"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2023
Tanques, tanques e mais tanques...

...e não são para lavar roupa suja.

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  Al Jazeera/ Tanques Abrams e Leopard: Por que são importantes para a Ucrânia?
Ambos os veículos blindados são considerados de última geração e são mais poderosos do que muitos tanques da era soviética usados ​​pelas forças russas e ucranianas. 
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"O Leopard e o American Abrams são na verdade gémeos", disse Sydney Freedberg, editor colaborador da revista digital Breaking Defense, à Al Jazeera. O Leopard 2 foi produzido pela primeira vez em 1979 por Krauss-Maffei para o Ministério da Defesa alemão. Eles estão ao serviço com os exércitos da Áustria, Canadá, Chile, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Grécia, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Singapura, Suíça, Suécia, Espanha e Turquia.
A principal diferença entre o Abrams e o Leopard é o motor. O Leopard 2 tem um motor MTU MB 873 movido a diesel, que é muito mais fácil de manter e mais usado em toda a Europa, enquanto o Abrams usa um motor de turbina mais potente e complexo. De acordo com Freedberg, como os tanques Abram são usados ​​significativamente menos em toda a Europa, a Ucrânia pode ter dificuldades para lidar com a infraestrutura logística, como a obtenção de peças de reposição, armazenamento e manutenção geral. O tanque para quatro pessoas também exigirá treinamento adicional no maquinário complexo.

 

   A falar é que as pessoas se entendem... e assim é que devia ser
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Isabel Sousa BragaEste fulano é bipolar mas mais vale tarde do que nunca
David RibeiroO eleitorado do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) está a fazer grande pressão sobre o Governo alemão = SPD, vencedor das eleições + Verdes (esquerda) + FDP (liberais) = e quer uma "solução negociada" na Ucrânia.
Jose Antonio M MacedoDavid Ribeiro O problema é que a Rússia não quer sair de todo o território que ocupou na Ucrânia e isso parece-me uma reivindicação justa por parte da Ucrânia.
David RibeiroO que a Ucrânia e a Rússia querem, Jose Antonio M Macedo, terá que ser objeto de negociações, até porque a continuação da guerra não é solução, nem para os beligerantes nem sequer para a UE + NATO.
Jose Antonio M MacedoDavid Ribeiro Mas penso que o que a Rússia pede nunca poderá ser aceite pela Ucrânia, nem pela Europa/UE/NATO/EUA, sob pena de se abrir um precedente, desde há muitos anos na Europa, e dar ímpeto à mais que provável invasão de outros países pela Rússia.
David RibeiroJose Antonio M Macedo , só sentados a uma mesa de negociações se pode chegar a alguma coisa, tudo o resto são palpites. E não pensem que alguma vez, com todos os eventuais apoios exteriores, a Ucrânia poderá "derrotar" a Rússia. Enveredar pelas posições públicas de Zelensky é ignorar a geoestratégica daquela região, gostemos ou não.
Jose Antonio M MacedoDavid Ribeiro A Ucrânia já o disse. Ainda por cima, o papel que a Rússia teve, por exemplo, em Angola,
 não augura nada de bom para essas conversações. "The annexation of Luhansk, Donetsk, Zaporizhia and Kherson marked a turning point in Zelenskyy’s position towards talks. Following Russia’s move, he signed a decree ruling out any chance of holding negotiations with Putin. “We are ready for a dialogue with Russia, but with another president,” he said on October 4. Zelenskyy had made a clear departure from a softer position adopted in March, when he had demanded Russian troops to withdraw to the pre-February invasion borders. But after the annexation move, he stepped up the conditions, asking the Russians to pull out from the whole of the country – Crimea and the eastern Donbas included."
David RibeiroMeu caro Jose Antonio M Macedo, pelo andar da carruagem quanto mais tarde se iniciarem negociações tendo em vista uma PAZ mais a Rússia irá exigir "territórios". Não nos esqueçamos que a propalada reconquista pela Ucrânia dos territórios "reivindicados" por Putin nunca passou da propaganda. É só ver com está a frente de batalha. Deixemo-nos de "clubite" por Moscovo ou por Kiev e foquemo-nos na realidade.
Jose Antonio M Macedo
David Ribeiro Ok. Mas se a Ucrânia quer as forças russas fora do território ocupado (e com toda a razão), antes das conversações se iniciarem, não acredito que haja negociações.
David Ribeiro - Na última reunião do G20 Volodymyr Zelensky apresentou os dez pontos da “fórmula ucraniana para a paz”: Segurança de radiação e nuclear; Segurança alimentar; Segurança energética; Libertação de todos os prisioneiros e deportados; Implementação da carta da ONU e restauração da integridade territorial da Ucrânia e da ordem mundial; Retirada das tropas russas e cessação das hostilidades; Restauração da justiça; Antiecocídio; Prevenção de escalada; Estabelecer o fim da guerra. Então 'bora lá discutir à mesa de negociações, ou isto foi só para ficar bonito na fotografia?
Jose Antonio M MacedoDavid Ribeiro Está lá uma condição relativamente à qual a Rússia não quer ceder: restauração da integridade territorial da Ucrânia.
David RibeiroComo é que o Jose Antonio M Macedo pode afirmar isso se negociações ainda não se iniciaram?
Jose Antonio M Macedo
David Ribeiro Já o disseram: "Russia on Tuesday dismissed a peace proposal from Ukrainian President Volodymyr Zelenskiy that would involve a pullout of Russian troops, saying Kyiv needed to accept new territorial "realities". Kremlin spokesman DmitryPeskov said those realities included Russia's addition of four Ukrainian regions as its "new subjects" - annexations it proclaimed in September but which most countries of the United Nations have condemned as illegal. He was responding to a request by Zelenskiy to leaders from Group of Seven powers on Monday for more military equipment, support for financial and energy stability, and backing for a peace solution that would start with Russia withdrawing troops from Ukraine, beginning this Christmas. (...)"
David Ribeiro - Propaganda, meu caro amigo Jose Antonio M Macedo. Tudo o que diz o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, é pura propaganda.
Paulo Barros ValeEssa solução negociará é o quê? Ceder ao invasor fascista ?
David RibeiroMeu caro Paulo Barros Vale, as negociações serão o que se colocar na altura na mesa e as conclusões são o que acontecerem, nunca o que antecipadamente os dois lados da barricada dizem ser a solução.



Publicado por Tovi às 07:51
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Sábado, 17 de Dezembro de 2022
Corrupção na UE... e o Catar corruptor

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Muito se tem falado da corrupção que envolve membros do Parlamento Europeu, e bem, pois há que combater este flagelo da corrupção, seja na União Europeia ou noutro lugar qualquer. Mas estranho que pouco se tenha falado do corruptor, o Catar... ou será que agora, quando está prestes a acabar o Mundial de Futebol, se vai voltar ao assunto?


Joaquim FigueiredoBlatter, Platini... os principais rostos
Júlio Gouveia - Como se por cá, neste país maravilhoso a conversa não seja a mesma...somos um país de corruptos
David RibeiroNão, Júlio Gouveia, não somos um país de corruptos, mas sim um país onde há corruptos.
Júlio GouveiaDavid Ribeiro sim , mas são tantos que quase se confundem com os outros . Porque paises onde há corruptos são todos no mundo
David RibeiroPois eu, meu caro Júlio Gouveia, nos quatro anos que fui deputado municipal no Porto, por duas vezes fui "sondado" para eventuais atos de corrupção, mas o meu "franzir de sobreolho" foi suficiente para tudo ficar por uma curta conversa. Mas no meu mais de meio século de atividade professional muitas vezes fui sondado, sempre sem sucesso para os corruptores, para coisas menos corretas para com as empresas para quem trabalhei. Esquecemo-nos muitas vezes que para haver corrompidos é necessário haver corruptores.
Júlio GouveiaDavid Ribeiro só me está a dar razão. Houve muitos que o tentaram corromper e só não houve corrupção porque e muito bem o Daviid Ribeiro não se deixou corromper. Mas sabe tão bem como eu que o seu caso é a minoria. Normalmente os corruptores conseguem corromper quase todos que querem. E infelizmente no nosso pais há muitos corruptores e muitos que se deixam corromper.
José Manuel NeroCombater a corrupção? Isso é possível com a classe politica que existe? Os casos que vem a público quer em Portugal quer na UE, são apenas escaços exemplos com origem em divergências entre corruptores ou seja denuncias de alguém que não foi suficientemente "remunerado".
David RibeiroNão se pode generalizar, José Manuel Nero... mas que a corrupção anda muito pela área política, lá isso é verdade.
José Manuel NeroDavid Ribeiro no nosso País, o que temos assistido ultimamente é que a corrupção parece ser uma prática normalizada e pior de tudo, aceite pela população.
David RibeiroÉ verdade o que diz, José Manuel Nero. Não podemos esquecer que a "cunha" está enraizada na sociedade e dificilmente os portugueses a consideram corrupção.

