"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Sábado, 21 de Maio de 2022
António Costa em visita à Polónia e Ucrânia

 António Costa na Polónia
Captura de ecrã 2022-05-20 204843.jpgO primeiro-ministro António Costa confirmou ontem, após reunir-se com o seu homólogo polaco, Mateusz Morawiecki, em Varsóvia, que Portugal está a discutir com vários governos a possibilidade de usar o porto de Sines como plataforma de distribuição de gás, transferindo-o de navios maiores para embarcações mais pequenas, capazes de operar nos mares Báltico e do Norte. Mateusz Morawiecki, por seu lado, revelou que a Polónia está interessada em cooperar com Portugal num eventual transporte de gás natural liquefeito (GNL), referindo que o seu país está a tornar-se num eixo para o gás e, portanto, "se pudermos obter gás adicional [...] estaríamos muito interessados neste tipo de cooperação com Portugal", concluiu Morawiecki.
Para além das questões energéticas, António Costa, deixou a garantia de que Portugal vai reforçar o apoio material à Polónia no esforço que este país está a fazer no acolhimento aos refugiados ucranianos, num valor “até ao montante máximo” de 50 milhões de euros, traduzidos no envio de “casas pré-fabricadas, casas modelares, produtos farmacêuticos e bens alimentares, roupa e calçado”, entre outros, voltando a referir que o país continua disponível para colaborar com as autoridades polacas na partilha do esforço de acolhimento dos refugiados ucranianos. Após o encontro com o seu homólogo polaco, António Costa deslocou-se ao Estádio Nacional de Varsóvia, onde está instalado o maior centro de acolhimento a refugiados da guerra na Ucrânia, reiterando a promessa de solidariedade de Portugal no processo de acolhimento, instalação e encaminhamento.

 

  António Costa em Irpin
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O primeiro-ministro dirigiu-se até Irpin, uma das zonas mais afectada pela guerra que fica a cerca de 20 quilómetros da capital ucraniana. “Ver ao vivo é algo absolutamente devastador pela brutalidade do ataque, a forma cruel como os carros foram metralhados com pessoas lá dentro”, disse Costa em Irpin. “É muito duro ver”, diz o primeiro-ministro em visita à cidade que esteve tomada pelos russos. “A guerra é sempre dramática, mas quando é entre militares são as regras do jogo. Quando é sobre civis, as suas habitações e viaturas quando estavam a fugir, já não é uma guerra normal, já estamos a falar de algo absolutamente criminoso que visa a pura destruição da vida das pessoas e do futuro de um país”. Antes de terminar a breve visita a Irpin, o primeiro-ministro disse, em relação aos crimes de guerra, que “é fundamental que a investigação prossiga” e que os “responsáveis devem ser levados perante a justiça e punidos”.

 

  António Costa em Kiev
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O primeiro-ministro português esteve hoje reunido com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro António Costa revelou que propôs o apoio de Portugal na reconstrução de escolas na Ucrânia. “Estamos disponíveis para patrocinar uma zona geográfica ou a reconstrução de escolas e jardins de infância”. A discussão continuará agora em reuniões com o governo, disse Costa que apontou com vantagem nacional no apoio à reconstrução de escolas a experiência na reconstrução destas infraestruturas em Portugal pela Parque Escolar. No início da declaração que fez no palácio presidencial, Costa disse ter sido “com grande emoção” que teve a “oportunidade de ser recebido pelo presidente Zelensky. “Um líder que inspira o mundo e nos tem dado a todos grande exemplo de coragem, personalizando notável resistência contra agressão ilegal e forma bárbara como a Rússia tem conduzido a guerra em território ucraniano”.  Nesta conferência de imprensa depois da reunião com António Costa, o presidente ucraniano afirmou que “Portugal nesta luta está do lado justo da história”.

 

  Adesão da Ucrânia à União Europeia 
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O primeiro-ministro português elogiou a resistência do povo ucraniano: “Persistência, determinação e coragem não lhes falta. Se têm tido para esta guerra, não há de faltar para desafios muito mais fáceis como a adesão europeia”, disse afirmando que a UE é “o destino” da Ucrânia, mas frisou: “Os processos de adesão são altamente complexos, incertos e difíceis. O nosso levou 9 anos”. Zelensky responder depois: “Compreendo que muitos países esperaram muitos anos para chegar a ser candidatos e depois membros. Mas é incorreto comparar a Ucrânia com esses países que passaram esse caminho em paz. Nós, em guerra, não estamos só a perder o tempo, mas também pessoas, vidas humanas, por isso agradeço quem apoia a nossa candidatura”. 

 

  Al Jazeera - 15h26 (TMG) de 21mai2022
Portugal PM Costa visits Ukraine, meets Zelenskyy
Portugal’s Prime Minister Antonio Costa says he supports Ukraine’s European Union accession bid. Speaking alongside Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy during a visit to Kyiv, Costa backed Ukraine’s EU ambitions saying “the worst thing the European Union could do to Ukraine would be to divide itself now over any decision regarding the future.” Costa reaffirmed Portugal’s commitment to the reconstruction of Ukraine stating it should be a priority in the next European Councils to find a collective response on how to rebuild the war-torn country. “We must be together, because it is together that we can build our Europe,” Costa said.

 

  
transferir.jpgAntónio Costa entregou a insígnia da Ordem da Liberdade a um funcionário diplomático na embaixada portuguesa em Kiev. Trata-se de Andrei Putilovskiy que ajudou dezenas de portugueses e luso-ucranianos a abandonar o país. O funcionário da Embaixada recebeu a insígnia da Ordem da Liberdade por ter permanecido em Kiev, disponível no apoio aos portugueses, luso-ucranianos e ucranianos que procuravam sair do país e chegar a Portugal. "Prestar esse auxílio em tempo de guerra exige, muitas vezes, gestos excecionais de bravura e coragem como aqueles de que deu prova. Estão-lhe gratos, seguramente, todos aqueles que pode salvar", afirmou António Costa. 



Publicado por Tovi às 08:35
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2022
Ao 71.º dia é assim que estamos

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pede uma trégua prolongada para resgatar os cerca de 200 civis e combatentes abrigados nos bunkers da siderúrgica Azovstal.

A Rússia afirma que suas forças interromperão as hostilidades em Azovstal e abrirão um corredor humanitário por três dias [das 8h00 às 18h00 (horário de Moscovo) nos dias 5, 6 e 7 de maio].
 
