"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021
Morreu Jorge Sampaio

Requiescat in Pace

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Jorge Sampaio estava de férias com a família no Algarve quando dificuldades respiratórias o levaram a ser internado no hospital de Portimão. Posteriormente, seria transportado, de helicóptero, para o Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde era habitualmente acompanhado. Foi Presidente da República de 1996 a 2006. Antes esteve quase seis anos à frente da Câmara Municipal de Lisboa e três como líder do PS, tendo perdido as legislativas de 2001 para Cavaco Silva. Licenciado em Direito, nasceu em Lisboa a 18 de setembro de 1939.

 

   Rui Moreira, na sua página do Facebook
É com profundo pesar que lamento o falecimento do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio. Recordá-lo-ei como um homem bom, um humanista, que representou o País colocando o sentido de Estado e de serviço público sempre em primeiro lugar. Recordo, com saudade, a afabilidade, o seu humor fino, a sua cultura, o seu sentido estético. As suas aflições quando se deparava com os problemas da nossa sociedade e do nosso mundo.
Endereço, por isso, as mais sentidas condolências aos seus familiares, a todos os seus amigos e ao Partido Socialista.
As nossas acções de campanha foram canceladas.


   Rodrigues Pereira, na sua página do Facebook
Um adeus de longe
Partiu discreto, como foi seu apanágio de vida.
Gostava muito de Jorge Sampaio. Era um homem de convicções, mas também de emoções. De lágrimas sentidas, sem se importar com uma eventual fragilidade que as mesmas pudessem significar. Estive, com muito gosto, nas suas duas campanhas para as Presidenciais. Foram dias de loucos, em constantes correrias. Sobretudo para um homem com problemas de saúde, como ele.
Encontrei-o, também, em Bangkok, onde foi, de propósito, assistir ao Congresso Mundial de SIDA. Juntamente com Nelson Mandela, Bill Clinton, Bill Gates e outras diversas personalidades mundiais. Que queria aprender, que queria trocar impressões de viva voz com quem vivia o dia-a-dia do problema. Esta procura, esta curiosidade constante, valeram-lhe depois a nomeação para altos cargos nas Nações Unidas, no âmbito do combate à Malária e à SIDA.
Eram um homem com um fino sentido de humor (educação britânica, já se vê) , mas com uma preocupação com o próximo como poucas pessoas conheci.
Vem a propósito um telefonema que recebi em Dezembro de 2004, estava eu a dormir sossegado no Sheraton em Lisboa. às duas da manhã. Acordei estremunhado e do outro lado da linha aparece-me o recepcionista encavacado, a pedir muita desculpa por me ter acordado, mas que achava que o devia fazer, porque tinha o Presidente da República ao telefone. Era Sampaio a dizer-me que, com muita pena, provavelmente não poderia comparecer no dia seguinte à inauguração da nova sede da Abraço, da qual eu era, à altura, presidente da direcção. Perguntei-lhe se estava tudo bem com ele e respondeu-me, em tom de confidência : "Comigo está tudo óptimo, mas amanhã vou ter que largar a «bomba atómica». É que este estado de coisas já não se aguenta". Desejei-lhe sorte e preparei-me para ter uma inauguração mais modesta, no dia seguinte. Uma hora antes do horário previsto , começam a chegar televisões às nossas novas instalações. Mas para além dos três canais nacionais, estavam também a CNN, a BBC, a TF1 , etc., etc, . Depois chega o corpo de intervenção da PSP, que desata a colocar baias pelo caminho que o Presidente seguiria. E ele veio. E, com um piscar de olho e um sorriso matreiro, confidenciou-me : "Como ainda não prestei declarações à comunicação social, achei que talvez fosse bom para a divulgação da Abraço vir até cá ..." Se foi !
Vou ter saudades, Presidente Sampaio !
Um grande beijo à Vera e um enorme abraço ao André.
Até sempre ...

 

