"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Domingo, 18 de Outubro de 2020
A opinião livre, lúcida e independente de Rui Moreira
O Estado detém agora 72,5% do capital da TAP… Quem ficou a ganhar?
 
     No Expresso deste fim-de-semana

expresso rui moreira.jpg
É difícil gostar de quem nos abandona
Há quatro anos, em “TAP- A Caixa Negra”, escrevi que não é uma empresa vulgar. É a última das “empresas coloniais”. A reversão parcial da privatização, ocorrida então, constituíra uma medida meramente ideológica, porque o Estado abdicou, ao recuperar a posição dominante, de ter voz na gestão corrente e na estratégia que determinaria o serviço a prestar. Ao optar por ser “silent partner”, o Estado deixara que a empresa continuasse a ser gerida unicamente pelo Sr. Nielman. Por critérios exclusivamente privados.
O que se passou entretanto? Sem surpresa, Antonoaldo Neves revelou-se mais competente que o seu antecessor. Fernando Pinto, para além da tragédia do “handling” no Brasil, capturou as loas da subserviente clientela opinativa da capital, mas deixou a TAP em situação de aflição. Antonoaldo arrepiou caminho. Concluiu que a política de abandono do Porto e a concentração no “hub” de Lisboa constituíra um erro crasso: a concorrência aproveitara a saída da TAP de um importante segmento do mercado, e assegurou as ligações directas que a crescente procura pelo aeroporto do Porto ia viabilizando, enquanto a ponte aérea se saldara num fracasso por razões operacionais resultantes da inadequação da frota e do esgotamento da Portela.
Quando a crise bateu à porta, a TAP ensaiava essa inversão de rumo. Estava em curso a retoma dos voos directos do Porto para os EUA e Brasil. Nielman desenhara um plano de reapetrechamento com a aquisição de 71 aviões à Airbus que resultaria em economias operacionais e no reforço da componente intercontinental, apesar das eternas dificuldades com os tripulantes de cabine devido aos privilégios e benesses desajustados à concorrência e à operação de uma companhia contemporânea.
Se o primeiro trimestre anunciava um possível resultado positivo em 2020, a pandemia tornou tudo irrelevante. Com os aviões em terra, os privados procuraram, legitimamente, mitigar as suas consequências. Nielman fez o “bluff” que lhe interessava: provocou o Governo, que se viu confrontado entre deixar a companhia ir à falência ou intervir de forma musculada. A opção pela renacionalização era expectável, pela tentação ideológica e pelo interesse que a TAP tem para a capital. Invocou-se, aliás, o turismo de Lisboa como argumento para manter a companhia. Um argumento insólito, porque mal estaria Lisboa se precisasse da TAP para ser competitiva enquanto destino turístico de excelência, e porque esquece que o Norte, o Algarve e a Madeira também têm turismo. E não têm a TAP.
Sei que alguns continuarão a dizer que, se a TAP não oferece serviço ao Porto, é porque esse não é um bom negócio. Disseram-no quando era semiprivada, e continuarão a dizê-lo agora. Curiosamente, o que para a TAP é mau negócio parece ser bom negócio para a Lufthansa, companhia de bandeira que hoje transporta mais passageiros de e para o Porto do que a TAP e não custa um cêntimo ao nosso erário público. Mas, admitindo que a realidade económica das duas companhias de bandeira seja diferente, fica a questão: se a TAP deve olhar ao bom negócio, conseguirá demonstrar que o negócio que concentra (de e para Lisboa) é bom e algum dia será sustentável?
A verdade é que o Estado detém agora 72,5% do capital. Quem ficou, para já, a ganhar? Seguramente o accionista estrangeiro (que salvou algum património e se libertou de garantias), os bancos financiadores, e os trabalhadores históricos da TAP.
O que ninguém conseguiu explicar é onde começa e termina o interesse estratégico de manter a empresa. Ninguém nos disse que parte da operação é estratégica para o interesse nacional, ou quem e como chegou a essa conclusão. Ninguém avaliou o custo comparado de proceder à liquidação ordeira (envolvendo os accionistas privados e salvaguardando direitos laborais) ou de manter esses accionistas e partir para a criação de duas novas empresas aéreas mais sustentáveis e com um diferente grau de especialização: um operador de bandeira e um operador intraeuropeu, como tem sucedido com outras companhias europeias.
Sabe-se que a TAP acaba de anular ou adiar as encomendas à Airbus e avalia a venda de alguns dos seus 108 aviões e a devolução de outros que opera em regime de locação; que perdeu quase 200 milhões de euros em contratos de combustíveis e em cambiais; que a dívida bancária já excede 1,4 mil milhões de euros; que reduziu significativamente o seu quadro de pessoal e que, como é típico em Portugal, os sacrificados foram os trabalhadores mais recentes, com contrato a prazo, enquanto os outros mantêm todos os seus direitos e benefícios. E sabe-se que a empresa já recebeu 40 porcento do empréstimo de Estado de 1,2 mil milhões de Euros, faltando apresentar a Bruxelas um plano de reestruturação.
Em 2016, na conclusão do meu livro, escrevi que, não querendo ter razão, temia que estivéssemos a assistir ao fim da empresa, que fossemos ser chamados, enquanto contribuintes, a pagar o seu gigantesco passivo e acabássemos então, mais pobres, sem glória e sem companhia de bandeira. Ainda que por razões diferentes, e em contexto mais difícil, a minha preocupação é hoje apenas maior.
“A TAP é do povo português para o bem e para o mal”, disse o Ministro. É uma lapalissada que a ninguém comove. O que importa é perceber para que nos serve, a quantos de nós serve. Para que não seja um vício caro, numa altura em que tantos estão a perder os seus empregos e os seus negócios, é necessária uma reestruturação que dificilmente será feita na esfera da gestão pública, e que dificilmente questionará velhos paradigmas. Se o interesse estratégico é, apenas, o de promover Lisboa, então concentrem a operação na capital mas disponibilizem verbas proporcionais ao Norte, ao Algarve, à Madeira e aos Açores que seguramente não terão dificuldade em encontrar outros motores, e outros operadores aéreos que apostarão na sua retoma. Se o interesse estratégico é o de garantir ligações estratégicas às regiões autónomas e a alguns PALOP, coisa que a TAP não tem feito de forma regular ou eficiente, então avaliem o custo e recordem-se que temos três aeroportos no continente.
E, por favor, não digam que não gostamos da TAP. É difícil gostar de uma empresa que de pouco nos serve, que nos abandona à primeira dificuldade, e que não serve os interesses do povo.