 

  Ana França e Manuela Goucha Soares / Expresso 15dez2022
A ex-vice-presidente do Parlamento Europeu estava a negociar a mudança de grupo parlamentar. A informação circula no Parlamento Europeu e já foi mencionada pelo jornal digital “Politico”. O seu companheiro, Francesco Giorgi, já confessou perante a justiça: “Fiz tudo por dinheiro de que não precisava. Mas agora libertem a minha companheira”. Foi com estas palavras que o italiano Francesco Giorgi —companheiro e pai da filha da ex-vice-presidente do Parlamento Europeu (PE) Eva Kaili — confirmou à Justiça o seu envolvimento no escândalo de corrupção que envolve eurodeputados e funcionários do Parlamento Europeu, escreve o jornal romano “La Reppublica”. O parceiro de Kaili é um dos quatro detidos nesta investigação de corrupção. Reconhece ter agido ilegalmente e pediu desculpas pelo seu comportamento. O escândalo do alegado esquema de subornos no PE continua a provocar ondas de choque em Bruxelas e Estrasburgo, e todos os dias surgem novas notícias.
DO ESTÁGIO EM 2009 ÀS MALAS DE DINHEIRO EM 2022
Giorgi é um conhecido associado de outro dos nomes centrais desta investigação, Antonio Panzeri, antigo eurodeputado do grupo de centro-esquerda Socialistas e Democratas (S&D). Foi detido, tal como a sua mulher e filha, que estariam conscientes dos negócios de natureza duvidosa que os procuradores belgas dizem que Panzeri manteve com Marrocos e Catar. Panzeri é presidente da organização não-governamental Fight Impunity, que funcionará como fachada de toda a alegada trama. Pelo menos é esta uma das linhas de investigação que estão a ser seguidas pelas autoridades A ligação do companheiro de Kaili a Panzeri é antiga. Segundo o depoimento do assistente parlamentar Giorgi, o primeiro encontro dele com Panzeri foi em 2009, antes de Giorgi ir trabalhar para Bruxelas. O jovem italiano tinha 22 anos quando conheceu Panzeri numa conferência e lhe pediu para fazer um estágio no PE. Panzeri aceitou e, ao longo dos anos, tornou-se “mentor de Giorgi, figura de referência para o jovem entusiasta da Europa que dava os seus primeiros passos nas salas do PE. [Giorgi] trabalhava como seu assistente e foi sendo apresentado aos círculos políticos”, escreve “La Reppublica”. Nas eleições europeias de 2019 Panzeri não foi reeleito, mas Giorgi “continuou a apoiá-lo”, passando "a cuidar do dinheiro” da organização. Uma disponibilidade dada por gratidão a quem o fez trabalhar na política, explicou o jovem, mas também por dinheiro. Dinheiro de que ele próprio confessou não precisar. O italiano recebia cerca de 2500 euros por mês como assistente parlamentar.
KAILI ESTAVA A APROXIMAR-SE DOS CONSERVADORES?
Os rumores são anteriores ao escândalo. Kaili era vista como cada vez mais próxima dos conservadores gregos e europeus. Nos corredores do Parlamento Europeu, eurodeputados e funcionários comentam que a ex-vice-presidente estava a aproximar-se da direita. A maioria dos eurodeputados entende que é preciso respeitar o tempo da investigação, dada a gravidade do que está em causa. Pouco depois da sua dertenção, sexta-feira passada, o líder do PASOK e eurodeputado Nikos Androulakis expulsou Kaili do partido. Acusa-a de agir como “cavalo de Tróia” para o partido conservador Nova Democracia, que governa atualmente a Grécia. Foi também Androulakis que disse que Kaili estaria a preparar-se para concorrer às próximas eleições na Grécia pela Nova Democracia. O porta-voz do Governo helénico, Giannis Oikonomou, rejeitou essas alegações, escreve o “Politico”. “Kaili mantém relações muito boas e conseguiu ganhar a estima do partido Nova Democracia, até de Kyriakos Mitsotakis”, escreveu o jornal pró-governo grego “Proto Thema” num perfil sobre ela após a vitória eleitoral. “O primeiro-ministro lutou pela sua eleição como vice-presidente.”
DINHEIRO APREENDIDO SERIA PARA PANZERI E GIORGI
Segundo o testemunho do marido de Kaili, o dinheiro apreendido na investigação era “destinado a ele e a Panzeri”. Georgi insiste em dizer que a mulher não estava envolvida no esquema: “Farei o possível para que a minha companheira fique livre e possa cuidar da nossa filha de 22 meses”. O advogado da eurodeputada grega, Michalis Dimitrakopoulos, disse à comunicação social grega que “Giorgi é o único que pode fornecer respostas sobre a existência [de dinheiro] na casa do casal, Eva Kaili não sabia de nada”. A polícia belga encontrou 150 mil euros na casa de ambos e 600 mil numa mala transportada pelo pai de Kaili. Já a polícia de Milão encontrou mais 20 mil euros na casa de Giorgi em Abbiategrasso.

  Jose Pinto PaisOs sacos de 💸 eram do primo

 


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Publicado por Tovi às 08:00
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2022
Não tarda temos novamente "porrada" nesta região

...e os EUA e a União Europeia não estão inocentes nesta "trapalhada".

 

  Lusa / Sapo 10dez2022 às 08h04
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A primeira-ministra da Sérvia, Ana Brnabic, disse esta sexta-feira que os líderes do país estão perto de exigir o envio das suas tropas para o Kosovo, alegando que as vidas de minorias sérvias estão a ser ameaçadas. O regresso de tropas de Belgrado à antiga província servia pode aumentar dramaticamente as tensões naquela região dos Balcãs. Autoridades sérvias referem que a resolução da ONU que encerrou formalmente a repressão sangrenta do país contra a maioria dos separatistas albaneses do Kosovo, em 1999, permite que cerca de 1.000 soldados sérvios regressem ao Kosovo. A NATO bombardeou a Sérvia para acabar com a guerra e expulsar as suas tropas de Kosovo, que declarou independência em 2008. As forças de paz lideradas pela Aliança Atlântica, que trabalham no Kosovo desde a guerra, teriam que dar luz verde para as tropas sérvias poderem deslocar-se para lá, situação altamente improvável porque significaria, de facto, entregar a segurança das regiões do norte povoadas por sérvios do Kosovo às forças sérvias, noticiou a agência Associated Press (AP). Ana Brnabic acusou a missão da NATO no Kosovo (Kfor), com cerca de 4.000 unidades, de não proteger os sérvios do alegado assédio das forças do Kosovo, defendendo que 1.000 tropas sérvios deveriam regressar ao Kosovo. A chefe do governo sérvio acusou o primeiro-ministro de Kosovo, Albin Kurti, de levar a região “à beira” de outra guerra. ”Estamos perto de solicitar o regresso das nossas forças ao Kosovo sob a Resolução 1244, porque a KFOR não está a fazer o seu trabalho. Os sérvios não se sentem seguros e estão fisicamente em risco de vida, incluindo crianças nos jardins-de-infância”, frisou Brnabic. O Presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, reagiu a estas declarações sublinhando que “nenhum soldado ou polícia sérvio colocará os pés em solo do Kosovo novamente”. As tensões no Kosovo estão elevadas desde que o país proclamou a independência da Sérvia, apesar das tentativas de diplomacia por parte da União Europeia e das autoridades norte-americanas. A Sérvia, apoiada pelos aliados Rússia e China, recusou-se a reconhecer a condição de Estado ao Kosovo. A exigência do envio de tropas sérvias surge um dia depois de homens armados desconhecidos terem causado ferimentos leves a um policio no Kosovo. A presença da polícia kosovar aumentou recentemente em áreas dominadas pelos sérvios no norte de Kosovo, onde irão decorrer eleições antecipadas em 28 de dezembro. No início desta semana, alguns centros eleitorais foram danificados e foram ouvidos tiros nessas zonas, o que aumenta o receio de uma nova escalada das tensões. A decisão do governo do Kosovo de proibir matrículas de viaturas emitidas pela Sérvia levou deputados, procuradores e policias sérvios nos municípios do norte do Kosovo a abandonarem os seus cargos governamentais locais no início de novembro. No final de novembro, sob mediação da UE e com assistência direta dos EUA, Kosovo e Sérvia chegaram a um acordo em que a Sérvia pararia de emitir matrículas agora usadas no Kosovo e o governo de Kosovo interromperia outras ações para negar o novo registo de veículos. A União Europeia alertou a Sérvia e Kosovo que estes devem resolver as suas disputas e normalizar as relações para serem elegíveis para uma adesão ao organismo europeu.O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, destacou na altura que a missão liderada pela aliança no Kosovo “permanece vigilante”.

