"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sábado, 24 de Agosto de 2019
Revolução do Porto

revoluo-liberal-1820-1-638.jpg

Faz hoje 199 anos a REVOLUÇÃO DO PORTO, um movimento de cunho liberal que teve repercussões tanto na História de Portugal quanto na História do Brasil. O movimento resultou no retorno (em 1821) da Corte Portuguesa, que se transferira para o Brasil durante a Guerra Peninsular, e no fim do absolutismo em Portugal, com a ratificação e implementação da primeira Constituição portuguesa (1822). O movimento articulado no Porto pelo Sinédrio eclodiu no dia 24 de Agosto de 1820. Ainda de madrugada, grupos de militares dirigiram-se para o campo de Santo Ovídio (atual Praça da República), onde formaram em parada, ouviram missa e uma salva de artilharia anunciou publicamente o levante. Às oito horas da manhã, os revolucionários reuniram-se nas dependências da Câmara Municipal, onde constituíram a "Junta Provisional do Governo Supremo do Reino". (in WikiPédia)



Publicado por Tovi às 14:20
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
E não é que estou a ficar totó?!...

...é que ainda não consegui entender isto.

Captura de Ecrã (210).png

 

Cá está uma visão lúcida… de Jose Antonio Salcedo:

Nos últimos meses temos assistido a várias discussões públicas a propósito de ideologia de identidade e ideologia de género. Em boa verdade, ideologia de género está contida em ideologia de identidade e partilha com ela muitas das suas características.Qualquer uma destas ideologias começa por agrupar algumas características humanas que permitam classificar pessoas em caixas de tamanho reduzido. A justificação para essa “redução” é proteger essas “minorias” de maiorias alegadamente opressoras; em boa verdade, essa é uma técnica antiga de manipulação e controlo de pessoas para perpetuar o “status-quo” de uma “classe” de auto-iluminados, regra geral chico-espertos e medíocres. Técnicas de vitimização são sobejamente conhecidas desde sempre.

Considero que a maior parte da discussão pública sobre estas ideologias, ou falta delas, é artificial e perigosa. Artificial porque não assente em Ciência e perigosa porque assente em manipulação. Se educarmos crianças e adultos a respeitar seres humanos pelo DNA e humanidade que os caracteriza, em vez de detalhes como sexo, cor da pele, religião ou outro qualquer sem relevância, os alegados problemas desaparecem.

Nota: não utilizo a palavra “género” porque sexo não é binário. Entre 100% masculino e 100% feminino, a Biologia encarrega-se de propiciar circunstâncias em que o sexo de um indivíduo se situa numa escala quase continua entre estes dois extremos. Em verdade, a escala é mais complexa e nem sequer é linear. Porém, se respeitarmos os seres humanos pelo DNA e humanidade que os caracteriza, não existe qualquer problema.

Um exemplo prende-se com as casas de banho nas escolas para protecção de jovens trans (que têm de ser protegidos, dada a cultura medíocre que ainda caracteriza grande parte da sociedade), assim como de todos os jovens com necessidades especiais. Se elas forem de utilização individual e permitirem privacidade, por exemplo, como são sempre nas casas das pessoas, os problemas com crianças trans e outras com necessidades especiais desaparecem. Adicionalmente, se estiverem devidamente equipadas, cuidadas e limpas, todas as pessoas ficarão bem servidas, algo que não acontece actualmente. Uma nota: uma pessoa trans jovem reflecte essencialmente a complexidade da Biologia. Como tal, ela deve ser respeitada à luz do DNA e humanidade referidos e não de uma qualquer sociologia ou de alegadas “construções sociais”, que são falsas. Esta é uma questão de Ciência, embora a maior parte das pessoas prefira ver o mundo a preto e branco. Estão errados, pois esta não é matéria de opinião.

