"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
Já soam os tambores de guerra na Europa

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Estão reunidos em Madrid os líderes da NATO, a maior aliança de defesa do mundo. A reunião de alto risco de 28 a 30 de junho ocorre num momento de maior tensão global, com origem na invasão russa da Ucrânia. 

 

  Artigo de Priyanka Shankar publicado na Al Jazeera em 27jun2022 
Cinco coisas que devemos saber sobre as prioridades de defesa e segurança dos países, não apenas do Ocidente, mas também de todo o mundo.
1. O que está acontecendo e por que é importante - Na reunião do ano passado em Bruxelas, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, destacou que o relacionamento da aliança com a Rússia estava no seu “ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria”. (...) 
2. Esperava-se que a adesão à NATO da Suécia e da Finlândia fosse rápida. Isto ainda se mantém? - A cereja no topo do bolo da reunião deste ano será a candidatura da Finlândia e da Suécia à NATO. (...) 
3. A Ucrânia algum dia se juntará à NATO? - O Kremlin há muito critica o alargamento da NATO na Europa Oriental. (...) 
4. Reforço das despesas de defesa - Um dos maiores debates entre os aliados da NATO é quanto cada país gasta em defesa. (...) 
5. China na agenda? - Na reunião da NATO no ano passado, Stoltenberg destacou que “a China estava a aproximar-se da aliança” e disse que era importante para a NATO desenvolver uma posição clara e unida em relação a Pequim. (...) 

 

  Ao fim da tarde de ontem [28jun2022] soubemos que a Turquia assinou memorando de entendimento para a adesão de Suécia e Finlândia à NATO.
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A situação no Leste da Europa vai sofre inevitavelmente alterações político-militares com a adesão à NATO destes dois países nórdicos. Os próximos dias vão ser muito importantes para o rufar dos tambores de guerra. E já agora: Quer se goste quer não se goste a verdade é que Erdogan é um grande político e mais uma vez lá levou a água ao seu moinho.

 

  Ucrânia pode já não recuperar todo o seu território - CNN 28jun2022
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As autoridades na Casa Branca começam a perder a confiança de que a Ucrânia será capaz de recuperar todo o território que perdeu para a Rússia nos últimos quatro meses de guerra, mesmo com o armamento mais pesado e sofisticado que os EUA e os seus aliados pretendem enviar. Conselheiros do presidente Joe Biden começaram a debater internamente como e se o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria mudar a sua definição de “vitória” ucraniana - adaptando-se à possibilidade de o seu país ter encolhido de forma irreversível.

 

  Ao 126.º dia do conflito é assim que estamos
Ucrânia quem controla o quê 29jun2022 dia 126.jp
Um ataque com mísseis russos matou três pessoas e feriu cinco na cidade portuária de Mykolaiv na manhã de quarta-feira, disseram autoridades locais, um dia depois dos ataques que mataram três pessoas, incluindo uma menina de seis anos, nas proximidades de Ochakiv. 
Existe uma possibilidade real de que o míssil russo que atingiu um shopping-center lotado em Kremenchuk e matou pelo menos 18 pessoas, tenha sido destinado a um alvo próximo, disse o Ministério da Defesa britânico. 
Autoridades pró-russas na região ocupada de Kherson, na Ucrânia, disseram que as suas forças de segurança prenderam o prefeito da cidade, Ihor Kolykhayev, na terça-feira, depois de ele se ter recusado a seguir as ordens de Moscovo, enquanto uma autoridade local de Kherson disse que o prefeito foi sequestrado. 
Um referendo para a região de Donetsk, maioritariamente ocupada, a ser absorvida pela Rússia será realizado em 11 de setembro, disse o assessor do prefeito de Mariupol. 

 

  
António-Costa-2.jpgNa chegada à Cimeira da NATO, que se realiza em Madrid, o primeiro-ministro António Costa frisou a importância de “construir a paz e garantir uma paz duradoura nesta região euro atlântica, em especial na Europa”. Aos jornalistas e quando questionado sobre o reforço das forças de elevada prontidão anunciado por Jens Stoltenberg - que passarão de 40 mil para 300 mil - António Costa não se alongou com datas nem números concretos sobre o papel de Portugal, mas defendeu que o país irá participar “da forma adequada”“Temos incrementado a nossa participação nas forças especiais, nomeadamente na NATO. Participaremos da forma adequada àquilo que são as nossas circunstâncias”, disse. O primeiro-ministro admitiu que Portugal não pode “objetivamente comprometer” com uma data para atingir a meta de 2% do PIB destinados à Defesa, sublinhando que o país só assume “compromissos que pode cumprir”. "Nós assumimos compromissos que sabemos que podemos cumprir. (...) De uma forma séria, não podemos objetivamente comprometer-nos com uma data [para atingir os 2% do PIB destinados à Defesa], atenta a situação de incerteza que a economia global está a viver, com um enorme crescimento da inflação, com uma pressão sobre as taxas de juros, e a grande determinação que temos de uma forte redução da nossa dívida pública", justificou António Costa.

 

  Forças da NATO no leste europeu
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  NATO - Novo Conceito de Estratégia (em pdf) 
Captura de ecrã 2022-06-29 171542.jpgA NATO aprovou esta quarta-feira o novo conceito de estratégia para a próxima década. Um viragem naquilo que tem vindo a ser feito, e que confirma muitas novidades, grande parte delas impulsionadas pela invasão russa da Ucrânia. Num clima constante de tensão desde 24 de fevereiro, os 30 países-membros decidiram redefinir a relação que têm com a Rússia, que passa de um "parceiro estratégico" à "mais significativa e direta ameaça aos aliados", esquecendo todo um caminho que tinha sido iniciado em Lisboa, em 2010, e com o qual a Rússia decidiu romper este ano. Nesse ano, abriu-se caminho para uma aproximação entre NATO e Rússia, sendo que o presidente da altura, Dmitry Medvedev, chegou mesmo a participar no evento que decorreu na capital portuguesa. 




Segunda-feira, 27 de Junho de 2022
Danos colaterais da invasão da Ucrânia pela Rússia

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Um Eurobarómetro especial mostra que Portugal é o segundo país onde mais se sentem as consequências económicas da guerra na Ucrânia, que a maioria dos europeus diz ainda não sentir. E só 49% assumem que a defesa da democracia e da liberdade tenha prioridade face à manutenção do nível de vida - contra 59% dos europeus.

Outro aspeto interessante: a percentagem de portugueses que tem uma opinião positiva sobre a Rússia é 2%, muito menor do que a média europeia de 10%
Expresso, 07h08 de 22jun2022

  Mais sobre os "danos colaterais" da invasão russa da Ucrânia
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  Frederico Nunes da Silva"Nem uma só cedência a Putin", dizia-se por cá há uns meses. 🤗 Vamos acabar a andar de burro e a comer papossecos com manteiga. Fazer política baseada nas emoções do eleitorado e da opinião publicada dá nisto.

 


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Os líderes dos países do Grupo dos Sete (G7) discutiram ontem [26jun2022] planos para limitar o preço do petróleo russo a fim de pressionar Moscovo, que está a beneficiar do aumento dos preços da energia, e cortar os seus meios de financiamento da invasão da Ucrânia. Os Estados Unidos sugeriram um teto de preço decidido pelos países consumidores, uma proposta que foi discutida no domingo pelos líderes do G7 numa reunião nos Alpes da Baviera. 
No encerramento da reunião do G7 na Alemanha [28jun2022], os líderes das democracias mais ricas do mundo prometeram ação mais dura contra a Rússia e dizem que vão impor “custos económicos severos e imediatos” a Moscovo por causa da invasão da Ucrânia.

