"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Tratado de Methuen

Já em 1678 se queixavam os viticultores portugueses da impossibilidade de fazerem frente aos vinhos oriundos de França e de Espanha, quando em Portugal as colheitas eram abundantíssimas e vendidas por preços muito baixos. No entanto o Vinho do Porto continuava a ter em Londres uma inegável aceitação e até usufruíam de tratamento favorável [Os vinhos portugueses pagavam menos de 24 libras de direitos por tonel (1.145 litro), enquanto os franceses eram sobrecarregados com o pagamento de 53 libras por igual medida – J. L. d’ Azevedo, V. Épocas de Port. econ.; pág. 407]. As hostilidades entre a França e a Inglaterra eram extremamente favoráveis à viticultura portuguesa, embora esta situação de favor não estivesse consignada em nenhum texto legal.
Mas por esta altura estavam também descontentes os comerciantes britânicos no que se referia à protecção dos lanifícios ingleses para o mercado de Portugal. E foi então que em 27 de Dezembro de 1703 foi assinado o TRATADO DE METHUEN, um tratado comercial anglo-luso em que ficava escrito “preto no branco” que a troco da autorização para a importação e o uso em Portugal dos lanifícios ingleses, a Inglaterra garantia aos vinhos portugueses favores pautais que lhes asseguravam a supremacia sobre os vinhos franceses – “…obriga-se o governo português a admitir para sempre, daqui em diante, no reino de Portugal os panos de lã e mais fábricas de lanifícios de Inglaterra, como era costume até ao tempo em que foram proibidos pelas Leis; …compromete-se o governo inglês a admitir na Grã-bretanha os vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum, haja paz ou guerra entre os reinos de Inglaterra e de França, não se poderá exigir de direitos de alfândega nestes vinhos, directa ou indirectamente, mais que o que costuma pedir para igual quantidade de vinho de França, diminuindo ou abatendo uma terça parte do direito do costume”.
O Tratado de Methuen é um dos actos mais discutidos na história diplomática portuguesa, tendo sido considerado ruinoso pela crítica de muitos escritores portugueses da época, mas não nos podemos esquecer que foi graças a este tratado que se intensificou entre os ingleses o consumo do Vinho do Porto, pois os britânicos consideravam, tendo em vista as concessões feitas aos lanifícios ingleses, um dever patriótico gostar “daquele vinho que alguns atribuíam o defeito de um tanto adocicado”.

 

«XôZé» / ViriatoWeb ► Quer dizer... :roll:    Quem mandava eram os "bifes" e andam ainda hoje alguns :roll: franceses a cantar de galo. :whistle:   Mais vale um bom :mrgreen:porto do que a casca de borrego! :mrgreen:

«Viriato» / ViriatoWeb ► Tovi escreveu: "...os britânicos consideravam, tendo em vista as concessões feitas aos lanifícios ingleses, um dever patriótico gostar daquele vinho que alguns atribuíam o defeito de um tanto adocicado” - é verdade que é um vinho para mulheres !



Publicado por Tovi às 19:40
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Os primórdios do Vinho do Porto

«rafael de zafra» / AzulJasmim ⇒ Tovi: Me gustaría que explicases a los foristas la historia del aguariente y el Oporto, con tu precioso portugués.  Esa historia que dice que un inglés se apuntó el tanto de añadirle aguardiente cuando en verdad lo hacía un monje y él descubrió el secreto para transportarlo y los acuerdo de las lanas inglesas y el vino de protugal. Gracias.

É historicamente apontada como verdadeira que a técnica de aguardentação (*) do Vinho do Porto deveu-se à necessidade que os primeiros exportadores ingleses tiveram em fazer chegar o vinho aos portos britânicos em estado aceitável. Diz-se que na segunda metade do século XVII, para que o vinho não azedasse durante a viagem de barco era adicionado a cada pipa cerca de 20 litros de aguardente.

Mas os vinhos generosos do Douro, mundialmente reconhecidos sob a denominação PORTO, já no início do século XVI se caracterizavam por serem aromáticos, com grade capacidade de envelhecimento, resultado de uvas bem maduras obtidas por vindimas tardias e sujeitas a processos de pisa prolongada. Na tecnologia de produção destes vinhos doces, próximos dos Vinhos do Porto actuais, já se procedia à adição de quantidades crescentes de aguardente vínica ao mosto, para travar a fermentação e conservar a doçura natural das uvas. Foi o aperfeiçoamento contínuo dessa tecnologia de vinificação dos vinhos generosos do Douro que deu origem ao actual Vinho do Porto.

Após o Tratado de Methuen (**) a produção e comércio do Vinho do Porto passam a ser muito importantes para a economia nacional pelo que era necessário e urgente estabelecer regras e normas de qualidade para o produto. E assim foi instituída, em 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro (também denominada Real Companhia Velha) que entre 1757 e 1761 faz-se a primeira demarcação, com 331 marcos de granito, da região produtora de vinhos generosos de melhor qualidade, designados “vinhos de feitoria”.

Marco de delimitação da região demarcada 
 
(*) Aguardentação – Até cerca de 1756, a elaboração dos "vinhos de embarque", como na altura se apelidavam os Vinhos do Porto seguiam o chamado "processo antigo" de vinificação. A aguardentação (sempre em pequeno volume) só tinha lugar depois de terminada a fermentação, obtendo-se assim vinhos secos. No ano de 1820, surge o processo de aguardentação dito "moderno" em que se passou a provocar a paragem da fermentação, daí resultando vinhos com prova adamada. Este processo de elaboração só passa a ser generalizado em 1852, altura em que os vinhos começam a se assemelhar aos que hoje encontramos. (informação do “site” do IVDP)

(**) Tratado de Methuen – Tratado assinado em 27 de Dezembro de 1703 entre a Inglaterra e Portugal, pelo qual este ficava obrigado a abrir o seu mercado à importação de lã inglesa, ao passo que aquela se comprometia a facilitar a importação de vinhos portugueses em detrimento dos franceses.
  
Mas é na segunda metade do século XIX que a região duriense vai entrar numa profunda crise… E disso iremos falar a seguir.



Publicado por Tovi às 19:45
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