"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
Morreu Júlio Pomar

Requiescat in Pace

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Júlio Pomar (Lisboa, 10 de janeiro de 1926 - Lisboa, 22 de maio de 2018) pertenceu à 3ª geração de pintores modernistas portugueses, sendo autor de uma obra multifacetada, centrada na pintura, desenho, cerâmica e gravura, com importantes desenvolvimentos nos domínios da tridimensão (escultura; assemblage) ou da escrita.



Publicado por Tovi às 10:02
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Terça-feira, 22 de Maio de 2018
Morreu António Arnaut

Requiescat in Pace

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Faleceu ontem António Arnaut. Não foi um homem consensual, mas os melhores raramente o são. Mas a democracia portuguesa deve-lhe muito. Foi ele o principal obreiro da mais sólida e transversal realização do regime pos-25 de Abril. Falo, obviamente, do SNS. Atrevo-me a sugerir que é o cimento mais forte que ainda o mantém de pé e que ao mesmo tempo é um importantíssimo factor de coesão da nossa sociedade. Todos teremos opiniões, umas mais positivas, outras menos, todos o quereremos mudar de alguma forma, uns com maior realismo outros com tons mais utópicos, uns com o conhecimento do profissional, outros com o sentir do doente, mas não conheço ninguém hoje em dia em Portugal que conceba a possibilidade de viver sem ele. Para mim, o SNS tem sido um dos focos de toda a minha vida adulta, como profissional que fez toda a sua carreira no seu âmbito, tanto na vertente pública como na privada/convencionada (e nunca em simultâneo, por opção pessoal, não por imposição). Tem sido também um motivo de orgulho enquanto cidadão, pois com todas as suas falhas (e muitas são) é reconhecido internacionalmente como mais uma demonstração de como nós, portugueses, conseguimos nas poucas ocasiões em que remamos para o mesmo lado, ser capazes, ser grandes. Confesso que fui reticente no início, a criação do SNS pareceu-me a mim, jovem estudante de Medicina crescido num ambiente de práctica médica privada e muito lucrativa, uma agressão ao meu futuro, mas em poucos anos e vendo como o nível de cuidados prestados aos doentes cresceu exponencialmente não só em acessibilidade mas também em qualidade, rendi-me ao projecto e à sua enorme importância social e humana. Hoje, como os outros todos, não consigo conceber um Portugal sem o seu SNS, motivo de orgulho e tranquilidade. Os desafios que se colocam hoje ao SNS são muitos e difíceis. Não quero neste espaço entrar na discussão desse campo, mas quero pedir a todos os intervenientes que, seja qual for o sentido em que evolua, nunca possa perder os princípios que nortearam António Arnaut quando o ajudou a criar. Por isso e hoje, por esses princípios que ainda hoje se mostram tão importantes e válidos e pela energia e visão necessárias para lutar pela sua concretização, quero dizer muito obrigado, António Arnaut. (Raul Vaz Osório‎ no “Um novo norte para o Norte”)



Publicado por Tovi às 10:36
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017
Morreu Belmiro de Azevedo

Requiescat In Pace

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   Wikipédia

Belmiro Mendes de Azevedo era o mais velho dos oito filhos de Manuel de Azevedo, carpinteiro e agricultor, e de Adelina Ferreira Mendes, costureira.
Na instrução primária em Tuías, reprovou na primeira classe, segundo o próprio, por culpa de um professor incompetente. No entanto, graças ao professor ali colocado no ano seguinte, Carlos da Silva, recuperou o tempo perdido, chegando a fazer os quatro anos lectivos em apenas três. Uma vez que não existia no concelho do Marco nenhuma escola de ensino secundário, Belmiro de Azevedo mudou-se para o Porto por volta dos 11 anos, para poder prosseguir os estudos no Liceu Alexandre Herculano. Nesta cidade foi viver com o seu tio e padrinho, Belmiro Pinto da Mota, fiscal de obras, que além do nome de baptismo lhe deu alojamento nos estaleiros de obras onde trabalhava.
Depois dos estudos secundários, Belmiro de Azevedo seguiu para a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Em 1959, porém, teve de interromper os estudos, ao ser chamado a cumprir o serviço militar obrigatório. Em 1964 completou a licenciatura em Engenharia Química. Durante a juventude praticou andebol, no Centro Desportivo Universitário do Porto e no Futebol Clube do Porto.
Ainda estudante, Belmiro de Azevedo entrou para a Efanor (Empresa Fabril do Norte), localizada na Senhora da Hora. Pouco depois ingressa na Sonae (Sociedade Nacional de Estratificados), cujo controlo viria a assumir em 1974. Durante anos, foi polémico o conflito judicial entre Belmiro de Azevedo e a família de Afonso Pinto de Magalhães, fundador da empresa.
Sob o seu comando, a Sonae estendeu a sua actividade a novas áreas como a dos hipermercados (Continente e Modelo), a das comunicações (jornal Público) e a das telecomunicações (Optimus). Posteriormente, o grupo procurou expandir-se internacionalmente e apostou no retalho especializado (Bonjour, Vobis, Worten, Sportzone, etc.). A partir de 1985, a Sonae passou a ser cotada na Bolsa de Valores e Belmiro torna-se accionista maioritário do grupo.
Em 1975, nos Estados Unidos da América, obteve um diploma de especialização em Gestão de Empresas, na Universidade de Harvard, e, uma década depois, em 1985, diplomou-se no Financial Management Program da Universidade de Stanford.
Em paralelo com a actividade empresarial, criou, em 1991, a Fundação Belmiro de Azevedo, que desenvolve a política de mecenato da empresa, nas áreas da Educação, das Artes, da Cultura e da Solidariedade, em acções de parceria com indivíduos e entidades e contando com os colaboradores da empresa em acções de voluntariado. Em 2008, esta fundação abriu em Matosinhos o Colégio Efanor, no lugar das velhas instalações fabris onde Belmiro deu início à sua carreira profissional.
Belmiro de Azevedo é conhecido também pelo seu carácter empreendedor, pela sua ousadia e pela frugalidade que cultiva pessoalmente e que estende à gestão e à cultura do Grupo.
Com a morte de António Champalimaud, Belmiro de Azevedo tornou-se em 2006, no único português a figurar na famosa lista da revista Forbes, com um fortuna avaliada em 1,6 mil milhões de euros.
Considerado durante alguns anos o cidadão mais rico de Portugal, foi Presidente do Conselho de Administração do grupo Sonae. Sua fortuna, que em 2007 era estimada em 3 mil milhões de euros, o que ainda lhe dava a liderança entre as fortunas do país, caiu mais de 50% em dois anos, passando para 1,4 mil milhões de euros em 2009.
Foi adepto do Futebol Clube do Porto e sócio honorário do Futebol Clube Marco de Canaveses.
Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito Civil de Espanha a 22 de Março de 1999, com o grau de Comendador da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil a 4 de Maio/21 de Setembro de 2000 e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique a 5 de Janeiro de 2006.



Publicado por Tovi às 16:34
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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
Morreu Diogo Ramalho

Requiescat In Pace

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A Canicultura está de luto... morreu Diogo Ramalho, prestigiado Juiz "All Rounder" do Clube Português de Canicultura.

 

   Clube Português de Canicultura

Com pesar anunciamos o falecimento do nosso socio Eng Diogo Ramalho. Canicultor de longa data, juiz internacional, ocupou diversos cargos na Canicultura nacional entre os quais destacamos o de Delegado do CPC no Norte e Presidente da Mesa da Assembleia Geral do CPC. Editou o Jornal O Mundo Canino e foi um grande impulsionador das Raças Caninas Portuguesas com destaque para o Cão da Serra da Estrela.



Publicado por Tovi às 11:25
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Domingo, 24 de Setembro de 2017
Morreu o “Bispo Vermelho”

Requiescat In Pace

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Morreu hoje ao princípio da tarde na Maia, D. Manuel Martins, bispo de Setúbal entre 1975 e 1998, tendo na altura ficado conhecido como "Bispo Vermelho", pela sua acção de denúncia das situações de fome e de injustiça social. Nascido a 20 de Janeiro de 1927, em Leça do Balio, Matosinhos, e ordenado sacerdote em 1951, Manuel da Silva Martins foi pároco na freguesia de Cedofeita nos anos 60, no centro do Porto, já depois de ter frequentado o curso de direito canónico na Universidade Gregoriana em Roma.

