"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
Morreu Pedro Baptista

Estou destroçado...

 

Requiescat in Pace
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   Breve biografia
 
Nascido a 20 de abril de 1948, tinha seis anos quando o pai o inscreveu como sócio do FC Porto e o amor à camisola clubística azul e branca foi sempre incondicional, tanto que pertenceu à equipa de futebol B dos juniores, para carimbar a sua passagem pelo relvado das Antas. Abraçou com o mesmo fervor a sua outra paixão, a política, mas neste campo nunca se ateve a nenhum partido. O que norteava Pedro Baptista eram as suas próprias convicções e a intervenção cívica.
Por esse motivo, ainda jovem, em 1971, fundou O Grito do Povo, um jornal operário comunista, que daria origem a um movimento marcado pela geração do fim dos anos 60, pelo pró-China, pelo maoismo, e tantos outros 'ismos'. Em 1973, evoluiu para a Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, que em muitas apresentações continuou a não dispensar O Grito do Povo como prefixo.
Tudo isto a partir da Foz Velha, em cuja agitação política, Pedro Baptista, desde tenra idade e adolescência, foi convivendo com o lado lunar daquela zona nobre da cidade, mais distante da burguesia, mais próximo do proletariado. Aliás, em 2014, esse percurso ficou retratado no livro memorial "Da Foz Velha ao Grito do Povo", apresentado na Câmara do Porto, que analisa o impacto da revolução cultural chinesa na geração nascida após a Segunda Guerra Mundial.
Este era o terceiro mandato que o investigador da Universidade do Porto, da Universidade do Minho e da Universidade Católica cumpria como deputado da Assembleia Municipal do Porto, sendo que a primeira experiência no palco político remonta ao tempo em que foi deputado independente pelo PS na Câmara do Porto (1993-97), a convite de Fernando Gomes. Foi ainda deputado na Assembleia da República de 1995 a 99, quando era primeiro-ministro António Guterres.
 
 
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, decretou um dia de luto municipal pelo deputado Pedro Baptista, a respeitar amanhã, sexta-feira, 21 de fevereiro.


Publicado por Tovi às 12:35
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020
O detido era um tipo porreiro

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Estando eu a reler o primeiro livro de memórias do meu amigo Pedro Baptista – Da Foz Velha a’O Grito do Povo (1948-1974) – encontrei o relato que está na imagem e lembrei-me de algo que me aconteceu no meu tempo de tropa em Santa Margarida:

Um certo dia fui incumbido pelo segundo comandante do Batalhão de Engenharia n.º 3 de ir a Mourão, em pleno Alentejo, recolher um soldado que se tinha ausentado do quartel mais de cinco dias sem permissão para tal e que se encontrava detido no posto da GNR local. Aí chegados, pedi ao cabo da guarda em serviço no posto que nos guardasse as armas, as G3 dos soldados da escolta e a minha Walther, a fim de irmos almoçar a um tasquinho sem carregarmos a tralha. Depois passaríamos novamente no posto para “levantar” o preso. Já estavam as armas devidamente acondicionadas num cacifo e a equipa prontinha para ir ao repasto, quando o detido perguntou se podia ir connosco. Que não, era perigoso irmos desarmados, disse o GNR, mas como o rapaz me parecia pacífico dei ordem para ele nos acompanhar. E lá fomos comer qualquer coisa que já não recordo o quê. Já estávamos nos cafés e bagaços quando o detido, com um ar muito sério nos disse ser ele a pagar todos os almoços, pois nunca ninguém tinha sido tão tolerante com ele, e já era a terceira vez que o vinham buscar a casa detido. Claro que nos soube bem a simpatia do rapaz, até porque assim não gastamos dinheiro das nossas ajudas de custo e naquele tempo os escudos não abundavam nos nossos bolsos. A viagem de regresso a Santa Margarida até foi agradável, com o detido a contar-nos as peripécias de todas as suas escapadelas ao serviço militar. Ficamos amigos... e ao que me constou nunca mais fez asneiras.



Publicado por Tovi às 07:30
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020
Comemorações da Revolução Liberal do Porto


Publicado por Tovi às 10:13
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020
Lembram-se da Paula do Lagarteiro?

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Gostava era de ouvir agora aqueles socialistas portuenses & C.ª que andaram com ela ao colo quando a Paula do Lagarteiro “exigia” voltar para um apartamento num bairro camarário.

   Notícia do JN de ontem

 

   Comentário de Pedro Baptista no Facebook

A vítima-heroína da "esquerda" da ganza do Porto, do BE, do PS e de toda a nacional-putaria, com a Interpol atrás, ao que nos narra o JN! Não há direito da Câmara do Porto não querer sustentar a parasitagem da "esquerda" do chuto. Deveríamos alojá-los e pagar-lhes o charro e a pica do dia a dia, direito humano e social da boa gente, tal como o erário público paga os abastecimentos nos acampamentos de verão que tantos votos rendem a esta gente... Também deveríamos garantir instalações ao que ascenderam na nomenklatura do tráfico, a distribuidores, armazenistas, contabilistas e investidores... Se alguns ideólogos, como o Pizarrote, do Cabaret PS, já andam pelo parlamento europeu, podemos ter a certeza, ou pelo menos a esperança, de que chegarão a deputados de Lisboa e, então, todos poderemos levantar voo...
Alguém tem de dizer a toda esta corja, que NÂO:
A DROGA NÃO É UM DIREITO HUMANO OU SOCIAL, É UMA DESGRAÇA QUE MATA E ESCRAVIZA MILHÕES APENAS PARA PROVEITO DOS MAIORES CRIMINOSOS DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. A GANZA NÃO É DE ESQUERDA, ANTES PELO CONTRÁRIO!



Publicado por Tovi às 07:14
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020
129º aniversário do 31 de Janeiro

Discurso de Pedro Baptista (escritor, investigador, deputado municipal no Porto e Comissário Geral das Comemorações da Revolução Liberal de 1820 da cidade do Porto) durante as cerimónias comemorativas do 129º aniversário do 31 de Janeiro.