 

  

guerra-na-ucrania-02032022084426141.jpegA Polónia e a Suécia, em parceria com a União Europeia, organizam hoje uma conferência internacional de doadores para a Ucrânia. A iniciativa, que visa fornecer apoio humanitário à Ucrânia, será presidida pelos primeiros-ministros da Polónia, Mateusz Morawiecki, e da Suécia, Magdalena Andersson, em parceria com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e com a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. O primeiro-ministro português, António Costa, vai participar no evento por meios digitais. A reunião, convocada ao nível de chefes de Estado e de Governo, conta ainda com a participação de representantes de empresas e instituições financeiras globais. Segundo Varsóvia e Estocolmo, esta conferência, que dará início a uma série de eventos de apoio à Ucrânia que irão decorrer nos próximos meses, visa arrecadar fundos para satisfazer as crescentes necessidades humanitárias da Ucrânia, onde cerca de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária vital, incluindo abrigo, alimentos e medicamentos. Os dois países afirmam que “é essencial mobilizar ajuda internacional imediata para a Ucrânia, que atualmente cobre menos de 15% do que é necessário”.
Entretanto o Reino Unido anunciou também no dia de hoje um pacote de 45 milhões de libras (53 milhões de euros) de ajuda humanitária à Ucrânia, sobretudo a mulheres e crianças, canalizado na maior parte através das agências e instituições da ONU. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico disse que o apoio destina-se a pessoas mais vulneráveis afetadas pelo conflito, pelo que 15 milhões de libras (18 milhões de euros) serão destinados ao Fundo Humanitário da ONU para a Ucrânia (UHF), outros 15 milhões de libras para a UNICEF.
O primeiro-ministro português, António Costa, anunciou na Conferência de Alto Nível de Doares para a Ucrânia, que decorre em Varsóvia, numa intervenção que fez por vídeo, que Portugal vai contribuir com 2,1 milhões de euros em ajuda humanitária à Ucrânia, dos quais um milhão de euros para as respostas das Nações Unidas e 1,1 milhões adicionais.

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A presidente da Comissão Europeia apresentou ontem o novo pacote de sanções contra a Rússia, que passam pelo embargo do petróleo e gás russos até ao final do ano. E não há dúvida que mais sanções e cada vez mais direcionadas à economia do Kremlin são fundamentais. Mas tenhamos tininho na forma como as vamos implementar, pois na União Europeia nem todos têm o mesmo arcaboiço económico e são vários os países que dependem muito do gás e produtos petrolíferos vindos da Rússia, correndo nós o risco de acabarem as sanções por terem efeitos contra os próprios países europeus.
A ministra francesa do Meio Ambiente e Energia, Barbara Pompili, diz estar confiante de que os Estados membros da União Europeia chegarão a um consenso sobre como encerrar as importações de petróleo russo até o final desta semana. “Alguns países são mais dependentes do petróleo russo do que outros e, portanto, devemos tentar encontrar soluções para que eles possam aderir a essas sanções (...) Mas acho que devemos ser capazes de fazê-lo", disse a ministra à rádio France Info.

  Não!... Não vai ser fácil, seguramente
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  19h45 (TMG) de hoje / Al Jazeera
Azovstal.jpgUma terceira operação está em andamento para retirar civis da cidade portuária ucraniana de Mariupol e das instalações da siderurgia Azovstal sitiada, disse António Guterres, secretário-geral da ONU. Guterres recusou-se a dar detalhes sobre a nova operação “para evitar prejudicar um possível sucesso”. “Espero que a coordenação contínua com Moscovo e Kiev leve a mais pausas humanitárias para permitir que os civis passem a salvo dos combates e que a ajuda chegue àqueles em necessidade crítica”, disse ele aos 15 membros do Conselho de Segurança. “Devemos continuar a fazer tudo o que pudermos para tirar as pessoas desses cenários infernais.”



Publicado por Tovi às 08:53
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Terça-feira, 3 de Maio de 2022
Criação de "task force" para Medicina de Guerra

E porque não?... Mais vale prevenir do que remediar.

  CNN Portugal - 23abr2022
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Ordem dos Médicos apela à criação de task force para medicina de guerra (e esclarece a questão dos comprimidos de iodo)
Bastonário defende que esta nova task force tem de estar ligada à segurança nacional. Para Miguel Guimarães, trata-se de "um debate importante e que tem de ser feito no país". Há uma guerra em curso a centenas de quilómetros e ainda ninguém sabe se é uma guerra que ficará a essa distância ou se será uma guerra que terá a NATO - e consequentemente deixará de haver centenas de quilómetros a separar a paz dos atos bélicos. Mas há uma pergunta que se aplica a esta guerra ou a qualquer outra guerra futura: Portugal é capaz de prestar cuidados médicos a um elevado número de feridos num curto período de tempo? A pandemia da covid, para a qual ninguém estava preparado, deixou uma base nova - a famosa task force. A Ordem dos Médicos defende que essa aprendizagem, que esse mecanismo da task force, deve ser replicado - e já - para que o país seja capaz de responder devidamente às necessidades das vítimas de um conflito armado. "Não estamos preparados, temos de nos preparar", diz à CNN Portugal o bastonário da Ordem dos Médicos.

Logo nos primeiros dias da invasão russa à Ucrânia, a procura por comprimidos de iodo aumentou. Estas pílulas foram vistas por alguns como uma mais-valia para sobreviver a um ataque nuclear - mas será mesmo assim? Miguel Guimarães começa por explicar que "estamos a falar de comprimidos especiais de cloreto de iodo, cuja dose se faz para proteger a tiróide". O bastonário realça que a tiróide é um órgão que mais facilmente retém radiação e que isso pode levar a casos de hipotiroidismo nos casos de exposição. "Para evitar isso, toma-se os tais comprimidos de iodo, que são dois comprimidos doseados a 65 miligramas", explica, lembrando que tal não será suficiente perante um míssil nuclear. "Não é. Não se pode pensar 'como tomei os dois comprimidos, posso andar aí à vontade com a radiação toda no ar', não é assim", alerta o bastonário. O propósito deste tratamento é fazer com que o paciente seja capaz de "resistir mais tempo", impedindo que "a tiróide entre em colapso", porque se tal acontecer o organismo começa a falhar de forma global. Contudo, os dois comprimidos "não evitam os efeitos letais da radiação". "Numa guerra nuclear, a única proteção que as pessoas têm é ficarem fechadas em bunkers à prova de radiação, em abrigos atómicos" - como os que existem destinados a presidentes de alguns países do mundo. 

 

 