 

  Comentários no Facebook

«Pedro Baptista» - Morreu Manuel Martins, dia de Festejar a vida de um grande homem. A este não me importo de apostar o Dom. Sim. D. Manuel Martins. Mas isto não é para todos: como dizia aquele de que foi discípulo e colaborador, D. António Ferreira Gomes: "De joelhos perante Deus, de pé perante os homens". Face à sua vida, na hora da sua morte, todos, de pé, nos curvamos...

«Henrique Seruca» - Foi com grande pesar que tive conhecimento do falecimento hoje de D. Manuel Martins. Tinha o maior respeito e admiração pela sua figura. Foi o celebrante do meu casamento, em 1965, na Igreja Românica de Cedofeita, onde ele era pároco. Já nessa altura essa muito querido dos paroquianos, pela sua grande cultura, simplicidade e, acima de tudo, grande bondade. Como bispo de Setúbal notabilizou-se pela defesa intransigente dos mais fracos, dos desempregados, dos mais pobres, das crianças exploradas., Para ele havia dois tipos de padres: aqueles que exerciam segundo o exemplo de Cristo e os que eram simples funcionários da Igreja. Na defesa dos mais fracos, no distrito de Setúbal, teve grandes dissidências com Cavaco Silva e com Mário Soares, que negavam as misérias de que ele era testemunha diária. Chamaram-lhe "bispo vermelho", quando ele se limitava a seguir a sua consciência e o que devia ser a prática da sua religião. Foi Homem e Bom. A sua voz contundente faz falta. Que descanse em paz.

«Jota Caeiro» - EM SUA MEMÓRIA - EM CONVERSA COM DOM MANUEL MARTINS - até vem mesmo a calhar!... (de Julho de 2013, pouco antes das últimas autárquicas)
1 - Qual a interpretação que faz do país social.
Sinto que estamos em marcha acelerada para uma nova civilização. Os padrões de vida transformam-se de tal modo e a tal velocidade, que nós, os de ontem, temos a sensação que mudámos de casa. Tais padrões passam por individualismos, por uma filosofia económica desenfreada, e tendo em conta o ímpeto dado à marcha da vida pela globalização, sinto-me com a dolorosa impressão que não estamos bem e que temos de parar para uma grande e profunda reflexão a fim de podermos atingir uma vida com alguma dignidade.
2 - Quem define como principais agentes responsáveis pela condição precária do país?
Portugal faz parte do mundo, mas claro que tem a sua história, a sua alma, a sua idiossincrasia próprias. E olhando-o com atenção, sinto que estamos mal, que estamos muito mal. Até tenho medo de que estando a pedir e a recomendar a esperança, mais esteja a contribuir para uma certa alienação. Não temos tido, na generalidade, Governos à altura, a nível de competência, de preocupação pela missão, de isenção, de pedagogia.
O governante tem que ser especialista no verbo e no advérbio, isto é, no fazer e no fazer bem. A idóneos Governos que não temos tido, juntava uma diabólica filosofia económica super-hiperliberal que nos inquieta no presente e nos assusta quanto ao futuro. Os Direitos Humanos não são minimamente respeitados, bastando para tanto passar os olhos pelos Direitos, Liberdades e Garantias da Constituição (art.ºs 24-79). É também de não perder de vista a falta de preocupação por um sistema de educação sadio. Resumindo: temos a sensação que nos perdemos e que nem sequer queremos encontrar o caminho, haja em vista o que vem acontecendo com o comportamento dos grupos “políticos” a que vamos dando o nome de “partidos”.
3 - O Senhor viveu um período de convulsões político-sociais importantes em Setúbal. Equaciona algum paralelismo com a actual sociedade portuguesa?
É verdade. E é para esquecer: valia a pena aqui perguntarmo-nos o que foi isso do 25 de Abril e o que traria escondido no ventre. Aquele PREC é de leitura muito difícil.
O que vi, o que vivi, o que experimentei não dá para contar.
Não obstante, tenho para mim que tudo aquilo aconteceu sem projeto, antes, como um tubo de ensaio para o foi ocorrendo a seguir. Quem está na máquina, quem anda no chão, não vislumbra caminhos de solução. O grande princípio de ação continua a ser (por quanto tempo?) o do Salve-se quem puder.
Mas vamos dizer que na altura, em Setúbal o problema encontrou solução, com muitos atores e fatores que se deixaram tocar pela força da boa vontade.
Sim, Setúbal viveu um período que foi vencido. Agora sofre as consequências de um país que não quer vencer.
4 - Que proposta faria a um futuro Primeiro Ministro?
Tem que ser um quadro inteligente, conhecedor dos problemas; deve rodear-se de bons colaboradores sem nunca se deixar tentar pelo boyismo; deve hierarquizar os problemas e procurar resolvê-los sem falsas promessas; deve ser um Homem que não se deixe influenciar nem por pessoas, nem por interesses. Uma pessoa em que todos se revejam com orgulho.
Acrescento só que este meu aparente pessimismo é ditado pelo amor que tenho ao meu país e ao contributo que do fundo do meu ser queria oferecer para muito em breve Portugal ser um país justo, fraterno, solidário, progressivo, feliz. A tanto não chegará, mas, depois e até por causa da via dolorosa que agora percorres, dias melhores, com toda a certeza, irão chegar.



Publicado por Tovi às 20:51
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017
Morreu o Bispo do Porto

Requiescat In Pace

11Set2017 ab.jpgD. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto desde Fevereiro de 2014, morreu hoje de manhã, aos 69 anos, vítima de ataque cardíaco. Era natural da freguesia de Tendais, concelho de Cinfães, Viseu. Foi nomeado bispo auxiliar de Braga em Dezembro de 2004 e, dois anos depois, foi indicado para bispo de Aveiro. Serviu a diocese de Aveiro durante mais de sete anos, nomeadamente durante as celebrações do seu 75.º aniversário de restauração. A sua ordenação episcopal ocorreu em Março de 2005, na Sé de Lamego. Foi ordenado padre em Dezembro de 1972.

 

  Há coisas que mil anos que se viva nunca se esquecem

Um certo dia, no hall de entrada do Teatro Rivoli, fui descontraidamente cumprimentar o Chefe Hélio Loureiro – Olá, Chefe, está bom? – e já mesmo a um metro dele reparei que quem o acompanhava era o Bispo do Porto. Educadamente cumprimentei-o e pedi-lhe desculpa pela forma como tinha interrompido a conversa que mantinha com o meu amigo Hélio. Foi de uma educação e simplicidade fantásticas e na curtíssima conversa que mantivemos deu para perceber que estava a léguas daquilo a que uma certa hierarquia eclesiástica nos habituou. Há Homens que nos ficam na memória pela diferença.

 

  Comunicado

A candidatura «Rui Moreira - O Nosso Partido é o Porto» cancelou todas as acções de campanha previstas para hoje, amanhã e quarta-feira, devido à morte do Bispo do Porto. Rui Moreira comunicou já que todas as acções de campanha previstas estão canceladas, nomeadamente, o jantar desta noite com comerciantes e os almoços previstos com candidatos às Freguesias, bem como arruadas e encontros. O candidato voltará a participar publicamente em acções de campanha na próxima quarta-feira à noite no debate da RTP.

 

  Comunicado

Manuel Pizarro manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, e cancela todas as iniciativas de campanha durante os próximos dois dias.

 

O presidente da Câmara do Porto decretou três dias de luto, a partir de hoje, pela morte de D. António Francisco dos Santos.
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(Comentando esta foto disse Joaquim Pinto Lobão em Abril de 2014: “Ao novo paradigma que invadiu a CMP, junta-se-lhe também um estilo singular do novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos. Retrato desta nova mundividência da igreja do Papa Francisco, é a humildade na apresentação de cumprimentos ao Presidente Rui Moreira, onde o Bispo e o Vigário Geral, Pe Américo Aguiar, meu amigo de infância e colega de carteira, se deslocaram a pé até aos Paços do Concelho. Com cortesia, Rui Moreira, Miguel Pereira Leite, Presidente da AM e Antonio Jose Fonseca, Presidente das Juntas de Freguesia do Centro Histórico, devolveram a simpatia e acompanharam o prelado até ao Paço Episcopal.”)