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Portuenses! Portugueses!
Não lembramos quantas vezes nos deslocamos a este local, na manhã deste dia! Mas quem cumpre esta homenagem desde jovem, e já não é jovem, lembra os tempos em que não se perfilavam aqui forças institucionais em continência, mas se disseminavam pelos umbros, sombras escondidas, destinadas ao terror e à repressão!
Esses aprenderem, nesta escola, em repetidas manhãs de correrias, vozearias, espancamentos, prisões, e até tiros, que o 31 de Janeiro é dia de lembrança do luto, mas é sobretudo dia de lembrança da luta, dia de luta para quem acredita na liberdade enquanto progresso do homem social na história.
Desde que, pelo fim da adolescência, começamos a participar nesta homenagem, o epitáfio gravado neste monumento funerário, erigido ainda no tempo da monarquia, nunca deixou de repicar no fundo da nossa consciência: “Aos vencidos!” Não ato piedoso para com os que foram vencidos! Pelo contrário, reconhecimento de que, ao serem vencidos na maior das honras de terem oferecido as vidas à nobreza da maior das causas, não foram vencidos, porque o exemplo frutificou e disseminou-se, agente sobre as gerações futuras, marco erigido e fulgente na história sobre a poeira dos que, simplesmente, voltaram ao pó! Aos Vencidos! Honra aos Vencidos, senão mesmo Glória aos Vencidos, porque foram os vencedores, por isso são homenageados! Mesmo que na história, 1910 republicano não tenha realizado os desígnios federalistas de 1891... e até os tenha traído soçobrando ao monstro centralista... mas longos dias tem cem anos e ainda mais dias tem duzentos: o futuro realizá-los-á!
Meus amigos portuenses e portugueses.
É a terceira vez que tomo a palavra nesta evocação anual. Desta, a convite da Associação 31 de Janeiro, que agradeço.
Este ano, em que celebramos o centésimo vigésimo nono aniversário do 31 de Janeiro de 1891, celebramos também o ducentésimo aniversário 24 de Agosto de 1820!
No ideário de uma parte dos revolucionários liberais de 1820, estavam os pressupostos republicanos que impeliriam ao 31 de Janeiro de 1891.
Se podemos sublinhar que são processos diferentes, com 71 anos de distância entre eles, poderemos também afirmar que um aparece no seguimento do outro, comungando, no fundo, do mesmo ideário.
Ambos foram respostas a apelos patrióticos contra a prepotência inglesa, mas em 1820, o programa da revolução era mínimo, clamando pela eleição de novas cortes constituintes em nome do rei, enquanto o de 1891, era republicano e federalista, pela demolição da monarquia e do centralismo.
Invariável foi a recusa de Lisboa em aderir aos movimentos revolucionários desencadeados no Porto, situação que se repetirá, em 1927, a 3 de Fevereiro, o primeiro levantamento contra a ditadura instalada em 1926, cujo nonagésimo terceiro aniversário assinalaremos na próxima segunda-feira, com o Porto, mais uma vez sozinho, secundado apenas, no dia 7, quando Inês estava morta, pela lisbonense “revolução do remorso”.
Meus amigos:
Visitar este monumento funerário “Aos Vencidos” do 31 de Janeiro de 1891, não provoca a reação lúgubre de uma Saudade regressiva e depressiva! Pelo contrário, a visita a estes exemplos de heroicidade, desprendimento e nobreza dos espíritos, convoca-nos a uma Saudade progressiva e otimista de confiança no futuro, lembra-nos que as grandes causas enfrentaram as maiores vicissitudes e que, na história, a derrota foi, tantas vezes, a mãe da vitória de amanhã.
Não há ciclos históricos encerrados para o Porto! Os ciclos abrimo-los nós, na determinação da vontade coletiva!
Acreditamos no futuro!
Viva o 31 de Janeiro! Viva o Porto! Viva Portugal!



Publicado por Tovi às 13:15
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020
Revolução Liberal de 1820

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O programa de celebrações da Revolução de 24 de Agosto de 1820 foi ontem de manhã apresentado na Câmara do Porto, pelo seu comissário geral, Pedro Baptista. A efeméride vai ficar marcada, ao longo do ano, por diversas iniciativas, entre elas exposições, um congresso e uma conferência internacional, colóquios, conversas situadas, sessões especiais de Um Objeto e seus Discursos por Semana, concertos, percursos e visitas orientadas, lançamentos de livros e um ciclo de cinema. Os Paços do Concelho encheram para conhecer aquilo que a cidade tem preparado para assinalar os 200 anos de "um momento de grande determinação nacional, que marcou o início da entrada na modernidade, a edificação de algumas dimensões da liberdade e, sobretudo, com o Porto à frente na afirmação patriótica da nacionalidade", destacou o comissário geral, que aceitou o convite de Rui Moreira para coordenar o programa das comemorações. Aliás, é mesmo a cidade que, unida, vai comemorar a Revolução Liberal do Porto. A iniciativa é do Município do Porto, mas a ela, desde a primeira hora, juntou-se o mundo académico, com a participação ativa da Universidade do Porto, da Universidade Lusíada e da Universidade Lusófona, mas também de instituições como o Museu Militar do Porto, a Associação 31 de Janeiro, Juntas de Freguesia (em particular a União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, cujo Cortejo do Traje de Papel, realizado no âmbito das Festas de São Bartolomeu, terá este ano como tema a Revolução de 1820), entre outras instituições parceiras e cidadãos que manifestaram o apoio às comemorações.



Publicado por Tovi às 07:48
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2019
Programa de habitação "1.º Direito"

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Aprovado na sessão de ontem da Assembleia Municipal do Porto, com dois votos contra do BE, 19 abstenções do PS, PSD, CDU e PAN, e restantes votos do Movimento de Rui Moreira a favor.