Publicado por Tovi às 07:26
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 16 de Outubro de 2020
As quatro rotas da TAP no aeroporto do Porto

Anotação 2020-10-16 091905.jpg
Se as quatro rotas criadas recentemente no aeroporto do Porto (para Amesterdão, Milão, Zurique e Ponta Delgada) são "neste momento um prejuízo para a TAP", então ‘bora lá, senhor ministro Pedro Nuno Santos, acabar com elas… mas depois não nos venha dizer que é preciso mais dinheiro para a transportadora aérea.

 

   Comentários no Facebook

Rui Moreira - As boas notícias da TAP. Pelos vistos, são as quatro rotas do Porto que dão prejuízo à TAP. As rotas de Lisboa darão lucro. A nova rota Lisboa/Bilbau deve ser um “must” em termos de rentabilidade e importantíssima para uma estratégia nacional. Promover visitas ao Gugenheim basco é “top”. Mas, senhor Ministro, são boas notícias. Se são as quatro rotas do Porto que dão prejuízo, pare com elas. Mas, por favor, incorpore a TAP na Carris ou na muito rentável Soflusa. Nós não nos importamos, havemos de encontrar uma solução. Para Lisboa é óptimo: fica com a TAP que, sem o prejuízo do Porto, deixa de ser um perdócio. Para o resto do país - para a província em que alegremente nos incluímos - é uma maravilha, porque a TAP deixa de nos custar dinheiro.
 
 
   Afinal...

Anotação 2020-10-17 184648.jpg



Publicado por Tovi às 09:19
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
CDS-Porto apoia Rui Moreira para novo mandato

expresso 24set.jpg

   Expresso, 18h40 de 24set2020

"O CDS Porto orgulha-se do apoio a este projeto político, que nasceu com Rui Moreira, e do qual, como referido, fez parte desde a primeira hora. Continua a rever-se nele como sendo a solução que melhor serve os interesses da cidade, pelo que esta concelhia apoiará uma nova candidatura de Rui Moreira caso esta se venha a verificar", justificou esta quinta-feira a comissão política do partido em comunicado. A estrutura centrista recorda que apoiou o movimento independente que Rui Moreira encabeçou em 2013, fazendo parte da solução de governo da cidade que "tão bons resultados tem sentido". "O CDS Porto honra os seus compromissos", acrescenta no comunicado.



Publicado por Tovi às 09:39
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
Greve nos refeitórios das escolas do Porto

greve Eurest.jpg

Os funcionários da Eurest têm todo o direito à greve e até estou convencido que a razão lhes assiste neste diferendo com a entidade patronal. Mas a verdade é que numa altura em que pais, encarregados de educação e pessoal docente e não docente estão preocupados com a situação pandémica nas escolas, seria de equacionar a oportunidade desta luta.

 

   Rui Moreira, em 24set às 10h50, na sua página do Facebook

Hoje de manhã, quando cheguei à Câmara, deparei-me com uma manifestação de trabalhadores de uma empresa privada que presta serviços nas cantinas das nossas escolas. Naturalmente, como sempre faço, fui ouvir as suas preocupações.
120142247_3036953603077815_8833722288428752138_o.j



Publicado por Tovi às 13:34
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020
E quem paga os prejuízos?

Anotação 2020-09-22 091526.jpg

  Notícia aqui



Publicado por Tovi às 09:20
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 19 de Setembro de 2020
É necessária uma recandidatura de Rui Moreira

119878948_1391785854346867_8672767245973054267_o.j

Os associados do 'Porto, o Nosso Movimento' apelam a recandidatura de Rui Moreira às próximas eleições autárquicas portuguesas, que decorrerão em 2021. Na Assembleia Geral desta Associação Cívica, que decorreu na passada quinta-feira, foi aprovada por aclamação uma moção de apelo a que o autarca se recandidate a um terceiro mandato como presidente da Câmara do Porto. Confrontando pelos jornalistas sobre a sua possível recandidatura às autárquicas de 2021, Moreira mostrou-se satisfeito com a decisão do movimento, mas escusou-se a adiantar se irá ser candidato. "Fico satisfeito pelos associados acharem que estou a fazer um bom trabalho, mas não, não tomei a decisão que será tomada no tempo adequado. Não tenho calendário para isso", afirmou, lembrando que da primeira vez que concorreu só tomou a decisão em abril.



