2021
Morreu Otelo Saraiva de Carvalho

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Requiescat in Pace

Apesar de várias tomadas de posição no pós-25Abril difíceis de entender para muitos portugueses, não nos podemos esquecer que Otelo foi o responsável pela elaboração do plano global do golpe militar que pôs fim à ditadura do Estado Novo.

 

    Comentários no Facebook

José Maltez - Morreu Otelo. Ele foi Abril e um pedaço da ilusão do Império, filho de um alfacinha e de uma goesa, que tanto comandou o golpe que derrubou Marcello Caetano, como andou à procura de uma revolução proletária. Foi um pedaço do meu tempo e um português antigo. Quem o odiar, não nos compreende. Agradeço-lhe ter transformado em teatro político o que podia ter sido uma guerra civil. Matámo-nos menos.

João Baptista Vasconcelos Magalhaes - Morreu Otelo, mas ficará sempre como o símbolo do 25 de Abril. Quem o conheceu sabe que era um homem de ideais, mesmo quando foi polémico. A sua memória é a memória dos dias mais felizes da vida de quem conheceu uma noite de medo. Falar de Otelo tem de ser mergulhar no silêncio da memória do que ele nos trouxe de melhor, as suas utopias de um Portugal mais feliz e mais justo. Que esteja em paz!

Henrique Monteiro - Apesar de tudo, das prisões e mortes de que foi cúmplice, o 25 de Abril deve-lhe muito. Depois de saber que eu fora, com Rogério Rodrigues (melhor diria que foi ele com a minha colaboração) a denunciar que Otelo era o líder das FP25, nunca deixámos de falar. O mesmo se pode dizer de Vasco Lourenço, que no PREC não foi bem tratado por Otelo e puseram as divergências para trás. Como sempre, em Portugal, é tudo gente boa.

João Greno Brògueira - Apesar de todos os desvios, que entretanto a Democracia Portuguesa sofreu e de todos os que aproveitaram a oportunidade para assaltar o poder pós 25 de Abril... Obrigado Otelo Saraiva de Carvalho

David Ribeiro – Completamente de acordo, Brògueira… e é mesmo por isso que não posso esquecer que na madrugada de 25 de Abril de 1974 Otelo conduziu, juntamente com outros cinco oficiais, do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas no Regimento de Engenharia N.º 1 na Pontinha, as operações militares que derrubaram o decrépito Estado Novo. (Entre estes cinco oficiais encontrava-se o meu saudoso comandante do Batalhão de Engenharia N.º 3, o Tenente-coronel Fischer Lopes Pires)

João Geirinhas Rocha - Otelo. Assim, sem mais, uma personagem maior que o homem, luzes e sombras, utopias e delírios, bravatas e ingenuidades, coragem e fuga, muitas vidas para caber numa pessoa só. O Expresso revelou há anos que era bígamo, tinha e vivia tranquilamente com duas famílias. Não há melhor metáfora para resumir a figura.

 

Várias figuras nacionais reagiram à morte de Otelo Saraiva de Carvalho

  O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu à morte de Otelo Saraiva de Carvalho, lembrando o papel central de comando na revolução do 25 de Abril e apresentando as condolências à família. "É ainda cedo para a História o apreciar com a devida distância", escreveu na nota enviada.

  "Otelo Saraiva de Carvalho foi o coordenador operacional da ação militar do Movimento das Forças Armadas, que, no dia 25 de abril de 1974, derrubou o regime do Estado Novo, pondo fim à mais longa ditadura do século XX na Europa e abrindo caminho à democracia", referiu o Governo em comunicado.

  "Se este país fosse justo, deveria ter morrido na prisão". Foi assim que André Ventura, líder do Chega, reagiu à morte do Capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho.

  O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, homenageou hoje Otelo Saraiva de Carvalho, "o maior símbolo individual do Movimento das Forças Armadas", que concretizou o sonho de todos os que "ansiavam por viver em liberdade".

  A ativista política e médica Isabel do Carmo lamentou a morte de Otelo Saraiva de Carvalho, considerando que, com o desaparecimento do militar e estratego do 25 de Abril de 1974, "acaba também uma época e uma utopia". "Esta manhã [ao saber da notícia da morte] senti uma coisa, senti que acabou, que, com [a morte de] este homem, acaba também uma época, uma utopia. Senti isso, emocionalmente. Senti a perda, o desaparecimento. Já não vai ser possível falar com ele", afirmou Isabel do Carmo a agência Lusa. Para a antiga dirigente do extinto do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), movimento que exerceu atividade clandestina através das suas Brigadas Revolucionárias (no PRP-BR), Otelo é, juntamente com Vasco Lourenço, "o dirigente do 25 de abril [de 1974], do Movimento dos Capitães e do derrube da ditadura".