Rui Moreira afirmou que este instrumento "sendo insuficiente, é apesar de tudo útil" e deixou a certeza de que o Município vai prosseguir com a sua política de habitação, com um leque de respostas mais diversificadas e um investimento consideravelmente superior àquele que o Governo se propõe fazer com este programa.

  Pedro Baptista no Facebook

Assim ocorreu, efetivamente. Penso que é preciso insistir e mostrar a todos os eleitores o absurdo que é elegerem-se pessoas para a Assembleia Municipal do Porto que não fazem mais do que servir o governo de Lisboa nas suas atitudes ignóbeis de uso indevido e centralista das receitas que extorquem aos portugueses através de impostos cada vez mais injustificados. Tudo isso a coberto de terem sido eleitos em listas da partidocracia, e sempre a pensarem virem a ser recompensados, pelo poder central, com uma carreira política, por serem meninos bem-comportados.



Publicado por Tovi às 11:50
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Domingo, 8 de Dezembro de 2019
Entrave do P.R. à Regionalização

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Marcelo Rebelo de Sousa nunca quis a Regionalização… e, teimoso como é, não era agora que ia aceitar o que está na Constituição da República Portuguesa, desde 1976.

 

  Comentários no Facebook

Pedro Baptista - Só haverá regionalização, ou seja autonomia regional, com o povo do Norte, e em particular o do Porto, na rua, exigindo-a contra o centralismo... como aconteceu nos Açores e na Madeira... Caso contrário, só uma falsa regionalização que, aliás, nem isso, com os cinco partidos vendidos aos assentos em Lisboa de que vivem...

José Bandeira - Não acredito na regionalização construída por centralistas. Acredito firmemente numa regionalização ligada às populações, pois são elas que constroem o país e por isso sentem as dificuldades e conhecem as potencialidades. Mas a regionalização tem que ser feita por quem tem consciência das virtudes, potencialidades e carências da sua região num contexto global. Não é por acaso que temos o mundo a procurar-nos. É a nossa GENTE que os atrai. A nossa identidade é a nossa riqueza; não podemos pretender que ela seja preservada por uma legislação que buscará ANIQUILÁ-LA se não formos determinantes na sua construção. A regionalização é sinónimo de Liberdade, por isso nunca nos será concedida: teremos que conquistá-la.



Publicado por Tovi às 09:49
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Sábado, 2 de Novembro de 2019
Pedro Baptista… A Pele do Porto

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(Foto da coleção de Rui Moreira no álbum “A Pele do Porto”)

Andei ao lado do Pedro Baptista, ombro com ombro, na tentativa de formarmos um partido do Norte… não conseguimos, mas ainda hoje voltaria a tentar o mesmo.



Publicado por Tovi às 07:46
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2019
Sessão de hoje da Assembleia Municipal do Porto

Esta sessão extraordinária tinha como ponto único: Análise da situação do tráfico de estupefacientes na cidade do Porto.

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  Comentários no Facebook

Pedro Baptista - Rui Moreira disse e muito bem... Digo eu, que é inacreditável ver a forma como o BE e o PS olham para a droga, o primeiro com cumplicidade, o segundo com licenciosidade... São inacreditáveis tais atitudes, frente a uma realidade que tem a montante o negócio criminoso mais ignóbil e rentável do mundo para a selvajaria capitalista e a jusante a maior desgraça social dos últimos cinquenta anos, com cadastro de milhões de vidas destroçadas e milhões de mortos... Não sei bem o que se passou neste país nos últimos anos... Mas quando a policia diz que não pode fazer nada frente a quem se queira drogar à porta duma escola, algo está muito mal no reino, o país andou a ser governado por mentecaptos senão por criminosos...

Paula Ribeiro de Faria - A Assembleia Municipal do Porto reuniu em sessão extraordinária para debater a situação do tráfico de estupefacientes na cidade do Porto e aprovar recomendações ao Governo para reforçar os meios de combate ao tráfico de drogas na cidade, já que a competência para o policiamento e a garantia da segurança das populações pertence ao Estado central. Na Idade Média, os senhores feudais defendiam a sua gente dentro dos castelos, porque o poder central era fraco e não chegava a todo o lado. Vigorava um sistema de justiça privado, em que cada um fazia justiça pelas próprias mãos. Não é isso que se espera que aconteça num Estado europeu e civilizado no século XXI, mas é o risco que se corre quando não há meios policiais suficientes e a estrutura que suporta as soluções legais não funciona eficazmente...

Rui Moreira - A Assembleia Municipal deu um bom exemplo do que é a democracia. Por nossa iniciativa levamos a cidade a discutir um tema difícil. Mas temos que o fazer se queremos realmente mudar. Foi bom ver as forças democráticas do nosso lado. Como o PS, que depois de hesitar, decidiu apoiar as nossas propostas e reivindicações para que a PSP reforce os meios no Porto. Foi mau ver o Bloco de Esquerda não perceber nada do que se está a passar na cidade e na sociedade portuguesa.



Publicado por Tovi às 23:59
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2018
Um incidente na sessão de ontem da AMPorto

Foi assim… mas já era expectável, ou eu não os conhecesse.

 