Publicado por Tovi às 09:55
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 7 de Setembro de 2020
Batota!... disse o Professor Carlos Fiolhais

carlos_fiolhais-e1599403487450.jpg

   Carlos Fiolhais in “Público”, 3 de setembro de 2020

Democracia em queda

Uma alteração legislativa que acaba de ser publicada pela calada, com a complacência do Presidente da República, após o PS ter apoiado uma proposta do PSD na Assembleia da República, veio limitar a participação dos movimentos independentes nas próximas eleições autárquicas, daqui a pouco mais de um ano. Os dois maiores partidos nacionais, nesta sua tentativa de monopolização da democracia, estão de facto a prejudicá-la, alienando cada vez mais o eleitorado.
A referida alteração impede os movimentos de cidadãos de concorrerem com a mesma designação e símbolo à câmara municipal e à assembleia municipal, por um lado, e às assembleias de freguesia, por outro. Além disso, arvorando-se “donos” das palavras, PSD e PS decidiram proibir o uso das palavras “partido” ou “coligação” por esses grupos.
Não percebo por que razão, por exemplo, o Porto não pode ter, como tem, um movimento cívico chamado “Rui Moreira: Porto, o nosso partido” ou por que razão movimentos de cidadãos não se possam coligar entre si ou com partidos. Trata-se de uma lei dirigida principalmente a Rui Moreira, cujo movimento conseguiu, em 2013, 39% dos votos e, em 2017, 45% dos votos, alcançando a maioria absoluta. De acordo com a nova legislação, esse movimento, se quiser agora voltar a concorrer às freguesias do Porto, terá de se redesignar para cada uma das freguesias: “Campanhã, o meu *” ou “Paranhos, o meu *” (está um * para a palavra proibida). Não lembraria ao diabo, mas lembrou ao PSD e ao PS.
Em resposta, o presidente da Câmara do Porto desafiou Rui Rio a concorrer ao Porto, “a solo ou em coligação com o Chega ou com o PS” (Expresso, 27/8). A avaliar pelo resultado das últimas eleições autárquicas, o PSD e o PS juntos não chegariam para o derrubar, pois o primeiro teve 10% e o segundo 29%. Nem com o Chega chegaria… A menos que este cresça muito: com a democracia em queda, admira-me que os velhos partidos se admirem com o crescimento do Chega.
Moreira é, de facto, um dos poucos líderes independentes que vão resistindo ao que se pode chamar partidocracia, ou asfixia da democracia pelos partidos. Os partidos são parte essencial da democracia, mas esta não se esgota de modo nenhum neles. Das poucas vezes em que Moreira falou em nome do Porto, fosse para enfrentar a TAP ou a DGS, revelou enorme força. Ele representa uma cidade onde, a 24 de Agosto de 1820, fez agora 200 anos, nasceu um movimento que pugnava por maior cidadania e liberdade em todo o país. Em particular, pretendia “levar a redenção aos cativos lisbonenses”.

Com o recente golpe do PSD e do PS torna-se mais difícil a tarefa dos cidadãos que se mobilizam pelas suas terras

Mas não foi só no Porto que houve candidaturas independentes vencedoras. Apesar da sua condenação pela justiça, Isaltino Morais, obteve 42%, contra o PSD e o PS. Tem legitimidade para criticar a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), liderada pelo socialista Manuel Machado (presidente da Câmara de Coimbra), que ficou quieta e muda perante uma alteração que lesa a democracia. “A ANMP não serve para nada”, disse Isaltino. De facto, as posições que ela tem assumido quanto à descentralização ou à regionalização são demasiado passivas. O Governo central em Lisboa não quer, de facto, abdicar do seu poder, mas desfruta para isso de cumplicidades regionais.
Outras câmaras lideradas por independentes são Vila Nova da Cerveira (58% dos votos), Anadia (56%), Vila do Conde (48%), Portalegre (32%), embora nos dois primeiros casos tenha havido apoio de partidos e nos dois segundos os independentes fossem dissidentes partidários. No conjunto do país, os grupos de cidadãos ganharam 17 câmaras. Nalguns casos, como em Coimbra, um movimento independente — o “Somos Coimbra” — é a oposição, pretendendo ganhar a câmara. Com o recente golpe do PSD e do PS, que parece contrariar a Constituição (artigo 113.º-3b), torna-se mais difícil a tarefa dos cidadãos que se mobilizam pelas suas terras, que além do mais são alvo de discriminação fiscal. O presidente da Associação dos Movimentos Autárquicos Independentes resumiu: “Os candidatos dos partidos jogam com melhores botas, os partidos fazem as regras e nomeiam o árbitro e o Estado é o sponsor.”
Se Marcelo Rebelo de Sousa não está distraído, como não pode nem deve estar, o que ele fez foi contentar a sua base de apoio, o Bloco Central. Não posso por isso votar nele.