  O PCP registou este domingo o papel de Otelo Saraiva de Carvalho no 25 de Abril, considerando que o momento da sua morte "não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político". "Sobre o falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho deve registar-se no essencial o seu papel no levantamento militar do 25 de Abril. O momento do seu falecimento não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político", refere uma nota do gabinete de imprensa do PCP. O Partido Comunista Português endereça ainda condolências à família e à Associação 25 de Abril.

  Tweet de Rui Rio - O dia da morte de Otelo Saraiva de Carvalho é momento para reconhecer o seu papel corajoso e decisivo no 25 de Abril e na conquista da liberdade. Competirá à História fazer, com isenção, a avaliação global de tudo que ele fez de bom e de mau. Hoje, não é o dia para isso.

  Declaração do ex-Presidente Ramalho Eanes - A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde. Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse. O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real. Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida. E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo. Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.



Publicado por Tovi às 10:44
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Domingo, 18 de Julho de 2021
Popularidade de Marcelo e Costa

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É um verdadeiro cartão amarelo o que é mostrado, este mês, a Marcelo Rebelo de Sousa. Mas é ainda pior para António Costa, que se aproxima do vermelho. De acordo com o barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF, a popularidade dos dois líderes cai a pique e o primeiro-ministro tem agora escassos seis pontos de saldo positivo (diferença entre avaliações positivas e negativas). Este mês, a queda do presidente foi mais acentuada, mas o facto de partir de um patamar muito elevado permite-lhe manter um generoso saldo positivo de 37 pontos.

 

Mais, sobre a sondagem publicada no JN de hoje

   Governo: 81% pedem remodelação, com Cabrita no topo da lista

  Oposição vai de mal a pior com novo recorde negativo



Publicado por Tovi às 09:55
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Domingo, 27 de Junho de 2021
Bélgica 1 - 0 Portugal

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Eu, treinador de bancada assumido, tinha dito antes deste jogo dos oitavos-de-final do EURO2020 entre Portugal e a Bélgica, que quem soubesse defender melhor e soubesse gerir a bola quando a tivesse é a que iria ganhar... e assim foi. Thorgan Hazard, num potente remate de fora da área, fez o golo que valeu o triunfo dos belgas, aos 42 minutos. Raphael Guerreiro deteve a melhor oportunidade para empatar a partida ao acertar no poste, num remate com o pé direito, aos 84 minutos.

 

   Estão a ver a falta que eles nos fizeram?
Nós os portugueses somos muito carentes de apoio moral... e com a ausência do Marcelo e do Ferro Rodrigues nas bancadas, ficamos muito fragilizados.
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Publicado por Tovi às 22:10
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Domingo, 6 de Junho de 2021
Últimas sondagens conhecidas

   Barómetro da Aximage para o JN, DN e TS
Avaliação de desempenho 
Primeiro-ministro regista o seu pior resultado de sempre nesta série de barómetros (50%). Presidente da República está bastante mais acima (70%) e, no que toca à confiança, vale agora quatro vezes mais. 
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Avaliação da Oposição e do Governo
Analisando geograficamente a popularidade do primeiro-ministro, na Área Metropolitana do Porto verifica-se uma queda de 19 pontos. Mas ainda não temos uma oposição forte e credível.
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    Sondagens conhecidas este fim-de-semana
Eurosondagem (para Porto Canal e Nascer do Sol)
PS - 40,0%; PSD - 27,2%; Chega - 8,4%; BE - 5,5%;
CDU - 5,0%; I.Liberal - 2,7%; CDS - 2,5%; PAN - 2,2%.

Aximagem (para JN e TSF)
PS - 38,9%; PSD - 24,0%; BE - 8,0%; Chega - 7,0%;
I. Liberal - 5,2%; CDU - 5,0%; PAN - 3,7%; CDS - 1,4%; Livre - 0,3%.

O gráfico da evolução das sondagens nos últimos dois meses fica assim…

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Publicado por Tovi às 07:21
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Sábado, 29 de Maio de 2021
É hoje... no Dragão

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    09h40 de 29mai2021
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Hoje de manhã, nas imediações do Dragão... estavam lá e bem visíveis, os avisos de proibição.

 

    10h20 de 29mai2021
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Para já... e repito: para já... ainda só houve uma cabeça rachada. Mas não sei quem está a ganhar nestas escaramuças, se são os simpatizantes dos "cityzens" ou dos "blues".