   Abel Coentrão do jornal Público

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Presidente da Assembleia Municipal acusado de tentar coarctar liberdade de expressão - Munícipe Tatiana Moutinho acabou por conseguir intervir na reunião desta noite, mas foi interrompida quando acusou deputado de racismo.
Vários representantes da oposição na Assembleia Municipal do Porto reagiram com incómodo, e críticas, à forma como o presidente deste órgão, eleito pelo grupo de Rui Moreira, tentou condicionar a intervenção de uma munícipe, no período dedicado ao público. Por causa da discussão gerada por este caso, a reunião que decorreu esta terça-feira à noite prolongou-se, por mais 40 minutos, já para a madrugada de quatra-feira, num debate aceso sobre racismo e sobre liberdade de expressão.
Rui Moreira já não estava na sala quando o episódio se começou a adivinhar. Terminado o período da ordem do dia de uma sessão relativamente calma, e que até começara com um voto de pesar, unânime, pela morte do antigo líder do BE João Semedo, elogiado por todos pela forma recta, frontal e leal com que conduziu o seu percurso político, Miguel Pereira Leite abriu o período do público e chamou a munícipe em causa. Mas, sabendo, de antemão, que Tatiana Moutinho pretendia fazer declarações sobre um deputado da maioria, acusado de racismo por causa de um post do Facebook, tentou impor-lhe condições e balizar a intervenção, em modos que a levaram, inicialmente, a desistir de falar.
Aproveitando o facto de a munícipe se ter identificado como candidata nas listas do Bloco a esta assembleia, num e-mail que esta lhe enviara com questões sobre o caso envolvendo o deputado municipal António Santos Ribeiro, Miguel Pereira Leite chegou a tratá-la, mais do que uma vez, como “sr.ª candidata”. Argumentou, a dado momento, que a cidadã em causa poderia intervir “sobre assuntos de interesse para o município”, mas convidou-a a assumir o lugar de um dos camaradas, numa sessão, para poder fazer uma intervenção “política” sobre a Assembleia Municipal em defesa da qual garantia, como presidente, estar a agir, ao impedir alguém de “insultar qualquer um" dos membros.
Ainda antes de o centrista Raul Almeida, do grupo de Rui Moreira, lhe agradecer o facto de “preservar o estatuto da assembleia”, o líder deste órgão foi interpelado pelo socialista Gustavo Pimenta, que “preocupado, perturbado”, com o que acabara de assistir, o acusou de “exorbitar os seus poderes”, ao tentar condicionar a priori, o teor da intervenção da munícipe. “Não creio que possa ser coarctada a liberdade de se pronunciar”, insistiu, usando uma expressão que viria a ser repetida, minutos depois, pela deputada bloquista Susana Constante Pereira. Que via no episódio “uma preocupante concepção de democracia”.
“O facto de a senhora ter sido candidata não lhe retira direitos. O sr. presidente não esteve bem”, atirou de seguida o comunista Artur Ribeiro, num momento em que Miguel Pereira Leite, depois de insistir na posição inicial, já dizia que a munícipe poderia falar, desde que, insistia, respeitasse a assembleia. Esta voltou a pegar no microfone, mas acabou por ser interrompida e impedida de continuar depois de acusar o deputado António dos Santos Ribeiro – ou David Ribeiro, no Facebook – de racismo e incitamento ao ódio num post sobre romenos, acampados perto de sua casa, que mereceu uma queixa da SOS Racismo.
Espectador atento de tudo isto, em sua própria defesa, o deputado em causa tentou fintar a polémica com uma curta declaração. "Se eu, que até sou adepto do Boavista, disser que um jogador mexicano do FC Porto não joga nada é considerado racismo?" A pergunta não obteve resposta, mas o caso fez o deputado Pedro Baptista levantar-se do “banco” para a intervenção mais exaltada da noite, na qual defendeu o amigo e “grande democrata” e acusou os críticos de preferirem expor o “folclore de preconceitos ideológicos” em vez de se preocuparem com a lixeira que o deputado denunciara e apelarem aos serviços públicos para resolverem o problema.
“Vocês não passam de demagogos e oportunistas”, acusou, inflamado pelo debate, o antigo parlamentar socialista que foi eleito pelo grupo de Rui Moreira e para quem não há problema nenhum em associar a situação em causa a quem a provoca, porque David Ribeiro o faria naturalmente se estivessem em causa “dinamarqueses ou lisboetas”, em vez de romenos, garantiu. A intervenção haveria de merecer, mais tarde, reparos do comunista Artur Ribeiro, que a considerou “absolutamente lamentável” e digna, essa sim, notou, de interrupção por parte de Miguel Pereira Leite.
Perante um estreante deputado substituto do PAN, Ernesto Morais, impressionado com o que ia testemunhando – “a resposta da assembleia não foi digna”, sentenciou – ainda houve tempo para mais algumas trocas azedas de palavras. O deputado bloquista Pedro Lourenço disse-se "envergonhado com a actuação" do líder deste órgão, que tomou a crítica, vinda de quem vinha, "como um elogio". Os apartes entre bancadas ainda continuaram, durante uma outra intervenção de Carla Leitão em defesa de David Ribeiro, e contra quem o acusava, “injustamente”. A sessão acabaria já pelas 00h35 com Miguel Leite Pereira a regozijar-se pelo início das férias. “Em Setembro voltaremos mais tranquilos”, suspirou.



Publicado por Tovi às 15:58
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2018
José Sócrates abandona o PS

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Hummmm!... Ainda vai fundar um novo partido  

 

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«Henrique Camões» - Se pensar em criar um novo partido não lhe vão faltar apoios, até mesmo de alguns "envergonhados". Sócrates entrega cartão do PS incomodado com a vergonha que os seus dirigentes AGORA, dizem sentir, será irá processar judicialmente por isso alguém...é costume. Bem, na realidade eu até dou razão ao homem para esta atitude, porquê só agora? Não tiveram vergonha quando rebentou o caso Freeport, não tiveram vergonha quando a sua licenciatura foi posta em causa, não tiveram vergonha quando os jornais noticiavam que o primeiro ministro de Portugal, encomendava os seus fatos no mais caro costureiro do mundo onde um fato rondaria os 50 mil Euros o que não seria compatível, com o vencimento de um membro do governo (pressupondo outras fontes de rendimento), não tiveram vergonha, quando incomodados com a acção da Procuradora Geral da Republica defenderam a sua não recondução. Não tiveram vergonha nem questionaram nada disto e de muitas outras coisas que a comunicação social ia noticiando, não interessava, o tempo era de vacas gordas e o PS estava de vento em popa, a factura seria paga pelos do costume e haveria no futuro alguém sobre quem deitar as culpas. Costuma-se dizer a propósito, que "é pior a emenda que o soneto" neste caso seria melhor deixar a "partitura" como estava, porque esta gente não é ingénua, não é inexperiente, não é ignorante e não é inocente, eles estiveram lá, o Costa, o Santos Silva, o Vieira da Silva, etc, e são cúmplices, pelo menos passivos dos erros de que agora dizem ter vergonha. Haja vergonha sim, mas do comportamento colectivo dos políticos em Portugal.