   Declaração de Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa proferiu uma declaração, no Palácio de Belém, a propósito da morte do Presidente Jorge Sampaio.
Portugueses,
Acabei de exprimir à família do Presidente Jorge Sampaio, em dor, o pesar de todos vós.
Lutando, mas serenamente, nos deixou hoje o Presidente Jorge Sampaio.
Lutando serenamente. Como sereno foi o seu testemunho de vida, ao serviço da liberdade e da igualdade.
Sereno na sua luminosa inteligência.
Sereno na sua profunda sensibilidade.
Sereno na sua paciente, mas porfiada coragem.
Jorge Sampaio nasceu e formou-se para ser um lutador e a causa da sua luta foi uma: a liberdade na igualdade.
Na carismática afirmação, no movimento estudantil do início dos anos 60.
Na defesa, em tribunais plenários, dos presos políticos durante a ditadura.
Na representação externa da democracia nascente.
Na construção de pontes, década após década, entre formações diversas, no seu hemisfério político e para além dele.
Na adesão ao Partido Socialista, de que viria a ser deputado, líder parlamentar e líder nacional.
Na formação da primeira e mais vasta coligação pré-eleitoral de esquerda da nossa História democrática.
Na Presidência da Câmara Municipal de Lisboa, após uma rara campanha de ideias, com visão estratégica, prioridade aos mais pobres e excluídos, preocupação com as pessoas, os seus sonhos, os seus dramas, a sua realidade.
Na devotada e prestigiante Presidência de Portugal.
Lançando a Cimeira de Arraiolos, com todos os Chefes de Estado europeus eleitos não presidencialistas.
Criando a COTEC, com empresários portugueses, espanhóis e italianos, pela inovação e responsabilidade social.
Recriando as Presidências abertas do seu antecessor, com a constante presença de Maria José Ritta.
Podendo ter-se resignado ao caminho mais fácil do jurista respeitado, da quietude da sua origem social, do natural ascendente da sua cultura, do seu pensamento, da sua oratória, escolheu o caminho mais ingrato, da solidariedade para com os que mais sofriam, do convívio com o concreto, da privação da sua saúde, frágil, em exaustivos e desgastantes labores.
Ninguém esquecerá momentos únicos dessa entrega.
As intervenções decisivas desse furacão ruivo na Alameda da Universidade de Lisboa, em 1962.
A madrugada da libertação dos detidos em Caxias, após o 25 de Abril.
A conversa com Álvaro Cunhal, antes da segunda volta da eleição de Mário Soares, em 1986.
A travessia, em noites de vendaval, dos bairros de lata da capital, que, com o Governo de então, conseguiu extinguir.
Os meses sem dormir, passados, nesta casa, em Belém, por causa de Timor-Leste.
A oposição à intervenção no Iraque.
A dedicação à saúde pública global – herança do magistério paterno – e ao diálogo entre religiões, culturas e civilizações.
O exemplar acolhimento dos refugiados sírios, fugidos das tragédias das guerras.
E, sempre, as lágrimas genuínas do homem bom, porque era um homem bom, na partilha da alegria tal como da dor alheias.
Jorge Sampaio deixou-nos hoje com um duplo legado.
Duplo – porque feito de liberdade, mas também de igualdade.
Duplo – porque feito de inteligência, mas também de sensibilidade. Porque provou que se pode nascer privilegiado e converter a vida na batalha pelos não privilegiados.
Sempre lutando, mas com serenidade. Aquela serenidade que une a força das convicções ao respeito por cada um e por todos os demais. De bem com todos e todos de bem com ele.
A corajosa serenidade de um grande Senhor da nossa Democracia, de um grande Senhor da nossa Pátria comum.

 

  Provavelmente o último ato político de Jorge Sampaio
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   Ver aqui notícia de 25ago2021



Publicado por Tovi às 09:10
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2021
Morreu o General Carlos Azeredo

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Requiescat in Pace

Morreu o General Carlos Azeredo, o militar de Abril que intercalava a dura luta política com o passeio do seu dálmata.
A cerimónia fúnebre do General Carlos Azeredo terá lugar hoje (20 de agosto) com Missa de Corpo Presente, às 13h na Igreja de Cristo Rei, no Porto, seguindo depois para o Cemitério de Santa Cruz em Lamego, onde pelas 16h se farão Honras Militares.
 

General de Cavalaria, oriundo da Nobreza de Entre Douro e Minho, Monárquico, participou ativamente no 25 de Abril de 1974. A 20 de fevereiro de 1975 foi o 96.º e último Governador Civil do Distrito Autónomo do Funchal. Foi Comandante da Região Militar do Norte e Chefe da Casa Militar do Presidente Mário Soares. Foi candidato à Presidência da Câmara Municipal do Porto nas eleições autárquicas de 1997 à frente de uma coligação entre o PSD e o CDS-PP, tendo sido derrotado por Fernando Gomes. Condecorado com a Medalha Militar de Ouro de Serviços Distintos com Palma e com a Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra. A 10 de junho de 1991 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis e a 13 de fevereiro de 1996 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Editou um livro sobre a sua vida "Trabalhos e Dias de Um Soldado do Império". Publicou o livro "Invasão do Norte: 1809: a campanha do general Silveira contra o marechal Soult (Tribuna da História), 2004.