Publicado por Tovi às 14:24
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Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017
40º aniversário da morte de Elvis Presley

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Passam hoje quarenta anos sobre a morte de Elvis Presley, cantor, músico e actor norte-americano, um dos ícones do rock-and-roll da minha juventude, aquele que ficou na história como "O Rei". Dos sessentões como eu quem não se recorda de temas como “Always on My Mind”, “Love Me Tender” ou “It’s Now or Never”?



Publicado por Tovi às 14:19
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017
Morreu Baptista-Bastos

Requiescat In Pace

mw-768.jpgMorreu nesta terça-feira o jornalista e escritor Baptista-Bastos. Estava internado há várias semanas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Armando Baptista-Bastos nasceu em Lisboa a 27 de Fevereiro de 1934. Frequentou a escola de Artes Decorativas António Arroyo e o Liceu Francês. Iniciou a sua carreia jornalística em “O Século”, mas foi ao serviço do “Diário Popular” – onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988) – que haveria de conquistar maior notoriedade, sobretudo em géneros como a entrevista e a reportagem. Torna-se mais conhecido do grande público pelas entrevistas realizadas na SIC entre novembro de 1996 e janeiro de 1998. Nessas “Conversas Secretas”, fazia a todos os convidados a pergunta "onde é que estavas no 25 de Abril?", o que seria mais tarde glosado por Herman José no programa "Herman Enciclopédia". Baptista-Bastos publicou mais de uma dezena de títulos de ficção, entre os quais "O Secreto Adeus" (1963), "Cão Velho entre Flores" (1974), "O Cavalo a Tinta da China" (1995), "A Colina de Cristal" (2000) e "No Interior da Tua Ausência" (2002). Ao longo da carreira, o autor conquistou vários prémios, designadamente, o Prémio Literário Município de Lisboa, em 1987, pelo romance "A Colina de Cristal", que lhe valeu também o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, no ano seguinte.



Publicado por Tovi às 08:03
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
Funeral de Mário Soares com honras de Estado

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O corpo do antigo Presidente da República Mário Soares esteve desde segunda-feira em câmara ardente na Sala dos Azulejos do Mosteiro dos Jerónimos. O cortejo fúnebre saiu ontem da residência de Mário Soares, no Campo Grande, com destino à Câmara Municipal de Lisboa, continuando depois em armão com escolta a cavalo da Guarda Nacional Republicanaa até ao Mosteiro dos Jerónimos. Hoje, após um uma sessão de homenagem no Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o corpo de Mário Soares saiu com destino ao Cemitério dos Prazeres. Ao longo do cortejo, realizaram-se breves paragens em frente ao Palácio de Belém, à Assembleia da República, Fundação Mário Soares e à sede do Partido Socialista, no largo do Rato. O funeral, precedido de honras fúnebres, teve lugar a partir das 15h30 no cemitério dos Prazeres, onde está também sepultada a mulher, Maria de Jesus Barroso. No dia de amanhã a Assembleia da República realiza, a partir das 15h00, uma sessão evocativa da vida do antigo Presidente da República, ato decidido por unanimidade em conferência de líderes parlamentares.

 

Retrato_oficial_do_Presidente_Mário_Soares_(1992)Retrato oficial do Presidente Mário Soares (1992) por Júlio Pomar - Museu da Presidência da República

Mário Soares, de seu nome completo Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu em Lisboa, em 7 de Dezembro de 1924, filho de João Lopes Soares, professor, pedagogo e político da Iª República, e de Elisa Nobre Soares. Casou com Maria de Jesus Simões Barroso Soares em 1949, falecida em 7 de julho de 2015. Tiveram dois filhos, Isabel Soares, psicóloga e directora do Colégio Moderno, e João Soares, advogado e deputado à Assembleia da República, e cinco netos - Inês, Mafalda, Mário, Jonas e Lilah.

Actividade Profissional - Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1957. Foi professor do ensino secundário (particular) e director do Colégio Moderno, fundado por seu pai. Exerceu a advocacia durante muitos anos e, quando do seu exílio em França, foi "Chargé de Cours" nas Universidades de Vincennes (Paris VIII) e da Sorbonne (Paris IV), tendo sido igualmente professor associado na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha (Rennes) - Universidade de que é doutor "Honoris Causa".

Actividade Política contra a Ditadura - Desde os tempos de estudante universitário foi um activo resistente à ditadura. Iniciou então um longo e persistente combate que o levou a estar presente e activo na organização da oposição democrática ao salazarismo. Pertenceu ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista), em Maio de 1943, e, depois, foi membro da Comissão Central do MUD (Movimento de Unidade Democrática), sob a presidência do Prof. Mário de Azevedo Gomes (1946), tendo sido fundador do MUD Juvenil e membro da primeira Comissão Central. Foi Secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, em 1949. Integrou o Directório Democrático-Social (1955), dirigido por António Sérgio, Jaime Cortesão e Azevedo Gomes e, em 1958, pertenceu à Comissão da Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Como advogado defensor de presos políticos participou em numerosos julgamentos, realizados em condições dramáticas, no Tribunal Plenário e no Tribunal Militar Especial. Representou a família do General Humberto Delgado na investigação do assassinato daquele antigo candidato à Presidência da República, tendo contribuído decisivamente para desvendar as circunstâncias e denunciar as responsabilidades nesse crime cometido pela polícia política de Salazar (PIDE). Foi membro da Resistência Republicana e Socialista, na década de 50, redactor e signatário do Programa para a Democratização da República em 1961, tendo sido candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD, em 1969. Em resultado da sua actividade política contra a ditadura foi 12 vezes preso pela PIDE (cumprindo um total de quase 3 anos de cadeia), deportado sem julgamento para a ilha de S. Tomé (África) em 1968 e, em 1970, forçado ao exílio em França. Em 1973, no Congresso realizado em BadMünstereifel, na Alemanha, a Acção Socialista Portuguesa, que fundara em 1964, transformou-se em Partido Socialista, do qual Mário Soares foi eleito Secretário-Geral e sucessivamente reeleito no cargo ao longo de quase treze anos.

Actividade Política após o 25 de Abril - Em 25 de Abril de 1974, Mário Soares estava no exílio em França, de onde regressou a Portugal no dia 28, tendo chegado a Lisboa no depois chamado "combóio da liberdade". Passados poucos dias, foi enviado pela Junta de Salvação Nacional às capitais europeias para obter o reconhecimento diplomático do novo regime democrático. Participou nos I, II e III Governos Provisórios, como Ministro dos Negócios Estrangeiros, e no IV, como Ministro sem Pasta, de que se demitiu em protesto pelo chamado "caso República" e pela crescente tentativa de perversão totalitária da revolução, abrindo-se assim a crise governamental que levou à queda desse Governo e, depois, à contestação ao V Governo Provisório e à demissão de Vasco Gonçalves, período que ficou conhecido por "verão quente" (1975), em que tiveram lugar o célebre comício da Fonte Luminosa, ao qual acorreram muitas centenas de milhares de pessoas em protesto contra a ameaça de uma nova Ditadura, e, mais tarde, o "25 de Novembro", movimento militar que repôs o espírito original e democrático da Revolução de Abril.  Como Secretário-Geral do PS participou em todas as campanhas eleitorais, tendo sido deputado por Lisboa em todas as legislaturas, até 1986. Em consequência da vitória do PS nas primeiras eleições legislativas realizadas em 1976, foi nomeado Primeiro-Ministro do I Governo Constitucional (1976-77), tendo também presidido ao II (1978). Neste período, foi necessário enfrentar e resolver uma situação de quase ruptura financeira e de paralisia das actividades económicas do país, ultrapassada mediante a aplicação de um programa de estabilização e rigor, negociado com o FMI, graças ao qual foi possível celebrar um "grande empréstimo" e voltar a pôr a economia a funcionar. Foi ainda durante o I Governo Constitucional que se procedeu à integração, com pleno êxito, de quase um milhão de portugueses retornados das ex-colónias. Durante 1976 e 1977 foram também aprovadas as primeiras leis que deram forma ao novo Estado de Direito (código civil, lei da delimitação dos sectores, lei de bases da reforma agrária, etc.) e começaram a funcionar, com regularidade, os mecanismos institucionais previstos na Constituição de 1976. Rompido que foi, por denúncia unilateral do CDS, o acordo político de incidência governamental em que assentava o II Governo Constitucional e demitido o Executivo pelo então Presidente da República, general Ramalho Eanes, Mário Soares liderou a oposição entre 1978 e 1983, tendo sido durante esse período viabilizada a primeira revisão da Constituição da República, na qual se empenhou fortemente. Esta revisão constitucional eliminou finalmente a tutela político-militar do Conselho da Revolução, que vinha dos primeiros tempos da Revolução, e consagrou o carácter civilista, pluripartidário e de tipo ocidental do regime. Foi então criado o Conselho de Estado, para o qual Mário Soares foi eleito pelo Parlamento. Após nova dissolução da Assembleia da República, ocorrida em 1983, e na sequência das eleições legislativas que voltaram a dar a vitória ao PS, foi nomeado Primeiro-Ministro do IX Governo Constitucional, com base numa coligação partidária PS/PSD (1983-85). Este Governo viu-se confrontado também com uma dramática situação financeira e uma crise generalizada, que o levaram a pôr em prática um novo plano de emergência e recuperação que restabeleceu os equilíbrios financeiros externos. Coube ainda ao IX Governo Constitucional ultimar o processo de adesão de Portugal à CEE, conduzir as últimas negociações e assinar o Tratado de Adesão, em Junho de 1985. Apesar de o PS ter perdido as eleições de Outubro de 1985, realizadas por força de nova dissolução da Assembleia da República, em consequência do rompimento, pelo PSD, da coligação PS/PSD, Mário Soares candidatou-se às eleições presidenciais, previstas para Janeiro de 1986. Teve o apoio de independentes e do PS (na 1ª volta) e de toda a esquerda (na 2ª volta), tendo sido eleito em 16 de Fevereiro, por cinco anos. Foi o primeiro Presidente civil eleito directamente pelo povo, na história portuguesa. Renunciou então aos seus cargos de Secretário-Geral do PS e de deputado, tendo tomado posse e prestado juramento no dia 9 de Março de 1986. Em 13 de Janeiro de 1991 foi reeleito Presidente da República, logo à 1ª volta, tendo obtido a maior votação de sempre para esse cargo: 3 460 381 votos (70,40% dos votos validamente expressos), tendo terminado o seu segundo mandato em 9 de Março de 1996. Tornou-se membro do Conselho de Estado em 1996, por inerência. Em 1999 foi eleito Deputado ao Parlamento Europeu, tendo cumprido toda a legislatura (1999-2004). Em 2006 concorreu, de novo, a Presidente da República, pelo PS, tendo perdido as eleições para Aníbal Cavaco Silva, entretanto reeleito para um segundo mandato.