 


Paulo Teixeira
A sérvia coberta de razão
David Ribeiro...e os EUA e a União Europeia até parecem estar mortinhos por uma nova guerra na ex-Jugoslávia.
Paulo TeixeiraDavid Ribeiro até parece
Jorge VeigaQuem não está inocente é a Rússia, que quer continuar que esses países não tenham independência total, mas subserviência total para com ela. Se estiver quieta, ninguém invade esse país.



Publicado por Tovi às 07:43
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2022
Corrupção na União Europeia... alegadamente

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Oh pá!... A corrupção está em todo o lado... alegadamente, tudo alegadamente.

 

  Hélio Carvalho / NotíciasAoMinuto 12dez2022 às 10h20
Com o Mundial de Futebol no Qatar perto do fim, as autoridades belgas e italianas apanharam de surpresa a União Europeia e detiveram uma vice-presidente do Parlamento Europeu (PE), por suspeitas de corrupção envolvendo o regime que tem acolhido a competição debaixo de muitas críticas. Eva Kaili foi detida juntamente com outras seis pessoas, todas ligadas a um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro pelo Qatar, numa tentativa de lóbi do regime para melhorar a imagem do país junto das autoridades europeiasVários especialistas e órgãos de comunicação social têm vincado a natureza inédita do escândalo. O diretor da Transparência Internacional disse à France24 que este é "o caso mais flagrante de alegada corrupção que o Parlamento Europeu viu em muitos anos".
Mas, afinal, o que está em causa? E quem é Eva Kaili?
Na passada sexta-feira [9dez2022], começaram a surgir as primeiras notícias sobre as várias buscas domiciliárias e detenções feitas em Bruxelas e em Itália contra autoridades da União Europeia, avançados por meios de comunicação belgas, nomeadamente pelo jornal Le Soir e pela revista Knack. Na base das detenções e das buscas está uma investigação a um alegado caso de corrupção, organização criminosa e branqueamento de capitais pela justiça belga. As autoridades suspeitam que o Qatar pagou quantias avultadas a pessoas em posições políticas relevantes, de modo a influenciar decisões na União Europeia. No total, foram detidas seis pessoas. Além de Eva Kaili, foi detido também o seu companheiro, Francesco Giorgi, que é colaborador ligado ao Partido Socialista Europeu (PSE), grupo ao qual Eve Kaili pertence. Giorgi é também fundador da organização não-governamental Fight Impunity, que promove a "responsabilização como um pilar central da arquitetura da justiça internacional", segundo o site da organização. O presidente da Fight Impunity, Pier Antonio Panzeri, também do PSE, foi detido durante a manhã. Ao final do dia, a mulher e a filha foram também detidas pela polícia italiana. Segundo um mandado de captura citado pelo POLITICO, Panzeri foi acusado de "intervir politicamente com membros do Parlamento Europeu para o benefício do Qatar e de Marrocos". Depois foi a vez de Niccolò Figà-Talamanca, que foi detido durante a noite. Figà-Talamanca é o diretor de outra ONG, a No Peace Without Justice, que se foca em promover direitos humanos e democracia no Médio Oriente e Norte de África. A ONG tem a mesma morada que a Fight Impunity, apesar de estar oficialmente sediada em Nova Iorque e Roma. Vários membros da direção da No Peace Without Justice, incluindo o antigo primeiro-ministro francês Bernard Cazeneuve e o antigo comissário europeu para as migrações Dimitris Avramopoulos demitiram-se na sequência da detenção. No âmbito da investigação foi ainda detido Luca Visentini, que em novembro foi nomeado secretário-geral da Confederação Sindical Internacional. No domingo [11dez2022], quatro dos detidos foram formalmente acusados e colocados em prisão preventiva (incluindo Eva Kaili).
A prova de amor ao Qatar que deixou um sabor amargo na UE
A 21 de novembro, Eva Kaili subiu ao pódio do Parlamento Europeu para falar sobre os direitos laborais no Qatar. Enquanto o país estava a ser criticado por todo o mundo pela forma como tratou os trabalhadores durante as obras para o Mundial - nas quais, segundo uma investigação do The Guardian, terão morrido cerca de 6.500 trabalhadores - e pelas paupérrimas condições em que habitam os migrantes, além da opressão de pessoas LGBTQ+, Kaili deu um discurso que surpreendeu muitos. "O Qatar é a prova de como a diplomacia do desporto pode conseguir uma transformação histórica de um país com reformas que inspiram o mundo árabe. Eu própria digo que o Qatar é líder nos direitos laborais", afirmou a política grega. Kaili acrescentou ainda que "apesar dos desafios, que levam até as empresas europeias a negar-se a aplicar essas leis, eles [o Qatar] estão comprometidos com uma visão por opção e estão abertos ao mundo". As palavras de uma das 14 vice-presidentes do Parlamento Europeu deixou muitos chocados. Se é verdade que muitos políticos europeus desvalorizaram as violações de direitos humanos do Qatar em prol do Mundial de Futebol (nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa e Olaf Scholz, chanceler da Alemanha), poucos tomaram uma atitude tão congratulatória sobre o regime.
De estrela de TV, a vice-presidente, a demitida de todas as funções
Eva Kaili, de 44 anos, começou a sua carreira como uma glamorosa apresentadora de televisão na Grécia, tornando-se numa das figuras mais reconhecidas do país. Kaili foi eleita pela primeira vez em 2007 para o parlamento grego pelo PASOK, o partido social-democrata de esquerda centrista do país, e está desde 2014 no Parlamento Europeu. Em janeiro, foi eleita vice-presidente. A política grega é uma das representantes da União Europeia no Médio Oriente, e tem sido nessa categoria que tem elogiado muito o Qatar como um "pioneiro dos direitos humanos" na região. Enquanto o resto do Parlamento Europeu condenou as violações do país aos direitos humanos dos trabalhadores e de minorias, Kaili continuou a promover a imagem do regime que, este ano, acolhe o Mundial de Futebol. E, depois de Ursula von der Leyen e das principais autoridades europeias terem recusado convites para ir ao Qatar assistir às cerimónias do Mundial, Kaili foi de livre vontade, apresentando-se como uma embaixadora europeia. A investigação e a detenção acabaram por manchar a reputação de Eva Kaili. Logo após o caso surgir, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, destituiu a sua vice-presidente de todas as suas funções, incluindo a representação no Médio Oriente. O PSE suspendeu-a como eurodeputado e, na Grécia, o PASOK não esperou pelo final de sexta-feira [9dez2022] para suspendê-la também do partido. Segundo contou uma fonte da justiça belga à France-Presse, Eva Kaili foi detida com um "saco de ingressos" na noite de sexta-feira. Muitos eurodeputados estão, agora, a pedir que seja revogada a imunidade parlamentar de Eva Kaili para esta ser julgada pela justiça. Uma fonte da justiça belga disse à France-Presse que a imunidade parlamentar nem se aplica já que a vice-presidente foi detida "em flagrante delito".