«David Ribeiro» - O hábito repetido de desculparmos os erros “dos nossos” com os erros “dos outros” é que fez chegarmos ao estado de corrupção em que nos encontramos.

«Pedro Baptista» - É muito estranha esta reviravolta no topo do PS, particularmente por parte de Augusto Santos Silva, o ministro do atual governo que, além de Costa, era ministro ( e eminente) do 1º Governo Sócrates e, no caso dele, até do 2º, o que nos levou à troika. Uma eminência parda que Sócrates considerava indispensável ao lado de si e de Manuel Pinho. Até agora o discurso era à justiça a justiça, à política a política... Agora houve um reviravolta de 180º e passou a haver uma condenatória radical? Só pode trazer água no bico! Aqui há marosca... Até parece que alguém está com medo que a coisa alastre e se põe já a sacudir a água do capote. É hora dos ratos... mas aqui HÁ GATO...

«Jorge De Freitas Monteiro» - David, como queres que se faça esse tal julgamento político de que falas se ainda não é claro que o homem seja culpado do que é acusado, antes do debate contraditório diante de um tribunal e da decisão condenatória eventual? Podes detestar a pessoa, podes abominar o modo como governou, mas não é por isso que se torna lógico ou legítimo considerar que é culpado dos crimes que lhe são imputados. Não basta vir com a lenga lenga da presença dos cabritos e ausência das cabras. É preciso provar pagamentos, decisões que beneficiaram os pagantes e nexo de causalidade entre os primeiros e as segundas. Não me incomoda o julgamento político sobre matérias políticas; incomoda-me o linchamento público antecipado sobre acusações criminais complexas e por julgar.

«David Ribeiro» - Até os seus pares já o condenam politicamente, Jorge De Freitas Monteiro… e não esperaram pelos Tribunais.

«Jorge De Freitas Monteiro» - Eu sei. Um triplo erro da parte deles: jurídico, ético e político. Faz imensa falta Mário Soares.

«Duarte Nuno Correia» - Defender o Sócrates exige um estado de alheamento tão grande da realidade, como dizer que a terra não é redonda ou que é o sol que gira à volta da terra. Mas a verdade é que ainda há, hoje, quem acredite em tudo isso.



Publicado por Tovi às 14:34
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018
Primeira Revolução contra a Ditadura

Como foi a primeira e maior revolução militar e popular contra a ditadura, a que eu gosto de chamar “o início do Reviralho”.

 

   Assim nos conta o meu amigo Pedro Baptista.

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Faz hoje 91 anos eclodiu no Porto a primeira e a maior revolução militar e popular contra a ditadura. Foi pois a 3 de Fevereiro de 1927. Há um ponto comum entre esta revolução portuense derrotada e a do 31 de Janeiro de 1891. É que em ambos os casos, o Porto foi deixado sozinho por Lisboa, quando se esperava que também lá eclodisse e ao mesmo tempo. A cidade do Porto, com o apoio da maior parte dos aquartelamentos do Norte, entre os quais se destacou Amarante, Vila Real e Guimarães, foi cercada e bombardeada pela aviação e artilharia da ditadura que provocou centenas de mortos, 500 segundo alguns fontes. Á frente do movimento revolucionário estava o escol intelectual mais destacado da época entre os quais Jaime Cortesão. A ligação à Lisboa adormecida foi in extremis tentada por Raul Proença, numa traineira. Mas só quando o Porto estava derrotado, no dia 7, Lisboa decidiu aderir... Ao que já não existia, estava derrotado. Por isso Sampaio Pimentel, na sua obra "Memórias do Capitão", chama ao levantamento lisbonense do Rato, tardio e inútil, a "Revolução do Remorso". Estejamos atentos porque lá para terça ou quarta-feira os netos do Remorso vão intentar, como de costume, uma lavagem ao cérebro para mais uma vez falsificarem a história...

 

  A revolta de Fevereiro de 1927 no Porto (in Wikipédia)

