"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Domingo, 26 de Julho de 2015
Um drama na Ponte do Infante

O Zé-António Pimenta de França, amigo meu dos tempos de juventude em Espinho, assistiu a este drama e conta-nos de uma forma magistral como foi. Desta vez acabou tudo bem.

 

Ponte do Infante aa.jpg

ANOITECER NA PONTE DO INFANTE - Anteontem, pelas 20:30, entro na Ponte do Infante, em direcção a Espinho e deparo com um autocarro quase parado na faixa rápida.... Abrando. E vejo outro carro parado mais à frente, um homem de polo encarnado a atravessar a ponte a correr para o sentido contrário (Gaia-Porto), indiferente ao trânsito que é sempre rápido ali, a saltar o separador central e a dirigir-se ao passeio de peões do lado contrário. Só então vejo, do outro lado, um homem de T-shirt branca dependurado, com o corpo todo de fora da ponte, seguro apenas pelos pés na placa da ponte e pelas mãos no corrimão. Num ápice, o herói do polo encarnado, de uns 50 anos e mais ou menos, com a minha estatura, agarra o homem por um braço e pelo pescoço e puxa-o para dentro da ponte. Não sei como o conseguiu. Entretanto já tinha eu parado o carro e atravessado, a correr e de braços no ar, para alertar o trânsito. Sou o segundo a chegar e já o homem de T-shirt, de estatura franzina e com 40 anos, estava deitado no passeio para peões lavado em lágrimas, a pedir para o deixarem morrer e a tentar levantar-se. Liguei de imediato o 112. Responderam logo e disseram que mandariam imediatamente uma equipa médica. Entretanto chegaram mais seis ou sete cidadãos e formámos todos um círculo à volta do homem, que entretanto se levantou e ensaiou várias novas tentativas para voltar ao precipício. O cidadão do polo encarnado contou então que o viu a subir o corrimão e decidiu agir de imediato.

A Polícia chegou em menos de dois minutos, dois carros, um de cada lado da ponte, em alta velocidade, como nos filmes americanos. O candidato a suicida recusava identificar-se, apenas disse que tinha 40 anos e fechou-se em lágrimas, enquanto os polícias o acalmavam e o interrogavam.

Aí cada um dos intervenientes optou por regressar aos carros, enquanto os polícias ficaram à espera da equipa médica para levar o homem ao Magalhães Lemos, o hospital psiquiátrico do Porto. Apenas tive oportunidade de apertar a mão ao herói do polo encarnado e de o felicitar pela rapidez da acção. Ele sorriu simpaticamente e agradeceu-me a ajuda, com uma palmada nas costas. Regressámos aos carros e seguimos os nossos caminhos.

Demorei 48 horas a digerir este incidente. Jamais esquecerei a cara do martirizado homem da T-shirt branca, nem o sorriso aberto do herói do polo encarnado, duas faces diversas daquele diferente pôr-do-sol portuense...

Um dos polícias disse-me que todas as semanas há dois ou três casos destes, ali e nas outras pontes, mas sobretudo naquela, que está mesmo ao pé das Fontainhas, uma zona deprimida do Porto. Mas a maior parte não acaba tão bem, sublinhou o polícia...



Publicado por Tovi às 08:57
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