"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Segunda-feira, 30 de Maio de 2022
Não se entendem... mas não é culpa da língua que falam

5d1df52715e9f91d910b2283.jpg

Tinha uma dúvida... e como quando não sei vou perguntar a quem sabe, lá fui “incomodar” um jovem meu Amigo:
  Pergunta: Olá João Pedro... Ajuda-me numa coisa que tenho a certeza saberás muito mais do que eu. A língua ucraniana e a russa poderão considerar-se "línguas irmãs", assim como o português está para o espanhol?
  Resposta: Olá, David. Ajudo com muito gosto! Sim, certamente, o russo e o ucraniano são línguas extremamente próximas. Ambas fazem parte do subgrupo de línguas eslavas orientais. Ambas são, além disso, línguas indo-europeias tal como a nossa, o que faz delas línguas com mais afinidades com as línguas ibéricas (espanhol, português, etc.) que com as línguas fino-úgricas (finlandês, estónio e húngaro). Podemos acrescentar que em geral é mais fácil para os ucranianos entenderem russo sem tradução do que o contrário.
 
 

Captura de ecrã 2022-05-30 160314.jpg
O presidente Joe Biden informou hoje [30mai2022] que os Estados Unidos não fornecerão à Ucrânia sistemas de mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos na Rússia. Este anúncio vem no seguimento de Moscovo ter alertado que qualquer fornecimento de armamento de longo alcance marcaria uma "escalada inaceitável".
 
 

ue.jpg
Na tarde de hoje [30mai2022] a União Europeia vai tentar chegar a um acordo sobre um novo pacote de sanções contra a Rússia, incluindo a imposição de restrições às importações de petróleo russo. "Precisamos de decidir por unanimidade. Houve negociações duras ontem à tarde, assim como esta manhã. Acho que esta tarde poderemos oferecer aos chefes dos Estados membros um acordo", disse Josep Borell, o principal diplomata da UE. A proposta em discussão entre os países da UE na noite de domingo proibiria o petróleo russo entregue à UE por mar até o final do ano, mas isentaria o petróleo entregue pelo oleoduto russo Druzhba, que abastece a Hungria, a Eslováquia e a República Tcheca.
  15h06 TMG - 30mai2022 - O primeiro-ministro da Hungria garante que, neste momento, “não há nenhum acordo” para o sexto pacote de sanções à Rússia, incluindo para o embargo ao petróleo russo. “Acabei de receber o texto agora e não há acordo. O problema é que estamos numa situação difícil”, afirmou Viktor Orbán, que reiterou, à chegada da cimeira dos líderes em Bruxelas, que não existem condições para um acordo. A Hungria tem sido a principal resistente à implementação de um embargo à energia da Rússia.
  23h41 TMG - 30mai2022União Europeia chega a acordo para cortar quase 90% da importação de petróleo russo até ao final do ano. Trata-se de um embargo parcial uma vez que só é aplicado ao petróleo fornecido por via marítima. Acordo foi alcançado durante a cimeira extraordinária da União Europeia em Bruxelas.


Publicado por Tovi às 07:27
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Segunda-feira, 23 de Maio de 2022
Ação diplomática no seio da NATO

Captura de ecrã 2022-05-23 095918.jpg

A invasão russa da Ucrânia despoletou uma grande e importante ação diplomática no seio da Aliança Atlântica, pois nem todos parecem estar de acordo quanto à adesão da Finlândia e da Suécia à NATO. Neste momento temos a Hungria (aderiu à Aliança em 1999) e a Turquia (não sendo fundadora está na Aliança desde 1952) a colocarem sérias reservas ao alargamento da NATO aos dois Estados Bálticos. Não vai ser tarefa fácil, até porque as lideranças atuais da Hungria e Turquia não têm nada a ver com as do tempo em que entraram para a Aliança, nem o mundo é o mesmo. 

 


Captura de ecrã 2022-05-23 101653.jpgO presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse no sábado passado [21mai2022] que Ancara não olharia "positivamente" para as propostas da Suécia e da Finlândia ingressarem na NATO, a menos que suas preocupações fossem abordadas, apesar do amplo apoio de outros aliados, incluindo os Estados Unidos. A Turquia há muito acusa os países nórdicos, em particular a Suécia, que tem uma forte comunidade de imigrantes turcos, de abrigar rebeldes curdos fora da lei, bem como apoiantes de Fethullah Gülen, o pregador dos EUA procurado pelo fracassado golpe de 2016. 