 

  José Carlos Duarte / Observador 12dez2022 às 16h18
Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, disse, esta segunda-feira, que a instituição que chefia está “sob ataque”, assim como “a democracia europeia” e as “sociedade democráticas abertas”. Um juiz belga ordenou a detenção da vice-presidente Eva Kaili, deputada da bancada dos Socialistas Europeus (S&D), juntamente com outras três pessoas – incluindo o seu companheiro, o italiano Francesco Giorgi – pela suspeita de participação em organização criminosa, branqueamento de capital e corrupção. Em causa, estaria um lóbi ilegal do Qatar para influenciar decisões políticas do Parlamento Europeu. Em reação à detenção da vice-presidente da instituição comunitária, Eva Kalli, Roberta Metsola indicou, “sem exagero”, que “estes foram os dias mais longos” da sua carreira. “Devo escolher as minhas palavras cuidadosamente para não prejudicar as investigações e manter a presunção da inocência”, afirmou. Sentindo “fúria, raiva e dor” e estando “muito desapontada” pelo que aconteceu, Roberta Metsola referiu, no plenário do Parlamento Europeu, que existem “inimigos da democracia” a quem “a existência” do Parlamento Europeu incomoda. “Estes atores malignos instrumentalizaram indivíduos e membros para os seus planos malévolos”, denunciou a presidente, acrescentando, no entanto, que os seus “planos falharam”. A responsável comunitária sublinhou que o Parlamento está a trabalhar com as autoridades, para “garantir que todos os passos legais foram respeitados” e para responsabilizar a alegada “rede criminosa”. A detenção de Eva Kalli não foi, no entanto, o “fim da estrada”. “Vamos continuar a apoiar as investigações em conjunto com as instituições da UE.” Para além disso, Roberta Metsola pediu para que ninguém obtenha qualquer aproveitamento político do caso: “Não existem norte, sul, nem esquerda, nem direita”. “É uma ameaça para todos.” Este será um “teste aos valores” da União Europeia, que será “superado”. “Não haverá impunidade”, declarou Roberta Metsola, que se manifesta “orgulhosa” do papel das autoridades. A presidente também assegurou que “nada será varrido para debaixo do tapete”. “Não haverá mais business as usual.” Assim sendo, Roberta Metsola anunciou que será levado a cabo uma investigação interna para entender melhor as ligações entre países terceiros, as Organizações Não Governamentais e a União Europeia, aumentando-se a “transparência”. No entanto, a responsável comunitária diz que vai haver sempre quem considere que um “saco de dinheiro vale a pena o risco”: “O que é essencial é que estas pessoas entendam que serão apanhadas”. No final do discurso, Roberta Metsola salientou — tendo como destinatários os “atores malignos” — que a Europa “não está à venda”.

 

  Rui Pedro Antunes / Observador 12dez2022 às 19h04
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Publicado por Tovi às 08:19
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2022
Rússia lança nova vaga de ataques na Ucrânia

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As tropas russas lançaram, esta segunda-feira, uma outra vaga de ataques a várias regiões da Ucrânia, informaram as autoridades ucranianas.  Entre as regiões afetadas estão Zaporijia, Odessa, Cherkasi, Kharkiv, Dnipropetrovsk e Poltava. Os ataques, dizem ainda as Forças Armadas da Ucrânia, visam infraestruturas energéticas do país, acreditando que irão existir novos cortes de eletricidade, numa altura em que as temperaturas no país estão a descer.  Ainda hoje, a Ukrenergo, operadora estatal de eletricidade ucraniana, informou  que o país registou um novo corte geral no fornecimento de eletricidade no contexto de uma situação que "permanece complicada". 

 
   Sobre a imposição da UE de um teto ao preço do petróleo russo

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O Ministério das Relações Exteriores da China disse que Pequim continuará a sua cooperação energética com Moscovo com base no respeito e benefício mútuo, após o acordo da União Europeia em impor um teto de preço às exportações de petróleo da Rússia.  A China aumentou este ano as suas compras de blends de petróleo dos Urais da Rússia, que agora são negociadas com um grande desconto em relação ao Brent, a referência global.

 

  Embaixada da Ucrânia em Lisboa recebeu dois envelopes suspeitos
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A embaixada da Ucrânia em Lisboa recebeu hoje à tarde dois envelopes suspeitos, tendo chamado a PSP - que se deslocou ao local com meios da Unidade Especial de Polícia, disse à Lusa fonte policial. A embaixada da Ucrânia em Lisboa confirmou à Lusa que chamou a Polícia de Segurança Pública depois de ter identificado “correspondência suspeita”. Segundo a mesma fonte policial, o alerta foi dado cerca das 15h00 e pelas 17h00 estavam no local equipas da Unidade Especial de Polícia, nomeadamente do Centro de Inativação de Engenhos Explosivos e Segurança Subsolo, para despiste dos envelopes suspeitos. O trânsito na Avenida das Descobertas, onde se encontram várias embaixadas, está cortado e no local estão meios da PSP a garantir perímetro de segurança. As "características suspeitas" da correspondência, que o atual protocolo de segurança da embaixada determina que não podem ser aceites, tinham a ver com "o formato e o remetente", adiantou a fonte da Embaixada. "O pessoal viu imediatamente que [a correspondência] era suspeita, alertou a polícia e o carteiro acabou por ficar retido" nas instalações da missão diplomática, onde ainda se encontram ainda agentes policiais "em grande número", disse a mesma fonte.
Por volta das 18h30 a 
PSP informou não ter encontrado qualquer engenho explosivo nos envelopes suspeitos que chegaram à embaixada da Ucrânia em Lisboa.



Publicado por Tovi às 08:01
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2022
Como resolver a crise energética?...

jornalggn.com.br-crise-energetica-mais-uma-tragedi

Está a decorrer em Bruxelas uma nova cimeira da União Europeia sobre a crise energética... e está cá a parecer-me que ainda não será desta que se minimiza a alta dos preços da energia e se assegura o seu abastecimento.

 

  Querem gás?... Chamem o Erdogan  (JN de 19out2022)
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Jorge LiraIsto tem nome. Mas é feio.
David RibeiroJorge Lira, eu diria "uma puta velha"... no sentido "mulher acusada de práticas maléficas e submissão as forças do mal".
Adao Fernando Batista BastosUm habilidoso e oportunista sem credibilidade...
Da Mota Veiga SuzettePois.... e cinco vez mais caro!

 

  Expresso de 20out2022 às 13h46
66778282-47373601.jpgO primeiro-ministro português, António Costa, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente francês, Emmanuel Macron, chegaram a um acordo para o reforço das interligações energéticas entre a Península Ibérica e França, quer no gás natural, quer na eletricidade.

 

  CNN Portugal / Agência Lusa - 21lout2022 às 06h34
1024 (1).jpg“O Conselho Europeu chegou a um acordo” relativamente à situação energética, pois “concordou em trabalhar em medidas para conter os preços da energia para as famílias e empresas”, anunciou Charles Michel, numa publicação na conta oficial da rede social Twitter. “A unidade e a solidariedade prevalecem”, adiantou o presidente do Conselho Europeu. O anúncio para este trabalho futuro foi feito após várias horas de discussões entre os 27, que arrancaram ao início da tarde de quinta-feira, marcadas por posições divergentes em assuntos como limites temporários aos preços de referência no gás e regras de solidariedade no bloco comunitário para disponibilização de gás a todos os Estados-membros em caso de emergência. Os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeram que as medidas adotadas de combate à crise energética “serão visíveis em breve”, levando-a “muito a sério”.



Publicado por Tovi às 08:09
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2022
A União Europeia perante as últimas posições de Putin

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) estão a efetuar uma reunião extraordinária em Nova Iorque, pelas 20h15 locais de quarta-feira (01h15 de quinta-feira em Lisboa), para abordar os últimos acontecimentos em torno da guerra da Ucrânia e após o Presidente russo, Vladimir Putin, ter anunciado ontem a mobilização parcial de 300.000 reservistas e recordado a importância do arsenal nuclear do seu país como argumento face à contraofensiva ucraniana.