Publicado por Tovi às 07:49
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Domingo, 30 de Agosto de 2020
Memória da Revolução Liberal de 1820

d pedro iv.jpg

   O portal de notícias do Porto.
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, depositaram coroas de flores no mausoléu que alberga o coração de D. Pedro IV, na Igreja da Lapa, prestando homenagem à memória da Revolução Liberal de 1820.
O acontecimento que impulsionou o triunfo do liberalismo em Portugal comemorou 200 anos a 24 de agosto, e foi hoje [28ago2020] sublinhado com a deposição de duas coroas de flores num local repleto de simbolismo para a cidade Invicta e para a Revolução Liberal. Na capela-mor da Igreja da Lapa, onde ficou depositado o coração de D. Pedro IV, doado pelo monarca em homenagem ao espírito livre do Porto, o Presidente da República e o presidente da Câmara do Porto prestaram-lhe homenagem.



Publicado por Tovi às 10:20
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 22 de Agosto de 2020
Revolução Liberal de 1820... no Porto

   Rui Moreira, no Diário de Notícias de hoje

118288935_2937290266377483_8390287816346068935_o.j
Celebramos, este ano, o segundo centenário da revolução liberal de 1820. Uma revolução inevitável pelo contexto político-social da época, e que deu início à difícil, lenta e tormentosa fundação do Portugal moderno.
Portugal sobrevivera, improvavelmente, às invasões francesas e à Guerra Peninsular (1807-1814) mas o preço era, passados alguns anos, intolerável. O país estava mergulhado numa profunda crise política, económica e social, e vivia debaixo de uma dupla tutela.
Transformara-se num protectorado dos ingleses que, depois de terem derrotado as tropas napoleónicas, liderando a resistência portuguesa, mantinham a administração do território nacional, bloqueando as carreiras no exército (refundado por Beresford) e condicionando o funcionalismo público. Transformara-se, também, numa colónia do Brasil, elevado à categoria de reino através de uma nova identidade pluricontinental, onde a corte permanecia, onde o comércio e os portos se abriam a outras potências.
Sem a riqueza do Brasil, a contribuição que antes equilibrara a economia portuguesa sempre dependente da agricultura de subsistência, sem alternativa ou voz na nova ordem europeia, resultante do Congresso de Viena, o país via-se condenado à ruína e privado da sua soberania.
A contraversão da relação colonial com o Brasil, a subjugação a Inglaterra e a crise económica consequente, com impacto na indigente administração que resistira às invasões, gerou o clima propício ao descontentamento.
As ideias da revolução francesa, que tinham encontrado acolhimento em sectores da burguesia urbana ainda antes das invasões voltavam a fervilhar, e a presença dos ingleses, que tinham assentado arraiais com o seu ideário liberal, também ela contribuía para que se questionasse o regime a que mais tarde se chamou de absolutista.
Esses ventos continuavam a abalar a Europa, apesar da mão de ferro da Santa Aliança, concebida no Congresso de Viena, em que as potências que haviam derrotado Napoleão concordaram em resgatar os limites territoriais anteriores à revolução francesa que tinham sido dissolvidas pelas guerras, e restaurar a ordem absolutista do Antigo Regime, pela mão de Metternich.
Em Janeiro de 1820, uma revolta militar tinha imposto o regime constitucional em Espanha, consagrado na Constituição de Cádis de 1812, e levou ao poder os liberais que tinham sido perseguidos por Fernando VII aquando do seu retorno do exílio em França. Portugal fora um dos refúgios eleitos pelos liberais espanhóis, como foi o caso do general Cabanes, em que procuravam apoios em para os seus ideais revolucionários.
Todos esses acontecimentos não passaram despercebidos em Portugal, e tiveram impacto nas cidades onde as notícias iam chegando, e onde a burguesia tinha um papel de relevo. Particularmente no Porto onde a nobreza tinha menor presença e influência, que se vira invadida por desalojados das terras do interior e por desertores, e onde havia bons livreiros e os hábitos das tertúlias que trocavam as voltas à férrea censura da época.
Não admira que o Sinédrio tenha surgido no Porto, Uma sociedade secreta, impulsionada pela consternação que se seguiu à condenação à morte de Gomes Freire, formada por burgueses e por juristas, tendo como característica comum o elevado grau de cultura política e grande respeitabilidade social. Foi no seio do Sinédrio que fermentou a conjura e o ideário liberal que, garantindo a fidelidade à casa de Bragança, lhe exigia que aceitasse regressar a Portugal para reinar constitucionalmente.
O golpe militar, inspirado pelo Sinédrio, ainda que sem a participação dos seus membros, viria a eclodir em 24 de Agosto de 1820. As proclamações protestavam lealdade a D. João VI, condenavam qualquer violência ou anarquia, e faziam referência à reunião das Cortes para promulgação de uma Constituição; e logo foi constituída a Junta Provisória que passaria a dispor da suprema autoridade em nome do Rei.
Enquanto a Junta dos Governadores, em Lisboa, denunciava o horrendo crime de rebelião e confiava em que o exército se apressaria a apagar a mancha de que a sua honra está ameaçada, e a Junta do Porto reclamava que não se tratava de uma revolta, mas de um movimento para defender a dinastia reinante das ameaças que a cercavam, o exército que saíra do Porto ia sendo aclamado por todo o país. E foi assim que a revolução chegou à capital, com a entrada triunfal e pacífica do exército revolucionário em 1 de Outubro.
Foram terríveis os anos que se seguiram à revolução liberal de 1820, e o país só encontrou a paz com a regeneração. Entretanto, viveu-se uma sangrenta guerra civil e inúmeras revoltas num país dilacerado e indeciso.
Se esta revolução, liberal e burguesa, era inevitável no contexto histórico, também é inevitável que tivesse eclodido no Porto. Esse liberalismo procurou na monarquia constitucional um antídoto contra a tirania dos reis absolutos e contra a tirania das maiorias democráticas: combinando as duas legitimidades, monárquica e popular, aspirava a realizar um meio termo entre ambas, um ponto de equilíbrio entre a monarquia pura e a democracia pura, cuja forma consumada e natural seria a República, como escreveu Maria de Fátima Bonifácio.
Mas, nas décadas que se seguiram, e também durante o século XX, o ideário foi esmagado por duas forças contraditórias: pelo radicalismo crescente na Europa, com o seu ideal anticlerical da comunidade de seres iguais, e o Antigo Regime, com os seus afloramentos.
Um conflito insanável entre a macrocefalia da capital, consequência da história e do Império e pasto natural do radicalismo europeu e o país rural, religioso, obediente e conservador; a clássica oposição entre a cidade e o campo, como escreveu Vasco Pulido Valente.
Duzentos anos depois, sem nunca ter causado problemas aos sucessivos regimes, o Porto, mais reivindicativo do que revolucionário, continua, por razão dessa diferença que se espelha nesse contraste e na comparação com outras cidades, a guardar a tradição liberal e a fazer diferente.