A rebelião iniciou-se pelas 4h30 da madrugada do dia 3 de Fevereiro, com a saída do Regimento de Caçadores 9, a que se juntou a maior parte do Regimento de Cavalaria 6, vindo de Penafiel, vários núcleos de outros regimentos da cidade e uma companhia da Guarda Nacional Republicana aquartelada na Bela Vista, Porto.
O comando das forças fora confiado ao general Adalberto Gastão de Sousa Dias, tendo como chefe do estado-maior o coronel Fernando Freiria, apoiado por um comité revolucionário constituído por Jaime Cortesão, Raul Proença, Jaime Alberto de Castro Morais, João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e João Pereira de Carvalho. Entre os apoiantes incluía-se também José Domingues dos Santos, o líder da esquerda democrática que em 1918 dirigira a conspiração civil contra a Monarquia do Norte.
Jaime Cortesão foi de imediato nomeado governador civil do Porto e Raul Proença, além de conspirador, foi organizador e combatente de armas na mão, servindo de ligação aos co-conspiradores de Lisboa.
Durante a madrugada e manhã do dia 3 de Fevereiro, as forças dos revoltosos dirigiram-se para a zona da Praça da Batalha, onde estavam as sedes do quartel-general da Região Militar e do Governo Civil e a mais importante estação do telégrafo. Nessa primeira acção foram aprisionados o general José Ernesto de Sampaio e o coronel João de Morais Zamith, respectivamente primeiro e segundo comandantes da Região Militar, o tenente-coronel Luís Monteiro Nunes da Ponte, governador civil do Porto, e o seu substituto, major Sequeira Tavares, o comandante da força que fazia a guarda ao quartel-general e o presidente da Comissão de Censura à Imprensa.
As forças governamentais, depois de algumas horas de desorganização, passaram a ser constituídas por uma parte reduzida do Regimento de Infantaria 18, que tinha como comandante o coronel Raul Peres, o Regimento de Cavalaria 9 e o Regimento de Artilharia 5, este aquartelado na Serra do Pilar. Na tarde do dia 3 de Fevereiro, sob o comando do coronel João Carlos Craveiro Lopes, chefe do estado-maior da Região Militar e governador militar da cidade, as forças pró-governamentais concentraram-se no quartel da Serra do Pilar e abriram fogo de artilharia contra os revoltosos.
Na manhã desse mesmo dia 3 de Fevereiro, numa manobra arriscada, mas indicativa da certeza de que estava assegurada a fidelidade ao Governo das tropas de Lisboa, o Ministro da Guerra, coronel Abílio Augusto Valdez de Passos e Sousa, saiu de Lisboa num comboio com destino a Vila Nova de Gaia, onde chegou ao anoitecer. Assumiu então o controlo operacional das forças pró-governamentais ali instaladas sob o comando do coronel João Carlos Craveiro Lopes, mantendo-se na frente de combate até à subjugação dos revoltosos.
Logo na manhã de 4 de Fevereiro, juntaram-se aos revoltosos os militares do Regimento de Artilharia de Amarante, cujas peças de artilharia obrigaram as forças governamentais a recuar para o Monte da Virgem, de onde o bombardeamento sobre os revoltosos prosseguiu. Nessa mesma manhã, as forças revoltosas concentram-se na zona citadina em torno da Praça da Batalha, em redor da qual se montaram trincheiras, metralhadoras e peças de artilharia. Na confluência da Praça da Batalha com a Rua de Entreparedes foram instaladas duas peças de artilharia.
Na manhã do dia 4 de Fevereiro, o Regimento de Cavalaria 8, vindo de Aveiro, fiel ao Governo, conseguiu penetrar o fogo dos revolucionários e atravessar a Ponte de Luís I, mas foi detido pelas barricadas que defendiam a Praça da Batalha. A mesma sorte tiveram as tropas fiéis ao Governo aquarteladas na própria cidade do Porto, que foram rechaçadas pelo intenso fogo das trincheiras dos revolucionários quando tentaram avançar sobre as posições dos sublevados.
Entretanto começaram a chegar mensagens de adesão de diversas guarnições, mas não das esperadas guarnições de Lisboa. Aderem tropas pertencentes a unidades aquarteladas em Viana do Castelo, Figueira da Foz e Faro, estas últimas apoiadas por forças de Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, mas por falta de apoio, particularmente de Lisboa, os recontros nestas cidades são esporádicos e a rebelião foi, na maior parte dos casos, subjugada em escassas horas.
Na tarde de 4 de Fevereiro, quando as adesões militares não corresponderam ao esperado, Raul Proença, profundamente envolvido na revolta, convoca os civis para combaterem ao lado dos revoltosos, mas com pouco sucesso. O movimento haveria de se manter até ao fim essencialmente militar, sendo poucas as adesões civis. Mesmo as restantes forças da Guarda Nacional Republicana estacionadas no Porto e seus arredores fizeram saber, através do seu comandante, major Alves Viana, que se manteriam neutrais, garantindo o policiamento da cidade "em defesa das vidas e dos haveres dos cidadãos", mas não interferindo na contenda entre militares.
Ao longo do dia foram sendo consolidadas as defesas do perímetro em torno da Praça da Batalha, com a colocação ao cimo da Rua de 31 de Janeiro, na bifurcação com a Rua de Santa Catarina, de uma metralhadora para impedir a progressão naquelas ruas. Tal foi a mortandade causada pela metralhadora ali colocada que a posição foi cognominada de a trincheira da morte.
Para completar o perímetro defensivo, foi colocada outra metralhadora numa trincheira construída na confluência das ruas de Cima de Vila e da Madeira, montada uma peça de artilharia à esquina do edifício do Hospital da Ordem do Terço, voltada para a Rua do Cativo, e colocada uma metralhadora no desaparecido Largo do Corpo da Guarda, ao cimo da rua que ainda mantém esta designação. Para além disso, levantou-se o pavimento e montaram-se duas peças de artilharia na Rua de Alexandre Herculano, na junção com a Praça da Batalha e a Rua de Entreparedes.
Para além de soldados do Regimento de Infantaria 6, de Penafiel, e da GNR da Bela Vista estacionados ao longo da Rua Chã, foram colocadas "vedetas", patrulhas constituídas por soldados e civis, ao longo de todo o perímetro.
Na tarde deste dia, o comandante Jaime de Morais, chefe militar do Comité Revolucionário do Norte, enviou ao general Óscar Carmona, Presidente da República, um telegrama contendo um ultimato em que se afirmava: Os oficiais revoltosos decidiram reintegrar o País dentro do regimen democrático constitucional, com a formação de um Governo Nacional que afirmasse a supremacia do poder civil, guardado e defendido pela força armada, que assim teria restituído as funções de que a desviaram.
Nesse mesmo dia 4 de Fevereiro, e nos dias imediatos, juntaram-se aos revoltosos do Porto forças provenientes de Penafiel, Póvoa do Varzim, Famalicão, Guimarães, Valença, Vila Real, Peso da Régua e Lamego. Vinda de Amarante chegou mais artilharia, a qual foi estacionada nas imediações de Monte Pedral. A artilharia da Figueira da Foz foi detida na Pampilhosa quando se dirigia para o Porto.
Ao contrário do previsto pelos revoltosos, até ao final do dia 4 de Fevereiro não se registaram quaisquer adesões em Lisboa, centro vital do poder político-militar, o que permitiu ao Ministro da Guerra, coronel Passos e Sousa, concentrar todas as forças no combate aos entrincheirados no Porto. Na tarde deste dia, a posição dos revoltosos era crítica, já que os pró-governamentais dominavam Lisboa e todo o sul de Portugal e controlavam a margem sul do Douro, tornando improvável o reforço das tropas revoltosas.
Entretanto, na manhã do dia 5 de Fevereiro o vapor Infante de Sagres chegava a Leixões, com tropas governamentais, comandadas pelo coronel Augusto Manuel Farinha Beirão, enquanto mais forças governamentais atravessavam o Douro em Valbom e se encaminhavam para o centro da cidade.
Nessa mesma manhã desenvolve-se uma tentativa de conciliação, que leva o comandante Jaime de Morais e o major Severino a visitar o quartel-general do Ministro da Guerra, instalado num prédio da Avenida das Devezas, em Gaia, numa tentativa de negociar a rendição em troca da liberdade para os revoltosos. Os parlamentários dos revolucionários foram obrigados a atravessar a cidade vendados, mas o resultado foi inconclusivo já que o Ministro recusou uma rendição que não fosse incondicional: ou a rendição total ou o bombardeamento da cidade. Falhada a conciliação, a partir das 16 horas do dia 5 de Fevereiro travou-se um grande duelo de artilharia entre as duas margens do rio Douro.
Durante a tarde do dia 5 de Fevereiro começou a montar-se o cerco aos revoltosos, envolvendo o Porto num anel de fogo e metralha: pelo norte, as tropas desembarcadas em Leixões pelo Infante de Sagres; por leste, tropas fiéis ao Governo vindas de Bragança e da Régua, chefiadas por António Lopes Mateus; e a sul, em Vila Nova de Gaia, concentram-se cerca de 4.000 homens vindos de várias guarnições, munidos de farta artilharia. Perante o apertar do cerco, na noite de 5 de Fevereiro, os revoltosos propõem um armistício, mas Passos e Sousa responde, na manhã do dia 6, com o reiterar da exigência de uma rendição incondicional e a ameaça de bombardeamentos ainda mais intenso e pesado, incluindo o recurso a obuses.
Raul Proença regressou a Lisboa na noite de 6 de Fevereiro para pedir auxílio e para tentar desencadear a revolta naquela cidade, já que o movimento, sem os apoios esperados, começava a enfrentar sérias dificuldades no Porto.
Naquelas circunstâncias só restava negociar a rendição, já que um ataque à baioneta contra as baterias governamentais da Serra do Pilar (Gaia) que invertesse a situação era virtualmente impossível e muito provavelmente redundaria num banho de sangue, sendo certo o bombardeamento da cidade. Com os olhos postos em Lisboa, onde a muito custo e com uma lentidão exasperante o movimento parecia finalmente arrancar, os revoltosos resistem durante os dias 6 e 7 de Fevereiro, mas à medida que as horas passam e as munições se esgotam cresce o sentimento de derrota e sobem de tom as vozes que advogam a rendição.
Finalmente, na tarde do dia 7 de Fevereiro, esgotadas as munições, o quartel-general dos revoltosos, instalado no Teatro de S. João, manda dispersar os civis ali aquartelados. À meia-noite o general Sousa Dias faz chegar ao Regimento de Artilharia 5, em Gaia, por intermédio do major Alves Viana, da GNR, um documento apenas por si subscrito, em que propõe a rendição, com salvaguarda da isenção de responsabilidades de sargentos, cabos e soldados. Passos e Sousa aceita apenas a isenção de cabos e soldados, declarando que os oficiais e sargentos envolvidos seriam punidos. Qualquer civil apanhado de armas na mão seria imediatamente fuzilado.
Sem mais opções, pelas três horas da madrugada do dia 8 de Fevereiro Sousa Dias aceita as condições propostas e ordena a rendição dos revoltosos. Pelas 8h30, Passos e Sousa entra triunfalmente na cidade, pela Ponte Luís I. Estava terminada a revolta no Porto.
Pouco depois o coronel João Carlos Craveiro Lopes envia ao general Óscar Carmona, Presidente da República, o seguinte telegrama: Felicito V. Ex.ª e o Governo da Nação. Tropas entraram Praça da Batalha, Porto, às 8 horas e meia, tomando conta da cidade onde a vida vai retomando a sua normalidade. Na tarde desse mesmo dia 8 de Fevereiro, o Ministro Passos e Sousa parte para Lisboa, cidade onde a revolta estava agora acesa.
Durante os 5 dias que durou a revolta no Porto perderam a vida mais de 100 pessoas, entre militares e civis, entre os quais o jornalista António Maria Lopes Teixeira, director do Diário do Porto. Foram mais de 500 os feridos, alguns dos quais viriam a sucumbir nos dias imediatos. Os estragos causados pelos bombardeamentos e tiroteios também foram grandes, com muitas casas devastadas e muitos edifícios públicos grandemente danificados.