 

  Uma mensagem política forte
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A União Europeia vai manter a ajuda militar à Ucrânia e aumentar as sanções à Rússia, anunciou hoje o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, no final de uma reunião de emergência em Nova Iorque. João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios Estrangeiros português, após esta reunião de emergência com homólogos sobre discurso de Putin, afirmou: “A União Europeia não pode aceitar este tipo de atitude, continuará firme no seu apoio à Ucrânia e haverá agora, naturalmente, um reforço de sanções”.

 


Vale Dos Princípes
David Ribeiro E continua o rol de aumentos etc etc
David RibeiroNão há dúvida, Vale Dos Princípes... continuamos a malhar em ferro frio.



Publicado por Tovi às 01:15
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2022
E o inverno está à porta

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A Europa é o maior importador de gás natural do mundo. Em 2021, Rússia, Alemanha, Reino Unido, Itália e França consumiram três quartos das 10.073 terrawatt-hora (TWh) de energia a partir do gás. Vários países da União Europeia anunciaram medidas de emergência multibilionárias para combater o impacto do aumento dos preços da energia após a guerra da Rússia na Ucrânia. No domingo passado [4set2022], o chanceler alemão Olaf Scholz anunciou um plano de US$ 65 mil milhões para ajudar pessoas e empresas a lidar com a alta dos preços. A próxima primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, também planeja congelar as contas de energia domésticas no nível atual para este inverno e no próximo, pagas por empréstimos garantidos pelo governo a fornecedores de energia. Na Itália, o governo aprovou recentemente um pacote de ajuda de US$ 17 mil milhões para ajudar a proteger empresas e famílias da subida dos custos de energia e do aumento dos preços ao consumidor. O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a UE precisa intensificar os planos para produtos de energia renovável e reformar seu mercado de eletricidade. A Finlândia e a Suécia também anunciaram planos para oferecer milhares de milhões de dólares em garantias de liquidez para empresas de energia.

Em 2021, um terço da energia da Europa – usada para gerar eletricidade, transporte e aquecimento – veio da queima de gás.
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  Eu não quero ser um "Velho do Restelo" nesta crise do gás russo... mas a coisa está a ficar negra.
Gazprom acorda com a China pagamento de gás em yuans e rublos
Rússia diz que só volta a abrir o Nord Stream quando o Ocidente levantar as sanções
O pior ainda está para vir, avisa o CEO da Uniper, sobre o fim do gás russo na Europa
Preço do gás natural dispara 35% com corte de abastecimento da Rússia

 

  Carlos Miguel SousaÉ pena que só desta forma nós Europeus, tenhamos de admitir a importância da Rússia. Putin anda a alertar para isto há mais de uma década e para o facto de nunca permitir que a Ucrânia, caísse nas mãos dos EUA. O problema de Putin, não é com a Europa. Quem conhece a Doutrina Monroe, sabe a que me refiro. Notem que Putin, nunca se opôs à entrada da Ucrânia, na União Europeia, apenas na NATO. O que parece um pormenor, faz toda a diferença.

 

  Ana Cristina Leonardo no "Meditação na Pastelaria"
Ainda mal tinha começado a guerra e já a União Europeia anunciava em MARÇO a sua decisão de reduzir as importações de gás russo em DOIS TERÇOS até ao final de 2022.
Em MAIO, o meu mês por sinal, subia a parada e informava o mundo — a Rússia, incluída, naturalmente — que até 2030 cortaria COMPLETAMENTE todos os laços comerciais do sector energético com o antigo país dos Sovietes. O que, aliás, era muito bom, porque íamos ficar bestialmente verdes: "A nossa ambição subiu de nível", diria na altura a querida Ursula.
A 3 JUNHO, um pacote de sanções da UE à Rússia incluía um embargo parcial ao petróleo russo e estipulava a proibição de importação por via marítima a partir de 5 de DEZEMBRO. Já para 2023 seriam proibidas as importações de todos os produtos petrolíferos a partir de 5 de FEVEREIRO.
A 29 de JULHO, Josep Borrell, um amigo da Ursula tão ou mais inteligente do que ela, face às críticas que indicavam que a Rússia continuava a ganhar muito dinheiro no sector energético, ao contrário das previsões que tinham estado por trás da política de sanções, afirma: «Mais importante do que isso [cortar o gás] é cortar os laços da economia russa com o resto do mundo». E indo ainda mais longe, acrescentou: Vladimir Putin «terá de escolher entre ter armas e manteiga para o povo».
Faço aqui um parênteses para relembrar que o que não falta nos manicómios é gente que se julga o Napoleão (que por acaso chegou à Rússia e teve de voltar para trás).
Relembremos agora que ainda era FEVEREIRO, 19 e a Ursula jurava que não precisávamos do gás russo para nada, que ninguém ia passar frio no Inverno e a indústria europeia continuaria a bombar.
Etc. Etc. Etc. que não quero ser maçadora...
Entretanto, com a mesma convicção e o mesmo cabelo armado, a 1 de AGOSTO (antes ou depois de ir de férias para a praia, não posso precisar) a nossa timoneira veio dizer-nos que devemos estar preparados para o pior: «Como a Rússia já cortou total ou parcialmente o fornecimento de gás a 12 países membros [da UE], todos nos devemos preparar para a pior situação».
Sinto-me baralhada. Então, mas não era o que a UE queria e anunciou ao mundo (a Rússia incluída, naturalmente)? Deixar de importar, totalmente de preferência, e parcialmente de certeza, energia russa?!
Entretanto, a última ideia brilhante destes crânios que nos apascentam (ideia que vem de trás mas tinha sido posta de lado na altura...) é impor um tecto ao preço do gás russo.
Putin já comentou: «A Federação Russa cumprirá integralmente os contratos, mas não fornecerá petróleo, gás ou carvão em seu próprio prejuízo. Quem quer impor algo à Rússia no sector da energia não tem condições de impor nada. O tecto de preços é uma decisão absolutamente estúpida.»
Mais turbina, mais turbina (o que como se sabe faz diferença), é deprimente ter de reconhecer que a inteligência não está do nosso lado.



Publicado por Tovi às 07:50
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2022
A minha mulher já está a fazer a lista

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  A Ursula von der Leyen vai-nos oferecer todos os eletrodomésticos novos para substituir os velhos, não vai?

 


José Carlos Ferraz Alves
Vamos ficar todos melhor! Como a Serra da Estrela.
Jose Luis Soares MoreiraEles/as não sabem o quanto custa viver, são parasitas da nossa sociedade dominando os cordeiros sofredores que lhes pagam o que lhes cai na gamela para esbanjarem à farta.
Jorge Felicioestá tudo xoné... melhor poupar energia
Luís Império
Então e a energia consumida para fabricar esses novos e para os transportar para a Europa (normalmente são fabricados na Asia), e a gasta para reciclar os velhos? A soma total compensa a troca?
Bernardo Sá Nogueira Mergulhão
Electromésticos era o Valentim Loureiro....agora é melhor trabalhar para os conseguir comprar lol
Maria Rodrigues
É por essas e por outras que a UE, está como está, entregue à bicharada.
Paulo Santos
Enquanto a indústria alemã produz os tais eletrodomésticos novos, mas eficazes do ponto de vista energético com a energia que os outros vão poupar quando tiverem os novos eletrodomésticos.



Publicado por Tovi às 07:50
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Terça-feira, 26 de Julho de 2022
Quando há fome reduz-se à ração

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Os ministros da Energia da União Europeia (UE) chegaram esta terça-feira a um acordo político sobre a meta para reduzir 15% do consumo de gás até à primavera, pelo receio de rutura no fornecimento russo, num “consenso esmagador” após novas exceções. Da iniciativa fazem agora parte “algumas isenções e possibilidades de solicitar uma derrogação ao objetivo obrigatório de redução, a fim de refletir as situações particulares dos Estados-membros e assegurar que as reduções de gás sejam eficazes para aumentar a segurança do aprovisionamento na UE”. Portugal e Espanha não deverão ter de cumprir mais de 8% de poupança de gás. À entrada para a reunião, o ministro Duarte Cordeiro congratulou-se por a mais recente proposta de regulamento, considerando já dar resposta “a algumas das questões levantadas por Portugal e outros países”.