Publicado por Tovi às 11:09
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2020
E s c a n d a l o s o ! . . .

O "casamento" de Rui Rio e António Costa em todo o seu esplendor... com a bênção do Marcelo.
2 21ago.jpg
    Porto, O Nosso Movimento

Não passarão!
O Presidente da República promulgou hoje a lei que altera as regras para os movimentos independentes que concorrem às eleições autárquicas. Completa-se assim um ciclo iniciado em 2017, quando o PSD tentou, através dos tribunais, impedir a candidatura do movimento RUI MOREIRA PORTO O NOSSO PARTIDO.  Derrotado nas urnas, derrotado que já fora na secretaria, Rui Rio não desistiu. Não por persistência, mas antes por obsessão. São conhecidas estas suas obsessões e birras. E que só é democrata quando lhe convém.
No âmbito do seu recente e subserviente casamento com o PS, negociou o dote e conseguiu ver aprovada uma lei que tem como único alvo óbvio o movimento que venceu as duas últimas eleições no Porto, e libertou a cidade do cinzentismo ‘riista’. Ou seja, uma lei à medida, à medida da sua birra.
Assim, o Movimento fica impedido de se recandidatar com o nome com que venceu as últimas eleições, não podendo utilizar a palavra “partido” e não podendo utilizar o nome do candidato à Câmara nas siglas das listas concorrentes às Freguesias.

Tudo isto engendrado, como é indesmentível, para enganar e confundir o eleitor, e com o topete de afirmar nos considerandos que é isso que se pretende evitar.
Hoje é, por isso, um dia triste para a democracia e de júbilo biliar para o Dr. Rui Rio. Não é por isso, ainda assim, que desistiremos. Para isso, terão de inventar um outro proibicionismo qualquer.

Mas, com todo o “fair play”, deixamos aqui um desafio ao Dr. Rio:
Apresente-se como candidato ao Porto com os poucos do PSD que ainda o apoiam, peça apoio aos seus “compagnons de route” e aliados do PS e, já agora, convide o Chega. Chame-lhe coligação Rio, porque a lei permite isso aos partidos, e venha a jogo. Às claras. O Porto cá os espera!

 

   No Expresso

Rui Moreira inibido de repetir sigla que venceu as autárquicas…

   No Jornal de Notícias

Moreira desafia Rio a candidatar-se ao Porto…



Publicado por Tovi às 18:27
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 15 de Agosto de 2020
Um autêntico “Tratado de Tordesilhas” PS/PSD