 


images.jpgViktor Orban é o líder europeu mais próximo de Putin e a oposição do primeiro-ministro húngaro ao alargamento da NATO tem muito a ver com a sua discordância das sanções ao petróleo russo, do qual a Hungria é altamente dependente. 

 


Captura de ecrã 2022-05-23 115334.jpgO ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, disse na passada 6.ª feira [20mai2022] que Moscovo lançará 12 unidades e divisões militares na região oeste em resposta às pretensões da Suécia e Finlândia ingressarem na Aliança Atlântica. Essas ameaças também incluem os Estados Unidos que têm aumentado os voos estratégicos de bombardeiros, enviado navios de guerra para o Mar Báltico e intensificando os exercícios de treino na região com seus parceiros da NATO. “A tensão continua a crescer na zona de responsabilidade do Distrito Militar do Oeste. Estamos tomando contramedidas adequadas”, disse Shoigu.

 

  Alemanha, França e Itália já fazem propostas de abertura a Moscovo
Captura de ecrã 2022-05-23 193340.jpg
"(...) Uma grande preocupação é que vitórias militares ucranianas possam desestabilizar a Rússia, tornando-a ainda mais imprevisível e colocando uma normalização das ligações energéticas ainda mais fora de alcance. É por isso que algumas capitais da Europa Ocidental, de forma silenciosa, já trabalham numa resolução “salvando a face” para o conflito, mesmo que isso custe algum território à Ucrânia. Mesmo que Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz tenham dito repetidamente que caberia à Ucrânia determinar as condições para a suspensão das hostilidades, eles recentemente enfatizaram sua preferência por um cessar-fogo, mais cedo ou mais tarde. (...)"
Leiam o artigo completo aqui 

 


transferir.jpgAs sanções do Ocidente a Moscovo, são o que são... mas a verdade é que a recuperação do rublo já levou a moeda russa para 30% mais forte em relação ao dólar do que era antes da Rússia invadir a Ucrânia.



Publicado por Tovi às 10:03
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 20 de Maio de 2022
Receitas de petróleo da Rússia disparam 50% este ano

noticia_0000012561-711x400.jpg

As receitas de petróleo da Rússia dispararam 50% este ano, isto apesar das sanções aprovadas pelos Estados Unidos da América e pelo Reino Unido. Apesar da sua vontade de reduzir a dependência do petróleo russo, a União Europeia manteve-se como o principal mercado das exportações russas em abril, pesando 43% no total. Moscovo ganhou 20 mil milhões de dólares por mês este ano com a venda de crude e de produtos refinados, a um ritmo de oito milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), citadas pela “Bloomberg”.

 

mw-860.jpg

Dias depois de ter proposto um embargo a todo o tipo de petróleo russo, na sequência da invasão militar da Ucrânia, a União Europeia aponta que “o investimento total necessário para garantir a segurança do aprovisionamento de petróleo deverá ascender a entre 1,5 e dois mil milhões de euros”. Bruxelas admite que “a dependência dos combustíveis fósseis russos estende-se também ao petróleo bruto e aos produtos petrolíferos”, mas “enquanto na maioria dos casos o mercado mundial permite uma substituição rápida e eficaz, alguns Estados-membros dependem mais do petróleo russo”. 

 

 

Captura de ecrã 2022-05-20 102147.jpg

As negociações entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) para a implementação de um novo pacote de sanções contra a Rússia estão num impasse, com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, a admitir dificuldades em garantir o apoio da Hungria à proposta de embargo do petróleo russo. O sexto pacote de sanções proposto pela Comissão Europeia há duas semanas prevê a eliminação total e gradual da importação do petróleo russo até ao final do ano, tendo em vista a redução da dependência energética europeia em relação a Moscovo. Mas a Hungria tem vindo a manifestar-se contra esta medida, mesmo com a possibilidade de um ano suplementar de transição para o país - e para a Eslováquia, ambos países que não têm acesso ao mar, podendo apenas receber petróleo através de oleodutos e da Rússia, o que, alegam, põe em causa a segurança energética dos seus países. Face a esta intransigência de Budapeste, a Comissão Europeia estará a negociar com o governo de Viktor Órban um programa de investimento comunitário para ajudar a reduzir a dependência energética do país em relação à Rússia. Bruxelas espera, desta forma, conseguir ultrapassar o veto húngaro à proposta de embargo ao petróleo russo “nos próximos dias”, abrindo assim caminho para a aprovação do sexto pacote de sanções contra Moscovo.