 

  Dito assim... mas depois não diga que foi tarde
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Isabel Sousa Braga - Então em que ficamos? Na semana passada eram os russos que não queriam negociar 
David Ribeiro - Pobre povo ucraniano que não merece a tragédia provocada pela invasão das tropas de Putin... mas também não está muito bem servido de líderes. 
Isabel Sousa Braga - David Ribeiro como dizia o outro estão a "c@#€r" no povo. É revoltante
Jorge VeigaDavid Ribeiro Concordo com o Zelensky. Propor qualquer coisa ao Putin nesta fase é dar a corda toda para a esticar como quiser. Putin só cede se estiver por baixo e pelo que temos visto o povo Ucraniano também não quer dar nada ao melro, por isso o sacrifício que tem feito.
Adao Fernando Batista Bastos - Este mono vai negociar quando tiver o país destruído... ea Europa a amparar-lhe os desígnios, se é tem e sabe! Está à espera que o Ocidente o encha de material de guerra para mais umas destruições, de parte a parte. Se espera que a Rússia lhe devolva o que já conquistou, que espere deitada. E para que lhe servia e ao seu povo se está tudo destruído? Para mais uns valentes apoios do Ocidente embora "este, o Ocidente" ! esteja cada vez mais penalizado com os custos e consequências desta guerra para a população...



Publicado por Tovi às 22:10
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Domingo, 26 de Junho de 2022
123.º dia da invasão da Ucrânia pelas tropas de Putin

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Podemos estar a chegar ao início dum ponto de não retorno na globalização do conflito desencadeado pela invasão da Ucrânia pelas tropas de Putin. No seguimento da abertura do Conselho Europeu à entrada da Ucrânia na União Europeia tivemos ontem uma reunião entre Putim e Lukashenko onde parece ter sido decidido a colocação de mísseis com capacidade para ogivas nucleares na Bielorrússia. Nesta madrugada a região da capital ucraniana foi severamente bombardeada, depois de cerca de três semanas sem um ataque idêntico. Nestes próximos dias os membros do G7 reúnem-se numa unidade hoteleira de luxo a cerca de 100 quilómetros a sul de Munique, da qual sairá muito provavelmente mais sanções a Moscovo. Não há dúvida que estamos num patamar de escalada neste conflito com os dois lados da barrica a mostrar músculo. Por outro lado, e não menos importante, no sudeste da China as coisas estão a ficar quentes, com o Ministro da Defesa chinês a declarar que “Taiwan é território da China” e que “não hesitarão em iniciar uma guerra”. Simultaneamente os EUA criticam toda a atividade militar “provocatória e desestabilizadora” de Pequim.


Jose BandeiraPutin quer aproveitar todos os focos de instabilidade entre nações para potenciar guerras que fragilizem os adversários e facilitem a sua obsessão de concluir o objectivo de reconstrução do Império russo e morrer como Czar Vladimir I.
Jose Antonio M Macedo -
Penso que a escalada e a globalização da guerra já era previsível. A questão será apenas de saber de chegaremos ou não ao patamar nuclear. Esperemos que não. 🙁
Armando Ribeiro
Amigos, sem defender a Rússia e muito menos Putim, a verdade é que eles estão a sentir-se cercados e e apertados pela Europa e América ( >à parte de outros interesses que possam haver por detrás,....o certo é que todos nós podemos sofrer muito mais, com toda esta trapalhada.

 

  Estamos assim ao 123.º dia deste conflito
Ucrânia quem controla o quê 26jun2022 dia 123.jp
Várias explosões foram ouvidas no distrito central de Shevchenkivsky, em Kiev, a primeira vez que mísseis atingiram a capital desde o início deste mês.
Líderes do G7 reúnem-se na Alemanha, onde devem anunciar a proibição de importação de ouro da Rússia, disse o presidente dos EUA, Joe Biden.
O presidente da Indonésia, Joko Widodo, disse que pedirá um cessar-fogo à Rússia e à Ucrânia, durante uma visita para a construção da paz.
O prefeito de Severodonetsk diz que a cidade na região leste de Luhansk está agora sob a “ocupação total da Rússia”.



Publicado por Tovi às 12:15
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2022
Adesão da Ucrânia e riscos para Portugal

A opinião de António Martins da Cruz (*)... no DN de 22jun2022.

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1. Dez países bateram à porta da União Europeia. A Turquia, em 1959, seis países dos Balcãs, e há 4 meses Ucrânia, Moldávia e Geórgia. Dado o conflito, as atenções concentraram-se na Ucrânia. Era politicamente inevitável: invadida por forças russas, ao arrepio da Carta da ONU, violando o Direito Internacional.
A cromática Sra. Leyen anunciou o parecer favorável da Comissão ao estatuto de candidato à Ucrânia (e à Moldávia). Com uma engenhosa redação o aviso não foge ao incumprimento dos critérios de Copenhaga e de Madrid. O Parlamento Europeu, sensor de opiniões públicas e diluído nas bolhas dos grupos europeus, já se pronunciara com entusiasmo.

2. Falta o mais difícil. Obtido o consenso político da cimeira, abre-se o complexo e demorado processo de adesão. Onde não há o "fast track "ambicionado por Kiev e pelo leste. Portugal esperou 8 anos e 9 meses. Como diretor da Integração Europeia no MNE na última fase das negociações e na adesão, partilhei as dificuldades que enfrentámos com Bruxelas e Madrid.
As negociações divididas em 33 capítulos serão conduzidas pela Comissão. Para os abrir e fechar é necessária autorização de cada um dos 27. E aprovação do resultado final. Os estados-membros têm assim 67 hipóteses de bloqueio ou atraso das negociações.
Depois de assinada, a adesão deve ser ratificada pelos 27 Parlamentos Nacionais. Nalguns casos, precedida por referendos. Cada um destes passos tem tempos diferentes. Consoante vontades ou impulsos políticos, pressão de eleitores, alteração das circunstâncias. O Acordo de Associação UE-Ucrânia de 2014 provocou um referendo consultivo nos Países Baixos em 2016. Por 61 por cento os holandeses foram contra.

3. Pela primeira vez um país em guerra é candidato à adesão. Mas há outros, o que obrigará a UE a dar respostas simultâneas a alguns desses pedidos. Retirando prioridade ao desejo da Ucrânia nas diversas fases do processo.
O atual conflito terminará provavelmente antes da adesão efetiva. Mas ignoramos qual será então a situação da Ucrânia: que estatuto internacional, que fronteiras, que territórios ocupados, que governo, que reformas exigidas foram possíveis durante a guerra.
Nos acordos de paz ficarão definidos os contornos da Ucrânia, as suas relações de vizinhança, incluindo com a Rússia. O resultado poderá influenciar resultados eleitorais e a evolução política ucraniana. O ritmo das negociações será tributário dessas condicionantes.

4. As perspetivas do leste europeu e as dificuldades do processo não devem sobrepor-se aos riscos que a adesão da Ucrânia pode representar para Portugal.
Um dos critérios da adesão é a capacidade de a UE assimilar novos membros. 41,5 milhões de habitantes e um PIB per capita de 28,9% da média comunitária tornam Kiev o principal beneficiário dos fundos comunitários: nas ajudas pré-adesão, por definir; na reconstrução após o conflito, estimada há um mês em 600 mil milhões de euros, mas que poderá ser o dobro; nos fundos estruturais estimados em 85 a 100 mil milhões nos primeiros 6-7 anos atendendo aos precedentes. A acrescentar aos 9 mil milhões já prometidos.
Tudo isto, com outras adesões, implicará a diminuição das verbas para Portugal e a exclusão de diversas regiões de alguns fundos. E o aumento dos recursos próprios, das contribuições dos Estados para o orçamento de Bruxelas. Exigências da convergência económica.

5. Terá de ser decidida nova distribuição de votos no Conselho. Benéfica para países com grande população. E redistribuir lugares no Parlamento Europeu, também em função da demografia. Num e noutro caso, Portugal será prejudicado, como sucedeu em anteriores alargamentos.
A entrada da Ucrânia e outros candidatos do leste europeu poderá afetar o eixo Paris-Berlim, mas sobretudo irá deslocar o centro de decisões para leste e afetar capacidades de intervenção do sul da Europa. Esta focalização irá prejudicar interesses portugueses, abrangidos nos atuais equilíbrios que nos têm sido favoráveis.

