"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Segunda-feira, 27 de Junho de 2022
Danos colaterais da invasão da Ucrânia pela Rússia

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Um Eurobarómetro especial mostra que Portugal é o segundo país onde mais se sentem as consequências económicas da guerra na Ucrânia, que a maioria dos europeus diz ainda não sentir. E só 49% assumem que a defesa da democracia e da liberdade tenha prioridade face à manutenção do nível de vida - contra 59% dos europeus.

Outro aspeto interessante: a percentagem de portugueses que tem uma opinião positiva sobre a Rússia é 2%, muito menor do que a média europeia de 10%
Expresso, 07h08 de 22jun2022

  Mais sobre os "danos colaterais" da invasão russa da Ucrânia
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  Frederico Nunes da Silva"Nem uma só cedência a Putin", dizia-se por cá há uns meses. 🤗 Vamos acabar a andar de burro e a comer papossecos com manteiga. Fazer política baseada nas emoções do eleitorado e da opinião publicada dá nisto.

 


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Os líderes dos países do Grupo dos Sete (G7) discutiram ontem [26jun2022] planos para limitar o preço do petróleo russo a fim de pressionar Moscovo, que está a beneficiar do aumento dos preços da energia, e cortar os seus meios de financiamento da invasão da Ucrânia. Os Estados Unidos sugeriram um teto de preço decidido pelos países consumidores, uma proposta que foi discutida no domingo pelos líderes do G7 numa reunião nos Alpes da Baviera. 
No encerramento da reunião do G7 na Alemanha [28jun2022], os líderes das democracias mais ricas do mundo prometeram ação mais dura contra a Rússia e dizem que vão impor “custos económicos severos e imediatos” a Moscovo por causa da invasão da Ucrânia.

 

  Dito assim... mas depois não diga que foi tarde
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Isabel Sousa Braga - Então em que ficamos? Na semana passada eram os russos que não queriam negociar 
David Ribeiro - Pobre povo ucraniano que não merece a tragédia provocada pela invasão das tropas de Putin... mas também não está muito bem servido de líderes. 
Isabel Sousa Braga - David Ribeiro como dizia o outro estão a "c@#€r" no povo. É revoltante
Jorge VeigaDavid Ribeiro Concordo com o Zelensky. Propor qualquer coisa ao Putin nesta fase é dar a corda toda para a esticar como quiser. Putin só cede se estiver por baixo e pelo que temos visto o povo Ucraniano também não quer dar nada ao melro, por isso o sacrifício que tem feito.
Adao Fernando Batista Bastos - Este mono vai negociar quando tiver o país destruído... ea Europa a amparar-lhe os desígnios, se é tem e sabe! Está à espera que o Ocidente o encha de material de guerra para mais umas destruições, de parte a parte. Se espera que a Rússia lhe devolva o que já conquistou, que espere deitada. E para que lhe servia e ao seu povo se está tudo destruído? Para mais uns valentes apoios do Ocidente embora "este, o Ocidente" ! esteja cada vez mais penalizado com os custos e consequências desta guerra para a população...



Publicado por Tovi às 22:10
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Domingo, 29 de Maio de 2022
Um retrato raro e mais realista do conflito

 O Washington Post faz uma abordagem equilibrada de uma realidade que normalmente nos é ocultada - Ver notícia completa aqui.
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Presos nas suas trincheiras, os voluntários ucranianos viviam de uma batata por dia enquanto as forças russas os bombardeavam com artilharia e mísseis Grad numa importante linha da frente oriental. Em menor número, destreinados e unicamente com armas ligeiras, os homens rezaram para que a barragem terminasse – e para que seus próprios tanques parassem de atacar os russos. “Eles [russos] já sabem onde estamos e quando o tanque ucraniano atira do nosso lado entrega nossa posição”, disse Serhi Lapko, comandante da companhia, relembrando a recente batalha. “E eles começam a atirar de volta com tudo – grads e morteiros. “E nós apenas rezamos para sobreviver.” Os líderes ucranianos projetaram e nutriram uma imagem pública de invulnerabilidade militar – de suas forças voluntárias e profissionais enfrentando triunfantemente o ataque russo. Vídeos de ataques a tanques ou posições russos são postados diariamente nas redes sociais. Artistas estão criando cartazes patrióticos, outdoors e t-shirts. O serviço postal chegou a lançar selos comemorativos do naufrágio de um navio de guerra russo no Mar Negro. As forças ucranianas conseguiram frustrar os esforços russos para capturar Kiev e Kharkiv e conquistaram vitórias no campo de batalha no leste. Mas a experiência de Lapko e seu grupo de voluntários oferece um retrato raro e mais realista do conflito e da luta da Ucrânia para deter o avanço russo em partes de Donbas. A Ucrânia, como a Rússia, forneceu poucas informações sobre mortes, ferimentos ou perdas de equipamento militar. Mas depois de três meses de guerra, esta companhia de 120 homens caiu para 54 por causa de mortes, ferimentos e deserções.

 

  Al Jazeera, 28mai2022
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O correspondente da Al Jazeera, Zein Basravi, em reportagem de Kiev, diz que o plano da Rússia de reposicionar as suas forças no leste e sul da Ucrânia parece estar funcionando, tendo em conta o facto das unidades militares russas terem assumido o controle total da cidade de Lyman. “Lyman… não é um lugar muito grande. É uma vila, cerca de 20.000 pessoas no total viviam lá antes da invasão… mas representa uma localização estratégica”, acrescentou Basravi. “Se Lyman, como dizem os russos, caiu no seu controle total, então o que eles poderão fazer é usar Lyman como base para avançar mais ao sul e ao leste para cercar as tropas que estão atualmente lutando por Severodonetsk, potencialmente isolando mais de 8.000 ucranianos e forçando uma retirada tática.”

 


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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse ontem [28mai2022] que a situação no leste da Ucrânia é "muito difícil" e que já há combates em plena cidade de Severodonetsk. E continua à espera de “boas notícias” sobre entregas de armas pelos seus aliados. Na noite deste sábado, na sua comunicação habitual à nação ucraniana, o chefe de Estado ucraniano disse também que não acreditava que todas as regiões anexadas pela Rússia desde 2014, incluindo a Crimeia, pudessem ser reconquistadas militarmente.
A batalha pela principal cidade do leste ucraniano, Severodonetsk, está a ser travada neste domingo [29mai2022], com forças russas a realizarem operações de assalto que levaram a combates de rua com os defensores ucranianos. Não é no entanto claro se Severodonetsk – o foco de semanas de combates ferozes – foi cercada e se tropas do governo ucraniano repeliram soldados russos durante combates de curta distância. Autoridades regionais relataram que as forças russas estavam “invadindo” esta estratégica cidade oriental.
  Severodonetsk é uma cidade da Ucrânia, situada no Oblast de Luhansk. Tem 50 km² de área e sua população em 2020 foi estimada em 102.396 habitantes [comparando... no Censos2021 o Município de Viseu tinha 99.274 habitantes]. Seu nome vem do rio Seversky Donets. É uma das cidades ucranianas de maioria russa. Desde a conquista da cidade de Lugansk pelos seperatistas pró-russos em maio de 2014, Severodonetsk serviu como capital do Oblast de Lugansk. Em 22 de julho de 2014, as forças ucranianas retomaram o controle da cidade.

 


1024.jpgO Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse neste domingo [29mai2022] que tinha despedido o chefe dos serviços de segurança de Kharkiv por "não trabalhar na defesa da cidade" desde o início da invasão russa. "Vim, descobri e despedi o chefe dos Serviços de Segurança da Ucrânia da região (Kharkiv) pelo facto de não ter trabalhado na defesa da cidade desde os primeiros dias da guerra em grande escala, mas apenas pensava em si próprio", disse Zelensky no seu discurso nacional diário, depois de visitar pela primeira vez desde a invasão russa o leste do país, em plena guerra. Zelensky afirmou também que toda a infraestrutura crítica de Severodonetsk, onde pelo menos 1.500 pessoas foram mortas esta sexta-feira, foi destruída no decurso da invasão russa. "Tomar esta cidade é, agora, o principal objetivo da Rússia". A visita marca a primeira aparição oficial do presidente ucraniano fora da região de Kharkiv desde o início da invasão russa da Ucrânia em grande escala. Entretanto, funcionários regionais ucranianos relataram que as forças russas estavam a "invadir" a cidade oriental de Severodonetsk.

 


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Adoraria estar completamente errado, mas as últimas notícias da situação na Ucrânia levam-me a acreditar que estamos perante a mais que provável queda do Donbas nas mãos das tropas de Putin. Disse-o na altura que a rendição das tropas ucranianas refugiadas nas instalações siderúrgicas de Azovstal, onde também se encontrava grande parte do Batalhão Azov, era o início do fim para as aspirações de Volodymyr Zelensky em “correr” com o invasor. E agora, como também já venho dizendo, há que sentar à mesa das negociações e conseguir uma paz minimamente “honrosa” para ambas as partes. Henry Kissinger é uma puta velha da política internacional (pardon my french) e estava com carradas de razão quando no Fórum Económico Mundial de Davos defendeu a urgência da paz, antes que se criem "tensões e dificuldades que depois serão mais difíceis de ultrapassar". 


Raul Vaz Osorio - David, está enganado. O que se passa no Donbass é que os russos perceberam que, em combates de proximidade, os ucranianos lhes arreiam forte e feio. Por isso, optaram por combate de artilharia a 40km de distância, em tapete, como fizeram em Mariupol. Isto porque a Ucrânia não tem armamento para combate a essa distância. Por isso é que os ucranianos têm sido tão insistentes nos pedidos de lança rockets americanos, que lhes dariam a capacidade para esse combate em profundidade. Só que os americanos sabem que isso daria à Ucrânia a capacidade para atacar território russo e têm medo das consequências, pelo que se estão a cortar. Se os ucranianos conseguirem ultrapassar os receios americanos, a situação pode virar muito rapidamente. Se não, estão em desvantagem, mas os russos só vão conquistar ruínas. Portanto, sim, neste momento a Ucrânia está em desvantagem, mas isso nada tem a ver com o regimento Azov. 
David Ribeiro - Meu caro Raul Vaz Osorio... aos russos é indiferente se o Donbas é só ruinas ou não. Depois das tropas de Putin não terem conseguido colocar em Kiev um governo fantoche só lhes resta o leste e sul da Ucrânia e, acredito eu, não vão ter contemplações. Quanto à ajuda militar aos ucranianos por parte dos EUA ou de UE, a existir, temo que já venha tarde, pelo que seria interessante, no meu entender, que ambos os beligerantes se sentassem à mesa das conversações. De qualquer forma não se vê grande "salvação" para o Donbass, que irá ter o mesmo fim da Crimeia. 
Raul Vaz Osorio - David Ribeiro tudo isso será verdade, apenas disse que não tinha a ver com o regimento Azov, mas sim com armamento. 

David Ribeiro - ... mas o "Regimento Azov", pelo qual não tenho nenhuma simpatia, dá muito jeito à propaganda russa. 



Publicado por Tovi às 07:42
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Sábado, 21 de Maio de 2022
António Costa em visita à Polónia e Ucrânia

 António Costa na Polónia
Captura de ecrã 2022-05-20 204843.jpgO primeiro-ministro António Costa confirmou ontem, após reunir-se com o seu homólogo polaco, Mateusz Morawiecki, em Varsóvia, que Portugal está a discutir com vários governos a possibilidade de usar o porto de Sines como plataforma de distribuição de gás, transferindo-o de navios maiores para embarcações mais pequenas, capazes de operar nos mares Báltico e do Norte. Mateusz Morawiecki, por seu lado, revelou que a Polónia está interessada em cooperar com Portugal num eventual transporte de gás natural liquefeito (GNL), referindo que o seu país está a tornar-se num eixo para o gás e, portanto, "se pudermos obter gás adicional [...] estaríamos muito interessados neste tipo de cooperação com Portugal", concluiu Morawiecki.
Para além das questões energéticas, António Costa, deixou a garantia de que Portugal vai reforçar o apoio material à Polónia no esforço que este país está a fazer no acolhimento aos refugiados ucranianos, num valor “até ao montante máximo” de 50 milhões de euros, traduzidos no envio de “casas pré-fabricadas, casas modelares, produtos farmacêuticos e bens alimentares, roupa e calçado”, entre outros, voltando a referir que o país continua disponível para colaborar com as autoridades polacas na partilha do esforço de acolhimento dos refugiados ucranianos. Após o encontro com o seu homólogo polaco, António Costa deslocou-se ao Estádio Nacional de Varsóvia, onde está instalado o maior centro de acolhimento a refugiados da guerra na Ucrânia, reiterando a promessa de solidariedade de Portugal no processo de acolhimento, instalação e encaminhamento.