  Putin já tem  as forças de dissuasão nuclear da Rússia em alerta
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Em finais de fevereiro deste ano Putin ordenou que o ministro da Defesa e o chefe das Forças Armadas colocassem as forças de dissuasão nuclear num “regime especial de dever de combate”, numa dramática escalada de tensões com o Ocidente sobre a invasão da Ucrânia por Moscovo. Putin justificou esta sua atitude com as “declarações agressivas” das principais potências da NATO, ao imporem sanções financeiras contundentes contra a Rússia e ele próprio. Os últimos exercícios nucleares ocorreram em 19 de fevereiro, quando Putin realizou grandes exercícios em toda a Rússia para testar o programa nuclear do país e a sua prontidão. O Kremlin disse na altura que testou com sucesso mísseis hipersónicos e de cruzeiro no mar e em alvos terrestres. O presidente bielorrusso Alexander Lukashenko, aliado de Putin, também supervisionou os exercícios militares. Os Estados Unidos responderam ao anúncio de Putin, acusando o líder russo de fabricar ameaças para justificar “mais agressão”.
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Chico Gouveia - Propaganda. Intimidação. A estratégia de Putin é a intimidação, a mentira, a ameaça, os bombardeamentos sem oposição aérea. De cada vez que Putin ameaça, é sinal de que as coisas não lhe estão a correr bem. E estão a correr muito mal. Externa e, principalmente, internamente. "Putin só mente, é incapaz de cumprir com a sua palavra, e é mestre em intimidar e amedrontar. Quem tiver medo de Putin, perde" - Petro Poroshenko, ex-Presidente da Ucrânia.
David Ribeiro
Óbvio que é "propaganda" e "intimidação", Chico Gouveia... mas já não estou tão certo que "as coisas não lhe estão a correr bem (...) principalmente, internamente". Há seguramente grande contestação ao Kremlin, mas Putin ainda goza de larga popularidade, principalmente na Rússia profunda, ou seja, fora das grandes cidades.
Chico Gouveia
David Ribeiro, exactamente nas zonas mais atrasadas do país. É sempre assim. No dia 24 de Abril de 1974, 90% dos portugueses concordavam com Marcelo Caetano. No dia 25 viu-se. Putin tem as cadeias cheias de oposicionistas, e a forma como está a apertar ferreamente o controle dos cidadãos, é o sinal mais do que evidente que está aflito. Eu acho que esta guerra devia, e podia, ter sido travada logo no início. Mas a Europa e os Aliados ocidentais, não podem continuar a cometer o mesmo erro com Putin: ter medo dele. E muito menos tolerá-lo. Estas ameaças nucleares á Europa são parte da única estratégia que conhece e que usou sempre. E depois, quanto a poderio nuclear, ninguém sabe ao certo como está o mundo. Mas uma coisa sei que lhe posso garantir: basta a Finlândia para fazer Putin tremer. A Finlândia deve ser o país com melhor estratégia de defesa, e ataque nuclear, do mundo. E veja a dimensão deste país. Isto de nuclear tem muito que se lhe diga, e o que se sabe é quase nada. O poderio nuclear de Putin é com o seu poderoso exército: um bluff. Se a Ucrânia tivesse algum armamento aéreo moderno, já tinha acabado com esta guerra. O problema é que não lho dão. Não querem dar á Ucrânia capacidade ofensiva. Adivinha-se porquê.
David Ribeiro
Estima-se que a Rússia tenha mais do que 144 milhões de habitantes (Moscovo 11,6 milhões; São Petersburgo 4,9 milhões; 10 cidades c/ entre 1 e 1,5 milhão de habitantes; 7 cidades c/ entre 500 mil e 1 milhão de habitantes). E os habitantes (em milhões) nos mais populosos países europeus são: Alemanha 83,2; Turquia 71,5; Reino Unido 61,1; França 59,8; Itália 58,8; Ucrânia 48,4; Espanha 45,1; Polónia 38,6.
Joaquim Barbosa - o que ele vai levar é um balázio valente, antes de ter a veleidade de fazer alguma coisa.
Mário Paiva - Joaquim Barbosa, mas é preciso cuidado, não vão os nossos desejos bater-nos à porta...
Joaquim Barbosa - Mário Paiva precisamente para não bater à porta é que digo isto ou prefere que seja o Putin o primeiro?
Mário Paiva - Joaquim Barbosa, o problema é que por mais que eu prefira, estas coisas não dependem das minhas vontades... de todo o modo - preferência por preferência - depois de ter combatido em 2 guerras, preferia não ter de assistir a mais nenhuma...


DonTexkXoAAi_we.jpgPois é!...



Publicado por Tovi às 07:40
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2022
Tropas portuguesas partem para a Roménia

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Partiu hoje para a Roménia uma primeira força nacional destacada para fortalecer a segurança do flanco leste do espaço NATO. Esta força é constituída por 221 militares - vinte são de equipas de operações especiais, os restantes pertencem à companhia de atiradores que nas últimas semanas viu reforçado o treino em defesa antiaérea. Esta viagem estava prevista apenas para o final do ano, mas a situação de agravamento do conflito na Ucrânia obrigou à antecipação. Parte do material de guerra a utilizar durante a missão zarpou esta semana do Porto de Leixões, com recurso a transportadoras privadas, visto o Governo não ter recursos próprios suficientes para assegurar toda a operação.

  Agência Lusa – 9h25 de 15abr2022
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Militares portugueses já partiram para missão da NATO. No final da cerimónia, que decorreu no aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que a força militar portuguesa que hoje partiu para a Roménia vai prevenir e defender a paz no leste da Europa e adiantou que o primeiro-ministro, António Costa, a visitará dentro de um mês. Além do Presidente da República, a cerimónia contou com a presença da ministra da Defesa, Helena Carreiras, do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante António Silva Ribeiro, e dos chefes do Estado-Maior do Exército, Armada e Força Aérea. Num breve discurso, Marcelo Rebelo de Sousa, Comandante Supremo das Forças Armadas, salientou a importância desta missão da NATO que esta força militar destacada vai cumprir na Roménia no contexto da guerra na Ucrânia. “É uma missão já prevista e agora consolidada, projetada e reforçada num país amigo, aliado – a Roménia - no quadro de uma aliança defensiva e não ofensiva. Uma aliança que não ataca, que está preparada para prevenir, preservar e defender a paz. É essa também a vossa missão”, sustentou o Presidente da República.

 

 


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Na madrugada de ontem [14abr2022] o cruzador Moskva, navio-almirante russo da frota do Mar Negro, terá sido severamente atingido por mísseis ucranianos. A Rússia confirmou que o navio está "gravemente danificado", mas fala unicamente num incêndio a bordo, cujas causas ainda estão a ser determinadas e que a tripulação foi completamente evacuada “como resultado da detonação de munição causada pelo fogo”.

Nesta mesma noite o gabinete de Volodymyr Zelensky admitiu que uma parte da 36ª Brigada Marítima, que estava a defender Mariupol, foi capturada durante uma tentativa de romper o cerco russo. A admissão foi feita por Alexei Arestovich, conselheiro do gabinete do Presidente da Ucrânia, e noticiada pelo canal ucraniano Suspilne. De acordo com Arestovich, houve um momento em que os combatentes da 36ª Brigada se separaram - uma parte juntou-se às forças do Batalhão Azov, e outra parte ficou isolada noutro local da cidade. Continuaram a combater separados, e os militares que a Rússia alega que se renderam ontem fazem parte do grupo que estava isolado. "Estes são os que estavam sozinhos. Bem, não sozinhos, mas, por assim dizer, que seguiram noutra direção - estavam sob ataque da artilharia [russa] e ataques aéreos, perderam muitas pessoas e foram feitos prisioneiros durante a batalha", disse Arestovich. O mesmo responsável ucraniano negou, porém, que se trate de um milhar de combatentes, contrariando as alegações russas. "São muito, muito menos", garantiu. "Essa é uma mentira completa várias vezes exagerada", disse Arestovich. Mas a verdade, admitiu, é que "eles [russos] apanharam-nos". O conselheiro da presidência da Ucrânia não avançou um número alternativo de quantos militares terão sido capturados em Mariupol.
Mas como mais uma vez podemos estar perante “informação” ou “contra-informação”, o melhor é não lançar muitos foguetes antes do fim da festa.


Captura de ecrã 2022-04-14 153312.jpgO Ministério da Defesa russo diz que “a fonte do incêndio no 'Moskva' está localizada; não há chamas visíveis; as explosões de munições pararam". Do outro lado da barricada o chefe da administração militar regional de Odessa, Maksym Marchenko, tinha dito ontem à noite que “forças ucranianas atingiram o navio de guerra russo com mísseis 'Neptuno', causando danos graves (…) uma poderosa explosão de munições derrubou o cruzador e este começou a afundar-se". Cada um com a sua verdade… eu vou esperar mais uns dias para ver o que aconteceu realmente no Mar Negro.

