"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Quarta-feira, 22 de Junho de 2022
O imbróglio das sanções ao trânsito para Kaliningrado

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A aplicação de sanções por parte da Lituânia, impedindo o tráfego ferroviário que abastecia o enclave russo de Kaliningrado (incluindo materiais de construção, metais e carvão), pode contribuir para o aumento das hostilidades, que de momento se ficam pelo leste e sul da Ucrânia. Antes que os planos de expansão territorial de Vladimir Putin cheguem a este exclave russo entre a Polónia e a Lituânia, é a altura, mais do que nunca, da diplomacia funcionar. Ou será que a NATO está à espera de um pretexto para declarar guerra à Rússia? Cá para mim e fazendo fé unicamente no que me é dado saber até este momento, este território não é suficientemente relevante para que Washington queira arriscar um conflito direto (ou mesmo nuclear) com Moscovo, pelo que acabará por não interferir.

Contextualizando: Portugal mantém 146 fuzileiros na Lituânia integrados numa força da NATO para garantir segurança às populações face a uma potencial agressão.

O Ministério das Relações Exteriores em Moscovo já disse que "a Rússia se reserva o direito de tomar medidas para proteger seus interesses nacionais". Seja lá o que exatamente isto significa, não é seguramente coisa boa. Esperemos para ver quais serão as ações e quando.

 


Raul Vaz Osorio
Só para eu perceber: se Putin rouba e bloqueia os cereais ucranianos, tornando uma boa parte do mundo refém de uma possível fome, é a resposta natural às malévolas sanções ocidentais. Se a Lituânia faz uma pequena fracção disso, para lembrar à Rússia que quase todos os jogos se podem jogar com reciprocidade, é uma intolerável provocação e uma horrorosa humilhação ao regime de Putin. É isso? Porque passei o dia a ler e ouvir esta tese.
David RibeiroMas não é essa tesa que aqui se advoga, Raul Vaz Osorio. O que se pretende, ou melhor, o que eu gostaria que acontecesse, é que o mais rápido possível se encontre uma forma de se parar com as agressões às populações e se caminhe para uma paz na região. Se vai haver vencedores e vencidos?... Claro que vai haver e quanto mais tarde a paz for encontrada mais forte será o vencedor e mais fraco será o vencido. A história isto nos ensina.
Raul Vaz Osorio
David Ribeiro toda a gente sã de mente quer que a guerra acabe. Mas a questão é como acaba e o que acontece depois. Qualquer solução que legitime a agressão, irá com toda a probabilidade gerar novas agressões no futuro. E a verdade é que o tempo joga a favor da Ucrânia. Apesar de toda a retórica, a Russia está a esticar a sua capacidade, tanto económica como militar, a limites que não vai poder manter por muito mais tempo.
David Ribeiro
Pois é nisso que não estamos de acordo, caríssimo Raul Vaz Osorio... O "esticar da corda" poderá partir para qualquer uma das partes, mas dificilmente será a favor da Ucrânia, infelizmente.
Raul Vaz OsorioDavid Ribeiro não é propriamente uma questão de opiniao. Jâ perderam 10% dos homens que colocaram no terreno, isto 4 meses. Perderam 1/5 dos carros de combate e 1/3 dos tanques que a Rússia possui, gastaram 2 terços da reserva de mísseis e é cada vez mais difícil esconder da sua sociedade jais de 30.000 soldados mortos o que é aproximadamente metade do numero de americanos mortos no Vietnam em 20 ANOS. É claramente um esforço insustentável por muito tempo. E isto para conquistar cidades que só conseguem tomar destruindo-as quase por completo. É uma total insanidade que mesmo uma ditadura como a russa terá extrema dificuldade em manter.
David RibeiroRaul Vaz Osorio... E mesmo partindo do princípio que esses números são minimamente verdadeiros (números nas guerras é como as histórias dos caçadores ao fim do dia) ainda pensa que a Ucrânia conseguirá aguentar a coisa por muito mais tempo?
Raul Vaz OsorioDavid Ribeiro a Ucrânia não tem alternativa e à medida que começa a chegar material militar pesado e de longo alcance, vai poder virar novamente a maré. A Rússia dificilmente vai poder fazer à Ucrânia pior do que fez até agora. Como disse ontem a Ursula, Putin já perdeu esta guerra.
David RibeiroAdorava que as suas afirmações, Raul Vaz Osorio, estivessem perto da realidade, mas tenho sérias dúvidas. O facto de ter feito três guerras - uma na retaguarda, dando instrução a jovens futuros combatentes, uma outra para fazer cair uma ditadura de meio século, e ainda uma outra como “mercenário” na logística de abastecimentos em Luanda - fazem-me ver tudo duma forma não belicista e procurando sempre a PAZ.
Raul Vaz OsorioDavid Ribeiro está, em minha opinião, a confundir belicismo com análise objectiva.
David RibeiroRaul Vaz Osorio ...estarei, mas tenho muita dificuldade em entender quem prefira uma guerra do que um esforço diplomático, mesmo com perdas que poderão ser desfavoráveis para um Povo, que dos dirigentes políticos não tenho pena nenhuma, sejam eles quem forem.
Raul Vaz Osorio
David Ribeiro sim, Neville Chamberlain também tinha. Depois percebeu, mas já era tarde. E lá voltamos ao mesmo 😁
David RibeiroJá agora e ainda sobre este tema, vejam o que diz a Al Jazeera (a tradução é minha e provavelmente não isenta de erros): O embaixador da União Europeia na Rússia diz que o bloqueio da região russa de Kaliningrado está fora de questão, já que o trânsito de mercadorias não sancionadas continua. Markus Ederer foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia depois da Lituânia ter fechado um corredor ferroviário da Rússia para o seu enclave de bens básicos, incluindo materiais de construção, metais e carvão, em resposta às novas sanções da UE que entraram em vigor no sábado. Ederer disse após uma reunião no ministério que pediu à Rússia que resolvesse a questão por meios diplomáticos. E continuando a citar o que vem sido noticiado pela Al Jazeera (uma da mais independentes mídia a cobrir o que se está a passar no leste da Europa): Um aliado próximo do presidente Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, chegou ao enclave russo de Kaliningrado para discutir a segurança nacional. A viagem ocorre durante uma disputa entre a Rússia e a Lituânia, membro da NATO, que interrompeu o trânsito de mercadorias sancionadas pela União Europeia para o território russo. Patrushev, o poderoso secretário do Conselho de Segurança da Rússia, presidirá uma reunião sobre segurança no noroeste da Rússia em Kaliningrado. A viagem - que incluiu uma discussão sobre transporte - foi planejada antes de Vilnius proibir o trânsito de mercadorias sancionadas pela UE através do território lituano de e para o exclave, citando as regras de sanção da UE.



Publicado por Tovi às 07:57
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Sexta-feira, 25 de Março de 2022
NATO, União Europeia e G7 reuniram-se em Bruxelas

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  Diplomacia em acção no dia de ontem