 

   No seu livro biográfico "Trabalhos e Dias de Um Soldado do Império" (Livraria Civilização Editora) falando-nos sobre os seus anos da terceira e quarta classes do ensino primário, na Foz do Douro, na Escola Particular da célebre D. Ângela, lembra-nos Carlos Azeredo um dos castigos mais temidos, que consistia em ficar encerrado por algum tempo numa despensa localizada no vão de umas escadas.
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Antero Braga - Um Senhor, um bom amigo, falava comigo com grande amizade. Desde que o conheci tenho por esta personalidade uma admiração enorme que guardo comigo. Descanse meu amigo.
Augusto Saldanha - David Ribeiro tive o prazer de o conhecer fui alfaiate dele apresatado pelo meu amigo e cliente António Sarmento Beires de Muitos contactos que tive com ele já mais esquecerei de quando queria ir ao baile do clube Portuense acompanhar neta para devotar e a farda não lhe servia, a última vez que a tinha vestido foi em Inglaterra acompanhar o dr Mário Soares sendo ele chefe da casa militar, lá teve que o Saldanha costureiro, depois de uma grande discussão resolver o problema na quela altura o baile ainda era de smokin mas os familiares faziam questão que ele fosse com a farda militar, e foi, um Homem que deixa saudades, que Deus o tenha em bom lugar.
Manuel Carvalho - Na invasão de Goa Damao e Dio, esteve seis meses de castigo, juntamente com os militares do seu comando. Salazar nunca aceitou a rendição dos militares Portugueses... Havia uma máxima do Salazar que era a seguinte: só reconheco Heróis vivos ou mortos. Os invasores é que tiveram de enviar os militares para Portugal!



Publicado por Tovi às 07:52
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Domingo, 25 de Julho de 2021
Morreu Otelo Saraiva de Carvalho

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Requiescat in Pace

Apesar de várias tomadas de posição no pós-25Abril difíceis de entender para muitos portugueses, não nos podemos esquecer que Otelo foi o responsável pela elaboração do plano global do golpe militar que pôs fim à ditadura do Estado Novo.

 

    Comentários no Facebook

José Maltez - Morreu Otelo. Ele foi Abril e um pedaço da ilusão do Império, filho de um alfacinha e de uma goesa, que tanto comandou o golpe que derrubou Marcello Caetano, como andou à procura de uma revolução proletária. Foi um pedaço do meu tempo e um português antigo. Quem o odiar, não nos compreende. Agradeço-lhe ter transformado em teatro político o que podia ter sido uma guerra civil. Matámo-nos menos.

João Baptista Vasconcelos Magalhaes - Morreu Otelo, mas ficará sempre como o símbolo do 25 de Abril. Quem o conheceu sabe que era um homem de ideais, mesmo quando foi polémico. A sua memória é a memória dos dias mais felizes da vida de quem conheceu uma noite de medo. Falar de Otelo tem de ser mergulhar no silêncio da memória do que ele nos trouxe de melhor, as suas utopias de um Portugal mais feliz e mais justo. Que esteja em paz!

Henrique Monteiro - Apesar de tudo, das prisões e mortes de que foi cúmplice, o 25 de Abril deve-lhe muito. Depois de saber que eu fora, com Rogério Rodrigues (melhor diria que foi ele com a minha colaboração) a denunciar que Otelo era o líder das FP25, nunca deixámos de falar. O mesmo se pode dizer de Vasco Lourenço, que no PREC não foi bem tratado por Otelo e puseram as divergências para trás. Como sempre, em Portugal, é tudo gente boa.

João Greno Brògueira - Apesar de todos os desvios, que entretanto a Democracia Portuguesa sofreu e de todos os que aproveitaram a oportunidade para assaltar o poder pós 25 de Abril... Obrigado Otelo Saraiva de Carvalho

David Ribeiro – Completamente de acordo, Brògueira… e é mesmo por isso que não posso esquecer que na madrugada de 25 de Abril de 1974 Otelo conduziu, juntamente com outros cinco oficiais, do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas no Regimento de Engenharia N.º 1 na Pontinha, as operações militares que derrubaram o decrépito Estado Novo. (Entre estes cinco oficiais encontrava-se o meu saudoso comandante do Batalhão de Engenharia N.º 3, o Tenente-coronel Fischer Lopes Pires)

João Geirinhas Rocha - Otelo. Assim, sem mais, uma personagem maior que o homem, luzes e sombras, utopias e delírios, bravatas e ingenuidades, coragem e fuga, muitas vidas para caber numa pessoa só. O Expresso revelou há anos que era bígamo, tinha e vivia tranquilamente com duas famílias. Não há melhor metáfora para resumir a figura.

 

Várias figuras nacionais reagiram à morte de Otelo Saraiva de Carvalho

  O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu à morte de Otelo Saraiva de Carvalho, lembrando o papel central de comando na revolução do 25 de Abril e apresentando as condolências à família. "É ainda cedo para a História o apreciar com a devida distância", escreveu na nota enviada.