  Ao fim do dia de ontem [14abr2022] foi notícia na Sky News que o navio de guerra Moskva afundou enquanto era rebocado no meio de uma tempestade, segundo a agência de notícias TASS que cita o Ministério da Defesa russo. Alegadamente... mas parece que desta vez é mesmo verdade que o navio-almirante da frota russa no Mar Negro foi ao fundo.

 


20220414140420_d1b57e3c11023a0bbae8270003e206b2935O governo ucraniano continua a negar as acusações de Moscovo que dizem ter a Ucrânia enviado dois helicópteros pela fronteira para bombardear uma cidade na região de Briansk, no sul da Rússia, ferindo sete pessoas, incluindo uma criança. Em resposta as tropas de Putin garantem ter atingido uma fábrica “militar” nos arredores de Kiev na quinta-feira [14abr2022], usando mísseis Kalibr de longo alcance baseados no mar.

 

  Como diz o jornalista António Capinha no seu artigo de opinião de hoje no DN - As batalhas do Donbass – é nesta região ucraniana que se irá determinar a configuração geopolítica futura daquela zona do mundo.
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  É assim que estamos em Mariupol
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Terça-feira, 12 de Abril de 2022
Visita do Presidente da Bulgária a Portugal

Captura de ecrã 2022-04-11 132644.jpgA cidade do Porto será o primeiro ponto do programa da visita de Estado do Presidente da República da Bulgária a Portugal. Rui Moreira recebe o Chefe de Estado búlgaro, Rumen Radev, em sessão solene de boas-vindas nos Paços do Concelho, esta terça-feira, ao final da manhã. A cerimónia será presidida por Marcelo Rebelo de Sousa e é antecedida por Honras Militares, na Praça do General Humberto Delgado.

 

  A Bulgária é uma república parlamentar, membro de pleno direito da União Europeia (desde 1jan2007) e da NATO (29mar2004), tem laços tradicionais profundos com a Rússia, mas a invasão da Ucrânia pelas tropas de Putin semearam na sua população divisões significativas entre grupos pró-NATO e pró-Rússia. E no governo de Sófia o apoio ao presidente russo Vladimir Putin tem vindo a diminuir consideravelmente. O chefe de governo, o Primeiro-Ministro, ocupa o cargo mais importante do poder executivo. O chefe de Estado, o Presidente, exerce sobretudo funções representativas, com alguns poderes de veto limitados. A Bulgária é um Estado unitário dotado de uma estrutura centralizada, dividido em 28 províncias, uma das quais é a província metropolitana da capital (Sofia-Grad). Os governadores regionais são nomeados pelo governo.

 

  CNN Portugal

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Em Portugal para uma visita oficial, que começou no Porto com o chefe de Estado búlgaro [Rumen Radev] a receber as chaves da cidade, o que disse ser uma “honra e um privilégio”. (...) "É importante, neste momento, mostrar unidade e as relações de amizade entre os dois países [Bulgária e Portugal] têm um simbolismo profundo. Se dois países situados em duas das pontas da Europa podem cooperar, ser amigos e pensar juntos no futuro da Europa, significa que todas as famílias europeias podem fazer isso”, afirmou Rumen Radev. (…) “Enfrentamos os mesmos problemas como a demografia. As estatísticas mostram que temos o mesmo problema, mais de 20% da nossa população deixou o nosso país, é um enorme desafio e temos que trabalhar para os trazer de volta ou pelo menos para que não percam a ligação espiritual”, enumerou. (…) O chefe de Estado búlgaro destacou ainda que o Porto “é a cidade Invicta” e o papel na História de Portugal. “O Porto teve sempre um papel importante na história de Portugal (…) tornou-se um símbolo para a Europa, e para o resto do mundo, de coragem e compromisso para olhar para além do visível, explorar o desconhecido, cruzar mares e oceanos e descobrir mundos”, disse.



Publicado por Tovi às 08:27
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Sábado, 26 de Março de 2022
Limitação do preço da energia no mercado ibérico
  Durante a tarde de ontem um bom amigo [Jorge de Freitas Monteiro] deu-me a conhecer o que aconteceu no Conselho Europeu:
 
Captura de ecrã 2022-03-26 090521.jpgO PM espanhol terá abandonado a sala do Conselho Europeu furioso com a oposição da Alemanha, da Holanda e dos países nórdicos em relação às propostas luso espanholas para limitar o preço da energia no mercado ibérico; Pedro Sanchez terá ameaçado vetar as conclusões da reunião, que têm que se aprovadas por unanimidade.
“El Consejo Europeo que se ha reunido en Bruselas se ha tenido que parar durante unos minutos por una rabieta del presidente español, Pedro Sánchez, cuando no se le ha aceptado una solución a escala europea para moderar los precios de la energía, ni tampoco centrada solo en España y Portugal, por la oposición de Alemania, de Países Bajos y de los países escandinavos. La reacción del presidente español ha sido furibunda coincidiendo con que se siente muy presionado por las protestas en la calle contra el alza de precios y entre acusaciones que el Gobierno no hace nada. "Me voy a airear un rato a ver si encuentran una solución técnica", ha soltado Sánchez mientras abandonaba el encuentro, lo que ha forzado a hacer una pausa, según informa la Ser.
"La cumbre no puede acabar sin acuerdo. Necesitamos medidas y las necesitamos ahora", afirmó ayer Sánchez en el diario económico Financial Times, reconociendo que su apuesta está en riesgo. Sánchez ha amenazado con vetar el documento de conclusiones de la reunión si no se atienden sus reclamaciones para desvincular el precio del gas del de la electricidad o si no se le da una solución separada para España y Portugal, diferente del resto del mercado eléctrico europeo.”
 
 
  Mais para o fim do dia de sexta-feira a comunicação social portuguesa falou do assunto:
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O primeiro-ministro, António Costa, e o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciaram hoje um acordo dos líderes da União Europeia (UE) para introduzir uma exceção no sistema energético europeu para a Península Ibérica, visando poder baixar preços.
António Costa falou num "objetivo muito claro" que passa por "assegurar que o crescimento que está a ter o preço do gás não vai continuar a repercutir-se no preço da eletricidade". Para isso, os dois países vão "adotar medidas para fazer um preço máximo de referência para o gás, a partir do qual do qual todos os outros preços não poderão ultrapassar e, assim, obtemos uma redução muito significativa do preço da energia com grandes poupanças para as famílias e grandes poupanças para as empresas". 
A decisão esta sexta-feira tomada surge numa altura de aceso confronto armado na Ucrânia provocado pela invasão russa, tensões geopolíticas essas que têm vindo a afetar o mercado energético europeu, já que a UE importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros. A Rússia é também responsável por cerca de 25% das importações de petróleo e 45% das importações de carvão da UE. Em média, na UE, os combustíveis fósseis (como gás e petróleo) têm um peso de 35%, contra 39% das energias renováveis, mas isso não acontece em todos os Estados-membros, dadas as diferenças entre o cabaz energético de cada um dos 27 Estados-membros, com alguns mais dependentes do que outros.