Neste contexto deixo duas críticas ao actual governo: (1) enquanto dono das escolas públicas, é sua responsabilidade assegurar que cada escola do sistema tem todas as condições necessárias - de infra-estrutura e pessoas formadas - para cumprir com a legislação que entendam produzir. Por outras palavras, é responsabilidade dos governantes ser competentes e profissionais, coisa que raramente são e certamente não foram agora. Por outro lado, (2) a formação de pessoas sobre estas e outras matérias (docentes e pessoal de apoio) não se faz através de associações públicas ou privadas interessadas, que praticamente sempre primam pela incompetência, demagogia e doutrinação, mas sim através de protocolos competentes celebrados entre os ministérios relevantes e organizações de médicos, psicólogos ou de outros profissionais apropriados aos objectivos. Percebem?

Sejam competentes e profissionais.



Publicado por Tovi às 07:05
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019
Mercadona... em Portugal

Captura de Ecrã (160).png



Publicado por Tovi às 11:46
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019
Uma pedrada no charco

Para memória futura:

  • A geração dos meus pais sacrificou-se para que os filhos tivessem o que eles nunca tiveram. Mas é possível que eles tenham tido aquilo que mais nos tem faltado nos últimos vinte anos: um objectivo claro para as suas vidas e um caminho para trilhar na sociedade portuguesa.

  • No nosso país instalou-se esta convicção perigosa: um jovem talentoso que queira singrar na carreira exclusivamente através do seu mérito, a melhor solução que tem ao seu alcance é emigrar. Isto é uma tragédia portuguesa.

  • Há o “eles” – os políticos, as instituições, as várias autoridades, muitas das quais (receio bem) se encontram hoje aqui presentes. E há o “nós” – eu, a minha família, os meus colegas, os meus amigos. Entre o “nós” e o “eles” há uma distância atlântica, com raríssimas pontes pelo meio.

  • Partilhamos uma língua, um país com uma estabilidade de séculos, sem divisões, e é uma pena que por vezes pareçamos cansados de nós próprios. Tivemos História a mais; agora temos História a menos. Passámos da exaltação heróica e primária do nosso passado, no tempo do Estado Novo, para acabarmos com receio de usar a palavra “Descobrimentos”.

  • Temos o hábito de levantar a cabeça à procura de grandes exemplos, e nem sempre os encontramos – mas muitas vezes os melhores exemplos estão ao nosso lado, e alguns deles começam em nós mesmos. Sobre cada um de nós recai a responsabilidade de construir um país do qual nos possamos orgulhar.

  • Aquilo que melhor distingue as pessoas não é serem de esquerda ou de direita, mas a firmeza do seu carácter e a força dos seus princípios. Aquilo que se pede aos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita, é que nos dêem alguma coisa em que acreditar. Que alimentem um sentimento comum de pertença. Que ofereçam um objectivo claro à comunidade que lideram.



Publicado por Tovi às 15:09
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Domingo, 9 de Junho de 2019
Ganhamos a 1ª edição da Liga das Nações

Portugal 1 - 0 Holanda

liga das naçaoes.jpg

Após a vitória no Dragão… o que se ouviu durante os festejos na Cidade Invicta:

  • Danilo - "Os meus colegas que vejam como é festejar na Avenida dos Aliados"
  • Cristiano Ronaldo (na varanda dos Paços do Concelho) – “Tenho de dizer a verdade: isto é impressionante. Bonito, bonito, bonito”
  • Fernando Santos - “Esta família é quase indestrutível”
  • Rui Moreira – “Somos todos Campeões”



Publicado por Tovi às 21:39
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Domingo, 1 de Julho de 2018
Ciganos romenos em Portugal

Procurando informação na NET fiquei a saber que em Abril de 2015 mais de duzentos cidadãos da União Europeia – ciganos romenos – sobreviviam em Lisboa em condições infra-humanas, sem água, sem electricidade e sem esgotos, num enorme bairro de barracas oculto sob o Eixo Norte-Sul, um lugar a que chamavam casa e que mais não era que cerca de 60 barracas toscas de metro e meio de altura, improvisadas com os materiais disponíveis no lixo: paus, plásticos, placas de alumínio. Tanto quanto sei a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de Campolide, com o apoio de polícias e escavadoras e sem qualquer aviso prévio, destruiu todas as barracas, tentando assim "resolver um problema de salubridade e higiene pública". Sei também que a Santa Casa e o ACM (Alto Comissariado para as Migrações) procuraram alojar temporariamente estas pessoas, mas elas recusaram sempre.