 

  António Costa em Irpin
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O primeiro-ministro dirigiu-se até Irpin, uma das zonas mais afectada pela guerra que fica a cerca de 20 quilómetros da capital ucraniana. “Ver ao vivo é algo absolutamente devastador pela brutalidade do ataque, a forma cruel como os carros foram metralhados com pessoas lá dentro”, disse Costa em Irpin. “É muito duro ver”, diz o primeiro-ministro em visita à cidade que esteve tomada pelos russos. “A guerra é sempre dramática, mas quando é entre militares são as regras do jogo. Quando é sobre civis, as suas habitações e viaturas quando estavam a fugir, já não é uma guerra normal, já estamos a falar de algo absolutamente criminoso que visa a pura destruição da vida das pessoas e do futuro de um país”. Antes de terminar a breve visita a Irpin, o primeiro-ministro disse, em relação aos crimes de guerra, que “é fundamental que a investigação prossiga” e que os “responsáveis devem ser levados perante a justiça e punidos”.

 

  António Costa em Kiev
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O primeiro-ministro português esteve hoje reunido com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro António Costa revelou que propôs o apoio de Portugal na reconstrução de escolas na Ucrânia. “Estamos disponíveis para patrocinar uma zona geográfica ou a reconstrução de escolas e jardins de infância”. A discussão continuará agora em reuniões com o governo, disse Costa que apontou com vantagem nacional no apoio à reconstrução de escolas a experiência na reconstrução destas infraestruturas em Portugal pela Parque Escolar. No início da declaração que fez no palácio presidencial, Costa disse ter sido “com grande emoção” que teve a “oportunidade de ser recebido pelo presidente Zelensky. “Um líder que inspira o mundo e nos tem dado a todos grande exemplo de coragem, personalizando notável resistência contra agressão ilegal e forma bárbara como a Rússia tem conduzido a guerra em território ucraniano”.  Nesta conferência de imprensa depois da reunião com António Costa, o presidente ucraniano afirmou que “Portugal nesta luta está do lado justo da história”.

 

  Adesão da Ucrânia à União Europeia 
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O primeiro-ministro português elogiou a resistência do povo ucraniano: “Persistência, determinação e coragem não lhes falta. Se têm tido para esta guerra, não há de faltar para desafios muito mais fáceis como a adesão europeia”, disse afirmando que a UE é “o destino” da Ucrânia, mas frisou: “Os processos de adesão são altamente complexos, incertos e difíceis. O nosso levou 9 anos”. Zelensky responder depois: “Compreendo que muitos países esperaram muitos anos para chegar a ser candidatos e depois membros. Mas é incorreto comparar a Ucrânia com esses países que passaram esse caminho em paz. Nós, em guerra, não estamos só a perder o tempo, mas também pessoas, vidas humanas, por isso agradeço quem apoia a nossa candidatura”. 

 

  Al Jazeera - 15h26 (TMG) de 21mai2022
Portugal PM Costa visits Ukraine, meets Zelenskyy
Portugal’s Prime Minister Antonio Costa says he supports Ukraine’s European Union accession bid. Speaking alongside Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy during a visit to Kyiv, Costa backed Ukraine’s EU ambitions saying “the worst thing the European Union could do to Ukraine would be to divide itself now over any decision regarding the future.” Costa reaffirmed Portugal’s commitment to the reconstruction of Ukraine stating it should be a priority in the next European Councils to find a collective response on how to rebuild the war-torn country. “We must be together, because it is together that we can build our Europe,” Costa said.

 

  
transferir.jpgAntónio Costa entregou a insígnia da Ordem da Liberdade a um funcionário diplomático na embaixada portuguesa em Kiev. Trata-se de Andrei Putilovskiy que ajudou dezenas de portugueses e luso-ucranianos a abandonar o país. O funcionário da Embaixada recebeu a insígnia da Ordem da Liberdade por ter permanecido em Kiev, disponível no apoio aos portugueses, luso-ucranianos e ucranianos que procuravam sair do país e chegar a Portugal. "Prestar esse auxílio em tempo de guerra exige, muitas vezes, gestos excecionais de bravura e coragem como aqueles de que deu prova. Estão-lhe gratos, seguramente, todos aqueles que pode salvar", afirmou António Costa. 

 

  Público e JN de 22mai2022
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Publicado por Tovi às 08:35
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2022
As últimas da invasão russa da Ucrânia

  Os horrores da Guerra
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Militares do batalhão Azov feridos e retidos na siderúrgica Azovstal.

 

  "Sementes douradas" a caminho de Portugal
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Tendo Portugal como destino, o “Lady Dimine” está prestes a deixar Constanta, um porto romeno do Mar Negro que se tornou num raro ponto de saída marítimo para os produtos agrícolas ucranianos. O navio de 160 metros de comprimento e 26 mil toneladas é o segundo em cinco dias a atracar no cais 80 para receber uma preciosa carga de sementes douradas do país vizinho, cujos portos estão bloqueados pelo invasor russo.

 

  Ainda sobre "A Guerra traz sempre a fome"...
grupo-de-refugiados-que-viajam-fugindo-da-guerra-o“Neste momento vamos viver uma crise humanitária e alimentar como talvez nunca tenhamos vivido desde a Segunda Guerra Mundial”, considera Pedro Graça, especialista em Nutrição Humana e professor na Universidade do Porto (UP). “Mas foi para lidar com [situações como esta] que foram criados organismos internacionais que não existiam antes da Segunda Guerra Mundial, como a ONU e a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura]. Se as Nações Unidas não conseguirem combater a guerra, têm a obrigação de combater a fome. Isso vai ser um dos grandes desafios da ONU neste e no próximo ano”.

 

  
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Antonio Guterres diz que “a guerra não durará para sempre”, mas alerta que as negociações sobre o fim do conflito provavelmente não ocorrerão em breve.

 


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Volodomyr Zelensky continua a pedir armas, armas e mais armas, mas a guerra é muito mais que só armas. E sendo certo que Mariupol já caiu há uns dias nas mãos dos russos, restam-nos os elementos do Batalhão Azov, e outros combatentes de diferentes ramos, mercenários e civis, que continuam no complexo siderúrgico de Azovstal. Há que saber quem é quem neste último reduto dos combatentes ucranianos e isto é fundamental para uma evacuação, pois como todos sabemos que não chega vestir um camuflado para ser militar, também não chega despir o camuflado para ser civil.

 


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“A arte da diplomacia baseia-se em procurar vias e meios de diálogo que possam levar a um entendimento, a um mínimo denominador comum entre partes beligerantes e inimigas. (…) Por isso não basta entregar armas, é também necessário ir pensando os termos da paz.”

 

  Ucrânia - é imperioso sair da caixa
(Francisco Seixas da Costa no Expresso)
A História mostra que, para pôr termo a um conflito, ou se derrota totalmente o inimigo (e a Rússia não é derrotável, enquanto potência, como sabe quem sabe destas coisas) ou se fala com ele para ir aferindo das hipóteses de um acordo. Pensar que o tempo corre sempre a nosso favor é uma ingenuidade perigosa.

 

 

  Comentários no Facebook ao que por aqui tenho escrito

Chico Gouveia - O Batalhão AZOV é um exemplo. De integração nos quadros do exército normal, na determinação em lutar até ao fim pela Pátria. E é aqui que o neo-nazismo cai. Como moda, que foi e é. No fundo, de nazis pouco ou nada tinham. As circunstâncias da guerra levaram-nos a desvios. Mas, de patriotas, muito têm. Vão ser dizimados. Porque acreditam na independência do seu país. Nós andamos a assistir a uma guerra no sofá. Sabemos lá o que é a guerra, a fome, a sede, os meses de isolamento sem sol, a luta dia a dia para a sobrevivência. Honra e Glória aos que ainda continuam na lutar por ideais. (nota: os meus agradecimentos ao David Ribeiro por nos trazer diariamente os pontos de situação, e à sua generosidade de nos deixar, aqui, expressar os nosso estados de alma).

Altino Duarte - Tenho acompanhado o que o David Ribeiro tem escrito sobre o que se vai passando sobre esta guerra que nunca imaginamos acontecer nos nossos dias. Mesmo não tirado conclusões apressadas e talvez por isso mesmo tenho apreciado o facto de não fazer juízos próprios sobre o que se vai passando mas, pelo contrário, deixando que cada um as faça por si próprio. Não faltam por aqui especialistas na matéria, bem assim e principalmente nas televisões que, com algumas excepções, nos entram todos os dias e a toda a hora tantos conhecedores do assunto que me fazem lembrar os tempos mais agudos da pandemia em que acontecia o mesmo. A questão dos militares confinados ao complexo siderúrgico Azovstal é um assunto que merece reflexão e sem saber como vai acabar não me parece que seja difícil de entender o que os beligerantes pretendem: os russos, creio eu, a rendição dos sitiados e estes uma qualquer solução que não passe por aí mas uma qualquer manobra que lhes permita uma saída tanto quanto possível diferente e que, mesmo arriscada, lhes permita salvar a face e especialmente a pele. Não comungo de algumas conclusões que por aqui vão passando do sentimento patriótico dos combatentes do Azov e igualmente de outros do mesmo tipo que, ao que parece, se encontram nas mesmas circunstâncias. Quanto ao resto, deste caso em particular e do que os dois campos transmitem, quer através da imprensa quer mesmo em imagens, sou bastante prudente e não embarco em quasi nada do que nos é contado. Tenho uma especial desconfiança pela generalidade dos orgãos de C.S. (até pode ser defeito meu) e quando tudo se passa num conflito de guerra em que a mentira faz parte intrínseca da mesma, ainda menos acredito no que é relatado. Um Bom Dia, caro David Ribeiro

 

  
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O jornal The Independent está a noticiar um navio logístico russo - Vsevolod Bobrov - a arder no Mar Negro após um ataque ucraniano, segundo relato de Serhiy Bratchuck, porta-voz da administração militar regional de Odessa, no sul da Ucrânia.



Publicado por Tovi às 07:37
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Terça-feira, 10 de Maio de 2022
A Guerra traz sempre a fome

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Pessoas recebem pão durante distribuição de ajuda humanitária na cidade portuária de Mariupol (in Al Jazeera, foto de Alexander Ermochenko/Reuters)

 

Ainda ontem [2.ª feira 9mai2022], o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, durante uma visita ao porto de Odessa, lamentava que “silos cheios” de alimentos prontos para exportação estejam bloqueados neste importante porto ucraniano no Mar Negro. “Vi silos cheios de grãos, trigo e milho prontos para exportação (…) Esta comida tão necessária está retida por causa da guerra russa e do bloqueio dos portos do Mar Negro. Causando consequências dramáticas para países vulneráveis. Precisamos de uma resposta global”. Ainda na semana passada funcionários da ONU alertaram que a falha no envio desses produtos prejudicará a segurança alimentar nos países importadores, especialmente os mais pobres na África e em outros lugares.

Segundo disse o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, a Ucrânia perde 170 milhões de US Dólares a cada dia que lhe é cortado o acesso ao mar e a capacidade nacional de exportação fica reduzida para mais da metade. “Noventa milhões de toneladas de produtos agrícolas, que a Ucrânia planejava exportar para países da Ásia, África e Europa, foram bloqueados”, disse Shmyhal na cidade portuária de Odesa, falando ao lado do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. Shmyhal disse que alguns produtos foram exportados por rodovias ou ferrovias, mas algumas outras reservas permaneceram em áreas sob bombardeamentos ou foram capturadas pela Rússia. 

Zelensky, depois de ter conversado com o presidente do Conselho Europeu, publicou um post no Telegram, pedindo medidas imediatas para abrir os portos ucranianos bloqueados pela Rússia, a fim de permitir a exportação de trigo e evitar uma crise alimentar global. “É importante evitar uma crise alimentar no mundo causada pelas ações agressivas da Rússia”, disse Zelensky.

Já no passado mês de março o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha alertado para o facto de a guerra na Ucrânia poder provocar uma crise alimentar mundial. Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na altura que o mundo pode enfrentar um "furacão de fome". “Vamos tirar comida aos esfomeados para dar aos famintos”, foram as palavras inequívocas do diretor executivo do Programa Alimentar Mundial e mostram a escala dramática da crise que se começa a desenhar. 

“Neste momento vamos viver uma crise humanitária e alimentar como talvez nunca tenhamos vivido desde a Segunda Guerra Mundial”, considera Pedro Graça, especialista em Nutrição Humana e professor na Universidade do Porto (UP). “Mas foi para lidar com [situações como esta] que foram criados organismos internacionais que não existiam antes da Segunda Guerra Mundial, como a ONU e a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura]. Se as Nações Unidas não conseguirem combater a guerra, têm a obrigação de combater a fome. Isso vai ser um dos grandes desafios da ONU neste e no próximo ano”. 