Publicado por Tovi às 20:32
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Domingo, 8 de Janeiro de 2017
Morreu Guilherme Pinto... e o médico Daniel Serrão

Requiescat In Pace

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Guilherme Pinto, autarca de Matosinhos que renunciou ao mandato esta semana devido a problemas de saúde, morreu às 4.20 horas da madrugada, em casa, junto da família e de modo tranquilo. A Câmara Municipal de Matosinhos informa que o corpo do "presidente será velado no salão nobre dos paços do concelho a partir das 9 horas deste domingo". Vai permanecer no local até segunda-feira 15.30 horas, seguindo depois para a Igreja do Senhor de Matosinhos, onde o bispo do Porto vai celebrar uma missa de corpo presente. Na carta de renúncia que entregou segunda-feira à presidente da Assembleia Municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto, de 57 anos, justificava a renúncia com motivos pessoais, "por entender que Matosinhos e o projecto que, com grande honra", liderou durante 11 anos "merecem um presidente a tempo inteiro e não alguém que hoje está diminuído nas suas capacidades físicas".

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«Jose Bandeira» - Não o conheci, mas admirei a sua atitude de confrontar a vontade da máquina partidária com a vontade do povo. E ganhou, provando o quanto os partidos andam divorciados da população. Que descanse em paz.

«Manuel Tavares» - Conheci-o há uns anos largos quando toquei música medieval na igreja do Mosteiro de Leça. No final do concerto fez questão de cumprimentar os músicos um a um, algo hoje mais comum mas que na altura nunca me tinha acontecido. Quando se dirigiu a nós, eu e os meus colegas (nerds da música pouco dados a outra coisa que não partituras), nem sabíamos quem era aquele personagem sorridente de mão estendida. Houve ali um momento de hesitação confrangedor ao qual Guilherme Pinto resistiu estoicamente, depois lá o cumprimentamos ainda sem saber quem ele era. Durante todo o episódio ele nunca se apresentou. Estava ali simplesmente como um melómano entusiasmado com o que havia acabado de ouvir. Só mais tarde soube quem ele era. Fiquei com a melhor das impressões porque de facto pessoas com essa postura são raras em Portugal.

 

Ao fim da manhã de hoje foi também conhecida a morte do médico Daniel Serrão, figura central nos campos da Anatomia Patológica e da Bioética.

A Cidade Invicta e o Norte estão de luto.



Publicado por Tovi às 09:22
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Sábado, 7 de Janeiro de 2017
Morreu Mário Soares

Requiescat In Pace

Mário Soares morreu em 7Jan2017.jpg

No dia da morte de Mário Soares [7Dez1924 – 7Jan2017] é de elementar justiça recordarmos a sua a dimensão intelectual, política e cívica, sem dúvida um das personagens portuguesas que mais marcou o pós-25 de Abril. Vi-o e ouvi-o ao vivo e a cores pela primeira vez no enorme comício do Estádio das Antas, no Porto, em Julho de 1975, em pleno “Verão Quente”, quando lutávamos contra o Gonçalvismo e tentávamos criar definitivamente um Portugal democrático e pluripartidário.

 

  Testemunho do Presidente da Câmara Municipal do Porto

Mário Soares morreu.
Morreu um grande lutador pela liberdade, que se confundia com a nossa democracia constitucional, que lutou contra todos os totalitarismos.
Um político raro, que respeitava a opinião dos outros, mesmo quando deles discordava, ou quando os outros discordavam dele.
Um homem culto, sempre interessado por tudo que o rodeava.
Um democrata valente e irredutível, um europeu convicto.
Uma pessoa feliz, num país tantas vezes triste, que fez amigos entre correligionários e adversários.
O Porto, cidade da liberdade, associa-se ao luto nacional.
Rui Moreira

 

  Outros testemunhos

Marcelo Rebelo de Sousa: “Vamos vencer o combate da imortalidade do seu legado”.
Cavaco Silva: “Portugal perdeu um dos seus maiores políticos do século XX”.
António Guterres: “Figurará como um homem livre que quis que todos nós vivêssemos em liberdade”.
António Costa: “Devemos-lhe muito”.
Ferro Rodrigues: “Todos tivemos Soares como um herói”.
José Sócrates: “Mário Soares fez a sua carreira política com base na sua convicção e na coragem”.
Passos Coelho: “Um grande democrata que combateu pelas suas ideias”.
Freitas do Amaral: “Claro que há muitas diferenças, mas muita coisa que nos une”.
Francisco Louçã: “Foi sempre muito corajoso e determinado”.
Catarina Martins: “O homem que mandou a idade e o conforto às malvas”.
François Hollande: “França perde um amigo de sempre”.
Jean-Claude Juncker: “Portugal e a Europa perdem um pouco de si”.
Jack Lang: “A voz quente de um socialismo humano”.

 

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«José Paulo Matos» - Goste-se ou odeie-se, fica na memória a imagem de um lutador indomável, um defensor de ideais, de princípios e valores, um timoneiro da política do séc. XX. Respeite-se a sua memória,...

«Jovita Fonseca» - Um marco na História de Portugal. A ele devemos a democracia, o conceito de liberdade. É pena que ao longo destas décadas este conceito fosse distorcido! Assim se compreende tantas atitudes antidemocráticas... incluindo os tristes comentários à morte desta figura política.

«Jose Bandeira»O simples facto de ninguém ficar indiferente à sua morte prova que foi uma figura que tocou a todos. Evidentemente que o admiro por todas as qualidades que são referidas nas palavras de ocasião das manifestações públicas; não fica com lugar reservado no meu coração pelo facto de não ter tido a coragem de lutar por uma verdadeira democracia; deixando os cidadãos à margem do poder, ter pactuado com uma república comandada por um punhado de gente de baixa qualidade e muita ambição pessoal. Aí, considero-me traído. Mas não lhe nego uma virtude: a determinação.