 

Captura de ecrã 2022-05-20 162526.jpg

A Gasum, empresa de energia estatal finlandesa, informou hoje que a Rússia cortará os fluxos de gás natural para a Finlândia no dia de amanhã, sábado 21mai2022. No entanto a Gasum continuará a fornecer gás natural aos clientes finlandeses através do gasoduto Balticconnector que liga a Finlândia à Estónia.

 

1-China.jpg

A China está a aumentar discretamente as compras de petróleo da Rússia a preços de saldos, de acordo com dados de embarque e comerciantes de petróleo citados pela “Reuters”, preenchendo o vazio deixado pelos compradores ocidentais que se afastaram dos negócios com a Rússia desde a invasão da Ucrânia em fevereiro. A China, que é o maior importador de petróleo do mundo, decidiu apostar na energia vinda de Moscovo um mês depois de inicialmente reduzir os abastecimentos russos, por receios de parecer apoiar abertamente a Rússia  e potencialmente expor as suas gigantes petrolíferas estatais a sanções. As importações marítimas de petróleo russo da China aumentaram para um valor recorde de 1,1 milhões de barris por dia (bpd) em maio, acima dos 750 mil bpd no primeiro trimestre e 800 mil bpd em 2021, de acordo com uma estimativa da Vortexa Analytics.



Publicado por Tovi às 07:43
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 18 de Maio de 2022
2ª Conferência de “Valdai Discussion Club”

1111384.jpg
Desde ontem e terminando hoje [17 e 18 de maio] temos na cidade russa de Níjni, a 2ª Conferência da Ásia Central de “Valdai Discussion Club”. O tema deste ano é “Rússia – Ásia Central: Cooperação e Desenvolvimento no meio da Instabilidade”.

A Conferência da Ásia Central terá a participação de cerca de 40 especialistas de 9 países – Rússia, China, Índia, Irão, Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Esta cidade de Níjni, uma das maiores cidades da parte europeia da Rússia, foi escolhida como sede da Conferência da Ásia Central, para servir de ligação entre a Europa e a Ásia do ponto de vista histórico e civilizacional. O simbolismo desta escolha reside no facto desta cidade ser a retaguarda da Rússia: durante o Tempo das Perturbações, foi lá que a milícia popular foi formada para combater os intervencionistas europeus e, durante a Grande Guerra Patriótica, as forças industriais e intelectuais. As reservas humanas da cidade deram uma contribuição inestimável para a vitória da ex-União Soviética sobre a Alemanha nazi.

Os principais temas da conferência são os seguintes:
Desenvolvimento da Rússia e da Ásia Central no contexto de novas turbulências geopolíticas;
Segurança coletiva na Ásia Central;
Cooperação entre a Rússia e os países da região no domínio da economia e dos transportes;
Laços inter-regionais entre a Rússia e as cinco repúblicas da Ásia Central.
 