   Isabel Paulo no Expresso
Anotação 2020-08-15 105700.jpg
As primeiras eleições indiretas para os presidentes das cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), previstas para outubro, prometem nascer sob o signo da polémica, vistas por alguns autarcas do Norte como um passo em falso na descentralização do país. Em causa estão as negociações entre António Costa e Rui Rio para a escolha dos futuros líderes regionais, conduzidas “a partir de Lisboa” pelos “diretórios políticos dos dois principais partidos”. A advertência ao “reforço do centralismo” das entidades gestoras dos fundos da União Europeia e dos apoios comunitários à crise pandémica é feita por Rui Moreira, que teme o efeito spill over em benefício da capital.
Depois de o independente ‘Porto, o Nosso Movimento’ de Rui Moreira ter alertado que a eleição indireta é uma forma “de o bloco central repartir cargos, assegurando ao PSD o magro quinhão que o PS lhe adjudica”, o presidente da Câmara do Porto avança ao Expresso que está a ponderar “não participar no ato eleitoral”, não só por contestar “o caldinho” gizado pelo ‘Tratado de Tordesilhas’ mas por discordar do timing eleitoral, que acontece a um ano das autárquicas. “Não me sinto legitimado para votar numa direção eleita para os próximos cinco anos, quando só tenho mais um ano de mandato”, diz o autarca, defensor do sufrágio direto e universal das CCDR e coincidente com o ciclo autárquico.
Rui Moreira é ainda crítico do colégio eleitoral que votará os presidentes das CCDR, composto por presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia, vereadores e deputados municipais. Para o autarca, que é contrário à “municipalização das CCDR”, não faz sentido que tenham sido arredadas do universo eleitoral as associações patronais e a academia. Ao que o Expresso apurou, na divisão dos cargos caberá ao PS a escolha dos presidentes das CCDR Centro, LVT, Alentejo e Algarve, ficando a CCDR-Norte na esfera dos sociais-democratas. A confirmar-se a partilha, o atual presidente, Freire de Sousa, deverá sair, justificada por fonte da distrital do PSD/Porto por ser casado com Elisa Ferreira, comissária europeia com a pasta da Coesão e Reformas, responsável pela atribuição de fundos regionais. Moreira lembra, porém, que o Parlamento Europeu “já aclarou não existir conflito de interesses”, frisando ser nocivo afastar Freire de Sousa, dada a sua “comprovada” capacidade negocial e de gestão do território.
O presidente da Câmara de Famalicão também é contra a troca de Freire de Sousa. O social-democrata Paulo Cunha diz-se “preocupado” com “as negociações” entre Costa e Rio, em vez de se estarem “a discutir competências”. Também avalia como “positiva” a gestão do atual líder da CCDR-N e “negativa” a mudança de dirigentes a um ano das autárquicas, ou seja, quando os autarcas-eleitores já têm “80% do seu mandato cumprido”. Um ano depois da nomeação de Elisa Ferreira, Paulo Cunha afirma ser “até maldosa” a insinuação da incompatibilidade de Freire de Sousa. Aires Pereira, autarca ‘laranja’ da Póvoa de Varzim, é outro dos críticos do sufrágio semidireto e do timing do mesmo, afirmando que “o modelo reflete a falta de coragem política” do PS e PSD em assumirem a regionalização.



Publicado por Tovi às 11:09
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sábado, 25 de Julho de 2020
Conferência JN

image.jpg

"Os Caminhos da Recuperação Económica em Portugal: Hipóteses a Norte" foi o tema da conferência organizada pelo "Jornal de Notícias" e pela Câmara Municipal do Porto, que se realizou ontem no Teatro Municipal Rivoli, partindo do presente para projetar a retoma pós-covid.


“Portugal, a Europa e o Mundo estão a atravessar uma crise sem precedentes. Uma emergência de saúde pública, primeiro, e uma depressão económica e social, depois, que exigem soluções também elas fora do comum. A responsabilidade recai sobre todos, mas em particular sobre os decisores políticos. Numa Europa das Regiões, cabe também aos que estão mais próximos do território e das suas gentes fazer o diagnóstico e desenhar soluções” - (Domingos de Andrade, Diretor do "Jornal de Notícias")


Não precisamos de mais diagnósticos. O Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030, do professor António Costa Silva, tem que ter um cronograma sobre o que é prioritário e sobre o que é urgente. (Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto)


Apostemos num Norte mais verde. Há oportunidades na energia, na produção para autoconsumo, mas também para distribuição ao vizinho. A produção de baterias para acumular energias renováveis é outra oportunidade. A mobilidade é crítica para o Norte: temos de avaliar as infraestruturas (portos, aeroportos, rodoviárias, ferroviárias) e apostar no transporte público, partilhado e de baixas emissões. (Filipe Araújo, vereador da Câmara Municipal do Porto)


Estamos muito longe do poder, é a nossa verdade. Por isso era bom que se criassem instrumentos regionais para suprir as carências da falta de capital e de financiamento que sentem as nossas empresas. (Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto)


País tem até outubro para construir propostas aos apoios europeus. A Comissão pediu aos estados-membros que preparem e comuniquem os seus planos de reformas até ao fim do verão, de modo a que, entre outubro e abril de 2021, sejam discutidos e aprovados. (Elisa Ferreira, Comissária Europeia)