«Jose Riobom» - Estar em desacordo político com MS estive muitas vezes... depois de ter estado ao lado dele nos anos conturbados de 74 e 75. Depois disso nunca mais fui com a figura, e disse-lho pessoalmente olhos nos olhos, cara a cara numa madrugada trincando um prego e bebendo uma cerveja num café na R.da Alegria debaixo da Cooperativa dos Pedreiros onde ele se encontrava rodeado de alguns dos capangas desta cidade. Depois durante todos os anos em que esteve no poder e até que caiu doente publicamente disse do pior do sujeito. Agora está morto... e eu calo-me. Calo-me pelo respeito que os mortos e as suas familias me merecem. Calo-me porque ele já cá não está para se defender das minhas palavras e opiniões. Nada tem a ver com o politicamente correcto...




Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
Morreu Pedro Albergaria

Após um perlongado sofrimento morreu o meu querido amigo Pedro Albergaria... e assim a canicultura nacional ficou de luto.

Requiescat In Pace

Pedro Albergaria morreu em 28Dez2016.jpg

  Clube Português de Canicultura

A Canicultura Portuguesa esta outra vez em luto, porque outro grande Senhor deixou-nos hoje. Pedro Soares de Albergaria ocupou durante diversos mandatos da nossa Direcção o lugar de Vice Presidente do Clube Portugues de Canicultura. Deixa muitos amigos e grandes saudades.



Publicado por Tovi às 13:34
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Sábado, 26 de Novembro de 2016
Morreu Fidel Castro

Fidel de Castro aa.jpg

Morreu Fidel Castro, líder incontestado de Cuba, uma das figuras que marcaram o Século XX.

Requiescat In Pace

 

   Relato de uma vida histórica (in Expresso)

Fidel Castro 1926-2016

Era Fidel Castro uma criança e desconhecia por que razão, no recreio do Colégio de La Salle, em Santiago de Cuba, lhe chamavam "porco judeu". Na católica Cuba dos anos 1930, era assim que era denunciado quem não fosse batizado. Era o caso de Fidel, filho do galego Ángel Castro, um latifundiário próximo da United Fruit Company - a açucareira norte-americana que empregava meia Cuba -, e de Lina, criada de Ángel na sua quinta de Manacas.
Fidel nascera a 13 de agosto de 1926, em Biran, e era o terceiro filho dessa relação proibida. As duas famílias de Ángel Castro - casado perante Deus e a lei com a professora primária Maria Luisa Argota - causavam falatório nas redondezas. Para se defender no processo de divórcio interposto pela mulher, D. Ángel envia os filhos bastardos para Santiago de Cuba, onde nunca ninguém ouvira falar dos Castro. Nessa semi-clandestinidade, o pequeno Fidel cede à sensação de abandono. Na escola, as notas são uma catástrofe e o comportamento uma calamidade. Torna-se insolente, recusa a autoridade e é açoitado amiúde.
A 19 de janeiro de 1935, é finalmente batizado na Catedral de Santiago. O pai não está presente e o registo de batismo não o refere. No papel, Fidel já não era um pária, mas o reconhecimento paterno apenas surgiria aos 17 anos de idade, já D. Ángel se tinha casado com Lina. Só então, Fidel passa a usar o apelido do pai.
No ambiente de estudo e recolhimento proporcionado pelos colégios jesuítas, Fidel parece desabrochar. Torna-se um aluno exemplar e o primeiro em todos os desportos. Aos 14 anos, num inglês básico, escreve uma carta ao "amigo" Franklin Roosevelt, pedindo-lhe uma nota de 10 dólares, porque "gostaria de ter uma". Propõe-lhe, também, uma visita guiada às minas de ferro de Mayari. O Presidente dos Estados Unidos nunca respondeu.
Em 1945, após assistir ao fim da II Guerra Mundial, Fidel inscreve-se em Direito na Universidade de Havana, que se distinguia pela politização dos seus alunos. Após a disciplina jesuíta, ele mergulha na desordem. Tomada por estudantes nacionalistas e revolucionários, que idolatram José Martí, o herói da independência cubana, a universidade está em brasa. Fidel percebe que o mundo dos discursos, dos murros e das armas à cintura está talhado para si.

A "ovelha negra" da família
Cinquenta anos após a independência formal (1902), Cuba continua sob tutela dos Estados Unidos. Para Fidel, que chefia as Juventudes Ortodoxas, uma formação social-democrata, só uma "revolução profunda" libertaria o povo das frustrações provocadas pelas injustiças sociais. Depois de viajar pela Venezuela, Panamá e Colômbia, apercebe-se que o ódio ao domínio neocolonial norte-americano não é exclusivo dos cubanos. À luz desse antiamericanismo, os comunistas já não lhe parecem os monstros sedentos de sangue que os padres jesuítas e o pai lhe tinham descrito.

Antes, pareciam ser os únicos com sentido de disciplina e capacidade para organizar um exército capaz de enfrentar ditadores. Mas em Cuba, o Partido Comunista era ultraminoritário, sem representatividade nas universidades nem influência no sindicato operário. E os cubanos nem sequer simpatizavam com a União Soviética.
Fidel vive com o dinheiro que o pai lhe manda. As raparigas amedrontam-no e fazem-no corar, mas, a 12 de outubro de 1948, casa com Mirta Díaz Balart, uma estudante de Filosofia oriunda de uma família influente. D. Ángel não comparece à cerimónia nem à festa no American Club, sentido com a rebeldia do filho. Fidel não se empenha nos estudos, é a vergonha da família. Ainda assim, o patriarca aceita financiar a lua-de-mel... nos Estados Unidos.
Em Miami e Nova Iorque, Fidel deslumbra-se com o urbanismo galopante e a densidade do tráfego automóvel, choca-se com a falta de pudor dos jovens casais que se beijam em público e perde-se nas livrarias. Compra "O Capital" de Karl Marx e interroga-se como um país tão profundamente anticomunista permite a venda de obras que apelam à destruição do sistema capitalista. Fica com a sensação que o "american way of life" resulta da pilhagem dos pobres pelos ricos: se os americanos têm frigoríficos, arranha-céus, Cadilacs e devoram "corn flakes", devem-no à espoliação dos povos da América do Sul pelas suas multinacionais. O anti-imperialismo é o motor que faz Fidel mover.
De regresso a Havana, o casal instala-se num hotel. Mirta retoma os estudos e Fidel as atividades no Partido Ortodoxo. A política causa-lhe dependência e, em poucos meses, a mulher está só. Fidel intima-a a recusar tudo o que é oferecido pelos Dias Balart. Não quer sentir-se "comprado". Para alimentar o filho - Fidelito, nascido a 1 de setembro de 1949 -, Mirta pede dinheiro aos amigos. Aos poucos, Fidel torna-se agressivo, mesquinho e quase tirânico. O seu espírito de missão tudo transcende. Vive unicamente para o povo cubano. Foi alvo de um chamamento.
Em setembro de 1950, ele conclui o curso, mas não consegue uma bolsa de estudo para ir para os Estados Unidos e preparar a revolução "nas entranhas do monstro". Abre um escritório na capital, no n.º 57 da Rua Tejadillo, e põe-se à prova. Após ser preso durante uma manifestação estudantil, assume a sua defesa. Pede uma toga emprestada e, na sala de audiências, organiza uma coleta para pagar a caução. É absolvido.

Do "Granma" à "sierra"
A 11 de março de 1952, após liderar o assalto ao campo militar de Columbia, centro de operações do exército, o general Fulgencio Batista autoproclama-se Presidente de Cuba. Conhecidas as suas inclinações pró-americanas, chamam-lhe "Mister Yes". Este "status quo" fortalece o projeto de luta armada de Fidel, que cria uma organização militar - "Movimento" - que visa a ação direta, "la guerrilla". Rigoroso na seleção dos seus seguidores, apenas aceita quem esteja disposto a morrer pela revolução e aceite uma vida de austeridade. Fidel é o chefe incontestado deste exército secreto, instruído no manejamento das armas nas caves da Universidade de Havana.