Publicado por Tovi às 09:05
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Sexta-feira, 25 de Março de 2022
NATO, União Europeia e G7 reuniram-se em Bruxelas

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  Diplomacia em acção no dia de ontem

  • NATO emitiu um comunicado em que assumiu estar“preocupada” com a entrada da China no conflito que opõe a Rússia à Ucrânia. “Pedimos a todos os Estados, incluindo a China, para seguir a ordem internacional incluindo os princípios de soberania e integridade territorial”. Os 30 países da NATO apelaram mesmo a Pequim que se “abstenha” de apoiar “o esforço de guerra da Rússia”. E deixaram um recado à Rússia: “Qualquer uso de arma biológica ou química seria inaceitável e teria consequências severas”.
  • A declaração conjunta do Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais industrializados do mundo, foi no mesmo sentido da NATO. Os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido dizem mesmo que “não vão poupar esforços” para responsabilizar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seus apoiantes – incluindo o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko. O seu apelo vai para as forças russas que abram “caminhos seguros” na Ucrânia para permitir ajuda humanitária a Mariupol e a outras cidades cercadas. E pedem às autoridades bielorrussas para que “evitem uma nova escalada e se abstenham de usar as suas forças militares contra a Ucrânia”.
  • No final das reuniões, o presidente norte americano Joe Biden disse apoiar a saída da Rússia do grupo das maiores economias mundiais (G20). E quer pelo menos que a Ucrânia possa assistir às reuniões. O presidente deu mais detalhes sobre a conversa com Xi Jinping, homólogo chinês, na passada sexta-feira. “Tive uma conversa muito honesta com ele. Disse-lhe claramente que apoiar a Rússia teria consequências”. Joe Biden chamou “bruto” a Vladimir Putin. “A coisa mais importante [das sanções] é mantermo-nos unidos”, tendo como objetivo que o “mundo se continue a focar” no seguinte: “Que tipo bruto é este” e por que motivo é que “todas as vidas inocentes se perderam” e “o que está a passar” na Ucrânia.
  • Também o primeiro ministro britânico, Boris Johnson aproveitou a sua intervenção pública para alertar para consequências “muito, muito severas”, caso o Presidente russo usasse armas químicas ou nucleares contra a Ucrânia. “Se Putin se fosse envolver com alguma coisa desse género, as consequências seriam muito, muito severas. Vou ter de ter alguma ambiguidade na resposta, mas acho que seria catastrófico para ele. Acho q ele compreende isso. Seria um profundo e desastroso erro para Putin”, disse. Apesar da insistência dos jornalistas Johnson não indicou se, nesse cenário, haveria intervenção da NATO.
  • O líder francês, Emmanuel Macron, na sua vez, disse que a NATO procura não dar à Rússia um “pretexto” para atacar o Ocidente. “Não queremos fazer nada que possa provocar a escalada da tensão”, justificou o Presidente. “Não vamos lutar contra a Rússia”, assegurou o líder que tem mantido várias conversas telefónicas com o seu homólogo russo, embora sem grande sucesso para a paz.
  • O chanceler alemão Olaf Scholz, por seu turno, afirmou que “as tropas russas têm de sair da Ucrânia”. “Isto é necessário para atingir uma solução sustentável para o conflito entre a Rússia e a Ucrânia”, disse. Scholz apelou também ao Presidente Vladimir Putin que “aceite um cessar-fogo e permita corredores humanitários, para proteger os civis”. A Alemanha doou mais 370 milhões de euros em humanitária à Ucrânia.
  • Em Portugal, a partir do Porto, Marcelo Rebelo de Sousa não deixou de dar a sua opinião numa visita oficial. Aos jornalistas, o Presidente português disse considerar que o presidente russo, Vladimir Putin, cometeu um erro ao pensar que perante a sua decisão de tomar o território ucraniano iria conseguir dividir a União Europeia e a própria NATO. “É evidente que falharam. “A NATO e a UE continuam unidas”, referiu, independentemente da ideologia de cada país e apenas pela “paz e pelo respeito do direito internacional, da soberania dos estados, dos direitos das pessoas”, acrescentou.
  • Já da Rússia a informação que chegou foi que o Kremlin considera que “exatamente um mês depois do início da operação militar especial na Ucrânia” a vida “está a voltar ao normal” nos territórios “já libertos dos nacionalistas” ucranianos. “Está a correr como planeado e os objetivos delineados serão alcançados”, declarou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russos, Maria Zakharova, que espera que Kiev “reconheça a necessidade de uma solução pacífica”.
  • Um total de 140 países da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou a favor de uma resolução que pede ajuda humanitária imediata para a Ucrânia, ajudando a proteger os civis. A resolução também critica a Rússia por ter criado uma situação “dramática” humanitária. Apenas cinco países votaram contra: Bielorrússia, Coreia do Norte, Eritreia, Rússia e Síria, enquanto 38 abstiveram-se, incluindo a China, Cuba e a Índia.

 

  
onu.jpgÉ já a segunda vez que em sessões da Assembleia-Geral da ONU uma esmagadora maioria de membros isolam e condenam a “operação militar especial”, como Putin chama à invasão da Ucrânia pelas suas tropas. Mas continua a preocupar-me a posição neutra da China (abstenção) em tudo o que se refere a criticar a Rússia.
  Agência Lusa - O Presidente chinês, Xi Jinping, disse hoje [6.ª feira, 25mar2022], numa conversa por telefone com o homólogo britânico, Boris Johnson, que a comunidade internacional deve “criar as condições certas” para resolver o conflito na Ucrânia e “promover negociações de paz com sinceridade”. “A comunidade internacional deve promover as negociações de paz com sinceridade. Devem ser criadas as condições necessárias para resolver este assunto. Devemos fazer tudo o possível para que a paz retorne à Ucrânia”, disse Xi, segundo a imprensa local. O Presidente chinês afirmou que o seu país já está a desempenhar “um papel construtivo” nesse sentido. Xi disse ainda que a China está "pronta para o diálogo" com o Reino Unido, desde que este seja "franco, aberto e inclusivo", afirmando esperar que Londres seja "justa e objetiva" ao lidar com Pequim. A conversa ocorre uma semana depois de Xi ter falado, por videoconferência, com o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Xi instou então Washington a trabalhar em conjunto para "equilibrar as tensões" e "alcançar a paz global". 

 

  Reunião de ontem do Conselho da Europa
1024.jpgVolodymyr Zelensky diz que Portugal é dos países que têm mostrado mais reservas em apoiar a Ucrânia. Num discurso feito por videoconferência durante a reunião do Conselho Europeu, o presidente ucraniano comentou a postura dos 27 estados-membros perante o conflito e mencionou que Portugal tem algumas dúvidas em apoiar decisões a favor da Ucrânia. "A Bulgária está connosco, e acredito que a Grécia estará. A Alemanha está um pouco atrasada. Portugal? Bem... está quase. A Croácia está connosco; Suécia - o azul e o amarelo - estão sempre juntos", afirmou o presidente ucraniano.

 


Erdogan.jpgA emissora turca NTV, citando o presidente Erdogan, disse ter havido progresso em vários pontos-chave nas negociações entra a Ucrânia e a Rússia. Ancara, que goza de boas relações com Moscovo e Kiev, vem tentando posicionar-se como mediadora entre os dois lados. Mas por outro lado o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse hoje que as negociações com a Rússia para acabar com o conflito são "muito difíceis" e prometeu que Kiev não recuará em suas exigências. “A delegação ucraniana assumiu uma posição forte e não abre mão de suas demandas. Insistimos, em primeiro lugar, num cessar-fogo, garantias de segurança e integridade territorial da Ucrânia”, disse Kuleba. Enquanto isso, a agência de notícias russa Interfax citou o negociador russo Vladimir Medinsky dizendo que os dois lados estavam a fazer pouco progresso em questões importantes. Medinsky também disse que Moscovo acredita que Kiev está a tentar estender as negociações.