 

   12h10 de 29mai2021
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Há exageros, sem dúvida... mas neste interessante instantâneo de Helder Ferreira vê-se uma sã camaradagem entre "cityzens" e "blues".

 

    15h00 de 29mai2021
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Há momentos na Avenida dos Aliados... tudo a correr bem, com muita cerveja, mas a correr bem.

 

    16h39 de 29mai2021
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"Até ao momento, o gabinete de coordenação de 'sSlots' (pedidos de utilização temporária de aeroportos) da NAV Portugal atribuiu cerca de 500 voos entre os dias 27 e 31 de maio para o aeroporto do Porto associados à final da Champions League. Estes números referem-se a voos de aviação comercial, executiva e privados", precisou a fonte da NAV à Lusa.

 

    16h50 de 29mai2021
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A ministra Vieira da Silva tinha dito que "as pessoas que vierem à final da Liga dos Campeões virão e regressarão no mesmo dia, com teste feito, em situação de bolha", "estando em território nacional menos de 24 horas" - e já se sabe que não foi assim. Nada assim. Por isso Marcelo é duro com o Governo - e espera que o Governo aprenda: "Quando se comunica que se vem em bolha é porque se vem em bolha. Senão não se diz que se vem em bolha. Diz-se vêm tantos, uns vêm em bolha, outros não. E depois tem de se explicar porque foi diferente. E tem de se ter a noção do exemplo que se dá", disse este sábado Marcelo Rebelo de Sousa à margem de um evento no Banco Alimentar.

 

   Chelsea vence Manchester City e conquista Liga dos Campeões
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    23h55 de 29mai2021
Quatro adeptos ingleses foram detidos este sábado na baixa do Porto, pelo menos dois deles por agressão a agentes da autoridade, após a final da Liga dos Campeões de futebol, revelou à Lusa fonte do Comando Metropolitano do Porto da PSP. Os dois adeptos que agrediram os agentes, acrescentou a fonte da Polícia de Segurança Pública, foram conduzidos para a Esquadra do Infante, no Porto, enquanto um agente ferido foi conduzido ao Hospital Santo António para ser suturado na face. O subintendente Marco Almeida admitiu que "nem tudo correu conforme estava previsto".

 

    13h41 de 30mai2021
Esta madrugada, o líder do PSD voltou a atacar a organização do jogo, criticando o presidente da Câmara portuense e o Governo, a quem exigiu que fizessem "um pedido de desculpa aos portugueses, que privados de tanta coisa, assistem a esta vergonha em pleno combate à pandemia". Esta manhã, Rui Moreira rejeitou responsabilidades e devolveu as críticas ao presidente do PSD. Em declarações à TSF, Moreira respondeu dizendo que é "evidente que se o senhor doutor Rui Rio fosse presidente da Câmara do Porto teria decidido diferente. Provavelmente tinha organizado uma corrida de automóveis em que teria participado com alguns VIP". "Se o doutor Rui Rio tem algum problema com a cidade do Porto, têm de lhe perguntar a ele qual é a razão", acrescentou.



Publicado por Tovi às 09:19
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Sexta-feira, 30 de Abril de 2021
Acabou o estado de emergência... mas cuidado

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Publicado por Tovi às 08:11
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Segunda-feira, 15 de Março de 2021
O papel do Presidente da República

pr.jpgÉ público que não morro de amores por Marcelo Rebelo de Sousa, mas estou plenamente de acordo com o que disse Rui Moreira, na sua entrevista ao JN (publicada na edição em papel de 14mar), sobre o papel do Presidente da República: "...não é fazer oposição, é tentar juntar os portugueses e mobilizá-los, motivá-los..."



Publicado por Tovi às 07:27
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Domingo, 28 de Fevereiro de 2021
E é assim que estamos

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Esta sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, JN e TSF, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade política. O trabalho de campo decorreu entre os dias 17 e 20 de fevereiro.

 

E a oposição está assim...
oposição.jpg



Publicado por Tovi às 17:09
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021
É absolutamente impensável eleições assim

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A Câmara Municipal do Porto (e provavelmente as outras também) recebeu um documento da Direção-Geral da Saúde, em que é indicado às câmaras municipais a composição dos kits de equipamentos de proteção individual para o levantamento do voto de pessoas confinadas, implicando a sua substituição em cada visita domiciliária. Isto vai obrigar, além de gastos associados, a que as equipas voluntárias com esta tarefa se desloquem, por cada visita, às instalações do Batalhão de Sapadores do Porto para proceder à troca de equipamentos, porque não o podem fazer na via pública. Rui Moreira gostaria que a diretora da DGS nos explicasse como pode isto ser feito… e se houver por aqui alguém que saiba como será possível, eu e muitos outros ficaríamos agradecidos.