O "Movimento" sai da clandestinidade a 27 de janeiro de 1953. Por ocasião do centenário de José Marti, 500 homens munidos de tochas integram-se no cortejo oficial. Faltava passar à ação. Fidel concebe então a captura de um centro nevrálgico para iniciar a libertação do país. A 26 de julho, lidera o desastroso assalto ao quartel de Moncada, em Santiago, que se salda na morte de 64 dos 123 membros do comando. Fidel escapa para a "sierra", mas acaba por ser preso. Na prisão de Boniato, recompõe-se das emoções. Divorcia-se de Mirta, dedica-se à leitura e prepara a defesa. "A história absolver-me-á" é o título da sua alegação.
Condenado a quinze anos de prisão, beneficia de uma amnistia presidencial. Refugia-se no México, onde reagrupa os efetivos, junta fundos recolhidos nas comunidades cubanas exiladas nos Estados Unidos e contacta com o revolucionário argentino Ernesto Che Guevara. É informado da morte do pai, que não via há anos, e fica a saber que Naty Revuelta, uma ex-amante oriunda da burguesia cubana, dera à luz uma menina, Alina. Fidel encarrega a mãe de verificar se a bebé tem traços dos Castro.
A 25 de novembro de 1956, Fidel, o irmão Raúl, Che e 79 seguidores partem de Tuxpan a bordo do "Granam", um barco de recreio de 14 metros e dois motores a diesel, para iniciarem a revolução. Na véspera, Fidel redige o testamento. A 2 de dezembro, às 4.20h da madrugada, 82 homens extenuados e angustiados, devido às violentas tempestades e à perseguição das tropas governamentais, desembarcam na Playa Colorada.
"Ganhámos! Como José Martí recuperámos a nossa terra! O tirano Batista tem os dias contados!", declara Fidel. Os seus seguidores olham-no como a um profeta. No refúgio escarpado da "sierra" Maestra, ele organiza o que resta da sua força: 16 rebeldes sobrevivem à perseguição do exército e aos raides aéreos ordenados por Fulgencio Batista. Mas em Havana, o Presidente comete um erro: anuncia a morte de Fidel. A United Press difunde a notícia pelo mundo inteiro e Fidel sente que estão criadas as condições para, um dia, tal qual uma lenda, ele ressuscitar.

Um barbudo na América
A causa de Castro desperta atenções nos Estados Unidos após Herbert Matthews, um famoso articulista do "The New York Times", subir à "sierra" para entrevistar Fidel. No acampamento, a conversa é constantemente interrompida pelos rebeldes que comunicam as últimas a Fidel. Tudo não passa de uma encenação para convencer o jornalista que o exército é numeroso e está bem organizado. Na primeira página do maior jornal norte-americano, Fidel surge como um revolucionário romântico e encantador que personifica as maiores esperanças do povo cubano. Cai nas graças dos norte-americanos e, contrariamente ao que Batista quer fazer constar, a CIA não o considera comunista, antes vê nele um potencial parceiro na luta contra o perigo vermelho.

Em maio de 1958, o Presidente cubano lança uma ofensiva para acabar com os grupos antigovernamentais. Colocado entre a espada e a parede, Fidel transcende-se. Beneficiando de deserções em massa nas forças de Batista, o exército de Fidel vai acumulando vitórias e conquistando cidade após cidade. A 31 de dezembro, o chefe de Estado foge para a República Dominicana. A 8 de janeiro de 1959, Fidel entra vitorioso em Havana e assume o posto de Supremo Comandante das Forças Armadas. A 13 de fevereiro, toma as rédeas do governo revolucionário.
A convite do Press Club, Fidel faz uma visita de charme aos Estados Unidos. À frente de uma "comitiva de barbudos", responde com humor às perguntas incómodas, come hamburgueres e cachorros quentes e repete que não é comunista. Para atrair a atenção dos media, hospeda-se num hotel de baixa categoria, no bairro novaiorquino de Harlem. Por lá passam o Presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, o primeiro-ministro indiano Jawaharial Nehru e o activista negro Malcom X. O vice-Presidente Richard Nixon recebe-o, mas não o Presidente Dwight Eisenhower, que se desculpa com uma partida de golfe.
Regressado a Cuba, instala-se numa suíte no 23º andar do Hotel Hilton, o ponto mais alto da capital. Institui um "governo de veludo" para acalmar o povo, profundamente anticomunista, e adormecer o vizinho americano, que de pronto reconhece as novas autoridades. A nova Constituição estabelece a pena de morte e o confisco dos bens de quem serviu o regime de Batista. Cuba está transformada num tribunal popular e Fidel num carrasco. Ele é o mentor deste simulacro de justiça que visa salvar a alma dos concidadãos pela "purificação", pelo pelotão de fuzilamento, "el paredón". Com base na "convicção moral" dos vencedores, centenas de cubanos são executados, a maioria sem julgamento.

Um pivô da Guerra Fria
A 8 de maio de 1960, Cuba e a União Soviética reatam as relações diplomáticas e Fidel e Nikita Krutchev assinam pactos militares e económicos bilaterais. Os Estados Unidos não ficam indiferentes e suspendem a ajuda financeira; Cuba confisca as refinarias americanas que se recusam a refinar petróleo soviético; Washington reduz a quota de importação açucareira; Havana responde com nacionalizações. De permeio, Fidel abole a figura do Pai Natal, substituindo-o por um personagem barbudo, de uniforme verde-azeitona, chamado "D. Feliciano".

A animosidade entre Estados Unidos e Cuba atinge o pico a 3 de Janeiro de 1961 com o corte de relações diplomáticas. Na lógica da Guerra Fria, Cuba figura na área de influência da URSS. Começa então a era das conspirações e das tentativas de assassinato a Fidel Castro. Só à CIA, atribui-se 634 operações para liquidá-lo. "Se sobreviver a tentativas de assassinato fosse uma modalidade olímpica, eu teria ganho a medalha de ouro", disse ele.
A 17 de abril de 1961, cerca de 1400 exilados cubanos treinados pela CIA desembarcam na Baía dos Porcos. Há três meses na Casa Branca, John Fitzgerald Kennedy recua no prometido apoio aéreo à invasão, que resulta num rotundo fracasso. Num discurso a 2 de dezembro, Fidel Castro afirma-se marxista-leninista e anuncia que Cuba adotou o comunismo. A natureza marxista da revolução leva à rutura entre Fidel e Che Guevara, partidário das conceções maoistas. Paralelamente, dececiona muitos "comandantes barbudos" que denunciam o que consideram ser o embrião de um regime ditatorial, desviado dos propósitos nacionalistas e democráticos dos tempos da "sierra" Maestra.
Milhares de pessoas são acusadas de delitos contrarrevolucionários e executadas. Os prisioneiros políticos, as vagas de refugiados e as expulsões forçadas aumentam vertiginosamente. A economia cubana está na penúria. Antes da revolução, 80% das importações vinham dos Estados Unidos. Ao cortar esse "cordão umbilical", Fidel vira-se para os soviéticos e fica chocado com o atraso das técnicas dos novos aliados em relação às americanas, em pelo menos 20 anos. A 12 de março de 1962, Fidel institui uma caderneta de racionamento para cada cubano, que chega a prever rações na ordem dos cinco ovos e um oitavo de libra de manteiga ao mês. O mercado negro salva o povo da fome.
Em outubro de 1962, fotografias tiradas por um avião de reconhecimento U2 confirmam a existência de mísseis nucleares soviéticos na ilha, ameaçando 80% do território norte-americano. JFK decreta um bloqueio naval a Cuba. Na mira da marinha dos EUA, a frota da URSS inverte a marcha e Krutchev retira os mísseis. Durante 13 dias, a "crise dos mísseis" coloca o mundo à beira de uma guerra atómica. Nas ruas de Havana, milhares de cubanos gritam: "Nikita mariquita, lo que se da no se quita".

Fé cega no socialismo
Para Fidel, a rutura com o Kremlin não se coloca. "Não cometeremos duas vezes o mesmo erro e não romperemos com os soviéticos depois de termos rompido com os EUA", diz. Pelo contrário, "El Comandante" converte-se no mais eloquente advogado da URSS no Terceiro Mundo. África torna-se a nova "sierra" Maestra e só Angola, ao longo de anos, recebe milhares de civis e técnicos cubanos.