Quem na altura se deu ao trabalho de falar com eles relata-nos um caso: Maria está em Portugal há cinco meses. Veio com toda a família e quer ficar até ao fim do ano. Quase todos os ciganos romenos debaixo desta ponte são migrantes sazonais: vêm durante o Inverno, para fugir às temperaturas glaciais da Roménia e regressam na primavera. Porque vêm? "Na Roménia não há trabalho… em Portugal também não, mas há comida!" diz ela enquanto exibe um saco do lixo cheio de restos. "Na Roménia passamos fome. Se ficares lá morres! Aqui ninguém morre de fome". O cheiro a lixo e a fezes é nauseabundo. Há crianças doentes e mulheres grávidas. E mesmo assim, todos garantem, que não há miséria portuguesa que se compare à vida na Roménia, onde se vivia melhor no socialismo. Os ciganos foram uma das comunidades mais beneficiadas pelas conquistas sociais desses tempos, tendo o Estado Socialista de Nicolae Ceaușescu conseguido até sedentarizá-los mas num processo que também não foi pacífico. "Davam-nos casas, mas nós estávamos habituados a viver em tendas… então usávamos as casas como estábulos e continuávamos a viver cá fora…" e a democracia que se seguiu não melhorou nada. "Nos anos 90 ficámos com as casas, mas quando privatizaram a electricidade e deixámos de poder pagar, voltaram as fogueiras... Uns anos depois, só as paredes não tinham ardido" (ver foto).

romenos.jpg

E dou comigo a pensar que os que “acamparam” na minha zona de residência – Rotunda da Boavista e Interface da Casa da Música - todos os dias se levantam com a alvorada e vão fazer o que lhes pode valer algum dinheiro: as mulheres vão pedir para a porta dos supermercados, os homens vão estacionar carros e limpar pára-brisas, ou fazer pequenas burlas e furtos não violentos. Mas ao fim do dia é ver uns “chefões”, em bons carros e ornamentados com exuberantes colares e anéis em ouro, passarem para recolher o apuro do dia. É que esta gente não só vive na miséria como também é terreno propício à exploração humana.

Uma miséria a necessitar urgentemente da nossa melhor atenção.



Publicado por Tovi às 15:24
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Sábado, 30 de Junho de 2018
Uruguai 2 – 1 Portugal

CAM00993-1.jpg

Acabou!... Vou arriar a Bandeira Nacional na minha varanda 

 

Neste jogo dos oitavos-de-final do Rússia2018 houve muita posse de bola da nossa parte, mas pouca eficiência e quem não marca não ganha. O pragmatismo e objectividade dos uruguaios ditaram o resultado.



Publicado por Tovi às 22:27
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
Portugal 1 – 1 Irão

25Jun Fase de grupos B.jpg

Muito sofridinho, mas lá ultrapassamos esta fase de grupos. A partir de agora é que vai ser e a selecção do Uruguai não vai ser pera doce, até porque venceu os três jogos desta primeira fase do Rússia2018 sem sofrer qualquer golo.

Força Portugal  



Publicado por Tovi às 21:25
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
Portugal 1 – 0 Marrocos

20Jun2018 Portugal 1 x 0 Marrocos.jpg

Foi assim que eu vi este nosso segundo jogo do Mundial da Rússia:

Caramba!... assim nem se pode almoçar descansado. O Ronaldo até me fez entornar a sopa. Aos cinco minutos do jogo já ganhamos por um a zero a Marrocos.

Os jogadores marroquinos além de até agora não valerem o estouro de um foguete são também uns sarrafeiros do caraças.