  "Otelo Saraiva de Carvalho foi o coordenador operacional da ação militar do Movimento das Forças Armadas, que, no dia 25 de abril de 1974, derrubou o regime do Estado Novo, pondo fim à mais longa ditadura do século XX na Europa e abrindo caminho à democracia", referiu o Governo em comunicado.

  "Se este país fosse justo, deveria ter morrido na prisão". Foi assim que André Ventura, líder do Chega, reagiu à morte do Capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho.

  O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, homenageou hoje Otelo Saraiva de Carvalho, "o maior símbolo individual do Movimento das Forças Armadas", que concretizou o sonho de todos os que "ansiavam por viver em liberdade".

  A ativista política e médica Isabel do Carmo lamentou a morte de Otelo Saraiva de Carvalho, considerando que, com o desaparecimento do militar e estratego do 25 de Abril de 1974, "acaba também uma época e uma utopia". "Esta manhã [ao saber da notícia da morte] senti uma coisa, senti que acabou, que, com [a morte de] este homem, acaba também uma época, uma utopia. Senti isso, emocionalmente. Senti a perda, o desaparecimento. Já não vai ser possível falar com ele", afirmou Isabel do Carmo a agência Lusa. Para a antiga dirigente do extinto do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), movimento que exerceu atividade clandestina através das suas Brigadas Revolucionárias (no PRP-BR), Otelo é, juntamente com Vasco Lourenço, "o dirigente do 25 de abril [de 1974], do Movimento dos Capitães e do derrube da ditadura".

  O PCP registou este domingo o papel de Otelo Saraiva de Carvalho no 25 de Abril, considerando que o momento da sua morte "não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político". "Sobre o falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho deve registar-se no essencial o seu papel no levantamento militar do 25 de Abril. O momento do seu falecimento não é a ocasião para registar atitudes e posicionamentos que marcam o seu percurso político", refere uma nota do gabinete de imprensa do PCP. O Partido Comunista Português endereça ainda condolências à família e à Associação 25 de Abril.

  Tweet de Rui Rio - O dia da morte de Otelo Saraiva de Carvalho é momento para reconhecer o seu papel corajoso e decisivo no 25 de Abril e na conquista da liberdade. Competirá à História fazer, com isenção, a avaliação global de tudo que ele fez de bom e de mau. Hoje, não é o dia para isso.

  Declaração do ex-Presidente Ramalho Eanes - A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde. Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse. O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real. Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida. E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo. Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.



Publicado por Tovi às 10:44
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2021
Morreu Maria João Abreu
A história é feita por aqueles que nela participam.
Forte abraço, Óscar Branco.