 


Captura de ecrã 2022-07-26 211115.jpgA Hungria rejeitou a proposta da União Europeia de reduzir o consumo de gás por ser “injustificada”, depois de os ministros de energia do bloco terem aprovado o plano no dia de hoje [terça-feira 26jul2022], em face dos temores de medidas russas para cortar o fornecimento. A gigante de energia russa Gazprom disse que os fluxos de gás para a Europa através do gasoduto Nord Stream 1 serão reduzidos para 20 por cento a partir de quarta-feira devido a problemas de manutenção, uma medida que o chefe de energia da União Europeia chamou de "motivada politicamente". 

 


Captura de ecrã 2022-07-26 212528.jpgPor que o Nord Stream 1 é importante? 
O Nord Stream 1, que é de propriedade maioritária da Gazprom, é o maior gasoduto que traz suprimentos cruciais de gás natural russo para a Europa via Alemanha. A UE depende fortemente do gás russo. No ano passado, a Rússia forneceu cerca de 40% do gás natural da UE. Este valor caiu significativamente este ano, sobrecarregando as indústrias intensivas em energia e elevando os preços das commodities. O trabalho de manutenção passou despercebido no passado, mas o oleoduto agora se tornou uma moeda de troca, já que a Rússia e o Ocidente trocam golpes económicos em resposta à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, lançada em fevereiro. 



Publicado por Tovi às 13:45
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2022
Rússia e Ucrânia assinam acordo sobre cereais

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A Ucrânia e a Rússia vão assinar hoje um acordo para permitir a exportação de cereais através do Mar Negro. A cerimónia de assinatura deste acordo do envio de cereais, na qual estarão presentes o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o secretário-geral da ONU, António Guterres, terá lugar às 13h30 locais (14h30 em Portugal), no Palácio Dolmabahçe, em Istambul, com a participação da Ucrânia e Rússia. Este acordo visa trazer pelo Mar Negro cerca de 20 milhões de toneladas de cereais que se encontram bloqueados em silos ucranianos, por causa da ofensiva russa na Ucrânia, que teve início em 24 de fevereiro. O acordo também deve facilitar as exportações russas de cereais e fertilizantes, afetadas pelas sanções ocidentais que afetam a logística e as cadeias financeiras russas.

 

  Bom trabalho do presidente turco Erdogan e do secretário-geral da ONU, António Guterres. As Nações Unidas e a Turquia trabalham há dois meses para intermediar o que Guterres chamou de um “pacote” – para retomar as exportações de cereais da Ucrânia no Mar Negro e facilitar os embarques russos de cereais e fertilizantes.

  Zelensky, no briefing diário na noite de quinta-feira, afirmou: “E amanhã também esperamos notícias da Turquia, sobre o desbloqueio de nossos portos”. 

 

  Alguns dos pontos conhecidos do acordo assinado esta tarde entre a Ucrânia e a Rússia, para permitir a exportação de cereais bloqueados nos portos do Mar Negro
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O acordo prevê um centro de coordenação e controlo em Istambul, dirigido por todas as partes envolvidas: um ucraniano, um russo, um turco e um representante das Nações Unidas. Os delegados vão gerir a rotatividade de navios no Mar Negro. Pode demorar quatro semanas até o centro estar operacional.
Moscovo exige inspeções aos navios à partida e chegada na Turquia para garantir que não levam armamento. Há um compromisso em manter corredores marítimos sem atividade militar, e qualquer desminagem fica a cargo de um “país terceiro” por especificar.
O acordo dura quatro meses mas é renovável. E tem uma contrapartida: um memorando de entendimento em como as sanções contra Moscovo não vão afetar direta ou indiretamente cereais e fertilizantes.

 
Rodrigues Pereira - Estou a pensar que é uma enorme honra ver o nosso compatriota António Guterres a firmar um acordo entre a Rússia e a Ucrânia, co-negociado pela ONU e a Turquia, e que pode constituir o primeiro passo sério para o fim da guerra!
David Ribeiro - Sem dúvida... até porque, como sempre defendi, o DIÁLOGO é a melhor forma de se tentar resolver um conflito.
Paulo PereiraUm primeiro passo para um cessar fogo, acho.

 


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António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou que "este é um acordo para o mundo" e que, a partir desta sexta-feira, "existe um farol no mar negro: um farol de esperança, de possibilidade e de alívio".
Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Turquia, país onde se assinou o acordo que irá permitir a exportação de cereais ucranianos, bloqueados nos portos do Mar Negro devido à guerra, acredita que "este acordo é um passo a caminho da paz".

 


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O oligarca russo Roman Abramovich, que também tem nacionalidade portuguesa, foi visto participando da cerimónia de assinatura do acordo de cereais em Istambul. Não ficou claro a que título o ex-proprietário do Chelsea Football Club estava a participar no evento. Kiev e Moscovo tinham indicado anteriormente que Abramovich estava operando como intermediário entre os dois lados no início da guerra.

 


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A União Europeia saúda este acordo... mas não lhe tinha ficado mal se já tivesse "lutado" por ele há mais tempo.
  Francisco Seixas da Costa
Hoje, foi um dia estranho para a União Europeia. Desde há muitos anos, fomos habituados a ver surgir a União Europeia em quase todos os cenários que, direta ou indiretamente, se ligassem aos seus interesses geopolíticos. Como “honest broker” ou como “soft power”, os enviados de Bruxelas tinham sempre uma espécie de lugar cativo nos cenários de crise ou de tentativa de resolução de conflitos. Da União esperava-se sempre apoio, intermediação e uma atuação que, sem descurar interesses, carreasse o seu peso político: com afirmação de princípios, com clareza de posições, mas sempre com sentido de compromisso e, em especial, com uma linguagem serena e sem histerismos jingoístas. Hoje, em Istambul, naquela que é uma tentativa de entendimento, pontual mas muito relevante, entre dois Estados da sua vizinhança, em aberto conflito armado, a União Europeia não teve lugar na sala. Nem como simples observador. Vale a pena perguntar porquê, embora todos saibamos a resposta.

 


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As reações já se fazem sentir... e ainda não saiu pelo Mar Negro nenhum carregamento de cereais.



Publicado por Tovi às 07:47
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
Já soam os tambores de guerra na Europa

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Estão reunidos em Madrid os líderes da NATO, a maior aliança de defesa do mundo. A reunião de alto risco de 28 a 30 de junho ocorre num momento de maior tensão global, com origem na invasão russa da Ucrânia. 

 

  Artigo de Priyanka Shankar publicado na Al Jazeera em 27jun2022 
Cinco coisas que devemos saber sobre as prioridades de defesa e segurança dos países, não apenas do Ocidente, mas também de todo o mundo.
1. O que está acontecendo e por que é importante - Na reunião do ano passado em Bruxelas, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, destacou que o relacionamento da aliança com a Rússia estava no seu “ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria”. (...) 
2. Esperava-se que a adesão à NATO da Suécia e da Finlândia fosse rápida. Isto ainda se mantém? - A cereja no topo do bolo da reunião deste ano será a candidatura da Finlândia e da Suécia à NATO. (...) 
3. A Ucrânia algum dia se juntará à NATO? - O Kremlin há muito critica o alargamento da NATO na Europa Oriental. (...) 
4. Reforço das despesas de defesa - Um dos maiores debates entre os aliados da NATO é quanto cada país gasta em defesa. (...) 
5. China na agenda? - Na reunião da NATO no ano passado, Stoltenberg destacou que “a China estava a aproximar-se da aliança” e disse que era importante para a NATO desenvolver uma posição clara e unida em relação a Pequim. (...) 

 

  Ao fim da tarde de ontem [28jun2022] soubemos que a Turquia assinou memorando de entendimento para a adesão de Suécia e Finlândia à NATO.
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A situação no Leste da Europa vai sofre inevitavelmente alterações político-militares com a adesão à NATO destes dois países nórdicos. Os próximos dias vão ser muito importantes para o rufar dos tambores de guerra. E já agora: Quer se goste quer não se goste a verdade é que Erdogan é um grande político e mais uma vez lá levou a água ao seu moinho.

 

  Ucrânia pode já não recuperar todo o seu território - CNN 28jun2022
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As autoridades na Casa Branca começam a perder a confiança de que a Ucrânia será capaz de recuperar todo o território que perdeu para a Rússia nos últimos quatro meses de guerra, mesmo com o armamento mais pesado e sofisticado que os EUA e os seus aliados pretendem enviar. Conselheiros do presidente Joe Biden começaram a debater internamente como e se o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria mudar a sua definição de “vitória” ucraniana - adaptando-se à possibilidade de o seu país ter encolhido de forma irreversível.

 

  Ao 126.º dia do conflito é assim que estamos
Ucrânia quem controla o quê 29jun2022 dia 126.jp
Um ataque com mísseis russos matou três pessoas e feriu cinco na cidade portuária de Mykolaiv na manhã de quarta-feira, disseram autoridades locais, um dia depois dos ataques que mataram três pessoas, incluindo uma menina de seis anos, nas proximidades de Ochakiv. 
Existe uma possibilidade real de que o míssil russo que atingiu um shopping-center lotado em Kremenchuk e matou pelo menos 18 pessoas, tenha sido destinado a um alvo próximo, disse o Ministério da Defesa britânico. 
Autoridades pró-russas na região ocupada de Kherson, na Ucrânia, disseram que as suas forças de segurança prenderam o prefeito da cidade, Ihor Kolykhayev, na terça-feira, depois de ele se ter recusado a seguir as ordens de Moscovo, enquanto uma autoridade local de Kherson disse que o prefeito foi sequestrado. 
Um referendo para a região de Donetsk, maioritariamente ocupada, a ser absorvida pela Rússia será realizado em 11 de setembro, disse o assessor do prefeito de Mariupol. 

 

  
António-Costa-2.jpgNa chegada à Cimeira da NATO, que se realiza em Madrid, o primeiro-ministro António Costa frisou a importância de “construir a paz e garantir uma paz duradoura nesta região euro atlântica, em especial na Europa”. Aos jornalistas e quando questionado sobre o reforço das forças de elevada prontidão anunciado por Jens Stoltenberg - que passarão de 40 mil para 300 mil - António Costa não se alongou com datas nem números concretos sobre o papel de Portugal, mas defendeu que o país irá participar “da forma adequada”“Temos incrementado a nossa participação nas forças especiais, nomeadamente na NATO. Participaremos da forma adequada àquilo que são as nossas circunstâncias”, disse. O primeiro-ministro admitiu que Portugal não pode “objetivamente comprometer” com uma data para atingir a meta de 2% do PIB destinados à Defesa, sublinhando que o país só assume “compromissos que pode cumprir”. "Nós assumimos compromissos que sabemos que podemos cumprir. (...) De uma forma séria, não podemos objetivamente comprometer-nos com uma data [para atingir os 2% do PIB destinados à Defesa], atenta a situação de incerteza que a economia global está a viver, com um enorme crescimento da inflação, com uma pressão sobre as taxas de juros, e a grande determinação que temos de uma forte redução da nossa dívida pública", justificou António Costa.

 

  Forças da NATO no leste europeu
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  NATO - Novo Conceito de Estratégia (em pdf) 
Captura de ecrã 2022-06-29 171542.jpgA NATO aprovou esta quarta-feira o novo conceito de estratégia para a próxima década. Um viragem naquilo que tem vindo a ser feito, e que confirma muitas novidades, grande parte delas impulsionadas pela invasão russa da Ucrânia. Num clima constante de tensão desde 24 de fevereiro, os 30 países-membros decidiram redefinir a relação que têm com a Rússia, que passa de um "parceiro estratégico" à "mais significativa e direta ameaça aos aliados", esquecendo todo um caminho que tinha sido iniciado em Lisboa, em 2010, e com o qual a Rússia decidiu romper este ano. Nesse ano, abriu-se caminho para uma aproximação entre NATO e Rússia, sendo que o presidente da altura, Dmitry Medvedev, chegou mesmo a participar no evento que decorreu na capital portuguesa. 




Sexta-feira, 24 de Junho de 2022
Adesão da Ucrânia e riscos para Portugal

A opinião de António Martins da Cruz (*)... no DN de 22jun2022.

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1. Dez países bateram à porta da União Europeia. A Turquia, em 1959, seis países dos Balcãs, e há 4 meses Ucrânia, Moldávia e Geórgia. Dado o conflito, as atenções concentraram-se na Ucrânia. Era politicamente inevitável: invadida por forças russas, ao arrepio da Carta da ONU, violando o Direito Internacional.
A cromática Sra. Leyen anunciou o parecer favorável da Comissão ao estatuto de candidato à Ucrânia (e à Moldávia). Com uma engenhosa redação o aviso não foge ao incumprimento dos critérios de Copenhaga e de Madrid. O Parlamento Europeu, sensor de opiniões públicas e diluído nas bolhas dos grupos europeus, já se pronunciara com entusiasmo.

2. Falta o mais difícil. Obtido o consenso político da cimeira, abre-se o complexo e demorado processo de adesão. Onde não há o "fast track "ambicionado por Kiev e pelo leste. Portugal esperou 8 anos e 9 meses. Como diretor da Integração Europeia no MNE na última fase das negociações e na adesão, partilhei as dificuldades que enfrentámos com Bruxelas e Madrid.
As negociações divididas em 33 capítulos serão conduzidas pela Comissão. Para os abrir e fechar é necessária autorização de cada um dos 27. E aprovação do resultado final. Os estados-membros têm assim 67 hipóteses de bloqueio ou atraso das negociações.
Depois de assinada, a adesão deve ser ratificada pelos 27 Parlamentos Nacionais. Nalguns casos, precedida por referendos. Cada um destes passos tem tempos diferentes. Consoante vontades ou impulsos políticos, pressão de eleitores, alteração das circunstâncias. O Acordo de Associação UE-Ucrânia de 2014 provocou um referendo consultivo nos Países Baixos em 2016. Por 61 por cento os holandeses foram contra.

3. Pela primeira vez um país em guerra é candidato à adesão. Mas há outros, o que obrigará a UE a dar respostas simultâneas a alguns desses pedidos. Retirando prioridade ao desejo da Ucrânia nas diversas fases do processo.
O atual conflito terminará provavelmente antes da adesão efetiva. Mas ignoramos qual será então a situação da Ucrânia: que estatuto internacional, que fronteiras, que territórios ocupados, que governo, que reformas exigidas foram possíveis durante a guerra.
Nos acordos de paz ficarão definidos os contornos da Ucrânia, as suas relações de vizinhança, incluindo com a Rússia. O resultado poderá influenciar resultados eleitorais e a evolução política ucraniana. O ritmo das negociações será tributário dessas condicionantes.

4. As perspetivas do leste europeu e as dificuldades do processo não devem sobrepor-se aos riscos que a adesão da Ucrânia pode representar para Portugal.
Um dos critérios da adesão é a capacidade de a UE assimilar novos membros. 41,5 milhões de habitantes e um PIB per capita de 28,9% da média comunitária tornam Kiev o principal beneficiário dos fundos comunitários: nas ajudas pré-adesão, por definir; na reconstrução após o conflito, estimada há um mês em 600 mil milhões de euros, mas que poderá ser o dobro; nos fundos estruturais estimados em 85 a 100 mil milhões nos primeiros 6-7 anos atendendo aos precedentes. A acrescentar aos 9 mil milhões já prometidos.
Tudo isto, com outras adesões, implicará a diminuição das verbas para Portugal e a exclusão de diversas regiões de alguns fundos. E o aumento dos recursos próprios, das contribuições dos Estados para o orçamento de Bruxelas. Exigências da convergência económica.

5. Terá de ser decidida nova distribuição de votos no Conselho. Benéfica para países com grande população. E redistribuir lugares no Parlamento Europeu, também em função da demografia. Num e noutro caso, Portugal será prejudicado, como sucedeu em anteriores alargamentos.
A entrada da Ucrânia e outros candidatos do leste europeu poderá afetar o eixo Paris-Berlim, mas sobretudo irá deslocar o centro de decisões para leste e afetar capacidades de intervenção do sul da Europa. Esta focalização irá prejudicar interesses portugueses, abrangidos nos atuais equilíbrios que nos têm sido favoráveis.

6. As negociações de adesão irão trazer outros game changers: liberdade de circulação que pode ser limitada no início atendendo aos refugiados (Portugal teve um período transitório de 7 anos imposto pelo Luxemburgo); Política Agrícola Comum, dada a produção ucraniana a reação francesa poderá atrasar a reforma da PAC e o acordo com o Mercosul, importante para o Brasil; a transição energética, a digitalização e outras dinâmicas europeias irão sofrer atrasos e menos financiamentos pelo atraso dos candidatos.
País em guerra, e que ao aderir poderá ficar numa situação idêntica a Chipre (que aderiu na sua totalidade, mas na prática só uma parte está na UE), a Ucrânia irá beneficiar do artigo 42.7 do Tratado. Ou seja, se o conflito se reacender, Portugal terá de prestar "auxílio e assistência por todos os meios ao seu alcance". Obrigação a somar ao artigo 5.º da NATO.
Finalmente, também em política externa, no horizonte de uma UE com 35 membros em 2030, dominada pelo leste, reforçar-se-á a tendência para acabar com a regra da unanimidade. Somos um país com uma política externa universal, que nenhum Estado do centro e leste europeu tem. A alteração será contra os interesses portugueses no mundo. Além de retirar eficácia e credibilidade a uma política externa europeia.

7. No Conselho Europeu de 23 e 24 de junho irá ser concedido à Ucrânia o estatuto de país candidato. Menos de 4 meses depois de solicitar a adesão. Portugal esperou quase dois anos. Seguir-se-ão tempos difíceis. O consenso desta decisão sobre a candidatura, a par da construção da Europa num quadro geopolítico diferente, não podem afetar a defesa do interesse nacional. Que é o objetivo prioritário da política externa, antes de outros valores ou princípios. Por isso o primeiro-ministro teve uma leitura correta desses interesses quando alertou para as dificuldades desta adesão. Bem como o secretário de Estado dos Assuntos Europeus nas raras intervenções que tem tido.
A política externa, onde está a política europeia, não tem estados de alma.

(*) Embaixador, Antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros



Publicado por Tovi às 07:33
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2022
Não se entendem... mas não é culpa da língua que falam

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Tinha uma dúvida... e como quando não sei vou perguntar a quem sabe, lá fui “incomodar” um jovem meu Amigo:
  Pergunta: Olá João Pedro... Ajuda-me numa coisa que tenho a certeza saberás muito mais do que eu. A língua ucraniana e a russa poderão considerar-se "línguas irmãs", assim como o português está para o espanhol?
  Resposta: Olá, David. Ajudo com muito gosto! Sim, certamente, o russo e o ucraniano são línguas extremamente próximas. Ambas fazem parte do subgrupo de línguas eslavas orientais. Ambas são, além disso, línguas indo-europeias tal como a nossa, o que faz delas línguas com mais afinidades com as línguas ibéricas (espanhol, português, etc.) que com as línguas fino-úgricas (finlandês, estónio e húngaro). Podemos acrescentar que em geral é mais fácil para os ucranianos entenderem russo sem tradução do que o contrário.
 
 

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O presidente Joe Biden informou hoje [30mai2022] que os Estados Unidos não fornecerão à Ucrânia sistemas de mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos na Rússia. Este anúncio vem no seguimento de Moscovo ter alertado que qualquer fornecimento de armamento de longo alcance marcaria uma "escalada inaceitável".
 
 

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Na tarde de hoje [30mai2022] a União Europeia vai tentar chegar a um acordo sobre um novo pacote de sanções contra a Rússia, incluindo a imposição de restrições às importações de petróleo russo. "Precisamos de decidir por unanimidade. Houve negociações duras ontem à tarde, assim como esta manhã. Acho que esta tarde poderemos oferecer aos chefes dos Estados membros um acordo", disse Josep Borell, o principal diplomata da UE. A proposta em discussão entre os países da UE na noite de domingo proibiria o petróleo russo entregue à UE por mar até o final do ano, mas isentaria o petróleo entregue pelo oleoduto russo Druzhba, que abastece a Hungria, a Eslováquia e a República Tcheca.
  15h06 TMG - 30mai2022 - O primeiro-ministro da Hungria garante que, neste momento, “não há nenhum acordo” para o sexto pacote de sanções à Rússia, incluindo para o embargo ao petróleo russo. “Acabei de receber o texto agora e não há acordo. O problema é que estamos numa situação difícil”, afirmou Viktor Orbán, que reiterou, à chegada da cimeira dos líderes em Bruxelas, que não existem condições para um acordo. A Hungria tem sido a principal resistente à implementação de um embargo à energia da Rússia.
  23h41 TMG - 30mai2022União Europeia chega a acordo para cortar quase 90% da importação de petróleo russo até ao final do ano. Trata-se de um embargo parcial uma vez que só é aplicado ao petróleo fornecido por via marítima. Acordo foi alcançado durante a cimeira extraordinária da União Europeia em Bruxelas.


Publicado por Tovi às 07:27
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2022
Receitas de petróleo da Rússia disparam 50% este ano

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As receitas de petróleo da Rússia dispararam 50% este ano, isto apesar das sanções aprovadas pelos Estados Unidos da América e pelo Reino Unido. Apesar da sua vontade de reduzir a dependência do petróleo russo, a União Europeia manteve-se como o principal mercado das exportações russas em abril, pesando 43% no total. Moscovo ganhou 20 mil milhões de dólares por mês este ano com a venda de crude e de produtos refinados, a um ritmo de oito milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), citadas pela “Bloomberg”.

 

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Dias depois de ter proposto um embargo a todo o tipo de petróleo russo, na sequência da invasão militar da Ucrânia, a União Europeia aponta que “o investimento total necessário para garantir a segurança do aprovisionamento de petróleo deverá ascender a entre 1,5 e dois mil milhões de euros”. Bruxelas admite que “a dependência dos combustíveis fósseis russos estende-se também ao petróleo bruto e aos produtos petrolíferos”, mas “enquanto na maioria dos casos o mercado mundial permite uma substituição rápida e eficaz, alguns Estados-membros dependem mais do petróleo russo”. 

 

 

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As negociações entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) para a implementação de um novo pacote de sanções contra a Rússia estão num impasse, com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, a admitir dificuldades em garantir o apoio da Hungria à proposta de embargo do petróleo russo. O sexto pacote de sanções proposto pela Comissão Europeia há duas semanas prevê a eliminação total e gradual da importação do petróleo russo até ao final do ano, tendo em vista a redução da dependência energética europeia em relação a Moscovo. Mas a Hungria tem vindo a manifestar-se contra esta medida, mesmo com a possibilidade de um ano suplementar de transição para o país - e para a Eslováquia, ambos países que não têm acesso ao mar, podendo apenas receber petróleo através de oleodutos e da Rússia, o que, alegam, põe em causa a segurança energética dos seus países. Face a esta intransigência de Budapeste, a Comissão Europeia estará a negociar com o governo de Viktor Órban um programa de investimento comunitário para ajudar a reduzir a dependência energética do país em relação à Rússia. Bruxelas espera, desta forma, conseguir ultrapassar o veto húngaro à proposta de embargo ao petróleo russo “nos próximos dias”, abrindo assim caminho para a aprovação do sexto pacote de sanções contra Moscovo.

 

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A Gasum, empresa de energia estatal finlandesa, informou hoje que a Rússia cortará os fluxos de gás natural para a Finlândia no dia de amanhã, sábado 21mai2022. No entanto a Gasum continuará a fornecer gás natural aos clientes finlandeses através do gasoduto Balticconnector que liga a Finlândia à Estónia.

 

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A China está a aumentar discretamente as compras de petróleo da Rússia a preços de saldos, de acordo com dados de embarque e comerciantes de petróleo citados pela “Reuters”, preenchendo o vazio deixado pelos compradores ocidentais que se afastaram dos negócios com a Rússia desde a invasão da Ucrânia em fevereiro. A China, que é o maior importador de petróleo do mundo, decidiu apostar na energia vinda de Moscovo um mês depois de inicialmente reduzir os abastecimentos russos, por receios de parecer apoiar abertamente a Rússia  e potencialmente expor as suas gigantes petrolíferas estatais a sanções. As importações marítimas de petróleo russo da China aumentaram para um valor recorde de 1,1 milhões de barris por dia (bpd) em maio, acima dos 750 mil bpd no primeiro trimestre e 800 mil bpd em 2021, de acordo com uma estimativa da Vortexa Analytics.



Publicado por Tovi às 07:43
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