Grande defesa de Rui Patrício. Aos 56 minutos ainda não dá para descansar e o resultado é curto.

O Fernando Santos está no estádio?... e não mexe na equipa?

Faltam cerca de dez minutos para o fim do jogo e Ronaldo não conseguiu marcar golo do livre a nosso favor, mesmo em cima da linha da grande área.

Ganhamos!... mas com uma exibição muito fraca. Temos que ser muito mais agressivos se queremos ir longe neste Rússia2018.

Rui Patrício foi, para mim, o homem do jogo.

 

   Outro resultado do nosso grupo

Irão 0 – 1 Espanha



Publicado por Tovi às 15:06
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018
Portugal 3 – 3 Espanha

15Jun Portugal 3 x 3 Espanha.jpg

Foi assim que eu vi este nosso primeiro jogo do Mundial da Rússia:

Um golo de penalty aos três minutos, marcado por Ronaldo, é um bom presságio. Força Portugal.

Só assim é que eles marcam. Este VAR até parece os nossos. Um a um no marcador.

Gooooolo de Ronaldo. Dois a um nos últimos minutos da primeira parte.

Erros destes na defesa pagam-se caro. Empate a dois é o resultado aos 56 minutos.

Mais um. E já perdemos por três a dois.

E vão três do melhor do mundo. Empate a três ao minuto oitenta e oito.

Empatar com a Espanha, com três golos do Melhor do Mundo, é um bom presságio para este Rússia2018.

 

   Outro resultado do nosso grupo

Marrocos 0 - 1 Irão

 

O que dizem os britânicos do The Telegraph sobre Cristiano Ronaldo: "...his contribution has always been immense to Portugal, a better team now than the Euro 2016 winners, but still trying to keep pace with their star man."



Publicado por Tovi às 21:34
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Domingo, 10 de Junho de 2018
10 de Junho… nos USA

10junho.jpg

Creio que esta “moda” das cerimónias oficiais do 10 de Junho terem lugar também fora do território português foi “inventada” por Marcelo Rebelo de Sousa, mas até se entende pois nesta data assinala-se não só o Dia de Portugal e de Camões, mas também o das Comunidades Portuguesas. E em Boston e Providence há uma considerável comunidade de luso-descendentes.



Publicado por Tovi às 17:03
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Sábado, 9 de Junho de 2018
Selecção Portuguesa para o Mundial2018.

Partiu hoje para Moscovo a Selecção Portuguesa de Futebol que nos vai representar no Mundial2018.

Boa sorte rapaziada!...

 

    Plantel

Selecção Portuguesa de Futebol aab.jpg

Guarda-redes: Beto, Rui Patrício, Anthony Lopes.

Defesas: Pepe, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, José Fonte, Cédric, Mário Rui, R. Guerreiro, Rúben Dias.

Médios: Manuel Fernandes, Quaresma, João Moutinho, Adrien Silva, William, Vieirinha, Danny, João Mário, Ricardo Pereira, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes.

Avançados: Cristiano Ronaldo, André Silva, Lucas João, Gelson Martins.

Selecionador / Treinador: Fernando Santos



Publicado por Tovi às 17:37
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018
Eutanásia não é isto

eutanásia bb.jpg

É, no mínimo, chocante alguém utilizar esta argumentação para defender os seus pontos de vista sobre a despenalização da eutanásia.



Publicado por Tovi às 10:59
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2018
Violência e Corrupção no Futebol Nacional

MKF92WQH.jpg

Na década de oitenta do século passado a Primeira-Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, perante o descalabro a que tinha chegado a violência dos adeptos britânicos no futebol, atacou o hooliganismo com mão de ferro. Estaremos em Portugal ainda longe desta situação, mas prevenir é sempre melhor que remediar.