 

    Comentários no Facebook
Oscar Felgueiras - Espectacular... quase tão bom como o homem das compotas da dgs
Jorge Veiga - que tal levarem uma tenda de campismo para trocarem as vestimentas? A tenda também ia para o lixo claro, mas entretanto comiam um pãozinho com compota de qualquer coisa.
Mario Ferreira Dos Reis - Nem o Super Homem conseguiria, apesar da prática que tem em tirar a gravata e pôr o pijama!
David Riibeiro - Segundo a informação dada pela DGS às Câmaras Municipais a composição dos kits de equipamentos de proteção individual (EPI) para o levantamento do voto de pessoas confinadas, deverão constar de máscara, viseira, batas, luvas, solução à base de álcool, além da obrigatoriedade do cumprimento de regras de colocação e remoção dos EPI rigorosas, implicando a sua substituição a cada nova visita domiciliária. A malta do Terreiro do Paço nem diz o que sabe nem sabe o que diz.

 

    Marcelo tem Covid-19 e está assintomático
Teste rápido da manhã  de ontem deu negativo, enquanto o PCR feito posteriormente deu positivo. O Presidente foi informado pelas 21h40 de segunda-feira.



Publicado por Tovi às 00:14
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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2021
Debate das presidenciais - Marcelo vs Tiago Mayan

marcelo tiago.png

Este debate do passado domingo à noite, entre os candidatos presidenciais que teoricamente disputam o mesmo eleitorado (de direita), não me pareceu que tenha sido mais do que um claro confronto entre um (inesperado?) defensor do Estado Social ‘tout court’ e um paladino do Estado Liberal que não me parece pretender mesmo ser mais do que isso. E se, como já alguém disse, a missão da candidatura da Iniciativa Liberal nestas eleições não é ganhá-las mas evitar que André Ventura sugue todo o voto à direita de Marcelo, então eu estou com Tiago Mayan.

 

   Evolução das sondagens - Presidenciais2021
Presidenciais2021 04jan2021.jpg



Publicado por Tovi às 07:04
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2020
Está a ficar bravo o Presidente da República

...mas é capaz de vir um pouco tarde, não acham?

Anotação 2020-12-22 101138.jpg
  Toda a notícia aqui



Publicado por Tovi às 10:14
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2020
Fundamentos de um apoio convicto

Como já por várias vezes por aqui afirmei eu não morro de amores por Marcelo Rebelo de Sousa... mas Raul Almeida tem carradas de razão no que diz neste seu artigo no Jornal Económico.