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LEMBRAS-TE MARIA JOÃO?
1980 e picos…5 "cromos", empilhados num Fiat Tipo, partem de férias, rumo a Marrocos.
Alguém tinha convencido o José Raposo que o chá, em Tânger custava mais de 15 contos e o mais natural seria regressarmos tesos mas com meia dúzia de camelos por troca pelas 3 airosas chavalas que nos acompanhavam…
Acabadinhos de entrar em Espanha, a Maria João Abreu, arranca num pranto danado.
-Que se passa João?
Ela nada. Continua a chorar convulsivamente.
Fica um pesado silêncio e um só pensamento…férias estragadas.
Depois de "apertar" com ela, diz-me envergonhada:
-É a primeira vez que venho ao estrangeiro.
Gargalhada geral e lá vamos nós de "vacances". A partir daí foi sempre a descer.
O Zé chateava toda a gente, porque disparava fotografias a torto e a direito e obrigava-nos a ficar em pose, enquanto escrevia num papel o local, dia e hora.
A contabilidade ficou estragada, na fronteira, quando ele resolveu, tirar umas fotos aos soldados marroquinos que espancavam uma mulher, que teve a insensatez de lhes dar apenas uma meia dúzia de moedas para comprar o direito de passar o contrabando comprado em Ceuta.
Óbvio que rolo da máquina ficou na posse do Real Estado de Marrocos.
Depois de o Zé cair em desgraça, chegou a minha vez. A estrada panorâmica para Tânger, que o Guia Michelim me tinha recomendado, tinha desabado no inverno anterior e, pelo olhar acusatório, passei de insigne viajante a insigne-ficante.
Chegado a Tânger fui dormir para o Hotel e os outros vestiram os fatos de banho para ir até à praia.
O Zé regressa eufórico com um jogo de futebol, contra um grupo de marroquinos e marcou golo sobre golo.Pudera! Os tipos quando viram aqueles três biquinis, deixaram-no à solta para apalparem as distintas colegas.
Castigo dos céus, ele apanhou uma diarreia e ficou de "castigo" e explicava a tudo e todos, no seu melhor francês:
-Je "espichê"…
Em Fez, um tipo ameaçou-nos com a reconquista muçulmana mas, quando lhe falei da terrível retaliação com o bombardeamento de barris cheios de água do rio Leça, ele ficou preocupado e talvez isso explique o facto de não termos sofrido atentados.
Em todo o lado éramos recebidos em glória pelos putos. Mal viam uma matrícula de Portugal, a corriam atrás do carro aos gritos:
-Madjer! Carlos Cruz!
As férias lá foram correndo, apesar de uma avaria no carro, solucionada com recurso ao artesanato berbere, o ataque de pânico da João quando me penduraram uma cobra enorme à volta do pescoço e o pânico geral quando nos cruzamos com uma excursão das finanças de Gaia, na medina de Marraquexe.
Eram tempos estranhos aqueles. Sem telemóveis, os turistas, estavam condenados a olhar as coisas, falar com os nativos, sem direito a selfies e mensagens cheias de emojis.
Claro que tínhamos de ir aos "recuerdos".
Todos compramos umas coisinhas, excepto a João que não fez a coisa por menos e trouxe mais património marroquino que os franceses em séculos de colonialismo. Foi uma luta na alfândega para explicar aos funcionários que não éramos contrabandistas e ainda tinha ficado lá muito material para os próximos turistas.
A despedida foi épica. Como todos queriam ouvir música tradicional, desaguamos num bar de "meninas".
Tenho de confessar que brilhei naquela noite.
Ainda estavamos atentar perceber onde nos tínhamos metido, já o chefe da banda apontava para mim, dizendo para ali umas coisas de que não percebi nada (confesso que o meu árabe foi sempre um bocado fracote), sai do palco e pespega-me um beijo (sem língua) e arrasta-me para a pista.
Depois de uns passos de dança, passou-me de mão em mão por todos os homens presentes, que me davam um beijo e os respectivos passinhos, segurando-me as mãos.
As "meninas" de serviço, olhavam para mim com um olhar guloso, suspirando por um beijinho e uma dança com o "je", mas não ousavam aproximar-se, para mal dos meus pecados.
"Esparvoado" tentava perceber o que se passava, até que dou com os meus colegas de viagem, encostados ao balcão, a rirem escandalosamente. Só depois me explicaram que tinha sido confundido com o grande cantor romântico marroquino, uma espécie de Tony Carreira lá do sítio.
No dia seguinte, acordamos bem cedo, porque era o último dia de Agosto e sabia que milhares e de emigrantes estariam no porto para apanhar o ferry. Foram horas e horas de espera e só de madrugada atravessamos para Algeciras.
Regressamos a mata cavalos a Lisboa por questões profissionais.
Como era normal, mal se metia a chave na ignição, adormeciam todos e só eu e a João permanecíamos acordados, para nos revezarmos ao volante.
Cheio de sono, já a fazer curvas em plena recta, pedi-lhe para conduzir um bocadinho e zás! Adormeci em menos tempo do que demoro a dizer anticonstitucionalissimamente.
Acordo com um ruído estranho e fico espantado com o que vejo.
A Maria João esbofeteava-se violentamente, alternando com ferozes beliscões:
-Ó João, que se passa? Estás zangada com alguma coisa?
-Não tudo bem. É só para não adormecer.
Acabamos a dormir na berma, perto de Sevilha mas, mal acordou, toca a acelerar que estava ceia de saudades do puto Miguel. Na altura o Ricardo ainda estava em projecto e mesmo sem ainda ter nascido, já ela era doida por ele.
Ela "era" assim. Estóica; determinada; solidária; amiga; terna; mãe leoa…eu sei lá!
Até à vista João!

Escolhi esta foto do espetáculo "Estádio da Nação"- 2003, no Teatro Sá da Bandeira, assim brilhará no firmamento e todos saberão logo que é ela.
(13mai2021 - Óscar Branco, na sua página do Facebook)



Publicado por Tovi às 10:17
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2021
Morreu Nuno Ortigão

Requiescat in Pace

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Morreu Nuno Ortigão, Presidente da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

Foi decretado pelo Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, um dia de luto municipal, a respeitar amanhã, 29 de abril.

 