Publicado por Tovi às 13:44
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018
Exposições Caninas do Norte

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Os últimos retoques… para que amanhã esteja tudo “comme il faut”

 

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«Pedro Baptista» - Amigo, David Ribeiro, são contra o conceito de "raças" mesmo nos cães. Nunca quis um cão "de raça"... Faça o favor de tentar destruir, se o pretender, esta minha convicção...

«David Ribeiro» - Meu amigo Pedro Baptista… As diferentes RAÇAS CANINAS têm unicamente a ver com a função como os diferentes tipos de canídeos se comportam na vivência simbiótica com o homem, seja na condução de gado, guarda de rebanhos e/ou territórios, seja na procura, recobro ou levantamento dos mais variados tipos cinegéticos, ou a mais simples e subjectiva função de “cão de companhia”. Um cão sem raça definida, oriundo de vários cruzamentos rácicos, por mais querido que seja, e eu também os tenho cá por casa e trato-os tão bem como a todos os outros, não tem nenhuma característica suficientemente individualizada e bem pronunciada, que obviamente não será transmitida aos seus descendentes. Um Cão de Gado Transmontano, por exemplo, sem nunca ter vivido ou visto alguma vez ovelhas, quando colocado perante um rebanho num lameiro sabe imediatamente que é necessário protege-lo de estranhos a todo o custo. Está nos genes e este caso (unicamente como exemplo) verifica-se nesta raça e outros casos noutras raças, não sendo verificável nos cães sem raça definida.