6. As negociações de adesão irão trazer outros game changers: liberdade de circulação que pode ser limitada no início atendendo aos refugiados (Portugal teve um período transitório de 7 anos imposto pelo Luxemburgo); Política Agrícola Comum, dada a produção ucraniana a reação francesa poderá atrasar a reforma da PAC e o acordo com o Mercosul, importante para o Brasil; a transição energética, a digitalização e outras dinâmicas europeias irão sofrer atrasos e menos financiamentos pelo atraso dos candidatos.
País em guerra, e que ao aderir poderá ficar numa situação idêntica a Chipre (que aderiu na sua totalidade, mas na prática só uma parte está na UE), a Ucrânia irá beneficiar do artigo 42.7 do Tratado. Ou seja, se o conflito se reacender, Portugal terá de prestar "auxílio e assistência por todos os meios ao seu alcance". Obrigação a somar ao artigo 5.º da NATO.
Finalmente, também em política externa, no horizonte de uma UE com 35 membros em 2030, dominada pelo leste, reforçar-se-á a tendência para acabar com a regra da unanimidade. Somos um país com uma política externa universal, que nenhum Estado do centro e leste europeu tem. A alteração será contra os interesses portugueses no mundo. Além de retirar eficácia e credibilidade a uma política externa europeia.

7. No Conselho Europeu de 23 e 24 de junho irá ser concedido à Ucrânia o estatuto de país candidato. Menos de 4 meses depois de solicitar a adesão. Portugal esperou quase dois anos. Seguir-se-ão tempos difíceis. O consenso desta decisão sobre a candidatura, a par da construção da Europa num quadro geopolítico diferente, não podem afetar a defesa do interesse nacional. Que é o objetivo prioritário da política externa, antes de outros valores ou princípios. Por isso o primeiro-ministro teve uma leitura correta desses interesses quando alertou para as dificuldades desta adesão. Bem como o secretário de Estado dos Assuntos Europeus nas raras intervenções que tem tido.
A política externa, onde está a política europeia, não tem estados de alma.

(*) Embaixador, Antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros



Publicado por Tovi às 07:33
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2022
O imbróglio das sanções ao trânsito para Kaliningrado

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A aplicação de sanções por parte da Lituânia, impedindo o tráfego ferroviário que abastecia o enclave russo de Kaliningrado (incluindo materiais de construção, metais e carvão), pode contribuir para o aumento das hostilidades, que de momento se ficam pelo leste e sul da Ucrânia. Antes que os planos de expansão territorial de Vladimir Putin cheguem a este exclave russo entre a Polónia e a Lituânia, é a altura, mais do que nunca, da diplomacia funcionar. Ou será que a NATO está à espera de um pretexto para declarar guerra à Rússia? Cá para mim e fazendo fé unicamente no que me é dado saber até este momento, este território não é suficientemente relevante para que Washington queira arriscar um conflito direto (ou mesmo nuclear) com Moscovo, pelo que acabará por não interferir.

Contextualizando: Portugal mantém 146 fuzileiros na Lituânia integrados numa força da NATO para garantir segurança às populações face a uma potencial agressão.

O Ministério das Relações Exteriores em Moscovo já disse que "a Rússia se reserva o direito de tomar medidas para proteger seus interesses nacionais". Seja lá o que exatamente isto significa, não é seguramente coisa boa. Esperemos para ver quais serão as ações e quando.

 


Raul Vaz Osorio
Só para eu perceber: se Putin rouba e bloqueia os cereais ucranianos, tornando uma boa parte do mundo refém de uma possível fome, é a resposta natural às malévolas sanções ocidentais. Se a Lituânia faz uma pequena fracção disso, para lembrar à Rússia que quase todos os jogos se podem jogar com reciprocidade, é uma intolerável provocação e uma horrorosa humilhação ao regime de Putin. É isso? Porque passei o dia a ler e ouvir esta tese.
David RibeiroMas não é essa tesa que aqui se advoga, Raul Vaz Osorio. O que se pretende, ou melhor, o que eu gostaria que acontecesse, é que o mais rápido possível se encontre uma forma de se parar com as agressões às populações e se caminhe para uma paz na região. Se vai haver vencedores e vencidos?... Claro que vai haver e quanto mais tarde a paz for encontrada mais forte será o vencedor e mais fraco será o vencido. A história isto nos ensina.
Raul Vaz Osorio
David Ribeiro toda a gente sã de mente quer que a guerra acabe. Mas a questão é como acaba e o que acontece depois. Qualquer solução que legitime a agressão, irá com toda a probabilidade gerar novas agressões no futuro. E a verdade é que o tempo joga a favor da Ucrânia. Apesar de toda a retórica, a Russia está a esticar a sua capacidade, tanto económica como militar, a limites que não vai poder manter por muito mais tempo.
David Ribeiro
Pois é nisso que não estamos de acordo, caríssimo Raul Vaz Osorio... O "esticar da corda" poderá partir para qualquer uma das partes, mas dificilmente será a favor da Ucrânia, infelizmente.
Raul Vaz OsorioDavid Ribeiro não é propriamente uma questão de opiniao. Jâ perderam 10% dos homens que colocaram no terreno, isto 4 meses. Perderam 1/5 dos carros de combate e 1/3 dos tanques que a Rússia possui, gastaram 2 terços da reserva de mísseis e é cada vez mais difícil esconder da sua sociedade jais de 30.000 soldados mortos o que é aproximadamente metade do numero de americanos mortos no Vietnam em 20 ANOS. É claramente um esforço insustentável por muito tempo. E isto para conquistar cidades que só conseguem tomar destruindo-as quase por completo. É uma total insanidade que mesmo uma ditadura como a russa terá extrema dificuldade em manter.
David RibeiroRaul Vaz Osorio... E mesmo partindo do princípio que esses números são minimamente verdadeiros (números nas guerras é como as histórias dos caçadores ao fim do dia) ainda pensa que a Ucrânia conseguirá aguentar a coisa por muito mais tempo?
Raul Vaz OsorioDavid Ribeiro a Ucrânia não tem alternativa e à medida que começa a chegar material militar pesado e de longo alcance, vai poder virar novamente a maré. A Rússia dificilmente vai poder fazer à Ucrânia pior do que fez até agora. Como disse ontem a Ursula, Putin já perdeu esta guerra.
David RibeiroAdorava que as suas afirmações, Raul Vaz Osorio, estivessem perto da realidade, mas tenho sérias dúvidas. O facto de ter feito três guerras - uma na retaguarda, dando instrução a jovens futuros combatentes, uma outra para fazer cair uma ditadura de meio século, e ainda uma outra como “mercenário” na logística de abastecimentos em Luanda - fazem-me ver tudo duma forma não belicista e procurando sempre a PAZ.
Raul Vaz OsorioDavid Ribeiro está, em minha opinião, a confundir belicismo com análise objectiva.
David RibeiroRaul Vaz Osorio ...estarei, mas tenho muita dificuldade em entender quem prefira uma guerra do que um esforço diplomático, mesmo com perdas que poderão ser desfavoráveis para um Povo, que dos dirigentes políticos não tenho pena nenhuma, sejam eles quem forem.
Raul Vaz Osorio
David Ribeiro sim, Neville Chamberlain também tinha. Depois percebeu, mas já era tarde. E lá voltamos ao mesmo 😁
David RibeiroJá agora e ainda sobre este tema, vejam o que diz a Al Jazeera (a tradução é minha e provavelmente não isenta de erros): O embaixador da União Europeia na Rússia diz que o bloqueio da região russa de Kaliningrado está fora de questão, já que o trânsito de mercadorias não sancionadas continua. Markus Ederer foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia depois da Lituânia ter fechado um corredor ferroviário da Rússia para o seu enclave de bens básicos, incluindo materiais de construção, metais e carvão, em resposta às novas sanções da UE que entraram em vigor no sábado. Ederer disse após uma reunião no ministério que pediu à Rússia que resolvesse a questão por meios diplomáticos. E continuando a citar o que vem sido noticiado pela Al Jazeera (uma da mais independentes mídia a cobrir o que se está a passar no leste da Europa): Um aliado próximo do presidente Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, chegou ao enclave russo de Kaliningrado para discutir a segurança nacional. A viagem ocorre durante uma disputa entre a Rússia e a Lituânia, membro da NATO, que interrompeu o trânsito de mercadorias sancionadas pela União Europeia para o território russo. Patrushev, o poderoso secretário do Conselho de Segurança da Rússia, presidirá uma reunião sobre segurança no noroeste da Rússia em Kaliningrado. A viagem - que incluiu uma discussão sobre transporte - foi planejada antes de Vilnius proibir o trânsito de mercadorias sancionadas pela UE através do território lituano de e para o exclave, citando as regras de sanção da UE.



Publicado por Tovi às 07:57
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Quinta-feira, 16 de Junho de 2022
A Índia está a comprar petróleo à Rússia... porquê?

  Houve um aumento significativo nas importações indianas de petróleo bruto russo.
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  A Índia é o terceiro maior consumidor de petróleo do mundo e mais de 80% dele é importado. Historicamente, a Rússia não tem sido um grande fornecedor para a Índia. Em janeiro e fevereiro deste ano, a Índia não importou nenhum petróleo bruto da Rússia.
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  A Índia aproveitou os preços com desconto para aumentar as importações de petróleo da Rússia num momento em que os preços globais da energia estão subindo. Após a invasão da Ucrânia, havia menos compradores para o petróleo bruto dos Urais da Rússia, com alguns governos e empresas estrangeiras decidindo evitar as exportações de energia russas, e seu preço caiu. Os EUA pediram à Índia que não compre muito petróleo russo, embora reconheça que não pode impedir essas compras porque não há sanções secundárias aos países que fazem negócios com a Rússia. O funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Amos Hochstein, informou ter dito às autoridades indianas para não "parecer que estejam a aproveitar-se da dor que está sendo sentida nos lares europeus e nos EUA". Embora o preço exato das vendas para a Índia seja desconhecido, "o desconto dos Urais para o petróleo Brent [a referência global] permanece em torno de US$ 30 por barril", diz Matt Smith, analista da Kpler. Esses dois tipos de petróleo normalmente são vendidos a um preço semelhante. Mas como o preço do petróleo dos Urais continuou a cair, a diferença entre eles atingiu um recorde histórico, acrescentou. [BBC by Shruti Menon - 10jun2022]

 

  A Índia é "muleta" da Rússia na exportação de petróleo.
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Publicado por Tovi às 07:45
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2022
Ainda vão chamar "putinista" ao Papa... e ao Costa

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"Alguém pode me dizer neste momento: mas você é pró-Putin! Não, não sou”, disse Francisco. “Seria simplista e errado dizer uma coisa dessas. Sou simplesmente contra reduzir uma situação complexa a uma distinção entre bons e maus, sem raciocinar sobre raízes e interesses, que são muito complexos.” O Papa também relembrou uma conversa que teve antes da guerra com um chefe de Estado não identificado – um “homem sábio” – que disse a Francisco que estava preocupado com a NATO e a Rússia. “Ele disse: ‘Eles estão latindo nos portões da Rússia. A situação pode levar à guerra'", disse o Papa. “Aquele chefe de Estado foi capaz de ler os sinais do que estava acontecendo.” (tradução Google)
 
  Uma adesão rápida e sem debate sério seria catastrófica para a UE

Captura de ecrã 2022-06-14 211448.jpgO primeiro-ministro português alerta para o risco de se criarem falsas expectativas à Ucrânia relativamente à adesão à União Europeia. Em entrevista ao Financial Times (acesso pago, conteúdo em inglês), António Costa sublinhou que “o grande risco é criar falsas expectativas que se tornam em desilusão amarga”. São necessários “menos debates legais e mais soluções práticas”, disse o chefe de Governo português, que não se mostrou abertamente contra conceder à Ucrânia o estatuto de país candidato na cimeira da próxima semana, a 23 e 24 de junho, mas disse estar à espera da avaliação da Comissão. Era essencial responder à emergência que a Ucrânia e o povo ucraniano estão a viver presentemente”, acrescentou António Costa, defendendo que a atribuição do estatuto de candidato não resolverá os problemas urgentes da Ucrânia e apenas exibirá as divisões europeias a este nível, dando um presente ao Presidente russo, Vladimir Putin. O meu foco é obter no próximo Conselho Europeu um compromisso claro no apoio urgente e criar uma plataforma de longo prazo para apoiar a retoma da Ucrânia”, disse António Costa. “Esta é a minha prioridade” e para isto “não precisamos de abrir agora uma negociação ou procedimento que levará muitos anos”, concluiu.

 

  O foco da Rússia no conflito agora é Donbas
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Dia após dia, as tropas de Putin estão ao ataque na região de Donbas, com implacável artilharia e ataques aéreos, fazendo um progresso lento, mas constante, para conquistar o coração industrial da Ucrânia. Com o conflito agora no seu quarto mês, é uma campanha de alto risco que pode ditar o curso de toda a guerra.

 

  A triste realidade ao 112.º dia da invasão russa da Ucrânia
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Moscovo pede rendição de Severodonetsk, mas as forças ucranianas não mostram sinais de atender à demanda russa enquanto a batalha pelo controle de uma importante cidade do leste continua acirrada.



Publicado por Tovi às 08:03
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Terça-feira, 14 de Junho de 2022
O 'novo' McDonald’s abriu em Moscovo

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“Rei morto, rei posto”... e os restaurantes do McDonald's em Moscovo reabriram no passado domingo [12jun2022], agora com nova propriedade russa e um novo nome, "Vkusno-i tochka", que se traduz como "saboroso e pronto".


Isabel Sousa Braga
Grande manobra só mudou o nome 😂😅
David Ribeiro
...e o dono. Alexander Govor é o novo dono dos 800 restaurantes que a McDonald's detinha na Rússia.
Fernando DuarteDepois vão abrir "Vkusno-i tochka" no Mundo inteiro e superar o McDo. Tal como em França, em que a McDo queria aumentar o preço da franchise e o gerente francês mandou-os à fava e mudou o nome, depois a McDo ao ver que estavam a perder o mercado do pais que mais turistas recebe no Mundo inteiro, compraram as lojas ao francês a preço de ouro. Na Rússia vai ser igual, ainda havemos de ver os americanos voltarem a comprar as lojas que abandonaram agora, mas ao preço forte!
Rodrigues Pereira
Os miudos russos - como os nossos - "comem" marcas e não hamburguers ou batatas fritas.
Paulo Barros Vale
Prontes. Já sabemos que os ucranianos se devem render e pedir desculpa ao urso . Todos os dias há mensageiros a insistir nessa tese . Presumo que seja gente que não se importe que um dia um russos lhe espetem um míssil na janela em Espinho

 

  E ao mesmo tempo temos fome em África
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O presidente da União Africana e presidente do Senegal, Macky Sall, alertou para o risco de um “cenário catastrófico” de escassez de alimentos e solicita à Rússia e ao Ocidente ajuda para aliviar a situação. A União Africana diz que com a interrupção das exportações de cereias da Ucrânia arriscamo-nos a um "cenário catastrófico" de escassez de alimentos e aumentos de preços. Hoje, 346 milhões de africanos, mais de um quarto da população do continente, sofrem de fome por causa de conflitos, secas e pobreza. Agora, uma guerra, a milhares de quilómetros de distância, ameaça agravar a crise de insegurança alimentar da África. O fornecimento de cereais é interrompido e os preços dos alimentos básicos e do combustível disparam.



Publicado por Tovi às 07:46
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2022
Quem controla o quê na Ucrânia

Ucrânia quem controla o quê 11jun2022 dia 108.jp

Havia (e provavelmente ainda haverá) no meu círculo de Amigos muitos que estavam (ainda estarão?...) convencidos que se conseguia travar as tropas de Putin na invasão da Ucrânia com apoio militar contra o agressor russo e que este acabaria por ceder. Nunca acreditei nisto nem é isso aquilo a que estamos a assistir. E se não se iniciarem rapidamente negociações entre as partes, eventualmente com sacrifícios territoriais para a Ucrânia, a coisa só poderá ser desastrosa para os senhores de Kiev e nada agradável para os europeus.

 

  
Captura de ecrã 2022-06-12 162316.jpgPaulo Portas, no seu comentário de sábado [11jun2022] na CNN Portugal alertou para o facto de nos próximos tempos começar-se a assistir às primeiras divergências entre os líderes ocidentais, com Mario Draghi, Emmanuel Macron e Olaf Schoz a querer chegar a um acordo de paz o quanto antes. "Uma parte dos europeus gostaria de começar as negociações, em parte pelo impacto económico que a guerra tem, aceitando algumas conceções territoriais que ainda não estão definidas", explicou o antigo líder do CDS. E eu estou em pleno acordo com este comentário.

 

E eu é que sou alcunhado de "Chamberlain"  
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  Jorge De Freitas MonteiroDavid Ribeiro, os que usam o nome do Chamberlain como arma de arremesso no contexto do conflito ucraniano revelam uma história mal aprendida, baseada em clichés. Desde logo porque a situação é completamente diferente: neste momento ninguém em seu perfeito juízo defende que a NATO entre em guerra com a Rússia para defender a Ucrânia. Defendem apenas que se arme a Ucrânia. Ora fazendo o paralelismo seria como se em 39 a França e o Reino Unido em vez de declararem guerra à Alemanha por causa da invasão da Polónia se tivessem limitado a fornecer armas à Polónia sem no entanto terem entrado em guerra com a Alemanha. Depois esquecem que o ano que Chamberlain e Daladier obtiveram em Munique (Setembro de 38) foi decisivo para o Reino Unido se equipar de modo a poder resistir à investida inicial alemã a partir do inicio da ll GM em Setembro de 39. Sem esse ano a RAF não teria tido os Hurricane e Spitfire com os quais venceu a Batalha de Inglaterra. Finalmente muitos nem sequer fazem ideia que foi Chamberlain quem declarou a guerra à Alemanha dois dias depois da invasão da Polónia. Já gravemente doente Chamberlain demitiu-se do seu cargo de PM a 10/05/40 tendo falecido pouco depois a 9/11 do mesmo ano.


  Diz o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW)
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Publicado por Tovi às 07:25
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Domingo, 12 de Junho de 2022
Traidor ou herói?... e os "mercenários" quem são?

Este artigo de Tim Lister e Sanyo Fylyppov, ambos da CNN - Traidor ou herói? É difícil para a Ucrânia identificar os colaboradores russos -, merece uma leitura... leitura calma, atenta, sem "clubites" exacerbadas. É que em todos os conflitos há sempre os "Gauleiters".
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Está em andamento um ajuste de contas na Ucrânia, com os procuradores a trabalhar em dezenas de casos contra ucranianos acusados ​​de colaborar com as forças russas. O Ministério do Interior diz que já existem mais de 500 casos sob investigação. Do presidente Volodymyr Zelensky para baixo, as autoridades ucranianas reservaram uma aversão especial a supostos colaboradores, ou “Gauleiters”, como são frequentemente apelidados. O termo Gauleiters era usado para os funcionários distritais na Alemanha nazi. Artigo completo aqui

 

  Prisioneiros de guerra
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Um tribunal da região separatista de Donetsk, controlada por rebeldes apoiados pela Rússia, emitiu sentenças de morte para dois cidadãos britânicos e um marroquino, que foram capturados enquanto lutavam pelo exército ucraniano contra as forças russas e que foram identificados como "mercenários". O veredicto de quinta-feira [9jun2022] do Supremo Tribunal da autoproclamada República Popular de Donetsk (DPR), marca a primeira condenação de combatentes estrangeiros desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.
Um governador ucraniano disse na sexta-feira [10jun2022] que o seu país realizou a 11.ª troca de prisioneiros com a Rússia desde fevereiro, trocando quatro russos por cinco ucranianos. O governador da região de Mykolaiv, Vitaliy Kim, escreveu no Telegram que um dos ucranianos libertados era o chefe da vila local Oleh Pylypenko, que Kim disse ter sido “sequestrado” pelas forças russas em 10 de março.
A família do britânico Shaun Pinner, condenado à morte por um tribunal separatista em Donbas, disse estar devastada com a notícia e pediu que ele fosse trocado ou libertado. “Em primeiro lugar, toda a nossa família está devastada e entristecida com o resultado do julgamento ilegal da chamada República Popular de Donetsk”, disse a família em comunicado. “Shaun deve receber todos os direitos de um prisioneiro de guerra de acordo com a Convenção de Genebra e incluindo representação legal independente completa. Esperamos sinceramente que todas as partes cooperem com urgência para garantir a libertação ou troca segura de Shaun”.


600.jpgLendo o artigo de Mansur Mirovalev (correspondente e produtor de televisão baseado em Kiev que trabalhou com a AP, Al-Jazeera, BBC, CNN, Los Angeles Times, National Geographic, The New York Times, RFE/RL e Vice News, entre outros) publicado na Al Jazeera em 10jun2022, também eu estou convencido que, apesar de ter havido uma sentença de morte, não haverá uma execução. Ora vejamos: 
I) Os cidadãos britânicos Aiden Aslin, de 28 anos, e Shaun Pinner, de 46, mais o marroquino Brahim Saadoun, de 21 anos, lutaram pelo exército ucraniano entre milhares de outros estrangeiros que se inscreveram para combater a invasão russa. 
II) Os três foram capturados por separatistas pró-Rússia e acusados ​​de tentar “tomar o poder” e “treinar para conduzir atividades terroristas”, segundo os “promotores” separatistas. 
III) O “Supremo Tribunal” de Donetsk considerou-os “mercenários” no que parece ser um esforço legal para colocá-los fora do âmbito das Convenções de Genebra. 
IV) As Convenções concedem aos prisioneiros de guerra imunidade de processo por ações militares consideradas lícitas. 
V) O tribunal aprovou a sentença de morte na quinta-feira [9jun2022] de acordo com a constituição da era estalinista que os separatistas “restauraram” no seu estado totalitário. 
VI) Os três enfrentam a morte por fuzilamento, mas podem recorrer da sentença dentro de um mês, disse o juiz separatista Alexander Nikulin, segundo a agência de notícias Donetsk, administrada pelos rebeldes. 
VII) Mas os separatistas não ousarão executar os três, como afirmou Kozlovsky, que foi capturado em 2016 pela sua postura pró-ucraniana e sobreviveu a meses de tortura e ameaças de morte até ser trocado e levado para Kiev em 2018. “Eles não vão correr o risco de executá-los. Tivemos casos semelhantes quando as pessoas foram condenadas à pena capital e foram trocadas”, disse o professor de 68 anos que lecionava estudos religiosos na Universidade Estadual de Donetsk. A sentença “foi a decisão de Moscovo de aumentar o preço, assustar o Ocidente”, disse Kozlovsky. 
VIII) Nas fotos e vídeos divulgados pela mídia separatista e russa, os três pareciam abatidos, pálidos e exaustos. 
IX) Todos se declararam culpados porque foram torturados, segundo Kozlovsky, que relembrou a sua própria experiência. 
X) Mas os separatistas e seus apoiantes do Kremlin não precisam que o julgamento termine com a morte dos três. Eles visam um prémio político muito maior. A “República Popular de Donetsk” dos separatistas, conhecida na Ucrânia como DNR, e seu irmão menor na vizinha Luhansk, conhecido como LNR, estão desesperados por reconhecimento. Mesmo a Rússia, cujo apoio militar, político e financeiro os criou em 2014 e os manteve à tona por oito anos, reconheceu sua independência apenas em 22 de fevereiro, dois dias antes do início da guerra. 
XI) A sentença forçará Londres a iniciar negociações diretas com Donetsk, dando aos rebeldes pelo menos um verniz de legitimidade. "A Rússia, é claro, lavará as mãos dizendo que os chamados 'LNR' e 'DNR' são estados independentes", forçando o governo do Reino Unido a lidar diretamente com Donetsk. "Os julgamentos estão sendo realizados com base na legislação da República Popular de Donetsk, porque os crimes em questão foram cometidos no território da RPD", disse Sergey Lavrov, citado pela mídia russa nesta quinta-feira [9jun2022]. 
XII) As negociações não envolverão apenas uma nação europeia – mas um dos maiores apoiantes internacionais da Ucrânia, o Reino Unido. Após mais de três meses de guerra, Londres estabeleceu laços sem precedentes com Kiev. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, prometeu transferências de armas, visitou a capital ucraniana em abril e tornou-se o primeiro líder ocidental a discursar na Verkhovna Rada, a câmara baixa do parlamento ucraniano, após o início da guerra. Não limitada pelas políticas energéticas da União Europeia e quase independente do fornecimento de energia russo, Londres tornou-se uma das maiores críticas de Moscovo – tornando Johnson o bicho-papão favorito da mídia controlada pelo Kremlin. 



Publicado por Tovi às 07:30
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Sábado, 11 de Junho de 2022
Vladimir Putin... e o czar Pedro, o Grande
Dito assim...  

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, comparou-se ao monarca russo Pedro, o Grande, o czar que liderou a conquista da costa do Báltico durante a guerra do século XVIII contra a Suécia.

  
Joaquim FigueiredoJá disse que ele tem tiques imperialistas czaristas
David RibeiroEstes "tiques" sempre foram muito caraterísticos dos povos eslavos. Será que a genética poderá explicar isto? Já agora (retirado da Wikipédia): De acordo com um estudo genético feito em 2007 baseado nos haplogrupos do cromossomo Y humano, o grupo de homens eslavos se divide em dois grupos principais; um abrange todos os eslavos ocidentais (que engloba tchecos, eslovacos, morávios, poloneses, silesianos e sórbios), eslavos orientais (que inclui bielorrussos, russos, rutenos e ucranianos) e duas populações eslavas meridionais masculinas (croatas ocidentais e eslovenos), enquanto que o outro grupo abrange todos os homens eslavos meridionais restantes.
Da Mota Veiga Suzette  - David Ribeiro possivelmente sim. Trata-se também de uma atitude tipica autocrata, tipo "rei absoluto"/ a Russia sou eu! Os povos descendentes do sistema sovietico parecem ter uma certa dificuldade de se relacionar numa democracia aberta.
João Pedro Baltazar LázaroПутин, пошёл на хрен!

 

  Niall Ferguson (Historiador escocês autor de “A Guerra do Mundo - Uma Idade Histórica de Ódio) no Expresso de 11mar2022 
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É o império czarista russo que Putin está a tentar reconstruir. Pedro, o Grande, é o seu herói, muito mais do que Estaline. 
“Guerra”, na mais famosa máxima de Carl von Clausewitz, teórico militar prussiano, “não é senão uma continuação da política por outros meios”. Uma geração de democratas — da vertente americana, mas também os democratas cristãos e sociais europeus — procurou ignorar essa verdade. Horrorizados com a violência da guerra, procuraram em vão alternativas para a sua eliminação. 
Quando Vladimir Putin ordenou a anexação da Crimeia em 2014, Barack Obama respondeu com sanções económicas. Quando Putin interveio na guerra civil da Síria, tentaram discursos indignados. Quando ficou claro que Putin pretendia uma nova e maior incursão militar na Ucrânia, Joe Biden e a sua equipa de segurança nacional optaram, mais uma vez, por aplicar sanções. Disseram que, se invadisse a Ucrânia, a Rússia enfrentaria sanções económicas e financeiras “paralisantes” ou “devastadoras”. Quando estas ameaças não dissuadiram Putin, tentaram uma nova tática, publicando informações sobre o momento provável e a natureza do ataque russo. Os apoiantes da Administração Biden acharam esta tática brilhante e original. Era, na realidade, uma espécie de pensamento mágico, como se a declaração pública de quando seria a invasão fizesse com que fosse menos provável que ela acontecesse. 

  Joaquim FigueiredoÉ muito importante defender a Ucrânia, a loucura de Putin pode extravasar desse espaço.

 

  JN de 9jun2022 às 20h20
O presidente russo, Vladimir Putin, comparou, esta quinta-feira, as suas ações na invasão da Ucrânia à conquista da costa do Báltico por Pedro, o Grande, durante a guerra do século XVIII contra a Suécia.
Depois de visitar uma exposição em Moscovo dedicada ao 350.º aniversário do czar Pedro, o Grande, Putin disse a um grupo de jovens empresários: "Vocês têm a impressão de que, ao lutar contra a Suécia, ele estava a roubar algo. Não estava, estava a recuperar".
Quando Pedro, o Grande, fundou São Petersburgo e declarou a cidade capital russa, "nenhum dos países da Europa reconheceu este território como pertencente à Rússia", disse Putin. "Todos a consideravam parte da Suécia. Mas desde tempos imemoriais, os eslavos viviam lá ao lado dos povos fino-úgricos", acrescentou.
"É nossa responsabilidade também recuperar e fortalecer", continuou o presidente russo numa aparente referência à ofensiva da Rússia na Ucrânia. "Sim, houve momentos na história do nosso país em que fomos forçados a recuar, mas apenas para recuperar as nossas forças e seguir em frente".
A derrota da Suécia na Grande Guerra do Norte (1700-1721) fez da Rússia a principal potência no Mar Báltico e um importante ator nos assuntos europeus. Porém, com os laços da Rússia com o Ocidente atualmente enfraquecidos pela invasão da Ucrânia, as autoridades de Moscovo estão minimizar a afinidade de Pedro, o Grande com a Europa e a concentrar-se no seu papel na expansão dos territórios russos.
Mais de três séculos depois de tentar aproximar a Rússia da Europa, os russos marcaram o 350.º aniversário do czar Pedro, o Grande, com o país profundamente isolado devido ao conflito na Ucrânia. Pedro I reinou primeiro como czar e depois como imperador de 1682 até à sua morte em 1725.

 

   108.º dia (11jun2022) da invasão russa da Ucrânia
É assim que está a linha da frente no combate pelo Donbas.
Ucrânia quem controla o quê 11jun2022 dia 108.jp




Publicado por Tovi às 07:23
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2022
Histórias tristes da invasão russa da Ucrânia

Pergunta com resposta difícil  
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Halyna, uma mulher de 28 anos da cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, sobreviveu a três semanas de bombardeamentos russos com seu marido, dois filhos pequenos e um cachorro. E conta-nos que os seus filhos (uma menina de oito e um menino de seis anos) só lhe perguntavam se dói morrer.

 

Prisioneiros de guerra  
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Segundo diz um assessor presidencial ucraniano 600 prisioneiros estão mantidos em cativeiro em Kherson, região ocupada pela Rússia, em “condições desumanas” e vítimas de tortura. 

 

Corpos de mortos em combate  
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Familiares de elementos do Batalhão Azov disseram hoje que 210 corpos de combatentes ucranianos mortos a defenderem a siderurgia Azovstal das forças russas na cidade de Mariupol, já foram entregues em Kiev. 

 

Ao 105.º dia é assim que estamos  
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As forças ucranianas vão "provavelmente" ter de retirar-se de Severodonetsk, cidade no leste na Ucrânia "bombardeada 24 sobre 24 horas" pelas forças russas, disse o governador regional de Lugansk a uma televisão de Kiev. "Provavelmente vai ser precisa uma retirada", declarou o governador Serguei Gaidai ao canal de televisão 1+1 numa altura em que a cidade está parcialmente sob o controlo da Rússia. Neste momento a situação militar é dinâmica e não é possível a confirmação independente de todas as informações que chegam da região.

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Segundo relatos da mídia do Kremlin os combatentes que resistiram na siderúrgica Azovstal de Mariupol e depois se renderam, foram transferidos para a Rússia, quando a Ucrânia tinha dito que iriam ser devolvidos numa troca de prisioneiros.

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António Guterres, Secretário-Geral da ONU, disse hoje que o impacto da guerra na Ucrânia sobre alimentos, energia e finanças é “sistémico, severo e acelerado”.

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As tropas ucranianas foram empurradas para trás na parte oriental da cidade de Severodonetsk pelo constante bombardeamento das forças russas e agora controlam apenas seus arredores, de acordo com uma autoridade regional. A Rússia concentrou suas tropas e poder de fogo na pequena cidade do leste nas últimas semanas para proteger a província vizinha em nome de representantes separatistas. A Ucrânia prometeu lutar o maior tempo possível, dizendo que a batalha pode ajudar a moldar o curso futuro da guerra.



Publicado por Tovi às 08:13
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2022
Bom senso precisa-se... e é urgente

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  As últimas do conflito Rússia-Ucrânia
O Ministério da Defesa da Rússia diz que os últimos ataques russos destruíram tanques e outros veículos blindados nos arredores de Kiev, equipamentos fornecidos à Ucrânia por países europeus.
O presidente Vladimir Putin alertou o Ocidente que a Rússia atacará novos alvos se os Estados Unidos começarem a fornecer à Ucrânia mísseis de longo alcance.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que a luta de rua continua na cidade de Severodonetsk, onde a situação continua “extremamente difícil”.
A Alemanha enfrenta um impacto de 5 mil milhões de euros (US$ 5,4 bilhões) por ano devido às sanções russas, segundo um jornal alemão.

 

  Francisco Seixas da Costa na sua página do Facebook - E A UCRÂNIA AQUI TÃO PERTO… Tudo indica que a Rússia, para travar o reforço de material militar do ocidente à Ucrânia, vá aumentar os ataques de mísseis a linhas ferroviárias e às instalações, cada vez mais civis e situadas em áreas civis, que são utilizadas para esconder esse armamento. A probabilidade desses ataques, oriundos de longa distância, poderem ser menos precisos, tendo civis como “colateral casualties”, é assim cada vez maior. Relembra-se que a Ucrânia quer aderir à NATO, mas já terá percebido que isso é difícil. Desde o primeiro momento, foi objetivo nunca escondido por Kiev tentar envolver a NATO no conflito. Isso sucedeu, como se recordará, quando pediu que a organização impusesse uma zona de exclusão aérea sobre o seu território, o que foi negado pelos EUA e por alguns aliados sensatos dentro da NATO, porque isso poderia conduzir à guerra Rússia-NATO, com todas as consequências daí decorrentes, que só alguns inconscientes desprezam. Atenta a evolução da guerra, e não querendo estar a chamar os demónios, arrisco dizer que pode estar a aproximar-se um momento em que a Ucrânia (com os seus amigos NATO do Leste, que, como se sabe, são mais papistas do que o papa e têm, dentro da organização, uma linha discretamente favorável a um envolvimento militar mais ousado) arrisque produzir um incidente grave, para poder justificar um maior envolvimento da NATO. O pior é que pode dar-se o caso de isso também convir à Rússia, na lógica do quanto pior melhor. Nessa altura, é tempo de alguns, por cá, irem a Fátima. E por lá procurarem o segredo da conversão da Rússia… 

 

  David Ribeiro na sua página do FcebookPois é!... Ao que parece o presidente do Senegal e titular da União Africana, Macky Sall, já conseguiu o que queria de Vladimir Putin, prova provada que o diálogo, mesmo com aqueles que não nos merecem grande confiança e credibilidade, dá resultado. “Saímos daqui muito tranquilos e muito felizes com nossas trocas”, disse Macky Sall após uma reunião de três horas com Putin, em Sochi (sul da Rússia), acrescentando que encontrou o presidente russo “comprometido e ciente de que a crise e as sanções criaram sérios problemas para economias fracas, como as economias africanas". France24 - Céréales: le président de l'Union africaine "rassuré" après sa rencontre avec Poutine.

Francisco Rocha Antunes - O diálogo com o invasor depende dele mesmo: parar a invasão e retirar. Tudo o resto é manobra de diversão. 
David Ribeiro
Caríssimo Francisco Rocha Antunes ... entendo a sua posição, mas a verdade é que aquilo que todos gostaríamos que acontecesse após a injustificável invasão da Ucrânia pelas tropas de Putin não é aquilo que tudo leva a crer irá acontecer, pelo que o diálogo é urgente e necessário.
João Greno Brògueira - Pura mera comunhão de interesses. Chamar a isso diálogo digamos que é um pouco forçado. 
David Ribeiro - João Greno Brògueira... Este diálogo que se pretende e que já tarda, tem em vista conseguir-se um acordo de paz entre as duas partes hostis, terminando com o conflito armado que tem vindo a martirizar o Povo ucraniano. Ou a alguém passa pela cabeça ser possível um ou outro dos contentores resolveram a coisa pelas armas?
João Greno Brògueira
David Ribeiro estava a falar dos cereais. Quanto à invasão a ver vamos.

 


Captura de ecrã 2022-06-05 181611.jpgO chanceler austríaco Karl Nehammer só demonstrou bom senso ao pedir um estágio intermédio entre a cooperação e a adesão plena à União Europeia para países como Ucrânia e Moldávia. Realmente um chamado “espaço preparatório” permitiria que os países alcançassem os padrões da União Europeia, semelhantes ao Espaço Económico Europeu (EEE) ou ao Acordo Europeu de Livre Comércio (EFTA). “Estamos unidos pelo mesmo objetivo, todos queremos uma Ucrânia forte, independente e economicamente bem-sucedida”, disse Nehammer em comunicado divulgado no domingo [5jun2022] pelo gabinete do chanceler. (Nota: A Áustria é membro de pleno direito da União Europeia mas não faz parte da NATO)



Publicado por Tovi às 07:44
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2022
Cem dias tem a invasão russa da Ucrânia

  Ponto da situação
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que as forças russas ocuparam cerca de 20% do território de seu país. A situação em Severodonetsk é “a mais difícil agora”, assim como em cidades e comunidades próximas, como Lysychansk e Bakhmut.
O Ministério da Defesa do Reino Unido diz que a Rússia detém mais de 90% de Luhansk e provavelmente assumirá o controle de toda a região nas próximas duas semanas.
Os EUA anunciaram novas sanções contra funcionários, oligarcas e empresários russos ligados a Putin.
O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, está em Moscovo para discutir a permissão das exportações de cereais e outros alimentos dos portos ucranianos do Mar Negro, disse um porta-voz da ONU.

 

  Quem controla o quê na Ucrânia
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  Quem controla o quê na Região de Donbas
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  Para onde as pessoas estão fugindo
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  Cronologia de 100 dias de uma guerra ainda sem fim à vista 
24 de fevereiro - Rússia invade a Ucrânia para a "desmilitarizar e desnazificar". Guerra começa com ataques de mísseis e incursões terrestres em direção a Kiev, Kherson e Mariupol. Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fala por videoconferência com os líderes da União Europeia (UE), que se reúnem de emergência. 
25 de fevereiro - Zelensky divulga um vídeo para mostrar que permanece em Kiev e que não aceitou uma oferta dos Estados Unidos para sair do país. 
26 de fevereiro - Presidente russo, Vladimir Putin, lembra ao Ocidente que a Rússia possui armas nucleares. Chanceler alemão, Olaf Scholz, anuncia envio de armamento alemão para a Ucrânia. 
28 de fevereiro - Ucrânia e Rússia iniciam negociações na Bielorrússia. Zelensky pede à UE integração rápida do país. UE aprova apoio de 1500 milhões de euros em armamento para a Ucrânia. 
2 de março - Forças russas cercam cidade portuária de Mariupol e assumem o controlo de Kherson, a segunda cidade ucraniana. Número de pessoas em fuga para países vizinhos aproxima-se de um milhão. 
4 de março - Rússia ataca maior central nuclear da Europa, Zaporijia, e cinco dias depois assume o controlo da de Chernobyl. 
11 de março - Coluna militar russa com 60 quilómetros de extensão avança para Kiev. Ucrânia ataca coluna de tanques russos perto da capital. 
22 de março - Divulgadas informações de que coluna militar russa que se dirigia para Kiev suspendeu a marcha. 
29 de março - Moscovo anuncia redução de ataques na região da capital ucraniana para facilitar um acordo com Kiev. Ucrânia aceita neutralidade e renúncia à NATO, na condição de que a sua segurança seja assegurada por outros países em caso de agressão russa. 
2 de abril - Ucrânia anuncia controlar região de Kiev após retirada das forças russas. Descoberta de centenas de cadáveres nas ruas e em valas comuns em Bucha, na periferia de Kiev, provoca a indignação internacional contra Moscovo, que nega acusações. 
8 de abril - Mísseis russos matam 52 pessoas na estação ferroviária de Kramatorsk (leste), onde civis tentavam fugir da guerra. Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reúne-se com Zelensky em Kiev. UE aprova embargo à importação de carvão russo. 
14 de abril - Ucrânia anuncia que afundou o navio-almirante da Frota do Mar Negro, "Moskva". 
19 de abril - Rússia anuncia segunda fase da guerra para a libertação do Donbass. Scholz acusa Putin de ser responsável pela morte de milhares de civis. 
26 de abril - Secretário-geral da ONU, António Guterres, reúne-se com Putin em Moscovo. 
28 de abril - Guterres reúne-se com Zelensky em Kiev. Rússia ataca Kiev durante visita do chefe da ONU. 
13 de maio - Rússia anuncia "libertação na totalidade" da fábrica Azovstal e de Mariupol. Ucrânia diz que está a forçar retirada das tropas russas de Kharkiv. 
14 de maio - ONU contabiliza mais de 14 milhões de desalojados pela guerra, incluindo seis milhões de refugiados, na pior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 
16 de maio -Combatentes ucranianos entrincheirados na fábrica Azovstal entregam-se às forças russas. Moscovo diz que se renderam 2.400 soldados. 
21 de maio - Primeiro-ministro português, António Costa, reúne-se com Zelensky em Kiev. 
27 de maio - Ucrânia admite que forças russas controlam a cidade de Lyman, na região de Donetsk. 
2 de junho - Zelensky anuncia que Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano (125.000 quilómetros quadrados). 

 

  Comentários no Facebook
Joaquim Barbosa - O ocidente vai acabar por intervir diretamente porque não vai aceitar. E bem. 
David Ribeiro - Estou em crer, meu caro Joaquim Barbosa, que o Ocidente está mais naquela de "pagar a quem lhe faça a guerra (a Ucrânia)" do que se dar ao trabalho de combater Putin. 
Manuel Rocha - David Ribeiro, combater o putin como? 
Altino Duarte - David Ribeiro Não vejo em que o chamado Ocidente possa fazer mais no combate ao Putin. Se for entendido que será uma intervenção directa na Ucrânia, isto é, a combater com tropas no terreno, como parece ser a opinião do primeiro interveniente nesta conversa, penso que não estão a ser muito compreensíveis as consequências que daí advirão... 
David Ribeiro - A forma de combater Putin, meus caros Manuel Rocha e Altino Duarte, só poderá ser com medidas económicas sérias e eficazes, nunca com "força militar" que a União Europa não tem nem onde parece não haver consenso na forma de atuar. E ainda não se explorou de forma verdadeira a diplomacia, tendo em vista um acordo de paz. Quanto mais tarde se sentarem à mesa das negociações mais difícil será a situação para quem não está na mó de cima. O Donbas está praticamente na mão das tropas de Putin e isto já é confirmado pelos senhores de Kiev.
Altino DuarteDavid Ribeiro As medidas económicas parecem-me ser já bastante sérias mas eficazes não sei. No que concordo é que são necessárias as negociações o mais depressa possível, sob pena que serão cada vez mais difíceis à medida que o tempo passa. Uma intervenção militar directa da Europa é impensável.
Manuel Rocha - David Ribeiro ,isso é por enquanto,é só para dizer que o acordo de Budapeste foram negociações entre a rússia e o Ocidente de desarmamento nuclear na Ucrânia que estava fortíssimamente bem armada,as negociações deram o quê?Zero!A Ucrânia só tem um caminho por esse mesmo motivo,é derrubar a rússia dentro do território Ucraniano,e as sanções pecam por tardias e lentas,assim como o fornecimento de armas à Ucrânia, não abram os olhos não que vão ver,aquilo começou na Crimeia e Donetsk,acham pouco?O memorando de Budapest para além de desarmar a Ucrânia era para que a rússia nunca mais se metesse em território Ucraniano,e voilá o resultado de "negociações" com russos. 
David Ribeiro - Pois é, Manuel Rocha... mas não chega querer "derrubar a rússia dentro do território Ucraniano", é também necessário ter condições militares, económicas e políticas para o fazer, sendo que o atual governo de Kiev não as tem. 



Publicado por Tovi às 08:20
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2022
98.º dia da invasão russa da Ucrânia

Ucrânia quem controla o quê 1jun2022 dia 98.jpg

 

  E é assim que estamos no leste da Ucrânia
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  Danos colaterais do conflito... Grécia, Turquia e Chipre enfrentam uma temporada de verão incerta à medida que o número de turistas russos cai por causa da guerra na Ucrânia.
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  A Turquia ainda não se "entendeu" com a Suécia e a Finlândia... e sem este "entendimento" o alargamento da NATO aos países nórdicos está comprometido.
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  As guerras sempre criaram inconfessáveis negócios... até para os chamados "voluntários"
Serafim Nunes na sua página do FacebookE já agora, sobre solidariedade e guerra… Conheci há tempos uma pessoa que participa habitualmente em missões da ONU e da OMS. Acaba de regressar de três meses na Polónia numa missão de apoio aos refugiados Ucranianos. Perguntei-lhe como funciona esse apoio, designadamente em termos financeiros. Se recebem os salários de que habitualmente auferem, uma parte dele, enfim... como? E fiquei estupefacto. Pagam muito bem, respondeu ele. No meu caso, pelo menos o dobro do que ganha um engenheiro especializado em Portugal. Não digo que não se justifique, tendo em conta os riscos da guerra. Mas como continuo ingénuo, sempre pensei que houvesse algo de dádiva nestas missões... por jeitos, é um excelente trabalho (pelo menos para os portugueses)!

 

  Danos colaterais do conflito... A taxa de inflação homóloga atingiu um novo máximo de 8,1% em maio, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.
naom_5a2e49e3bd822.jpgA taxa de inflação homóloga de maio compara-se com os 7,4% de abril e a subida deve-se, principalmente, ao aumento dos preços da energia (39,2%), seguindo-se o setor da alimentação, álcool e tabaco (7,5%), o dos bens industriais não energéticos (4,2%) e o dos serviços (3,5%). Em Portugal, o Eurostat estima que a inflação atinja os 8,1%.

 

  Mais um dano colateral do conflito Rússia-Ucrânia
Notícia completa aqui
Captura de ecrã 2022-06-01 134417.jpg



Publicado por Tovi às 07:59
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