  • NATO emitiu um comunicado em que assumiu estar“preocupada” com a entrada da China no conflito que opõe a Rússia à Ucrânia. “Pedimos a todos os Estados, incluindo a China, para seguir a ordem internacional incluindo os princípios de soberania e integridade territorial”. Os 30 países da NATO apelaram mesmo a Pequim que se “abstenha” de apoiar “o esforço de guerra da Rússia”. E deixaram um recado à Rússia: “Qualquer uso de arma biológica ou química seria inaceitável e teria consequências severas”.
  • A declaração conjunta do Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais industrializados do mundo, foi no mesmo sentido da NATO. Os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido dizem mesmo que “não vão poupar esforços” para responsabilizar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seus apoiantes – incluindo o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko. O seu apelo vai para as forças russas que abram “caminhos seguros” na Ucrânia para permitir ajuda humanitária a Mariupol e a outras cidades cercadas. E pedem às autoridades bielorrussas para que “evitem uma nova escalada e se abstenham de usar as suas forças militares contra a Ucrânia”.
  • No final das reuniões, o presidente norte americano Joe Biden disse apoiar a saída da Rússia do grupo das maiores economias mundiais (G20). E quer pelo menos que a Ucrânia possa assistir às reuniões. O presidente deu mais detalhes sobre a conversa com Xi Jinping, homólogo chinês, na passada sexta-feira. “Tive uma conversa muito honesta com ele. Disse-lhe claramente que apoiar a Rússia teria consequências”. Joe Biden chamou “bruto” a Vladimir Putin. “A coisa mais importante [das sanções] é mantermo-nos unidos”, tendo como objetivo que o “mundo se continue a focar” no seguinte: “Que tipo bruto é este” e por que motivo é que “todas as vidas inocentes se perderam” e “o que está a passar” na Ucrânia.
  • Também o primeiro ministro britânico, Boris Johnson aproveitou a sua intervenção pública para alertar para consequências “muito, muito severas”, caso o Presidente russo usasse armas químicas ou nucleares contra a Ucrânia. “Se Putin se fosse envolver com alguma coisa desse género, as consequências seriam muito, muito severas. Vou ter de ter alguma ambiguidade na resposta, mas acho que seria catastrófico para ele. Acho q ele compreende isso. Seria um profundo e desastroso erro para Putin”, disse. Apesar da insistência dos jornalistas Johnson não indicou se, nesse cenário, haveria intervenção da NATO.
  • O líder francês, Emmanuel Macron, na sua vez, disse que a NATO procura não dar à Rússia um “pretexto” para atacar o Ocidente. “Não queremos fazer nada que possa provocar a escalada da tensão”, justificou o Presidente. “Não vamos lutar contra a Rússia”, assegurou o líder que tem mantido várias conversas telefónicas com o seu homólogo russo, embora sem grande sucesso para a paz.
  • O chanceler alemão Olaf Scholz, por seu turno, afirmou que “as tropas russas têm de sair da Ucrânia”. “Isto é necessário para atingir uma solução sustentável para o conflito entre a Rússia e a Ucrânia”, disse. Scholz apelou também ao Presidente Vladimir Putin que “aceite um cessar-fogo e permita corredores humanitários, para proteger os civis”. A Alemanha doou mais 370 milhões de euros em humanitária à Ucrânia.
  • Em Portugal, a partir do Porto, Marcelo Rebelo de Sousa não deixou de dar a sua opinião numa visita oficial. Aos jornalistas, o Presidente português disse considerar que o presidente russo, Vladimir Putin, cometeu um erro ao pensar que perante a sua decisão de tomar o território ucraniano iria conseguir dividir a União Europeia e a própria NATO. “É evidente que falharam. “A NATO e a UE continuam unidas”, referiu, independentemente da ideologia de cada país e apenas pela “paz e pelo respeito do direito internacional, da soberania dos estados, dos direitos das pessoas”, acrescentou.
  • Já da Rússia a informação que chegou foi que o Kremlin considera que “exatamente um mês depois do início da operação militar especial na Ucrânia” a vida “está a voltar ao normal” nos territórios “já libertos dos nacionalistas” ucranianos. “Está a correr como planeado e os objetivos delineados serão alcançados”, declarou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russos, Maria Zakharova, que espera que Kiev “reconheça a necessidade de uma solução pacífica”.
  • Um total de 140 países da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou a favor de uma resolução que pede ajuda humanitária imediata para a Ucrânia, ajudando a proteger os civis. A resolução também critica a Rússia por ter criado uma situação “dramática” humanitária. Apenas cinco países votaram contra: Bielorrússia, Coreia do Norte, Eritreia, Rússia e Síria, enquanto 38 abstiveram-se, incluindo a China, Cuba e a Índia.

 

  
onu.jpgÉ já a segunda vez que em sessões da Assembleia-Geral da ONU uma esmagadora maioria de membros isolam e condenam a “operação militar especial”, como Putin chama à invasão da Ucrânia pelas suas tropas. Mas continua a preocupar-me a posição neutra da China (abstenção) em tudo o que se refere a criticar a Rússia.
  Agência Lusa - O Presidente chinês, Xi Jinping, disse hoje [6.ª feira, 25mar2022], numa conversa por telefone com o homólogo britânico, Boris Johnson, que a comunidade internacional deve “criar as condições certas” para resolver o conflito na Ucrânia e “promover negociações de paz com sinceridade”. “A comunidade internacional deve promover as negociações de paz com sinceridade. Devem ser criadas as condições necessárias para resolver este assunto. Devemos fazer tudo o possível para que a paz retorne à Ucrânia”, disse Xi, segundo a imprensa local. O Presidente chinês afirmou que o seu país já está a desempenhar “um papel construtivo” nesse sentido. Xi disse ainda que a China está "pronta para o diálogo" com o Reino Unido, desde que este seja "franco, aberto e inclusivo", afirmando esperar que Londres seja "justa e objetiva" ao lidar com Pequim. A conversa ocorre uma semana depois de Xi ter falado, por videoconferência, com o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Xi instou então Washington a trabalhar em conjunto para "equilibrar as tensões" e "alcançar a paz global". 

 

  Reunião de ontem do Conselho da Europa
1024.jpgVolodymyr Zelensky diz que Portugal é dos países que têm mostrado mais reservas em apoiar a Ucrânia. Num discurso feito por videoconferência durante a reunião do Conselho Europeu, o presidente ucraniano comentou a postura dos 27 estados-membros perante o conflito e mencionou que Portugal tem algumas dúvidas em apoiar decisões a favor da Ucrânia. "A Bulgária está connosco, e acredito que a Grécia estará. A Alemanha está um pouco atrasada. Portugal? Bem... está quase. A Croácia está connosco; Suécia - o azul e o amarelo - estão sempre juntos", afirmou o presidente ucraniano.

 


Erdogan.jpgA emissora turca NTV, citando o presidente Erdogan, disse ter havido progresso em vários pontos-chave nas negociações entra a Ucrânia e a Rússia. Ancara, que goza de boas relações com Moscovo e Kiev, vem tentando posicionar-se como mediadora entre os dois lados. Mas por outro lado o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse hoje que as negociações com a Rússia para acabar com o conflito são "muito difíceis" e prometeu que Kiev não recuará em suas exigências. “A delegação ucraniana assumiu uma posição forte e não abre mão de suas demandas. Insistimos, em primeiro lugar, num cessar-fogo, garantias de segurança e integridade territorial da Ucrânia”, disse Kuleba. Enquanto isso, a agência de notícias russa Interfax citou o negociador russo Vladimir Medinsky dizendo que os dois lados estavam a fazer pouco progresso em questões importantes. Medinsky também disse que Moscovo acredita que Kiev está a tentar estender as negociações.

 

  Publicado pela Embaixada da Rússia na França (@AmbRusFrance)… mas posteriormente eliminado.
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  Reforço da presença militar da NATO no leste europeu
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Publicado por Tovi às 07:09
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Quarta-feira, 23 de Março de 2022
28.º dia da invasão russa da Ucrânia

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Antes da invasão da Ucrânia a Rússia tinha mais de 200 mil sodados ao longo da fronteira e tudo parecia ir ser uma campanha rápida até o governo em Kiev ser substituído por um ”fantoche” qualquer ao serviço de Vladimir Putin. Mas passado quase um mês a campanha militar da Rússia na Ucrânia estagnou em todas as frentes e resume-se praticamente a devastadores bombardeamentos, muitos dos quais contra edifícios civis habitados ou mesmo serviços hospitalares. Tudo isto será não só o resultado de um mau planeamento, uma fraca moral das tropas e má logística do Kremlin, mas também e seguramente devido a uma forte resistência das forças ucranianas, que permanecem firmes e bem coordenadas, com a grande maioria do território em mãos fieis ao governo de Volodymyr Zelensky. Tudo leva a crer que o plano original de Putin falhou, mas ainda vamos ter tempos sombrios pela frente.
  
Tiago Mergulhão Gomes - A ajuda do Ocidente, sob a forma de armas anti-tanque e mísseis antiaéreos também tem mostrado o seu valor.

 


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O primeiro-ministro António Costa despediu-se ontem das tropas portuguesas que vão para a Roménia no âmbito da NATO e garantiu que Portugal vai estar presente naquilo que for solicitado para defender a paz nos territórios da organização.