Publicado por Tovi às 08:10
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Sábado, 7 de Maio de 2022
Rinat Akhmetov... o dono da Azovstal

 Quem é o oligarca ucraniano dono da Azovstal (e de meio país)
(Bruno Faria Lopes, na Sábado - 5mai2022)

img_980x653$2022_05_04_22_54_09_671428.jpgO homem mais rico da Ucrânia, que promete usar a sua fortuna para reconstruir Mariupol, tem origem humilde e uma ascensão tão meteórica quanto suspeita. Há seis meses estava em guerra aberta com Zelensky - a invasão russa parece tê-los unido temporariamente.
Parte da onda de apoio que levou o comediante Volodomyr Zelensky à presidência da Ucrânia em 2019 assentava numa promessa: fazer frente aos oligarcas do país. Nenhum é maior do que Rinat Akhmetov – a sua fortuna, citada pela Forbes em mais 7 mil milhões de dólares, supera o total dos três bilionários seguintes no ranking. Mas, se há apenas seis meses Zelensky e Akhmetov travavam uma batalha feroz por influência, a invasão russa parece ter congelado as diferenças. Akhmetov tem elogiado o Zelensky, criticado o regime de Moscovo do qual era próximo – e promete ajudar a reconstruir Mariupol, onde se trava a batalha pelo último reduto ucraniano no complexo da Azovstal, pertença do oligarca. 
Rinat Akhmetov, 55 anos, é dono de um conglomerado enorme (System Capital Management) para a escala e o desenvolvimento da Ucrânia. Os negócios vão dos metais às minas, da energia à banca, do imobiliário às telecomunicações, do futebol (é dono do Shakhtar Donetsk) aos media (tem mais do que uma estação de TV). Ao todo emprega mais de 200 mil pessoas, quase 2% do que era a população empregada antes da guerra. A fortuna gerada anos após ano por este império dá margem para Akhmetov fazer o que os oligarcas tipicamente fazem: gastos sumptuosos que saltam para os media internacionais.
Em 2011, por exemplo, Akhmetov comprou por 136,4 milhões de libras um apartamento em Londres, que os media britânicos descreveram como uma "fortaleza" com janelas à prova de bala e segurança feita por ex-fuzileiros. Já em 2020 juntou ao seu portfolio imobiliário uma mansão de finais do século XVIII situada na Riviera francesa – com um dos mais importantes jardins botânicos do mundo, segundo citação do antigo proprietário Financial Times – por 200 milhões de euros. O clube de futebol Shakhtar Donetsk – que venceu a Liga Europa e foi treinado por portugueses – é outra das extravagâncias de Akhmetov.
De origens humildes – o pai era mineiro, a mãe trabalhava numa loja – Akhmetov trabalhou nos anos 80 para um milionário com ligações ao crime, Akhat Bragin. Ao longo do percurso de Akhmetov são várias as referências ao seu envolvimento em actividade criminosas nos anos 80 e 90, de lavagem de dinheiro a fraude. O bilionário, que sempre negou esse envolvimento, foi investigado mais do que uma vez, mas nunca foi julgado pela justiça do seu país, um dos mais corruptos da Europa. A origem da vasta fortuna é difícil de precisar. O seu patrão Bragin morreu em 1995, com uma bomba no seu carro dentro do estádio do Shakhtar Donetsk, de que era presidente. Em 2000 fundou a System Capital Management Group e, por entre investigações judiciais que iam caindo, o músculo da empresa foi crescendo.
Com a assunção da fortuna veio o perfil mais público do bilionário e a participação na política. Rinat Akhemtov não foi só um grande financiador do Partido das Regiões, o partido pró-russo que dominou a vida política do país entre 2006 e 2014 – foi Akhmetov que fez a ponte entre o norte-americano Paul Manafort e o político Viktor Yanukovich. Manafort, um consultor político e lobista que dirigiu a campanha de Donald Trump em 2016, prestou serviços ao partido ucraniano, que caiu na revolução de 2014.     
A guerra entre separatistas russos e forças ucranianas no leste da Ucrânia (Donbas) em 2014 e a invasão russa este ano destruíram uma parte substancial dos negócios e da fortuna estimada de Akhmetov (que terá caído para menos de metade), que foi montando organizações de apoio humanitário na região leste. Em novembro do ano passado, Zelensky – que reteve pagamentos a uma das empresas do bilionário e preparava legislação para o afastar dos media – acusou Akhmetov de estar envolvido numa conspiração com apoio russo para o afastar do poder, coisa que o oligarca negou com veemência. Meses depois o cenário mudou radicalmente para os dois homens e o país a que pertencem: ambos exigem publicamente a retirada russa e a recuperação do território da Ucrânia.

 

 

  Esta manhã autoridades no território separatista moldavo da Transnístria denunciaram novos ataques... naquilo que eu considero o "novo" polo de conflito no Leste Europeu.
"...novos ataques de 'drones' de origem desconhecida."
"...foram lançados dois engenhos explosivos a partir de um 'drone'..."
"...ninguém morreu ou ficou ferido..."
"...foi o segundo ataque na cidade de Voronkovo..."
"...situação na Transnítria começou a ficar tensa no final de abril..."
"Kiev alegou que era uma operação de 'bandeira falsa' da Rússia para culpar a Ucrânia..."
"...a Rússia descreveu os incidentes como uma tentativa de arrastar estes territórios para o conflito armado na Ucrânia."

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  Jose Antonio M Macedo - Como um paiol na Transnístria (o maior da Europa) está a "pôr os russos nervosos". Tem mais de 20 mil toneladas de material guerra, de calibre soviético, que poderá resolver os problemas das forças ucranianas. A situação na região pode inclusive criar um novo palco de conflito na Europa de Leste, segundo o major-general Agostinho Costa.

 

 

  Efeito colateral do conflito Rússia-Ucrânia
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  Edgar Morim (filósofo e ensaísta francês) no DN de hoje
Captura de ecrã 2022-05-07 140937.jpgVivemos uma paz guerreira, os nossos corpos instalados na paz, os nossos espíritos entre bombas e escombros. Atacamos um inimigo com palavras e ele ataca-nos com ameaças, mas nós dormimos numa cama e não num abrigo. E, no entanto, participamos na verdadeira guerra sem nela termos entrado, mas fornecendo-lhe armas e munições. (…) A estratégia do exército russo é implacável. Ela é filha da estratégia de Jukov, durante a Segunda Guerra Mundial, dando o protagonismo a formidáveis bombardeamentos de artilharia, não só contra o exército inimigo, mas também contra as cidades a tomar acabando com o esmagamento total pela artilharia pesada da capital do Reich, Berlim. Como todos os exércitos vitoriosos, mas mais terrivelmente no avanço soviético na Alemanha, assassinatos e violações multiplicaram-se. Nós soubemo-lo na altura, mas evitámos denunciá-los, explicando-os como uma vingança pelo imenso sofrimento e mortes infligidos pela Alemanha nazi às populações soviéticas. No que respeita à Ucrânia, povo se não irmão pelo menos primo próximo do povo russo, podemo-nos perguntar se assassinatos e violações se devem à desordem de certas tropas, à fúria da derrota ou a uma vontade de aterrorizar. (…) O que parece provável agora, salvo um golpe de estado no Kremlin ou um golpe militar fatal ou ainda um golpe de teatro diplomático (cessar-fogo, compromisso de paz), é que a guerra está para durar e intensificar-se com o contributo cada vez mais abundante das armas ocidentais e as retaliações cada vez maiores da Rússia. (…) Estamos na escalada da desumanidade e no colapso da humanidade, na escalada do simplismo e no colapso da complexidade. Mas, sobretudo, na escalada em direção à guerra mundializada e no colapso da humanidade para o abismo. Conseguiremos escapar a esta lógica infernal? (…) Por muito repugnantes que sejam as superpotências a diversos títulos, o apaziguamento dos seus conflitos é uma condição sine qua non para evitar os desastres generalizados. Assim, devemos aspirar a um compromisso. A humanidade não ficaria a salvo; ganharia uma prorrogação e, talvez, uma esperança.

 


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As notícias desta manhã dizem-nos que as tropas de Putin continuam a atacar a fábrica de Azovstal, em Mariupol, com tanques e artilharia. E alguém (não é importante quem) dizia na 5.ª feira [5mai2022], num canal de tv nacional, que “os militares não são feitos para se renderem, mas a função do sacrifício e de mobilização de um dos lados já surtiu efeito”, pelo que até seria desejável que estivesse já a ser negociada a saída dos militares, alegadamente do batalhão Azov, “sem este estrondo todo”. Também na tarde de hoje [7mai2022] seis mísseis atingiram a cidade portuária de Odesa, segundo informação da porta-voz do comando militar do sul da Ucrânia à emissora pública do país. Natalia Humeniuk disse que quatro mísseis atingiram uma fábrica de móveis numa área residencial, enquanto os outros dois atingiram uma pista de aviação já anteriormente danificada.

 

  16h26 (GMT) 7mai2022
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A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, acaba de anunciar que todas as mulheres, crianças e idosos foram retirados do complexo siderúrgico de Azovstal.
  David RibeiroA Rússia também confirmou que a evacuação de Azovstal foi concluída, mas há que ter algum cuidado com estas informações, visto que os esforços para retirar civis de Azovstal, em Mariupol, estão a ser coordenados pela ONU e pela Cruz Vermelha e até ao momento ainda nenhuma destas organizações confirmou o que foi noticiado. O presidente ucraniano admitiu, este sábado, que a Ucrânia está a preparar a retirada de todos os militares da fábrica Azovstal, último foco de resistência armada à invasão russa na cidade. Na última mensagem publicada nas redes sociais, Zelensky confirmou que todos os civis foram retirados da Azovstal e que, a seguir, seguem-se os militares feridos e médicos.



Publicado por Tovi às 07:02
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2022
Diálogo e Diplomacia... é preciso e fundamental

A Diplomacia é um instrumento da política externa, para o estabelecimento e desenvolvimento dos contatos pacíficos entre os governos de diferentes Estados, pelo emprego de intermediários, mutuamente reconhecidos pelas respetivas partes.

 


image (1).jpgEsta 2.ª feira [2mai2022] o presidente turco voltou  a convidar os seus homólogos da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, para uma cimeira na Turquia e garantiu que ambos os países lhe pediram ajuda para poder exportar cereais. "Tanto os ucranianos quanto os russos querem ajuda para exportar cereais", disse Recep Tayyip Erdogan aos órgãos de comunicação social depois de terminar a oração do Ramadão numa mesquita de Istambul.

 


Captura de ecrã 2022-05-03 173103.jpgO primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante uma visita oficial a Copenhaga, capital da Dinamarca, no dia de ontem [3.ª feira, 3mai2022] apelou a um "cessar-fogo imediato" na Ucrânia e pediu "diálogo e diplomacia para resolver o problema". Desde o início da guerra, a Índia tem sido duramente criticada por adotar uma postura neutral relativamente a este conflito.

 


Captura de ecrã 2022-05-03 174457.jpgEmmanuel Macron, presidente francês, pediu ontem [3.ª feira, 3mai2022] a Putin que "permita" a continuação da retirada de civis da fábrica de Azovstal, em Mariupol. Na chamada telefónica entre os dois chefes de estado, Macron deixou claro que a retirada dos civis deve ser feita "em coordenação com os atores humanitários e deixando que os civis escolham o seu destino, em conformidade com o Direito Internacional humanitário". O pedido surge numa altura em que as tropas russas voltaram a atacar o complexo industrial, de onde só foram retirados 159 civis.

 


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Embora a crise da invasão russa da Ucrânia ainda configure uma situação muito delicada, uma solução diplomática não está, nem pode estar, descartada. Todos aqueles que concordem numa janela crucial para a diplomacia, fazendo a Rússia recuar nas suas ameaças à Ucrânia, são bem-vindos ao diálogo. No passado dia 24 de abril assinalou-se o Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz, comemoração que enaltece o valor da cooperação internacional para o bem comum. Durante quase 75 anos, os acordos multilaterais estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial ajudaram a evitar um terceiro conflito global. No entanto, tal cooperação não se pode dar como garantida e continuamos a ter conflitos não resolvidos. Todos não somos demais para o diálogo e diplomacia em busca da PAZ.