 

  Publicado pela Embaixada da Rússia na França (@AmbRusFrance)… mas posteriormente eliminado.
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  Reforço da presença militar da NATO no leste europeu
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Publicado por Tovi às 07:09
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Terça-feira, 15 de Março de 2022
Vigésimo dia da invasão russa à Ucrânia

  08h37 de 15mar2022 - Kiev após ataque russo
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  O que se tem ouvido nos últimos dias
>> "A verdadeira liberdade vem sempre com um custo" - Mykhailo Podoliak, conselheiro de Zelensky.
>> “Isto [quarto pacote de sanções à Rússia] vai afetar a capacidade de Putin para financiar uma guerra injustificada" – Ursula von der Leyen.
>> "Estamos do lado da Ucrânia, mas não queremos estar em conflito com a Rússia" - Porta-voz do governo francês.
>> "Os Estados Unidos espalharam repetidamente desinformação maliciosa contra a China sobre a questão da Ucrânia"; "A China tem vindo a desempenhar um papel construtivo na promoção de conversações de paz"; "A principal prioridade agora é aliviar a situação, em vez de lançar gasolina na fogueira, e trabalhar para a resolução diplomática em vez de agravar ainda mais a situação" - Representação chinesa em Londres.
>> "Prevenir a provocação das forças nacionalistas ucranianas contra estas infraestruturas críticas [centrais nucleares de Chernobyl e Zaporizhzhia]" - Alexey Polishchuk, diretor do Segundo Departamento do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
>> "Hoje apreendemos - o termo técnico é 'imobilizado provisoriamente' - um iate pertencente a um dos principais oligarcas [russos]" – Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol.
>> “Temos uma linha vermelha [sobre as sanções da UE à Rússia] que é a segurança do fornecimento de energia à Hungria” - Peter Szijjarto, ministro das Relações Exteriores da Hungria.
>> 
“Não sei o que vai acontecer comigo tão cedo. O meu advogado disse-me que eu poderia sofrer uma pena de prisão de 5 a 10 anos de acordo com o código criminal. Não me arrependo. Mas preciso do vosso apoio” - Escreveu no Twitter a produtora da rede de televisão Channel One (controlada pelo Kremlin), Marina Ovsyannikova.
>> “Sua coragem inspira a todos nós” – Disse Trudeau, primeiro-ministro canadiano, a Zelensky.

 

  Pedro Falardo e Beatriz Madaleno de Assunção, na CNN Portugal
Relações comerciais de Portugal com a Rússia

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Relações comerciais de Portugal com a Ucrânia
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As relações comerciais de Portugal com a Rússia e com a Ucrânia não favorecem a posição portuguesa nesta altura, dada a balança comercial negativa com ambos os países e mesmo a dependência em alguns setores. No caso da Rússia, o valor das importações em 2021 superou os mil milhões de euros (1.067.851.972 €), face a exportações pouco superiores a 178 milhões de euros (178.286.422 €): o défice comercial foi de quase 890 milhões de euros no ano passado, de acordo com dados do INE.

 

  Evolução no terreno das tropas russas de 6mar a 15mar2022
Como se pode ver, comparando os dois mapas, a evolução no terreno das tropas russas não tem sido significativa desde o décimo primeiro dia da invasão (6mar2022) até hoje (15mar2022).
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000_32687TG.jpgUm juiz do tribunal distrital de Ostankinsky, em Moscovo, libertou a funcionária da TV estatal Marina Ovsyannikova, mas condenou-a ao pagamento de uma multa de 30.000 rublos (256,26 €) por ter invadido o noticiário noturno mais assistido da Rússia segurando um poster que dizia “No War”.

 

  
Porto BSB 15mar2022.jpgPartiu esta terça-feira o segundo camião TIR com 14 toneladas de bens recolhidos no âmbito da campanha “Somos Todos Ucrânia”, promovida pelos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos.

 

  
Eslovénia.jpgO Parlamento da Eslovénia autorizou esta terça-feira o estacionamento no país de até 2.100 soldados estrangeiros da NATO, no contexto da invasão russa da Ucrânia. Inicialmente, a Aliança terá naquele país uma unidade da "presença avançada reforçada" de cerca de 1.200 soldados, oriundos da República Checa, Alemanha, Países Baixos, Estados Unidos, Polónia e Eslovénia. O destacamento incluirá também um sistema de defesa aérea Patriot, adiantou esta terça-feira o ministro da Defesa, Jaroslav Nad.



Publicado por Tovi às 08:54
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2022
O "Proteger a Ucrânia" e a "Crise dos Mísseis de Cuba"

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Numa altura em que Putin se irrita por os EUA se preparam para “Proteger a Ucrânia” com o fornecimento de armamento a um país vizinho da Rússia, recordo-me da Crise dos Mísseis de Cuba, um episódio que durou de 16 a 28 outubro de 1962 entre os Estados Unidos e a União Soviética, relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos na ilha de Fidel. Foi o mais próximo que se chegou ao início de uma guerra nuclear em grande escala durante a Guerra Fria. Depois de um longo período de tensas negociações, foi alcançado um acordo entre Kennedy e Kruschev. Os soviéticos desmantelaram as suas armas em Cuba e levaram-nas para a União Soviética.

 

  Ponto da situação na Crise da Ucrânia

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Os líderes das regiões separatistas do leste da Ucrânia de Donetsk e Lugansk declararam uma mobilização militar total, medidas que ocorrem numa altura em que se verifica um aumento de violência na região devastada pela guerra e que o Ocidente teme que possa ser usado como pretexto para uma invasão da Rússia.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, irá supervisionar os grandes exercícios militares ao longo das fronteiras da Ucrânia no dia de hoje [sábado, 19fev2022] enquanto o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, está viajando pela Europa para angariar apoios.
O chanceler alemão Olaf Scholz afirmou na Conferência de Segurança de Munique que um ataque russo à Ucrânia seria um "erro grave" com altos "custos políticos, económicos e geoestratégicos". Na mesma conferência o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse que Moscovo estava a apresentar questões de segurança que o Kremlin sabia nunca poderem ser atendidas pela NATO. Também foi afirmado pela chefe do executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, que as ameaças de Moscovo à Ucrânia podem remodelar todo o sistema internacional, alertando Moscovo que o seu pensamento de “um passado sombrio” pode custar à Rússia um futuro próspero.
Rostov, uma região russa na fronteira com a Ucrânia, declarou estado de emergência, citando um número crescente de pessoas que chegam de áreas controladas por separatistas na Ucrânia depois de receberem ordens de evacuação.
O presidente dos EUA, Joe Biden, continua a alertar para o facto de haver indicações que a Rússia está a planejar invadir a Ucrânia, até porque existem sinais de Moscovo estar a realizar uma operação de “bandeira falsa” para justificá-la, depois de forças ucranianas e rebeldes pró-Moscovo trocaram tiros.