Anotação 2020-12-17 160146.jpg

Em face de quatro candidatos que, de diferentes formas, se afirmam pela divisão, a recandidatura de Marcelo representa exactamente o oposto. Mais do que nunca, o país precisa de estabilidade e unidade.
Aproximamo-nos das eleições presidenciais, num momento crítico para a nossa vida colectiva. A crise pandémica em que nos encontramos imersos pode desencadear uma cascata de outras crises, que terão sempre um impacto superlativo num país frágil como o nosso. É o pior dos momentos para sermos levianos ou caprichosos na altura de preencher o boletim de voto.
Será uma eleição onde teremos um único candidato a Presidente da República, em contraponto a cinco candidatos de nicho; dois populistas, um estalinista, uma trotskista e uma inexistência. A grande opção a fazer é entre entregar um voto de confiança e missão a Marcelo ou, neste momento crítico, desperdiçar o voto numa qualquer afirmação pessoal ou partidária inconsequente.
Mais do que nunca, o país precisa de estabilidade e unidade. Em face de quatro candidatos que, de diferentes formas, se afirmam pela divisão, pelo exacerbar da diferença, pela promoção da desconfiança e da conflitualidade, a recandidatura de Marcelo representa exactamente o oposto. Marcelo exerceu um permanente magistério de pacificação, exaltou a união que nos fortalece, combateu sem tréguas a conflitualidade e o divisionismo. Foi o Presidente de todos os portugueses, sem excepção. Os outros concorrentes assumem-se como os representantes da sua tribo contra a tribo inimiga.
O estilo dos Presidentes nunca é consensual. Apesar de gostar do estilo de Marcelo, compreendo perfeitamente que possa haver quem não goste. Por vezes, a hiperactividade do Presidente é difícil de acompanhar, por vezes, parece demasiado. Compreendo quem faz esta crítica. Mas, se também eu considero excessivo um telefonema presidencial em directo para uma entertainer televisiva, depressa o relevo em face de todos os telefonemas que levam uma palavra de conforto a muitos portugueses em aflição, ou de todos os que encorajam e exaltam as virtudes individuais ou colectivas do povo até agora invisível.
Marcelo não se cansa de puxar por tudo o que é bom, por tudo o que possa servir de exemplo, por tudo que reforce o espírito português. Nenhum Presidente o fez desta maneira. Não é qualquer síndrome de snobeira parola, apodando o Presidente de popularucho, que belisca esta aposta no melhor de Portugal e dos Portugueses. Sim, o Presidente também o representa, também tem um vínculo, com cada uma das pessoas com quem tira uma das inúmeras selfies. E, ainda bem que fica genuinamente feliz ao fazê-lo. Ainda bem que quebrou a distância, o hermetismo e, em alguns casos, a arrogância distante de alguns dos seus antecessores.
Tenho um enorme respeito pelo Presidente que troca o conforto lisboeta pelo Natal junto àqueles que em cada momento mais sofrem. O Presidente que sai à rua noite dentro para levar apoio aos que a sociedade esqueceu, confrontando-nos com as nossas próprias falhas. O Presidente que é Católico, mas investe seriamente no diálogo Inter-religioso como via para a paz social. O Presidente que está rigorosamente sempre onde é preciso, junto de quem mais precisa. O Presidente que partilha com uma acessibilidade rara a sua cultura, estimulando cada um a valorizar o conhecimento. Há quem diga que é uma banalização do papel presidencial; Marcelo será tudo menos banal.
Acredito na força e no potencial de uma nova Portugalidade. As visitas presidenciais à África que já foi portuguesa, e continua nossa irmã, foram um sucesso cultural e diplomático sem precedentes. Nenhum português pode ficar indiferente ao que aconteceu em cada sítio por onde Marcelo passou. O carinho infinito dos nossos irmãos africanos só encontrou rival na ternura sem reserva nem medida que Marcelo pôs em cada beijo, em cada abraço, em cada troca de olhares. Se quisermos ser honestos, facilmente admitimos que só Marcelo consegue construir este tipo de irrepetíveis pontes.
Por fim, no plano político interno. Marcelo fez o que prometeu. Promoveu a estabilidade possível em cada momento. Sim, foram dois governos maus, da esquerda coligada com a extrema-esquerda; mas não cabia ao Presidente demiti-los ou provocar crises de consequências imprevisíveis. A dura verdade é que, em momento algum, o conjunto da direita se constituiu como alternativa sólida, capaz de gerar uma maioria parlamentar em resultado de uma crise e consequente ruptura.
Nos momentos de fragilidade governativa, nunca houve indício de que a maioria dos portugueses estivesse com vontade de virar à direita com o peso que permitisse resgatar o país das esquerdas. O Presidente foi inteligente ao não abrir crises que pudessem resultar no reforço dos culpados por essas mesmas crises.
Não há memória ou registo de uma presidência com tantos vetos e devoluções. Todos eles sérios e pertinentes, todos eles manifestos políticos que sublinham um homem estruturalmente do centro direita humanista, mas consciente de ser o Presidente de todos os Portugueses.
Não há mandatos sem falhas. Não gostei do comportamento presidencial na crise da Procuradora Geral da República, na crise do Governador do Banco de Portugal, nalguma brandura com erros graves do governo socialista. Foram actos que me deixaram incómodo, nos quais não me revi. Mas, feito um exercício de memória, infinitamente menos e menos graves do que os que se podem facilmente encontrar em cada uma das anteriores presidências.
Por fim, recordo o resultado histórico da segunda eleição de Mário Soares. Recordo que Soares, no primeiro mandato, negou aos seus a formação do governo Constâncio, daí resultando a longa era cavaquista e uma enorme travessia do deserto para os socialistas. Recordo que na sua recandidatura, o MASP II era um verdadeiro albergue espanhol onde cabia tudo, da extrema esquerda à direita conservadora. Teve o apoio e o voto massivo do centro e da direita. Ao contrário das franjas da direita que hoje enjeitam Marcelo, a esquerda teve sempre a inteligência de fazer lembrar que Soares era o seu símbolo maior, a grande referência, a ponto de até a direita se render às suas qualidades e encantos.
Eu fico feliz por ver a esquerda rendida a um Presidente estruturalmente de centro-direita. Serão sempre bem vindos a votar nos nossos!
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.



Publicado por Tovi às 07:00
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