«Jorge Veiga» - e não podem aprender David Ribeiro?

«David Ribeiro» - Até hoje ainda ninguém o conseguiu. E neste caso que apresentei nunca um Cão de Gado foi ensinado.

«Pedro Baptista» - Muito obrigado pelo clarificação luminosa de quem sabe do assunto. Convenceu-me de que se eu tivesse gado transmontano ou tibetano para apascentar usaria o cão da raça adequado à função. Como não tenho, e conheço bastantes pessoas que também nem têm gado, nem funções específicas para os bichos, a não ser pretenderem usá-los como etiqueta social, fico-me com a preferência que já detinha de cães polirrácicos, usufruindo das funções surpreendentes que possam advir de cada cruzamento que é sempre uma inovação, resultantes das circunstâncias da vida real e não do condicionamento de criadores ou de laboratórios. Mais uma vez obrigado e um grande abraço canífilo... Canífilo, diz-se? Não? Mas por que não?



Publicado por Tovi às 10:43
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
INFARMED vem para o Porto

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A sede e a maioria dos serviços da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P. vão ser deslocalizados de Lisboa para a cidade do Porto no início de 2019 e isto é da maior justiça no que diz respeito à política de descentralização do Governo de António Costa.

Estamos ainda para ver como os senhores do Terreiro do Paço vão resolver o diferendo com uma maioria dos funcionários do Infarmed que parecem não estar dispostos a mudarem-se de armas e bagagens para a Cidade Invicta.

 

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«Pedro Baptista» - Temos assistido a uma semana que muitos, entre nós, considerariam impossível. No entanto, ela é altamente esclarecedora daquilo em que se tornou este espaço em que vivemos. No inicio da semana foi a metralha, nas redes sociais e nos opinadores de meia-tigela, de que a EMA não veio para Portugal porque a candidatura, entre vinte e tal, era do Porto, tinha sido não de uma estação mas de um apeadeiro. Em seguida, após o governo ter decidido colocar o INFARMED no Porto, que era o que faltava ir viver para o Porto, estava posta em causa a qualidade dos serviços, eram contra medidas avulso e todo o tipo de bacoradas, quando o país deveria desconcentrar pelo Porto, e por as outras suas cidades, as sedes dos serviços centrais, para alívio, aliás, dos lisboetas inteligentes que poderiam ver a cidade dedicar-se à economia e não apenas à administração. Do lado de cá, quase só o Presidente da Câmara do Porto fazia frente à caterva, sorria, na página pessoal, do ressabiamento de tantos e, tudo isto, se não fosse para chorar por um país destruído por estas mentalidades mesquinhas e bacocas, seria mesmo para rir e na página oficial! Era de esperar: o centralismo ao reproduzir-se na sua própria estupidez e mediocridade tornou o país inviável sob o seu domínio! O que fez ao país foi desertificaçá-lo, abandonado-lo e entregar-lo às chamas de verão e outono... Viver da dívida pública para alimentar uma administração sem economia, com o território abandonado e com as pessoas acantonados... O país viável não teria a ver com isto: teria os serviços centrais de agricultura em Vila Real ou Évora, os das pescas em Faro, Portimão, Aveiro, Matosinhos ou Viana, o Tribunal Constitucional em Coimbra, por aí fora. E o INFARMED no Porto, claro, na cidade da melhor Universidade portuguesa. - Agora percebi, Sr. Doutor, o que se passou há uns anos com a Regionalização - dizia-me ontem ao jantar um funcionário do "Buraco"... Mas eu penso que depois disto todos podemos perceber que este país se tornou inviável e que não poderá ser possível a vida social, económica, cultural e Política sem uma rutura... e das antigas... Quem diria que o tempo iria dar razão de tal forma exuberante à tentativa denominada PARTIDO DO NORTE... Talvez porém, os campeões lisboetas do centralismo possam ir por outro caminho... Já que são tão superiores, capazes e auto-suficientes, e já que nós somos assim tão odiosos e incompetentes... já que se mostram de tal forma avessos a qualquer solidariedade com o Porto, e portanto nacional, por que não decidem proclamar a independência? Sim, a independência de Lisboa! Podem ter a certeza que, tirando uns lacaios mais atrasados que há sempre, no Porto a ideia seria aceite com a maior serenidade, senão mesmo, satisfação!

«Nuno Santos» - A notícia da transferência do INFARMED para o Porto antecedeu a notícia do fecho da delegação da CMVM no Porto. Esta não provocou, até hoje, a uma única alma, comiseração em relação aos trabalhadores da CMVM. Nem aos que, agora, são desterrados para Lisboa, nem aos que, ao longo dos anos, para lá foram deslocados. Assim como os da Bolsa de Valores que encerrou no Porto há uns anos, a favor de “sinergias” em Lisboa, nem os do IAPMEI que também para lá foram, nem os da TAP que continua a fechar serviços no Porto e a obrigar dezenas de milhares de passageiros a pernoitar em Lisboa, sempre que um dos voos que as companhias estrangeiras acham interessantes e rentáveis, para a TAP, apenas o são se forem operados em Lisboa, com ponte aérea. Ninguém se compadece com as centenas de trabalhadores da função pública que, feito, no Porto, o curso de chefias, ou vão para Lisboa ou ficam sem progressão, à razão de 181 para 5, como vemos no Facebook de Rui Moreira e o mesmo denunciou há mais de ano numa crónica de opinião. Tenho a máxima simpatia pelos trabalhadores do INFARMED que é Estado e que são funcionários que o SNS não se importará de incorporar em Lisboa noutros serviços de não quiseram vir para o Porto, mas outra coisa é outra coisa. E dizerem-me que a transferência de um laboratório custa 90 milhões de euros é um insulto à minha inteligência, assim como é dizer que “recentemente foi renovado”, quando isso aconteceu em 2000.



Publicado por Tovi às 10:16
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