Mas eis que no Kremlin instala-se Mikhail Gorbatchov, o "coveiro do comunismo". Num discurso proferido a 26 de julho de 1988, Fidel refuta a "Perestroika", qualificando-a de "perigosa" e "oposta aos princípios do socialismo". Após a retirada militar soviética e a queda do Muro de Berlim, a crise instala-se na ilha: 85% dos seus mercados tinham desaparecido assim como subsídios e benesses comerciais; os sistemas educativos e sanitários, quase universais, gratuitos e de alto nível técnico, e toda uma série de indicadores sociais foram seriamente afetados. Em janeiro de 1989, ao assinalar o 30º aniversário da revolução, Fidel Castro reafirmaria a sua rigidez doutrinal: "Socialismo ou morte!"
Os apertos económicos obrigam-no, porém, a cedências: a formação de "joint ventures", a privatização de empresas e bancos e a despenalização da compra de dólares. Para Fidel, para quem qualquer reforma de mercado é uma espécie de rendição, tratava-se de "medidas dolorosas para aperfeiçoar o regime". Nas cimeiras internacionais, ele troca o uniforme militar verde-azeitona pelo fato e gravata e concentra ainda mais as atenções. Mas em Cuba, os seus longos discursos - chegou a figurar no Livro Guiness dos Recordes com uma alocução de 4.29 horas, a 26 de setembro de 1960, na Assembleia Geral da ONU - soam cada vez mais anacrónicos. Os cubanos já não o ouvem, apenas lhe obedecem.
Ainda que pouco frequentadas, as igrejas são colocadas sob vigilância. Fidel teme que os cubanos se inspirem no movimento Solidariedade que agita a Polónia para o desafiar. Persegue os homossexuais, abre "sidatórios" para doentes com sida, um vírus vindo do estrangeiro, diz-se, e investe sobre o mercado negro. À repressão sobre as "porcarias" da abordagem capitalista chama "Retificação dos Erros", uma política que remete Cuba para a idade das cavernas. Neutraliza os dissidentes políticos e queixa-se das organizações dos Direitos Humanos que consideram os cubanos escravos. "O escravo sou eu!", diz Fidel. "Sou o escravo do meu povo. Dedico-lhes dias e noites há já quase cinquenta anos."

A queda final
Em finais de 1989, Fidel Castro toma consciência de que não é eterno. O stresse provoca-lhe hipertensão, que conduz a crises frequentes. É obrigado a deixar de fumar o famoso charuto Cohiba, o "Lanzero", e a seguir um rigoroso regime alimentar. Transgride-o pontualmente para degustar um pouco de queijo "roquefort", que adora. No maior dos segredos, é operado a um tumor no cólon, no hospital da Universidade do Cairo.

Cansados dos delírios de Fidel, cada vez mais cubanos praticam atos de rebeldia. Jovens inoculam o vírus da sida para se tornarem indesejados e serem expulsos do país; outros tentam atingir a costa da Florida agarrados a câmaras-de-ar roubadas a camiões e entregues às incertezas do mar das Caraíbas, infestado de tubarões. A polícia cubana fecha os olhos aos "balseros". São menos bocas que o Estado terá de alimentar.
Fidel reconhece que Cuba está diferente e dá mostras de realismo em relação ao que se passa no mundo. Excomungado pelo Vaticano desde 1962, ele abre as portas de Cuba a um dos responsáveis pela desagregação do bloco socialista, na Europa de Leste, o Papa João Paulo II, em janeiro de 1998. Durante os cinco dias da visita, Fidel acompanha-o em várias aparições públicas, designadamente durante a missa na Praça da Revolução, em Havana.
"Fidel foi o Presidente que mais atenção deu ao Papa João Paulo II", escreveria o cardeal Tarcisio Bertone, no seu livro "Un cuore grande, Omaggio a Giovanni Paolo II". "Fidel mostrou afeto pelo Papa, que já estava doente, e João Paulo II confidenciou-me que, possivelmente, nenhum chefe de Estado tinha preparado tão profundamente a visita de um Pontífice." Fidel tinha lido as encíclicas, os principais discursos de João Paulo II e até alguns de seus poemas. Em dezembro desse ano, Fidel aboliu a proibição da celebração do Natal, que durava há quase 30 anos.
A 20 de outubro de 2004, a aparatosa queda desamparada de Fidel Castro, após uma cerimónia de formatura estudantil, em Santa Clara, parece ser o início do capítulo final de 'El Comandante'. Fidel recupera das fraturas no braço e no joelho, mas não mais a doença deixa de o importunar. A 31 de julho de 2006, na sequência de uma intervenção cirúrgica ao intestino, Fidel Castro transfere os seus poderes para o seu irmão mais novo, Raúl, seu Vice-Presidente. Fidel conserva o título de Presidente de Cuba até 24 de fevereiro de 2008, quando a Assembleia Nacional elege Raúl Castro para a presidência do país. "Trairia a minha consciência assumir uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total, que eu não estou em condições físicas de oferecer", escreveu Fidel numa carta aos cubanos.
Fidel resguarda-se em casa, sendo, a espaços, fotografado em fato de treino na companhia de governantes e personalidades estrangeiras, dos quais o Presidente da Venezuela Hugo Chávez foi a visita mais frequente. Fidel escreve uma coluna no Granma ("Reflexões") e dá entrevistas ocasionais, onde aproveita para fazer "meã culpa". Em setembro de 2010, afirmou: "O modelo cubano já não funciona nem para nós." "Sou o responsável pela perseguição aos homossexuais que houve em Cuba".
O sigilo à volta da sua doença - diverticulite (provocada pela falta de fibras na dieta alimentar) - dispara a especulação à volta do seu estado de saúde. A morte de Fidel é antecipada várias vezes. Hoje, confirmou-se. "O tempo passa e os homens da maratona cansam-se", disse um dia "El Comandante". "A corrida foi longa, muito longa!"

 

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«David Ribeiro» >> Nunca fui a Cuba, nem antes nem depois de Fidel, mas por inerência das funções que desempenhei em Luanda no Ministério dos Petróleos nos anos 1985 e 86, criei uma “alergia” a todos os cubanos que por lá conheci, fossem eles civis ao serviço do Governo de José Eduardo dos Santos, quer militares a defenderam os costados dos soldados do MPLA. A arrogância com que tratavam os portugueses que por lá comiam o pão que o diabo amassou – És português?... Ainda estás por cá?... – e mesmo admitindo que uma meia dúzia de árvores não faz a floresta, a verdade é que não fiquei a gostar daquela gente.

«Rui Moreira» >> Fidel Castro: Sim, libertou Cuba de uma ditadura. Depois, apressou-se a construir outra. Sim, Com ele havia mais saúde e educação que em todo o Caribe, mas não havia liberdade. Sim, com ele acabou muita da corrupção, mas ficou a prostituição que o seu regime sempre protegeu até chegar Raul Castro. Sim, o embargo causou muitos danos à sua economia, mas foi ele quem nunca permitiu que o mercado funcionasse. Sim, os Estados Unidos tentaram matá-lo, invadiram a ilha, fizeram muita maldade. Isso não explica que tenha eliminado milhares de oponentes políticos. Fidel Castro é um herói e um monstro. Tudo isso pela utopia que cedo o subjugou. A utopia é a mais perigosa das ameaças.



Publicado por Tovi às 11:20
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016
Morreu Miguel Veiga

Requiescat In Pace

Miguel Veiga morreu em 14Nov2016.jpg

Morreu ontem de manhã Miguel Luís Kolback da Veiga, um dos fundadores em Maio de 1974 do Partido Popular Democrático (PPD), um grande Senhor, um ilustre Portuense, um grande Homem do Norte… um grande PORTUGUÊS.

Há uns cinco anos disse Miguel Veiga numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro a propósito de um convite para ser ministro: “Não me apetecendo, não tendo o desejo, perdendo a minha autonomia, a minha liberdade, que é o factor para o qual tenho vivido toda a minha vida, e que me assegura a boa disposição ou o meu gosto de viver, pensei que me ia meter num buraco.”