Rui Moreira: "Os recursos financeiros que aí vêm não podem ser investidos nos suspeitos do costume"
Da TAP aos créditos mal parados da Caixa Geral de Depósitos, os "suspeitos do costume" não podem voltar a açambarcar os investimentos estruturais do país, como cronicamente têm feito. Rui Moreira reivindica atenção para a Região Norte, "a nona mais industrializada da Europa", pede agilidade na alocação de recursos, diz que são precisos cronogramas em vez de diagnósticos, e sublinha que a indústria e a agricultura são os setores que permitem ao Norte "jogar nas cadeias de valor da Europa".
No encerramento conferência do JN, subordinada ao tema "Os caminhos da recuperação económica em Portugal: hipóteses a Norte", o presidente da Câmara do Porto declarou que urge "resolver as dificuldades de financiamento do tecido empresarial do Norte" e, para que isso aconteça, será preciso que a Região tenha voz no Terreiro do Paço.
"Nós, Região Norte, temos de ser ouvidos sobre o que é melhor para a Região. E o fundamental para a Região Norte são as indústrias e a agricultura. Têm que ser os setores mais competitivos", sublinhou Rui Moreira, numa intervenção em que constatou ser o centralismo a governar o país.
"Estamos muito longe do poder, essa é a nossa verdade. Por isso era bom que se criassem instrumentos regionais para suprir as carências da falta de capital e de financiamento que sentem as nossas empresas", afirmou.
Rui Moreira apela a que se abandonem "os tabus ideológicos" neste caminho da recuperação económica. "Temos de ser muito mais flexíveis e pensar em soluções como a que foi aplicada na TAP para resolver as dificuldades de financiamento do tecido empresarial do Norte". Dos mais de 1.200 mil milhões de euros para a companhia de bandeira portuguesa, cujo desígnio nacional não acredita que cumpra, somados aos 300 milhões de euros já anunciados para o Turismo no Algarve, medida que até diz compreender atendendo à predominância do setor naquela região, Rui Moreira propõe que, olhando para o que está a ser feito, se faça diferente e se faça bem.
"É preciso olhar mais para o território, dar prioridade a pequenos investimentos, à eficiência energética, reduzir os custos de contexto e criar externalidades positivas", assinalou. "Não podemos correr o risco, com todo o dinheiro que aí vem, de achar que vamos resolver todos os problemas de infraestruturas sem crescimento económico. Corremos o risco de repetir o 'complexo do Convento de Mafra' ", analogia que já tinha utilizado há alguns anos e que disse parecer-lhe agora novamente oportuna, quando lê e ouve falar de investimentos e planos megalómanos.
Não é esse o caminho que o presidente da Câmara do Porto julga ser o acertado para a recuperação económica do país e, neste âmbito, concorda com Elisa Ferreira, que disse no mesmo fórum que não se podem repetir as receitas do passado.
A propósito, ironizou: "ainda estou à espera de saber onde estão os créditos malparados da Caixa Geral de Depósitos. Sei do que falo, são os suspeitos do costume".
Em contrapartida, "é preciso apostar na investigação e no conhecimento", propôs o autarca, entendendo ser assim possível, através da injeção direta de capitais nas empresas, ultrapassar constrangimentos, "dar o salto e encontrar outros clientes". E, para que corra bem, "precisamos de uma voz ao nível do poder económico", sugeriu.
"Não vamos ter a almejada regionalização tão cedo"
No entanto, para Rui Moreira, essa voz não emanará, nos próximos anos, de uma nova organização administrativa do território, subdividido em regiões. "Há neste momento outras preocupações. Mas devemos revisitar os instrumentos que temos. Precisamos de um fortíssimo think-tank [laboratório de ideias] a nível regional", que envolva academia, o setor da indústria e as novas gerações, avança.
Na falta de regionalização, o autarca considerou ainda que o Norte deve olhar para "o único instrumento institucional" que tem disponível: a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). E foi neste âmbito que deixou uma crítica ao novo modelo de eleição das CCDR, que será ensaiado já no próximo mês de setembro, com as votações a serem determinadas por um colégio eleitoral constituído por autarcas. "Estamos entre dois quadros comunitários, não é o momento para ensaios. Em equipa que ganha não se mexe. Espero que Fernando Freire de Sousa [presidente atual da CCDR-N] se mantenha disponível", partilhou.
Planos têm obrigatoriamente de ter cronogramas
O presidente da Câmara do Porto confirmou já conhecer o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030, elaborado pelo professor António Costa Silva. "Li o extenso documento, é útil, é feito por uma pessoa culta e generosa, mas não é um plano", disse. E continuou: "Não precisamos de mais diagnósticos. O plano tem que ter um cronograma sobre o que é prioritário e sobre o que é urgente. Ora este nem prevê cronogramas nem faz análise custo-benefício", analisou.
Reiterando a importância do papel da indústria e da agricultura para dar a volta a crise, Rui Moreira pede ação e dinamismo. "Temos de ser melhores, produzir melhor, reduzir custos. Não podemos é agora perder tempo e encantar-nos com os milhões que aí vêm. No passado houve muito dinheiro, mas não houve análise do custo-benefício", reforçou o autarca, lamentando que o Governo ainda não tenha procurado ouvir o pensamento estratégico do Norte, e que sejam precisas iniciativas como esta, promovida pelo JN e pela Câmara do Porto, para que sejam apontadas soluções e se façam ouvir os autarcas da Região.



Publicado por Tovi às 07:27
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 23 de Julho de 2020
As primeiras casa de renda acessível... no Porto

Estas são duas das 250 novas famílias que irão morar para o centro da cidade até ao final do ano. E não estamos a falar de habitação social, mas de uma nova tipologia de habitação com apoio municipal.
110153332_2851106601662517_3791835465937313590_o.j



Publicado por Tovi às 07:55
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 16 de Julho de 2020
O que é necessário fazer daqui para a frente

Já que as estruturas intermédias do Ministério da Saúde pouco ou nada fazem, resta-nos o bom trabalho de (alguns) autarcas… que sempre souberam informar-se junto de quem sabe quais as medidas certas para o combate à disseminação do vírus ao mesmo tempo que se relança a economia.
#mno_almoço_Rui_Moreira_Salvador_Malheiro_Eurico



Publicado por Tovi às 09:53
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 8 de Julho de 2020
Pois é !...

kisspng-download-clip-art-flirty-smiley-5b4d8fdf72
Muitas vezes não compreendemos o motivo de certas coisas que acontecem à nossa volta… mas acredito que existe sempre um propósito em tudo e nada acontece por acaso.