   Jorge Afonso Morgado, Diretor de Comunicação da Metro do Porto

O Nuno Ortigão dizia que tinha um único defeito, que era o de ser vaidoso. Por vezes, não tinha mesmo qualquer problema em reconhecer ser bastante vaidoso. A verdade é que tinha razões mais do que suficientes para o ser.
A verdade é que, no momento da sua partida e olhando para o legado que fica, o Nuno foi até humilde e contido na manifestação do seu orgulho.
O presidente de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde deixa uma bela obra no território das freguesias marítimas do Porto. Lembro-me do contentamento com que aceitou o convite do Rui Moreira e do Nuno Botelho para a missão de concorrer à presidência da União e da felicidade que todos tivemos com as suas expressivas vitórias. Com o Rui Moreira na Câmara, o Nuno tinha motivos para ser vaidoso pelo notável trabalho que produziu e de que a cidade se pode orgulhar.
Foi sempre homem de causas difíceis e de projetos desafiantes. Também por eles, era justo que fosse vaidoso. Esteve na transformação da imagem da Sonae, com Belmiro de Azevedo. Assumiu a modernização da STCP, nos mandatos de Carlos Brito, abrindo a empresa à cultura (no Museu do Carro Eléctrico) e rejuvenescendo uma marca centenária. Com Oliveira Marques, ajudou a construir o Metro do Porto, cujo posicionamento de qualidade e a reputação de excelência muito lhe devem. Esteve na comunicação da AIP, da Liga de Clubes e da Câmara da Maia, ao mesmo tempo que dava aulas no IPAM. Onde esteve, apresentou resultados e deixou admiração.
Tinha vaidade na família em que nasceu e na família que, por opção e amor, criou. Tinha vaidade nos amigos e, sobretudo, no sucesso dos amigos. Tinha uma dedicação intensa e serena que colocava nas causas a que se dedicava. Sem que o exibisse, foi um exemplo de educação e cavalheirismo. Sem perder a lucidez na análise, teve sempre uma atitude positiva perante os problemas, alguma esperança face à estupidez humana e uma imensa tolerância nas dificuldades.
A vaidade do Nuno nunca foi um defeito. Foi uma característica, bastante rara, de quem acredita no mérito e na obrigação de fazer as coisas bem feitas. Obrigado, Nuno.



Publicado por Tovi às 12:12
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2021
Morreu Jorge Coelho

Requiescat in Pace

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Homem de relações cordiais, sempre frontal, o histórico socialista não se escusava ao debate político com os seus adversários, mas sempre o fez no campo da elevação, reservado aos nobres de caráter.

 

    Expresso às 19h00 de 07abr2021
O antigo ministro Adjunto, da Administração Interna e também do Equipamento Social Jorge Coelho morreu esta quarta-feira aos 66 anos. Sofreu um ataque cardíaco quando estava numa casa que tinha na Figueira da Foz. A notícia foi avançada inicialmente pela SIC Notícias, onde foi um dos comentadores da “Quadratura do Círculo”.

    JN às 19h54 de 07abr2021
O ex-ministro socialista Jorge Coelho morreu esta quarta-feira, vítima de um AVC. Tinha 66 anos. De acordo com a PSP de Coimbra, Jorge Coelho teve um AVC quando visitava uma residência na zona turística da Figueira da Foz. De acordo com Jody Rato, comandante dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, "a senhora que estava com ele ligou para o 112 e quando a nossa equipa chegou ao local ele estava em paragem cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação mas não foi possível reverter a situação", adiantou o comandante à Lusa. 

 

    Há quem tenha memória curta...
Quando Jorge Coelho disse “quem se mete com o PS, leva!” referia-se a uma crítica do Bastonário da Ordem dos Advogados da época, António Pires de Lima, que acusou o governo socialista de interferir nos tribunais e na justiça.



Publicado por Tovi às 20:58
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2020
Morreu Eduardo Lourenço

Requiescat in Pace

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Nação pequena que foi maior do que os deuses em geral o permitem, Portugal precisa dessa espécie de delírio manso, desse sonho acordado que, às vezes, se assemelha ao dos videntes (Voyants no sentido de Rimbaud) e, outras, à pura inconsciência, para estar à altura de si mesmo. Poucos povos serão como o nosso tão intimamente quixotescos, quer dizer, tão indistintamente Quixote e Sancho. Quando se sonharam sonhos maiores do que nós, mesmo a parte de Sancho que nos enraíza na realidade está sempre pronta a tomar os moinhos por gigantes. A nossa última aventura quixotesca tirou-nos a venda dos olhos, e a nossa imagem é hoje mais serena e mais harmoniosa que noutras épocas de desvairo o pôde ser. Mas não nos muda os sonhos. (Eduardo Lourenço in "Nós e a Europa ou as duas razões" - 1988)



Publicado por Tovi às 11:56
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Sábado, 10 de Outubro de 2020
Requiescat in Pace

Maria Armanda da Silva Santos (1jul1926 - 10out2020)
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Domingo, 20 de Setembro de 2020
Nacional 3 – 3 Boavista

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As Panteras empataram ontem na visita ao Nacional (3-3) no jogo de início da Primeira Liga de Futebol 2020-21. O Boavista adiantou-se no marcador por intermédio de Sauer (19’), mas Riascos (28’) e João Victor (36’) viraram o resultado a favor do Nacional, tendo Mangas (45+2’) enviado tudo igual para os balneários. No segundo tempo, Sauer (61’) bisou e parecia ter dado o triunfo à equipa de Vasco Seabra, mas foi já nos descontos que João Camacho (90+2’) restabeleceu a igualdade final.