 

  Esquema da ofensiva ucraniana, a partir dos dados obtidos pela inteligência da República Popular de Donetsk.
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  O seguro morreu de velho
Além de Portugal (existem 240 portugueses residentes naquele país), outros países pediram aos seus cidadãos na Ucrânia para que deixem o país. A lista inclui Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Espanha, Israel, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Iraque, Kuwait e Itália.
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  João Cravinho na Conferência de Segurança de Munique 

32528560.jpgNo dia em que as tensões entre a Rússia e a Ucrânia atingiram um ponto máximo, o ministro português da Defesa, João Gomes Cravinho, presente na Conferência de Segurança de Munique (CSM), explicou de que modo Portugal poderá ser chamado a envolver-se nos conflitos: “Portugal faz parte da NATO, portanto a nossa primeira preocupação será a solidariedade em relação aos nossos aliados na NATO. Neste caso, muito em particular aqueles que fazem fronteira com a Ucrânia. .../... Existe uma força chamada VJTF (Very High Joint Readiness Task Force) que é a força de mais elevada prontidão da NATO, em que os países membros da NATO participam de forma rotativa. Portugal neste momento participa na VJTF, em 2022 estamos na VJTF. Se a VJTF for mobilizada para efeitos de defesa da NATO, naturalmente que Portugal participará”. O ministro da Defesa português disse também que a possibilidade de adesão da Ucrânia à NATO não está atualmente em cima da mesa. Gomes Cravinho salientou que “a adesão da Ucrânia à NATO foi discutida em 2008”. “Nessa altura, decidiu-se que não havia condições para a NATO aceitar a Ucrânia e desde então o assunto tem ficado exatamente nesse ponto. .../... É absolutamente falso que esta crise seja sobre a adesão da Ucrânia à NATO. Essa matéria não está em cima da mesa. Nem aqui em Munique, nem ao longo dos últimos 13, 14 anos se discutiu essa possibilidade.”

 

  O gás da Gazprom

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Um fator importantíssimo a considerar no conflito que se está a viver no Leste da Europa tem a ver com as reservas de gás nas instalações de armazenamento subterrâneo na Ucrânia, que se encontram no mínimo, tendo caído, de acordo com a Gazprom, para 10,6 mil milhões de metros cúbicos, o que é 45% menos que no ano passado. Além disso, no início desta semana, as autoridades da Alemanha, que possui uma das maiores capacidades de armazenamento subterrâneo da Europa, relataram uma queda nos volumes de armazenamento para níveis historicamente baixos em comparação com os anos anteriores.
E se Putin interromper o seu fluxo de gás para a Europa?... Hoje em dia a “guerra” já não se faz só em combates militares.



Publicado por Tovi às 10:57
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Sábado, 18 de Dezembro de 2021
Sondagens de hoje... para as Legislativas2022

Foram hoje conhecidas duas sondagens para as Legislativas2022, uma da Aximage (para o JN , DN e TSF) e uma outra da Pitagórica (para TVI e CNN Portugal).
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No gráfico seguinte poderão ver todas as sondagens conhecidas nos dois últimos meses, comparando-as com os resultados das eleições Legislativas2019, bem como a média truncada  (eliminando os valores mais altos e mais baixos de cada uma delas) das sondagens deste período.
Sondagens dos últimos dois meses 18dez2021.jpg



Publicado por Tovi às 17:12
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
Ómicron ou B.1.1.529 - O que já se sabe

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A “B.1.1.529”, agora batizada de “Ómicron”, é uma das mais de 30 mutações do coronavírus e que está agora a fazer disparar a taxa de contágios, sobretudo entre os jovens. Segundo as autoridades de saúde esta nova variante foi identificada no Botsuana e na África do Sul. Mas afinal, que variante é esta?
O diretor do Centro de Resposta Epidémica e Inovação de África do Sul, Túlio de Oliveira, revelou em conferência de imprensa que “foram localizadas 50 mutações no total — e mais de 30 na proteína spike (a ‘chave’ que o vírus usa para entrar nas células e que é alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19)”. Ora, tal pode indicar que as atuais vacinas podem não combater eficazmente mutações tão distintas. Até agora, segundo avança a imprensa internacional, foram confirmados 77 casos na Província de Gauteng, na África do Sul, quatro casos em Botsuana, e um em Hong Kong, que se crê ter surgido após viagem a África do Sul. Num comunicado divulgado pela representação regional da OMS para África. “A maioria dos profissionais de saúde na África ainda não foi vacinada e continua perigosamente exposta a formas graves” da doença, alertou Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África. Esta responsável destacou que “é importante saber até que ponto esta variante se encontra em circulação na África do Sul e no Botsuana” e que a organização está igualmente muito atenta ao que se conseguir saber sobre as “características deste vírus”, que está agora no centro das preocupações dos laboratórios de análise e investigação daqueles países.
(Carla Bernardino da revista digital “Delas” / Lusa - 26nov2021)

 

  Diz a Organização Mundial da Saúde:
The B.1.1.529 variant was first reported to WHO from South Africa on 24 November 2021. The epidemiological situation in South Africa has been characterized by three distinct peaks in reported cases, the latest of which was predominantly the Delta variant. In recent weeks, infections have increased steeply, coinciding with the detection of B.1.1.529 variant. The first known confirmed B.1.1.529 infection was from a specimen collected on 9 November 2021.

 

  A nova variante Ómicron já está a criar alarme em todo o Mundo, mas para já a grande preocupação na Europa para este inverno é a sublinhagem AY.4.2 da Delta que já está a tomar o lugar da Delta no Reino Unido e espalhada em Portugal.
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  Uma das epidemias mais mortais da história da humanidade foi a GRIPE ESPANHOLA, uma vasta e mortal pandemia do vírus Influenza H1N1, que durou de janeiro de 1918 a dezembro de 1920. Segundo os dados mais fiáveis infetou uma estimativa de 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões e 50 milhões. 
Os dados da World Health Organization dizem-nos que houve de 30dez2019 a 26nov2021, em todo o Mundo, 259.502.031 casos confirmados e 5.183.003 mortes por COVID-19.
(Na imagem soldados de Fort Riley, Kansas, doentes de gripe espanhola, sendo tratados numa enfermaria de Camp Funston)
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  O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) informou hoje que os 13 casos da variante Ómicron detetados em Portugal estão associados a jogadores e staff do Belenenses SAD, sendo que um deles terá tido uma viagem recente à África do Sul. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que o risco global representado pela nova variante Ómicron do coronavírus é "muito alto".

 

  Evolução da Caraterização Clínica em Portugal (Dados da DGS)
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Publicado por Tovi às 07:33
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2021
As Bases Sociais dos Partidos Portugueses

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Ainda só dei uma vista de olhos, mas segundo dizem um interessante estudo do Instituto Português de Relações Internacionais de 2020, intitulado "As Bases Sociais dos Partidos Portugueses", chega à conclusão que os pequenos empresários e comerciantes têm sido cada vez menos abstencionistas e denotam mesmo uma predisposição para votar à Direita, ao mesmo tempo que historicamente, tanto o PSD como o CDS têm pouca atratividade para os trabalhadores dos serviços e operários, que representam mais de metade do eleitorado. E também nos diz que os pequenos empresários e comerciantes foram os mais afetados pela pandemia, não sendo, no entanto, certo se poderão eles votar no lado direito do espectro político. Ou seja, a campanha eleitoral vai ser interessante… queiram as estruturas partidárias informar seriamente os eleitores.