Publicado por Tovi às 14:34
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Sábado, 28 de Abril de 2018
Regionalização... a promessa por cumprir

   Pedro Carlos Bacelar de Vasconcelos no JN de 26Abr2018

Bacelar.jpg

A promessa por cumprir

Os deputados eleitos a 25 de abril de 1975 para a Assembleia Constituinte entenderam que a organização democrática da nova República não devia ficar reduzida ao criação dos novos órgãos de soberania e da administração pública. Pareceu-lhes indispensável inscrever também na Lei Fundamental órgãos de poder local encarregados de zelar pelos interesses próprios das respetivas populações, por elas eleitos e politicamente responsáveis perante os seus eleitores. O poder local democrático - inédito em toda a nossa história constitucional e filho da Revolução de Abril de 1974 - ficou repartido por três áreas territoriais distintas: as freguesias, os municípios e as regiões administrativas. Em consequência da decisão constituinte, a organização e as competências das freguesias e dos municípios foram consagradas na lei e os seus órgãos seriam eleitos pelas respetivas populações ainda em 1976, conforme a Constituição aprovada nesse mesmo ano.
A delimitação atual das freguesias, dos municípios e dos distritos não sofreu alterações substanciais desde a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira, decretada em 1834, no fim da guerra civil que definitivamente acabou com o absolutismo monárquico neste país. Os dirigentes locais, porém, nunca foram eleitos nem prestaram contas perante as suas populações. E após o golpe de Estado fascista que derrubou a I República, em 1926, ficaram os governadores civis dos distritos, nomeados pelos governos de Salazar e de Marcelo Caetano, capacitados para escolher os presidentes de câmara, cabendo a estes a nomeação dos "regedores" das freguesias, todos normalmente recrutados entre o pessoal da confiança do regime e filiados no único partido político permitido pela ditadura - a União Nacional, mais tarde designada Ação Nacional Popular. O poder local democrático é portanto uma criação da Revolução de Abril de 1974 e hoje já ninguém duvida da contribuição decisiva das freguesias e dos municípios para a consolidação das instituições políticas da democracia constitucional e para o desenvolvimento e bem-estar das suas populações.
Em sentido diverso, entenderam os deputados constituintes que os distritos deviam subsistir e manter-se provisoriamente sob a tutela de governadores civis nomeados pelo Governo da República, até que as regiões administrativas fossem criadas e os seus órgãos fossem eleitos... uma situação que, desgraçadamente, se acabaria por prolongar até aos nossos dias, fruto de sucessivos contratempos, uns imprevistos, outros intencionais. O contratempo mais perverso ocorreu em 1998, quando, através da revisão constitucional, se impôs a exigência absurda de submeter a um duplo referendo a instituição concreta das regiões e foi submetido a escrutínio popular um mapa que retalhou as cinco regiões plano correspondentes às atuais comissões de coordenação regional, inventando nada menos do que oito regiões. O rotundo fracasso desse infeliz referendo levou a que a regionalização tivesse sido afastada do debate público nos último vinte anos!
Contudo, este défice de democracia local é duplamente perverso. Primeiro, desqualifica o Governo nacional, quando este se substitui, paternalmente, aos dirigentes locais - nas freguesias, nos municípios ou nas regiões por fazer - para responder a exigências que seriam melhor compreendidas e executadas pelos autarcas e melhor julgadas pelos seus eleitores. Desqualifica, em segundo lugar, o poder local, desta forma condenado à condição subalterna de mendigar subsídios ou reclamar agravos, para corresponder às expectativas das populações que representam. E degrada-se fatalmente a representação democrática para benefício dos caciques e dos populistas!
A chaimite de Salgueiro Maia estacionou, definitivamente, nos jardins do palacete de São Bento - residencial oficial do primeiro-ministro. Entre o Campo Pequeno e o Campo Grande - prodigiosas alegorias -, a Câmara de Lisboa inaugurou no dia 25 de abril, o Jardim Mário Soares! Enfim, parece ter chegado o tempo de cumprir na íntegra a promessa constituinte da criação do poder local democrático... e de assumirmos, agora, o firme compromisso de instituir as cinco regiões administrativas, sem mais delongas, no início da próxima legislatura.



Publicado por Tovi às 15:41
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