 

  Outros resultados da jornada

Famalicão 1 - 5 Benfica
Porto 3 - 1 Braga

 

    Requiescat in Pace
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Publicado por Tovi às 07:13
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
Morreu Pedro Baptista

Estou destroçado...

 

Requiescat in Pace
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   Breve biografia
 
Nascido a 20 de abril de 1948, tinha seis anos quando o pai o inscreveu como sócio do FC Porto e o amor à camisola clubística azul e branca foi sempre incondicional, tanto que pertenceu à equipa de futebol B dos juniores, para carimbar a sua passagem pelo relvado das Antas. Abraçou com o mesmo fervor a sua outra paixão, a política, mas neste campo nunca se ateve a nenhum partido. O que norteava Pedro Baptista eram as suas próprias convicções e a intervenção cívica.
Por esse motivo, ainda jovem, em 1971, fundou O Grito do Povo, um jornal operário comunista, que daria origem a um movimento marcado pela geração do fim dos anos 60, pelo pró-China, pelo maoismo, e tantos outros 'ismos'. Em 1973, evoluiu para a Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, que em muitas apresentações continuou a não dispensar O Grito do Povo como prefixo.
Tudo isto a partir da Foz Velha, em cuja agitação política, Pedro Baptista, desde tenra idade e adolescência, foi convivendo com o lado lunar daquela zona nobre da cidade, mais distante da burguesia, mais próximo do proletariado. Aliás, em 2014, esse percurso ficou retratado no livro memorial "Da Foz Velha ao Grito do Povo", apresentado na Câmara do Porto, que analisa o impacto da revolução cultural chinesa na geração nascida após a Segunda Guerra Mundial.
Este era o terceiro mandato que o investigador da Universidade do Porto, da Universidade do Minho e da Universidade Católica cumpria como deputado da Assembleia Municipal do Porto, sendo que a primeira experiência no palco político remonta ao tempo em que foi deputado independente pelo PS na Câmara do Porto (1993-97), a convite de Fernando Gomes. Foi ainda deputado na Assembleia da República de 1995 a 99, quando era primeiro-ministro António Guterres.
 
 
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, decretou um dia de luto municipal pelo deputado Pedro Baptista, a respeitar amanhã, sexta-feira, 21 de fevereiro.


Publicado por Tovi às 12:35
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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2019
Morreu Freitas do Amaral

Requiescat in Pace

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Freitas do Amaral teve uma longa e intensa vida política, com cerca de cinco décadas de intervenção pública: foi fundador e primeiro presidente do CDS, fez parte de governos da Aliança Democrática, entre 1979 e 1983, e foi primeiro-ministro interino após a morte de Sá Carneiro. Foi também candidato nas históricas presidenciais de 1986, contra Mário Soares, e, já neste século, foi ministro dos Negócios Estrangeiro num governo PS (2005-2006) como independente, após ter saído do CDS em 1992.
Nascido em 21 de Julho de 1941, na Póvoa de Varzim, Diogo Freitas do Amaral passou a infância entre Guimarães (de onde era natural o pai) e a Póvoa de Varzim (a terra da mãe), mas os primeiros anos foram muito marcados pela morte dos dois irmãos mais velhos, ainda crianças. Queria ser engenheiro, mas, sem jeito para Matemática, deixou-se convencer por dois tios que estudaram Direito e lhe “falavam das suas aulas com os professores Marcello Caetano e Galvão Teles”, contou em entrevista à Sábado em 2017. Acabou por se formar em Direito da Universidade de Lisboa. Obteve o grau de Doutor em Direito (Direito público) em 1967 e ensinou na faculdade até 1998. 
Na apresentação do seu terceiro livro de memórias políticas, intitulado Mais 35 anos de democracia - um percurso singular, em junho passado, Freitas revelou que o que mais o marcou na vida foi a sua “militância democrata-cristã”, “com a preocupação de ajudar os outros”. Na ocasião, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa descreveu-o como “um dos quatro pais líderes dos partidos estruturantes da democracia portuguesa”, juntamente com Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Álvaro Cunhal.