 

  Hummm!... E estarão todos de acordo?... ao que constam há países que não estão p'raí virados.
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Quando a Rússia bloqueou na semana passada a venda de gás à Bulgária e à Polónia e ameaçou outros países que não aceitem pagar as faturas de energias em rublos, o Presidente dos EUA, Joe Biden, disse que não deixará que a Rússia “intimide” os países europeus com ameaças de bloqueio de recursos energéticos. “Não permitiremos que usem as suas reservas de petróleo ou de gás para evitar as consequências da sua agressão. Estamos a trabalhar com outros países, como Japão, Coreia do Sul ou Qatar para ajudar os nossos aliados europeus, ameaçados por essas chantagens”, prometeu Biden. E quanto é que isto vai custar aos bolsos dos europeus? É certo que todos teremos que "pagar" o que está a acontecer no leste europeu, mas há uns que pagarão muito mais do que outros. A continuação desta situação de "guerra" não vai levar a lado nenhum... reúnam-se à volta de uma mesa, dialoguem, pois com a Diplomacia poderá conseguir-se muito mais do que com os canhões.

Li ontem que quer a Rússia quer a Ucrânia estão "à rasca" para exportar os seus cereais e que Erdogan já está a tentar negociar com ambos uma forma de se conseguir fazer sair, via Mar Negro, estas produções, que até já estão a fazer falta em muitos países. É desta forma que se poderá chegar a algo que poderá ir na direção da PAZ.

Ao fim de dia de hoje soube-se que a Hungria rejeitou a proposta de um embargo progressivo da União Europeia (UE) ao petróleo russo nos termos propostos pela Comissão Europeia, alegando que põe em causa a segurança energética do país. A proposta prevê a proibição gradual das importações de petróleo pelos Estados-membros até final deste ano, mas inclui um ano suplementar para Hungria e Eslováquia, dois países altamente dependentes dos hidrocarbonetos russos. “O Governo, nesta forma atual [da proposta], não pode aprovar responsavelmente o novo pacote de sanções”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, no Uzbequistão, onde se encontra em visita oficial, citado pela agência espanhola EFE. Szijjártó reconheceu que a proposta prevê um ano suplementar para a Hungria eliminar as importações de petróleo russo, mas mesmo assim considerou que “não é tempo suficiente”. O chefe da diplomacia de Budapeste reiterou que o abastecimento energético da Hungria “está atualmente estável” e que o sexto pacote de sanções da UE contra a Rússia iria “afundá-lo completamente”.

 
 
 
  Ele lá sabe as linhas com que se cose, mas a evolução das tropas no terreno não augura nada de bom e era capaz de ser a altura para Zelensky se sentar a uma mesa de negociações, antes que se vão os anéis e nem fiquem os dedos.

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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta quarta-feira que o seu país não pode aceitar nenhum acordo com Moscovo enquanto as tropas russas permanecerem em território da Ucrânia. "Não aceitaremos um conflito congelado", sublinhou num encontro do Conselho de CEO (presidentes executivos) do The Wall Street Journal, acrescentando que não quer que a Ucrânia seja arrastada para um "lamaçal diplomático" como o acordo de paz para o leste da Ucrânia que foi intermediado pela França e pela Alemanha em 2015.


Jorge Veiga - às vezes mais vale ficar sem dedos... Eles lá sabem.
Manuel Rocha - Estou de acordo com o Presidente Ucraniano, negociação com os assassinos no terreno não é negociação, é "cedência".
David Ribeiro - Pois é, Manuel Rocha... mas por vezes até com os assassinos - e Putin e seus acólitos são assassinos - se tem que negociar. É que o Povo, o mais importante em tudo isto, muito pouco mais poderá aguentar.
Manuel Rocha - David Ribeiro, o Presidente está a seguir a vontade do Povo Ucraniano, aliás... Cedendo, os milhares e milhares de mortos seriam em vão.
David Ribeiro - Espero estar redondamente engando, caríssimo Manuel Rocha, mas a história já me ensinou como é que estas coisas normalmente acabam. É triste, mas o destino da Ucrânia como gostaríamos de o ver, não parece muito viável, a continuarem nesta posição os senhores de Kiev. Ainda agora acabei de ler os comentários feitos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano e vê-se que estão a chegar a um ponto em que já não sabem o que é a diplomacia. "O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, afirmou esta quarta-feira que os Estados-membros da União Europeia que se opõem a um embargo ao petróleo russo são “cúmplices de crimes de guerra."
Manuel Rocha - Com o hitler também deixou de haver diplomacia,tal como agora com o putin.
Teresa Canavarro - David Ribeiro a cedência seria uma rendição e a História também nos ensinou que a negociação com um assassino tem um preço muito alto.
David Ribeiro - E o que é que a minha querida amiga Teresa Canavarro vê como solução?... a continuação de combates até um se render?
Teresa Canavarro - David Ribeiro infelizmente só vejo uma solução. Não ter medo de Putin. É isso implicaria arriscar se calhar a nossa sobrevivência. Terrível, pois. Um bjo.



Publicado por Tovi às 07:33
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2022
António Guterres em Kiev

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O secretário-geral das Nações Unidas viajou ontem da Polónia para a Ucrânia, tendo chegado ao final da tarde a Kiev. António Guterres, ao contrário de outros líderes mundiais, fez a viagem de carro e não de comboio, devido aos mais recentes ataques russos terem destruído muitas das infraestruturas ferroviárias da Ucrânia.

Para o dia de hoje Guterres tem agendados encontros com o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros e de seguida com o presidente Zelensky.

 

  Esta manhã, Guterres em Bucha e Irpin, na Ucrânia
"Imagino as minhas netas a fugir, e parte da minha família morta (...) O meu sentimento é de que nenhuma guerra pode ser aceite no século XXI (...) As pessoas a viver nestes prédios pagaram o preço mais alto de uma guerra para a qual não contribuíram. Onde quer que haja uma guerra, o preço mais alto é sempre pago pelos civis", afirmou o Secretário-Geral da ONU, que está a visitar Bucha e Irpin, locais muito afetados pela invasão russa.
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  Guterres já se encontrou com Zelensky
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Declarações do presidente da Ucrânia, em conferência de imprensa conjunta com o Secretário-geral das Nações Unidas: "Estou grato pelo secretário-geral da ONU estar aqui". Volodymyr Zelensky disse também, após a reunião com António Guterres, que acredita que um "resultado bem-sucedido" é possível "em termos do desbloqueio da Azovstal, em Mariupol. "Acredito que a Ucrânia é uma prioridade", reiterou. 
António Guterres afirmou que a situação em Mariupol "é uma crise dentro de uma crise". Em conferência de imprensa após o encontro com Volodymyr Zelensky, o Secretário-geral das Nações Unidas assegurou que "estamos a fazer todos os possíveis para retirar pessoas da Azovstal".  Guterres lamentou a violação dos direitos humanos e reitera que a ONU" vai procurar responsabilização" pelo que aconteceu nos arredores de Kiev: "Presenciei violação de direitos humanos". "O Conselho de segurança falhou em prevenir a guerra", apontou o secretário-geral.

  Durante a transmissão da conferência de imprensa conjunta entre António Guterres e Volodymyr Zelensky (transmitida em diferido por questões de segurança), foram ouvidas duas grandes explosões no centro da capital ucraniana, não muito longe do Palácio Presidencial. Reporteres presentes no local onde o secretário-geral da ONU e o presidente da Ucrânia estiveram reunidos, relatam diversas ambulâncias e viaturas de socorro a dirigirem-se para a zona das explosões. 
  
Segundo indicou um conselheiro do ministro do Interior ucraniano, foram lançados dois mísseis, tendo um deles sido abatido e o outro terá atingido uma antiga fábrica de material militar, com o míssil acabando por atingir um prédio residencial, causando seis feridos, já encaminhados para o hospital. A mesma fonte não soube dizer qual a gravidade dos ferimentos nem se já foi apurado o número de mortos. Jornalistas portugueses no terreno identificam o alvo como uma fábrica estatal de mísseis em pleno funcionamento. A Al Jazeera, citando os serviços de emergência ucranianos, diz que p
elo menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas neste ataque a Kiev, incluindo algumas que ficaram presas nos escombros depois de dois prédios terem sido atingidos.
  
Volodymyr Zelensky, na sua mensagem diária em vídeo, declarou, nesta quinta-feira: "Hoje, imediatamente após o fim das nossas conversas [com Guterres] em Kiev, mísseis russos voaram sobre a cidade, cinco mísseis. Isso diz muito sobre a verdadeira atitude da Rússia em relação às instituições mundiais, sobre os esforços da liderança russa para humilhar a ONU e tudo o que a organização representa. E, portanto, requer uma resposta apropriada e poderosa. (...) Os ataques com mísseis russos na Ucrânia - em Kiev, Fastiv, Odessa, Khmelnytskyi e outras cidades - provam mais uma vez que não se pode relaxar ainda, não se pode pensar que a guerra acabou. Ainda precisamos de lutar, precisamos de expulsar os ocupantes."



Publicado por Tovi às 07:55
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Terça-feira, 26 de Abril de 2022
Guterres meteu pés ao caminho... a ONU no terreno

Captura de ecrã 2022-04-24 101456.jpgNão vos parece, ou serei só eu que considero esta "indignação" do presidente ucraniano completamente descabida?... Tanto quanto me foi dado saber pela comunicação social António Guterres vai a Kiev dois dias depois de visitar Moscovo e esta sua decisão, seja qual tenha sido o motivo, não me parece relevante para o fim pretendido pela ONU. Dizem as últimas notícias (via Al Jazeera) que "o secretário-geral da ONU visitará a Turquia, importante mediador que busca o fim da guerra da Rússia contra a Ucrânia, antes de seguir para Moscovo e Kiev, segundo o seu gabinete".
Desculpem lá meus amigos, mas continuo sem entender qual a relevância de Kiev ser visitada pelo Secretário-geral da ONU depois ou antes de Moscovo... provavelmente o defeito será meu, mas não consigo entender, até porque são escassos os argumentos que apoiam esta "indignação" do presidente da Ucrânia e, tanto quanto me parece, em nada contribuem, quer para a condenação do invasor Putin, quer para a tão desejada paz.

 

  Agenda do Secretário-geral da ONU
O secretário-geral visitará Ancara, na Turquia, onde, no dia 25 de abril, será recebido pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan.
O secretário-geral visitará Moscovo, Federação Russa, onde, no dia 26 de abril, terá uma reunião de trabalho e almoço com o chanceler Sergey Lavrov e será recebido pelo presidente Vladimir Putin.
O secretário-geral também visitará a Ucrânia, onde terá uma reunião de trabalho com o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, e será recebido pelo presidente Volodymyr Zelensky em 28 de abril. Também se reunirá com funcionários de agências da ONU para discutir a ampliação da assistência humanitária ao povo da Ucrânia.


Paulo Pereira - Se calhar esta espera para actuar pode ter feito sentido. Talvez as partes possam agora finalmente negociar um acordo.
Paulo Teixeira - Já vem tarde e vai com prioridade trocadas... Devia ir a Polónia que está ela sim a aguentar tudo quase sozinha... De facto o homem não foje de pântanos... Ele é um
Paulo Pereira - Paulo Teixeira parece que o objectivo destas visitas é tentar obter um cessar fogo e negociações entre as partes em guerra por isso essa ordem das visitas
Paulo Teixeira - Paulo Pereira dois meses depois de um silêncio sangrento? Já vem tarde e nada vai sair dali. Nem o exemplo que devia ter sido ele a dar de início
Paulo Pereira - Paulo Teixeira mas mais vale tarde que nunca e alguma coisa poderá resultar. Pior não fica...
Paulo Teixeira - Paulo Pereira será... Feliz por existir um optimista... Fazem falta
David Almeida - Apenas leva um atraso de 2 meses... Tentar mediar algo que escalou para a destruição, quase total, das maiores cidades da Ucrânia, poder-se-á dizer que 'a montanha vai parir um rato'...!
David RibeiroContextualizando... No início de março deste ano a Assembleia Geral das Nações Unidas votou para exigir que a Rússia parasse a sua ofensiva e retirasse imediatamente todas as tropas. As resoluções da Assembleia não são juridicamente vinculativas, mas podem refletir e influenciar a opinião mundial. A votação viu 141 estados votarem a favor da moção, cinco contra (Rússia, Bielorrússia, Síria, Coreia do Norte e Eritreia) e 35 abstenções (China, Índia, Irão e Iraque, entre outros). Esta foi a primeira sessão de emergência convocada desde 1997.
David AlmeidaDavid Ribeiro logo aí, devia ter havido uma reação 'musculada' por parte da ONU.
David RibeiroPois, David Almeida ... mas o direito de veto, coisa que no meu entender nunca teve razão de ser, condiciona tudo.
David AlmeidaDavid Ribeiro tem toda a razão, estou na mesma 'amurada'...