 


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Juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal tomou a decisão de permitir que Mário Machado deixe de ser obrigado a comparecer regularmente à polícia e ir combater voluntariamente na Ucrânia. O Ministério Público discorda e vai recorrer desta decisão judicial.
  Rui MoreiraA grande preocupação do PCP e do BE é o senhor Mário Machado. Pessoa pouco recomendável mas irrelevante. Claro que há uma decisão judicial invulgar. Mas isso sucede todos os dias. Contextualizemos, ainda assim: A minha preocupação é o senhor Putin, e a 5a coluna portuguesa. Do BE ao PCP, colaboracionistas de facto. E é isto, o caso Machado, que preenche o espaço mediático, com um tema irrelevante. Eu acho que o Bernardino, a Catarina e quejandos devem ir lutar pelas suas convicções. O Bernardino Soares é livre de ir combater ao lado dos russos. A Catarina também porque o Trotsky não se importa. Tenham juízo. Todos. Se puderem, tenham vergonha.
  Expresso
Adido militar da Embaixada da Ucrânia em França diz que Mário Machado não pode "entrar nas forças armadas” ucranianas devido aos “crimes mencionados no cadastro”. Um dos critérios para a aceitação de candidatos na Legião Internacional de Defesa Territorial das Forças Armadas da Ucrânia é a “ausência de condenação por crimes, comprovada através do registo criminal”, garante o coronel Sergii Malyk, adido militar da Embaixada da Ucrânia em França ao “Diário de Notícias”. Quando questionado sobre Mário Machado, o militar diz que “a pessoa que refere não pode ser aceite".
PúblicoO militante neonazi Mário Machado regressa esta sexta-feira [25mar2022] a Portugal, depois de ter estado praticamente uma semana na Ucrânia, e volta a estar sujeito a apresentações periódicas às autoridades, confirmou esta quinta-feira o seu advogado. Em declarações à Lusa, José Manuel Castro explicou que o antigo dirigente de extrema-direita fez “distribuição de bens alimentares e material sanitário” em solo ucraniano e que “não chegou a combater”, apesar de ter estado num “cenário de guerra”. O mandatário adiantou também que Mário Machado trouxe alguns refugiados até à Alemanha e integrou algumas das cerca de 20 pessoas que viajaram consigo nos “meios de defesa” ucranianos.

 

  As outras guerras a que não estamos a prestar atenção (in Expresso)
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Conflitos ativos em 2022
Iémen: uma das maiores crises humanitárias do mundo. Cerca de 377 mil pessoas terão morrido devido à guerra até ao final do ano passado, há mais de 20 milhões a precisar de ajuda humanitária.
República Centro Africana: em guerra civil há quase 13 anos. Já morreram milhares de pessoas, há mais de 500 mil refugiados e 581 mil deslocados internos, e cerca de 2,9 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária.
Nigéria: a ganhar terreno ao extremismo devagar. O grupo fundamentalista Boko Haram e mais recentemente o ISWAP têm feito milhares de vítimas desde 2009: as últimas estimativas apontam para 350 mil mortes.
Líbia: uma nação entre estados paralelos. No total, a guerra civil já causou pelo menos mil mortes. Cerca de 217 mil pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas, e há 1,3 milhões a precisar de assistência humanitária.
Myanmar: a perseguição contra os Rohingya, um povo sem voz. Há 1,3 milhões de Rohingya em Myanmar: mais de 700 mil já fugiram para o Bangladesh desde 2017 e outros 129 mil foram forçados a deixar as suas casas no país para não perderem a vida. O número de desaparecidos é elevado, o número de violações e torturas também, e não se sabe ao certo quantos milhares de pessoas já foram mortas.
Israel: o "apartheid" ao povo palestiniano. É difícil fixar o número de vítimas ao longo dos anos, mas estima-se que mais de 14 mil pessoas perderam a vida desde 1987. A esmagadora maioria são cidadãos palestinianos.
Síria: um país encurralado entre várias guerras. A ONU diz que já morreram pelo menos 400 mil pessoas. Há ainda cerca de 5,6 milhões de refugiados e 6,2 milhões de deslocados internos.
Caxemira: uma disputa longa e violenta entre Índia e Paquistão. Caxemira é uma região tripartida: a Índia controla cerca de 43% do território, o Paquistão 37% e a China 20%. O risco de um confronto militar sério entre Índia e Paquistão permanece elevado — ambas as potências têm armas nucleares e isso é uma preocupação acrescida.
República Democrática do Congo: em transição para a paz que não chega. O Congo é sinónimo de violência há décadas e continua a sofrer as consequências do genocídio do Ruanda, em 1994. As tensões entre a etnias Hutu e Tutsi continuam até hoje, e a política tem sido incapaz de trazer a paz. Há mais de 5,5 milhões de deslocados internos e mais de 800 mil refugiados noutros países.

 

 
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As primeiras notícias deste 28.º dia da invasão da Ucrânia pelos russos dizem-nos que o Laboratório Central Analítico de Chernobyl foi saqueado e arrasado durante esta noite pelas tropas de Vladimir Putin. Eram instalações "sem comparação na Europa", com "o mais moderno e sofisticado equipamento analítico [de desperdícios radioativos]”, segundo a Agência Estatal Ucraniana para a Gestão da Zona de Exclusão [da Central Nuclear de Chernobyl].

 


transferir.jpgA ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse hoje que, após vários atrasos nas entregas, mais fornecimentos de mísseis Strela estão a caminho da Ucrânia. “Posso dizer claramente que mais entregas do Strela estão a caminho”, disse Baerbock à câmara baixa do parlamento do Bundestag, citando os mísseis que historicamente estavam nos inventários do ex-exército comunista da Alemanha Oriental. “Somos um dos maiores fornecedores de armas nesta situação, isso não nos deixa orgulhosos, mas é o que devemos fazer para ajudar a Ucrânia”, acrescentou.
Também no dia de hoje o ministro da Defesa da Suécia, Peter Hultqvist, disse que o país vai fornecer à Ucrânia cinco mil armas antitanque adicionais, avança a Reuters, que cita a agência TT. Estas armas são destinadas para a destruição de carros de combate ou outros veículos blindados.
Um primeiro carregamento de um novo pacote de armas dos EUA de US$ 800 milhões para a Ucrânia será enviado nos próximos dias e não demorará muito para chegar aos ucranianos, disse um alto funcionário da defesa dos EUA. Não foram especificados quais sistemas serão incluídos nos primeiros carregamentos, mas será dada prioridade aos tipos de armas defensivas já usadas pelas tropas ucranianas.

 

  Dados oficiais da NATO (21mar2022)
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Reforço de presença defensiva na parte oriental da Aliança com mais tropas, aviões e navios.
  Jorge De Freitas Monteiro - Nos dias pares o exército russo é incapaz de dar conta da Ucrânia. Já nos ímpares prepara-se para invadir mais oito países. Não é espantoso?



Publicado por Tovi às 07:07
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Segunda-feira, 21 de Março de 2022
Polónia quer "missão de paz" em Kiev


20161207_Cooperação-União-Europeia-e-NATO.jpgDisse o vice-primeiro-ministro polaco, Jaroslaw Kaczynski, durante uma recente visita a Kiev: “A NATO deve enviar uma missão de paz para a Ucrânia, protegida pelas Forças Armadas, para prestar ajuda humanitária e pacificadora. Esta missão não pode ser uma missão desarmada. Ela deve procurar fornecer ajuda humanitária e pacificadora à Ucrânia”. Uma missão de paz para a Ucrânia não deixa de ter razão de ser, mas o que Jaroslaw Kaczynski defendeu parece não estar a equacionar devidamente a mais que previsível resposta das forças militares de Putin. Na próxima quinta-feira (24mar2022) terá lugar em Bruxelas uma cimeira extraordinária da NATO sobre a guerra na Ucrânia, onde estarão presentes os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) e também o presidente norte-americano, Joe Biden. Neste mesmo dia e também em Bruxelas, reúne-se não só a NATO, mas também o grupo de países mais industrializados do mundo (G7 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e ainda os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, todos com a situação na Ucrânia como tema principal. Iremos ver o que destas três reuniões sairá.

 


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O que Putin está a fazer à Ucrânia é uma monstruosidade altamente condenável e fora de tudo que o Mundo democrático e civilizado pode aceitar… mas Zelensky não fica muito bem nesta “fotografia”, até porque o maior dos partidos suspensos é a Plataforma de Oposição, que tem 43 das 450 cadeiras no parlamento do país.
  
Jorge De Freitas Monteiro - Na realidade não proibiu partidos “pro russos“ como é afirmado. Os partidos “pro russos“ já tinham sido ilegalizados há muito. Proibiu a oposição. O que provavelmente diz mais sobre a crescente oposição interna a Zelensky do que sobre a qualidade da democracia ucraniana, que já não era exemplar nos rankings internacionais.
  David RibeiroContextualizando... era esta a composição do Parlamento da Ucrânia depois das eleições de 2019.
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  Jorge Veiga - sendo pró Rússia, porque cargas de água devem continuar a actividade numa situação de guerra? A democracia tem de ser suspensa...
  