 

  Comentário no Facebook de Rodrigues Pereira

" Yes, I did it my way ! " ***
Ao Professor Doutor Diogo Freitas do Amaral
Não. Não irei falar do político, do co-fundador (e a que custo) da nossa Democracia, do insigne jurista e professor, do único português a ocupar o cargo de Presidente da A. G. das Nações Unidas, etc, etc ...
Vou falar de mim... e do homem.
1994. Bairro Alto, Lisboa. Uma noite de Domingo. Estava a jantar, sozinho, num restaurantezinho italiano, que hoje já não existe. Entretido com a revista do Expresso, já que nessa altura ainda não havia telemóveis para nos infernizarem as refeições.
Com o restaurante meio vazio, não me foi difícil aperceber-me da entrada da família Freitas do Amaral, au complet. A mulher, Maria José, as duas filhas e os dois filhos.
Tinha combatido contra ele nas presidenciais de 1986, com Mário Soares. As tais que levaram Álvaro Cunhal a exortar os seus militantes a cobrir os olhos, mas a votar em Soares...
Nunca tive com Freitas do Amaral qualquer contacto, mas sempre o respeitei como um homem livre e livre-pensador, sem ideias pré-concebidas.
E nessa noite, naquele restaurantezinho meio vazio, apercebi-me de que, naquela mesa de família, havia um zum-zum quase conspirativo, acreditando eu que seria o alvo. Ora enquanto mero e insignificante apoiante de Soares nas presidenciais, já ocorridas há bastantes anos, não me parecia credível que daí viesse o contexto da "conspiração".
Continuei, por isso, a minha solitária manducação, acompanhado da - na altura - a melhor sangria de Lisboa e arredores. E o tempo foi passando, clientes foram saindo, restando eu e a referida família.
A certa altura, o Professor levanta-se e - espanto meu - aborda-me : - «Dá-me licença que me sente ? Gostava de falar consigo ... »
Levantei-me - surpreendido - e quase que mecanicamente, cumprimentei-o e disse "concerteza".
"Sabe - disse-me - a minha filha reconheceu-o da televisão, daquele programa que fez com a Manuela Moura Guedes sobre a SIDA. Eu também vi. E como achei a sua prestação muito boa e nada percebo do assunto, gostava - se me permitir - de, acerca dele, conversar consigo... "
E conversamos...
A certa altura, pede desculpa, vai ter com a mulher e entrega-lhe a chave do carro.
"Assim, ficamos mais à vontade ..."
E ali ficamos, sob o olhar cúmplice do dono do restaurante, a conversar sobre a SIDA e o VIH, durante, seguramente, mais de duas horas. Eu, com a minha amêndoa amarga, ele com sucessivas águas das Pedras.
No final, ainda me ofereci para o levar a casa - ele vivia na Quinta da Marinha, em Cascais - e eu estava a 200 metros de casa. "Era o que faltava ! Apanho um táxi." E lá fomos os dois, até ao Camões, como se dois velhos amigos se tratasse.
Voltei a revê-lo - e a conversar - muitas vezes aos almoços tardios de Domingo, no restaurante do Golf da Quinta da Marinha (onde, um belo dia, ía matando o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, com uma bola que me saiu com um slice estranho) . Comíamos ambos uma extraordinária salada de pato fumado, que ainda hoje me está no paladar ...
Na primeira conversa, disse-me para deixar cair o "Professor" e o tratar apenas por Diogo. Nunca consegui !
Foi, de facto, um Professor eminente, latu sensu !
Vou ter saudades, Senhor Professor Doutor Diogo Freitas do Amaral !
MRP, 4 de Outubro de 2019
PS 1 - Uns tempos depois de Soares ter ganho as presidenciais, Mário Soares, numa conversa no Hotel Infante de Sagres, confessou-me : " Oh Rodrigues Pereira : a Presidência também teria ficado muito bem entregue ao Freitas do Amaral ... "
PS 2 - *** - As últimas palavras de Freitas do Amaral, aquando da apresentação do seu último livro, citando uma canção de Frank Sinatra. Não podia estar mais de acordo...



Publicado por Tovi às 13:44
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Segunda-feira, 1 de Julho de 2019
Morreu Mordillo

Requiescat in Pace

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Publicado por Tovi às 07:26
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Quinta-feira, 13 de Junho de 2019
Morreu Aureliano Veloso

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Aureliano Veloso morreu aos 95 anos. Foi o primeiro presidente a ser eleito para a Câmara do Porto, como independente pelo PS, nas primeiras eleições autárquicas após o 25 de Abril.

Requiescat in Pace



Publicado por Tovi às 09:50
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Terça-feira, 11 de Junho de 2019
Morreu Ruben de Carvalho

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Já não há muitos como ele no PCP.
Requiescat in Pace



Publicado por Tovi às 17:05
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
Morreu Júlio Pomar

Requiescat in Pace

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Júlio Pomar (Lisboa, 10 de janeiro de 1926 - Lisboa, 22 de maio de 2018) pertenceu à 3ª geração de pintores modernistas portugueses, sendo autor de uma obra multifacetada, centrada na pintura, desenho, cerâmica e gravura, com importantes desenvolvimentos nos domínios da tridimensão (escultura; assemblage) ou da escrita.



Publicado por Tovi às 10:02
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