  Andrey Sushentsov, diretor do programa Valdai Club
Fundamentos estratégicos da crise ucraniana
Provavelmente estamos no ponto de partida de uma crise que se desenrola e não perto de seu fim. Por que as relações russo-ucranianas dizem respeito a todos os russos e ucranianos? Até certo ponto, o que está acontecendo é uma guerra civil atrasada, que poderia ter acontecido no início dos anos 1990 com o colapso da URSS, quando a primeira geração de líderes russos e ucranianos se gabava de ter evitado um divórcio sangrento como o da Jugoslávia. Na Rússia, todas as pessoas têm parentes no país vizinho e o que está acontecendo lá é mais uma questão de política doméstica. Por exemplo, se o governo ucraniano fechar igrejas ortodoxas russas ou banir um partido político de oposição pró-russo, a história terá cobertura imediata na TV estatal e políticos russos emitirão declarações.
(...)
A primeira proposta diplomática que a Rússia fez no início da crise foi que a Ucrânia permanecesse neutra, que a Crimeia fosse reconhecida como território russo e que as repúblicas do Donbas fossem reconhecidas como independentes. Em resposta a essas demandas, a Ucrânia apresentou a sua própria: a repatriação completa de seu território anterior a 2014 e nenhum passo em direção à Rússia. A maximização das demandas ucranianas significa que um ponto de equilíbrio ainda não foi encontrado na campanha militar em andamento. No entanto, ele tem suas próprias opções de desenvolvimento. No primeiro cenário, o atual governo ucraniano e a Rússia firmam um acordo que leva em consideração as demandas russas, e esses acordos são reconhecidos pelo Ocidente como parte de um pacote de segurança europeu. A crise russo-ucraniana daria lugar a um confronto político-militar russo-ocidental, semelhante à Guerra Fria. O segundo cenário pressupõe o desenvolvimento de eventos sob a influência da situação militar no terreno. Como resultado, ou um equilíbrio é inevitavelmente encontrado, ou uma das partes prevalece. Nesse caso, há riscos de que o Ocidente não reconheça os resultados do acordo, e um novo governo ucraniano surja e seja combatido pelo governo no exílio. A partir do Ocidente, haverá um sistema de apoio ao subterrâneo ucraniano, semelhante ao que existia no oeste da Ucrânia na década de 1950. O terceiro cenário envolve uma forte escalada de tensão entre a Rússia e o Ocidente. É possível que a crise se espalhe para os países da NATO ou a escalada da guerra de sanções contra a Rússia siga na esperança de abalar os fundamentos do estado russo. Nesse caso, os riscos de uma confronto nuclear aumentarão. No entanto, até agora, vemos que os líderes ocidentais estão se distanciando de tais planos e dizendo que não enviarão forças da NATO para esse conflito. No entanto, vimos repetidamente como o Ocidente cruza suas próprias “linhas vermelhas” – isso pode realmente acontecer novamente
  Negociações Moscovo - Kiev
transferir.jpg
Não há negociações entre as delegações russa e ucraniana neste momento, segundo disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Andrey Rudenko, durante a 2ª conferência da Ásia Central do clube de discussão internacional Valdai. Acrescentou: “As negociações não continuam. A Ucrânia, de facto, desistiu do processo de negociações". Vladimir Putin, numa conversa telefônica com o presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, já tinha dito que as negociações Moscovo-Kiev foram interrompidas porque "o lado ucraniano não demonstrou interesse num diálogo construtivo".
 
 
  Os "amigos" de Putin na UE e na NATO
Captura de ecrã 2022-05-18 084417.jpg
O aliado mais próximo de Putin na União Europeia é o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que já ameaçou vetar a proposta de sanções ao petróleo russo que os outros 26 estados-membros aprovaram. [A Hungria é membro da UE desde maio de 2004]
Da mesma forma, na NATO, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, não vê com bons olhos a possível adesão das potências historicamente neutras da Finlândia e da Suécia, cuja adesão é apoiada pelo resto da aliança. [A Turquia é membro da NATO desde 1952]
 
  E depois eu é que sou “russófilo”
Captura de ecrã 2022-05-18 135408.jpg
As receitas de petróleo da Rússia dispararam 50% este ano, isto apesar das sanções aprovadas pelos Estados Unidos da América e pelo Reino Unido. Apesar da sua vontade de reduzir a dependência do petróleo russo, a União Europeia manteve-se como o principal mercado das exportações russas em abril, pesando 43% no total. Moscovo ganhou 20 mil milhões de dólares por mês este ano com a venda de crude e de produtos refinados, a um ritmo de oito milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), citadas pela “Bloomberg”.


Publicado por Tovi às 07:13
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Junho 2022
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9





Posts recentes

Não se entendem... mas nã...

Ação diplomática no seio ...

Receitas de petróleo da R...

2ª Conferência de “Valdai...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus