"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2022
A União Europeia perante as últimas posições de Putin

bandeiras-dos-estados-membros-da-uniao-europeia-ba

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) estão a efetuar uma reunião extraordinária em Nova Iorque, pelas 20h15 locais de quarta-feira (01h15 de quinta-feira em Lisboa), para abordar os últimos acontecimentos em torno da guerra da Ucrânia e após o Presidente russo, Vladimir Putin, ter anunciado ontem a mobilização parcial de 300.000 reservistas e recordado a importância do arsenal nuclear do seu país como argumento face à contraofensiva ucraniana.

 

  Uma mensagem política forte
Captura de ecrã 2022-09-22 085757.jpg
A União Europeia vai manter a ajuda militar à Ucrânia e aumentar as sanções à Rússia, anunciou hoje o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, no final de uma reunião de emergência em Nova Iorque. João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios Estrangeiros português, após esta reunião de emergência com homólogos sobre discurso de Putin, afirmou: “A União Europeia não pode aceitar este tipo de atitude, continuará firme no seu apoio à Ucrânia e haverá agora, naturalmente, um reforço de sanções”.

 


Vale Dos Princípes
David Ribeiro E continua o rol de aumentos etc etc
David RibeiroNão há dúvida, Vale Dos Princípes... continuamos a malhar em ferro frio.



Publicado por Tovi às 01:15
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2022
E o inverno está à porta

aaa.jpg

A Europa é o maior importador de gás natural do mundo. Em 2021, Rússia, Alemanha, Reino Unido, Itália e França consumiram três quartos das 10.073 terrawatt-hora (TWh) de energia a partir do gás. Vários países da União Europeia anunciaram medidas de emergência multibilionárias para combater o impacto do aumento dos preços da energia após a guerra da Rússia na Ucrânia. No domingo passado [4set2022], o chanceler alemão Olaf Scholz anunciou um plano de US$ 65 mil milhões para ajudar pessoas e empresas a lidar com a alta dos preços. A próxima primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, também planeja congelar as contas de energia domésticas no nível atual para este inverno e no próximo, pagas por empréstimos garantidos pelo governo a fornecedores de energia. Na Itália, o governo aprovou recentemente um pacote de ajuda de US$ 17 mil milhões para ajudar a proteger empresas e famílias da subida dos custos de energia e do aumento dos preços ao consumidor. O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a UE precisa intensificar os planos para produtos de energia renovável e reformar seu mercado de eletricidade. A Finlândia e a Suécia também anunciaram planos para oferecer milhares de milhões de dólares em garantias de liquidez para empresas de energia.

Em 2021, um terço da energia da Europa – usada para gerar eletricidade, transporte e aquecimento – veio da queima de gás.
Captura de ecrã 2022-09-06 181245.jpg

 

  Eu não quero ser um "Velho do Restelo" nesta crise do gás russo... mas a coisa está a ficar negra.
Gazprom acorda com a China pagamento de gás em yuans e rublos
Rússia diz que só volta a abrir o Nord Stream quando o Ocidente levantar as sanções
O pior ainda está para vir, avisa o CEO da Uniper, sobre o fim do gás russo na Europa
Preço do gás natural dispara 35% com corte de abastecimento da Rússia

 

  Carlos Miguel SousaÉ pena que só desta forma nós Europeus, tenhamos de admitir a importância da Rússia. Putin anda a alertar para isto há mais de uma década e para o facto de nunca permitir que a Ucrânia, caísse nas mãos dos EUA. O problema de Putin, não é com a Europa. Quem conhece a Doutrina Monroe, sabe a que me refiro. Notem que Putin, nunca se opôs à entrada da Ucrânia, na União Europeia, apenas na NATO. O que parece um pormenor, faz toda a diferença.

 

  Ana Cristina Leonardo no "Meditação na Pastelaria"
Ainda mal tinha começado a guerra e já a União Europeia anunciava em MARÇO a sua decisão de reduzir as importações de gás russo em DOIS TERÇOS até ao final de 2022.
Em MAIO, o meu mês por sinal, subia a parada e informava o mundo — a Rússia, incluída, naturalmente — que até 2030 cortaria COMPLETAMENTE todos os laços comerciais do sector energético com o antigo país dos Sovietes. O que, aliás, era muito bom, porque íamos ficar bestialmente verdes: "A nossa ambição subiu de nível", diria na altura a querida Ursula.
A 3 JUNHO, um pacote de sanções da UE à Rússia incluía um embargo parcial ao petróleo russo e estipulava a proibição de importação por via marítima a partir de 5 de DEZEMBRO. Já para 2023 seriam proibidas as importações de todos os produtos petrolíferos a partir de 5 de FEVEREIRO.
A 29 de JULHO, Josep Borrell, um amigo da Ursula tão ou mais inteligente do que ela, face às críticas que indicavam que a Rússia continuava a ganhar muito dinheiro no sector energético, ao contrário das previsões que tinham estado por trás da política de sanções, afirma: «Mais importante do que isso [cortar o gás] é cortar os laços da economia russa com o resto do mundo». E indo ainda mais longe, acrescentou: Vladimir Putin «terá de escolher entre ter armas e manteiga para o povo».
Faço aqui um parênteses para relembrar que o que não falta nos manicómios é gente que se julga o Napoleão (que por acaso chegou à Rússia e teve de voltar para trás).
Relembremos agora que ainda era FEVEREIRO, 19 e a Ursula jurava que não precisávamos do gás russo para nada, que ninguém ia passar frio no Inverno e a indústria europeia continuaria a bombar.
Etc. Etc. Etc. que não quero ser maçadora...
Entretanto, com a mesma convicção e o mesmo cabelo armado, a 1 de AGOSTO (antes ou depois de ir de férias para a praia, não posso precisar) a nossa timoneira veio dizer-nos que devemos estar preparados para o pior: «Como a Rússia já cortou total ou parcialmente o fornecimento de gás a 12 países membros [da UE], todos nos devemos preparar para a pior situação».
Sinto-me baralhada. Então, mas não era o que a UE queria e anunciou ao mundo (a Rússia incluída, naturalmente)? Deixar de importar, totalmente de preferência, e parcialmente de certeza, energia russa?!
Entretanto, a última ideia brilhante destes crânios que nos apascentam (ideia que vem de trás mas tinha sido posta de lado na altura...) é impor um tecto ao preço do gás russo.
Putin já comentou: «A Federação Russa cumprirá integralmente os contratos, mas não fornecerá petróleo, gás ou carvão em seu próprio prejuízo. Quem quer impor algo à Rússia no sector da energia não tem condições de impor nada. O tecto de preços é uma decisão absolutamente estúpida.»
Mais turbina, mais turbina (o que como se sabe faz diferença), é deprimente ter de reconhecer que a inteligência não está do nosso lado.



Publicado por Tovi às 07:50
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2022
A minha mulher já está a fazer a lista

Captura de ecrã 2022-08-24 134844.jpg 

  A Ursula von der Leyen vai-nos oferecer todos os eletrodomésticos novos para substituir os velhos, não vai?

 


José Carlos Ferraz Alves
Vamos ficar todos melhor! Como a Serra da Estrela.
Jose Luis Soares MoreiraEles/as não sabem o quanto custa viver, são parasitas da nossa sociedade dominando os cordeiros sofredores que lhes pagam o que lhes cai na gamela para esbanjarem à farta.
Jorge Felicioestá tudo xoné... melhor poupar energia
Luís Império
Então e a energia consumida para fabricar esses novos e para os transportar para a Europa (normalmente são fabricados na Asia), e a gasta para reciclar os velhos? A soma total compensa a troca?
Bernardo Sá Nogueira Mergulhão
Electromésticos era o Valentim Loureiro....agora é melhor trabalhar para os conseguir comprar lol
Maria Rodrigues
É por essas e por outras que a UE, está como está, entregue à bicharada.
Paulo Santos
Enquanto a indústria alemã produz os tais eletrodomésticos novos, mas eficazes do ponto de vista energético com a energia que os outros vão poupar quando tiverem os novos eletrodomésticos.



Publicado por Tovi às 07:50
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Terça-feira, 26 de Julho de 2022
Quando há fome reduz-se à ração

Captura de ecrã 2022-07-26 134508.jpg

Os ministros da Energia da União Europeia (UE) chegaram esta terça-feira a um acordo político sobre a meta para reduzir 15% do consumo de gás até à primavera, pelo receio de rutura no fornecimento russo, num “consenso esmagador” após novas exceções. Da iniciativa fazem agora parte “algumas isenções e possibilidades de solicitar uma derrogação ao objetivo obrigatório de redução, a fim de refletir as situações particulares dos Estados-membros e assegurar que as reduções de gás sejam eficazes para aumentar a segurança do aprovisionamento na UE”. Portugal e Espanha não deverão ter de cumprir mais de 8% de poupança de gás. À entrada para a reunião, o ministro Duarte Cordeiro congratulou-se por a mais recente proposta de regulamento, considerando já dar resposta “a algumas das questões levantadas por Portugal e outros países”.

 


Captura de ecrã 2022-07-26 211115.jpgA Hungria rejeitou a proposta da União Europeia de reduzir o consumo de gás por ser “injustificada”, depois de os ministros de energia do bloco terem aprovado o plano no dia de hoje [terça-feira 26jul2022], em face dos temores de medidas russas para cortar o fornecimento. A gigante de energia russa Gazprom disse que os fluxos de gás para a Europa através do gasoduto Nord Stream 1 serão reduzidos para 20 por cento a partir de quarta-feira devido a problemas de manutenção, uma medida que o chefe de energia da União Europeia chamou de "motivada politicamente". 

 


Captura de ecrã 2022-07-26 212528.jpgPor que o Nord Stream 1 é importante? 
O Nord Stream 1, que é de propriedade maioritária da Gazprom, é o maior gasoduto que traz suprimentos cruciais de gás natural russo para a Europa via Alemanha. A UE depende fortemente do gás russo. No ano passado, a Rússia forneceu cerca de 40% do gás natural da UE. Este valor caiu significativamente este ano, sobrecarregando as indústrias intensivas em energia e elevando os preços das commodities. O trabalho de manutenção passou despercebido no passado, mas o oleoduto agora se tornou uma moeda de troca, já que a Rússia e o Ocidente trocam golpes económicos em resposta à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, lançada em fevereiro. 



Publicado por Tovi às 13:45
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Sexta-feira, 22 de Julho de 2022
Rússia e Ucrânia assinam acordo sobre cereais

Captura de ecrã 2022-07-21 221325.jpg

A Ucrânia e a Rússia vão assinar hoje um acordo para permitir a exportação de cereais através do Mar Negro. A cerimónia de assinatura deste acordo do envio de cereais, na qual estarão presentes o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o secretário-geral da ONU, António Guterres, terá lugar às 13h30 locais (14h30 em Portugal), no Palácio Dolmabahçe, em Istambul, com a participação da Ucrânia e Rússia. Este acordo visa trazer pelo Mar Negro cerca de 20 milhões de toneladas de cereais que se encontram bloqueados em silos ucranianos, por causa da ofensiva russa na Ucrânia, que teve início em 24 de fevereiro. O acordo também deve facilitar as exportações russas de cereais e fertilizantes, afetadas pelas sanções ocidentais que afetam a logística e as cadeias financeiras russas.

 

  Bom trabalho do presidente turco Erdogan e do secretário-geral da ONU, António Guterres. As Nações Unidas e a Turquia trabalham há dois meses para intermediar o que Guterres chamou de um “pacote” – para retomar as exportações de cereais da Ucrânia no Mar Negro e facilitar os embarques russos de cereais e fertilizantes.

  Zelensky, no briefing diário na noite de quinta-feira, afirmou: “E amanhã também esperamos notícias da Turquia, sobre o desbloqueio de nossos portos”. 

 

  Alguns dos pontos conhecidos do acordo assinado esta tarde entre a Ucrânia e a Rússia, para permitir a exportação de cereais bloqueados nos portos do Mar Negro
Captura de ecrã 2022-07-22 151535.jpg
O acordo prevê um centro de coordenação e controlo em Istambul, dirigido por todas as partes envolvidas: um ucraniano, um russo, um turco e um representante das Nações Unidas. Os delegados vão gerir a rotatividade de navios no Mar Negro. Pode demorar quatro semanas até o centro estar operacional.
Moscovo exige inspeções aos navios à partida e chegada na Turquia para garantir que não levam armamento. Há um compromisso em manter corredores marítimos sem atividade militar, e qualquer desminagem fica a cargo de um “país terceiro” por especificar.
O acordo dura quatro meses mas é renovável. E tem uma contrapartida: um memorando de entendimento em como as sanções contra Moscovo não vão afetar direta ou indiretamente cereais e fertilizantes.

 
Rodrigues Pereira - Estou a pensar que é uma enorme honra ver o nosso compatriota António Guterres a firmar um acordo entre a Rússia e a Ucrânia, co-negociado pela ONU e a Turquia, e que pode constituir o primeiro passo sério para o fim da guerra!
David Ribeiro - Sem dúvida... até porque, como sempre defendi, o DIÁLOGO é a melhor forma de se tentar resolver um conflito.
Paulo PereiraUm primeiro passo para um cessar fogo, acho.

 


Captura de ecrã 2022-07-22 162607.jpg
António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou que "este é um acordo para o mundo" e que, a partir desta sexta-feira, "existe um farol no mar negro: um farol de esperança, de possibilidade e de alívio".
Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Turquia, país onde se assinou o acordo que irá permitir a exportação de cereais ucranianos, bloqueados nos portos do Mar Negro devido à guerra, acredita que "este acordo é um passo a caminho da paz".

 


Captura de ecrã 2022-07-22 163525.jpg
O oligarca russo Roman Abramovich, que também tem nacionalidade portuguesa, foi visto participando da cerimónia de assinatura do acordo de cereais em Istambul. Não ficou claro a que título o ex-proprietário do Chelsea Football Club estava a participar no evento. Kiev e Moscovo tinham indicado anteriormente que Abramovich estava operando como intermediário entre os dois lados no início da guerra.

 


Captura de ecrã 2022-07-22 165219.jpg
A União Europeia saúda este acordo... mas não lhe tinha ficado mal se já tivesse "lutado" por ele há mais tempo.
  Francisco Seixas da Costa
Hoje, foi um dia estranho para a União Europeia. Desde há muitos anos, fomos habituados a ver surgir a União Europeia em quase todos os cenários que, direta ou indiretamente, se ligassem aos seus interesses geopolíticos. Como “honest broker” ou como “soft power”, os enviados de Bruxelas tinham sempre uma espécie de lugar cativo nos cenários de crise ou de tentativa de resolução de conflitos. Da União esperava-se sempre apoio, intermediação e uma atuação que, sem descurar interesses, carreasse o seu peso político: com afirmação de princípios, com clareza de posições, mas sempre com sentido de compromisso e, em especial, com uma linguagem serena e sem histerismos jingoístas. Hoje, em Istambul, naquela que é uma tentativa de entendimento, pontual mas muito relevante, entre dois Estados da sua vizinhança, em aberto conflito armado, a União Europeia não teve lugar na sala. Nem como simples observador. Vale a pena perguntar porquê, embora todos saibamos a resposta.

 


Captura de ecrã 2022-07-23 104610.jpg
As reações já se fazem sentir... e ainda não saiu pelo Mar Negro nenhum carregamento de cereais.



Publicado por Tovi às 07:47
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
Já soam os tambores de guerra na Europa

Captura de ecrã 2022-06-28 095647.jpg

Estão reunidos em Madrid os líderes da NATO, a maior aliança de defesa do mundo. A reunião de alto risco de 28 a 30 de junho ocorre num momento de maior tensão global, com origem na invasão russa da Ucrânia. 

 

  Artigo de Priyanka Shankar publicado na Al Jazeera em 27jun2022 
Cinco coisas que devemos saber sobre as prioridades de defesa e segurança dos países, não apenas do Ocidente, mas também de todo o mundo.
1. O que está acontecendo e por que é importante - Na reunião do ano passado em Bruxelas, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, destacou que o relacionamento da aliança com a Rússia estava no seu “ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria”. (...) 
2. Esperava-se que a adesão à NATO da Suécia e da Finlândia fosse rápida. Isto ainda se mantém? - A cereja no topo do bolo da reunião deste ano será a candidatura da Finlândia e da Suécia à NATO. (...) 
3. A Ucrânia algum dia se juntará à NATO? - O Kremlin há muito critica o alargamento da NATO na Europa Oriental. (...) 
4. Reforço das despesas de defesa - Um dos maiores debates entre os aliados da NATO é quanto cada país gasta em defesa. (...) 
5. China na agenda? - Na reunião da NATO no ano passado, Stoltenberg destacou que “a China estava a aproximar-se da aliança” e disse que era importante para a NATO desenvolver uma posição clara e unida em relação a Pequim. (...) 

 

  Ao fim da tarde de ontem [28jun2022] soubemos que a Turquia assinou memorando de entendimento para a adesão de Suécia e Finlândia à NATO.
Captura de ecrã 2022-06-28 203559.jpg
A situação no Leste da Europa vai sofre inevitavelmente alterações político-militares com a adesão à NATO destes dois países nórdicos. Os próximos dias vão ser muito importantes para o rufar dos tambores de guerra. E já agora: Quer se goste quer não se goste a verdade é que Erdogan é um grande político e mais uma vez lá levou a água ao seu moinho.

 

  Ucrânia pode já não recuperar todo o seu território - CNN 28jun2022
Captura de ecrã 2022-06-28 223054.jpg
As autoridades na Casa Branca começam a perder a confiança de que a Ucrânia será capaz de recuperar todo o território que perdeu para a Rússia nos últimos quatro meses de guerra, mesmo com o armamento mais pesado e sofisticado que os EUA e os seus aliados pretendem enviar. Conselheiros do presidente Joe Biden começaram a debater internamente como e se o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria mudar a sua definição de “vitória” ucraniana - adaptando-se à possibilidade de o seu país ter encolhido de forma irreversível.

 

  Ao 126.º dia do conflito é assim que estamos
Ucrânia quem controla o quê 29jun2022 dia 126.jp
Um ataque com mísseis russos matou três pessoas e feriu cinco na cidade portuária de Mykolaiv na manhã de quarta-feira, disseram autoridades locais, um dia depois dos ataques que mataram três pessoas, incluindo uma menina de seis anos, nas proximidades de Ochakiv. 
Existe uma possibilidade real de que o míssil russo que atingiu um shopping-center lotado em Kremenchuk e matou pelo menos 18 pessoas, tenha sido destinado a um alvo próximo, disse o Ministério da Defesa britânico. 
Autoridades pró-russas na região ocupada de Kherson, na Ucrânia, disseram que as suas forças de segurança prenderam o prefeito da cidade, Ihor Kolykhayev, na terça-feira, depois de ele se ter recusado a seguir as ordens de Moscovo, enquanto uma autoridade local de Kherson disse que o prefeito foi sequestrado. 
Um referendo para a região de Donetsk, maioritariamente ocupada, a ser absorvida pela Rússia será realizado em 11 de setembro, disse o assessor do prefeito de Mariupol. 

 

  
António-Costa-2.jpgNa chegada à Cimeira da NATO, que se realiza em Madrid, o primeiro-ministro António Costa frisou a importância de “construir a paz e garantir uma paz duradoura nesta região euro atlântica, em especial na Europa”. Aos jornalistas e quando questionado sobre o reforço das forças de elevada prontidão anunciado por Jens Stoltenberg - que passarão de 40 mil para 300 mil - António Costa não se alongou com datas nem números concretos sobre o papel de Portugal, mas defendeu que o país irá participar “da forma adequada”“Temos incrementado a nossa participação nas forças especiais, nomeadamente na NATO. Participaremos da forma adequada àquilo que são as nossas circunstâncias”, disse. O primeiro-ministro admitiu que Portugal não pode “objetivamente comprometer” com uma data para atingir a meta de 2% do PIB destinados à Defesa, sublinhando que o país só assume “compromissos que pode cumprir”. "Nós assumimos compromissos que sabemos que podemos cumprir. (...) De uma forma séria, não podemos objetivamente comprometer-nos com uma data [para atingir os 2% do PIB destinados à Defesa], atenta a situação de incerteza que a economia global está a viver, com um enorme crescimento da inflação, com uma pressão sobre as taxas de juros, e a grande determinação que temos de uma forte redução da nossa dívida pública", justificou António Costa.

 

  Forças da NATO no leste europeu
289847463_10221593725140333_8780971681948366286_n.

 

  NATO - Novo Conceito de Estratégia (em pdf) 
Captura de ecrã 2022-06-29 171542.jpgA NATO aprovou esta quarta-feira o novo conceito de estratégia para a próxima década. Um viragem naquilo que tem vindo a ser feito, e que confirma muitas novidades, grande parte delas impulsionadas pela invasão russa da Ucrânia. Num clima constante de tensão desde 24 de fevereiro, os 30 países-membros decidiram redefinir a relação que têm com a Rússia, que passa de um "parceiro estratégico" à "mais significativa e direta ameaça aos aliados", esquecendo todo um caminho que tinha sido iniciado em Lisboa, em 2010, e com o qual a Rússia decidiu romper este ano. Nesse ano, abriu-se caminho para uma aproximação entre NATO e Rússia, sendo que o presidente da altura, Dmitry Medvedev, chegou mesmo a participar no evento que decorreu na capital portuguesa. 




Sexta-feira, 24 de Junho de 2022
Adesão da Ucrânia e riscos para Portugal

A opinião de António Martins da Cruz (*)... no DN de 22jun2022.

289667722_5287560204626303_8994437684848051393_n.j

1. Dez países bateram à porta da União Europeia. A Turquia, em 1959, seis países dos Balcãs, e há 4 meses Ucrânia, Moldávia e Geórgia. Dado o conflito, as atenções concentraram-se na Ucrânia. Era politicamente inevitável: invadida por forças russas, ao arrepio da Carta da ONU, violando o Direito Internacional.
A cromática Sra. Leyen anunciou o parecer favorável da Comissão ao estatuto de candidato à Ucrânia (e à Moldávia). Com uma engenhosa redação o aviso não foge ao incumprimento dos critérios de Copenhaga e de Madrid. O Parlamento Europeu, sensor de opiniões públicas e diluído nas bolhas dos grupos europeus, já se pronunciara com entusiasmo.

2. Falta o mais difícil. Obtido o consenso político da cimeira, abre-se o complexo e demorado processo de adesão. Onde não há o "fast track "ambicionado por Kiev e pelo leste. Portugal esperou 8 anos e 9 meses. Como diretor da Integração Europeia no MNE na última fase das negociações e na adesão, partilhei as dificuldades que enfrentámos com Bruxelas e Madrid.
As negociações divididas em 33 capítulos serão conduzidas pela Comissão. Para os abrir e fechar é necessária autorização de cada um dos 27. E aprovação do resultado final. Os estados-membros têm assim 67 hipóteses de bloqueio ou atraso das negociações.
Depois de assinada, a adesão deve ser ratificada pelos 27 Parlamentos Nacionais. Nalguns casos, precedida por referendos. Cada um destes passos tem tempos diferentes. Consoante vontades ou impulsos políticos, pressão de eleitores, alteração das circunstâncias. O Acordo de Associação UE-Ucrânia de 2014 provocou um referendo consultivo nos Países Baixos em 2016. Por 61 por cento os holandeses foram contra.

3. Pela primeira vez um país em guerra é candidato à adesão. Mas há outros, o que obrigará a UE a dar respostas simultâneas a alguns desses pedidos. Retirando prioridade ao desejo da Ucrânia nas diversas fases do processo.
O atual conflito terminará provavelmente antes da adesão efetiva. Mas ignoramos qual será então a situação da Ucrânia: que estatuto internacional, que fronteiras, que territórios ocupados, que governo, que reformas exigidas foram possíveis durante a guerra.
Nos acordos de paz ficarão definidos os contornos da Ucrânia, as suas relações de vizinhança, incluindo com a Rússia. O resultado poderá influenciar resultados eleitorais e a evolução política ucraniana. O ritmo das negociações será tributário dessas condicionantes.

4. As perspetivas do leste europeu e as dificuldades do processo não devem sobrepor-se aos riscos que a adesão da Ucrânia pode representar para Portugal.
Um dos critérios da adesão é a capacidade de a UE assimilar novos membros. 41,5 milhões de habitantes e um PIB per capita de 28,9% da média comunitária tornam Kiev o principal beneficiário dos fundos comunitários: nas ajudas pré-adesão, por definir; na reconstrução após o conflito, estimada há um mês em 600 mil milhões de euros, mas que poderá ser o dobro; nos fundos estruturais estimados em 85 a 100 mil milhões nos primeiros 6-7 anos atendendo aos precedentes. A acrescentar aos 9 mil milhões já prometidos.
Tudo isto, com outras adesões, implicará a diminuição das verbas para Portugal e a exclusão de diversas regiões de alguns fundos. E o aumento dos recursos próprios, das contribuições dos Estados para o orçamento de Bruxelas. Exigências da convergência económica.

5. Terá de ser decidida nova distribuição de votos no Conselho. Benéfica para países com grande população. E redistribuir lugares no Parlamento Europeu, também em função da demografia. Num e noutro caso, Portugal será prejudicado, como sucedeu em anteriores alargamentos.
A entrada da Ucrânia e outros candidatos do leste europeu poderá afetar o eixo Paris-Berlim, mas sobretudo irá deslocar o centro de decisões para leste e afetar capacidades de intervenção do sul da Europa. Esta focalização irá prejudicar interesses portugueses, abrangidos nos atuais equilíbrios que nos têm sido favoráveis.

6. As negociações de adesão irão trazer outros game changers: liberdade de circulação que pode ser limitada no início atendendo aos refugiados (Portugal teve um período transitório de 7 anos imposto pelo Luxemburgo); Política Agrícola Comum, dada a produção ucraniana a reação francesa poderá atrasar a reforma da PAC e o acordo com o Mercosul, importante para o Brasil; a transição energética, a digitalização e outras dinâmicas europeias irão sofrer atrasos e menos financiamentos pelo atraso dos candidatos.
País em guerra, e que ao aderir poderá ficar numa situação idêntica a Chipre (que aderiu na sua totalidade, mas na prática só uma parte está na UE), a Ucrânia irá beneficiar do artigo 42.7 do Tratado. Ou seja, se o conflito se reacender, Portugal terá de prestar "auxílio e assistência por todos os meios ao seu alcance". Obrigação a somar ao artigo 5.º da NATO.
Finalmente, também em política externa, no horizonte de uma UE com 35 membros em 2030, dominada pelo leste, reforçar-se-á a tendência para acabar com a regra da unanimidade. Somos um país com uma política externa universal, que nenhum Estado do centro e leste europeu tem. A alteração será contra os interesses portugueses no mundo. Além de retirar eficácia e credibilidade a uma política externa europeia.

7. No Conselho Europeu de 23 e 24 de junho irá ser concedido à Ucrânia o estatuto de país candidato. Menos de 4 meses depois de solicitar a adesão. Portugal esperou quase dois anos. Seguir-se-ão tempos difíceis. O consenso desta decisão sobre a candidatura, a par da construção da Europa num quadro geopolítico diferente, não podem afetar a defesa do interesse nacional. Que é o objetivo prioritário da política externa, antes de outros valores ou princípios. Por isso o primeiro-ministro teve uma leitura correta desses interesses quando alertou para as dificuldades desta adesão. Bem como o secretário de Estado dos Assuntos Europeus nas raras intervenções que tem tido.
A política externa, onde está a política europeia, não tem estados de alma.

(*) Embaixador, Antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros



Publicado por Tovi às 07:33
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 30 de Maio de 2022
Não se entendem... mas não é culpa da língua que falam

5d1df52715e9f91d910b2283.jpg

Tinha uma dúvida... e como quando não sei vou perguntar a quem sabe, lá fui “incomodar” um jovem meu Amigo:
  Pergunta: Olá João Pedro... Ajuda-me numa coisa que tenho a certeza saberás muito mais do que eu. A língua ucraniana e a russa poderão considerar-se "línguas irmãs", assim como o português está para o espanhol?
  Resposta: Olá, David. Ajudo com muito gosto! Sim, certamente, o russo e o ucraniano são línguas extremamente próximas. Ambas fazem parte do subgrupo de línguas eslavas orientais. Ambas são, além disso, línguas indo-europeias tal como a nossa, o que faz delas línguas com mais afinidades com as línguas ibéricas (espanhol, português, etc.) que com as línguas fino-úgricas (finlandês, estónio e húngaro). Podemos acrescentar que em geral é mais fácil para os ucranianos entenderem russo sem tradução do que o contrário.
 
 

Captura de ecrã 2022-05-30 160314.jpg
O presidente Joe Biden informou hoje [30mai2022] que os Estados Unidos não fornecerão à Ucrânia sistemas de mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos na Rússia. Este anúncio vem no seguimento de Moscovo ter alertado que qualquer fornecimento de armamento de longo alcance marcaria uma "escalada inaceitável".
 
 

ue.jpg
Na tarde de hoje [30mai2022] a União Europeia vai tentar chegar a um acordo sobre um novo pacote de sanções contra a Rússia, incluindo a imposição de restrições às importações de petróleo russo. "Precisamos de decidir por unanimidade. Houve negociações duras ontem à tarde, assim como esta manhã. Acho que esta tarde poderemos oferecer aos chefes dos Estados membros um acordo", disse Josep Borell, o principal diplomata da UE. A proposta em discussão entre os países da UE na noite de domingo proibiria o petróleo russo entregue à UE por mar até o final do ano, mas isentaria o petróleo entregue pelo oleoduto russo Druzhba, que abastece a Hungria, a Eslováquia e a República Tcheca.
  15h06 TMG - 30mai2022 - O primeiro-ministro da Hungria garante que, neste momento, “não há nenhum acordo” para o sexto pacote de sanções à Rússia, incluindo para o embargo ao petróleo russo. “Acabei de receber o texto agora e não há acordo. O problema é que estamos numa situação difícil”, afirmou Viktor Orbán, que reiterou, à chegada da cimeira dos líderes em Bruxelas, que não existem condições para um acordo. A Hungria tem sido a principal resistente à implementação de um embargo à energia da Rússia.
  23h41 TMG - 30mai2022União Europeia chega a acordo para cortar quase 90% da importação de petróleo russo até ao final do ano. Trata-se de um embargo parcial uma vez que só é aplicado ao petróleo fornecido por via marítima. Acordo foi alcançado durante a cimeira extraordinária da União Europeia em Bruxelas.


Publicado por Tovi às 07:27
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Sexta-feira, 20 de Maio de 2022
Receitas de petróleo da Rússia disparam 50% este ano

noticia_0000012561-711x400.jpg

As receitas de petróleo da Rússia dispararam 50% este ano, isto apesar das sanções aprovadas pelos Estados Unidos da América e pelo Reino Unido. Apesar da sua vontade de reduzir a dependência do petróleo russo, a União Europeia manteve-se como o principal mercado das exportações russas em abril, pesando 43% no total. Moscovo ganhou 20 mil milhões de dólares por mês este ano com a venda de crude e de produtos refinados, a um ritmo de oito milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), citadas pela “Bloomberg”.

 

mw-860.jpg

Dias depois de ter proposto um embargo a todo o tipo de petróleo russo, na sequência da invasão militar da Ucrânia, a União Europeia aponta que “o investimento total necessário para garantir a segurança do aprovisionamento de petróleo deverá ascender a entre 1,5 e dois mil milhões de euros”. Bruxelas admite que “a dependência dos combustíveis fósseis russos estende-se também ao petróleo bruto e aos produtos petrolíferos”, mas “enquanto na maioria dos casos o mercado mundial permite uma substituição rápida e eficaz, alguns Estados-membros dependem mais do petróleo russo”. 

 

 

Captura de ecrã 2022-05-20 102147.jpg

As negociações entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) para a implementação de um novo pacote de sanções contra a Rússia estão num impasse, com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, a admitir dificuldades em garantir o apoio da Hungria à proposta de embargo do petróleo russo. O sexto pacote de sanções proposto pela Comissão Europeia há duas semanas prevê a eliminação total e gradual da importação do petróleo russo até ao final do ano, tendo em vista a redução da dependência energética europeia em relação a Moscovo. Mas a Hungria tem vindo a manifestar-se contra esta medida, mesmo com a possibilidade de um ano suplementar de transição para o país - e para a Eslováquia, ambos países que não têm acesso ao mar, podendo apenas receber petróleo através de oleodutos e da Rússia, o que, alegam, põe em causa a segurança energética dos seus países. Face a esta intransigência de Budapeste, a Comissão Europeia estará a negociar com o governo de Viktor Órban um programa de investimento comunitário para ajudar a reduzir a dependência energética do país em relação à Rússia. Bruxelas espera, desta forma, conseguir ultrapassar o veto húngaro à proposta de embargo ao petróleo russo “nos próximos dias”, abrindo assim caminho para a aprovação do sexto pacote de sanções contra Moscovo.

 

Captura de ecrã 2022-05-20 162526.jpg

A Gasum, empresa de energia estatal finlandesa, informou hoje que a Rússia cortará os fluxos de gás natural para a Finlândia no dia de amanhã, sábado 21mai2022. No entanto a Gasum continuará a fornecer gás natural aos clientes finlandeses através do gasoduto Balticconnector que liga a Finlândia à Estónia.

 

1-China.jpg

A China está a aumentar discretamente as compras de petróleo da Rússia a preços de saldos, de acordo com dados de embarque e comerciantes de petróleo citados pela “Reuters”, preenchendo o vazio deixado pelos compradores ocidentais que se afastaram dos negócios com a Rússia desde a invasão da Ucrânia em fevereiro. A China, que é o maior importador de petróleo do mundo, decidiu apostar na energia vinda de Moscovo um mês depois de inicialmente reduzir os abastecimentos russos, por receios de parecer apoiar abertamente a Rússia  e potencialmente expor as suas gigantes petrolíferas estatais a sanções. As importações marítimas de petróleo russo da China aumentaram para um valor recorde de 1,1 milhões de barris por dia (bpd) em maio, acima dos 750 mil bpd no primeiro trimestre e 800 mil bpd em 2021, de acordo com uma estimativa da Vortexa Analytics.



Publicado por Tovi às 07:43
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Terça-feira, 10 de Maio de 2022
A Guerra traz sempre a fome

Captura de ecrã 2022-05-09 190425.jpg
Pessoas recebem pão durante distribuição de ajuda humanitária na cidade portuária de Mariupol (in Al Jazeera, foto de Alexander Ermochenko/Reuters)

 

Ainda ontem [2.ª feira 9mai2022], o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, durante uma visita ao porto de Odessa, lamentava que “silos cheios” de alimentos prontos para exportação estejam bloqueados neste importante porto ucraniano no Mar Negro. “Vi silos cheios de grãos, trigo e milho prontos para exportação (…) Esta comida tão necessária está retida por causa da guerra russa e do bloqueio dos portos do Mar Negro. Causando consequências dramáticas para países vulneráveis. Precisamos de uma resposta global”. Ainda na semana passada funcionários da ONU alertaram que a falha no envio desses produtos prejudicará a segurança alimentar nos países importadores, especialmente os mais pobres na África e em outros lugares.

Segundo disse o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, a Ucrânia perde 170 milhões de US Dólares a cada dia que lhe é cortado o acesso ao mar e a capacidade nacional de exportação fica reduzida para mais da metade. “Noventa milhões de toneladas de produtos agrícolas, que a Ucrânia planejava exportar para países da Ásia, África e Europa, foram bloqueados”, disse Shmyhal na cidade portuária de Odesa, falando ao lado do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. Shmyhal disse que alguns produtos foram exportados por rodovias ou ferrovias, mas algumas outras reservas permaneceram em áreas sob bombardeamentos ou foram capturadas pela Rússia. 

Zelensky, depois de ter conversado com o presidente do Conselho Europeu, publicou um post no Telegram, pedindo medidas imediatas para abrir os portos ucranianos bloqueados pela Rússia, a fim de permitir a exportação de trigo e evitar uma crise alimentar global. “É importante evitar uma crise alimentar no mundo causada pelas ações agressivas da Rússia”, disse Zelensky.

Já no passado mês de março o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha alertado para o facto de a guerra na Ucrânia poder provocar uma crise alimentar mundial. Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na altura que o mundo pode enfrentar um "furacão de fome". “Vamos tirar comida aos esfomeados para dar aos famintos”, foram as palavras inequívocas do diretor executivo do Programa Alimentar Mundial e mostram a escala dramática da crise que se começa a desenhar. 

“Neste momento vamos viver uma crise humanitária e alimentar como talvez nunca tenhamos vivido desde a Segunda Guerra Mundial”, considera Pedro Graça, especialista em Nutrição Humana e professor na Universidade do Porto (UP). “Mas foi para lidar com [situações como esta] que foram criados organismos internacionais que não existiam antes da Segunda Guerra Mundial, como a ONU e a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura]. Se as Nações Unidas não conseguirem combater a guerra, têm a obrigação de combater a fome. Isso vai ser um dos grandes desafios da ONU neste e no próximo ano”. 



Publicado por Tovi às 08:10
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 5 de Maio de 2022
Ao 71.º dia é assim que estamos

5mai2022.jpg
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pede uma trégua prolongada para resgatar os cerca de 200 civis e combatentes abrigados nos bunkers da siderúrgica Azovstal.

A Rússia afirma que suas forças interromperão as hostilidades em Azovstal e abrirão um corredor humanitário por três dias [das 8h00 às 18h00 (horário de Moscovo) nos dias 5, 6 e 7 de maio].
 
 

  

guerra-na-ucrania-02032022084426141.jpegA Polónia e a Suécia, em parceria com a União Europeia, organizam hoje uma conferência internacional de doadores para a Ucrânia. A iniciativa, que visa fornecer apoio humanitário à Ucrânia, será presidida pelos primeiros-ministros da Polónia, Mateusz Morawiecki, e da Suécia, Magdalena Andersson, em parceria com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e com a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. O primeiro-ministro português, António Costa, vai participar no evento por meios digitais. A reunião, convocada ao nível de chefes de Estado e de Governo, conta ainda com a participação de representantes de empresas e instituições financeiras globais. Segundo Varsóvia e Estocolmo, esta conferência, que dará início a uma série de eventos de apoio à Ucrânia que irão decorrer nos próximos meses, visa arrecadar fundos para satisfazer as crescentes necessidades humanitárias da Ucrânia, onde cerca de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária vital, incluindo abrigo, alimentos e medicamentos. Os dois países afirmam que “é essencial mobilizar ajuda internacional imediata para a Ucrânia, que atualmente cobre menos de 15% do que é necessário”.
Entretanto o Reino Unido anunciou também no dia de hoje um pacote de 45 milhões de libras (53 milhões de euros) de ajuda humanitária à Ucrânia, sobretudo a mulheres e crianças, canalizado na maior parte através das agências e instituições da ONU. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico disse que o apoio destina-se a pessoas mais vulneráveis afetadas pelo conflito, pelo que 15 milhões de libras (18 milhões de euros) serão destinados ao Fundo Humanitário da ONU para a Ucrânia (UHF), outros 15 milhões de libras para a UNICEF.
O primeiro-ministro português, António Costa, anunciou na Conferência de Alto Nível de Doares para a Ucrânia, que decorre em Varsóvia, numa intervenção que fez por vídeo, que Portugal vai contribuir com 2,1 milhões de euros em ajuda humanitária à Ucrânia, dos quais um milhão de euros para as respostas das Nações Unidas e 1,1 milhões adicionais.

Captura de ecrã 2022-05-05 142614.jpg

 

 


gas-natural-eua-1.jpg
A presidente da Comissão Europeia apresentou ontem o novo pacote de sanções contra a Rússia, que passam pelo embargo do petróleo e gás russos até ao final do ano. E não há dúvida que mais sanções e cada vez mais direcionadas à economia do Kremlin são fundamentais. Mas tenhamos tininho na forma como as vamos implementar, pois na União Europeia nem todos têm o mesmo arcaboiço económico e são vários os países que dependem muito do gás e produtos petrolíferos vindos da Rússia, correndo nós o risco de acabarem as sanções por terem efeitos contra os próprios países europeus.
A ministra francesa do Meio Ambiente e Energia, Barbara Pompili, diz estar confiante de que os Estados membros da União Europeia chegarão a um consenso sobre como encerrar as importações de petróleo russo até o final desta semana. “Alguns países são mais dependentes do petróleo russo do que outros e, portanto, devemos tentar encontrar soluções para que eles possam aderir a essas sanções (...) Mas acho que devemos ser capazes de fazê-lo", disse a ministra à rádio France Info.

  Não!... Não vai ser fácil, seguramente
1 .jpg

 

 

  19h45 (TMG) de hoje / Al Jazeera
Azovstal.jpgUma terceira operação está em andamento para retirar civis da cidade portuária ucraniana de Mariupol e das instalações da siderurgia Azovstal sitiada, disse António Guterres, secretário-geral da ONU. Guterres recusou-se a dar detalhes sobre a nova operação “para evitar prejudicar um possível sucesso”. “Espero que a coordenação contínua com Moscovo e Kiev leve a mais pausas humanitárias para permitir que os civis passem a salvo dos combates e que a ajuda chegue àqueles em necessidade crítica”, disse ele aos 15 membros do Conselho de Segurança. “Devemos continuar a fazer tudo o que pudermos para tirar as pessoas desses cenários infernais.”



Publicado por Tovi às 08:53
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 29 de Abril de 2022
A "crise" das Sanções à Rússia

catar-diz-que-substituir-gas-russo-e-impossivel-b4

Avançou o Financial Times na manhã de ontem [28abr2022]: "Distribuidores de gás na Alemanha, Áustria, Hungria e Eslováquia planeiam abrir contas em rublos no Gazprombank, na Suíça, para satisfazer a exigência russa de pagamentos na própria moeda".
Então?... Onde está a solidariedade com a Polónia e Bulgária?... E as sanções da União Europeia à Rússia não são para cumprir por todos?
 

Jorge De Freitas Monteiro - Depois de num primeiro tempo ter afirmado que o pagamento em rublos violaria as sanções a Comissão veio desdizer-se e admitiu que era possível pagar em rublos. Não há portanto qualquer ilegalidade por parte dos Estados membros que aceitam fazê-lo. Se a Polónia e a Bulgária se recusam a pagar em rublos são eles que estão a criar um problema a eles próprios. Aliás da parte da Polónia há uma incoerência enorme uma vez que andam já há mais de um mês a pedir o embargo das importações de hidrocarbonetos russos mostrando-se indiferentes aos problemas que tal embargo criaria a outros Estados membros. Afinal querem ou não querem gás russo?
David Ribeiro - Ou seja, Jorge De Freitas Monteiro, a sanção "não pagar em rublos" foi só para se ficar bem na fotografia.
Jorge De Freitas Monteiro - David Ribeiro, terá sido? Ou terá sido um sintoma da cada vez maior divisão no seio da UE?
David Ribeiro - Jorge De Freitas Monteiro... ou isso.
Serafim Nunes - Ainda não percebi bem a vantagem para os russos, e a desvantagem para o ocidente, deste tipo de pagamento e tenho alguma experiência em matéria cambial. Segundo li há tempos no Economist, creio, os pagamentos pelos compradores ocidentais continuam a ser feitos na moeda dos contratos (sobretudo dólares e euros), pelos preços previstos nesses contratos nessas mesmas moedas. Ou seja, pagarão o mesmo. De seguida são creditados noutra conta em rublos ao câmbio do fecho desses dias e entregues aos fornecedores. Não vejo, pois, qualquer vantagem de preço na operação em relação ao que vinha acontecendo, salvo o facto de, eventualmente, se pretender “prestigiar” o rublo como moeda.
David Ribeiro - Serafim Nunes... Mas numa altura em que o rublo está nos mercados cambiais em profunda queda, avultadas compras da moeda russa dá-lhe uma grande ajuda.
Serafim Nunes - David Ribeiro quando a Rússia tomou esta decisão o rublo já tinha recuperado. O que li então é que o próprio Ocidente tinha ficado baralhado e desconfiado com a proposta e daí a sua reacção. Obviamente que, neste caso, a Rússia sai (para já) pro cima. Mais por causa do desfecho do circo que se montou do que propriamente por razões económicas.
Carlos Miguel Sousa - Business as usual. As boas intenções dos politicos nada podem contra o poder do dinheiro. É por isto que a base de todos os problemas de um país, é sempre FINANCEIRA.
David Ribeiro - Mas a um político, caro Carlos Miguel Sousa, exige-se leituras políticas com base no social, económico e financeiro, seja qual for o assunto e os "donos do dinheiro".
Carlos Miguel Sousa - David Ribeiro Os Politicos eleitos democráticamente não passam de «assalariados» do grande capital internacional. Antes, alguns durante, e quase todos depois de exercerem cargos politicos. Hoje, em democracia, ninguém ascende a qualquer cargo politico sem antes ter estabelecido a rede de sustentação, cuja base é saberem os podres uns dos outros. Quem não tem, ou pode viver sem os ter, não vai para a politica.
David Ribeiro - Carlos Miguel Sousa... Há, infelizmente, muitos políticos dependentes dos "donos disto tudo", mas somos nós, os eleitores, que poderemos fazer a diferença no hora do voto, pois nem todos são como descreveu.
Carlos Miguel Sousa - David Ribeiro É verdade. Note porem que o VOTO, é algo sem grande valor. Se a ideia fosse dar-lhe valor, certamente já haveria estudos nesse sentido. Estudos que permitissem criar formas justas de aferir o VALOR DO VOTO de cada um. Até que assim seja - se alguma vez for - o resultado da democracia na segunda metade do século XIX, é o mesmo da democracia nas primeiras décadas do século XXI. Passaram mais de 100 anos, mas não aprendemos nada. Pensámos que ao alargar a base de voto, as coisas iríam ser diferentes. Não são. E não são porque se calhar o caminho não é esse.
 
 
  Da série "Sanções à Rússia"

279369675_10221299566546552_3448206872756992673_n.

 

  Se Von der Leyen me explicasse...
...é que eu, se me explicarem, percebo tudo.
Captura de ecrã 2022-04-28 135609.jpg

 

  Após a Rússia ter bloqueado esta semana a venda de gás à Bulgária e à Polónia e ameaçado outros países que não aceitem pagar as faturas de energias em rublos, o Presidente dos EUA, Joe Biden, disse que não deixará que a Rússia “intimide” os países europeus com ameaças de bloqueio de recursos energéticos. “Não permitiremos que usem as suas reservas de petróleo ou de gás para evitar as consequências da sua agressão. Estamos a trabalhar com outros países, como Japão, Coreia do Sul ou Qatar para ajudar os nossos aliados europeus, ameaçados por essas chantagens”, prometeu Biden.

 

  Bruxelas promete avançar com ações legais se os Estados-membros contornarem as sanções contra a Rússia. Moscovo exige que os países considerados "hostis" façam pagamentos em rublos à empresa estatal Gazprom. Ao abrigo de um novo sistema de pagamentos, instituído por decreto, estes só são considerados saldados se os euros ou os dólares pagos forem, depois, convertidos para divisa local através de uma segunda conta criada no Gazprombank e o depósito chegar à empresa fornecedora. Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia, afirmou ontem: "Estamos a monitorizar se os Estados-membros estão realmente a aplicar as sanções da União Europeia. E se percebermos que não é esse o caso, existe a possibilidade de a Comissão Europeia abrir procedimentos de infração a esse respeito".

 

  Gás russo - Quem importa e quanto
279205829_10221300526330546_4484370972192279479_n.

  Jorge De Freitas Monteiro - David Ribeiro, melhor depender a 9% do que a 90%, claro. Mas isso não muda grande coisa a médio prazo caso não haja um, cada vez mais improvável, acordo de paz. Todos, os que dependem a 90% ou os que dependem a 10%, se se virem privados do gás russo vão comprar gás de outras proveniências. Gás que não chegará para todos e que por isso será cada vez mais caro. Os que dependem a 9%, como nós, serão tão atingidos como os outros, só que um pouco mais tarde.

 

  Pois é... agora, além da invasão da Ucrânia pelas tropas russas, também temos a guerra de Putin com os importadores de gás russo.
Captura de ecrã 2022-04-29 084043.jpg
O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, afirmou durante uma visita ao Japão nesta quinta-feira [28abr2022] que a Alemanha deve estar preparada para a suspensão do abastecimento de gás natural russo. "Se haverá e qual vai ser a decisão do governo russo nesse sentido é especulação, mas… É preciso estar preparado para isso", disse o chefe de governo, que acrescentou que o governo alemão já havia começado a refletir sobre essa possibilidade antes do início da invasão russa da Ucrânia, no dia 24 de fevereiro.
  Renato Ferreira
Resumo da ópera: A Polónia não compra mais gás à Rússia; A Alemanha está a vender gás (russo) à Polónia; A “UE” proíbe que sejam pagos bens em rublos; Apenas o gazprombank não foi excluído do Swift; A Alemanha paga à Rússia em euros via Gasprombank; O Gasprombank autonomamente converte os euros para rublos; Estão todos felizes e coerentes a brincarem às sanções económicas, até o dia em que começar a “pancadaria”. 😵‍💫

 

  No jornal Público de hoje
279383778_10223938284599483_4454428633098344109_n.
A União Europeia anunciou três pacotes de ajuda militar à Ucrânia no valor total de 1,5 mil milhões de euros, ou o equivalente ao que pagamos a Putin em apenas dois dias pela energia.

 

  Sanções contra a Rússia
Putin neck grabbed.jpgCaptura de ecrã 2022-04-29 155531.jpg



GettyImages-1239410934-768x511.jpgA Noruega vai proibir o transporte rodoviário aos operadores russos, a partir de 7 de maio, e fechar os seus portos aos navios com bandeira daquele país, anunciou o Governo de Oslo. A Noruega, que faz fronteira com a Rússia, cumpre assim o quinto pacote de sanções a Moscovo por causa da guerra na Ucrânia adotado há algumas semanas pela União Europeia (UE), da qual não faz parte, embora integre o Espaço Económico Europeu (EEE). O encerramento dos portos afeta navios comerciais com mais de 500 toneladas brutas, iates e alguns barcos de recreio que navegam em águas internacionais, com exceção para a pesca.



Publicado por Tovi às 07:23
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 22 de Abril de 2022
Rússia-Ucrânia... danos colaterais em Portugal e na UE

  Sondagem da Aximage publicada ontem no JN, DN e TSF
Portugueses sentem perda no poder de compra e estão mais pessimistas
image 0.png

image 2.png

image 3.png

 

  Em finais de março deste ano o Banco de Portugal via quatro canais de impacto da guerra na Ucrânia, agravados pelas sanções como resposta ao conflito liderado pela Rússia. O rendimento disponível das famílias vai descer, as empresas vão ter dificuldades em obter produtos (e podem mesmo ter de parar), o comércio entre países está limitado e, acima de tudo, há incerteza. Estes são os quatro canais de impacto da guerra que é travada na Ucrânia por parte da Rússia, intensificados pelas consequências das sanções económicas.

 

  A União Europeia está a pedir a europeus que conduzam menos, desliguem o ar condicionado e trabalhem de casa pelo menos três dias por semana para reduzir a dependência de petróleo e gás natural russo. De acordo com a Comissão Europeia, as medidas - que foram delineadas pela Agência Internacional de Energia - vão permitir a cada família poupar em média cerca de 500€ por ano. Se todos os cidadãos europeus aderirem aos nove pontos do plano "Playing My Part" (em português, "Fazer a Minha Parte"), será possível poupar petróleo suficiente para encher 120 super-tanques e gás natural para aquecer 20 milhões de casas. "Pessoas em toda a Europa ajudaram a Ucrânia, fazendo doações ou ajudando refugiados diretamente, e muitos gostariam de fazer mais. A maioria das famílias também está a enfrentar contas de energia mais altas por causa da crise energética exacerbada pela guerra. Usar menos energia não é apenas uma maneira imediata de os europeus reduzirem as suas contas, mas também ajuda a Ucrânia, reduzindo a necessidade de petróleo e gás russos, ajudando assim a reduzir os fluxos de receita que financiam a invasão", argumentam a UE e AIE em comunicado.


Francisco Bismarck - A internacionalização do petróleo está, como é óbvio, fora de questão.
David Ribeiro - Está cá a parecer-me que a malta do Golfo esfrega as mãos de contente.
Jorge De Freitas Monteiro - David Ribeiro, sim, e também os americanos com o gás

 

  Berlim irá enviar equipamento e armamento pesado para substituir o que países aliados entreguem, pelo seu lado, à Ucrânia. A Eslovénia deverá enviar para a Ucrânia - e depois receber da Alemanha - cerca de 40 carros de combate. A Alemanha está no meio de um debate febril sobre o que o Governo está a fazer para entregar armas à Ucrânia – com o chanceler a ser alvo de críticas dos partidos da sua coligação e de parte do seu partido. Uma notícia do diário de grande circulação Bild dizendo que o chanceler, Olaf Scholz, recebeu da indústria alemã de armas uma lista do que poderia ser entregues à Ucrânia e retirou dela o armamento pesado como tanques e obuses lançou mais achas para a fogueira. De seguida, no entanto, fontes governamentais citadas pela agência DPA diziam que o país está a preparar-se para enviar este armamento pesado a aliados da NATO para substituir material que estes enviem directamente à Ucrânia. A Alemanha evita assim o envio directo de armas pesadas à Ucrânia.

 

  O índice de preços no produtor na Alemanha registou um aumento histórico de 30,9% em março, um recorde desde 1949, quando este indicador começou a ser publicado, disse quarta-feira a agência de estatística alemã Destatis. O ponto mais alto do indicador reflete “as primeiras consequências da guerra na Ucrânia”, acrescentou a fonte. Em fevereiro, o aumento anual tinha sido de 25,9% e em janeiro de 25%.

 

  A Comissão Europeia propôs esta sexta-feira uma alteração ao orçamento da União Europeia (UE) para 2022 - reforço de 99,8 milhões de euros em autorizações e orçamento a ser aumento em 176 milhões de euros em pagamentos - para assegurar o apoio às pessoas que fogem da guerra da Ucrânia, causada pela invasão russa, visando principalmente ajudar os Estados-membros recetores. Tendo em conta as novas verbas comunitárias, bem como as possibilidades de reafectação, “o montante total do financiamento a ser disponibilizado para a migração e gestão de fronteiras é de 400 milhões de euros”, explica Bruxelas. Esta verba total visa, principalmente, “ajudar os Estados-membros mais afetados a fazer face aos primeiros custos de receção e registo de pessoas que fogem da Ucrânia”, adianta a Comissão Europeia. A proposta esta sexta-feira apresentada para alterar o orçamento comunitário deste ano tem agora de ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros da UE no Conselho.

 

  O ministro do Ambiente português considerou que a dependência da Europa em relação ao gás oriundo da Rússia é um “garrote” à atividade económica, sendo essa subordinação alvo de “chantagens inaceitáveis” e uma “ameaça à segurança”. “A invasão da Ucrânia [por parte da Rússia] mostrou a fragilidade da Europa em relação ao setor energético, a dependência do gás russo é um garrote à nossa atividade económica que é aproveitada, inclusivamente, para chantagens inaceitáveis de um regime ditatorial às democracias europeias, é uma ameaça à segurança da Europa”, disse Duarte Cordeiro.

 

 

Sem dúvida alguma...  
Captura de ecrã 2022-04-22 142321.jpg



Publicado por Tovi às 07:09
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos (1)

Segunda-feira, 11 de Abril de 2022
A guerra da (des)informação... e a geopolítica

Imagem1.png

Nos dias de hoje a capacidade de manipular a informação e torná-la desinformação é enorme e fácil, bastando construir “fake news” que pareçam verdadeiras e rapidamente as espalhar, não só pela comunicação social, mas também e principalmente, pelas redes sociais, de preferência selecionando criteriosamente o “público-alvo”. Embora eu tenha lido recentemente que no Parlamento Europeu está em discussão uma lei sobre os anúncios políticos, em especial para proibir a publicidade política dirigida e limitar a capacidade de manipular eleitores, seja lá o que isto for, a verdade é que o melhor antídoto para esta maleita das notícias falsas é seguir os conselhos da Google.

Sete conselhos para os utilizadores evitarem o consumo de fake news: Verificar a credibilidade das fontes; Procurar a cobertura de notícias; Fazer mais do que uma pesquisa; Verificar se uma imagem está a ser utilizada no contexto correto; Consultar os sites verificadores de factos; Usar o Google Earth ou Street View para verificar a localização; Não incluir a resposta na pergunta de pesquisa.

E mesmo assim é forçoso usar o nosso senso crítico… que há mais quem desinforme do que informe.

 

  Pois é!...
Captura de ecrã 2022-04-09 113609.jpg

Jorge De Freitas Monteiro - A Alemanha não tem alternativa. Não é legítimo pedir à Alemanha que cometa o suicídio económico instantâneo. Aliás não é legítimo pedir à Europa que cometa o suicídio económico lento.
David Ribeiro - Num passado recente Angela Merkel e Vladimir Putin, insistiram no gás russo, garantindo que o Nord Stream 2 era um projeto puramente comercial, sem qualquer caráter político. Mas está a ser o que se vê e embora isto não nos afete de forma direta, uma vez que Portugal importa pouco gás russo, um problema europeu é também um problema de Portugal.
Jorge De Freitas MonteiroDavid Ribeiro, o gás é indispensável, principalmente porque se abdicou do nuclear. E ainda hoje não há alternativa ao gás russo. O LPG americano é mais caro e não chega. O célebre acordo de fornecimento de LPG americano à UE não é um acordo firme de abastecimento mas uma mera declaração de intenções; os US farão os possíveis para que a Europa tenha acesso a uma determinada quantidade de gás, aliás uma quantidade ela mesma insuficiente.
Da Mota Veiga Suzette
Verdade, esta guerra acontece praticamente de surpresa, sem tempo de preparação. 

 

  Confesso que sou um consumidor compulsivo de informação, não só da comunicação social, mas também da televisiva… e no que se refere aos “repórteres na zona de guerra na Ucrânia” sou cada vez mais fã de Nuno Ricardo Pereira, que até agora eu só conhecia daquele agradável e popular pograma da SIC dos verões portugueses com Joana Latino – Olhá Festa –, mas que tem vindo a mostrar-se de um humanismo e profissionalismo fora do vulgar. 
Vejam esta reportagem... é um exemplo do que acabo de dizer.
Captura de ecrã 2022-04-09 145355.jpg

 

  As melhores... destes últimos dias
F09397D1-20C8-4A00-BC08-46E64C8C79F1.png

 


Captura de ecrã 2022-04-09 214231.jpg
Quando nos anos 1985 e 86 trabalhei em Luanda para o Ministério dos Petróleos, todos nós dizíamos não sermos comunistas nem pactuarmos com os senhores todo-poderosos do Futungo de Belas, onde residia o poder absoluto de José Eduardo dos Santos… mas a verdade é que eramos autênticos “mercenários económicos” (mas bem pagos), uns verdadeiros “vendidos” aos poder absoluto de Angola. E hoje em dia tenho uma visão muito mais clara da geopolítica mundial. O que a vida nos ensina.

 

  E é assim que estamos... primeiro dia da ofensiva final das tropas russas contra a região de Donbass
10abr2022.jpg

  Continua o rufar dos tambores de guerra na Europa
Captura de ecrã 2022-04-10 155949.jpg

 


Captura de ecrã 2022-04-11 141127.jpg
"Hoje será, provavelmente, a batalha final porque as nossas munições estão a esgotar-se", escreveu na rede social Facebook a 36.ª brigada da Marinha Nacional, que integra as Forças Armadas ucranianas, citada pela agência France-Presse (AFP). A declaração acrescenta que cerca de "metade" dos membros da brigada estão feridos. Ao longo de 40 dias, os militares dizem ter sido "empurrados gradualmente" pelo inimigo, que os cercou "e tenta agora" destruí-los. A brigada queixou-se da falta de ajuda do comando do Exército e do presidente, Volodymyr Zelensky. "Só uma vez recebemos 50 cartuchos, 20 minas, mísseis antitanque NLAW ", lamentaram na publicação. A brigada disse que houve ainda "promessas que não foram cumpridas".
  Kiev espera que a Rússia lance uma grande ofensiva no leste da Ucrânia "em breve", disse um porta-voz do Ministério da Defesa do país há cerca de 4 horas (13h24 TMG) desta 2.ª feira. “O inimigo terá terminado a preparação de um ataque ao leste, o ataque começará em breve”, disse Oleksandr Motuzyanyk numa entrevista coletiva.
  
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse, durante uma entrevista transmitida esta segunda-feira, que as tropas russas não vão interromper as operações militares na Ucrânia antes das próximas conversações de paz. "Depois de nos convencermos de que os ucranianos não estavam a planear fazer o mesmo [suspender as operações militares], foi tomada a decisão de que, durante as próximas rondas de conversações, não haverá pausas até que se chegue a um acordo final", disse Sergei Lavrov", citado pela Reuters.



Captura de ecrã 2022-04-11 184857.jpgClaro que as sanções têm que ser fortes para doerem ao governo de Kremlin e sanções sobre o gás e o petróleo russo é onde pode verdadeiramente doer. Mas temos que ser rápidos, porque depois da Ucrânia derrotada o efeito é mínimo.

 

 

  Mais uma, e das boas, da série "Rússia invade Ucrânia"
278229184_5078329495549376_6670958502758689412_n.j




Sexta-feira, 8 de Abril de 2022
Presidente da Comissão Europeia a caminho de Kiev

Captura de ecrã 2022-04-08 094411.jpg
Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia, e o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, a caminho de Kiev para se encontrarem com Zelensky.

 

Captura de ecrã 2022-04-08 182523.jpg

A presidente da Comissão Europeia visitou uma vala comum em Bucha, uma cidade nos arredores de Kiev, onde as forças russas são acusadas pela Ucrânia e seus aliados de realizar atrocidades contra civis. Um jornalista da AFP informou que von der Leyen estava na cidade ao norte da capital como parte de uma viagem para reforçar o apoio à Ucrânia ao lado do chefe de política externa do bloco, Josep Borrell. O primeiro-ministro da Eslováquia, Eduard Heger, também estava nesta viagem.

Captura de ecrã 2022-04-08 223205.jpg

Von der Leyen entregou a Zelensky um questionário que será o ponto de partida para que os membros da UE decidam sobre a adesão da Ucrânia ao bloco europeu. "Penso que [esta decisão] não demorará anos, como é costume, mas sim semanas", sublinhou a presidente da Comissão Europeia. Zelensky garantiu que enviaria as respostas dentro de uma semana.

 


  Entretanto...

#  Mais de 30 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas num ataque de mísseis russos a uma estação ferroviária na cidade de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, informou a empresa ferroviária estatal. O ataque ocorreu quando civis estavam a ser evacuados para partes mais seguras do país. A primeira reação oficial do lado russo surgiu por parte do Ministério da Defesa, que nega a responsabilidade do ataque. Em declarações citadas pela agência Reuters, que cita a RIA, o governo russo diz que o tipo de míssil utilizado em Kramatorsk só é utilizado pelo exército ucraniano, acrescentando que será um tipo de míssil semelhante ao utilizado num ataque que matou 17 pessoas em Donetsk a 14 de março. A mesma fonte diz ainda que a Rússia não tinha quaisquer alvos definidos em Kramatorsk para esta sexta-feira.

#  “Mísseis de alta precisão do sistema de mísseis costeiros Bastion destruíram um centro de treino de mercenários estrangeiros perto da vila de Krasnosilka, a nordeste de Odesa”, disse um porta-voz do Ministério da Defesa russo num briefing.

#  As forças russas estão concentradas em assumir o controle das cidades de Popasna e Rubizhne, na região de Luhansk, no leste da Ucrânia, disse o Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia num post no Facebook. Dizem também que as forças russas continuam a tentar estabelecer o controle sobre a cidade sitiada de Mariupol. “O inimigo russo continua a bloquear a cidade de Kharkiv. Para impedir o avanço de nossas tropas, os invasores colocaram campos minados”, acrescenta o post.

#  A União Europeia já adotou o quinto pacote de sanções contra a Rússia. De acordo com um comunicado publicado no Conselho da União Europeia, este pacote surge “por causa da continuação da guerra na Ucrânia”, fazendo menção às “atrocidades cometidas pelas Forças Armadas russas”. “O conselho decidiu hoje impor um quinto pacote de sanções económicas e individuais contra a Rússia”, pode ler-se. Neste novo pacote incluem-se o embargo à importação de carvão e outros combustíveis fósseis (MAS NÃO PETRÓLEO OU GÁS NATURAL) vindos da Rússia. Esta medida TERÁ EFEITO A PARTIR DE AGOSTO, um mês mais tarde que o previsto. É ainda instituída a proibição de atracar a todos os barcos com bandeira russa.

#  Os preços de produtos “commodities” (*), como grãos e óleos vegetais, atingiram os níveis mais altos no mês passado por causa da guerra da Rússia na Ucrânia e das “interrupções maciças de fornecimento” que está causando, disse a ONU. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação disse que seu Índice de Preços de Alimentos, que acompanha as mudanças mensais nos preços internacionais de um cabaz de produtos básicos não industrializados, teve uma média de 159,3 pontos no mês passado, um aumento de 12,6 por cento em relação a fevereiro. (*) Em inglês "commodity" é um termo que corresponde a produtos básicos globais não industrializados, ou seja, matérias-primas que não se diferem independente de quem as produziu ou de sua origem, sendo seu preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional.

#  Numa rara admissão o Kremlin disse que a Rússia sofreu "perdas significativas" na Ucrânia, o que representa uma "enorme tragédia" para o país. "Sim, temos perdas significativas de tropas e é uma grande tragédia para nós", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à Sky News na quinta-feira [7abr2022]. As baixas do lado russo foram sempre difíceis de avaliar com o ministro da Defesa da Rússia a dizer em 25 de março – sua atualização mais recente – que 1.351 de seus soldados foram mortos em combate, enquanto 3.825 ficaram feridos. A Ucrânia diz que 19.000 soldados russos foram mortos. No entanto, os números de ambas as partes não são confiáveis, já que Kiev provavelmente os Inflacionará para aumentar o moral de suas tropas, enquanto a Rússia provavelmente os minimiza.



Publicado por Tovi às 09:35
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim
Descrição
Neste meu blog fica registado “para memória futura” tudo aquilo que escrevo por essa WEB fora.
Links
Pesquisar neste blog
 
Setembro 2022
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9



25
26
27
28
29
30


Posts recentes

A União Europeia perante ...

E o inverno está à porta

A minha mulher já está a ...

Quando há fome reduz-se à...

Rússia e Ucrânia assinam ...

Já soam os tambores de gu...

Adesão da Ucrânia e risco...

Não se entendem... mas nã...

Receitas de petróleo da R...

A Guerra traz sempre a fo...

Ao 71.º dia é assim que e...

A "crise" das Sanções à R...

Rússia-Ucrânia... danos c...

A guerra da (des)informaç...

Presidente da Comissão Eu...

Novas sanções à Rússia

Uns querem a GUERRA... ou...

Limitação do preço da ene...

NATO, União Europeia e G7...

Polónia quer "missão de p...

Arquivos
Tags

todas as tags

Os meus troféus