 

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«Pedro Baptista» >> Chegou a sua hora! Seu pai e meu avô, vizinhos em Nevogilde, foram amigos. Foi colega de Primária e, pelo que me disse, amigo muito dilecto de meu falecido primo Armando Rui Rocha de Sousa. Quanto a mim, convivemos nos últimos anos... Não foram muitos, mas o convívio quando ocorria era intenso e profícuo... Pelo menos no que me diz respeito desenvolveu-se uma amizade. Apreciando os meus trabalhos em torno do pensamento português contemporâneo, entregou-me muita documentação sobre o seu tio Pedro Veiga, Petrus, nomeadamente o dossier da "Renovação Democrática" que este fundou com António Alvim, Álvaro Ribeiro e Eduardo Salgueiro por 1931 e de que foi o seu mais persistente e prolongado militante. Também o dossier da correspondência do Pedro Veiga com o filósofo Amorim de Carvalho, que entreguei a seu filho Júlio Amorim de Carvalho. Ofereceu-me as primeiras edições de quase toda a obra do tio, incluindo o estudo (em 4 ou 6 volumes) sobre Proudhon, obras raras. Ficou de me escrever a História (picaresca e pitoresca) da fundação do PPD, mas a sua bonomia era tal que, foi adiando, no caso eternamente, penso que com receio de poder ferir suscetibilidades ou ser menos simpático para com alguém. Na sua sala biblioteca, em Nevogilde, onde passámos numerosas tardes solarengas, ostentava de forma destacada um original do Manifesto de 9 de Junho de 1932, dos liberais que desembarcaram em Pampolide, Matosinhos, para fundarem o Portugal moderno. Com ele já bastante debilitado e limitado, ainda estivemos juntos, este princípio de verão, na Esplanada do Molhe de que sempre tanto gostámos. Foi uma tarde animadíssima e desta vez fui eu a pagar o lanche. Disse-me: - Bem, quando quiser lanchar já sei com quem hei de ir ter! Pois é, Miguel, infelizmente por aí não fico eu pobre. Um abraço caloroso e solidário à Belicha, sua mulher.

«Gonçalo Graça Moura» >> Nunca escreveu poemas, mas tem a arte de transformar os seus textos "em verdadeiros animais de companhia". Nasceu, cresceu e vive no meio de livros e centenas de pinturas que povoam as paredes da sua ampla casa, na Foz. É advogado, ajudou a fundar o PSD, e, garante, sempre esteve "bem com a vida. Há dias completou 75 anos: cinco amigos, "à revelia", fizeram esboços para um retrato do homem que, desde menino, diz andar com um poema no bolso. Os cinco esboços para um retrato de Miguel Veiga, reunidos, ganharam a forma de livro. Aliás, era a essa a intenção de José da Cruz Santos, o editor, quando convidou Artur Santos Silva, Luís Neiva Santos, Luís Valente de Oliveira, Mário Cláudio, Vasco Graça Moura e Álvaro Siza Vieira. Os quatro primeiros autores, através da palavra, esboçam o perfil do multifacetado Veiga "advogado", "amigo", "escritor, "político" e "portuense". Siza, com o seu traço inconfundível, faz o retrato. Há ainda, a abrir os depoimentos, um belíssimo poema de Marta Cristina de Araújo. A obra, como o próprio revela no prefácio, nasce à "revelia" do retratado. E ele gostou dos atributos com que foi enfeitado. "Graças a eles pude reconciliar-me comigo próprio, neste fim de tarde da minha vida, rente ao mar da foz." Miguel Veiga nasceu no Porto em 1936. E poucas pessoas, diz Vasco Graça Moura, terão sabido como ele falar da sua cidade. Sabe "captar-lhe a dimensão burguesa e popular, a altiva tradição cívica e a pungente humanidade, a luminosidade da paisagem, entre o granito, rio e mar". A Vasco Graça Moura cabia-lhe falar do Miguel Veiga portuense, mas não esqueceria o escritor e o advogado, que habitam a mesma personagem. "Nos idos de 1960, o Miguel Veiga era um jovem e fogoso advogado, com alta qualificação académica, fortíssima preparação técnica e uma combatividade fora do vulgar", lembra o escritor, também portuense e "fozeiro de gema". Entre a barra de tribunal e, às vezes, a política, Veiga teve ainda tempo para a escrita . Não em papel selado, isso fazia-o todos os dias: a outra escrita, que o fascinava desde a infância. "A alegria da escrita", como diz Vasco Graça Moura, que havia de partilhar nos ensaios, na intervenção política e na crítica cultural. Em todos os cinco esboços para um retrato de Miguel Veiga, a faceta do homem de cultura é valorizada. Leitor atento, coleccionador "quase infalível" nas aquisições, o que não o impediu de "ajudar muitos artistas em dificuldades, sobretudo os mais novos". Graça Moura lembra ainda a relação curiosa que o advogado mantém com os artistas. "Ouvi o Veiga garantir com toda a seriedade que tinha mandado instalar na banheira uma 'menina' do João Cutileiro, porque era uma maneira de tomar banho com ela todos os dias...". Na casa de campo em Loivo, no Minho, não terá a "menina" na banheira, mas o advogado levou para um canto do jardim uma "Anja", do mestre José Rodrigues. "A vida tem-me tratado bem desde o berço, a meninice e por aí fora, nesta minha sorridente, mais repousada e confortavelmente instalada veterania de três vezes vinte cinco anos." (DN, 27.08.2011)



Publicado por Tovi às 07:44
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2016
Morreu Sampaio Pimentel

Requiescat In Pace

Sampaio Pimentel morreu a 1Nov2016.jpgO vereador da Câmara Municipal do Porto Manuel Sampaio Pimentel morreu hoje de manhã, aos 46 anos, confirmou à Lusa fonte da família. Nascido no Porto, na freguesia da Sé, militante do CDS/PP e formado em Direito, Sampaio Pimentel foi, em 2013, o número dois da lista do actual presidente da autarquia, Rui Moreira (independente). Assumiu o pelouro da Fiscalização e Protecção Civil até Julho, altura em que pediu a suspensão do mandato por razões de saúde. Sampaio Pimentel já tinha ocupado o mesmo cargo na Câmara do Porto durante sete anos, com Rui Rio na presidência: foi eleito em 2005, no segundo mandato do social-democrata (o primeiro com maioria absoluta, o segundo em coligação com o CDS/PP) e deixou a autarquia em 2012, após ter sido nomeado Director de Segurança Social do Centro Distrital do Porto. Manteve-se em funções na Segurança Social até voltar à autarquia, no fim de 2013, na sequência da vitória da lista independente de Moreira nas eleições de Setembro. Em Agosto desse ano, Rui Moreira disse que Sampaio Pimentel era “uma escolha individual” e uma “garantia” relativamente ao primeiro pilar da candidatura, a coesão social. Licenciado em Direito pela Universidade Católica, Pimentel fez duas pós-graduações, em Fiscalidade e em Ciências Jurídico-Empresariais. Em 1997, Sampaio Pimentel foi director de campanha de Carlos Azeredo, o general que a coligação PSD/CDS escolheu para defrontar o socialista Fernando Gomes, que acabaria eleito para o terceiro mandato na Câmara do Porto. Com Rui Rio, Pimentel foi eleito duas vezes, em 2005 e 2009. Assumiu a tutela da Protecção Civil, dos Recursos Humanos e das Actividades Económicas, e foi um dos responsáveis políticos pelo processo de reabilitação do Mercado do Bom Sucesso, situado na zona da Boavista. Quando saiu da Câmara, em 2012, Pimentel destacou a missão de “dar nova vida” ao Bom Sucesso e aquilo que designou como “o último grande desafio” que lhe foi lançado por Rui Rio: criar de raiz uma estrutura municipal que congregasse a fiscalização municipal. “E é assim que surge, o Departamento Municipal de Fiscalização, com duas divisões: uma direccionada para a fiscalização geral - que trata da afixação de publicidade comercial e propaganda política na via pública, mas não só - e outra, cujo objectivo é fiscalizar as obras particulares”, descreveu, num comunicado de “despedida” da autarquia. “É, hoje, mais um serviço camarário respeitado e a chegar à velocidade de cruzeiro, sabendo todos nós que muito há a fazer, com a vantagem de hoje sabermos por onde ir”, acrescentou. Quanto à área dos Recursos Humanos, Pimentel assinalou a instalação do sistema biométrico de controlo da assiduidade, a redução do efectivo de 3.300 para 2.800 funcionários municipais e a redução de horas extraordinárias que, em cerca de quatro anos, baixou de “cerca de mais de 3,3 milhões de euros para 800 mil euros”.

 

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«David Ribeiro» >> No dia em que Manuel Sampaio Pimentel nos deixou recordo os “comentários” ignóbeis de alguns cidadãos da Cidade Invicta que diziam ser a sua saída do executivo camarário do Porto um pronúncio da morte do movimento «Rui Moreira – Porto, o nosso partido», recusando que se tivesse afastado por motivos de doença. Há gente que não merece ser chamado PORTUENSE.

«João Greno Brògueira» >> Integralmente de acordo contigo. Ele há homens que não se medem pelas cores políticas mas sim pela paixão e honradez com que desempenham os seus cargos. DEP



Publicado por Tovi às 12:50
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