Publicado por Tovi às 11:12
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Domingo, 31 de Outubro de 2021
Da série "O fim da Geringonça"


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Publicado por Tovi às 07:04
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
A camioneta-fantasma

Foi há 100 anos!...

   Noite Sangrenta (outubro 1921)

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“A camioneta-fantasma! Foi o nome rocambolesco, filmesco com que o povo, os jornais atónitos ante o rocambolesco, filmesco capítulo das nossas revoluções, batizaram o estranho veículo de tragédias, em que se tornou uma simples camioneta da Administração Militar.”

No dia 19 de outubro de 1921, eclode uma revolta militar sob o comando do coronel Manuel Maria Coelho, antigo revolucionário do Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891. O chefe do Governo, António Granjo, apresenta a demissão, mas o Presidente da República, António José de Almeida, não nomeia um novo executivo.
Neste ambiente de impasse, na noite de 19 para 20 de outubro, um grupo de civis e militares, liderado pelo cabo marinheiro Abel Olímpio, conhecido por O Dente de Ouro, conduz os acontecimentos da designada Noite Sangrenta.
Uma camioneta – a "camioneta-fantasma" – percorre Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que, forçadas a entrar no veículo, são posteriormente executadas. Na Noite Sangrenta são assassinados, entre outros, o Primeiro-Ministro, António Granjo, e dois protagonistas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Machado Santos e Carlos da Maia.
No dia 20 de outubro, A Capital apresenta um relato do sucedido na noite anterior:
“Grupos de revolucionários armados tinham ido a casa do capitão sr. Cunha Leal, onde prenderam o sr. dr. António Granjo (…) e ao que parece também a casa do capitão de mar e guerra Carlos da Maia, onde igualmente prenderam este oficial. (…)
Conduzidos em automóvel ao Arsenal da Marinha, ao ser aberto o portão (…) uma grande multidão armada (…) entrou de roldão, começando logo a apupar os dois presos (…).
Quando (…) chegaram ao quarto do 1.º andar, em que deviam ficar detidos (…) foram alvo de bastantes tiros. (…)
Pouco depois da morte do sr. dr. António Granjo e do sr. Carlos da Maia, deu-se em condições idênticas a do sr. Freitas da Silva, que foi chefe de gabinete do ministro da Marinha demissionário. Um grupo de indivíduos fora buscar a sua casa aquele senhor, metendo-o no “camion” da Guarda Republicana que seguiu para o Arsenal da Marinha. Ao chegar à porta daquele estabelecimento, foi atingido por vários tiros, falecendo instantaneamente.
Cerca da meia-noite um grupo de indivíduos foi a casa do almirante sr. Machado Santos, na rua José Estêvão, convidando a acompanhá-lo ao Arsenal da Marinha. No Intendente, porém, estabeleceu-se discussão entre aqueles indivíduos e o preso. Acabando o sr. Machado Santos por ser morto a tiro.”
No dia do funeral de António Granjo, a 24 de outubro, o Diário de Lisboa apresenta uma reconstituição das últimas horas do antigo governante, desde o pedido de abrigo na casa de Cunha Leal até ao desfecho no Arsenal na Marinha, que testemunha a crueldade do crime:
“O chefe do governo vencido mantém até ao fim a coragem que o abatimento não excluiu (…) Lança as suas últimas palavras, em que há ódio e resignação: Já sei o que vocês querem! Matem-me, que matam um bom republicano!
Soou uma descarga. (…) Granjo caiu ao comprido vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões, quando um dos assassinos (…) sacou da espada e a cravou no estômago com violência tal que, atravessando o corpo, ficou presa ao sobrado.
Depois, friamente, o facínora, pondo o pé sobre o peito de António Granjo, sacou a arma e gritou triunfalmente, mostrando-a aos companheiros.
– Venham ver de que cor é o sangue de porco!”
Após o interregno dos trabalhos do Parlamento, em 2 de março de 1922, a Câmara dos Deputados e o Senado prestam homenagem aos antigos parlamentares vítimas do massacre da Noite Sangrenta, exigindo o apuramento da verdade.
A homenagem é uma oportunidade para refletir sobre os confrontos políticos e também sobre a evolução do regime republicano. O Presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Leite Pereira, refere a responsabilidade coletiva pelo sucedido: "Essa injustiça sanguinária, insaciável, implacável, é também a resultante de longa e estonteadora luta em que portugueses se vêm debatendo; luta que tanta vez atinge o aspeto e as proporções duma infindável guerra de extermínio; luta estranha e tão obcecante que, dir-se-ia, entre nós as ideias são delitos e as opiniões são crimes. É tempo de a acabar. Meditemos na dura verdade de que todos temos culpas, e não esqueçamos que o embate de opiniões, necessário e inseparável das sociedades modernas, pode e deve fazer-se numa atmosfera superior de justiça, recíproca, de respeito mútuo; sejamos dignos do nosso tempo e, sobretudo, recordemos que somos irmãos da mesma raça, filhos da mesma terra gloriosa."
O Deputado Cunha Leal, que tentara proteger António Granjo naquela noite, ficando ferido, defende a instauração da pena de morte: "É preciso que nos defendamos e repito o que aqui disse já: – precisamos restabelecer a pena de morte para certos crimes, respondendo com a morte a quem mata. Precisamos defender a sociedade por uma forma implacável. Ainda como homenagem aos mortos de 19 de outubro, eu prometo trazer aqui um projeto restabelecendo a pena de morte."
O Presidente do Ministério, António Maria da Silva, rejeita a ideia de restabelecer a pena de morte: "Há de fazer-se justiça a quem delinquiu. Ninguém tem o direito de duvidar de mim nem dos homens que estão nas cadeiras do Poder, embora o Poder Executivo não possa intervir nas averiguações da justiça. (…) Mas, para isso, não é preciso instituir de novo em Portugal a pena de morte, contra a qual toda a minha natureza se revolta. Seria um verdadeiro crime, seria corresponder ao ato do Dente de Ouro com um outro crime. Não podemos retrogradar. Seria mesmo inconstitucional que se promulgasse qualquer providência que se parecesse um pouco, embora de longe, com essa medida. Não é legítimo que num regime de liberdade se aplique qualquer penalidade, seja a quem for, que não seja inscrita no Código da Justiça para os atos praticados em determinado momento. Estou convencido de que se pudéssemos consultar António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia, eles próprios se revoltariam contra uma determinação da Câmara tendente a instituir a pena de morte."
Em 1923, os responsáveis diretos pelos assassinatos seriam julgados e condenados a penas de prisão e de degredo, não se tendo, no entanto, averiguado completamente as causas que permitiram o sucedido na Noite Sangrenta, nem as suas ligações com os responsáveis pela revolta do dia 19 de outubro de 1921.



Publicado por Tovi às 07:41
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2021
Portugal 5 - 0 Luxemburgo

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Ontem, no Estádio do Algarve e em jogo de apuramento para o Mundial-2022, Portugal venceu o Luxemburgo por quatro a zero: Cristiano Ronaldo de penalty ao minuto 8' e 13' e outro golo aos 87';  Bruno Fernandes ao minuto 18'; Palhinha ao minuto 69'.

 

  Classificação atual do Grupo A
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Publicado por Tovi às 07:23
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