Jorge De Freitas Monteiro - Jorge Veiga, democracia é uma maneira de dizer. O insuspeito The Economist classifica a Ucrânia como um regime híbrido, uma coisa a meio caminho entre a democracia e um regime autoritário.
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  Sete preocupações da China com a guerra de Putin
(Filipe Santos Costa na CNNPortugal - 21mar2021)
A China continua a fazer um exercício de contorcionismo entre o apoio estratégico à Rússia, sem condenar a guerra de Putin, e a defesa dos princípios da ONU sobre soberania e integridade territorial. Sob pressão do Ocidente, onde estão os principais parceiros comerciais da China, há muitos cálculos por detrás da cautela de Xi Jinping. Pressionado pelos EUA e pela União Europeia, os principais parceiros comerciais da China, e com pedidos de ajuda da Rússia, o aliado estratégico, eis as principais questões que Xi terá de colocar na balança: 1. Situação militar; 2. Geopolítica; 3. Sanções económicas; 4. Instabilidade na Rússia; 5. 
Soberania e integridade: a questão de Taiwan; 6. Relacionamento bilateral; 7. Dano reputacional.

 

  O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, apela à China “para desempenhar um papel importante” na guerra.
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  O número de cidadãos ucranianos que fugiram do país devido à invasão russa já deverá andar perto dos 3 milhões e quatrocentos mil.
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Publicado por Tovi às 07:58
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Terça-feira, 8 de Março de 2022
Evacuação de civis de cinco cidades ucranianas

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Na imagem os corredores humanitários propostos pela Rússia

Até ao dia de ontem já se registavam mais de 1,7 milhões de refugiados ucranianos. Hoje, às 9 horas na Ucrânia (07h00 TMG), entrou em vigor um cessar-fogo proposto pela Rússia. Iremos ver ao longo do dia se encontrarão passagem segura os muitos civis que pretendem abandonar o terror dos combates em cinco cidades ucranianas: Kiev, Sumy, Kharkiv, Cherniguiv e Mariupol.

 

  08h10 de 08mar2022 - Fonte do Ministério da Defesa russo, citada pela agência Interfax, garante que os combates em Chernihiv, Sumy, Kharkiv, Mariupol e Kiev pararam, e que foram abertos corredores humanitários a partir destas cidades.
  08h24 de 08mar2022Evacuação em Sumy já começouO primeiro grupo de civis já foi retirado da cidade, de acordo com fonte do governo regional. Entre as pessoas que deixaram a cidade durante o cessar-fogo desta manhã estão residentes e cerca de 1.000 estudantes estrangeiros.
  08h36 de 08mar2022Depois de Sumy, também Irpin começou a retirar os seus cidadãos, depois do cessar-fogo desta manhã para permitir a criação de um corredor humanitário. Irpin, nos arredores de Kiev, tem sido palco de intensos combates, inclusive durante a retirada de cidadãos. Aguarda-se ainda a confirmação das autoridades ucranianas sobre os corredores humanitários em Cherhihiv, Kharkiv e Mariupol.
  08h52 de 08mar2022"Se a guerra continuar, começaremos a ver pessoas sem recursos e sem conexões. Será uma situação mais complexa de gerir para os países europeus daqui para frente, e será preciso haver ainda mais solidariedade de todos na Europa e fora dela", disse o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, em conferência de imprensa nesta terça-feira. Filippo Grandi lembrou que as guerras nos Balcãs, na Bósnia e no Kosovo, também causaram um grande fluxo de refugiados, "cerca de dois ou três milhões, mas num período de oito anos". "Em várias regiões do mundo vemos coisas destas, mas na Europa é a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial", lembrou.
  10h12 de 08mar2022O governo da Ucrânia diz que 30 autocarros estão a caminho de Mariupol para retirar civis através dos corredores humanitários que foram autorizados esta manhã.
  11h16 de 08mar2022
O presidente chinês, Xi Jinping, pede "contenção máxima" da situação da Ucrânia, que descreveu como preocupante, de modo a evitar que fique fora de controlo, segundo a emissora estatal chinesa CCTV. Xi Jinging participou numa videoconferência com o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Schoz, dizendo que os três países devem apoiar conjuntamente as negociações de paz.


    
image.jpgO edifício da Embaixada da Rússia em Lisboa esteve na noite de segunda-feira iluminada com as cores da bandeira da Ucrânia, na sequência de uma manifestação contra a invasão russa do território ucraniano. Um dos jovens manifestantes, solicitando o anonimato, afirmou que estavam ali unidos pela liberdade e que enfrentaram o frio da noite chuvosa para pôr em marcha a "ação de guerrilha" contra o que disse ser "um grito contra a ocupação selvagem da Ucrânia pela Rússia". Nesta mesma segunda-feira [07mar2022] o grupo da Iniciativa Liberal (IL) na Assembleia Municipal de Lisboa propôs a alteração do nome da rua Visconde de Santarém, morada da embaixada russa na capital portuguesa, em Arroios, para que passe a ter a designação de Rua da Ucrânia.

 


EU-NATO flags.jpgO ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, reagiu hoje às ameaças russas contra o Ocidente, particularmente a inclusão de Portugal na lista de países hostis: "No que diz respeito às ameaças da Rússia e do seu presidente Putin, em diferentes áreas, a resposta é muito simples: essas ameaças não nos amedrontam nem intimidam. Decidimos as nossas posições em concertação, quer no quadro das Nações Unidas quer no quadro da União Europeia e da NATO".
  
David RibeiroNo que se refere à agressão da Rússia à Ucrânia, os membros da NATO e da União Europeia nunca estiveram tão bem alinhados na condenação desta bárbara atitude do Governo de Putin. Portugal, como não podia deixar de ser, está em perfeita sintonia com a NATO e UE… se vai doer?... claro que vai, mas TODOS temos que continuar a defender que "o futuro da Ucrânia aos ucranianos pertence" e só a eles.


  16h28 de 08mar2022
Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, anunciou que o pais vai proibir todas as importações de petróleo da Rússia"Este é um passo para infligir uma dor ainda maior a Vladimr Putin", disse Joe Biden.
  16h29 de 08mar2022
Reino Unido anunciou, esta terça-feira, que vai acabar com a importação de petróleo e produtos petrolíferos russos até ao final do anoDe acordo com a agência Reuters, o governo britânico diz que esta transição vai dar ao mercado, aos negócios e à cadeia de fornecimento "mais do que tempo suficiente" para substituir as importações da Rússia, que são apenas 8%. "As empresas devem utilizar este ano para garantir uma transição suava de forma a que os consumidores não sejam afetados". O Reino Unido vai, desde já, começar a trabalhar com novos fornecedores de petróleo, avança o mesmo comunicado. Quanto ao gás natural, do qual só dependem da Rússia em 4%, também já estão a procurar outras opções. 



Publicado por Tovi às 08:38
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Segunda-feira, 7 de Março de 2022
A China e a invasão da Ucrânia pela Rússia

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O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou numa entrevista coletiva à margem da reunião anual do parlamento chinês, que a China está disposta a promover conversações entre a Rússia e a Ucrânia e avançou que a Cruz Vermelha chinesa irá prestar assistência humanitária na Ucrânia. O ministro assegurou também que a China tem sempre sido "objetiva e justa", a solução deve focar-se na estabilidade da região a longo prazo e o diálogo "deve persistir". Abordando as relações da China com a Rússia, o ministro afirma que continuam "sólidas" e que devem permanecer "livres" de interferências externas, e garantiu que as perspetivas de cooperação são "alargadas".
Curiosamente o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, afirmou hoje [segunda-feira, 07mar2022] que “nenhum país terá um impacto maior na conclusão desta terrível guerra na Ucrânia do que a China”. Morrison apelou ao governo chinês para agir de acordo com as suas declarações de promoção da paz mundial e se junte ao esforço para impedir a invasão da Ucrânia pela Rússia, alertando que o mundo corre o risco de ser remodelado por um "arco de autocracia".
  Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa e atual comentador CNNPortugal, falou sobre a importância da China se disponibilizar para mediar o conflito entre Rússia e Ucrânia, dizendo que, apesar das iniciativas "louváveis" de tentativa de interferência de outros países, nomeadamente de Israel ou Turquia, só a China poderá ser eventualmente bem-sucedida porque é "a última boia de salvação que a Rússia pode ter". "A Rússia tem uma fronteira de quatro mil quilómetros com a China, absolutamente descomunal, com várias situações conflituais com reivindicações recíprocas de parcelas territoriais", recorda Azeredo Lopes. Mas a China é também "a última boia de salvação que a Rússia pode vir a ter quando "as contramedidas económicas e financeiras que temos vindo a adotar forem cada vez mais eficientes", assinala o ex-ministro.
 
 
  

Captura de ecrã 2022-03-07 103941.jpgVejam este artigo de Michael R. Gordon, publicado em 23fev2022 no The Wall Street Journal - Crise na Ucrânia dá início a nova luta de superpotências entre EUA, Rússia e China… e Pequim e Moscovo têm agora uma mão mais forte no confronto com o Ocidente do que durante a Guerra Fria.

 

  Nesta ínvasão da Ucrânia pela Rússia estou claramente contra Putin e a favor do Povo ucraniano… mas o Batalhão de Azov ainda me faz comichões nas meninges.

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O Batalhão de Azov (em ucraniano: Полк Азов) é uma organização paramilitar, atualmente ligada ao Ministério do Interior da Ucrânia, criado em 2014 durante os protestos da Euromaidan (também chamada de Primavera Ucraniana). Ela é uma unidade militar de infantaria voluntária de extrema-direita, são ultranacionalistas acusados de abrigar a ideologia neonazista e supremacia branca, além de ter envolvimento em vários casos de abusos de direitos humanos e crimes de guerra na Guerra civil no leste da Ucrânia, principalmente em casos de torturas, estupros, saques, limpeza étnica e perseguição de minorias como homossexuais, judeus e russos. O Batalhão de Azov é muito mais que uma milícia, tem seu próprio partido político, duas editoras, acampamentos de verão para crianças e uma força de vigilância conhecida como Milícia Nacional (Natsionalni Druzhyny), que patrulha as ruas das cidades ucranianas ao lado da polícia. Ao contrário de seus pares ideológicos nos EUA e na Europa, também possui uma ala militar com pelo menos duas bases de treino e um vasto arsenal de armas, de drones e veículos blindados a peças de artilharia. (in Wikipédia)

 

  Fiquei agora a saber que no período “antes da ordem do dia” da reunião de hoje do Executivo Municipal do Porto, discutiu-se a eventual conjugação de posições sobre as moções a CONDENAR A INVASÃO RUSSA. Mas perante a intransigência da Vereadora comunista, sustentada numa argumentação desfasada da realidade e meramente ideológica, e da retórica bloquista sobre o Lebensraum, não foi possível uma posição comum.
  Rosário Queirós
Lebensraum? A que propósito?
 David Ribeiro
Sobre a sua dúvida, Rosário Queirós, aqui fica uma parte de um texto publicado no "Delito de Opinião" em 01mar2022: «Há dias vi um excerto televisivo no qual a deputada Mariana Mortágua algo sumarizava as causas desta crise ao invectivar o governo ucraniano de "corrupto" e "neonazi" .../... Nas vésperas da invasão russa Mortágua nega a possibilidade dessa ocorrência, atribuindo os alvitres dessa possibilidade a mera propaganda ocidental e aos discursos de alguns líderes (Biden, Johnson) - tamanho o seu aprisionamento a um visão anti-"ocidental", de facto avessa às democracias liberais. O vigor das suas certezas ali proclamadas são um evidente, enorme e até acabrunhante sinal de incompetência para aquela mera tarefa de "comentário político" sobre a actualidade internacional. Mortágua torna-se ali ridícula. Mas não será decerto por isso afastada daquele palanque de propaganda político-partidária. .../... Critica Putin e seus anseios. Mas algo justifica a sua política devido a uma contextualização (a la carte) do processo daquela região, uma típica historicização que se pretende legitimadora. Invoca a condição "humilhada" da Rússia e a sua necessidade de um "Espaço Vital". Isto é tão boçal que custa a crer - pois é a pura recuperação do argumentário da Alemanha nazi, a questão da "humilhação" com o tratado de Versailles e a necessidade de abranger um Espaço Vital (a apropriação nazi do Lebensraum de Ratzel). Chegámos a isto, em Mortágua a repulsa pelas imperfeitas democracias liberais é tamanha que "compreende" o seu agressor imediato através de termos, ideais, com esta genealogia. E temos então a tão "respeitada" e tão "competente" deputada da "esquerda" tão "identitarista" (e nisso "multicultural") a valorizar a necessidade do Lebensraum.»

 

  Mais uma da série "Rússia invadiu Ucrânia"
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  13h01 de 07mar2022 - A União Europeia está a preparar novas sanções à Rússia, face à "imprudência" do Kremlin para com os civis, anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes de um encontro com o primeiro-ministro italiano Mario Draghi. "Já tínhamos três pacotes de sanções contundentes, mas agora temos de garantir que não haja brechas e que o efeito das sanções seja maximizado. As sanções em vigor são realmente mordazes. Vemos as turbulências descendentes na economia russa”, apontou, assumindo ainda que a UE "tem de livrar-se da dependência do gás, petróleo e carvão russos".
  13h28 de 07mar2022
O Kremlin fez saber, esta segunda-feira, que pode parar as operações militares na Ucrânia, se forem cumpridas certas exigências, como o reconhecimento da Crimeia enquanto território russo e de Lugansk e Donetsk enquanto estados independentesSegundo Dmitry Pescov, porta-voz do Kremlin, o vizinhos ucranianos terão ainda de mudar a Constituição do país, para garantir que não poderá entrar em qualquer bloco de países (como a NATO). Enquanto estes critérios não forem cumpridos, vai continuar a "desmilitarização" da Ucrânia. Pescov sublinhou ainda que a Rússia não tem qualquer outro interesse no território da Ucrânia.
  14h00 de 07mar2022A delegação ucraniana já está na Bielorrússia para a terceira ronda de negociações com a Rússia, indicou o conselheiro presidencial Mykhailo Podolak, que adiantou ainda que as mesmas estão previstas arrancar às 16h00 de Kiev (14h00 TMG). Mykhailo Podolak diz que a delegação ucraniana é constituída pelos mesmos elementos que participaram na ronda anterior.
  17h28 de 07mar2022
Alemanha e Hungria não apoiam sanções à energia russaA energia da Rússia é de “importância essencial” para a vida quotidiana das pessoas, justifica o chanceler alemão. Já o ministro das Finanças da Hungria diz que sancionar a energia russa faria com que os húngaros pagassem o preço da guerra.
  17h57 de 07mar2022Terceira ronda negocial entre russos e ucranianos já terminou. A informação foi avançada pela AFP, que cita a embaixada russa na Bielorrússia, onde foi realizado o encontro. De acordo com um negociador ucraniano, houve "pequenos avanços" no que diz respeito aos corredores humanitários.
  18h01 de 07mar2022O Presidente da República convocou o Conselho de Estado para a próxima segunda-feira, pelas 15h00, no Palácio da Cidadela em Cascais, com um único ponto da ordem de trabalhos: a situação na Ucrânia.



Publicado por Tovi às 09:00
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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2022
Sanções à Rússia... e a China aqui tão perto

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  No final da reunião desta terça-feira [22fev2022] dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 Estados-membros da União Europeia, em Paris, Josep Borrell confirmou que as sanções terão três grandes alvos: os decisores políticos responsáveis pelo reconhecimento das regiões separatistas ucranianas pró-Rússia como independentes, quem está e estará envolvido na invasão da Ucrânia e os bancos que financiam a política bélica de Moscovo.

  O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou também na terça-feira [22fev2022] o que chamou de "primeira parcela" de sanções contra a Rússia, incluindo medidas para privar o país de financiamento. “Estamos a implementar sanções à dívida soberana da Rússia. Isso significa que cortamos ao governo da Rússia o financiamento ocidental”, disse Biden, acrescentando que as medidas também teriam como alvo as instituições financeiras e “elites” russas.

  Claro que estas sanções vão doer forte na Rússia... mas não vão mandar Putin para os cuidados intensivos.

 


Captura de ecrã 2022-02-23 091228.jpgA relação China-Rússia poderá parecer estranha pelos padrões históricos, mas cada vez mais estou convencido que é a China que vai ser o fiel da balança na geoestratégia do leste europeu. Embora Xi Jinping concorde com Putin que a NATO é uma relíquia da Guerra Fria e que já não tem razão para existir, a verdade é que o Presidente da República Popular da China tem as suas próprias preocupações domésticas, o que o obriga a manter uma relação de diálogo com a União Europeia e também com os EUA. Mas também não esqueçamos que ainda recentemente China e Rússia assinaram um acordo de petróleo e gás no valor de 117,5 mil milhões de dólares, consolidando assim o seu relacionamento económico, reduzindo a dependência financeira da Rússia em relação à Europa. Vamos ver nas próximas semanas como as coisas evoluirão… e que não desate tudo à batatada.

 

  Não mudaram nada...
Não há dúvidas que “uma árvore não faz a floresta” e eu conheço comunistas que são inteligentes, cultos, humanistas e verdadeiros democratas, mas continuo a não entender as afirmações desta “floresta”. Se eles me explicassem… é que eu, bem explicadinho, entendo tudo.
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  Do melhor que tenho visto
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  CNNPortugal às 16h19 de 23fev2022
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  O governo ucraniano continua a anunciar o serviço militar obrigatório para todos os homens em idade de combate enquanto Moscovo está hoje [23fev20202] a retirar pessoal e equipamentos da sua embaixada em Kiev.
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Publicado por Tovi às 07:00
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2022
O "Proteger a Ucrânia" e a "Crise dos Mísseis de Cuba"

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Numa altura em que Putin se irrita por os EUA se preparam para “Proteger a Ucrânia” com o fornecimento de armamento a um país vizinho da Rússia, recordo-me da Crise dos Mísseis de Cuba, um episódio que durou de 16 a 28 outubro de 1962 entre os Estados Unidos e a União Soviética, relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos na ilha de Fidel. Foi o mais próximo que se chegou ao início de uma guerra nuclear em grande escala durante a Guerra Fria. Depois de um longo período de tensas negociações, foi alcançado um acordo entre Kennedy e Kruschev. Os soviéticos desmantelaram as suas armas em Cuba e levaram-nas para a União Soviética.

 

  Ponto da situação na Crise da Ucrânia

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Os líderes das regiões separatistas do leste da Ucrânia de Donetsk e Lugansk declararam uma mobilização militar total, medidas que ocorrem numa altura em que se verifica um aumento de violência na região devastada pela guerra e que o Ocidente teme que possa ser usado como pretexto para uma invasão da Rússia.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, irá supervisionar os grandes exercícios militares ao longo das fronteiras da Ucrânia no dia de hoje [sábado, 19fev2022] enquanto o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, está viajando pela Europa para angariar apoios.
O chanceler alemão Olaf Scholz afirmou na Conferência de Segurança de Munique que um ataque russo à Ucrânia seria um "erro grave" com altos "custos políticos, económicos e geoestratégicos". Na mesma conferência o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse que Moscovo estava a apresentar questões de segurança que o Kremlin sabia nunca poderem ser atendidas pela NATO. Também foi afirmado pela chefe do executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, que as ameaças de Moscovo à Ucrânia podem remodelar todo o sistema internacional, alertando Moscovo que o seu pensamento de “um passado sombrio” pode custar à Rússia um futuro próspero.
Rostov, uma região russa na fronteira com a Ucrânia, declarou estado de emergência, citando um número crescente de pessoas que chegam de áreas controladas por separatistas na Ucrânia depois de receberem ordens de evacuação.
O presidente dos EUA, Joe Biden, continua a alertar para o facto de haver indicações que a Rússia está a planejar invadir a Ucrânia, até porque existem sinais de Moscovo estar a realizar uma operação de “bandeira falsa” para justificá-la, depois de forças ucranianas e rebeldes pró-Moscovo trocaram tiros.

 

  Esquema da ofensiva ucraniana, a partir dos dados obtidos pela inteligência da República Popular de Donetsk.
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  O seguro morreu de velho
Além de Portugal (existem 240 portugueses residentes naquele país), outros países pediram aos seus cidadãos na Ucrânia para que deixem o país. A lista inclui Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Espanha, Israel, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Iraque, Kuwait e Itália.
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  João Cravinho na Conferência de Segurança de Munique 

32528560.jpgNo dia em que as tensões entre a Rússia e a Ucrânia atingiram um ponto máximo, o ministro português da Defesa, João Gomes Cravinho, presente na Conferência de Segurança de Munique (CSM), explicou de que modo Portugal poderá ser chamado a envolver-se nos conflitos: “Portugal faz parte da NATO, portanto a nossa primeira preocupação será a solidariedade em relação aos nossos aliados na NATO. Neste caso, muito em particular aqueles que fazem fronteira com a Ucrânia. .../... Existe uma força chamada VJTF (Very High Joint Readiness Task Force) que é a força de mais elevada prontidão da NATO, em que os países membros da NATO participam de forma rotativa. Portugal neste momento participa na VJTF, em 2022 estamos na VJTF. Se a VJTF for mobilizada para efeitos de defesa da NATO, naturalmente que Portugal participará”. O ministro da Defesa português disse também que a possibilidade de adesão da Ucrânia à NATO não está atualmente em cima da mesa. Gomes Cravinho salientou que “a adesão da Ucrânia à NATO foi discutida em 2008”. “Nessa altura, decidiu-se que não havia condições para a NATO aceitar a Ucrânia e desde então o assunto tem ficado exatamente nesse ponto. .../... É absolutamente falso que esta crise seja sobre a adesão da Ucrânia à NATO. Essa matéria não está em cima da mesa. Nem aqui em Munique, nem ao longo dos últimos 13, 14 anos se discutiu essa possibilidade.”

 

  O gás da Gazprom

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Um fator importantíssimo a considerar no conflito que se está a viver no Leste da Europa tem a ver com as reservas de gás nas instalações de armazenamento subterrâneo na Ucrânia, que se encontram no mínimo, tendo caído, de acordo com a Gazprom, para 10,6 mil milhões de metros cúbicos, o que é 45% menos que no ano passado. Além disso, no início desta semana, as autoridades da Alemanha, que possui uma das maiores capacidades de armazenamento subterrâneo da Europa, relataram uma queda nos volumes de armazenamento para níveis historicamente baixos em comparação com os anos anteriores.
E se Putin interromper o seu fluxo de gás para a Europa?... Hoje em dia a “guerra” já não se faz só em combates militares.



Publicado por Tovi às 10:57
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2022
Fome e insegurança alimentar no Afeganistão

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O Afeganistão está entre os níveis mais altos de insegurança alimentar em todo o mundo. Pelo menos 37,7 milhões de sua população de 40 milhões de pessoas – 93% – não tem comida suficiente. Um recorde de 23 milhões de afegãos enfrenta fome aguda, com quase 9 milhões a um passo da fome, de acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM). Duas em cada cinco crianças (38%) com menos de cinco anos de idade enfrentam desnutrição crónica – ou seja, nutrição inadequada por um longo período de tempo – o que levou a um crescimento atrofiado. Até 1 milhão de crianças menores de cinco anos correm o risco de morrer de desnutrição. Desde a tomada de Cabul pelos Talibã em 15 de agosto, uma economia já devastada pela guerra, antes sustentada apenas por doações internacionais, está agora à beira do colapso. Em janeiro, a ONU pediu aos doadores 4,4 mil milhões de US$ em ajuda humanitária para 2022, o maior apelo já feito para um único país. O Programa de Desenvolvimento da ONU alertou que 97% da população pode cair abaixo da linha da pobreza até meados de 2022.

 

  E para ajudar à desgraça, o presidente norte-americano vai apreender reservas do banco central afegão e doar metade às vítimas do 11 de setembro.

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  Al Jazeera, 17fev2022
Equipas de resgate no Afeganistão estão a lutar para alcançar um menino de nove anos preso há dois dias num poço no sul da província de Zabul. Autoridades locais disseram que o menino apareceu preso cerca de 10 metros abaixo do poço de 25 metros. “Uma equipa está lá com uma ambulância, oxigénio e outras coisas necessárias”, escreveu no Twitter Abdullah Azzam, secretário do vice-primeiro-ministro, mulá Abdul Ghani Baradar, no governo Talibã.
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  As autoridades Talibã comunicaram, esta sexta-feira [18fev2022], que morreu o rapaz de nove anos que estava preso desde terça-feira num poço seco com 25 metros de profundidade, numa vila na província de Zabul, no Afeganistão.



Publicado por Tovi às 07:47
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2022
Cinco coisas para saber sobre a crise Ucrânia-Rússia

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(Al Jazeera, 25jan2022)

  Por que há um conflito? - A Ucrânia, que fez parte do império russo durante séculos antes de se tornar uma república soviética, conquistou a independência quando a URSS se desfez em 1991, abandonando o seu legado imperial russo e iniciando laços cada vez mais estreitos com o Ocidente. A decisão do presidente ucraniano Viktor Yanukovych (pró Kremlin), de rejeitar um acordo de associação com a União Europeia em favor de laços mais estreitos com Moscovo levou a protestos em massa que o afastaram do cargo de líder em 2014. A Rússia respondeu anexando a península da Crimeia da Ucrânia e lançando a sua influência por trás de uma rebelião separatista que eclodiu no leste da Ucrânia. A Ucrânia e o Ocidente acusaram a Rússia de enviar suas tropas e armas para apoiar os rebeldes. Moscovo negou, dizendo que os russos que se juntaram aos separatistas eram voluntários. De acordo com Kiev, mais de 14.000 pessoas morreram nos combates que devastaram Donbas, o coração industrial do leste da Ucrânia. Por sua vez, Moscovo criticou fortemente os EUA e seus aliados da NATO por fornecerem armas à Ucrânia e realizarem exercícios conjuntos, dizendo que tais movimentos encorajam os falcões ucranianos a tentar recuperar as áreas controladas pelos rebeldes pela força. Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, disse repetidamente que as aspirações da Ucrânia de ingressar na NATO são uma linha vermelha e expressou preocupação com os planos de alguns membros da NATO de estabelecer centros de treino militar na Ucrânia. Isso, disse ele, lhes daria uma base militar na região, mesmo sem a adesão da Ucrânia à NATO.

  O que a Rússia quer? - É mais sobre o que a Rússia não quer. A Rússia não quer a Ucrânia na NATO – e disse isso na sua lista de exigências de segurança que foram enviadas aos EUA em dezembro passado. As exigências incluíam a suspensão de quaisquer exercícios da NATO perto da fronteira com a Rússia. Em dezembro Putin disse que a Rússia estava procurando garantias “que excluíssem quaisquer outros movimentos da NATO para o leste e a implantação de sistemas de armas que nos ameacem nas proximidades do território russo”. Putin ofereceu ao Ocidente uma oportunidade de se engajar em conversas substanciais sobre o assunto, acrescentando que Moscovo precisaria não apenas de garantias verbais, mas de “garantias legais”, nas esquecendo que a eventual admissão da Ucrânia à aliança exigiria a aprovação unânime dos 30 estados que compõem o órgão. Os EUA e a NATO já responderam aos apelos. Embora nem Moscovo nem as potências ocidentais tenham divulgado os detalhes dessas respostas, ficou claro que as principais demandas da Rússia – a Ucrânia essencialmente proibida de ser membro da NATO e uma promessa de que a aliança não se expandirá mais para o leste – foram recusadas.

  A Ucrânia vai aderir à NATO? - A Ucrânia não é membro da NATO, mas quer ser. É considerada um parceiro da aliança. Antes de ser considerada para a adesão, diz a NATO, Kiev precisa erradicar flagelos como a corrupção. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, rejeitou em dezembro as exigências russas de rescindir um compromisso de 2008 com a Ucrânia de que o país um dia se tornaria membro. Stoltenberg sustenta que, quando chegar a hora de considerar a questão, a Rússia não poderá vetar a adesão da Ucrânia. Analistas, no entanto, dizem que os aliados da NATO, entre eles os Estados Unidos, estão relutantes em expandir sua presença militar na região e comprometer ainda mais seu relacionamento com Moscovo. Enquanto o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, expressou apoio à adesão da Ucrânia à NATO, o presidente Joe Biden foi mais ambíguo sobre a questão.

  Haverá guerra total? - O Ocidente acusa a Rússia, que reuniu 100.000 soldados na fronteira ucraniana, de se preparar para invadir seu vizinho pró-ocidental. Biden afirma “total unanimidade” sobre como lidar com a Rússia. O Pentágono colocou 8.500 soldados dos EUA de prontidão para uma implantação no Leste Europeu e a NATO disse que estava a enviar navios e jatos para reforçar as defesas da região. O porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, disse que essas ações apenas aumentaram uma atmosfera já tensa. "Os Estados Unidos estão aumentando as tensões", disse ele a repórteres. “Estamos observando essas ações dos EUA com grande preocupação.” A Rússia nega ter planos de invadir a Ucrânia e acusa o Ocidente de agravar a situação. É incerto se a guerra vai eclodir entre os dois países, mas alguns analistas dizem que a Rússia pode aproximar-se da Ucrânia para reivindicar uma vitória rápida e decisiva e aumentar seu poder de negociação em futuras conversações sobre a expansão e as esferas de influência da NATO. “Acho que o que a Rússia e Vladimir Putin realmente querem derrotar as forças armadas ucranianas no campo, infligir uma derrota militar esmagadora que humilhe os ucranianos e, por extensão, criar preocupação de que o apoio da Ucrânia tenha de seus aliados no Ocidente. Nos EUA e no Reino Unido, é insuficiente”, disse Samir Puri, membro sénior do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

  O que acontece se a Rússia invadir a Ucrânia? - As nações ocidentais deram apoio à Ucrânia, mas algumas respostas foram mais duras do que outras. Os EUA e o Reino Unido forneceram armas, enquanto a Alemanha planeja enviar uma instalação médica de campo no próximo mês, mas não transferirá equipamentos militares. Também se falou muito em sanções destinadas a punir Moscovo. Publicamente, os aliados dos EUA e da Europa prometeram atingir a Rússia financeiramente como nunca antes, se Putin enviar seus militares para a Ucrânia. Os líderes deram poucos detalhes, argumentando que é melhor manter Putin na dúvida, mas Washington e Londres falaram de medidas pessoais visando o presidente russo. Cortar a Rússia do sistema financeiro SWIFT, que movimenta dinheiro de banco para banco em todo o mundo, seria uma das medidas financeiras mais difíceis que eles poderiam tomar, prejudicando a economia da Rússia imediatamente e no longo prazo. A medida pode cortar a Rússia da maioria das transações financeiras internacionais, incluindo lucros internacionais da produção de petróleo e gás, que responde por mais de 40% da receita do país. Os EUA também detêm uma das armas financeiras mais poderosas contra Putin se ele invadir a Ucrânia – bloqueando o acesso da Rússia ao dólar americano. Os dólares ainda dominam as transações financeiras em todo o mundo, com mais de um milhão de milhões de dólares em jogo diariamente. Finalmente, os EUA consideram impor controles de exportação, potencialmente cortando a Rússia da alta tecnologia que, entre outras coisas, ajuda aviões de guerra e jatos de passageiros a voar e alimentar smartphones.



Publicado por Tovi às 07:11
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
Ómicron ou B.1.1.529 - O que já se sabe

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A “B.1.1.529”, agora batizada de “Ómicron”, é uma das mais de 30 mutações do coronavírus e que está agora a fazer disparar a taxa de contágios, sobretudo entre os jovens. Segundo as autoridades de saúde esta nova variante foi identificada no Botsuana e na África do Sul. Mas afinal, que variante é esta?
O diretor do Centro de Resposta Epidémica e Inovação de África do Sul, Túlio de Oliveira, revelou em conferência de imprensa que “foram localizadas 50 mutações no total — e mais de 30 na proteína spike (a ‘chave’ que o vírus usa para entrar nas células e que é alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19)”. Ora, tal pode indicar que as atuais vacinas podem não combater eficazmente mutações tão distintas. Até agora, segundo avança a imprensa internacional, foram confirmados 77 casos na Província de Gauteng, na África do Sul, quatro casos em Botsuana, e um em Hong Kong, que se crê ter surgido após viagem a África do Sul. Num comunicado divulgado pela representação regional da OMS para África. “A maioria dos profissionais de saúde na África ainda não foi vacinada e continua perigosamente exposta a formas graves” da doença, alertou Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África. Esta responsável destacou que “é importante saber até que ponto esta variante se encontra em circulação na África do Sul e no Botsuana” e que a organização está igualmente muito atenta ao que se conseguir saber sobre as “características deste vírus”, que está agora no centro das preocupações dos laboratórios de análise e investigação daqueles países.
(Carla Bernardino da revista digital “Delas” / Lusa - 26nov2021)

 

  Diz a Organização Mundial da Saúde:
The B.1.1.529 variant was first reported to WHO from South Africa on 24 November 2021. The epidemiological situation in South Africa has been characterized by three distinct peaks in reported cases, the latest of which was predominantly the Delta variant. In recent weeks, infections have increased steeply, coinciding with the detection of B.1.1.529 variant. The first known confirmed B.1.1.529 infection was from a specimen collected on 9 November 2021.

 

  A nova variante Ómicron já está a criar alarme em todo o Mundo, mas para já a grande preocupação na Europa para este inverno é a sublinhagem AY.4.2 da Delta que já está a tomar o lugar da Delta no Reino Unido e espalhada em Portugal.
Captura de ecrã 2021-11-27 141902.jpg

 

  Uma das epidemias mais mortais da história da humanidade foi a GRIPE ESPANHOLA, uma vasta e mortal pandemia do vírus Influenza H1N1, que durou de janeiro de 1918 a dezembro de 1920. Segundo os dados mais fiáveis infetou uma estimativa de 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões e 50 milhões. 
Os dados da World Health Organization dizem-nos que houve de 30dez2019 a 26nov2021, em todo o Mundo, 259.502.031 casos confirmados e 5.183.003 mortes por COVID-19.
(Na imagem soldados de Fort Riley, Kansas, doentes de gripe espanhola, sendo tratados numa enfermaria de Camp Funston)
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  O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) informou hoje que os 13 casos da variante Ómicron detetados em Portugal estão associados a jogadores e staff do Belenenses SAD, sendo que um deles terá tido uma viagem recente à África do Sul. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que o risco global representado pela nova variante Ómicron do coronavírus é "muito alto".

 

  Evolução da Caraterização Clínica em Portugal (Dados da DGS)
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Publicado por Tovi às 07:33
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2021
Crise humanitária no Afeganistão

  Al Jazeera, 13out2021
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Os G20 concordam em ajuda para evitar crise humanitária no Afeganistão. Mas os Talibã precisarão de se envolverem na assistência e o ‘Grupo dos 20’ enfatiza que isso não significa o reconhecimento de seu governo.

 

  Al Jazeera, 25out2021
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ONU alerta sobre crise ‘aguda’ de alimentos no Afeganistão. Mais da metade da população de 39 milhões do Afeganistão enfrenta insegurança alimentar aguda e "marcha para a fome, com muitas crianças a morrerem”.

 

  Al Jazeera, 29out2021
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Enquanto os EUA congelam os fundos, um inverno rigoroso aguarda os afegãos sem dinheiro. Com 9,5 mil milhões de US$ em ativos e empréstimos congelados e limites impostos aos saques bancários, uma crise humanitária desenrola-se no Afeganistão.

 

  Ataque a hospital militar em Cabul
Captura de ecrã 2021-11-02 150341.jpg
No dia de ontem fontes do Ministério do Interior afegão disseram à Al Jazeeraa que duas explosões, seguidas de tiros, aconteceram no maior hospital militar do Afeganistão na capital Cabul. Hoje soube-se que nestas duas explosões morreram pelo menos 25 pessoas e ficaram feridas outras 50. Um destacado comandante Talibã, Hamdullah Mokhlis, membro da rede Haqqani e oficial das forças especiais Badri, foi um dos mortos durante este ataque, segundo a agência de notícias AFP.



Publicado por Tovi às 07:58
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Domingo, 10 de Outubro de 2021
Tão amigos que nós somos, não é?

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Altos funcionários dos Talibã e representantes dos Estados Unidos discutem a "abertura de uma nova página" nas relações de seus países ao iniciarem as negociações no Catar, segundo o ministro das Relações Exteriores do Afeganistão. As reuniões presenciais que começaram em Doha neste sábado, 09out2021, são as primeiras desde que as forças dos EUA se retiraram do Afeganistão em agosto - encerrando uma presença militar de 20 anos - e a ascensão dos Talibã ao poder. Durante as conversações a delegação Talibã exigiu que os bens do Afeganistão no estrangeiro fossem descongelados. Para além disso, a delegação pediu que os EUA não violassem o espaço aéreo do Afeganistão e se abstenham de interferir nos assuntos internos de seu país. Por seu lado os EUA comprometeram-se a fornecer ao Afeganistão vacinas contra o Covid-19.
  (Washington, 10out2021 - Reuters) - Os Estados Unidos disseram no domingo que o primeiro encontro face-a-face entre altos funcionários dos EUA e dos Talibã, desde que o grupo linha-dura retomou o poder no Afeganistão, foi "sincero e profissional".

  Reabilitação de viciados em drogas… à moda Talibã.
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Publicado por Tovi às 07:13
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2021
As últimas notícias sobre o Afeganistão


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A China é já (será?...) um país amigo em quem o Afeganistão pode confiar.


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O Afeganistão poderá ser uma caso histórico de sucesso se as potências mundiais derem aos Talibã uma hipótese em vez de tentarem destruir a sua economia com sanções.

 


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′′Os afegãos e os iraquianos sofreram durante anos as consequências do que os americanos sofreram em 9/11. Ainda sofrem as consequências desse dia fatídico hoje. Mas quem se lembra de 10/7 (o dia em que os EUA invadiram o Afeganistão em 2001)... Imaginar a dor dos outros é onde começa o nobre ato de luto da sua própria perda." - Hamid Dabashi, professor iraniano de estudos iranianos e literatura comparada na Universidade Columbia, na cidade de Nova York.

 


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Ahmad Massoud, chefe da NRF, diz que acolhe propostas para um acordo negociado para acabar com os combates com os Talibá no vale de Panjshir.

 

  Al Jazeera, 06set2021 às 06h30
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  Está a ser exibido na RTP1 e RTP3
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  Al Jazeera, 07set2021 às 20h17
Os Talibã já anunciaram um novo Governo para o Afeganistão.
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   BBC World Service, 08set2021 às 18h58
Aqui estão eles... por quanto tempo é que não sabemos.
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Publicado por Tovi às 08:15
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Domingo, 5 de Setembro de 2021
Dos talibã aos talibã – a obra sangrenta da NATO

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José Goulão, jornalista português que fez carreira na área de política internacional, especialmente nas questões do Médio Oriente, publicou no passado dia 2 de setembro n’ “O Lado Oculto/AbrilAbril” um interessante artigo de opinião - «Dos talibã aos talibã – a obra sangrenta da NATO» - do qual destaco o seguinte:

  Vinte anos, centenas de milhares de vítimas humanas, 2,23 biliões de dólares depois deixa um país destroçado, o sétimo mais pobre do mundo, com 47% da população abaixo do nível de pobreza e três quartos do orçamento do governo dependente da ajuda internacional; as únicas actividades económicas são a corrupção da elite colaboracionista e a exportação de ópio, responsável por mais de 80% da heroína comercializada ilegalmente no mundo.

  Verdade seja dita que a NATO perdeu, mas o mesmo não aconteceu com alguns dos seus principais patrocinadores: o valor das acções dos cinco mais importantes negociantes de guerra dos Estados Unidos cresceu 58% em 20 anos.

  Há também indícios comprovados de que os Talibã estão a negociar uma alargada coligação de governo, no mínimo para criar uma situação em que um novo executivo em Cabul seja reconhecido internacionalmente, uma hipótese remota para não ficar sujeito à asfixia financeira preparada pelos Estados Unidos: congelamento dos 9,4 mil milhões de dólares de reservas do Banco Central Afegão, cancelamento de empréstimos do FMI – autêntico instrumento da NATO – incluindo o de 460 milhões de dólares a título do combate à Covid-19, provável esbulho do ouro afegão depositado internacionalmente, como acontece em relação à Venezuela.

  As recentes visitas de delegações talibã à Rússia, à China e ao Irão revelam um esforço no sentido da estabilidade regional através da participação no processo de integração da Ásia Central e do Sul cujo principal veículo é a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), entidade que dá corpo aos entendimentos entre Moscovo e Pequim.

  A Rússia preza sobretudo a estabilidade em países vizinhos do Afeganistão como o Usbequistão, o Tajiquistão e o Turquemenistão. A China pretende defender os investimentos que tem vindo a fazer no Afeganistão, nomeadamente na actividade mineira, na construção da autoestrada que vence a mítica passagem do Khyber, e na extensão ao território afegão do eixo entre o território chinês e o Paquistão integrado na Iniciativa Cintura e Estrada (ICE) ou nova Rota da Seda. Um oleoduto entre o Irão e território chinês é outro objectivo a ser equacionado, neste caso no âmbito do volumoso acordo económico estabelecido recentemente entra a China e Teerão.

 

   Artigo completo aqui



Publicado por Tovi às 07:57
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