  O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, encontrou-se esta segunda-feira com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan
Captura de ecrã 2022-04-26 002804.jpgEm comunicado, a ONU informou que Guterres aproveitou o encontro com Erdogan para expressar o seu apoio aos esforços diplomáticos em andamento por parte da Turquia em relação à guerra na Ucrânia, com ambos a reforçarem que o "seu objetivo comum é acabar com a guerra o mais rápido possível e criar condições para acabar com o sofrimento dos civis". "Eles enfatizaram a necessidade urgente de acesso efetivo através de corredores humanitários para evacuar civis e fornecer assistência muito necessária às comunidades afetadas. O Presidente e o secretário-geral concordaram em manter contacto para acompanhar as iniciativas em andamento", diz a nota. Ainda no encontro em Ancara, capital da Turquia, Guterres e Erdogan discutiram ainda o impacto da guerra da Rússia na Ucrânia em questões regionais e globais, incluindo em setores como energia, alimentos e finanças.


Paulo Teixeira - David Ribeiro ou seja andaram a fazer tricô ....
David Ribeiro - Não te esqueças, Paulo Teixeira, que Erdogan é uma peça chave na geopolítica da região, quer se goste ou não.
Paulo Teixeira - David Ribeiro um tigre de papel...
Mário Santos - Meteu os pés e vão lhe dar uns patins.

 

  Guterres quer grupo de contacto para criar corredores humanitários efetivos
Captura de ecrã 2022-04-26 135434.jpg“É a minha convicção que quanto mais cedo acabar esta guerra, melhor”, disse António Guterres na conferência de imprensa que decorreu esta manhã, no seguimento do diálogo bilateral com o ministro dos negócios estrangeiros da Rússia. O secretário geral das Nações Unidas (ONU) sugeriu o estabelecimento de um grupo de contacto humanitário que junte a Rússia, a Ucrânia e a ONU para se abrirem corredores humanitários efetivos, com cessação de hostilidades locais, que permita a evacuação segura de civis que queiram sair em qualquer direção que desejem. E defendeu a existência de investigações independentes, mas deixando claro que o secretariado da ONU “não tem o poder para fazer esse tipo de investigações”. Lavrov diz que a Rússia entregou uma proposta aos negociadores ucranianos há mais de dez dias que “não levaram o documento ao seu presidente”. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo diz que as tropas russas estão no território ucraniano a defender os direitos de pessoas que foram bombardeadas por oito anos, acusando que é uma “prática nazi” tentar impedir o russo de ser falado na vida diária. Mas quando Guterres diz “Tive uma discussão franca com Sergei Lavrov, e ficou claro que há duas posições diferentes sobre o que está a acontecer na Ucrânia“, fico com a impressão que as conversações foram tensas... o que é mau para uma tentativa de encontrar a paz.

 

  Putin e Guterres já estão reunidos
279153074_10221291861673935_2680283962347951872_n.O presidente russo, Vladimir Putin, voltou a criticar a postura da delegação ucraniana nas negociações de paz, acusando a Ucrânia de não estar interessada em chegar a um cessar-fogo, num encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. “Os ucranianos não estão interessados nas negociações de paz”, afirmou Vladimir Putin. No entanto, avança que as negociações vão decorrer num formato online. O presidente russo reafirmou também que a Rússia "foi forçada" a invadir a Ucrânia, uma vez que, desde 2014, há uma parte da Ucrânia que não aceita as regras do poder em vigor na Ucrânia, derrubando a presidência pró-russa, sublinhando que a Rússia limitou-se a responder a um pedido humanitário das povoações do leste da Ucrânia. "A Rússia lançou uma operação militar especial de acordo com a carta da ONU", disse Putin na reunião com o secretário-geral da ONU.
Guterres propõe a criação de um canal aberto através das Nações Unidas, que permitam o contacto entre o Kremlin e Kiev, articulando, dessa forma, a chegada de ajuda humanitária às populações. Outra das propostas avançadas por Guterres passa por escrever um documento que coloque o fim às hostilidades, debatendo os argumentos e ouvindo as duas partes envolvidas no conflito. António Guterres falou também da situação “muito difícil” que se vive em Mariupol, destacando a importância da criação de mecanismos logísticos que façam chegar apoio aos civis que se encontram cercados no complexo metalúrgico da Azovstal.



Publicado por Tovi às 07:54
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2022
"Nossos últimos dias"... em Mariupol

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Serhiy Volyna, comandante dos fuzileiros navais ucranianos que lutam contra as forças russas em Mariupol, disse ontem [4.ª feira, 20abr2022] que as suas forças “podem estar a enfrentar os nossos últimos dias, se não horas”, já que a Rússia emitiu um novo ultimato aos combatentes que se encontram na fábrica siderúrgica da cidade sitiada. "O inimigo está nos superando em número de 10 para um", disse Serhiy Volyna, da 36.ª Brigada de Fuzileiros Navais, ao pedir a extração do último reduto em Mariupol num post no Facebook nesta quarta-feira. Acredita-se que centenas de civis estejam abrigados nos túneis subterrâneos da fábrica sitiada Azovstal. De acordo com informações russas, cerca de 2.500 combatentes ucranianos e 400 mercenários estrangeiros estão escondidos na siderúrgica, enquanto relatórios ucranianos dizem que aproximadamente 1.000 civis procuraram proteção lá. Não é possível verificar as informações fornecidas por ambos os lados, dada a escala dos combates e a falta de comunicações em Mariupol, cujo porto foi cercado por tropas russas em 1 de março, logo após o início da invasão russa em 24 de fevereiro. Considera-se que a cidade e o porto foram praticamente destruídos em semanas de bombardeamentos russos. Foi na última semana de março que a Rússia mudou o seu foco militar para o leste da Ucrânia, depois das suas forças se retiraram de Kiev e das suas áreas adjacentes, encerrando o que Moscovo chamou “a primeira fase” da guerra.

  A agência Reuters, citando testemunhas, afirmou que dezenas de pessoas estavam ontem à tarde a embarcar numa pequena caravana de autocarros na cidade de Mariupol, que viajaria para território controlado pela Ucrânia. O governador ucraniano da região de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, lamentou que tenham sido retiradas menos pessoas que o previsto na quarta-feira em Mariupol devido à falta de autocarros. Kyrylenko esperava a presença de 90 autocarros na cidade, que conseguiriam retirar 6 mil pessoas de Mariupol. "É claro que as pessoas se reuniram nos pontos de encontro acordados, mas poucas entraram nos autocarros", disse, citado pela Reuters.

  Nesta manhã [5.ª feira, 21abr2022] foi noticiado ter o ministro da Defesa russo informado Putin que a Rússia tomou Mariupol, segundo é avançado pela Reuters, que cita a agência russa Interfax. Segundo a Reuters, o ministro da Defesa russo, Shoigu, informou o Kremlin de que ainda há resistentes ucranianos na fábrica Azovstal, cerca de 2.000, e que 1.478 já se renderam, mas que as instalações estão bloqueadas de forma seguraA Rússia diz ainda que retirou mais de 142 mil civis de Mariupol e que há condições para o regresso dos civis, pois a situação está "calma". Em resposta, Putin ordenou que fossem cancelados os planos de ataque que existiam e felicitou o ministro da Defesa pela operação bem sucedida. Ainda em reação à tomada de Mariupol pelos russos, o presidente Vladimir Putin diz que os combatentes ucranianos que ainda estão na fábrica Azovstal serão poupados e tratados com respeito. Dizendo que a operação em Mariupol foi "um sucesso", o presidente russo ordenou ainda que as instalações da Azovstal sejam bloqueadas para que "nem uma mosca" passe despercebida.

  Iryna Vereshchuk, vice-primeira-ministra ucraniana, exigiu que a Rússia permita a abertura imediata de um corredor humanitário para retirar civis e feridos refugiados no complexo industrial de Azovstal"São agora cerca de mil civis e 500 soldados feridos. Precisam de ser removidos de Azovstal hoje", escreveu no Telegram. "Apelo aos líderes mundiais e à comunidade internacional para que foquem agora os seus esforços em Azovstal. Agora este é o ponto-chave e o momento-chave do esforço humanitário."

 

  Mais uma da série "Rússia invade Ucrânia"
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  Da série "Mariupol... a cidade que já não existe"
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  Na tarde de hoje... na Assembleia da República Portuguesa
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  No discurso, o presidente ucraniano lembrou que a luta do seu povo não é apenas pela independência mas também "pela sobrevivência" e comparou as revoluções ucranianas, de 2004 e 2014 à Revolução dos Cravos. "O vosso povo, que daqui a nada vai celebrar o aniversário da Revolução dos Cravos, que também vos libertou da ditadura, vocês sabem perfeitamente o que nós estamos a sentir", afirmou. Além disso, fez referência a duas das cidades mais fustigadas, Mariupol e Bucha, comparando-as, em termos de dimensão, a Lisboa e ao Porto. No final, pediu ajuda a Portugal em termos de armamento, sanções contra a Rússia e ajuda humanitária. Zelensky alertou ainda que, depois da Ucrânia, a Rússia vai tentar invadir Moldava, Georgia e os Países Bálticos. De seguida,  Augusto Santos Silva transmitiu a unidade nacional no apoio à Ucrânia e defendeu que o "país agredido" tem o direito de se defender. "Defendendo-se a si própria, a Ucrânia defende-nos a todos". O presidente da Assembleia da República disse ainda que Portugal não se ficou pelas palavras de condenação e de solidariedade, tendo enviado tropas para reforçar a NATO na Roménia, abriu portas aos refugiados ucranianos e apoiou várias sanções contra a Rússia. Santos Silva demonstrou ainda apoio à candidatura da Ucrânia à União Europeia e elogiou o exército e o povo ucraniano. "Saudamos e admiramos o esforço heroico do exército e da sociedade ucraniana na defesa da sua pátria, incluindo no Donbass", disse.

  Al Jazeera - Addressing Portuguese parliament, Ukraine president accuses Russia of atrocities, says Kyiv needs arms to defend itself. (...) he accused the Russian army of committing many atrocities in Ukraine, including in the port city of Mariupol, and asked Portugal to support a global embargo on Russian oil.

  Para memória futura - O PCP considerou esta quinta-feira que a referência que o Presidente da Ucrânia fez ao 25 de Abril durante a sua intervenção, por videoconferência, na Assembleia da República, “é um insulto” à Revolução dos Cravos. “A revolução de Abril foi feita para pôr fim ao fascismo e à guerra. É um insulto esta declaração [de Volodimir Zelenskii] que faz referência ao 25 de Abril. O 25 de Abril em Portugal foi para libertar e contribuiu para a libertação dos antifascistas. Na Ucrânia estão a ser presos”, argumentou a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, nos Passos Perdidos do parlamento.



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Sexta-feira, 8 de Abril de 2022
Presidente da Comissão Europeia a caminho de Kiev

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Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia, e o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, a caminho de Kiev para se encontrarem com Zelensky.

 

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A presidente da Comissão Europeia visitou uma vala comum em Bucha, uma cidade nos arredores de Kiev, onde as forças russas são acusadas pela Ucrânia e seus aliados de realizar atrocidades contra civis. Um jornalista da AFP informou que von der Leyen estava na cidade ao norte da capital como parte de uma viagem para reforçar o apoio à Ucrânia ao lado do chefe de política externa do bloco, Josep Borrell. O primeiro-ministro da Eslováquia, Eduard Heger, também estava nesta viagem.

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Von der Leyen entregou a Zelensky um questionário que será o ponto de partida para que os membros da UE decidam sobre a adesão da Ucrânia ao bloco europeu. "Penso que [esta decisão] não demorará anos, como é costume, mas sim semanas", sublinhou a presidente da Comissão Europeia. Zelensky garantiu que enviaria as respostas dentro de uma semana.

 


  Entretanto...

#  Mais de 30 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas num ataque de mísseis russos a uma estação ferroviária na cidade de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, informou a empresa ferroviária estatal. O ataque ocorreu quando civis estavam a ser evacuados para partes mais seguras do país. A primeira reação oficial do lado russo surgiu por parte do Ministério da Defesa, que nega a responsabilidade do ataque. Em declarações citadas pela agência Reuters, que cita a RIA, o governo russo diz que o tipo de míssil utilizado em Kramatorsk só é utilizado pelo exército ucraniano, acrescentando que será um tipo de míssil semelhante ao utilizado num ataque que matou 17 pessoas em Donetsk a 14 de março. A mesma fonte diz ainda que a Rússia não tinha quaisquer alvos definidos em Kramatorsk para esta sexta-feira.

#  “Mísseis de alta precisão do sistema de mísseis costeiros Bastion destruíram um centro de treino de mercenários estrangeiros perto da vila de Krasnosilka, a nordeste de Odesa”, disse um porta-voz do Ministério da Defesa russo num briefing.

#  As forças russas estão concentradas em assumir o controle das cidades de Popasna e Rubizhne, na região de Luhansk, no leste da Ucrânia, disse o Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia num post no Facebook. Dizem também que as forças russas continuam a tentar estabelecer o controle sobre a cidade sitiada de Mariupol. “O inimigo russo continua a bloquear a cidade de Kharkiv. Para impedir o avanço de nossas tropas, os invasores colocaram campos minados”, acrescenta o post.

#  A União Europeia já adotou o quinto pacote de sanções contra a Rússia. De acordo com um comunicado publicado no Conselho da União Europeia, este pacote surge “por causa da continuação da guerra na Ucrânia”, fazendo menção às “atrocidades cometidas pelas Forças Armadas russas”. “O conselho decidiu hoje impor um quinto pacote de sanções económicas e individuais contra a Rússia”, pode ler-se. Neste novo pacote incluem-se o embargo à importação de carvão e outros combustíveis fósseis (MAS NÃO PETRÓLEO OU GÁS NATURAL) vindos da Rússia. Esta medida TERÁ EFEITO A PARTIR DE AGOSTO, um mês mais tarde que o previsto. É ainda instituída a proibição de atracar a todos os barcos com bandeira russa.

#  Os preços de produtos “commodities” (*), como grãos e óleos vegetais, atingiram os níveis mais altos no mês passado por causa da guerra da Rússia na Ucrânia e das “interrupções maciças de fornecimento” que está causando, disse a ONU. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação disse que seu Índice de Preços de Alimentos, que acompanha as mudanças mensais nos preços internacionais de um cabaz de produtos básicos não industrializados, teve uma média de 159,3 pontos no mês passado, um aumento de 12,6 por cento em relação a fevereiro. (*) Em inglês "commodity" é um termo que corresponde a produtos básicos globais não industrializados, ou seja, matérias-primas que não se diferem independente de quem as produziu ou de sua origem, sendo seu preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional.

#  Numa rara admissão o Kremlin disse que a Rússia sofreu "perdas significativas" na Ucrânia, o que representa uma "enorme tragédia" para o país. "Sim, temos perdas significativas de tropas e é uma grande tragédia para nós", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à Sky News na quinta-feira [7abr2022]. As baixas do lado russo foram sempre difíceis de avaliar com o ministro da Defesa da Rússia a dizer em 25 de março – sua atualização mais recente – que 1.351 de seus soldados foram mortos em combate, enquanto 3.825 ficaram feridos. A Ucrânia diz que 19.000 soldados russos foram mortos. No entanto, os números de ambas as partes não são confiáveis, já que Kiev provavelmente os Inflacionará para aumentar o moral de suas tropas, enquanto a Rússia provavelmente os minimiza.



Publicado por Tovi às 09:35
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Terça-feira, 29 de Março de 2022
Nova ronda de negociações entre Rússia e Ucrânia

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Arranca hoje na Turquia mais uma ronda de negociações presenciais russo-ucranianas e deverão estender-se até quarta-feira. O facto de Erdogan ter sido, desde o início, um dos mediadores de quem as duas partes desconfiam menos e também pelo facto da Turquia ser membro da NATO, é importante e poderá revelar alguma coisa. Veremos.

O avião que transportava membros da delegação russa aterrou em Istambul a meio da tarde de ontem, para mais uma ronda de negociações, programadas para hoje e amanhã (28 e 29mar2022) em modelo presencial. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a Ucrânia poderá aceitar declarar neutralidade – e, eventualmente, aceitar um compromisso para as áreas reclamadas por separatistas no leste do país – bem como oferecer garantias de segurança à Rússia para garantir a paz “sem demora”. O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou neste mesmo dia de segunda-feira que se reunirá tanto com a delegação ucraniana como com a russa antes de estas iniciarem hoje uma nova ronda de negociações no Palácio Dolmabahce de Istambul. É capaz de sair fumo branco destas negociações... e quem vai ficar bem na fotografia é Erdogan.

 

  O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, dirigiu-se às delegações ucraniana e russa, que retomam hoje as conversações de paz em Istambul. "Uma paz justa não terá um derrotado. O conflito continua a não beneficiar ninguém", disse o presidente turco, antes do arranque das negociações. No seu discurso, Erdogan sublinhou também o papel da Turquia, considerando que o seu país tem mostrado "uma posição justa" em todas as frentes desde o início da guerra. O presidente turco lembrou as partes que chegou o momento de as negociações "terem resultados concretos", pedindo um "imediato cessar-fogo". Erdogan disse ainda que os eventuais progressos alcançados em Istambul podem abrir caminho ao encontro entre os presidentes Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, que a Turquia está também disponível para acolher. "Ambos são amigos de valor", sublinhou o presidente turco.

  oligarca russo Roman Abramovich está presente nas negociações entre a Rússia e a Ucrânia, que decorrem esta terça-feira, em Istambul. Foi filmado e fotografado por vários órgãos de comunicação no local, sentado ao lado de Ibrahim Kalin, porta-voz de Erdogan, enquanto escuta a tradução das declarações do presidente turco. De referir que esta não é a primeira vez que o dono do Chelsea participa nestas reuniões. De acordo com o Wall Street Journal, Abramovich esteve numa ronda de negociações, que teve lugar em Kiev, no início do mês. O oligarca russo foi um dos que sofreu graves sanções económicas em consequência da invasão à Ucrânia, muito devido à sua ligação a Moscovo e Vladimir Putin, que o levaram a colocar o Chelsea à venda.

 

  
Captura de ecrã 2022-03-29 135009.jpgO encontro entre as delegações da Ucrânia e da Rússia em Istambul já terminou [12h30 TMG], confirmou a embaixada ucraniana na Turquia e também Ankara. As negociações de paz duraram cerca de quatro horas, com algumas pausas, e ainda não é claro se serão retomadas na quarta-feira. A Ucrânia já apresentou a sua proposta final à Rússia sobre o que entende por neutralidade e aguarda agora uma resposta, segundo indicou um dos negociadores ucranianos, Oleksander Chaly, que falou aos jornalistas no final do encontro que decorreu em Istambul, ao lado do conselheiro presidencial Mykhailo Podolak. De acordo com a fonte ucraniana, se as garantias de segurança funcionarem, Kiev aceita o estatuto neutral. Este estatuto obrigará a que a Ucrânia não adira à NATO ou outras alianças militares e que não haja bases militares estrangeiras no país Kiev diz que para haver um acordo final com a Rússia tem de haver paz em toda a Ucrânia e ainda que os termos do acordo com Moscovo vão estar sujeitos a referendoA situação na Crimeia não foi excluída, com a Ucrânia a propor consultas com a Rússia sobre o estatuto da região, que foi anexada por Moscovo em 2014, durante os próximos 15 anosQuanto às garantias de segurança, além da Turquia ser apontada como o principal aliado neste capítulo, também Israel, Polónia e Canadá podem estar entre os países que assegurarão as condições necessárias de segurança ao abrigo de um novo sistema. A Ucrânia adiantou ainda que houve desenvolvimentos suficientes para que Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin se possam reunir presencialmente. O negociador e alto responsável do Kremlin, Vladimir Medinsky, confirmou que as conversações foram construtivas, que vão agora olhar para as propostas ucranianas e apresentá-las a PutinNo entanto, para que os dois presidentes se encontrem será necessário um acordo assinado entre os ministros dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov e Dmytro Kuleba. O vice-ministro russo da Defesa, Alexander Fomin, anunciou que as tropas russas vão "reduzir radicalmente" as atividades militares em Kiev e Chernihiv, na sequência das negociações de paz. Fomin pediu também à Ucrânia para cumprir as Convenções de Genebra sobre prisioneiros de guerra.
  
Carlos Miguel Sousa - Oxalá esta gente se entenda.
David Ribeiro - Já parece haver uma ténue luz ao fundo do túnel... e o Erdogan a ficar bem na fotografia.
Carlos Miguel SousaO Erdogan, posiciona-se sempre como a principal potência regional. E tem sido inteligente nessa estratégia.

 

  As negociações de paz entre as delegações da Ucrânia e da Rússia que se encontram em Istambul não prosseguem amanhã, adiantou o ministério turco dos Negócios Estrangeiros, dando o encontro de hoje como concluído.

 

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5b973878a31033b41c02ae18.jpegNuma altura em que não é clara a posição da China relativamente ao apoio militar à Rússia na guerra com a Ucrânia, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros disse ontem [2.ª feira, 28mar2022] que as relações entre os dois países nunca estiveram tão fortes. O tema não foi, no entanto, aprofundado por Sergei Lavrov, que respondia aos jornalistas sobre como a Rússia estava a reagir às sanções internacionais, sabendo-se desde já que Pequim recusou aplicar sanções económicas a Moscovo. "As nossas relações com a China estão mais fortes do que nunca. A nossa parceria estratégica privilegiada com a Índia está a crescer. Também temos laços com a maior parte do Médio Oriente, com os países latinos e africanos", apontou Lavrov.

 

  João Fernando Ramos, enviado especial da CNN Portugal a Lviv
O “Obelix” da Ucrânia
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Conheci hoje o Iaroslav.
Estava sentado na entrada da aldeia de Nova Camianka, junto a uma proteção muito musculada da sede do poder local. A aldeia fica a uns quarenta quilómetros de Lviv, perdida no meio da imensidão dos campos desta região. Chegámos lá por uma estrada de terra, depois de termos contornado uma barreira cheia de sacos de areia e de blocos de betão, mas sem ninguém de guarda.
As pessoas ficam muito desconfiadas com a chegada de estrangeiros. Ninguém fala inglês e só o nosso tradutor consegue quebrar o medo com a insistência de que somos portugueses e que vimos por bem.
Só restam os velhos, algumas mulheres e muitas crianças. Estão aqui no colo dos avós, muito mais seguras do que nas cidades. Quem vive ali acredita nisso. Não lhes disse nada em contrário, mas não me tranquiliza deixar o meu novo amigo Iaroslav, mesmo com os seus 180 quilos, com a missão de defender aquela terra de caçadeira em punho e, se necessário, a correr russos à paulada. Este país tem um contraste imenso entre as cidades e o campo. O desenvolvimento tarda em chegar aqui e esta guerra vai ainda causar mais problemas para quem ainda resiste. Os tratores são da primeira geração de máquinas agrícolas. O transporte de estrumes e adubos é feito ainda de burro e as bicicletas servem para novos e velhos se aventurarem naqueles caminhos poeirentos com sacos e pertences.
A conversa com Iaroslav foi deliciosa, mesmo com uma tradução muito incompleta pelo meio. Acabámos sentados numa mesa com eles a partilharem o melhor que tinham, ao ritmo de copinhos de vodka ucraniano. Falta quase tudo aqui e estas pessoas vivem do que a terra dá - mesmo assim partilham. Iaroslav contou os dias e as noites em que partiram brigadas da aldeia com sopa e agasalhos para os milhares de refugiados que passavam por ali. Ele optou por ficar, com a aldeia, mas também com a família. Na mesa juntaram-se a senhora Iaroslav e a filha.  Entraram logo naquela conversa com gestos e sorrisos que nos afastou a todos do temor de um qualquer ataque surpresa.
Brindámos à paz, à Ucrânia e a Portugal.
Não sei se o vou voltar a ver, mas ficará nas doces memórias de uns dias terríveis como o nosso Obelix, que não desiste, mesmo quando só tem as mãos para lutar.



Publicado por Tovi às 08:07
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Quarta-feira, 23 de Março de 2022
28.º dia da invasão russa da Ucrânia

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Antes da invasão da Ucrânia a Rússia tinha mais de 200 mil sodados ao longo da fronteira e tudo parecia ir ser uma campanha rápida até o governo em Kiev ser substituído por um ”fantoche” qualquer ao serviço de Vladimir Putin. Mas passado quase um mês a campanha militar da Rússia na Ucrânia estagnou em todas as frentes e resume-se praticamente a devastadores bombardeamentos, muitos dos quais contra edifícios civis habitados ou mesmo serviços hospitalares. Tudo isto será não só o resultado de um mau planeamento, uma fraca moral das tropas e má logística do Kremlin, mas também e seguramente devido a uma forte resistência das forças ucranianas, que permanecem firmes e bem coordenadas, com a grande maioria do território em mãos fieis ao governo de Volodymyr Zelensky. Tudo leva a crer que o plano original de Putin falhou, mas ainda vamos ter tempos sombrios pela frente.
  
Tiago Mergulhão Gomes - A ajuda do Ocidente, sob a forma de armas anti-tanque e mísseis antiaéreos também tem mostrado o seu valor.

 


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O primeiro-ministro António Costa despediu-se ontem das tropas portuguesas que vão para a Roménia no âmbito da NATO e garantiu que Portugal vai estar presente naquilo que for solicitado para defender a paz nos territórios da organização.

 


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Juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal tomou a decisão de permitir que Mário Machado deixe de ser obrigado a comparecer regularmente à polícia e ir combater voluntariamente na Ucrânia. O Ministério Público discorda e vai recorrer desta decisão judicial.
  Rui MoreiraA grande preocupação do PCP e do BE é o senhor Mário Machado. Pessoa pouco recomendável mas irrelevante. Claro que há uma decisão judicial invulgar. Mas isso sucede todos os dias. Contextualizemos, ainda assim: A minha preocupação é o senhor Putin, e a 5a coluna portuguesa. Do BE ao PCP, colaboracionistas de facto. E é isto, o caso Machado, que preenche o espaço mediático, com um tema irrelevante. Eu acho que o Bernardino, a Catarina e quejandos devem ir lutar pelas suas convicções. O Bernardino Soares é livre de ir combater ao lado dos russos. A Catarina também porque o Trotsky não se importa. Tenham juízo. Todos. Se puderem, tenham vergonha.
  Expresso
Adido militar da Embaixada da Ucrânia em França diz que Mário Machado não pode "entrar nas forças armadas” ucranianas devido aos “crimes mencionados no cadastro”. Um dos critérios para a aceitação de candidatos na Legião Internacional de Defesa Territorial das Forças Armadas da Ucrânia é a “ausência de condenação por crimes, comprovada através do registo criminal”, garante o coronel Sergii Malyk, adido militar da Embaixada da Ucrânia em França ao “Diário de Notícias”. Quando questionado sobre Mário Machado, o militar diz que “a pessoa que refere não pode ser aceite".
PúblicoO militante neonazi Mário Machado regressa esta sexta-feira [25mar2022] a Portugal, depois de ter estado praticamente uma semana na Ucrânia, e volta a estar sujeito a apresentações periódicas às autoridades, confirmou esta quinta-feira o seu advogado. Em declarações à Lusa, José Manuel Castro explicou que o antigo dirigente de extrema-direita fez “distribuição de bens alimentares e material sanitário” em solo ucraniano e que “não chegou a combater”, apesar de ter estado num “cenário de guerra”. O mandatário adiantou também que Mário Machado trouxe alguns refugiados até à Alemanha e integrou algumas das cerca de 20 pessoas que viajaram consigo nos “meios de defesa” ucranianos.

 

  As outras guerras a que não estamos a prestar atenção (in Expresso)
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Conflitos ativos em 2022
Iémen: uma das maiores crises humanitárias do mundo. Cerca de 377 mil pessoas terão morrido devido à guerra até ao final do ano passado, há mais de 20 milhões a precisar de ajuda humanitária.
República Centro Africana: em guerra civil há quase 13 anos. Já morreram milhares de pessoas, há mais de 500 mil refugiados e 581 mil deslocados internos, e cerca de 2,9 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária.
Nigéria: a ganhar terreno ao extremismo devagar. O grupo fundamentalista Boko Haram e mais recentemente o ISWAP têm feito milhares de vítimas desde 2009: as últimas estimativas apontam para 350 mil mortes.
Líbia: uma nação entre estados paralelos. No total, a guerra civil já causou pelo menos mil mortes. Cerca de 217 mil pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas, e há 1,3 milhões a precisar de assistência humanitária.
Myanmar: a perseguição contra os Rohingya, um povo sem voz. Há 1,3 milhões de Rohingya em Myanmar: mais de 700 mil já fugiram para o Bangladesh desde 2017 e outros 129 mil foram forçados a deixar as suas casas no país para não perderem a vida. O número de desaparecidos é elevado, o número de violações e torturas também, e não se sabe ao certo quantos milhares de pessoas já foram mortas.
Israel: o "apartheid" ao povo palestiniano. É difícil fixar o número de vítimas ao longo dos anos, mas estima-se que mais de 14 mil pessoas perderam a vida desde 1987. A esmagadora maioria são cidadãos palestinianos.
Síria: um país encurralado entre várias guerras. A ONU diz que já morreram pelo menos 400 mil pessoas. Há ainda cerca de 5,6 milhões de refugiados e 6,2 milhões de deslocados internos.
Caxemira: uma disputa longa e violenta entre Índia e Paquistão. Caxemira é uma região tripartida: a Índia controla cerca de 43% do território, o Paquistão 37% e a China 20%. O risco de um confronto militar sério entre Índia e Paquistão permanece elevado — ambas as potências têm armas nucleares e isso é uma preocupação acrescida.
República Democrática do Congo: em transição para a paz que não chega. O Congo é sinónimo de violência há décadas e continua a sofrer as consequências do genocídio do Ruanda, em 1994. As tensões entre a etnias Hutu e Tutsi continuam até hoje, e a política tem sido incapaz de trazer a paz. Há mais de 5,5 milhões de deslocados internos e mais de 800 mil refugiados noutros países.

 

 
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As primeiras notícias deste 28.º dia da invasão da Ucrânia pelos russos dizem-nos que o Laboratório Central Analítico de Chernobyl foi saqueado e arrasado durante esta noite pelas tropas de Vladimir Putin. Eram instalações "sem comparação na Europa", com "o mais moderno e sofisticado equipamento analítico [de desperdícios radioativos]”, segundo a Agência Estatal Ucraniana para a Gestão da Zona de Exclusão [da Central Nuclear de Chernobyl].

 


transferir.jpgA ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse hoje que, após vários atrasos nas entregas, mais fornecimentos de mísseis Strela estão a caminho da Ucrânia. “Posso dizer claramente que mais entregas do Strela estão a caminho”, disse Baerbock à câmara baixa do parlamento do Bundestag, citando os mísseis que historicamente estavam nos inventários do ex-exército comunista da Alemanha Oriental. “Somos um dos maiores fornecedores de armas nesta situação, isso não nos deixa orgulhosos, mas é o que devemos fazer para ajudar a Ucrânia”, acrescentou.
Também no dia de hoje o ministro da Defesa da Suécia, Peter Hultqvist, disse que o país vai fornecer à Ucrânia cinco mil armas antitanque adicionais, avança a Reuters, que cita a agência TT. Estas armas são destinadas para a destruição de carros de combate ou outros veículos blindados.
Um primeiro carregamento de um novo pacote de armas dos EUA de US$ 800 milhões para a Ucrânia será enviado nos próximos dias e não demorará muito para chegar aos ucranianos, disse um alto funcionário da defesa dos EUA. Não foram especificados quais sistemas serão incluídos nos primeiros carregamentos, mas será dada prioridade aos tipos de armas defensivas já usadas pelas tropas ucranianas.

 

  Dados oficiais da NATO (21mar2022)
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Reforço de presença defensiva na parte oriental da Aliança com mais tropas, aviões e navios.
  Jorge De Freitas Monteiro - Nos dias pares o exército russo é incapaz de dar conta da Ucrânia. Já nos ímpares prepara-se para invadir mais oito países. Não é espantoso?



Publicado por Tovi às 07:07
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Quarta-feira, 16 de Março de 2022
Como as táticas da Rússia estão evoluindo na Ucrânia

  by Alex Gatopoulos / Al Jazeera – 15mar2022
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Na última semana, houve uma mudança marcante nas táticas dos militares russos à medida que o objetivo da guerra na Ucrânia se ampliou. Armas avançadas, especialmente sistemas de defesa antitanque e antiaéreos portáteis, bem como armas pequenas e munições, estão chegando à Ucrânia. Estas tiveram um impacto significativo no campo de batalha, já que tanques russos, veículos blindados, camiões de suprimentos e helicópteros foram repetidamente alvejados e destruídos. Esses ataques ajudaram a retardar o avanço da Rússia, que continua a progredir no país por três direções – do norte em direção à capital Kiev; do leste com foco em sitiar Kharkiv e Mariupol; e do sul, onde unidades russas, tendo tomado Kherson, cruzaram o rio Dnieper em dois lugares e agora avançam por ambos os lados, além de pressionar a cidade de Mykolaiv e as defesas ucranianas perto da cidade de Zaporizhzhia. Unidades russas consolidaram o controle sobre Mariupol, tomando cidades vizinhas e ampliando o corredor que liga a Crimeia a Donetsk. Apenas uma pequena faixa de litoral, centrada em torno da cidade portuária de Odesa, está agora sob controle ucraniano.
Combatentes estrangeiros e problemas russos - Não são apenas as armas que estão inundando a Ucrânia. Voluntários estão entrando no país por todos os meios que podem para lutar. Mais de 60.000 ucranianos de sua diáspora retornaram ao país e agora estão engajados na luta contra a Rússia, de acordo com o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov. Combatentes estrangeiros também estão abrindo caminho, impulsionados por uma variedade de ideologias e razões, com a Ucrânia dizendo que 20.000 pessoas se inscreveram para se juntar à legião internacional criada em resposta à invasão russa. A Rússia anunciou que também receberá combatentes estrangeiros, principalmente sírios com experiência em combate urbano, em um esforço para reforçar suas forças armadas, que até agora tiveram um desempenho ruim. Esta é uma das grandes surpresas da guerra até agora: que os militares da Rússia com seu “novo” exército profissional mal alcançaram qualquer um de seus objetivos estratégicos e, em termos de poder de combate aplicado, logística, comando e controle e moral geral e foco, teve um desempenho inferior em toda a linha. As comunicações militares têm sido tão ruins que os generais russos tiveram que se aproximar muito das linhas de frente para exercer algum controle sobre a situação tática. Até agora, três generais foram mortos na guerra, um número quase sem precedentes em qualquer conflito moderno. Em alguns lugares, as comunicações contaram com redes civis normais não criptografadas, permitindo que os militares e a inteligência ucranianos intercetassem o tráfego de comunicações militares russos.
A guerra move-se para o oeste - A Rússia finalmente aceitou o facto de que esse vasto influxo de armamento e mão de obra está a afetar as suas forças armadas e agora tomou medidas para interromper o fluxo. As bases aéreas ucranianas em Ivano-Frankivsk e Lutsk, no oeste do país, foram atacadas e severamente danificadas num esforço para degradar a Força Aérea da Ucrânia, um movimento que poderia ter sido esperado nas primeiras horas da invasão, mas que chegou quase três semanas atrasado. Uma base ucraniana em Yavoriv, ​​perto da fronteira polaca, que é usada para treinar combatentes estrangeiros, foi destruída por ataques de mísseis enquanto a Rússia tentava interditar o fluxo de homens e material que atravessava a fronteira. A Rússia claramente desviou a sua atenção dos campos de batalha imediatos no leste para o oeste relativamente ileso da Ucrânia. Depois que o Kremlin ameaçou atacar carregamentos de armas ocidentais para a Ucrânia, a NATO alertou que eles seriam defendidos se fossem atacados além das fronteiras da Ucrânia. Este é agora um ponto de inflamação potencial que pode atrair a NATO para um conflito mais amplo, já que a Rússia está desesperada para impedir que as armas fluam para o leste para as forças armadas da Ucrânia. Uma guerra geral na região, envolvendo potências nucleares é o que todos os lados estão tentando evitar, pois os resultados seriam catastróficos para a Ucrânia, Rússia, Europa Oriental e além.
Civis como armas - As táticas da Rússia endureceram à medida que hospitais e outras infraestruturas civis foram repetidamente atingidos por ataques aéreos e bombas de artilharia. As coordenadas desses hospitais são conhecidas pelos planeadores militares russos, os prédios são grandes e facilmente identificados do ar. Um ou dois ataques podem ser um erro, uma das terríveis realidades da guerra, mas nada mais do que isso mostra uma estratégia deliberada para tornar a vida insuportável para os civis locais que então fugirão para áreas desocupadas, sobrecarregando rapidamente os escassos recursos das povoações e cidades próximas à linha de frente. Estas táticas foram vistas em Mariupol, Kharkiv e provavelmente serão aplicadas na capital Kiev e em Odesa, enquanto a Rússia se concentra no próximo estágio do conflito.
O norte – Kiev e o comboio - A capital ucraniana tem sido um objetivo estratégico russo desde o início da guerra. Um enorme comboio, composto por centenas de veículos, tanques, artilharia, veículos blindados e camiões de suprimentos avançou em direção a Kiev, apenas para parar a cerca de 25 km da cidade, dentro do alcance da artilharia ucraniana. Lá ficou, um alvo potencial com cerca de 64 km (40 milhas) de comprimento, imóvel numa única estrada por 10 dias. É um dos grandes mistérios da guerra até agora. Por que os russos avançaram tão perto e depois pararam? E por que o comboio não se espalhou pelo menos para se proteger? Houve relatos de que o chefe do comboio foi atacado, de modo que seu avanço parou; que os russos ficaram sem combustível, ou menos provável, que os pneus chineses baratos usados ​​pelos russos não aguentaram as estradas irregulares e estouraram. Mas há uma segunda parte nesse mistério: por que a artilharia ucraniana de longo alcance não destruiu pelo menos parte do comboio? No início da guerra, os militares ucranianos tinham 354 lançadores de foguetes múltiplos (MRLs), incluindo mais de 80 dos MRLs guiados com precisão Alder feitos localmente que, com um alcance de 70 km, poderiam facilmente atingir todo o comboio. Mas isso não aconteceu. O facto da Ucrânia não ter atacado um alvo virtualmente estacionário tão óbvio confundiu os observadores externos, mas a explicação mais comum entre os ucranianos é que eles não queriam escalar o conflito infligindo um grande número de baixas russas. A oportunidade de destruir o comboio passou, pois se dispersou e agora faz parte do esforço russo para tomar a cidade. As cidades periféricas foram fortemente bombardeadas e a própria Kiev foi atingida várias vezes, com a frequência de ataques aumentando a cada dia, à medida que a capital se prepara para um ataque terrestre de tropas e blindados russos.
O sul – Mariupol e Odesa - Como a Rússia se concentra em sitiar cidades, a frente sul é onde tem tido mais sucesso. A maior parte do litoral está agora nas mãos dos russos. A cidade de Mariupol é o único obstáculo para a Rússia ligar a Península da Criméia a Donetsk. Testemunha de alguns dos piores combates, a cidade foi amplamente danificada com bairros inteiros arrasados ​​pela artilharia russa e ataques aéreos. Enquanto os ucranianos estão resistindo, o abastecimento está a tornar-se um problema e a situação humanitária está piorando, apesar das sucessivas tentativas de abrir corredores humanitários para que os civis deixem a cidade. Cidades ao norte de Mariupol foram tomadas pela Rússia à medida que o cordão ao redor da cidade sitiada se amplia. Odesa, o maior porto da Ucrânia, está se preparando para um ataque russo. Um antigo destino turístico russo, seu trecho de 40 km de praia e litoral já foi minado, pontos fortes foram construídos por toda a cidade enquanto os militares e voluntários ucranianos se preparam para a batalha urbana que eles temem que esteja chegando. Há relatos de que uma grande frota anfíbia russa está se aproximando de Odesa da Península da Crimeia. Os russos haviam cautelosamente montado um bloqueio distante do porto, até agora evitando um ataque direto à cidade. Se Odesa cair nas mãos dos russos, será um duro golpe para o esforço de guerra da Ucrânia, já que o porto movimenta dois terços de toda a carga que chega por mar. As unidades de infantaria mecanizada russas estão agora avançando lentamente para o norte ao longo de ambos os lados do Dnieper. As cidades estratégicas de Zaporizhzhia e Dnipro transformaram-se em fortalezas à medida que são inundadas por refugiados que fogem dos combates, sobrecarregando ainda mais os recursos já sobrecarregados. Situado na curva do rio Dnieper, que corta a Ucrânia de norte a sul, sua posse é vital para ambos os lados, enquanto as forças russas avançam lentamente para o norte.
Muito foi dito sobre o lento avanço russo, mas apesar dos vigorosos esforços da Ucrânia, eles estão avançando. O cerco às cidades ocidentais da Ucrânia continua. Toda a área ao redor de Kherson está agora sob controle russo e um ataque bem-sucedido a Odesa isolaria a Ucrânia do mar, transformando-a em um país sem litoral, bloqueando a maioria das importações tão necessárias do país. Com tanto em jogo para ambos os lados, o conflito não parece que terminará tão cedo. As baixas devem aumentar acentuadamente, os vizinhos da Ucrânia já estão perto do ponto de saturação à medida que os refugiados continuam a cruzar a fronteira. O perigo de escalada está sempre presente enquanto a Rússia luta para manter sua ofensiva militar na Ucrânia e também seu controle sobre a opinião pública em casa. A sobrevivência política de Vladimir Putin está cada vez mais ligada a um resultado bem-sucedido para a Rússia nesta guerra, o crescente número de mortos e a lentidão de sua acusação o apoiando constantemente em um canto, e os presidentes encurralados são perigosos.
  
Rodrigues Pereira - Continua tudo a ser uma enorme incógnita. Parece que a Rússia conseguiu, finalmente, acertar a pontaria e bombardear 2 aeroportos e a base de treino junto à fronteira da Polónia. Tenho alguma esperança de que as negociações possam aportar alguma razoabilidade, sem interditar o acesso marítimo à Ucrânia (Odessa). Isto dito, creio que a pressão ocidental se poderia traduzir por uma constante visita de líderes da UE a Kiev. Mesmo Putin, não se atreveria a bombardeá-los!!!

 

  Quem controla o quê na Ucrânia (de 6mar para 16mar2022)
De dia 06 para dia 16mar2022.jpg

 


15mar2022.jpg
Apesar do perigo de bombardeamento, os primeiros-ministros da Polónia, Eslovénia e da República Checa viajaram ontem [terça-feira, 15mar2022] até Kiev para uma reunião com o Presidente Volodymyr Zelensky. O objetivo da visita foi reforçar o total apoio do Conselho Europeu à independência da Ucrânia.

 


ref.jpgNas últimas três semanas, Portugal recebeu 10.068 refugiados da Ucrânia. O número quase que iguala o mesmo número de refugiados, de todos os países, que Portugal acolheu desde 2015 (10.927). No ano passado, mais de 27 mil ucranianos viviam em Portugal. Já em 2022, depois da invasão da Rússia à Ucrânia, o número de ucranianos terá disparado para cima dos 37 mil, colocando o país no terceiro mais representado em Portugal em termos de imigrantes.

 

  Da série "Piscar o olho a Putin"
cgtp.jpg

 

  
Financial Times 16mar2022.jpg
O Financial Times, citando três pessoas envolvidas nas negociações, noticia na tarde de hoje (16mar2022) que a Ucrânia e a Rússia chegaram a um “plano de paz provisório assente em 15 pontos. Ambos os países terão chegado a “progressos significativos”, num plano que inclui um cessar-fogo e a retirada da Rússia de território ucraniano, desde que Kiev declare a neutralidade e aceite limitar as suas forças armadas. Apesar disso, fonte do governo russo diz ser ainda muito cedo para comentar o assunto.

 


bolsa-valores-2.jpgBolsa portuguesa valorizou esta quarta-feira, com o PSI-20 a encerrar a sessão em alta de 1,02% nos 5622,30 pontos, com 12 cotadas em alta e sete em baixa, num dia em que os mercados europeus beneficiaram de notícias que dão conta de progressos nas negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia. Paris e Frankfurt encerraram em alta de 3,68% e 3,76%, respetivamente; e o índice pan-europeu Stoxx 600 cresceu 3,07%.



Publicado por Tovi às 07:49
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Sexta-feira, 4 de Março de 2022
O pior está para vir

  Vladimir Putin e Emmanuel Macron estiveram numa conversa telefónica de hora e meia no dia de ontem [03mar2022] e da conversa o presidente francês concluiu que “o pior está para vir”, na ofensiva russa em território ucraniano.

 


central nuclear.jpg
Esta madrugada a Central Nuclear de Zaporizhzhia esteve em chamas após um ataque russo. O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), Rafael Mariano Grossi, garantiu na manhã de hoje [04mar2022] que os seis reatores de Zaporizhzhia "não foram afetados" pelo ataque à central, pelo que não houve fuga de material radioativo. "É importante dizer que todos os sistemas de segurança dos seis reatores da central não foram de todo afetados. Não houve fuga de material radioativo", afirmou o responsável da IAEA, em conferência de imprensa, após o alegado ataque das tropas russas à maior central nuclear da Europa. Grossi disse que apenas o "edifício adjacente" da central foi atingido, mas que, "naturalmente", a situação "continua a ser extremamente tensa e desafiadora devido às circunstâncias". Segundo fontes do parlamento ucraniano a Central Nuclear está agora controlada pelos russos. Do outro lado da “barricada” um porta-voz do ministro russo da defesa, citado pela Interfax, culpa "sabotadores ucranianos" pelo ataque à Central Nuclear de Zaporizhzhia, dizendo que a Ucrânia perdeu o controlo dos "mercenários estrangeiros". 

 

   A brincar se vão dizendo verdades
249432190.jpgPara quem já andou praticamente dois anos de máscaras Covid passar a usar as de proteção de contaminação radioativa não deve ser muito difícil.

 

  Mais uma da série "Rússia invadiu Ucrânia"
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  13h36 de 04mar2022Várias explosões seguidas foram ouvidas em Kiev, testemunhou um jornalista da Reuters no local, tendo sido acionadas as sirenes de alerta de ataque aéreo na cidade. A origem das explosões é ainda desconhecida, segundo a mesma agência de notícias.
  15h47 de 04mar2022Vladimir Putin falou esta sexta-feira ao telefone com o chanceler alemão Olaf Schokz, garantindo que a Rússia está aberta ao diálogo com a Ucrânia, apresentando um "mas". 
Segundo o presidente russo, Kiev deve cumprir "todas as exigências" de Moscovo, disse Putin, citado pela agência Interfax. Na conversa entre os dois líderes mundiais, Putin disse ainda a Scholz que espera que a Ucrânia assuma "uma posição construtiva" na próxima ronda de negociações.
  16h21 de 04mar2022Volodymyr Zelensky conversou esta sexta-feira com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente ucraniano adianta que a candidatura da Ucrânia à União Europeia (UE) e os acontecimentos da última madrugada na central nuclear de Zaporizhzhia estiveram em discussão. “Falei com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Informei-a sobre as agressões de terrorismo nuclear. Prevenir é o nosso esforço comum. Discutimos o fortalecimento das sanções contra a Rússia. O problema da candidatura da Ucrânia à União Europeia também esteve na agenda”, pode ler-se na publicação de Zelensky no Twitter.
  16h30 de 04mar2022O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se agora (11h30 em Nova Iorque). Em causa está o ataque à central nuclear de Zaporizhzhia. O Conselho de Segurança das Nações Unidas é composto por cinco membros permanentes e dez não-permanentes. Os membros permanentes são a República Popular da China, Estados Unidos da América, Reino Unido, França e Federação Russa. Neste momento (mandatos de 1jan2022 a 31dez2023) os membros não-permanentes são Gana, Gabão, Emirados Árabes Unidos (EAU), Albânia, Brasil, Índia, Irlanda, Quénia, México e Noruega.
  17h35 de 04mar2022
O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá alinharam-se nas sanções a impor à Rússia. De acordo com Augusto Santos Silva, que falou depois de uma reunião em Bruxelas, um ponto muito presente é a “necessidade de cuidar da implementação completa das sanções”, avaliando o efeito das mesmas. “É uma fase muito importante, não podemos multiplicar-nos em sanções sem cuidar que elas estão completamente implementadas no terreno”, afirmou. O responsável falou de uma evolução “muito negativa” no terreno, e admite que foram discutidas novas medidas de “isolamento da Rússia nas organizações internacionais”.
  18h00 de 04mar2022
Um enviado chinês à reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU apelou, mais uma vez, ao diálogo entre a Rússia e a Ucrânia para chegarem a um entendimento político. "A comunidade internacional deve manter a cabeça fria e racional", afirmou. Aproveitou ainda para saudar o entendimento entre os dois países no que toca aos corredores humanitários.
  18h37 de 04mar2022Milhares de refugiados estão a sair da Ucrânia com os seus animais de estimação, no meio de temperaturas negativas. Na Roménia, estão a ser recebidos com ambulâncias veterinárias e condições para cuidar de muitos cães e gatos apanhados pela guerra.
  20h54 de 04mar2022
Cidade de Trostyanets [cerca de 20 mil habitantes] capturada pelos russosA notícia foi confirmada pelo governador da região de Sumy, Dmytro Zhyvytskyy, que anunciou também que as tropas russas controlam a estação de ambulâncias e não estão a deixar as equipas médicas tratar outros pacientes para além de crianças. Zhyvytskyy acrescentou que todas as lojas foram saqueadas e que ninguém na cidade consegue arranjar comida.



Publicado por Tovi às 10:26
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