 

   Nuno Santos, ontem, no Facebook

Meus amigos. Como prometido no último post, cá estou ano e meio depois. Desta vez para vos dar a notícia de que deixei as minhas funções na Câmara do Porto, onde servi nos últimos sete anos, com um interregno para ser diretor de campanha do Rui Moreira em 2017 e depois de ter sido responsável pela comunicação na campanha de 2013.
A minha saída é para mim lógica, mesmo que não pareça caber nos cânones.
Nunca quis nada da política nem ser nada em política. E sinto que o meu trabalho se esgotou.
Creio que, no primeiro mandato, sobretudo pelo que fiz na comunicação, cumpriu e ficará a marcar um período áureo da cidade.
No segundo mandato, confesso que nunca me senti grande chefe de gabinete, mas acabei a desempenhar uma tarefa que de que me orgulho e que fez de mim uma pessoa melhor e que foi a luta contra a COVID-19.
Graças a confiança que o Rui Moreira em mim sempre depositou, graças a sua determinação e também a quem muito ajudou nessa missão, dentro e fora da Câmara, que podemos hoje apresentar resultados.
No que se montou de operacional, nos lares, no hospital de campanha, na relação com os hospitais e com as instituições, mecenas e amigos, mas também na disponibilidade orçamental que tivemos para poder executar o que executamos e que se deve à gestão irrepreensível do Rui, durante estes anos. O Rui Moreira tem uma grande equipa que lançou outros projetos que ficarão na história da cidade e em que apenas marginalmente participei e que não custarão a ser concluídos.
Mas os seus mandatos ficam marcados sobretudo pelo que de imaterial fica na cidade. E não estou sequer a falar da cultura, tema sempre controverso e impossível de consensualizar, refiro-me ao que fica de cosmopolita e liberal nas ruas, na economia, nas instituições que hoje têm um passado, mas também um presente e um futuro.
Este é pois o meu agradecimento público ao Rui Moreira, pela sua confiança em mim (a amizade não se agradece) e, como cidadão, por tudo o que tem feito pelo Porto e continuará a fazer. Quanto a mim, digo um adeus definitivo à política e a tudo o que se lhe relaciona. Orgulho-me da equipa em que estive integrado, mas creio que já chega, decisão pessoal que tomo não solitariamente, mas quase e em diálogo com quem o devia fazer. Com o Rui e com a luz da minha vida, a Carla.
Acho que sei fazer coisas na comunicação, creio que sei escrever e gosto muito de fotografar. Percebo hoje qualquer coisa de marcas e gestão de marcas, que aprendi a fazer sobretudo com o que vive e trabalhei com Eduardo Aires que deu corpo à marca “Porto.” de forma genial.
Gostava muito de agradecer a tanta gente que ou me aturou, como “polícia mau” e com quem nem sempre fui o melhor companheiro, ou a quem me ajudou. E ajudou-me quando eu estava bem e quando eu estive mal e eu precisei realmente de muita ajuda, quando a doença me atingiu.
Mas não vou aqui por o nome de mais ninguém senão de uma pessoa mais. O Miguel Nogueira, o melhor fotógrafo do mundo e arredores.
O Miguel, o Eduardo e eu fomos o triângulo perfeito da comunicação da cidade. A fotografia, o design e a palavra. E a comunicação é não só a minha vida, é aquilo de que eu percebo. Se calhar, a única coisa de que percebo.
Todos os outros, tão amigos e tão competentes como eles, que nas suas áreas fizeram tanto ou mais, que me perdoem se me centro nestas almas boas que, além do mais, tiveram a arte de me suportar.
Em princípio, voltarei aqui dentro de ano e meio de novo. Espero que a cidade tenha, como nas últimas vezes, tido o mesmo juízo sobre quem quer a governá-la. Não me encontrarão é a fazer campanha.

 

   JN de ontem, às 19h24

Nuno Santos deixou o cargo de chefe de gabinete de apoio ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira. De acordo com um despacho assinado, esta terça-feira, pelo autarca do Porto, a exoneração aconteceu por pedido do próprio. O JN contactou a Câmara do Porto a fim de perceber qual o motivo da exoneração e se já há um sucessor, mas ainda não obteve resposta. Na sua página pessoal do Facebook, Nuno Santos explica que o trabalho na política "se esgotou". "Quanto a mim, digo um adeus definitivo à política e a tudo o que se lhe relaciona", sublinhou.

 

   Público de ontem, às 20h26

Chefe de gabinete de Rui Moreira abandona funções num “adeus definitivo à política”Nuno Nogueira Santos pediu a exoneração do cargo de chefe de gabinete de Rui Moreira. Autarca assinou despacho esta quarta-feira. “Sinto que o meu trabalho se esgotou”, escreveu num post no Facebook.



Publicado por Tovi às 07:31
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Outubro 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9


24

25
26
27
28
29
30
31


Posts recentes

A opinião livre, lúcida e...

As quatro rotas da TAP no...

CDS-Porto apoia Rui Morei...

Greve nos refeitórios das...

E quem paga os prejuízos?

É necessária uma recandid...

Batota!... disse o Profes...

Memória da Revolução Libe...

Revolução Liberal de 1820...

E s c a n d a l o s o ! ....

Um autêntico “Tratado de ...

Conferência JN

As primeiras casa de rend...

O que é necessário fazer ...

Pois é !...

Plano de abertura presenc...

Prestação de contas do an...

Nuno Markl em guerra com ...

Um São João muito especia...

Tabu de Moreira condicion...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus